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sábado, 30 de agosto de 2025

10 distritos mineiros que vão fazer você se apaixonar – Parte X

(Por Arnaldo Silva) Esta é a décima parte da série produzida pela Conheça Minas de 10 reportagens com vilas coloniais e distritos de Minas Gerais. No Estado, segundo dados da Fundação João Pinheiro, são atualmente 1.842 distritos e 853 municípios, além de mais centenas de vilas e pequenos povoados.
        Além de distritos, Minas Gerais possui centenas de fazendas com casarão sede, casario dos funcionários, capela, vendinha que lembram as pequenas aldeias europeias, como por exemplo, a Fazenda Bonita, na foto acima e abaixo que o Fernando Campanella registrou.
        Sediada em Delfim Moreira, no Sul de Minas, cidade serrana da Serra da Mantiqueira com origens no século XVIII, a Fazenda Bonita se destaca pela beleza das construções da vila em estilo rústico e romântico, que conta com capela, venda antiga e o Hotel Serra Bonita que conta com restaurante, piscina, charmosos chalés que recebem hóspedes, além de contar com espaço para eventos, como casamentos. 
        A fazenda conta ainda com um haras, queijaria com produção de queijos premiados como o tipo parmesão, feito com leite A2A2. Como são quase dois mil distritos e não dá para colocar todos, por isso selecionamos alguns apenas, em 10 séries com 10 distritos em cada reportagem. Conheça agora, na décima parte, mais 10 acolhedores, pacatos, charmosos e apaixonantes distritos mineiros.
01 - Tocoiós de Minas
Fotos: IEPHA - MG/Divulgação
        É distrito de Francisco Badaró, cidade localizada no Vale do Jequitinhonha. Tocoiós de Minas, conta com cerca de 1000 moradores. A povoação do distrito tem origem quilombola e se destaca pelo charme e simplicidade de seu povo, de seu casario, pela pequena igreja do povoado construída na década de 1940 e principalmente, pela beleza da arte dos saberes ancestrais das tecelãs do vilarejo.
        São mulheres entre 35 e 70 anos, avós, mães, trabalhadores rurais, professoras, estudantes aposentadas, etc, que tem na arte da tecelagem uma alternativa de renda e também, como terapia e fortalecimento dos laços de amizades. Elas trabalham juntas, na sede da Associação das Tecelãs do distrito, criada em 1985. No dia a dia do trabalho, cantam, brincam e se divertem, enquanto tecem e preservam a arte da tecelagem, tradição passada por seus antepassados.
Fotos: Ernani Calazans
        A tradição do artesanato em algodão das tecelãs é o símbolo da resistência e história da própria comunidade. A união das tecelãs em torno de sua associação, é uma forma de preservar os saberes de seus ancestrais e de ampliar os potenciais da comunidade na arte da tecelagem. São peças variadas como colchas, redes, caminhos de mesa, almofadas, tapetes, feitos com o algodão cultivado, fiado e tingido de forma natural com plantas e raízes do cerrado, pelas próprias tecelãs e no sistema tradicional.
        É uma tradição secular preservada até os dias de hoje pelas tecelãs de Tocoiós de Minas, mesmo com a redução do plantio de algodão na região e a tecnologia atual na produção de tecidos. O processo da produção do tecido tradicional pode ser acompanhado de perto por visitantes. Isso porque a comunidade abre suas portas que todos que desejam conhecer e adquirir os produtos artesanais do distrito.
02 - Argenita
Fotografias enviadas pela Neide Silva
        Distrito de Ibiá, no Alto Paranaíba, Argenita é uma pacata e tradicional vila mineira, onde vivem cerca de 850 pessoas. A vila é bem estruturada, pavimentada, com casario em estilo colonial, praça e conta com salão comunitário, escola, pequeno comércio, bares, salão de eventos, escola e atendimento à saúde.
        A vida social do vilarejo gira em torno da praça da Igreja de São João Batista. Datada de 1914, a pequena igreja é um dos patrimônios de Ibiá e o elo da fé dos habitantes de Argenita. A festa do padroeiro, São João Batista, em junho, é uma das mais tradicionais da região.
        Além disso, a Folia de Reis, entre dezembro e janeiro é uma festa que mobiliza toda a comunidade, bem como atrai visitantes da região.
        Seus moradores se caracterizam pela simpatia, simplicidade e hospitalidade. Vivem da agricultura familiar, pecuária leiteira, que é um dos pilares da economia da cidade de Ibiá, produção de queijos, doces e quitandas.
        Além disso, Argenita, bem como Ibiá, está inserida no Circuito da Canastra. São trilhas, cachoeiras, como a Cachoeira de Argenita. Além de sua beleza, a cachoeira faz parte da história do distrito e de Ibiá, por isso mesmo é um Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do município.
03 – São João do Jacutinga
Fotografia: Jane Bicalho
        É distrito de Caratinga, no Vale do Rio Doce. Elevado a distrito em 1953, está a 30 km do centro urbano da sede. São João do Jacutinga se destaca na produção de biscoitos de polvilho e na famosa e tradicional Festa do Biscoito, uma das mais tradicionais festas gastronômicas da região e da Festa de São João, em junho. Na vila, vivem cerca de 1250 pessoas.
        O nome do distrito é em referência ao padroeiro, São João. Jacutinga é devido à quantidade de aves da espécie jacutinga, que habita a localidade, sendo Jacutinga, ter sido inclusive, seu primeiro nome, mais tarde mudado para o nome atual, São João de Jacutinga.
04 – Mayrink
Fotografias: Sérgio Mourão/@encantosdeminas
        É distrito de Carlos Chagas no Vale do Mucuri. A vila foi elevada a distrito recentemente, em 23/09/2023, mas sua história começa no final do século XIX com a inauguração em 15 de março de 1891 da Estação Mayrink, da Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM), primeira ferrovia brasileira a ligar dois estados.
        O nome da estação é em homenagem a Francisco de Paula Mayrink. Nascido no Rio de Janeiro em 8/12/1839, foi fundador da EFBM, ferrovia criada à época do segundo Império para escoar os produtos de Minas Gerais até os portos da Bahia.
        Em Mayrink vivem cerca de 900 pessoas. Seus moradores são simples, pacatos, hospitaleiros e muito trabalhadores. Vivem do comércio, agricultura e pecuária de corte. A vila é pequena, tranquila, pacata e bem pitoresca.
        Além da beleza natural e singelo casario, se destaca como atrativo do distrito a Igreja de Nossa Senhora da Penha, tombada pelo IEPHA/MG. A igreja foi construída em 1910 por José Bernardo de Almeida.
