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terça-feira, 9 de maio de 2023

Viçosa é oficialmente a capital mineira do doce de leite

(Por Arnaldo Silva) Um dos mais premiados e populares doces de leite do Brasil, o Doce de Leite Viçosa, tem sua origem na cidade de mesmo nome, na Zona da Mata Mineira, distante 225 km de Belo Horizonte. É produzido desde os anos 1980 pelo Laticínio Escola da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe), da Universidade Federal de Viçosa, com o nome de Doce de Leite em Pasta Funarbe, tendo adotado o nome atual a partir de 1992, com a criação da marca Viçosa.
          Inicialmente criado para consumo interno, dos estudantes e funcionários da Universidade, a qualidade e o sabor do doce foi saindo do Campus da UFV, para os paladares regionais, do estado e de todo o Brasil, se tornando o que é hoje em referência nacional em doce de leite de altíssima qualidade. (fotografia acima do Chico do Vale)
          É o doce de leite mais premiado do Brasil, desde o ano 2000, quando começou a participar do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, vencendo o concurso de melhor doce de leite do país por 10 vezes.(fotografia acima de Alexandre Vidigal do Campus da Universidade Federal de Viçosa)
          O doce é reconhecido desde 2022, como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais, pela Lei n° 24.033 e agora, a cidade onde o doce é produzido, Viçosa, se torna oficialmente a capital mineira do doce de leite. (na foto acima do Chico do Vale)
Viçosa: A capital estadual do doce de leite
          O sucesso do Doce de Leite Viçosa é tanto que passou a ser um dos principais símbolos da gastronomia local e identidade do município de Viçosa.
          Por esse motivo, Viçosa foi reconhecida por Lei, como a capital estadual do doce de leite em Minas Gerais. Isso porque foi publicada no Diário Oficial do estado no dia 9/5/2023, a lei de número 24.318, proposta pelo deputado estadual Coronel Henrique que concede. esse título à cidade. A lei entrou em vigor imediatamente após sua publicação oficial.
          Segundo o autor do projeto, deputado estadual Coronel Henrique, em seus argumentos para defender o projeto de sua autoria, afirma que o Doce de Leite Viçosa “trata-se de uma iguaria da gastronomia mineira, de qualidade única, reconhecido por dez vezes como o melhor do Brasil no Concurso Nacional de Produtos Lácteos, transformando-se em um símbolo da cidade e, gradativamente, de Minas Gerais. E de fato, o Município de Viçosa acabou se tornando conhecido em razão da notoriedade do Doce de Leite, tanto em Minas Gerais, quanto em todo o país e até no exterior.”

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Rua de Ouro Preto entre as 6 mais inesquecíveis do mundo

(Por Arnaldo Silva) Mais uma vez Minas Gerais é destaque no mundo. A Rua Conde Bobadela, em Ouro Preto MG, foi selecionada pela plataforma de viagens Booking.com entre as ruas mais inesquecíveis do mundo.
          Foram apenas seis ruas indicadas e apenas uma é brasileira, a Conde de Bobadela da cidade histórica, Patrimônio da Humanidade desde 1980. As outras cinco indicadas pela plataforma são: Duval Street, Key West, EUA; Caminito, Buenos Aires, Argentina; Spiegelgracht, Amsterdã, Países Baixos; Via Celio Vibenna, Roma, Itália e Yonge Street, Toronto, Canadá. (na foto acima e abaixo da Ane Soz a Rua Conde de Bobadela, a popular Rua Direita)
          Tendo como critério a opção dos viajantes em visitar lugares “instagramáveis” ou seja, lugares ideais para vídeos e fotos interessantes para postagens em redes sociais.
          Baseado nessa tendência mundial, a maior plataforma de reserva de viagens do mundo, a Booking.com entendeu que lugares assim impactam a opção dos viajantes na hora da escolha de seu destino. É o caso do viajante brasileiro, que, segundo a própria plataforma de viagens, 82% brasileiros optam por destinos “instagramáveis”. Por esse motivo, a opção da plataforma em indicar as seis ruas mais memoráveis e inesquecíveis em todo o mundo.
A Rua Conde de Bobadela
          A rua tem o nome em referência o militar português Gomes Freire de Andrade, governador da Capitania do Rio de Janeiro e o primeiro a receber o título de Conde. (na foto acima da Ane Souz, a rua Conde de Bobadela à noite)
          Repleta de casarões centenários, preservadíssimos e charmosos, lojinhas de artesanato e comércio variado, bares, cafés e restaurantes, além de ser cenário de vários eventos como a icônica Festa do Doze. 
          A via dá acesso à Praça Tiradentes, a praça principal da cidade, próximo ao Museu da Inconfidência, à direita de quem está em frente ao museu. A rua liga a Matriz de Ouro Preto à Praça Tiradentes, sendo por isso popularmente chamada de Rua Direita. (na foto acima da Ane Souz, a Praça Tiradentes dá para ver a entrada da Rua Direita)
          Portanto, façam suas malas, venham para Minas Gerais, venham conhecer nossas cidades, nossas ruas charmosas, nossas tradições e claro, venham conhecer Ouro Preto e todas as suas ruas. (na foto acima da Ane Souz, o casario da Rua Direita)
          Em cada cantinho de Ouro Preto está um pouco da história do Brasil. A cidade é a preciosa joia do barroco brasileiro.

