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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

As cidades do Campo das Vertentes

(Por Arnaldo Silva) A Região do Campo das Vertentes é formada por 36 municípios, onde vivem atualmente cerca de 600 mil habitantes, divididos em três microrregiões: Lavras, Barbacena e São João Del Rei. (na foto acima, de Fabrício Cândido, a cidade de Coronel Xavier Chaves).
          A região é montanhosa, fazendo parte da Serra da Mantiqueira. Dos declives das serras da região, que mais lembram mares de morros, escorrem águas de nascentes, riachos e córregos. (na foto acima da Marselha Rufino, os campos vertentes entre Itutinga e Carrancas) Suas águas desaguam em rios, que contribuem para a formação das bacias hidrográficas do Paraíba do Sul, do São Francisco e da Bacia do Paraná. Seus campos nativos são formados por terem como características, vegetações rasteiras, formada nos declives vertentes das serras. Por isso o nome Campo das Vertentes.
As microrregiões do Campo das Vertentes
01 - Microrregião de Lavras
          A cidade de Lavras (na foto acima de Rogério Salgado) tem sua origem no início do século XVIII, surgindo da formação de um povoado e arraial, entre 1720 e 1729, elevado a freguesia em 1813, à Vila em 13 de outubro de 1831, data comemorada de sua fundação e em 20 de julho de 1868, quando foi emancipada por Lei. Conta atualmente com cerca de 105 mil habitantes e é uma das melhores cidades de Minas Gerais para se viver,. Conta com uma excelente estrutura urbana, um parque industrial com empresas de pequeno, médio e grande porte, além de um comércio variado e prestação de serviços eficientes, bons hotéis, pousadas, bares, pizzarias e restaurantes. Tem ainda um ótimo nível educacional, tendo no município um campus da Universidade Federal, a UFLA.
          Está numa região geograficamente estratégica, tem acesso para as principais capitais do sudeste por linha férrea e rodoviária, como Belo Horizonte e São Paulo através da BR-381 e Rio de Janeiro, pela BR-265, seguindo pela BR- 040. Está distante 241 de Belo Horizonte, 425 do Rio de Janeiro e a 380 km de São Paulo.
          Dos tempos do Brasil Colonial, Lavras guarda relíquias arquitetônicas presentes na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, construída entre 1751 e 1765, casarões e sobrados coloniais no perímetro urbano e em fazendas centenárias do município. (foto acima de Rogério Salgado) A arquitetura eclética e neoclássica do início do século XX está presente na cidade através da Matriz de Sant´Ana, datada de 1917, a principal igreja da cidade, além de outras construções presentes na região central da cidade, bem como o complexo do Campus da UFLA, com vários atrativos arquitetônicos e paisagísticos. 
          O município conta ainda com o Parque Florestal Quedas do Rio Bonito; Serra da Bocaina, com uma linda vista de toda a região;  (foto acima de Marcelo Lagatta/@marcelo.lagatta)Lago da usina Hidrelétrica do Funil; a Feira de Artesanato e Gastronomia, aos domingos;  A Maria-Fumaça da Praça Dr. José Esteve, dentre outros vários atrativos.  
          A microrregião de Lavras é formada ainda pelos municípios de Carrancas, Ijaci, Ingaí, Itumirim, Itutinga, Luminárias, Nepomuceno e  Ribeirão Vermelho
O município de Itumirim
          Com cerca de 6 mil habitantes, Itumirim, é uma pequena, tranquila, aconchegante e acolhedora cidade, distante 248 km de Belo Horizonte. Seu nome tem origem no tupi que significa "Itu (cachoeira) e "Mirim (pequeno). Cachoeira pequena. A cidade originou-se de um povoado denominado de Rosário, criado em 1708, elevado a distrito subordinado a Lavras em 1870. Em 1924, o nome foi alterado para Itumirim. Em 31 de dezembro de 1943, o então distrito é elevado a cidade emancipada. (foto acima de Ézio Donizete)
          É cortado pela BR 265 e está apenas 33 km da BR-381. Conta ainda com um ramal ferroviário de cargas, cujos trens serpenteiam pelas belas paisagens serranas do município, até o Rio de Janeiro. (foto abaixo de Marselha Rufino)
          Além do charme da cidade e da hospitalidade de seu povo, a cidade tem um ótimo potencial para o turismo ecológico e práticas de esportes, com lagos, córregos, rios, serras, o cânion Pirambeira e outras paisagens naturais, que simplesmente impressionam.