05 – Capivari
        Distrito do Serro, no Alto Jequitinhonha, em Capivari (acima, em foto do Barbosa)  vivem 150 famílias, formando uma população de cerca de 500 pessoas. Embora bem pequeno, o vilarejo é um dos mais visitados da região por ser uma das portas de entrada para o Parque Estadual do Pico do Itambé, rico em belezas silvestres e naturais como cachoeiras e nascentes que formam as cabeceiras das bacias dos rios Jequitinhonha e Doce, além de sediar o Pico do Itambé, a 2002 metros de altitude, com vista para todo o Alto Jequitinhonha.
Fotografia: Elvira Nascimento
        É em Capivari que está ainda a Cachoeira do Tempo Perdido (acima), um das mais belas cachoeiras de Minas Gerais, além da Serra da Bicha, do Caminho dos Tropeiros e das cachoeiras do Amaral, do Rio Vermelho, do Neném, da Fumaça, da Água Santa, e a dos Coqueiros.
        Além dos atrativos naturais, seu casario colonial simples é um dos destaques, bem como a hospitalidade de seu povo, seu rico artesanato, os arranjos florais com sempre-vivas e pequenos comércios, além de locais para hospedagens e restaurantes com comida caseira. Para aproveitar melhor o passeio por Capivari, é sugerido ao visitante contatar um guia local.
06 – Canoeiros
Fotos: Duva Brunelli
        Distrito de São Gonçalo do Abaeté, na região Noroeste de Minas, Canoeiros é um dos mais antigos e tradicionais vilarejos da região. Sua origem data do século XVIII, à época da mineração de ouro e diamante na região. Por esse motivo, sua origem marca forte presença de garimpeiros e soldados, designados pela Coroa Portuguesa à região para fiscalizar a exploração mineral. Seu primeiro nome era Canoas, mais tarde, passou a se chamar Canoeiros. Era distrito de Tiros MG, posteriormente passou a pertencer a São Gonçalo do Abaeté MG.
        Canoeiros é uma vila colonial, com destaque para a hospitalidade do seu povo, sua história quase que tricentenária, seu casario colonial e sua igreja, dedicada à Nossa Senhora de Imaculada e São Sebastião, construída no século XVIII e tombada como Patrimônio Cultural, por sua importância para a história da cidade e região.
        Além disso, o turismo é um dos destaques da vila graças a diversas trilhas para caminhadas, passeios de bicicleta e moto. Uma dessas trilhas, levam à Cachoeira do Garimpo, uma das mais belas e procuradas da região.
07 - Morrinhos/Miralta
Fotografia: @dronemoc
        É distrito de Montes Claros no Norte de Minas. É uma das mais antigas e tradicionais vilas do Norte Mineiro, com origens no final do século XVIII. Com o crescimento do povoado, se tornou distrito em 1891. Em 1943, o nome do distrito foi alterado de Morrinhos para Miralta.
        Atualmente vivem na vila cerca de 700 pessoas em 252 moradias. Lugar calmo, tranquilo, pacato, bem estruturado, que oferece uma boa qualidade de vida a seus moradores, que tem na atividade agropecuária, sua principal atividade econômica.
Fotografia: @dronemoc
        A Vida social e festiva dos moradores de Miralta gira em torno de sua fé e tradição, em torno da Igreja de São Norberto, padroeiro da vila, além das festividades folclóricas como o Catopé e a Festa de Nossa Senhora do Rosário. As festividades em honra ao padroeiro no distrito, ocorre entre maio e junho com novena, missa, procissão, barracas com comidas típicas, apresentações artísticas e muita alegria e fé, que atrai visitantes da região.      
08 - Lagoa Bonita
Fotos: Elpídio Justino de Andrade
        É distrito de Cordisburgo MG, Região Central. Lagoa Bonita tem origens na Fazenda Melo, localizada na Freguesia de Santo Antônio, no final do século XIX. A vila era subordinada à Paraopeba até 17 de dezembro de 1938, quando passou a ser distrito subordinado a Cordisburgo, cidade emancipada neste mesmo dia e ano. Em Lagoa Bonita vivem pouco cerca de 2,500 pessoas.
        O crescimento do povoado se deu em torno da Igreja de Santo Antônio da Lagoa, construída em 1882. Sua arquitetura segue as tradicionais características das igrejas mineiras do século XVIII e XIX, com fachadas simples e interior com ornamentações e pinturas bem requintadas e trabalhadas artisticamente.
        A obra só foi possível graças ao esforço da população e a boa vontade do Coronel Modestino, surgindo assim a primeira igreja construída em Cordisburgo, se tornando, desde sua origem, um dos mais importantes templos da região. O primeiro vigário da paróquia foi o padre Tertuliano José da Siqueira que viveu na vila por 18 anos. O corpo do padre foi sepultado no altar-mor da igreja, datado de 23 de março de 1900.
        Os moradores da vila vivem do artesanato, pequenos comércios e da agricultura. O casario colonial, a simplicidade da vila e de seus moradores, além de sua boa estrutura para receber visitante. Lagoa Bonita é rodeada por belezas naturais, além sua riqueza histórica, o que faz de Lagoa Bonita um lugar imperdível. Tem que visitar e conhecer.
09 – Epaminondas Otoni
 Fotografia: Sérgio Mourão/@encantosdeminas
       Distrito de Carlos Chagas, no Vale do Mucuri, Epaminondas Otoni surgiu em 1854, com a criação da Colônia Militar de Urucu, às margens do Ribeirão do Ucuru. Por esse motivo, o lugar era chamado de Colônia.
        O nome atual do distrito é em homenagem a Epaminondas Esteves Otoni, engenheiro de construção da Estrada de Ferro Bahia e Minas. Nasceu em 19/09/1862 e faleceu em 1918. Natural de Filadélfia, atual Teófilo Otoni, era filho, sobrinho, cunhado e genro de senhores de escravos. Seu pai, Manuel Esteves Otoni, casado com Anna Araújo Maia, era um conceituado médico na região.
        As Colônias militares eram assentamentos estratégicos estabelecidos pelo governo imperial, especialmente durante governo de Dom Pedro II, com o objetivo de ocupar e defender áreas de fronteira, controlar populações consideradas problemáticas e promover a integração nacional. Nessa época, a região do Vale do Mucuri e Vale do Rio Doce eram habitadas por indígenas Botocudos, dai a criação da Colônia Militar, visando a colonização branca da região e proteção da Estrada de Rodagem Santa Clara.