domingo, 7 de maio de 2023

Pão de Queijo assado na folha de bananeira

(Por Arnaldo Silva) Tem o formato de pão, é assado na folha de bananeira, tradição em Esmeraldas, cidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
INGREDIENTES
. 1 quilo de polvilho doce
. 500 gramas de queijo Minas curado ralado
. 8 ovos caipira
. 1 copo (requeijão) de água
. 1 copo (requeijão) de leite integral
. 1 copo (requeijão) óleo
. 1 colher (sopa) de sal
. Folhas de bananeira
Modo de Preparo
- Em uma panela, coloque o leite, a água, o óleo, o sal, mexa e leve ao fogo até ferver
- Assim que ferver despeje todo o polvilho em uma bacia e comece a escaldar o polvilho, despejando todo o líquido na bacia.
- Mexa com uma colher até esfriar.
- Assim que esfriar, mexa com as mãos, espremendo as bolinhas que se formam.
- Comece a colocar os ovos, um a um e sovando com as mãos.
- Quando a massa estiver lisa, coloque o queijo ralado e continue sovando, até encorpar bem à massa.
- A massa não pode ficar nem muito mole e nem muito dura, tem que estar ao ponto de enrolar.
- Com uma colher grande, vá colocando a massa na folha de bananeira, enrole e coloque na fôrma para assar. (não é para fazer molde em bolinhas tradicional, é espalhar em espiral a massa de ponta a ponta da folha).
- Leve para assar a 180 graus por 30 minutos.
- Após esse tempo, retire a folha de bananeira e deixe assando por mais 30 minutos ou até ficarem dourados.
- Por fim, corte em pedaços e sirva acompanhado de um bom café.
Imagens fornecidas pelo Geraldo Leroy de Esmeraldas MG

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Pão de Queijo: 3ª melhor comida de café da manhã do mundo

(Por Arnaldo Silva) Numa eleição com 100 quitutes de café da manhã no mundo, o tradicional Pão de Queijo dos mineiros, iguaria feita com massa de polvilho escaldado, queijo e ovo, ficou na terceira posição com 4,7 de pontuação.
          Ficou atrás apenas do Komplet Lepinja, um pão com creme e ovo, tradicional da Sérvia, país europeu, que ficou na segunda colocação e do Roti Canai, um quitute da Malásia, na Ásia, que lembra muito uma panqueca, feito com massa folheada de farinha, ovos, água e gordura, que levou a primeira colocação atingindo 4,8 pontos. (na foto acima, o Pão de Queijo feito pela Marluce Ferreira de Ipatinga MG)
          A eleição das 100 melhores comidas de café da manhã do mundo foi promovida pela enciclopédia gastronômica Taste Atlas, especializada em avaliação de comidas típicas de todo o mundo. A pontuação máxima era 5, com votação feita por público ligado a gastronomia em todo o mundo, através do site da Taste Atlas (tasteatlas.com). A apuração foi em abril passado, com o resultado divulgado no início de maio de 2023.
Quarto melhor lanche do mundo
          A tradicional receita do Pão de Queijo levou ainda o 4° lugar como o melhor lanche do mundo. Além de muito apreciado no café da manhã, o pão de queijo acompanha recheios com molhos, carnes e frango desfiado, muito apreciados nos lanches da tarde.
O Pão de Queijo
O Pão de Queijo nasceu em Minas Gerais no século XVIII. É uma das mais genuínas comidas do Brasil. Surgiu da necessidade dos portugueses, terem pão, já que na colônia não existia trigo.
          Os índios consumiam a mandioca e com ela faziam farinha. Os negros escravos passaram a fazer o mesmo, ralavam a mandioca, mas também peneiravam os resíduos mais finos da farinha e deixavam secar ao sol. Dessa prática surgiu o polvilho. Ao molhar o polvilho em água quente com gordura, virava uma massa. Essa massa era dividida em punhados, enrolada nas mãos em forma de bola, e assada.
          Era sim que era feito o nosso pão de queijo original, polvilho, água e gordura, em sua origem, no século XVIII. No século XIX, o pão foi ganhando novos ingredientes como os ovos pouco tempo depois, leite e queijo, passando a ser o pão de queijo como conhecemos hoje.
          A tradicional iguaria mineira não se restringe hoje somente à Minas Gerais. Está presente desde o século XX nas mesas de todo o Brasil, popularizada quando Juscelino Kubitschek foi presidente do Brasil.
          Hoje o Pão de Queijo, nascido nas montanhas de Minas, é popular no mundo inteiro, sendo estando agora entre as 3 melhores comidas de café da manhã do planeta.

