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terça-feira, 30 de agosto de 2022

O Centro Cultural da Romaria em Congonhas

(Por Arnaldo Silva) Distante 75 km de Belo Horizonte, a cidade histórica de Congonhas, com origens no século XVIII, conta com cerca de 55 mil habitantes e faz divisa com os municípios de Ouro Preto, Ouro Preto, Conselheiro Lafaiete, Belo Vale, Jeceaba e São Brás do Suaçuí.
          Em 2018, durante o Seminário Internacional Gestão de Sítios Culturais do Patrimônio Mundial do Brasil, realizado em Goiás pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), especialistas classificaram Congonhas como referência nacional em gestão do conjunto histórico. A cidade é uma das 2 mil cidades brasileiras inseridas no Mapa do Turismo do Ministério do Turismo. (na foto acima do Nacip Gômez, a Romaria de Congonhas)
          Em Congonhas está um dos mais expressivos tesouros do barroco não só do Brasil, mas de todo o mundo, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Um complexo arquitetônico e paisagístico, composto por uma igreja, um adro com os 12 profetas e seis capelas que retratam os passos da Paixão de Cristo. (na foto acima do Nacip Gômez)

O Santuário
          No Santuário estão peças de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Mestre Aleijadinho, como os 12 profetas esculpidos em tamanho original e diversas outras esculturas como a Santa Ceia. Ao todo, são 78 peças esculpidas por Aleijadinho entre 1796 e 1805.
          O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas construído entre 1757 e 1875. Sua conclusão final passou por várias etapas e teve a participação de diversos outros mestres, mas obras que mais se destacam e chamam atenção, são as de Aleijadinho.
          Todo o complexo do Santuário é reconhecido como uma das mais importantes, emocionantes e impressionantes obras do barroco colonial. As obras e o estilo arquitetônico de todo o complexo são únicas no Brasil. Não tem obra igual. Por esse motivo, todo o complexo foi tombado em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1985. (na foto acima do Wilson Paulo Brasil, o adro do Santuário, onde estão as esculturas dos 12 profetas de Aleijadinho com vista para a cidade)
A Romaria
          Desde 1770, no século XVIII, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos atrai romeiros e fiéis de todas regiões mineiras, de outros estados e até de outros países, principalmente entre os dias 7 e 14 de setembro, durante o jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, quando há um grande fluxo de peregrinação de fiéis ao Santuário. Para atender e abrigar a crescente demanda de fiéis, foi construído em 1932 a Romaria, na Alameda Cidade de Matosinhos de Portugal.
          Trata-se de um conjunto de pequenas casas geminadas, inspiradas na arquitetura dos Passos da Paixão do próprio Santuário, em forma circular, com pórticos na entrada e em estilo colonial.
          Como hospedaria e local de recepção de romeiros e fiéis, o local funcionou até a década de 1960, quando passou para mãos de empresários cariocas que tinham a intenção de construírem um hotel no local. Como o projeto não vingou, em 1968, quase toda a construção foi demolida. Foi preservada apenas os pórticos de entrada, posteriormente tombado pelo Instituto Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), visando sua preservação. (fotografia acima de Gustavo Simões/@gustavosimoes.art a Romaria vista de cima e abaixo do Wilson Fortunato, os pórticos originais da entrada)
          Em meados da década de 1990, a Prefeitura assumiu a posse do imóvel e restaurou os pórticos mantendo suas características arquitetônicas originais, bem como reconstruiu as casas geminadas, com as mesas características da construção original.

          O imóvel foi reconstruído não mais para ser local de hospedagem, mas sim um espaço cultural público, visando a preservação da cultura e memória da história de Congonhas. No espaço foi instalado o Museu de Mineralogia e Arte Sacra, extensão do gabinete do prefeito, além de ser sede da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult), centro de apoio aos turistas, o memorial da cidade, oficinas de artesanato e esculturas, espaço para exposições, lojas de souvenirs, auditório, salas de estudos e pesquisas, restaurantes, lanchonetes e sanitários. Além disso, o amplo espaço no centro do imóvel permite a realização de eventos artísticos e culturais da cidade.
          Em 2018, o espaço passou novamente por restauração e readequações, com verba oriunda do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). As obras foram concluídas no final de 2020. Além da restauração do Centro Cultural da Romaria, foi construído no local o Teatro Municipal, integrando ainda o complexo ao Parque Ecológico da Romaria. (fotografia acima do Gustavo Simões/@gustavosimoes.art)
          O Parque é uma área ambiental com vegetação nativa, no entorno da Romaria, com áreas de lazer, sanitários, recepção, cobertura multiuso, relógio analemática, anfiteatro, trilhas, orquidário, borboleteio, além de ser um espaço de beleza naturais. É um espaço para lazer, entretenimento, além de atividades culturais paras os moradores da cidade e turistas, com área de 30.447,50 m².