        O governo incentivou o povoamento dessas regiões, além de construir a Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM), no final do século XIX. Com isso, a função e manutenção da Colônia Militar na região perdeu sentido, bem como a proteção da estrada, Santa Clara.
        A ferrovia ligou vilarejos e cidades facilitando o povoamento e a exploração da madeira, abundante na região até o século passado, além da atividade agropecuária, o que proporcionou ao longo do século XX, desenvolvimento e crescimento da região.
Fotografia: Sérgio Mourão/@encantosdeminas
        Epaminondas Otoni foi uma das povoações que mais desenvolveu à época. Com o fim da ferrovia, a economia da vila se diversificou em pequenos comércios, exploração de madeira, agricultura familiar e pecuária de corte e leite.
        Mesmo assim, Epaminondas Otoni preserva suas características originais, sua história, casario e antiga estação, suas belezas naturais, que atraem turistas, além da simpatia e hospitalidade de seus moradores, que recebem muito bem os visitantes.
10 - Mercadinho
        Distrito de Carbonita, no Vale do Jequitinhonha, Mercadinho é uma típica vila mineira do século XIX, com casario típico colonial das vilas do interior. Na tranquila, pacata e charmosa vila, vivem hoje cerca de 300 pessoas.
        O povoamento do vilarejo surgiu em torno de um pequeno mercado. Por ser uma vila bem pequena que se formou em seu entorno, o lugar passou a se chamar Mercadinho.
        Seus moradores vivem da agricultura familiar e pecuária, além de artesanato. Gente simples, que tem como característica a hospitalidade e fortes laços comunitários entre si, com atividades comunitárias que envolvem toda a comunidade, como festas religiosas, folclóricas e sociais que acontecem na quadra poliesportiva, na Escola Municipal Santo Antônio, de Ensino Fundamental, e principalmente, no entorno da Igreja de Santo Antônio, base da vida social do distrito, eventos e atividades que atraem visitantes de toda a região.
        Seus moradores valorizam sua religiosidade, suas tradições e cultura como por exemplo a Casa Caju, um projeto criado por um grupo de Belo Horizonte com o objetivo de resgatar a cultura local desenvolvendo atividades de bordado e crochê, brincadeiras infantis antigas, música, teatro, Lambe-lambe nas ruas, conto de “causos” antigos, oficinas de desenhos e pinturas, dentre outras atividades.
            Não apenas isso, seus moradores têm o privilégio de poder fazer atividades esportivas e culturais ao ar livre em qualquer hora do dia e da noite, como brincadeiras infantis, prosa no banco da pracinha ou no mercado da vila, além do contato com a natureza em especial, desfrutar das águas da Cachoeira da Soledade.
        Além disso, eventos tradicionais fazem parte do dia a dia de seus moradores como o Trilhão, feito em motos, a Cavalgada, o Circuito Cultural, atividades esportivas e a tradicional Festa de Santo Antônio, em junho, com missa, quadrilhas com casamento na roça, barracas com artesanato e comidas típicas, leilões, peças teatrais, rodas de viola, apresentação da Roda de Trespassar e a sempre aguardada Ciranda de Mercadinho. A festa é um dos mais aguardados eventos da região.

sábado, 17 de maio de 2025

10 distritos mineiros que vão fazer você se apaixonar - Parte IX

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais conta atualmente com 1.842 distritos, sem contar subdistritos, vilarejos e pequenos povoados, espalhados por todos os 853 municípios do Estado. Cada um mais charmoso, atraente e aconchegante que outro. Preparamos uma série com 10 reportagens com 10 distritos mineiros em cada uma, divididos em partes com 10 distritos em cada. Essa é a nona parte das 10 reportagens sobre distritos. Veja fotos e conheça a história de cada um desses 10 pitorescos e acolhedores distritos mineiros, da nona parte, que vão fazer você se encantar mais com Minas Gerais.
01 – Pedra Grande
Fotografia: Luís Leite
        O Vilarejo de Pedra Grande é distrito de Campestre MG, Sul de Minas. Surgiu a partir da Fazenda da Pedra, formada no final da década de 1930, de propriedade do Coronel José Custódio, cafeicultor e politico, conhecido como Zeca da Pedra. É atualmente um ponto de destaque na história de Campestre e região.
Fotografia: Luís Leite
        O casario foi construído para abrigar os trabalhadores da fazenda e se tornou um pequeno e charmoso vilarejo ao longo do tempo. Com um singelo e simples casario onde vivem poucas famílias, além do casarão sede e uma pequena ermida, que em conjunto com a beleza da Pedra Grande, proporciona um cenário de rara beleza natural.
        A região é conhecida por lendas e histórias, além de rara beleza, por isso bastante visitada, principalmente pelos amantes de esportes radicais que veem ao lugar para escalar a Pedra Grande. São 260 metros de altura e do seu topo, a vista é espetacular. Está localizada às margens da rodovia Vital Brazil (BR 267), a 13.2 km da cidade de Campestre.
02 – Santo Hilário
Fotografia: Jefferson Souza
        Santo Hilário é distrito de Pimenta MG, na região Oeste de Minas. Seu primeiro nome era Capetinga. Devido a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, na década de 1960, a aldeia de Capetinga foi inundada, bem como toda a região, para dar lugar à Represa de Furnas. Outra vila e novas casas foram construídas em um ponto mais alto, mas com outro nome. De Capetinga, passou a se chamar Santo Hilário, em homenagem a August de Saint-Hilaire, botânico e naturalista francês que esteve na região no século XIX.
Fotografia: Jefferson Souza
        Hoje, Santo Hilário é uma pequena vila com cerca de 200 moradores, mas com uma boa estrutura para receber turistas com pousadas e restaurantes. A vila é um dos lugares mais procurados por turistas que vão ao lago de Furnas.
        Com a construção da ponte que liga o distrito à cidade de Guapé, incrementou o turismo na região ao ponto de ser um dos lugares mais fotografados e visitados do Lago de Furnas. A ponte, bem como a vila, situada em uma península do lago, proporciona uma visão deslumbrante e um cenário de beleza rara no Brasil.
03 – Itira
Fotografia: Bruno Lages
        Itira é distrito de Araçuaí MG, no Vale do Jequitinhonha. No vilarejo, vivem cerca de 2 mil pessoas, a maioria na parte rural do distrito. Seus moradores vivem de pequenos comércios, agricultura de subsistência e pesca. É um local tranquilo, com casario e povo simples e muito acolhedores. A igreja do Senhora da Boa Vida é o elo fé de seus moradores, sendo um de seus principais atrativos, além e ser o local exato do encontro dos rios Araçuaí e Jequitinhonha. É um espetáculo!