sábado, 29 de abril de 2023

As 3 capitais por um dia de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Segundo o Artigo 256 da Constituição do Estado de Minas Gerais, no seu parágrafo 1° o dia 21 de abril, Dia de Tiradentes; o dia 16 de julho, Dia de Minas e o dia 8 de dezembro, como o Dia dos Gerais. São as três datas magnas de Minas Gerais.
          A capital administrativa de Minas Gerais é Belo Horizonte desde 12 de dezembro de 1897, mas durante três dias do ano, 21 de abril, 16 de julho e 8 de dezembro a capital mineira é transferida simbolicamente para Ouro Preto, Mariana e Matias Cardoso, respectivamente, com a presença do Governador do Estado, que despacha nessas cidades e participa de solenidades cívicas, religiosas, entregas de comendas e medalhas. (na foto acima do Nacip Gômez, vista parcial de Mariana MG)
Ouro Preto – Dia de Tiradentes
          O Dia de Tiradentes é uma das mais importantes datas magnas do Estado de Minas Gerais pela importância da Inconfidência Mineira para o Brasil e ainda por ser esse o dia da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Dia de Tiradentes, Mártir da Inconfidência Mineira. (na foto acima de Nacip Gômez, Ouro Preto MG)
          Nesse dia, a capital mineira é transferida para Ouro Preto, uma das mais importantes cidades do mundo durante o Ciclo do Ouro e Patrimônio da Humanidade desde 1980, fundada em 1711. Ouro Preto foi capital de Minas Gerais entre 1720 a 1897 e é uma das mais belas e importantes cidades históricas do Brasil.
          Nesse dia, 21 de abril, a capital é transferida para a cidade, onde ocorre solenidades diversas com a presença do Governador do Estado, além da entrega da Medalha da Inconfidência, principal honraria de Minas Gerais. A medalha foi criada em 1952 pelo então Governador Juscelino Kubitschek.
Mariana – Dia de Minas Gerais
          No dia 16 de julho, a capital de Minas Gerais volta a ser Mariana, que já foi capital entre 1712 a 1720. Nesse dia, a cidade comemora sua fundação, que ocorreu em 16 de julho de 1696, quando chega à região a bandeira chefiada pelo Coronel Salvador Fernandes Furtado de Mendonça. Foi nesse ano e dia que começou a povoação de Mariana, após a descoberta de ouro no que é hoje a cidade. (na foto acima de Nacip Gômez, Mariana)
          Isso fez com que a região prosperasse, cresce com o enorme contingente de bandeirantes, mineradores, garimpeiros, portugueses e outros povos que vieram para a região, dando origem assim a formação social, cultural, religiosa e política de Minas Gerais.
          Por isso a data do surgimento da povoação de Mariana, é um dos mais importantes fatos históricos do Estado de Minas, embora não seja primeira povoação mineira, mas sim a origem da formação das primeiras características de Minas Gerais, sendo reconhecida por ser Mariana a base organizada da politica na capitania.
        Mariana surgiu em 1696, pouco tempo depois já era elevada a Vila do Ouro em 8 de abril de 1711, cidade e capital de Minas Gerais em 1712 e primeira diocese de Minas Gerais em 1745. Foi a primeira Vila reconhecida pela Coroa Portuguesa e a primeira cidade oficial de Minas Gerais, sendo por esse motivo chamada de Mãe de Minas.
          A data de aniversário de Mariana é o Dia de Minas Gerais, instituída em 1979 pela lei n°561, sancionada pelo então governador Francelino Pereira e inserida na Constituição Mineira em 1997. Nesse dia, Mariana volta a ser capital de Minas Gerais, com a presença do Governador do Estado, despachando e participando de solenidades cívicas.
Matias Cardoso – Dias das Gerais
          Matias Cardoso, distante 683 km de BH, cidade mineira no Norte de Minas, conta com pouco mais de 11 mil habitantes. Sua origem data de 1660, quando chega à região, vindo da Bahia, pelo Rio São Francisco, o bandeirante português radicado em São Paulo, Matias Cardoso de Almeida e seu pai Januário. O bandeirante foi., contratado na época pelo Governo da Capitania da Bahia para combater indígenas e negros aquilombados. (na foto acima do Manoel Freitas, Matias Cardoso e ao fundo, o Rio São Francisco)
          Matias Cardoso resolveu fixar-se com sua bandeira na região, fundando um arraial com o nome de Morrinhos, que é hoje a cidade que e leva seu nome. Esse arraial prosperou e se transformou num importante polo comercial e de abastecimento para a Coroa, em sua sede, Salvador. Matias Cardoso está às margens do Rio São Francisco. As mercadorias, na época, eram transportadas por barcos e tropeiros.
          Entre 1670 e 1673 foi construída a Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, reconhecida oficialmente como a primeira igreja, ainda de pé, em Minas Gerais, além da cidade ser reconhecida oficialmente como o primeiro núcleo de povoamento de Minas Gerais. (na foto acima do Manoel Freitas, a Matriz de N. S. da Conceição, a primeira igreja de Minas) 
          Por ser Matias Cardoso a mais antiga povoação de Minas, além de estar na cidade a primeira igreja erguida no Estado, Matias Cardoso é uma das capitais de Minas Gerais. No dia 8 de dezembro, a capital é transferida para a cidade, com a presença do Governador do Estado e autoridades.
          A data de 8 dezembro foi escolhida por ser o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade e por ser a igreja de Matias Cardoso a mais antiga de Minas Gerais.
          Minas tem o privilégio de ter, além de Belo Horizonte, capital administrativa do Estado, mais três capitais, simbólicas, por um dia. Matias Cardoso, Mariana e Ouro Preto, são as origens da história e formação arquitetônica, social, religiosa, política e folclórica de Minas Gerais.