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

O Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) Situado no bairro Antônio Dias entre as praças Barão de Queluz e Praça Antônio Dias, em Ouro Preto MG, Região Central de Minas Gerais, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição tem sua história iniciada em 1699, no século XVII, quando o bandeirante Antônio Dias construiu uma pequena e singela ermida em honra a Nossa Senhora da Conceição, antes mesmo de Vila Rica (atual Ouro Preto) existir. Vila Rica foi fundada em 1711, no século XVIII.
          Em torno da pequena capela foi se formando uma pequena comunidade, formada por gente simples que vieram junto com o bandeirante Antônio Dias, para trabalharem na mineração. Dessa comunidade simples surgiu o que é hoje o bairro Antônio Dias. Neste bairro, além do santuário e de seu casario, se destacam o Chafariz da Marilia de Dirceu, construído em 1759 e a Ponte dos Suspiros, única ponte construída em estilo romano em Ouro Preto MG. (Na foto acima do Peterson Bruschi, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição e abaixo de Ane Souz, o altar-mor do Santuário)
As irmandades
          Durante o século XVIII, irmandades começaram a ser formadas em Minas Gerais, devido a proibição da Igreja Católica atuar em Minas Gerais, como instituição. Uma irmandade é um grupo de leigos religiosos criado com o objetivo de ajudar sua comunidade bem como prestar culto a determinado santo.
          A formação das irmandades no século XVIII foram de grande importância para manter a fé e religiosidade do povo mineiro devido a expulsão da Igreja Católica, como instituição, do território mineiro, pela Coroa Portuguesa, durante o Ciclo do Ouro. Nesse período, o Clero da Igreja Católica não tinha autonomia e nem presença em Minas Gerais. Somente as irmandades registradas e autorizadas pela Coroa Portuguesa tinham permissão para realizarem serviços religiosos e construírem igrejas, já que eram totalmente autônomas em relação ao clero.
          Quanto mais irmandades existiam, mais igrejas eram construídas. E quanto mais ricos eram seus membros, mais suntuosas e imponentes eram suas construções.
          Além disso, as irmandades assumiam os serviços sociais da comunidade, além da administração financeira e dos cultos, bem como a construção de igrejas onde e quantas quisessem, de acordo com a devoção a seus santos, mesmo que seja uma em frente a outra ou na mesma rua. Tinham ainda o poder de contratar padres, desde que devidamente autorizados pela Coroa Portuguesa.
          Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição oito irmandades eram as responsáveis: a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição (1717), do Santíssimo Sacramento (1717), de Nossa Senhora da Boa Morte (1721), de Nossa Senhora da Boa Morte (1721), de São Miguel e Almas (1725), de Nossa Senhora do Terço (1736), de São Sebastião (1738) e de São Gonçalo Garcia (1738). (fotografia acima de Ane Souz)
          Em conjunto, essas irmandades a atuavam no dia a dia do tempo como na manutenção, reforma, ampliação, adornos, ornamentação, bem como na organização das atividades e festividades religiosas, ao longo de suas existências.
A nova igreja
          Com o crescimento da comunidade em torno da pequena ermida, crescimento do número de fiéis e pela mesma ter sido elevada a matriz em 1705, houve necessidade de um novo tempo. As obras da construção da igreja de Nossa Senhora da Conceição começaram em 1727 e foram concluídas em 1746, no século XVIII.
          O projeto da nova igreja ficou sob a responsabilidade de Manuel Francisco Lisboa, arquiteto, carpinteiro e mestre de obras português, natural da Freguesia de Jesus de Odivelas. Apesar da fama e por ter projetado e construído inúmeras obras em Ouro Preto como a Igreja da Nossa Senhora do Carmo, o Palácio dos Governadores, pontes, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, dentre outros, Manuel Francisco Lisboa se tornou mais conhecido devido a fama e talento do filho que teve com a escravizada Isabel, Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho.
          Foi a Igreja de Nossa Senhora da Conceição a sua mais monumental obra. É nessa igreja que pai e filho estão sepultados. Os túmulos de Aleijadinho e seu pai estão em frente ao primeiro altar, dedicado à Nossa Senhora da Boa Morte (na foto acima do Wellington Diniz). Ao todo, são oito altares que a igreja possui, referentes as irmandades presentes na Igreja.
          Além disso, na Sala da Sacristia e na Sala da Cripta, está o Museu Aleijadinho, criado em 1968 que reúne cerca de 250 obras do Mestre do Barroco Mineiro e documentos gráficos. (na foto acima de Ane Souz, o altar-mor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição)
Uma joia rara de Minas Gerais
          Considerado o marco do nascimento de Vila Rica, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição é um dos templos religiosos de maior expressão em Ouro Preto e da arte setecentista e barroca mineira. Nessa igreja estão presentes as três fases do barroco colonial brasileiro que foram o Nacional Português, o Joanino ou Dom João V e o Rococó.
          O interior com suas talhas douradas da capela-mor, sacristia, corredores laterais, dos altares, imagens sacras, decoração e pinturas da nave, impressionam em cada detalhe além de revelar a impressionante riqueza e talento de Manuel Francisco Lisboa e outros artistas que participaram da ornamentação, pintura, entalhes e construção da igreja. (na foto acima e abaixo de Ane Souz detalhes da ornamentação e forro do Santuário de Nossa Senhora da Conceição)
          A ornamentação típica do século XVIII do Santuário se mantém praticamente inalterado, mas sua fachada não. Foi modificada no século XIX e ainda nessa época, outras obras foram feitas em sua parte externa como torres, a escadaria, o adro, construído entre 1860 e 1863 e as grades, construídas em 1881.
Restauração
          Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada a Santuário Arquidiocesano. Devido a seu estado, houve necessidade de restauração completa da igreja. Em 2013, teve início a restauração do interior e exterior do templo. Durante o período de reforma, a igreja ficou fechada.
          Foram 9 anos de um minucioso, delicado e eficiente trabalho de restauração das imagens, talhas, pinturas, além da recuperação original das cores vibrantes da ornamentação e talhas douradas. A comunidade ouro-pretana e turistas, aguardavam com ansiedade a conclusão total das obras de restauro, concluídas em agosto de 2022. Os recursos da restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição foram obtidos junto ao junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Governo Federal.
          Rodeada por um riquíssimo casario colonial (na foto acima de Arnaldo Silva), o Santuário se destaca pelas cores vibrantes de sua fachada, em amarelo e branco e mais ainda, pela beleza e perfeição da restauração que devolveu suas características originais, bem como sua beleza única e singular. Uma beleza que fascina, encanta e emociona em cada detalhe, fiéis, moradores e turistas de todo o mundo. 