        Em sua origem, o nome do lugar era Aldeia do Pontal, devido o local ser habitado por indígenas, canoeiros e mulheres que se prostituíam e estar justamente na confluência dos rios Araçuaí e Jequitinhonha.
Fotografia: Bruno Lages
        No final do século XVIII e início do século XIX, chega à Aldeia do Pontal o padre Carlos Pereira de Moura. Com a chegada do padre, a história do lugarejo começou a mudar. Igreja foi construída, novos moradores chegando, mas o padre se incomodava com a presença de prostitutas e canoeiros. O incômodo do padre gerou conflitos religiosos e sociais na vila. A crise chegou a tal ponto de canoeiros e prostitutas serem expulsos do lugarejo pelo padre.
        Ao serem expulsos de suas moradias e da vila, foram viver na Fazenda Boa Vista da Barra do Calhau, de propriedade de Luciana Teixeira, que os acolheu.
        Não só isso, dona Luciana Teixeira acolheu em sua propriedade outros canoeiros da região, resultando na formação de um povoado, que foi crescendo até que em 1830, passou a se chamar Barra do Calhau. Em 1957, Barra do Calhau foi elevado à distrito e à cidade emancipada em 1871 com o nome de Araçuaí. O pequeno povoado que surgiu nas terras de dona Luciana Teixeira, cresceu tanto a ponto de se transformar em uma cidade. Hoje Araçuaí MG conta com 35 mil habitantes e uma das mais importantes do Vale do Jequitinhonha.
Fotografia: Bruno Lages
        A Aldeia do Pontal, onde se estabeleceu o padre, teve um crescimento bem lento, tendo sido elevado a distrito em 7 de setembro de 1923, com o nome de Pontal e a partir de 1943, adotou o nome de Itira.
04 – Barrocão
Fotografias: Duva Brunelli
        Barrocão é distrito de Grão Mogol, no Norte de Minas. Vila charmosa, bem cuidada e seu povo, muito acolhedor e gentil. São pouco mais de 630 moradores que vivem no distrito.
        Não há definição exata para a origem do nome do distrito. O que se sabe é que o nome pode ter se popularizado graças as características geográficas do local que tem muitos morros e blocos de pedra, que possa ter sido “batizado” com este nome antes do surgimento do povoado, dando origem assim ao nome. Do distrito.
        Lugar bem tranquilo, com casario, ruas e praças muito bem cuidadas, é um vilarejo bem pacato, no estilo das pequenas vilas mineiras. Lugar ótimo de se viver, Barrocão surgiu de um povoado formado no início do século XX, sendo subordinado a Itacambira, foi elevado a distrito em 1948, quando passou a pertencer a Grão Mogol. Desde sua origem, a vila era um importante centro de desenvolvimento agropecuário da região, sendo até hoje de vital importância econômica.
05 – Malaquias
Fotos: Fernanda Cristina/@fecrisfotos
        Distrito de Araújos MG, na região Centro-Oeste de Minas, Malaquias tem origens junto com a região, entre os anos 1750 e 1800, com a chegada de garimpeiros e bandeirantes. Ao longo dos anos, mais famílias que viviam na região foram se instalando nas proximidades do Rio Lambari, em busca de terras férteis e água, já que a região é cortada por riachos, ribeirões e o Rio Lambari, afluente do Rio Pará.
        Uma das primeiras famílias a chegar foi a família Alves de Araújo, vindos de Santo Antônio do Monte. A família era muito querida por tropeiros por serem muito hospitaleiros. Os Alves de Araújo deram grande contribuição para a formação do povoado originalmente teve o nome de Mata dos Araújo. Por esse motivo e pela importância da família Alves de Araújo, o povo mudou o nome de Mata dos Araújo para Araújos que posteriormente se transformou em cidade.
        O nome da cidade de Araújos em Minas Gerais tem origem na família Alves de Araújo, que se estabeleceu na região e contribuiu para a formação do povoado. A família era conhecida como “Os Alves de Araújo”, vindo de Santo Antônio do Monte, e eram considerados hospitaleiros pelos tropeiros que passavam pela região. O topônimo "Araújos" é, portanto, uma homenagem à família que desbravou a região e deu início à formação do arraial, que posteriormente se tornou a cidade de Araújos.
        Seu principal distrito é Malaquias que conta hoje conta com cerca de 1000 moradores, a maioria vivendo na área rural. A sede, Araújos, tem 9.200 habitantes. A vida na vila passa devagar e seus moradores são hospitaleiros. As festas populares e religiosas como por exemplo a Festa do Rosário, que acontece entre o final de agosto e início de setembro, são destaques em Malaquias e na região.
Fotografia: Wilson Fortunato
        A vida social e festiva do vilarejo, gira em torno da igreja de São Sebastião, construída em 1942. Sua arquitetura foi inspirada na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Bom Despacho, na vizinha cidade de Bom Despacho. Isso porque, nessa época, Araújos era distrito de Bom Despacho. Em 1° de janeiro de 1954, Araújos deixou de ser subordinada à Bom Despacho, se tornando cidade emancipada.
        Em 1938, Araújos foi elevado a distrito, integrado ao município de Bom Despacho e em 12 de dezembro de 1953, pela Lei 1039/53, o povoado emancipou-se e passou a se chamar Araújos, em homenagem à família Alves de Araújo.
06 - Barra Feliz
Fotografia: Rodrigo Firmo/@praondevou
        Anteriormente conhecido por São Bento e Itaeté, Barra Feliz tem origens no século XVIII, passando a ser distrito da cidade histórica de Santa Bárbara MG, a partir de 7 de setembro de 1923. Em 1927, seu nome foi mudado para Barra Feliz. A vila faz divisa a cidade de Barão de Cocais e com Brumal, uma das mais antigas povoações de Minas Gerais, também distrito de Santa Bárbara MG.
        Além disso, Barra Feliz faz parte do Quadrilátero Ferrífero e do Circuito do Ouro, sendo o centro da rota da Estrada Real e a Sul do Caminho dos Diamantes. Tem como destaque a Gruta de São Bento e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, construída 8 de dezembro de 1787, que ao longo de mais de 2 séculos, passou por várias restaurações e modificações em sua fachada.