Receita de goiabada cascão caseira

(Por Arnaldo Silva) Goiabada Cascão é uma das tradições mais gostosas de nossa culinária. Sempre acompanhada com queijo, está presente em nossas mesas há mais de 200 anos.
          Vamos aprender aqui a fazer uma deliciosa goiabada cascão e cremosa. As fotos são da Lourdinha Vieira, de Bom Despacho MG. Veja a receita:
INGREDIENTES

. 35 a 50 goiabas
. 1/2 kg de açúcar
. 300 ml de água
MODO DE PREPARO
- Descasque as goiabas, corte ao meio e com a ajuda de uma colher retire as sementes.
- Coloque no liquidificador as cascas, as sementes (sem a polpa como vê na foto ao lado, a polpa está separada. Use-a para outra coisa, como por exemplo suco ou pode comê-las) e a água e bata.
- Em seguida coe numa peneira.
- Coloque em uma panela grande e acrescente o açúcar e leve ao fogo. 
- Quando levantar fervura, abaixe o fogo e continue mexendo mas tome cuidado porque ao ferver, o doce começa a espirrar e poderá lhe queimar. Mas tem que mexer porque senão, vai grudar no fundo da panela. Vá mexendo até o doce engrossar.
- Depois de pronto, espere esfriar, coloque em potes e por fim, coloque na geladeira para conservar por mais tempo. Sirva com queijo Minas.