 
          Entre as principais belezas naturais de Itumirim, estão suas cachoeiras, como a Cachoeira das Aranhas, Cachoeira do Engenho, Cachoeira Paraíso, Cachoeira das Cruzes e a Cachoeira das Andorinhas (na foto acima de Ézio Donizete). 
O município de Ribeirão Vermelho
          Ribeirão Vermelho é uma pequena, atraente e acolhedora cidade com 4 mil habitantes, distante 270 km de Belo Horizonte. É atualmente o menor município mineiro em extensão territorial, com apenas 40.210 km² de território. (na foto acima de Robson Rodarte, linha de trem e o casario típico dos ferroviários dos séculos 19 e 20) Essa pequena cidade possui fortes ligações com o trem, quando foi implantada na região a Estrada de Ferro Oeste de Minas, no final do século XIX, bem como a construção da estação de Ferro Ribeirão Vermelho, em 1888. Com a chegada da linha férrea, o pequeno povoado chamado de Porto Alegre, passou a se chamar Ribeirão Vermelho, tendo sido elevado à distrito em 1901 e cidade emancipada em 1948.
          Dos áureos tempos das ferrovias, a cidade guarda uma extensa malha ferroviária, construções no estilo ferroviário dos séculos XIX e XX, além da maior rotunda da América Latina (na foto acima de autoria de Robson Rodarte). As rotundas foram usadas desde a origem das ferrovias. É simplesmente uma construção em forma circular, em torno de um girador, usada para fazer conversões das locomotivas e na manutenção e armazenamentos dos trens.
O município de Nepomuceno
          A cidade de Nepomuceno (na foto acima de Marcelo Melo), está a 238 km de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 27 mil habitantes. Sua origem é do século XIX, tendo sido elevada à município independente em 30 de agosto de 1911. Muita gente confunde Nepomuceno com São João Nepomuceno, na Zona da Mata. São cidades diferentes, em regiões diferentes de Minas. 
          Nepomuceno conta com uma boa estrutura urbana, boas escolas de ensino médio e fundamental, tendo ainda na cidade um campus do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, com curso superior de Engenharia Elétrica. Seu comércio é variado, conta com boas pousadas e hotéis, além de restaurantes com comida mineira. Conta ainda com charmosos distritos como Nazaré de Minas, Santo Antônio do Cruzeiro e Porto dos Mendes, além de ser banhado pelos rios Cervo e Rio Grande.
02 - A microrregião de Barbacena
          Distante 169 km de Belo Horizonte, Barbacena (na foto acima do Januário Basílio), conta hoje com cerca de 140 mil habitantes. É uma das mais tradicionais cidades mineiras, presente nas principais decisões políticas de Minas Gerais e do Brasil, desde os tempos do Império. É ainda um dos grandes produtores de frutas do Estado e de flores, em especial, de rosas. Seu comércio é variado, a cidade é muito bem estruturada, com excelentes hotéis, restaurantes, pizzarias e bares sofisticados, com ótimas opções de lazer, diversão, esportes e turismo. Além disso, possuir um alto nível educacional, destaque nessa área em Minas Gerais e Brasil pela qualidade, tanto nos ensinos fundamental, médio, quanto no superior. (na foto abaixo de Elpídio Justino de Andrade, a Escola Preparatória de Cadetes do Ar)
          Barbacena tem sua origem no início do século XVIII, surgindo da formação de um arraial, elevado a freguesia e por vim a vila, em 14 de agosto de 1791, data que é comemorada sua fundação. Dos tempos do Brasil Colônia, a cidade guarda em sua arquitetura colonial e barroca, museus, templos e praças, além de rica história. Destaque para as igrejas de Nossa Senhora da Piedade, Nossa Senhora da Boa Morte, datada de 1850, tendo em seu cemitério, belas obras de arte, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, a Capela de Santo Antônio e a Basílica de São José Operário (na foto abaixo de Elpídio Justino de Andrade)
          Outras construções são destaques na cidade, como o Solar dos Andradas, o Sobrado dos Vidigal, Sobrado Paolucci, o Sobrado de Olinto de Magalhães,  o Solar Bias Fortes, Solar dos Canedos, Grupo Escolar Bias Fortes, a Fundação Porphíria de José Máximo de Magalhães, Escola Estadual Adelaide Bias Fortes, o Pontilhão Ferroviário, a Escola Preparatória de Cadetes-do-Ar, Escola Agrotécnica Federal "Diaulas Abreu", o edifício da antiga Sericicultura e o leito da antiga Estrada de Ferro do Oeste de Minas,o Fórum Mendes Pimentel, o prédio da Santa Casa de Misericórdia,  a Farmácia Santa Terezinha, Estação Ferroviária, o Colégio Imaculada Conceição, Antiga Casa de Saúde, a Cadeia Velha, a Câmara Municipal a Casa-museu de Georges Bernanos, o Manicômio Judiciário, Museu da Loucura (no antigo Hospital Colônia) e o Museu Municipal.
