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segunda-feira, 9 de abril de 2018

A cidade de pedra e a Igreja de Santo Antônio

(Por Arnaldo Silva) Grão Mogol é a genuína e autêntica raiz do sertão mineiro. Suas ruas e construções em pedras, em destaque para a Igreja de Santo Antônio, é a mais pura originalidade da cultura, arquitetura e riqueza patrimonial mineira. (foto acima de Allan Chaves) Foi fundada em 1840, sendo hoje uma cidade histórica, tendo seu centro histórico, com suas ruas e casarios em estilo colonial, todos em pedra, tombados pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep). A cidade possui também um presépio tamanho natural, muito visitado por turistas nas proximidades do natal.
          O município tem cerca de 18 mil habitantes, está a 829 metros de altitude e a 556 km de Belo Horizonte, 1.080 km do Rio de Janeiro, 1.215 km de São Paulo, 930 km de Brasília, 940 km de Vitória e 879 km de Salvador. (foto acima de Thelmo Lins e abaixo de Juneo Lopes)
          É uma das mais importantes cidades do Norte de Minas. Faz divisa com os municípios de Riacho dos Machados, Francisco Sá, Itacambira, Botumirim, Cristália, Berilo, Virgem da Lapa, Josenópolis, Padre Carvalho, Fruta de Leite, Rio Pardo de Minas, Juramento. 
Breve história
Tela mostrando Grão Mogol na origem. Créditos: Divulgação/Unimontes
          A partir de 1710, bandeirantes e aventureiros começaram a chegar na Serra do Espinhaço devido a descoberta de diamantes, num local denominado Arraial do Tejuco, onde é hoje o município de Diamantina. A descoberta gerou a procura por diamantes em terras ao longo do entorno do recém formado Arraial do Tejuco. No final do século XVIII descobriram diamantes ao longo do Rio Itacambiraçu e na Serra de Santo Antônio, onde foram encontrados diamantes nas rochas, sendo caso único no mundo. A partir de então, um pequeno arraial começou a se formar, denominado de Santo Antônio do Itacambiruçu, que hoje é a cidade de Grão Mogol.
          A origem do nome Grão Mogol não é exata. (foto acima de Thelmo Lins o calçamento em pedras da cidade) Uma versão diz que vem do nome de um diamante descoberto na Índia em 1550, que pesava 793 quilates denominado Grão Mogol. Na região do Espinhaço foram encontrados alguns diamantes semelhantes em quilates, por isso a associação ao nome. (na foto abaixo de Thelmo Lins, local de extração de diamantes, ainda em funcionamento)
          Outra versão sugere que o nome tenha originado no amargo sofrimento gerado por conflitos pela disputa de diamantes, ocasionando grandes desordens sociais e assassinatos, o que provocava grande amargor nas pessoas do povoado. Já naquela época, o mineiro tinha o hábito de reduzir as palavras, como ainda hoje. Não falavam "grande amargor" e sim "granmargor", "grãomargó" e por fim, corrigindo a pronuncia, a denominação passou a ser Grão Mogol. 
       Em 1840 o povoado foi elevado a distrito, subordinado a Montes Claros MG. Em 1849 foi elevado a Vila e finalmente, reconhecida como cidade em 1858. A data oficial do aniversário de Grão Mogol é 23 de março de 1840, portanto, a cidade tem hoje 180 anos. (na foto abaixo de Manoel Freitas, a lateral da Igreja de Santo Antônio)
           A marca da presença portuguesa era a edificação de uma cruz e construção de uma capela, em homenagem aos seus santos. Os portugueses, bem como seus descendentes, veneravam muito Santo Antônio, um frade franciscano nascido em Lisboa que viveu boa parte de sua vida em Pádua, na Itália. (na foto abaixo de Sérgio Mourão, a Praça da Matriz de Grão Mogol)
          Na região já existia uma cadeia montanhosa com o nome de Santo Antônio e resolveram construir uma igreja em sua homenagem. Começaram a construção da igreja, no então distrito com apoio do Barão de Grão Mogol, que cedeu o terreno e escravos para a construção. 
A ideia era que a igreja fosse construída somente com rochas, que são abundantes na região. A partir da construção da igreja, em pedras, os moradores  começaram a construir suas casas também com pedras, sendo até hoje uma das características arquitetônicas da cidade, além de ser um material bem fácil de encontrar na região. Não só as casas são em pedras. As pedras estão presentes nos muros, ruas e praças. (na foto do Lucas Alves, o interior da Igreja de Santo Antônio e na foto abaixo do Manoel Freitas, a fachada da Igreja)
          A fachada da Igreja foi construída em estilo eclético. Mesmo sendo feita de pedras, diferente das construções em barro e pau-a-pique da época, o interior da igreja seguiu os padrões do estilo da época, ou seja, o barroco. Na época as igrejas sempre tinham um altar principal todo ornado em madeira e ouro, com a imagem central do padroeiro e dois altares laterais com diversos pequenos oratórios dedicados aos santos e imagens de anjos adornando toda a igreja. Todos ornados em madeira, como também o piso, os bancos, confessionários etc. No caso dessa igreja, a originalidade da cor bruta das rochas e a beleza nobre da madeira, dá um contraste com ares de paz e sossego. (na foto abaixo de Lucas Alves, vista parcial de Grão Mogol)
          É uma das mais belas igrejas de Minas Gerais, um rico patrimônio de Grão Mogol e do povo mineiro.

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