sábado, 7 de maio de 2022

Santa Luzia: arquitetura, história, santuário e fé

(Por Arnaldo Silva) Cidade histórica, Santa Luzia tem origens em 1692, no final do século XVIII, quando chega à região, bandeirantes em busca de ouro. É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais.
          Cidade com uma rica história e patrimônio arquitetônico colonial e sacro de imenso valor para a história de Minas. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          O pequeno arraial formado a partir de 1692, se transformou numa grande cidade dotada de boa estrutura urbana, industrializada e com construções modernas, mas ao mesmo tempo, preservando seu centro histórico com suas igrejas e casarões coloniais.
          Santa Luzia tem atualmente, 222 mil habitantes. Está bem perto de Belo Horizonte, apenas 18 km. Faz divisa com Belo Horizonte, Vespasiano, Lagoa Santa, Sabará, Taquaraçu de Minas e Jaboticatubas. (fotografia acima de Thelmo Lins)
Patrimônios históricos
          Santa Luzia faz parte da Estrada Real. É uma cidade turística com foco no turismo de eventos, rural e no turismo histórico. A cidade preserva suas tradições culturais, religiosas e folclóricas, como a Festa de Nossa Senhora do Rosário, a Folia de Reis e a festa de Santa Luzia, a padroeira da cidade. (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins, construções coloniais de Santa Luzia MG)
          Além disso, construções coloniais preservadas, concentradas em sua maioria na área do centro histórico, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).
           As construções coloniais em destaques na cidade, tem origens nos séculos XVIII e XIX: a Igreja Matriz de Santa Luzia, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a antiga Estação Ferroviária (na foto acima da Alexa Silva/@alexa.r.silva), a Capela do Senhor do Bonfim, o Solar da Baronesa, o Muro de Pedras que serviu de trincheira durante a Revolução Liberal de 1842, o Solar dos Teixeira Costa e o Mosteiro de Macaúbas, construído a partir de 1714. 
          O maior patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e religioso da cidade é sem dúvidas, o Santuário de Santa Luzia, localizado à Rua Direita.
          A Santa Católica é a padroeira da cidade desde sua origem, por isso adotou como nome, Santa Luzia. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, a Matriz em destaque)         
O milagre de Santa Luzia em Minas
          A devoção à Santa Luzia tem origens no início da povoação da região, durante a formação do arraial. A devoção teve início por um milagre alcançado por Leôncio, um pescador que sofria com problemas na visão. Enxergava muito pouco.
          Segundo a história, Leôncio avistou um objeto luminoso enterrado num banco de areia, no fundo do Rio das Velhas. Ao retira-la da areia, notou que era a imagem de Santa Luzia, a protetora dos olhos. Orou à Santa e na mesma hora, o pescador recuperou totalmente a visão.
          A imagem encontrada por Leôncio foi colocada no altar da primeira capelinha do arraial, erguida por volta de 1701. A pequena ermida tinha apenas 22 passos de comprimento e 12 de largura.
          O arraial crescia com a chegada de aventureiros, mineradores, escravos e trabalhadores para trabalharem nas minas de ouro, além da presença constante de tropeiros, no rancho formado nas proximidades. A pequena capela se tornou pequena para atender o grande número de fiéis, tendo por isso, sido ampliada entre os anos de 1721 e 1729.
          Relatos de milagres eram atribuídos à Santa Luzia em Minas Gerais, chegando à Portugal e ao conhecimento de Joaquim Pacheco Ribeiro, Sargento-Mor português. O nobre português perdera a visão e estava desenganado pela ciência humana da época.
          Acreditando que podia ser curado de sua enfermidade Joaquim Pacheco Ribeiro, fez voto à Santa Luzia, pedindo a restauração de sua visão. Se conseguisse a graça, iria para o sertão mineiro e edificaria um templo em honra à Santa.
          O lusitano conseguiu a graça. Sua visão foi recuperada e estava são. Veio então para Minas Gerais em 1758 disposto a cumpri sua promessa, acompanhado de Ana Senhorinha, Angélica e Adriana, suas filhas. Nesse mesmo ano, já em Minas Gerais, deu início a construção do templo, no lugar da pequena capela do arraial, no dia em que se comemora o dia de Santa Luzia, 13 de dezembro. (na foto acima da Elvira Nascimento, Santa Luzia vista da torre do sino da Matriz)
          A antiga capela ficava de frente para a Rua do Serro, depois que se tornou igreja, sua fachada principal ficou de frente para a Rua Direita.
          Como a exploração de ouro nessa época estava no auge, a Igreja foi ornamentada e decorada com o ouro extraído do Rio das Velhas, doado pelo minerador Antônio Martins Gil. (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins, pinturas e ornamentações dos altares em ouro no interior do Santuário de Santa Luzia)
          As impressionantes e excepcionais talhas, ornamentações em estilo rococó nos altares e pinturas internas, foram feitas por Felipe Vieira e Francisco de Lima Cerqueira. Sua construção segue fielmente o estilo Joanino, considerado a segunda fase do Barroco Mineiro. (na imagem abaixo de Thelmo Lins, detalhes das talhas douradas do altar-mor do Santuário de Santa Luzia)
          Ao longo dos séculos XIX e XX, a Matriz passou por algumas reformas tanto em sua arquitetura, quanto em suas ornamentações, mesmo assim, preservando boa parte de suas características originais.
          A tricentenária Matriz é hoje Santuário e o símbolo da fé e história do povo luziense e um dos mais importantes marcos da fé e história mineira. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, o Centro Histórico de Santa Luzia)
Santa Luzia de Siracusa
          Luzia foi uma mártir da cristandade, no início do século IV. Seu prenome vem do latim Lux que quer dizer, luz. Por isso é venerada como protetora da vista, na crença católica, a santa que intercede a Deus pela recuperação da visão dos cegos e de quem tem problemas na vista. É italiana e seu nome em italiano é Lúcia, mas canonizada como Luzia de Siracusa. Natural de Siracusa, ao sul da Sicília, na Itália, em 27 de março de 283 D.C., faleceu nesta mesma cidade em 13 de dezembro de 304 D.C, morta durante a perseguição aos cristãos por Diocleciano. (na imagem acima de Elvira Nascimento, as belíssimas pinturas no forro da Igreja de Santa Luzia MG)
          Lúcia foi presa e forçada a negar sua fé cristã e converter-se ao paganismo, o que foi prontamente recusado por ela. "Adoro a um só Deus verdadeiro, a quem prometi amor e fidelidade", foi sua resposta. Imediatamente, foi decapitada e sua cabeça, rolou pelo chão. Era o dia 13 de dezembro de 304 D.C.
          É uma das mais populares santas da Igreja Católica, venerada ainda pelos cristãos Ortodoxos. Seus restos mortais estão expostos no Santuário de Santa Luzia em Veneza, na Itália, tendo ainda a Igreja de Santa Lucia Sepulcro, em Siracusa, como seu principal local de culto.