7 - Mogol
Fotos: Robson Gondin
        Mogol é um vilarejo formado no final do século XVIII, com a exploração do ouro e chegada de posseiros e garimpeiros, atraídos pela areia branca do lugar. Com a presença de garimpeiros e posseiros, deu-se origem a um arraial que recebeu o nome de Mogol, mas não há referência do porque do nome. Em 1780, o povoado de Mogol foi citado por José Delgado Motta, Cabo de Esquadra, enviado para fazer um relatório sobre a região, a mando da Coroa Portuguesa.
        A pequena vila é subdistrito de Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte MG na Zona da Mata Mineira. Entre serras e montanhas, o arraial de Mogol possui um charmoso casario, igreja e a tranquilidade das pequenas vilas do interior mineiro. Na vila 15 moradias, uma igreja, um boteco e uma escola. Das casas, apenas 9 são habitadas. A igreja está aberta, o bar também, mas a escola não, fechou. As paredes das casas guardam históricas seculares da região, lendas e crendices vidas em mais de 200 anos de existência do vilarejo.
        A beleza arquitetônica colonial do vilarejo e as belezas naturais da região do Ibitipoca como o Lago Negro, Pamonã, Cachoeira do Palmito, Cachoeira da Serrinha, Cachoeira do Cipó, Praia do Mogol, Oca, Cinema, Venda e Gaia Café, atraem um grande número de turistas, tornando o vilarejo um dos pontos turísticos mais visitados do Ibitipoca.
08 – Cruzeiro dos Peixotos
Fotografia; Eudes Silva
        É distrito de Uberlândia MG, no Triângulo Mineiro. É uma das poucas vilas que conserva as típicas características das pequenas vilas do interior mineiro. Como a maioria das vilas mineiras, a vila surgiu em torno de um cruzeiro e uma pequena capela. Em sua origem, a capela erguida foi dedicada a Santo Antônio, construída em uma colina, em terras da família Peixoto, por volta de 1900. O terreno para a construção da capela foi doado por José Camim, para pagar uma promessa.
Fotografia: Eudes Silva
        Com o tempo, a capela e a comunidade que se formara em seu entorno, se tornou ponto de pouso e passagem de carreiros. Com o crescimento da comunidade, um novo templo foi erguido, se tornando a Igreja de Santo Antônio. O local da primeira capela e o cruzeiro se tornaram um dos pontos atrativos do distrito, devido ser o marco origem do vilarejo. Em 31 de dezembro de 1943, devido seu crescimento e por ser um dos marcos histórico da região, Cruzeiro dos Peixotos foi elevado a distrito.
09 – Barra
O casarão da Fazenda da Barra, que deu origem ao distrito. Foto: Matheus Ribeiro
        É distrito de Delfim Moreira no Sul de Minas. A vila se formou a partir da Fazenda Barra, formado em 1700, construída no estilo tradicional colonial, por escravos, a mando de um português que vivia no Rio de Janeiro para tomar posse de suas terras que havia adquirido e atuar no ramo agrícola.
        Encravada na Serra da Mantiqueira, a Fazenda da Barra é uma das mais antigas de Minas Gerais e ainda preserva suas características originas de seu casarão, tanto na parte externa e interna.
        A partir da segunda metade do século XIX, a fazenda foi vendida para Getúlio Fortes que mandou demolir as senzalas e parte dos paióis. Em 1910, a propriedade foi adquirida por Luiz Francisco Ribeiro, vindo a morar no casarão com a família, a partir de 1918.
        O proprietário da fazenda permitiu que nos porões do casarão funcionasse uma escola, a primeira da vila. Hoje em prédio próprio no distrito, a escola tem o nome de seu patrono, Luiz Francisco Ribeiro.
        O distrito tem sua história ligada a própria história da cidade, com origens no século XVIII, com o início da mineração. O secular nome “barra” está ligado a presença dos rios Loureço Velho, Claro e Pisas Negreiro, esses dois deságuam no rio Lourenço Velho. Por estar na barra desses rios onde a fazenda começou a ser formado, recebeu o nome de Barra.
        Com o passar dos anos, foram chegando famílias à região e uma importante comunidade começou a ser formada nos arredores da fazenda, se tornando hoje, distrito de Delfim Moreira. Barra conta hoje com cerca de 1200 moradores. O vilarejo foi elevado a distrito em 19/12/2019 e conserva sua história, religiosidade e tradições, manifestadas através das festas populares, religiosas como a festa do padroeiro Santo Antônio e festas folclóricas e populares como as festas juninas, além da tradicional cozinha típica mineira.
10 – São Mateus de Minas
 Fotografia: Guilherme Santos da Silva/Wikimédia Commons
       Uma charmosa vila, vizinha a Monte Verde e desconhecido dos mineiros é uma das mais antigas povoações do Sul de Minas. Esta vila é São Mateus de Minas, a 1400 metros de altitude. É distrito de Camanducaia, onde está a 22 km de distância e a 52 km de Monte Verde, famoso distrito turístico, também pertencente a Camanducaia.
        São Mateus de Minas é formado pelos bairros de Camanducainha, Emboabas, Fazenda Velha, Mato, Monte Azul, Paiol Grande, Pinhalzinho, Pinho e Ribeirada. Como é comum na região, o inverno é muito rigoroso em São Mateus de Minas, com temperaturas abaixo de zero grau e geadas constantes entre junho e agosto.
        A economia de São Mateus de Minas gira em torno do setor de serviços, pequenos comércio e principalmente da agricultura, pecuária, piscicultura, com predominância na criação de trutas, devido ao clima e pureza de suas águas, além da produção artesanal de queijos, doces, iogurtes, quitandas e cachaça.
        Outro destaque na economia do distrito é o turismo rural devido suas várias estradas rurais, cortando a Mantiqueira. Além da beleza nativa, as estradas permitem acesso a vários de seus bairros, além de acesso ao distrito de Monte Verde.
        As belas paisagens de Mata Atlântica, clima agradável, ar puro e lugares propícios para esportes como trilhas off-road para motos, jipes e quadriciclos. Quem opta por passeios menos radicais pode fazer passeios ecológicos, cavalgadas e conhecer a Pedra de São Domingos e os municípios de Gonçalves e Córrego do Bom Jesus, que faz divisa com o distrito.
        Além disso, os turistas são atraídos ao distrito pela tradicional festa do padroeiro, as festas nos bairros rurais, enduros de motocross, quermesses juninas, além da tradicional cavalgada até Aparecida SP.