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Trem do Sertão

(Por Marina Alves/Lagoa da Prata MG) E não é o Trem do Sertão? Entre fumaças e brumas, a hora de embarcar em viagem inusitada: um passeio atravessando os distantes dias, os anos, o tempo...
          Manobra o Trem do Sertão! Envolto em nebulosa purpurina que se mescla ao céu coalhado de nuvens, ele se recorta ao sol da manhã, banhado em luz cristalina que radia detrás da grande figueira. Ao fundo, os fornos das caieiras apregoam tempos que esbarram nos idos de 1950.
          Saltando de um conto antigo, a estação se entrincheira à beira da lagoa. Ao rés-da-plataforma, os trilhos se desenham em duras e brilhantes paralelas que levam a tantos destinos: serpentes de ferro que corcoveiam sob as bênçãos da rosa dos ventos, desbravando sortes e caminhos.
          Na travessa do telhado, o pêndulo de bronze adverte desavisados: hora de partida, maria-fumaça em movimento. De súbito, a vida para sob o clique mágico de quem flagra o belo nos desvãos de qualquer hora. A chapa batida num repente, de repente, nem queria, mas pegou gentes desprevenidas a boiar coincidentes num dia qualquer... Seria dia de semana? Talvez domingo? Ah, se alguém pudesse se lembrar, se alguém se atrevesse a contar!
          Porte elegante, o homem de bota e chapéu espicha-se em sombra no concreto rústico, alegorias do sol nascedouro. Sem nem sentir, sem nem premeditar, imortalizou-se nos umbrais do tempo. Perdido nas brumas da história, o escuso cavalheiro em secretos anonimatos virou lenda no retrato sem pose nem ensaio... Mas quanta beleza e mistério guardou para a posteridade nas entrelinhas das outras gentes que viriam.
          À parte, o Trem do Sertão com seus ilustres passageiros, maquinistas, foguistas, apitos e vagões, certamente seguiu moroso, cortando ventos e pontes e matas e encostas de outras eras que não voltam mais.
Texto baseado no icônico registro do fotógrafo Câncio de Oliveira, feita em 1950 na antiga Estação de Lagoa da Prata MG. Câncio era natural de Santo Antônio do Monte MG, faleceu em 2020, aos 95 anos. Fez várias fotos icônicas e marcantes de Minas Gerais, como esta de Lagoa da Prata, de sua cidade e de outras cidades mineiras, além de Belo Horizonte, cidade para onde se mudou em em 1941.

Pastel de Farinha de Milho de Pouso Alegre

(Por Arnaldo Silva) Pouso Alegre, no Sul de Minas, distante 373 km de Belo Horizonte é uma das mais tradicionais cidades de Minas Gerais. O município surgiu de um pequeno arraial no início do século XIX, elevado a Vila em 7 de maio de 1832 e à cidade emancipada em 19 de outubro de 1848.
          O rápido crescimento em suas origens reflete na cidade hoje.
A cidade foi crescendo ao longo do século XX, se desenvolveu e se tornou uma das cidades mais prósperas, desenvolvidas, de boa estrutura urbana e qualidade de vida de Minas Gerais. Pouso Alegre conta atualmente com cerca de 155 ml habitantes.
          Dentre as relíquias históricas de Pouso Alegre a gastronomia é destaque, em especial o Pastel de Farinha de Milho, é uma tradição centenária e a identidade gastronômica de Pouso Alegre. A iguaria tornou-se conhecida a partir de 1928, quando surgiu no antigo Mercado Municipal da cidade. Agradou tanto o paladar do pouso-alegrense e logo caiu no gosto popular, tornando hoje uma marca da cidade hoje.
          O pastel de milho é tão importante para a história de Pouso Alegre (na foto acima) que foi declarado como Patrimônio Imaterial do Município. A secular iguaria é preservada em sua tradição, movimenta a economia da cidade gerando emprego e renda a inúmeras famílias que atuam na produção familiar da iguaria.
Aprenda a fazer o Pastel de Milho de Pouso Alegre
          A farinha de milho usada para fazer esse pastel não é a comum, em flocos, que encontramos nos mercados. Ela é triturada, não muito torrada e bem fininha, bem parecida com o fubá. Se for fazer com a farinha de milho comum, não dará certo. (na foto acima o Pastel de Farinha de Milho do "Sô Dito")
          Em Pouso Alegre encontra-se com facilidade a farinha de milho própria para o pastel, como podem ver na foto acima, bem fininha. (na foto abaixo o pastel de farinha de milho do Reginaldo)
A receita:
INGREDIENTES