sábado, 30 de abril de 2022

A cidade de Couto de Magalhães de Minas

(Por Arnaldo Silva) Couto de Magalhães de Minas cidade histórica mineira, com origens nos primeiros anos do século XVIII, durante o início da exploração de diamantes, na região de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha.
           Com cerca de 4.245 habitantes, segundo Censo do IBGE em 2022, Couto de Magalhães de Minas está a 320 km da Capital e a 733 metros de altitude, o município faz parte do Circuito Turístico dos Diamantes. Faz divisa com os municípios de Diamantina, São Gonçalo do Rio Preto, Felício dos Santos, Serra Azul de Minas e Serro. (na foto acima de Wilson Fortunato a Praça Matosinhos)
          Cidade histórica e turística, faz parte do Circuito dos Diamantes. É tranquila, charmosa, atraente e pacata. Seu povo acolhedor e hospitaleiro, preserva suas raízes culturais, religiosas e históricas.
          Couto de Magalhães de Minas conta com boa estrutura urbana e arquitetura preservada, paisagens naturais, belas cachoeiras e uma boa estrutura para receber turistas com pousadas e pequenos hotéis, restaurantes com comidas típicas, bares, lanchonetes, padarias e um variado comércio. (na foto acima de Anderson Sá, duas charmosas pracinhas da cidade)
          O forte de sua economia é a agricultura familiar, pecuária e plantação de frutas, graças as suas terras férteis e água de qualidade.
De Rio Manso a Couto de Magalhães de Minas
          O povoado foi formado às margens de um rio tranquilo, sereno e de águas cristalinas, chamado de Rio Manso. Por estar às margens do Rio Manso, o povoado passou a se chamar Rio Manso desde o início do século XVIII até 1° de março de 1963, quando o então distrito diamantino foi elevado à cidade emancipada, adotando o nome de Couto de Magalhães de Minas.
          A mudança de nome foi em homenagem a Couto de Magalhães (1837 – 1888), político, militar, etnólogo, geógrafo, escritor e folclorista brasileiro. Couto de Magalhães nasceu na Fazenda Gavião, em Diamantina MG.
A Capela do Bom Jesus de Matosinhos
          Em Couto de Magalhães de Minas, boa parte da história e arquitetura do período colonial está preservada, tendo como uma de suas relíquias coloniais, a charmosa Capela de Nosso Senhor Bom Jesus de Matozinhos.
          As obras da construção da singela capela começaram no final do século XVIII e concluídas no início do século XIX. (na fotografia acima Pedro Henrique Couto/@pedrocouto_sz, a Capela do Bom Jesus de Matosinhos)
          Sua fachada é bem simples, com uma única torre, diferente de seu interior, com seus belíssimos retábulos com pinturas e esculturas no estilo Joanino e Rococó.
          Chama atenção na capela os entalhes dourados no altar-mor, destacando ase imagens de Santa Rita, São Benedito, Nossa Senhora do Rosário e do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, ao centro.
          Além disso, destaque para as pinturas no forro da Capela, formado por 122 tábuas de cedro. Essas pinturas são consideradas pelo Instituto Estatual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG) como um dos mais importantes exemplos da reinterpretação popular dos tradicionais padrões eruditos do estilo rococó. Por sua importância cultural, religiosa, histórica e riqueza arquitetônica para Minas Gerais, foi tombada pelo IEPHA em 1977.
          A Capela do Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos em si, é um dos mais importantes patrimônios do barroco mineiro.
         No entorno da Capela, um charmoso e atraente casario colonial, bem preservado, completa o cenário colonial da Praça Matosinhos.
A Matriz de Nossa Senhora do Rosário
          A atual igreja, erguida em 1876, substituiu a antiga capela, construída em 1779. De arquitetura e ornamentos interiores bem simples e apenas uma torre e poucas esculturas, a igreja é cercada por um muro baixo, de alvenaria. E um bem tombado pelo IEPHA/MG, desde 1977 e a Matriz da cidade.
          Destaca em seu interior, a pintura atribuída ao guarda-mor José Soares de Araújo, da Virgem da Conceição no forro da capela-mor, apresentando a santa rodeada por querubins, nuvens e guinadas de flores. (fotografia acima de Anderson Sá)
Festa de Nossa Senhora do Rosário