          A microrregião de Barbacena é formada ainda pelos municípios de Alfredo Vasconcelos, Antônio Carlos, Barroso, Capela Nova, Caranaíba, Carandaí, Desterro do Melo, Ibertioga, Ressaquinha, Santa Bárbara do Tugúrio e Senhora dos Remédios
O município de Barroso
          Distante 197 km da Capital, Barroso (na foto acima do Wanderson Nascimento) conta hoje com cerca de 21 mil habitantes. Cidade bem tranquila e acolhedora, com casario charmoso, belas praças, lindas igrejas, ótima gastronomia e um povo muito bom e hospitaleiro. Barroso se destaca na região por suas belezas naturais,como cânions, trilhas, rios, lagos e a vista ao amanhecer no alto do Morro da Telha, onde estão as torres de TV. 
             Destaca-se ainda por suas festas tradicionais como o Festival de Inverno e a Semana de Sant´Ana, padroeira da cidade, que acontece sempre em julho, se encerrando no dia da padroeira, 26 de julho. Durante os dias de festa, acontece procissões, missas, shows, leilões e barracas com comidas típicas, destacando seu prato típico, o caldo Chico Paio, que leva feijão branco, frango, bacon e linguiça. 
O município de Antônio Carlos
          Na Serra da Mantiqueira, está a charmosa e aconchegante cidade de Antônio Carlos (na foto acima do Marcelo Melo, a Praça da Matriz de Sant´Anna). Com cerca de 12 mil habitantes, a cidade está a 200 km de Belo Horizonte. Seu nome é em homenagem a Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, nascido na vizinha Barbacena, em 5/09/1870, falecendo no Rio de Janeiro em 1/01/1946. Antônio Carlos foi um influente político brasileiro, tendo sido presidente (Governador) de Minas Gerais, prefeito de Belo Horizonte, senador da República, presidente da Câmara dos Deputados do Brasil e presidente da Assembléia Nacional Constituinte de 1932/33.
          O município se destaca no turismo ecológico já que conta com belas paisagens de Mata Atlântica e cachoeiras paradisíacas como as cachoeiras da Copasa, da Fazenda dos Gerais, da Dona Mariana Afonso, do Buraco do Bicho, além de belas paisagens e matas nativas. (foto acima e abaixo de Marcelo Melo)
          Em Antônio Carlos, fazendas coloniais, do século XVIII, que marcam a origem da povoação da região, estão presentes com seus belíssimos casarões históricos, destacando a Fazenda Borda do Campo, uma das primeiras da região, formada no final do Século XVII e ainda as fazendas formadas no século XVIII, como a Fazenda Gerais de Barros,  a Fazenda Passa-Três; a Fazenda Jacutinga; a Fazenda Cimodócia, além das Fazendas Olhos D água (hoje Hotel-Fazenda Caminho Novo); Fazenda Picumã; Fazenda Azul; Fazenda das Rosas. 
03 - A microrregião de São João Del Rei
          Distante 193 km de Belo Horizonte, contado hoje com cerca de 90 mil habitantes, São João Del Rei (na foto acima do Matheus Freitas/@m.ffotografia) foi fundada em 8 de dezembro de 1713. A tri-centenária cidade, eleita recentemente como a mais hospitaleira do Brasil, pela plataforma Airbnb, guarda relíquias preservadíssimas do barroco mineiro, sendo uma das mais antigas e mais importantes cidades setecentistas mineiras. 