Uma das mais antigas povoações da região
        A vila de São Mateus de Minas era conhecida como Vale do Cricaré até a chegada de religiosos e colonizadores portugueses no Sul de Minas Gerais no século XVII. Os religiosos que chegaram, rebatizaram o vilarejo para São Mateus, em homenagem ao evangelista. Ato comum na época quando colonizadores alteravam lugares nomes indígenas para nomes cristãos. Seu nome teve o acréscimo “de Minas” devido existir cidades e outros distritos no Brasil com o mesmo nome.
        Nos tempos da Colônia, São Mateus era um importante ponto de comércio e produtor de alimentos, devido suas terras férteis. Por esse motivo, era um importante ponto de passagem de tropeiros e viajantes e desenvolvimento da região à época, com o povoado se tornando um dos marcos da história e povoamento do Sul de Minas.
        Mesmo subordinada a Camanducaia, São Mateus é uma vila com história e identidades próprias. É uma referência quando se fala da história e ocupação da região Sul de Minas.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Penha de França: a Vila Colonial mineira fundada por alemães

(Por Arnaldo Silva) Em 3 de maio de 1824 chegava em Nova Friburgo/RJ, o primeiro grupo de imigrantes alemães. 83 dias depois, em 25 de julho de 1824, chegava mais um grupo de alemães, desta vez instalados em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Foi a partir deste ano que o governo Imperial de Dom Pedro I, abriu as fronteiras do Brasil para receber imigrantes europeus.
Vila de Penha de França. Fotos: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas 
        O Sul do país foi a região que recebeu o maior número de imigrantes à época, por ser uma região pouco habitada, contar com terras férteis, além do fato dos europeus, principalmente os alemães, terem conhecimentos e habilidades no cuidado com a terra, além de conhecerem dominarem a tecnologia agrária, da época. Tecnologia e mão de obra especializada na área agrícola, era o que faltava no Brasil Imperial.
A presença alemã no Brasil começou em 1824?
        Oficialmente sim, em 1824. Este é o ano que marca o início da imigração alemã para o Brasil, de forma organizada e como politica de Estado. Antes desta data, a presença de alemães em terras brasileiras era comum, não como comunidades ou colônias organizadas e autorizadas pelo Coroa Portuguesa. A presença germânica no Brasil é mais antiga que se pensa.
Os alemães descobriram o Brasil?
Desembarque de Cabral em Porto Seguro em 1500. Pintura de Oscar Pereira da Silva, 1922. Acervo do Museu Paulista. 
        Embora não contada nos relatos históricos da época e nem nos livros de história oficial do Brasil de hoje, os alemães estiveram presentes no momento do descobrimento do Brasil em 22 de abril de 1500.
        A esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral era composta por 13 navios: 9 naus, 3 caravelas e uma naveta de mantimentos. Cada um dos 13 navios contava com portugueses e vários grupos de alemães.
        Os alemães que vieram com Cabral atuavam na unidade militar portuguesa como artilheiros e acompanhavam Cabral em suas atividades por mar.
        Portugueses e alemães foram os primeiros europeus a pisarem em solo brasileiro. Isso 324 anos antes da chegada oficial dos primeiros imigrantes alemães em Nova Friburgo/RJ e São Leopoldo/RS.
        Além disso, os primeiros registros sobre a nova terra, não foi feito por Pero Vaz de Caminha como conta a história oficial. Foram os alemães que vieram com Cabral, os primeiros a fazerem citações escritas sobre a nova terra recém-descoberta. O relato foi na língua alemã. 
        Inclusive, foram os alemães os primeiros a usarem a palavra “Brasil” como lugar que a esquadra de Cabral acabara de desembarcar, por terem identificado uma espécie de árvore com tronco vermelho, usado nas tinturarias europeias conhecida na Europa como Pau-brasil. Sim, a identificação do Pau-Brasil, que deu origem ao nome do nosso país, foi feita pelos alemães. 
        A presença Germânica no Brasil não se limitou a essa data. Ao longo das idas e vindas de esquadras portuguesas para o Brasil, no século XVI, vieram vários grupos de alemães.
        A partir do século XVII, com o aumento da perseguição religiosa na Alemanha e a Inquisição Católica que imperava na Europa, a presença alemã passou a ser mais constante e em maior número. Mas era uma imigração espontânea, sem ser oficializada, incentivada ou planejada pela Coroa Portuguesa à época.
Presença estrangeira no Brasil Colônia
Vila de Penha de França. Fotos: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas         
        Como foi dito no início, 1824 é o marco da formação de colônias alemães no Brasil, formadas e autorizadas a existirem pelo Império e como política de Estado. É fato histórico comprovado. Antes desta data, foram formadas durante o Brasil Colônia, comunidades alemãs, francesas, holandesas, judaicas, espanholas, árabes, dentre outras na então colônia portuguesa.
        Eram famílias que vieram de seus países de origem busca de novas oportunidades de vida e em sua maioria, em busca de riquezas minerais. O destino inicial era o porto de Salvador, na Bahia, à época, capital da colônia. Algumas famílias ficavam na sede da colônia e outras adentraram pelo sertão do país por conta própria.
        Entre os séculos XVI e XVII, ouro, esmeralda e diamantes era um sonho a ser alcançado. Incursões de bandeirantes e portugueses e aventureiros desbravavam o sertão em busca da descoberta de riquezas minerais, até então não conhecidas. Os povos que se instalaram no Brasil à época, como alemães, ingleses, franceses e holandeses, espanhóis, judeus, árabes, etc., tinham também essa intenção. Era ação de grupos de estrangeiros, sem serem permitidos pela Coroa Portuguesa,.
A primeira comunidade alemã no Brasil foi fundada em Minas?
Vila de Penha de França. Foto: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        Estudos históricos não comprovados oficialmente, tendo como base apenas a tradição oral local, afirmam que Minas Gerais teve uma comunidade formada por alemães formadas a partir de 1653. O curioso nessa afirmação é que o fato aconteceu antes da descoberta de ouro e diamante nas Minas Gerais e antes mesmo da fundação oficial do Estado. 
        Segundo a história oficial, a primeira povoação surgida em Minas foi em 1660, com a fundação do povoado de Matias Cardoso, no extremo Norte de Minas, pelo bandeirante de mesmo nome.
        A cidade mineira afirma que em 1663, alemães e um pequeno numero de franceses e espanhóis chegaram à região e fundaram um povoado onde está hoje o município de Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha. O povoado fundado pelos alemães é Penha de França, hoje, distrito de Itamarandiba.
        A informação não é reconhecida pela história oficial por falta de indícios concretos e históricos da presença de alemães na fundação da comunidade. Franceses e espanhóis sim, há indícios deixados na religiosidade católica. Mesmo assim, a informação tem como base apenas a tradição oral, sem documentação oficial que comprove a veracidade da informação.