          Desde o final do século XVIII que a cidade preserva e vivencia uma das mais importantes festas religiosas de Minas Gerais, a Festa de Nossa Senhora do Rosário. A festa acontece na segunda semana de setembro, com envolvimento de toda comunidade católica da cidade e apresentação grupos de Congada e Marujada.

Atrativos naturais
          Couto de Magalhães de Minas conta com belíssimas paisagens naturais e cachoeiras, como a Cachoeira da Fábrica e suas várias cascatas que formam piscinas naturais (na foto acima de Pedro Henrique Couto/@pedrocouto_sz, a Cachoeira do Vaqueiro com vários lapeiros, grutas com pinturas rupestres e serras em seu entorno, além da Água Santa, um lugar paradisíaco, com águas limpas e cristalinas.
          Conhecer Couto de Magalhães de Minas é fazer uma volta à nossa história e por suas belezas naturais é um convite ao descanso e sossego.

terça-feira, 19 de abril de 2022

Boulieu: o museu de arte sacra de Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) Inaugurado em abril de 2022, o Museu Boulieu é o mais novo museu de Ouro Preto MG, Região Central de Minas, primeira cidade do Brasil e receber o título de Patrimônio Mundial da Humanidade. Ouro Preto é a inda o epicentro da arte barroca e um dos principais destinos turísticos do Brasil.
          O museu conta com cerca de 1200 peças do barroco latino-americano doadas pelo casal Boulieu. As peças pertenciam ao acerco pessoal de 2,5 mil peças do casal franco-brasileiro, Maria Helena e Jacques Boulieu, sendo maior parte de arte sacra. Ela, paulista, radicada em Belo Horizonte e Boulieu é francês. (fotografia acima de Ane Souz)
O casal Boulieu
          As 1.200 peças foram doadas pelo casal em 2011 à Arquidiocese de Mariana, atual donatária-proprietária do acervo cedido pela Arquidiocese para compor o acervo permanente do Museu Bouleiu em Ouro Preto MG. Às peças doadas em 2011, se somaram a mais peças, doadas pelo casal Boulieu, em 2021, para o museu. (fotografia acima de Ane Souz)
          O casal Boulieu começou a formar seu acervo partir de 1950, nas viagens que fizeram por Minas Gerais, Maranhão e Bahia, além de países de colonização portuguesa e espanhola como Índia, Sri Lanka, Filipinas, Peru e Guatemala. (fotografia acima e abaixo de Thelmo Lins)
          Vivendo entre a França e o Brasil, o ato de doar parte das obras formadas ao longo de 70 anos, se deve ao desejo do casal em deixar um legado ao patrimônio ouro-pretano e também pelo amor que o casal tem por Ouro Preto MG. Por isso o nome do museu ser em homenagem ao casal Boulieu.
          É um dos poucos museus do Brasil com uma arte tão diversificada em exposição, além reunir um pouco da influência ocidental nas culturas e religiosidade latina e oriental, durante a colonização das Américas e Oriente. (fotografia acima de Ane Souz)
O museu
          As peças estão distribuídas num espaço de 400 m² no pavimento superior, que conta com 6 salas. Logo na entrada do piso superior, imagens fazem o visitante viajar pelo caminho novo para as Índias, percorrido pelos navegantes europeus, mostrando o encontro de culturas e religiosidade do mundo ocidental, com as tradições milenares do mundo oriental. (fotografia acima de Thelmo Lins)
          O visitante pode ainda entender a adaptação do catolicismo às religiosas tradicionais das colônias, entre os séculos XVII e início do século XX. (fotografia acima e abaixo de Ane Souz)
          Além disso, logo na entrada, uma voz entoando poemas de Fernando Pessoa e Camões dá boas-vindas aos visitantes. A voz é da cantora Maria Bethânia.
          O espaço conta ainda com térreo, saguão onde o visitante pode conhecer um pouco da história do casal Boulieu, bilheteria, café, loja multiuso, sala do Educativo, áreas administrativas e reserva técnica. (fotografia acima de Thelmo Lins)
Onde fica?
          O Museu Boulieu é um museu privado e está localizado à Rua Padre Rolim, 412, no casarão onde funcionava o antigo Asilo São Vicente de Paulo. (fotografia acima de Ane Souz)
          O local onde está o museu compõe um conjunto de construções formado entre o final do século XVIII e meados do século XX, vinculado à antiga Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto MG.