          Além do Barroco, em sua arquitetura encontra-se traços dos estilos eclético e neoclássico do final do século XIX e início do século XX (na foto acima de Kiko Neto), bem como seu rico artesanato, em especial, para as obras feitas com estanho e a sua estação de trem, de onde parte a famosa Maria-Fumaça, com destino a Tiradentes. (na foto abaixo do César Reis)
          Nos arredores de São João Del Rei, se destacam seus distritos São Gonçalo do Amarante, Emboabas, São Sebastião da Vitória e Rio das Mortes, onde nasceu a Beata Nhá Chica.
          São João Del Rei é ainda um dos principais polos educacionais da região, contando com o campus da Universidade Federal de São João Del Rei, do IPTAN e IF- Sudeste, tendo ainda um dos maiores polos industriais e econômicos do Campo das Vertentes. O município conta com uma boa malha rodoviária e ferroviária, além de um aeroporto e uma ampla e excelente rede hoteleira e gastronômica. (foto acima de Deividson Costa/@deividsonsoncosta)
          A microrregião de São João Del Rei é formada ainda pelos municípios Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Santana do Garambéu, São Tiago e  Tiradentes
O município de Piedade do Rio Grande
          Piedade do Rio Grande (na foto acima de Marcelo Melo), está distante 250 km e Belo Horizonte e conta hoje com cerca de 5 mil habitantes. Sua origem começa em meados do século XVIII, com a construção de uma singela ermida na região, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, pelo casal Salvador Lourenço de Oliveira e Inácia Leme de Godói, por volta de 1748. Em torno da ermida, formou-se um povoado que cresceu, tendo sido elevado à distrito em 1891 e à município em 12 de dezembro de 1953. Sua nome é a junção do Rio Grande que corta a cidade e a fé em Nossa Senhora da Piedade, padroeira da cidade, que conta hoje com um novo templo, no topo de uma colina, podendo ser vista e admirada em vários ângulos da cidade.
          A cidade é aconchegante, tranquila e seus moradores hospitaleiros. A bela e atraente Matriz de Nossa Senhora da Piedade é o seu maior atrativo, além do município preservar sua história, presente em construções do período colonial, como a Fazenda Porto Real, lugar onde Dom Pedro I se hospedou, quando veio do Rio de Janeiro para São João Del Rei, a antiga Igreja de Nossa Senhora da Piedade (na foto acima do Marcelo Melo), com seu campanário, dentro outros patrimônios históricos do município.
O município de Ritápolis
          Ritápolis (na foto acima do André Saliya), tem hoje cerca de 4.600 habitantes. Sua origem é do início do século XVIII, surgindo com a formação de um pequeno povoado em torno de uma capela dedicado a Santa Rita, no ano de 1713. Foi distrito de São João Del Rei até sua emancipação politico-administrativa, em 1963. A cidade está a 14 km de São João Del Rei e a 200 km de Belo Horizonte, com acesso rodoviário fácil, estando a 70 km da Rodovia Fernão Dias (BR-381) e a 120 km da BR-040.
          Cidade pacata, tranquila, aconchegante, com povo acolhedor, se destaca pelo charme de seu casario em estilo colonial, pela Matriz de Santa Rita, padroeira da cidade, a Igreja do Rosário, a bela arquitetura da  sede da Prefeitura Municipal, a Casa Grande, fazenda centenárias,  Cine Teatro Pio XII, um rico artesanato, eventos religiosos e folclóricos durante o ano, pelas praças, boas pousadas, aconchegantes restaurantes com comidas típicas, com destaque para o Restaurante Saliya, bem no centro da cidade. (foto acima de André Saliya) 
          Além do seu charme arquitetônico, as belezas naturais de Ritápolis são atrativos como cachoeiras, paisagens montanhosas com matas nativas, reservas ambientais, o balneário do Jaburu, o hotel fazenda Cachoeira e fazendas centenárias, em destaque para a Fazenda do Pombal, do século XVIII (na foto acima de André Saliya), local que nasceu Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, que foi homenageado com uma estátua em frente à Matriz da cidade. Tem ainda suas belezas naturais que inclui rios, cachoeiras, montanhas e reservas florestais.
Madre de Deus de Minas 
Madre de Deus de Minas (na foto acima de Sérgio Mourão) tem sua origem no século XVIII, tendo sido elevada à cidade em 12 de dezembro de 1953. Conta hoje com pouco mais de 5 mil moradores. A cidade é charmosa e tranquila, com pousadas aconchegantes, belas praças, como a Praça do Cruzeiro do Rosário, bares e restaurantes pitorescos. Seu casario colonial é bem atraente, bem como seu povo, muito acolhedor. As belezas naturais do município ficam evidentes no Morro Dois Irmãos, nas Represas do Rio Grande e Camargos, além de matas nativas, fazendas belíssimas, além da beleza do rios, córregos e ribeirões que banham o município. Fica apenas 50 km de São João del Rei e a 233 km da Capital. 