. 1 quilo de farinha de milho
. 250 gramas de polvilho azedo
. 2 litros de água quente
. Sal a gosto
MODO DE PREPARO
- Em uma vasilha, coloque a farinha de milho, o polvilho e o sal, misture.
- Vá colocando a água quente aos poucos, escaldando até ficar uma massa densa e firme.
- Espalhe a massa em uma bancada, passe um rolo sobre a massa até ficar fina
- Corte a massa, coloque o recheio a seu gosto.
- Feche, aperte as pontas, com uma faca, faça corte nas pontas para que o pastel fique em formato retangular ou meia lua.
- Aperte as pontas com um garfo e frite em óleo quente a 200° até dourar.
- Escorra e sirva.
          Essa é a receita tradicional, mas como na cidade tem vários produtores pode variar um pouco de acordo com criatividade do produtor principalmente nos recheios que pode ser de pizza, carne moída, queijo, etc. (na foto acima o pastel de milho do "Sô Tião")
As fotos e informações nos foram passadas pelo professor Fernando Campanella de Pouso Alegre MG

Receita de biscoito Pele de Goma

Biscoito tradicional do Vale do Jequitinhonha, feito pela Marilene Rodrigues, que nos forneceu a receita e fotos.
INGREDIENTES
- 1 quilo de goma (polvilho doce)
- Água fervente
- Sal a gosto
MODO DE PREPARO
- Ferva a água com o sal.
- Coloque todo o polvilho numa bacia e vá despejando a água fervente aos poucos mexendo com uma colher de pau
- Vá mexendo até esfriar e já frio, comece a sovar a massa até que esteja bem firme e desgrudando por completo das mãos.
- Em seguida, pegue uma faca e corte a massa em pedaços grandes como pode ver na foto acima.
- Com uma garrafa ou um rolo passe sobre os pedaços da massa, até ficarem fininhos como na foto acima.
- Coloque os pedaços na água (como se faz com o nhoque de batata) e deixe fervendo até subirem à superfície.
- Quando subirem, retire os pedaços da água e deixe secando ao sol num tabuleiro ou em folha de bananeira por 6 a 8h.
- Quando estiver seca, coloque os pedaços no óleo bem quente e frite
- Escorra e sirva com café.

quarta-feira, 19 de abril de 2023

A venda do Zé de Lagoa da Prata

(Por Marina Alves/Lagoa da Prata) A venda do Zé tem tudo. As coisas mais impensáveis? Lá tem. E parece que existe desde sempre, tão compridas são minhas lembranças. A venda do Zé é um armazém, e essa palavra armazém é aquela que dá um aconchego bom quando a gente fala, ouve e experimenta. É a venda do recurso. Aquela onde você pensa ir, quando quer um trem diferente — assim mesmo, um “trem” que não tem em outro lugar. E lá tem “trem” porque é uma venda que fica em Minas Gerais, num lugarzinho do interior, “bão dimais da conta” de morar — pra quem mora — e “bão dimais da conta” de passear, pra quem não mora.
          A venda do Zé resistiu ao tempo. É daquelas que ficam numa esquina com portas abrindo para duas ruas. Tem letreiro na parede, que se avista de longe. Tem coisas que da banda de fora já chamam a gente para entrar, só pra ver mais de pertinho E entrando, a gente vai ver, por exemplo, panela, socador de alho, chapéu, lamparina, filtro de barro, pomada para sapato, agulha pra máquina de costura, marmita, torrador de café, colher de raspar coco, xaxim, baleiro giratório, esmaltados, vassouras, moringa em barro decorado e tudo mais que se precisar.
          Dentro da venda há coisas empilhadas daquele jeito bonito de antigamente. Há balcão, prateleiras atravessadas, contando de um tempo que não volta mais. Na verdade, quando o tempo de outras épocas percebeu o perigo que corria de se perder, ele pediu guarida na Venda do Zé. O tempo mora lá. É por isso que a gente vai lá quando quer encontrar uma peça de outro tempo. E é só lá que tem — todo mundo da cidade sabe disso.
          Prova que tudo é verdade é um lampiãozinho que dia desses precisei de última hora. No sufoco, meu amigo Sebastião me disse:
— Uai, só se for no Zé Tem Tudo.
          E na venda tinha! E ainda pude escolher entre o vermelho e o amarelo. Graças a Deus e graças à Venda do Zé, pude levar minha ideia adiante.
          Faltou alguma coisa? Corre lá! Venda do Zé, patrimônio já consagrado na história desta bonita cidade chamada Lagoa da Prata MG.
Imagens: acervo do Armazém Zé Tem Tudo (celebração de seus 50 anos de existência

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