sexta-feira, 15 de abril de 2022

A arte na arquitetura colonial de Diamantina

(Por Arnaldo Silva) A 292 km de Belo Horizonte, no Alto Jequitinhonha, Diamantina é Patrimônio Histórico do Brasil, reconhecido pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1938 e Patrimônio Cultural da Humanidade desde 1995, Diamantina é uma das mais belas e bem preservadas cidades históricas mineiras. Fundada em 1713, preserva sua história, gastronomia, cultura, tradições e arquitetura colonial, desde sua fundação.
          Diamantina abriga um dos mais belos e bem conservados acervos arquitetônicos do período Colonial Barroco e do período Imperial brasileiro. Os arquitetos da época seguiram à risca os traços e originalidades das cidades portuguesas, adaptando sua cultura à paisagem natural da região. (na fotografia acima de Nacip Gômez da Paróquia do Divino Pai Eterno em Diamantina)
          Não foi por mera coincidência que optaram por construir a cidade aos pés do maciço rochoso da Serra dos Cristais, no início do Ciclo do Ouro, no século 18. (fotografia acima de Giselle Oliveira)
          
Sua arquitetura colonial se desenvolveu no auge do Ciclo do Ouro, entre 1720 e 1750, no período Colonial, onde as simples casas do Arraial do Tijuco deram lugar a suntuosas construções e belíssimas igrejas ornadas a ouro e diamantes, graças a riqueza gerada por essa pedra preciosa. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          Pra se ter ideia, no auge desse período, Diamantina era a maior lavra de diamantes do mundo. Com tanta riqueza, os investimentos em edificações e infraestrutura urbana foram altos.
          Sua arquitetura foi consolidada em meados do século 19, já no período Imperial (na foto acima da Gisele Oliveira). Percebe-se pelos fatos a importância de Diamantina para a história de Minas Gerais e do Brasil. A cidade tem uma pureza arquitetônica impressionante, que lembra claramente as mais belas vilas de Portugal.
          Diamantina exibe rara beleza arquitetônica e natural, formando um dos mais significativos conjuntos paisagísticos de Minas Gerais. Sua beleza é rara, sóbria, elegante, simples, original e impactante.
          A arquitetura urbana de Diamantina com suas cores variadas com portas, portadas e janelas enormes, muxarabis (elementos da arquitetura árabe), balcões com pinhas de vidro, pavimentos em pedra bruta ou madeira maciça chamam a atenção pelas características excepcionais que apresentam, destacando por exemplo o Passadiço do Glória (na foto acima de Elvira Nascimento) que liga dois sobrados. Um construído no século 18 e outro no século 19.
          Outro destaque arquitetônico é o sobrado onde viveu Chica da Silva (na foto acima de Alexandra Almeida), com o homem mais poderoso e rico da região, naqueles tempos, o Contratador de Diamantes entre 1759 a 1771, João Fernandes de Oliveira. 
          O luxuoso sobrado é um dos mais visitados em Diamantina, bem como a casa em que viveu Juscelino Kubitschek e as igrejas de Nossa Senhora do Carmo, de São Francisco, de Nossa Senhora do Rosário, do Senhor do Bonfim, a Capela Imperial do Amparo (na foto acima da Giselle Oliveira) e a Catedral Metropolitana de Santo Antônio são os marcos da religiosidade e história de Diamantina e de Minas Gerais. 
          Diamantina é mais que uma cidade, é uma obra de arte. Não foi apenas construída, foi esculpida por mãos de talentosos artistas. 