          Seu povo é muito religioso, se destacando na cidade a Festa da Padroeira Nossa Senhora Mãe de Deus, as comemorações da Semana Santa, a Festa de São Sebastião, além do carnaval, festas juninas, Exposição Agropecuária, Festa dos Produtores e Trabalhadores de Madre de Deus de Minas, as festas de fim de ano, dentre outras festas, no decorrer do ano. 
O Município de Coronel Xavier Chaves
          Coronel Xavier Chaves, (na foto acima do Fabrício Cândido), está a 173 km de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 3500 habitantes. Seu nome tem como origem na Fazenda Mosquito, de propriedade do Coronel Francisco Rodrigues Xavier Chaves, no século XIX. Foi o pioneiro na formação do município. Era bisneto de Antônia Rita de Jesus, irmã caçula de José da Silva Xavier, o Tiradentes. O mártir da Inconfidência Mineira nasceu na Fazenda Pombal, na vizinha Ritápolis, a 8 km km do município. Na fazenda Mosquito, foram construídas casas para os parentes do proprietário e também, para seus funcionários, dando origem assim à formação do que é hoje a cidade de Coronel Xavier Chaves. O pequeno arraial foi elevado à distrito e por fim a cidade emancipada em 30 de dezembro de 1962.
          A cidade é pequena, charmosa, atraente, aconchegante. Destaca na cidade a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erguida em pedras típicas da região (na foto acima do Marcelo Melo), sua banda de música, os trabalhos de seus artesãos e artistas plásticos, a Trilha do Carteiro  e um frondoso Jequitibá-branco (Cariniana Lecythidaceae Estrellensis), espécie de rara beleza, conhecida como "Rei da Floresta". A árvore tem vida longa, em torno de 1 mil anos. (na foto abaixo do Marcelo Melo, pontilhão ferroviário no município)
          Em Coronel Xavier Chaves, existe um rico e valioso artesanato em tecidos, como bordados, em madeira e principalmente, em pedras. Seu comércio é variado e conta ainda com pitorescas pousadas e hotéis aconchegantes, além de restaurantes com nossa típica culinária. Se destaca na região por seus alambiques, totalmente artesanais, desde o corte da cana, moenda e preparo da cachaça, em vários engenhos do município, em destaque para o Engenho Boa Vista. 

Conheça Prados: cidade histórica mineira

(Por Arnaldo Silva) Prados tem sua origem da mesma forma que as vizinhas São João Del Rei e Tiradentes que surgiram com a descoberta do ouro no Vale do Rio das Mortes.
          Sua fundação data de 1704, com a chegada da bandeira chefiada pela família Prado, formando um núcleo de mineração, que mais tarde passou a se chamar Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Prados. (foto acima de Sérgio Mourão) O arraial cresceu e se desenvolveu, pelo fato de serem passagem e parada de boiadeiros e tropeiros. Em 1890, o arraial foi elevado à vila e por fim, cidade emancipada em 1892.   
          Prados é uma das mais antigas cidades mineiras, com construções belíssimas e igrejas setecentistas bem preservados. (foto acima de Thelmo Lins) A cidade guarda relíquias e preciosidades arquitetônicas do Período Colonial em Minas Gerais. Guarda também histórias interessantes de pradenses, como de Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, uma das mulheres mais ricas da região do Rio das Mortes, esposa do Inconfidente Francisco Antônio de Oliveira. Foi também uma das mais atuantes no movimento da Inconfidência Mineira, liderado por Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. A Inconfidência Mineira teve como berço a região de Prados, Tiradentes e São João Del Rei, se expandindo para outras cidades da colônia.
          A atuação de Hipólita, no movimento foi prática e bem ativa. Por exemplo, por ser de muita riqueza, financiou algumas ações do movimento, permitia reuniões secretas em sua fazenda e foi ela que denunciou Joaquim Silvério dos Reis como o traidor do movimento, além de avisar aos demais Inconfidentes sobre a prisão de Tiradentes. O casarão onde vivia o casal, em frente à Igreja Matriz, é hoje um ateliê de artesanato e um dos pontos mais visitados na cidade. (foto acima de Cesar Reis)
          A cidade está distante 181 km da capital e conta atualmente com menos de 10 mil habitantes. (foto acima de Thelmo Lins) Faz divisa com os municípios de Tiradentes, Lagoa Dourada, Coronel Xavier Chaves, São João Del Rei, Barroso, Dores do Campo, Barbacena e Carandaí, na região do Campo das Vertentes.