        Oficialmente, a imigração alemã em Minas Gerais se deu a partir de 1858, com a chegada de imigrantes em Teófilo Otoni MG, no Vale do Mucuri.
História conhecida em Itamarandiba
Vila de Penha de França. Foto: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        A Prefeitura de Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, a qual Penha de França é subordinado, confirma que seu distrito, Penha de França, foi fundado por alemães, e em menor número, franceses e espanhóis.
        A informação está no site oficial da Prefeitura. Procurei conversar com pessoas ligadas à cultura da cidade, entre eles, Gelte Guimarães, que confirmaram que a base histórica da origem de Penha de França é somente a tradição oral, contada por seus moradores desde a origem do povoado. Tradição oral que foi passada ao longo de mais de três séculos, de geração para a geração. Por este motivo a história é preservada. Todas as famílias que moram em Penha de França sabem dessa história de cor, passadas por seus pais, avós, bisavós, trisavós, tetravós, pentavós, hexavós, etc.
O que diz a tradição oral
Vila de Penha de França. Fotos: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        Vila de Penha de França. Foto: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas Segundo a tradição oral e reconhecida pela Prefeitura local, o vilarejo de Penha de França foi fundado por alemães e um pequeno grupo de franceses e espanhóis, que chegaram à região em 1653, vindos da Bahia, onde viviam. Vieram com suas famílias para trabalharem na agricultura, no cultivo de cana-de-açúcar, feijão, milho, mandioca, etc., e claro, buscavam na região ouro e diamantes.
        Aliás, a possibilidade de existir ouro nessa região foi o motivo da vinda de desses povos no território mineiro, antes mesmo da chegada das entradas e bandeiras por Minas Gerais. Não há, até o momento, nenhum documento ou dado histórico concreto que embase essa afirmação. Apenas a tradição oral, passada de gerações.
        Com base na tradição oral, vamos conhecer um pouco da origem Penha de França e estudos independentes que eu mesmo fiz sobre a religiosidade de alemães, espanhóis e franceses, que não faz parte da tradição oral, é fato histórico.
Origem de Penha de França
Vila de Penha de França. Foto: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        Em uma região originalmente habitada por povos indígenas e escravos fugidos de fazendas, os alemães e um grupo de franceses, desbravaram o sertão mineiro, enfrentando as intempéries naturais e o risco de confronto com os povos nativos. Mesmo assim, deram início a formação de uma comunidade.
        Tanto alemães, quanto franceses e espanhóis, professavam a fé cristã. Alemães, em sua maioria, seguiam a doutrina Luterana. Já os franceses e espanhóis, a fé católica. Os poucos franceses que vieram para a região eram devotos de Nossa Senhora de Penha de França.
Origem da fé em N. S. de Penha de França
Igreja dePenha de França. Foto: Prefeitura de Itamarandiba MG - Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        A devoção à santa teve origem na Espanha, em 1434, após a imagem da Virgem ter sido encontrada por Simão Vela, um monge francês que sonhou que uma imagem da Mãe de Jesus estaria enterrada no alto de uma montanha.
        Peregrinando por 5 anos em busca dessa imagem, o monge a encontrou em uma montanha de nome Penha de França, na Espanha.         A partir desse momento, tem-se início a fé em Nossa Senhora de Penha de França, como passou a ser chamada a santa. Em pouco tempo a devoção se estendeu para a Europa, sendo a santa muito popular em Espanha, França e Portugal.
Legado de fé dos franceses e espanhóis
Altar da Igreja Penha de FrançaFoto: Prefeitura de Itamarandiba MG- Apoio institucional: Secult e Governo de Minas
        Penha de França é uma vila com casario colonial setecentista. Charmosa, pacata, bem preservada e atraente, com um povo hospitaleiro e acolhedor que valoriza as tradições mineiras e sua origem, principalmente na fé católica, deixada pelas poucas famílias francesas e espanholas que vieram juntos com os alemães.
      Quando chegaram no local onde fundaram a vila, as famílias francesas, com apoio dos espanhóis, ergueram uma pequena igreja em honra a essa santa. Segundos os moradores, a igreja é datada de 1653.
        Não há registros ou citações de igreja luterana construída por alemães na comunidade. Relatos orais apontam apenas para uma igreja católica no vilarejo, erguida pelas famílias francesas. Embora franceses espanhóis tenham sido em menor número no vilarejo, prevaleceu em Penha de França a predominância da fé católica.
        Para os portugueses, destruir uma igreja católica seria um sacrilégio e algo inaceitável. Geralmente preservavam seus templos se estivessem em boas condições.  Caso necessitassem de um novo templo, por questão de crescimento da comunidade, retiravam o altar, as imagens e ornamentos para serem colocados no novo templo, com as bênção e autorização da Igreja. 
Martinho Lutero e a Igreja Luterana
        Foi na Alemanha, no século XVI, que a Igreja Luterana surgiu no mundo. A denominação religiosa surgiu a partir das pregações de Martinho Lutero (em alemão: Martin Luther; Eisleben, 10 de novembro de 1483 – Eisleben, 18 de fevereiro de 1546), foi um monge agostiniano e professor e professor de teologia alemã. Lutero discordava dos rumos da Igreja Católica à época, principalmente em relação a venda de indulgências, além de criticar abertamente a corrupção do clero. Em 1517, Lutero fixou 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, dando origem a Reforma Protestante.
        Martinho Lutero, defendia entre outras coisas, que a salvação é garantida pela fé. Lutero acreditava que a salvação era garantida pela fé, baseando-se no versículo bíblico “justo viverá pela fé”. Lutero defendia que as pessoas podem ser salvas sem a mediação de intermediários e sem precisar das indulgências.
        Além disso, tinha convicção que todos tinham o direito a lerem os escritos sagrados, que à época, era restrito ao clero e escrito em hebraico, aramaico e grego e traduzida para latim, através da Vulgada, versão oficial da Igreja Católica Romana à época. Lutero traduziu toda a Bíblia para o alemão, facilitando assim o acesso do povo alemão às escrituras sagradas. Com o crescimento do protestantismo e surgimento de novos segmentos religiosos, a Bíblia passou a ser traduzida para outros idiomas e a se popularizar no mundo.
Vestígios da presença alemã em Penha de França
        Em Penha de França não há nenhuma construção típica alemã. Não há vestígios documentados da presença alemã em Penha de França. A presença alemã no vilarejo está apenas na oralidade perpetuada há mais de 300 anos, preservada por seus moradores
        E aí está a pergunta: porque em Penha de França não há nenhum vestígio da religiosidade alemã e sim, da fé católica dos franceses e espanhóis? 