sexta-feira, 25 de março de 2022

Belo Vale: um passeio pelas origens mineiras

(Arnaldo Silva) Atualmente com cerca de 8 mil habitantes, Belo Vale faz divisa com Congonhas do Campo, Ouro Preto, Moeda, Brumadinho, Bonfim, Piedade dos Gerais e Jeceaba. Está a 80 km de Belo Horizonte, a 797 metros de altitude, na região do Quadrilátero Ferrífero Mineiro.
          Além da sede, Belo Vale (na foto acima de Marcelo Melo) o município conta com vários povoados e distritos, como: Noiva do Cordeiro, Roças Novas, Santana, Boa Morte, Salgado, Laranjeiras, Costas, Pintos, Lajes, Curral Moreira, Chácara, Moreira, Posse, João Alves, Chacrinha, Pedra, Tróia, Arrojado, Palmital e Barra Nova. (na imagem abaixo de Mauro Euzébio/@mauroart, a Matriz do distrito de Roças Novas de Baixo)
Uma das primeiras povoações de Minas
          A história de Belo Vale começa com a formação de um arraial em 1681, no século XVII. Fundada por bandeirantes, foi uma das primeiras povoações surgidas em Minas Gerais. 
          O povoamento do pequeno arraial cresceu, graças a descoberta de ouro na região em 1700, nas roças de Matias Cardoso, atualmente, distrito de Roças Novas. Em 1735, era erguida a primeira igreja, dedicada a Sant´Ana, quando o arraial passou a se chamar Santana do Paraopeba.
          Devido a terras áridas, onde estava o arraial, em 1760, um novo povoado foi formado nas proximidades do Rio Paraopeba, onde as terras eram férteis e próprias para a lavoura e criação de gado.
          Com a mudança do local do povoado, uma nova igreja foi erguida em m 1764, dedicada a São Gonçalo, com o novo arraial se chamando, São Gonçalo. Tempos depois, com a construção de uma ponte de madeira sobre o Rio Paraopeba, o arraial passou a ser chamado de São Gonçalo da Ponte. Em 1839, no século XIX, a vila foi elevada a distrito, subordinada a Bonfim MG.
          A partir de 1914, São Gonçalo da Ponte adota o nome de Belo Vale, em alusão aos belos e imensos vales da região. Em 17 de dezembro de 1938, Belo Vale é elevada à cidade emancipada.
A chegada da ferrovia e do desenvolvimento
          Com a instalação do ramal do Paraopeba, da Estrada de Ferro Central do Brasil, em 1914, começa de fato o desenvolvimento e crescimento de Belo Vale. Para abrigar os ferroviários e suas famílias, casas em estilo inglês, do início do século XX, para abrigar os ferroviários e suas famílias, bem como a Estação Ferroviária da cidade. (na foto acima de Leandro Leal e abaixo de Mauro Euzébio/@mauroart, pontilhão sobre o Rio Paraopeba em Belo Vale)
          Os trens que passavam por Belo Vale, levavam e traziam gente e também, levava me traziam minério de ferro e outros produtos. Hoje, o ramal ferroviário faz parte da Ferrovia do Aço e os trens continuam passando por dentro de Belo Vale, mas levando e trazendo apenas minério de ferro e outros produtos.
          Do saudoso tempo do trem de passageiros, restaram a charmosa Estação Ferroviária, as belas construções em estilo Inglês dos ferroviários e operários, fotos e lembranças de quem viveu nessa época. (na foto acima de Mauro Euzébio/mauroart, tem carregado de minério, onde antigamente, passava trem de passageiros em Belo Vale)
         Com o crescimento proporcionado pela ferrovia, novas construções em estilo inglês, eclético e modernista, começaram a surgir na cidade, ao longo do século XX. (na foto acima de Thelmo Lins, a antiga Estação Ferroviária de Belo Vale e a Vila Operária em seu entorno)
          Belo Vale continua com sua vocação original de ser uma cidade produtora de alimentos, se destacando em Minas Gerais na produção de frutas, como a mexerica e hortaliças, além da mineração. (fotografia acima de Mauro Euzébio/@mauroart)
Atrativos turísticos urbanos
          Belo Vale é um dos poucos municípios mineiros que reúne a história das origens de Minas, do Ciclo do Ouro, da religiosidade, das primeiras fazendas produtoras de alimentos, bem como a tradição das ferrovias. (fotografia acima de Marcelo Melo e abaixo de Mauro Euzébio/@mauroart)
         Além disso, sua arquitetura foi formada por todos os estilos arquitetônicos presentes em Minas Gerais, desde o século XVII como o Nacional Português, o Barroco Mineiro, o Eclético, o Modernista, o Contemporâneo, além do estilo Inglês, das primeiras décadas do século XX, com destaque para o Casarão dos Araújo, o popular sobrado da Praça, datado de 1929.
          Na cidade, uma construção em estilo colonial, chama a atenção dos visitantes. É o Museu do Escravo, inaugurado na cidade em 13 de maio de 1988. Instalado num casarão bem preservado, no Centro da cidade, o museu é o mais completo do gênero na América Latina. Humilhações e crueldades praticadas contra os escravos, estão reunidos em mais de 3.500 peças muito bem preservadas. (na fotografia acima de Evaldo Itor Fernandes)
          Em frente ao Museu do Escravo está a Matriz de São Gonçalo, construída em 1764, um ótimo ponto para visitação. (na fotografia acima de Mauro Euzébio/@mauroart)