          Pela proximidade com cidades turísticas famosas, como Tiradentes e São João Del Rei, Prados recebe grande fluxo de turistas, principalmente em seu mais importante distrito, Vitoriano Veloso, o popular Bichinho (na foto acima de César Reis). O distrito fica apenas 8 km de Tiradentes, com acesso por uma estrada de terra bem conservada e com direito a uma maravilhosa da Serra de São José. É a estrada que liga Prados a São José. Bichinho fica entre as duas cidades. Lugar tranquilo, charmoso, pitoresco e com muitos atrativos como o Museu do Automóvel, a Casa Torta, alambique, queijos, doces e seu valioso artesanato. Em Bichinho são feitos Móveis, telas, bordados, fuxicos, crochês, tapetes, esculturas e adornos em geral, feitos pelos artesãos locais. 
          Além do artesanato presente em Bichinho e na cidade (foto acima de Thelmo Lins), Prados se destaca pela preservação da tradição da música erudita das liturgias dos séculos 18 e 19. Desde sua origem, a música esteve sempre presente no cotidiano da vida dos pradenses, com destaque para a Lira Ceciliana, fundada em 1858, ativa até os dias de hoje e orgulho de todos os pradenses. 
          Em Prados (na foto acima do Wilson Fortunato), durante o mês de julho, acontece o tradicional Festival de Música Erudita, um dos mais importantes eventos do calendário cultural de Minas Gerais. O evento tem o apoio da Universidade de São Paulo (USP/SP) com a presença de músicos regionais e alguns dos mais conceituados instrumentistas brasileiros, além de grande público, que aprecia a arte musical clássica e erudita.
          Além de sua riqueza arquitetônica, de sua história ligada a Inconfidência Mineira, do seu artesanato, da música, a cidade realiza um dos melhores carnavais da região, com blocos tradicionais, como o Bloco da Latinha, animando os foliões. (foto acima do Wilson Fortunato)
          A Semana Santa revive os tempos da fé e religiosidade mineira no tempo Brasil Colônia. São apresentadas músicas sacras do século XVIII, de autoria de compositores de renome da época Barroco mineiro como, José Joaquim Emérico Lobo de Mesquita e Manoel Dias de Oliveira. (foto acima de autoria de Wilson Fortunato mostra o altar da Matriz de Nossa Senhora da Conceição)    
          Além dos atrativos citados acima, em Prados oferece ainda como atrativos a Estação de Prados, da antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas, de 1881(na foto acima de César Reis); A capela de Nossa Senhora do Livramento; Exposição Agropecuária, Concurso Leiteiro, Feira Artesanal e Industrial; Museu Francisco Virgolino; Mirante do Cruzeiro e a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, obra iniciada no início do século XVIII, em estilo Barroco e seu interior em estilo rococó.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A prática dos sepultamentos dentro das Igrejas

(Por Arnaldo Silva) Quem visita as cidades históricas mineiras, se depara com um fato curioso. Dentro das Igrejas e nas portas de suas entradas, tem sepulturas e ao lado ou atrás desses templos, um  cemitério. (na fotografia acima de Peterson Bruschi, cemitério da Igreja de São José em Ouro Preto MG)
          Quem era sepultado dentro das igrejas ou nas suas portas de entradas, geralmente eram os religiosos mais fervorosos, os membros das irmandades e os que construíram as igrejas ou faziam grandes doações. O que significava um sinal de prestigio. na fotografia acima, de autoria de Thelmo Lins, mostra sepulturas de fiéis da Igreja de Nossa Senhora do Carmo em Sabará. Cada número no chão da Igreja é uma sepultura) 
          A prioridade no sepultamento seguia essa ordem: padres, bispos e arcebispos tinham prioridade no sepultamento nos altares. Em seguida, dentro das igrejas ou nas portas de entradas, os que eram destaques dentro das irmandades religiosas e por fim quem tinha poder aquisitivo maior, que ajudava na construção do templo com doações e dinheiro. 