        A resposta é simples: à época, templos não católicos eram proibidos na Colônia.
Proibição de templos não católicos
        Isso porque Portugal era oficialmente um país católico, alinhado à Igreja Católica, Apostólica, Romana. Em suas colônias, não era permitido cultos de outras religiões, somente a fé católica era autorizada. Além disso, a predominância das construções tinham como base a arquitetura barroca portuguesa.
        Ao longo do descobrimento, além de portugueses, vieram para o Brasil alemães, ingleses, franceses, holandeses, suíços, judeus, ciganos, africanos, etc, como já foi dito. Evidentemente que entre esses povos, haviam adeptos de outras igrejas como a igreja Luterana e Calvinista, a Igreja Anglicana, a fé judaica, islâmica, as religiões africanas, dentre outras, além das crenças nativas, praticadas pelos indígenas.
        Todos esses credos eram praticados no Brasil à época, mas não abertamente, porque eram proibidos. Não podia existir templos religiosos não católicos na Colônia. Era lei.
        A realidade começou a mudar a partir da abertura do Brasil para a imigração e independência do país em 1822 com a elaboração da primeira constituição do Brasil independente, promulgada em 1824.
        No artigo 5º da Constituição de 1824 preceituava que “a religião católica, apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo”. Ou seja, a partir de 1824, podia existir manifestações religiosas no Brasil, mas os locais dos cultos não podiam se assemelhar de forma alguma a uma igreja.
        Com a queda do Império de Dom Pedro II e a Proclamação da República em 1889, uma nova constituição foi promulgada, seguindo a tendência do período positivista e ideias constituintes modernas da época, derrubando essa proibição. 
        A partir desse período, o Estado se separou da Religião, tornando-se laico. Com isso, as tendências religiosas puderam manifestar sua fé publicamente e construírem no país seus templos religiosos, normalmente, de acordo as arquiteturas de suas origens. Foi a partir da Proclamação da República que começaram a chegar ao Brasil várias denominações religiosas europeias e principalmente, estadunidenses.
        Esse seria o motivo da não existência de vestígios da religiosidade dos alemães em Penha de França. Não era permitido templos e cultos de outras religiões na colônia, sem ser a católica. Os cultos eram feitos nas próprias casas dos moradores. 
        Esse é motivo da não existência de vestígios da religiosidade alemã em Penha de França. Não apenas a religiosidade, mas a presença dos alemães em Penha de França foi ignorada pelos historiadores. 
        Se foi registrada, apagou-se com o tempo ou simplesmente foi apagada por questão de conveniência dos historiadores da época, mas não da memória dos moradores do vilarejo. Este sim, preservaram as origens da vila através da tradição oral, mantida até os dias de hoje.
        Por esse motivo foi preservada a igreja fundada pelos franceses e espanhóis em Penha de França, simplesmente porque a religião oficial da Coroa Portuguesa era a Religião Católica, a mesma dos franceses e portugueses, além de Nossa Senhora de Penha de França ser também popular entre os portugueses.
Portugueses ignoravam histórias de outros povos
        A história do Brasil Colônia e Imperial foi escrita pelos historiadores ligados à Coroa Portuguesa e ao Império e claramente voltada para feitos dos chamados “desbravadores”, no caso, bandeirantes, lideranças portuguesas que viviam na colônia, heróis criados, além das histórias de um imenso número de famílias portuguesas que vieram de Portugal. 
        Posteriormente, foram trazidos para a colônia africanos escravizados para trabalharem na agricultura e exploração de ouro e diamantes. A história da origem do Brasil aceita pela Coroa Portuguesa era somente as descritas pelos historiadores e lideranças portuguesas.
        Essas descrições, mesmo quando narravam atuações de outros povos na colônia, tinham como ênfase a ação portuguesa. Os responsáveis por descrever a história da dominação portuguesa no Brasil, eram indicados pela Coroa Portuguesa e Império. Partiam do princípio das ações e vitórias dos colonizadores em guerras e proteção dos interesses portugueses na colônia, principalmente quando da descoberta de ouro em Minas.
         O foco dos estudiosos, cientistas e historiadores à época, era sempre a atuação heroica dos portugueses e bandeirantes. Quando citavam outros povos “amigos”, não aprofundavam nos estudos e informações.
Influência de outros povos ignorada pela história
        A presença e história dos outros povos que chegaram ao Brasil desde o descobrimento, era fato irrelevante para os historiadores da época, como já frisei. Além de irrelevante, em sua maior parte, era praticamente ignorada. À exceção dos fatos com vitórias dos portugueses sobre estrangeiros que tentavam ocupar o Brasil, os holandeses e franceses, a Guerra do Paraguai, além das ações dos navios negreiros que traziam seres humanos escravizados da África para trabalharem como escravos no Brasil e ações contra quilombolas e povos originários.
        Além disso, a história oficial buscava narrar os feitos dos que chamavam de “heróis” aqueles que percorriam o Brasil em grandes números e bem armados, praticando atos contra povos indígenas, quilombolas. Com suas ações, evitavam qualquer tipo de ações e reações contrárias aos interesses portugueses na Colônia. Poucos são os estrangeiros lembrados e que fazem parte da história do Brasil.
        Esse é o caso da primeira comunidade de europeus formada em Minas Gerais, antes mesmo da chegada dos portugueses à Minas. Embora os alemães tinham larga parceria com portugueses, a comunidade formada em Minas Gerais não faz parte da história oficial de Minas e nem da presença alemã no Brasil. Isso porque a história oficial foi contada pelos colonizadores e não pelos colonizados. Prevalece na história oficial da Coroa Portuguesa, a presença dos portugueses na região, da fé Católica e do seu domínio sobre a colônia e colonizados.
        Essa era a prática dos povos dominantes. Podemos dizer que é assim até os dias de hoje. Apagavam a história, cultura, tradições e memória dos povos dominados, não permitiam histórias não oficiais entre os dominados e reescreviam suas histórias ou simplesmente apagavam, as histórias que não lhes interessavam manter.
        Em 1978, Milan Kundera, escreveu em “O livro do Riso e do Esquecimento” a seguinte frase: "Para liquidar os povos, começa-se por lhes tirar a memória. Destroem-se seus livros, sua cultura, sua história. E uma outra pessoa lhes escreve outros livros, lhes dá outra cultura e lhes inventa uma outra História". É bem isso.

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