Atrativos turísticos rurais
          Os principais atrativos de Belo Vale podem ser vistos em sua área rural, em todos os seus distritos. Tanto a cidade, quanto os povoados rurais, contam com boa estrutura e pousadas, para receberem os visitantes, mas as melhores pousadas da cidade, bem como a boa gastronomia mineira, estão nas comunidades rurais.
          Entre esses povoados está Boa Morte, 6 km distante do Centro de Belo Vale. Boa Morte tem origem na formação de quilombos na região. Na comunidade, destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, datada de 1760. (na fotografia acima de Thelmo Lins)
          Outra igreja na zona rural que merece uma visita é a Igreja de Santana, distante 9 km do Centro da cidade. Por ser o mais antigo templo do município, é de grande importância para a cidade.  (fotografia acima de Thelmo Lins)
          Embora sua fachada tenha sido modificada, principalmente no século XX, sua história e importância para a cidade está preservada. Da fachada o que restou de original foi apenas a placa, que data sua construção, 1735.
          A pequena igreja está bem cuidada e se destaca no local por estar no topo de uma colina, em tons brancos e azuis, ladeada por frondosas árvores e uma bela vista do vale de montanhas que circundam Belo Vale.
Ruinas do Forte e a Calçada de Pedras
          Outro local interessante para visitação é o Forte das Casas Velhas, construído em pedras pelos escravos, em 1790. Está a 12 km do Centro da Cidade, na Serra do Mascate. Durante o Ciclo do Ouro, no local funcionou a antiga alfândega e o forte militar, onde presos políticos, contrários à Coroa Portuguesa, eram encarcerados.
          Um pouco à frente do Forte das Casas Velhas, está a Calçada de Pedras, feita pelos escravos. Na época, a Calçada ligava a Fazenda Boa Esperança à antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto. Foi construída para fazer o escoamento da produção da fazenda Boa Esperança e também para receber mercadorias vindas da capital da província, que era Vila Rica. Atualmente, resta apenas um pequeno trecho da calçada.
A Fazenda Boa Esperança
          Por falar na Fazenda Boa Esperança, o lugar é ponto obrigatório para visitação. Está apensa 3 km do Centro da cidade. Formada entre 1760 e 1780, sua arquitetura foi inspirada nas construções do Norte de Portugal. Seu interior possui ainda pinturas do Mestre Ataíde.
           No auge da extração do ouro na Serra do Mascate, a Fazenda Boa Esperança chegou a ter cerca de 1000 escravos. A fazenda produzia ainda alimentos para a região, já que suas terras eram férteis.
          A sede da Fazenda Boa Esperança, foi residência do Barão de Paraopeba (Romualdo José Monteiro de Barros, nascido em Congonhas do Campo em 1756, foi presidente da província de Minas Gerais entre 10 de junho a 17 de julho de 1850. Faleceu em 16 de dezembro de 1855. (fotografia acima e abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
          A sede da Fazenda Boa Esperança é um dos mais importantes patrimônios históricos de Minas Gerais e do Brasil, tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, desde 1959 e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico - IEPHA/MG, desde 1975.
          Totalmente restaurada não consta nenhum mobiliário, apenas cômodos vazios, corredores, portas e janelas enormes, uma singela capela e toda a estrutura interna, muito bem conservada. Tanto na parte exterior, quanto interior, percebe-se a riqueza arquitetônica e estrutura da construção. É de impressionar! Ainda mais com a beleza em redor, com frondosas árvores a dar mais vida e charme ao casarão. (fotografias acima de Thelmo Lins)
Cachoeiras
          Completa a beleza do idílico cenário cinematográfico de Belo Vale, paradisíacas cachoeiras com destaque para a Cachoeira da Serra às margens da MG-442 que liga Belo Vale à BR-040 e a Cachoeira da Boa Esperança, próxima à Fazenda Boa Esperança. Essa cachoeira possui leves quedas e toboáguas naturais.
          No povoado da Pedra, a 7 km da sede, tem a Cachoeira da Usina. Outra cachoeira apreciada pelos banhistas é a Cachoeira do Moinho no povoado dos Costas, a 10 km do município e também a Cachoeira do Zé Pinto, a 7 km da sede, no povoado de Boca Calada.
          No povoado de Santana a 8 km da sede, está a Cachoeira do Geraldão. Tem ainda a Cachoeira das Lages, um pouco mais longe, a 20 km da cidade de Belo Vale, no povoado de Lages e a Cachoeira do Mascate, dentre outras tantas.
          Belo Vale (na foto acima de Evaldo Itor Fernandes) tem muitos encantos, naturais e arquitetônicos que vale a pena serem descobertos pelos mineiros e brasileiros. Uma das primeiras povoações de Minas Gerais, com uma rica e diversificada história e arquitetura, um povo gentil e acolhedor, merece ser conhecida, desvendada e visitada.

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