          Quando já não cabia mais sepulturas dentro e nas portas de entradas das igrejas, eram sepultados no cemitério ao lado ou atrás das igrejas, como os demais membros. A única exceção eram os suicidas, cuja prática não era aceita pelos conceitos religiosos da época, portanto, não tinham direito de serem sepultados nem no cemitério nos fundos das igrejas. A família do suicida que providenciava o seu enterro, geralmente em lugares bem afastados.
          A prática de sepultar mortos dentro das igrejas pode ser observada, não só em Minas Gerais, bem como em todas as igrejas de cidades históricas do Brasil e do mundo. Era uma prática natural, desde o início do Cristianismo, há 2 mil anos. (na foto acima, de Arnaldo Silva, sepulturas na porta da Igreja de N. S. das Mercês e Perdões, em Ouro Preto MG) 
          Mas porque isso?  Porque acreditavam na época que, quanto mais próximo das igrejas eram sepultados, mais próximos dos santos estavam. Para garantir que seu ente querido estivesse bem, na presença dos santos, as famílias mais ricas construíam túmulos com características arquitetônicas similares às capelas com materiais de primeira qualidade. Mesmo as famílias mais simples, caprichavam nas lápides.
No início do século XIX começou a surgir as primeiras noções de higiene públicas difundida na Europa por médicos que diziam não ser higiênico sepultar mortos em locais públicos. porque os corpos em decomposição contaminam o ar, o subsolo e o lençol freático, causando doenças. A partir dessa informação, em 1810, a Igreja determinou a proibição de enterros dentro de seus templos e começaram a construir cemitérios mais afastados das Igrejas, prática que continua até os dias de hoje. (Quem vai a Ouro Preto MG percebe na chegada, um pouco distante da Igreja de São Francisco de Paula o cemitério e na entrada, essa placa fotografada por Arnaldo Silva).  
          No interior da Igreja de São Francisco de Paula, existem sepulturas e a prática continuou até a metade do século XIX, mesmo com a proibição da Igreja. Somente a partir de 1850, com maior assimilação da população sobre as novas noções públicas de higiene,  é que essa tradição foi definitivamente encerrada e os cemitérios, que antes eram vistos como locais de proximidade com os santos, passaram a ser vistos como locais de disseminação de doenças e quanto mais longe das cidades, melhor. Por isso que hoje, os cemitérios são bem afastados das cidades. 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Cachoeira do Tempo Perdido


(Por Arnaldo Silva) Em Capivari, distrito da cidade de Serro, a 331 km de Belo Horizonte na Região do Alto Jequitinhonha, bem perto de Diamantina MG, encontra-se uma fantástica obra da natureza que encanta os moradores da região e atrai visitantes de toda Minas: a Cachoeira do Tempo Perdido.
          Quem achar que vai perder tempo está totalmente enganado, pois tomar um banho nas águas da Cachoeira do Tempo Perdido é um ganho de tempo, de energia, de contato pela com a natureza. Vale a pena. (fotografia acima de Nacip Gômez)
         A cachoeira tem uma queda de 25 metros e um grande poço, sem pedras e propício a banho.
          Local agradável. água limpa, com areia branca ao seu redor dando um toque todo especial ao ambiente, podendo o visitante pegar um solzinho, deitado na macia, branquíssima, que forma uma linda praia pluvial. (fotografia acima e abaixo de Nacip Gômez)
          A Cachoeira do Tempo perdido permite ainda ver sua queda por um espaço fundo entre as rochas. Sentar sobre as pedras e ficar atrás contemplando a beleza da queda d´água e ouvindo o barulho da água é uma experiência extremamente relaxante e confortante. É uma suave música que acalma a alma.

Do que os mineiros mais sentem falta, longe de Minas?

(Por Arnaldo Silva) Nosso Brasil é imenso, com tradições, músicas, arquiteturas, sotaques e culturas diferentes em cada estado. Ao atravessar divisas, sentimos como se estivéssemos atravessando fronteiras de outros países. 
          Quem sai de Minas para viver em outro estado, senti isso. A comida é diferente, o jeito de falar é diferente, se vestir, andar e viver. É um estranhamento total. Alguns se adaptam à situação e tentam se adaptar à cultura do estado ou país, que por algum motivo, escolheu para viver. Mas sente saudades, muitas mesmo e sonha um dia voltar. (na imagem acima, canecas esmaltadas com arte mineira da Thalyta Moreira da Loja @amoreira_loja)
          Saem de Minas, mas, Minas nunca sai deles, porque Minas é única, não tem igual. Sente falta de tanta coisa que deixou em Minas, mesmo procurando em outro lugar, não encontra. Sabe que só tem em Minas. Minas Gerais e saudades, palavras diferentes para quem está longe de sua terra natal, parece uma só palavra. (foto abaixo de Marselha Rufino)
          Uma dessas coisas é o jeito mineiro de ser. Mineiro adora receber visitas em sua casa. Sempre tem alguma quitanda pronta para receber as visitas. Se não tiver faz na hora. Visitas vão logo para a cozinha, tomar aquele cafezinho fresquinho e prosear bastante. Quando vai embora, sempre leva um pouco de cada coisa para a família. Ninguém sai de mãos vazias em casa de mineiro. Sempre leva broa, bolo de fubá, queijo, rosca e outras gostosuras para quem da família não pôde vir.           
           Essa alegria e hospitalidade toca fundo em quem está fora de Minas, porque o jeito mineiro de ser é diferente. Não se encontra a hospitalidade, amizade e harmonia entre famílias, vizinhos e amigos de rua, da forma que se encontra em Minas.
E isso deixa saudades. Em outros lugares não é assim.
Quando chega o domingo, onde as famílias se reuniam para um almoço, o coração aperta. Com o tempo os filhos crescem e seguem suas vidas, muitos mudam de cidades, de estado e até de país e a lembrança desses dias, de muita alegria e mesa farta, com a família reunida, comendo frango com quiabo, angu, tropeiro, arroz doce, doce de leite com queijo, doce de mamão, de abóbora e goiabada... (foto acima de Elvira Nascimento em Marliéria MG)
          No fim da tarde tinha café e a mãe preparava pão de queijo, bolo de fubá, cajuzinho. Sente saudade de ir no quintal da casa, pegar goiaba, jabuticaba, manga, jambo, do figo para fazer doce.Isso fica apenas na memória e dói. Dói tanto que lágrimas escorrem de saudades. (foto acima de Marselha Rufino)
          Nesse mundo longe de Minas, a saudade da nossa comida é muito grande e quando encontramos quem faz, não é a mesma coisa. A comida pode até ter o nome de “comida mineira”, mas todo mineiro reconhece a sua legítima culinária. Seguem a receita certinha, mas não é a mesma coisa. Isso porque falta um ingrediente principal que dá cor, vida e sabor aos nossos pratos. O amor eu o mineiro tem em cozinhar. E esse ingrediente só se encontra em Minas. Para quem gosta de fubá de canjica, ora-pro-nobis, requeijão caseiro, carne na lata, queijos mineiros, licores e outras delicias, vai sentir muita saudade porque não encontra fora de Minas, em lugar nenhum. Fica apenas na saudade de quando tinha em fartura em sua terra.
          Mineiro longe de Minas sente saudades das pequenas vilas, das capelas e coretos, aonde aos domingos a comunidade ia à missa e depois da missa, as crianças e jovens ficavam na pracinha conversando, brincando, comendo pipoca, algodão doce...
          Em Minas o mineiro pode até não ser muito de ir à igreja, mas quando está longe, sente saudades do tempo que frequentava igreja, principalmente aquela em que foi batizado, fez a primeira comunhão e foi crismado. Mesmo frequentando outras igrejas, fora de Minas, não é a mesma coisa. A saudade não é do lugar em si, mas das tradições, da simplicidade, das festas de casamentos no interior, das festas religiosas, da alegria em estar com a família na igreja. 

          Saudades das tardes de domingo nos bate-bolas nos campinho de terra do bairro e depois da partida, churrasco, cantoria de viola e alegria. (foto acima de João Avelar, povoado de Pedra Branca em Almenara MG)
          Mineiro longe de Minas, para, olha no horizonte, para o nada e sente saudades da mãe, dos avós, das brincadeiras de infância, dos chás que a mãe preparava, das vezes que foi levado a uma benzedeira, dos dias de natal, do pai chegando do serviço, do mingau de fubá preparado com muito carinho pela mãe em noites de chuva encarreirada.
          Olha, não vê nada, não vê mais Minas. Chora de saudades, sente saudades de tudo isso e percebe que foi muito feliz, só percebendo isso quando deixou Minas. Minas Gerais ficou para trás, permanece a saudade que machuca a alma. 

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