quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Com jeito europeu, Monte Verde atrai turistas

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Um pequeno distrito de seis mil habitantes localizado na cidade mineira de Camanducaia atrai turistas de todo o Brasil. Dividindo com Campos do Jordão (SP) o título de “suíça brasileira” devido ao clima e à arquitetura, Monte Verde oferece opções para todos os bolsos e é um dos principais destinos para casais românticos e famílias que buscam tranquilidade.
“Monte Verde é conhecida por 'suíça brasileira' por causa do clima que se aproxima muito do de países europeus. Esse ano chegamos a registrar 3,9ºC de acordo com o Instituto de Meteorologia”, afirma o gestor da Associação de Hotéis e Pousadas de Monte Verde, Marcos Paulo de Souza. "Quem visita Monte Verde desfruta de um clima europeu com a hospitalidade mineira", completa.

Camanducaia fica a 451 quilômetros da capital Belo Horizonte e a 136 quilômetros de São Paulo. A cidade faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Rodovia Fernão Dias. Por ser bem próxima do estado paulista, a maioria dos turistas vem de lá. Para chegar até Monte Verde, é preciso passar pelo centro de Camanducaia até ter acesso a uma estrada que leva para a Serra da Mantiqueira, que fica a 1,6 mil metros de altitude. 

Os recém-casados Rafael Reis, de 32 anos, e Liliam Delpra, de 29, (na foto ao lado de Tiago Campos/G1) são de Jundiaí (SP) e já foram quatro vezes para Monte Verde. O casal está junto há 9 anos. “Nós somos um casal mais sossegado. Gostamos do clima romântico que o distrito oferece e principalmente da tranquilidade”, conta Reis.
Hospedagem
Monte Verde conta com 200 locais de hospedagens, entre hotéis e pousadas, acessíveis para todos os bolsos. Há diárias a partir de R$ 150 e R$ 200 como também as que ultrapassam R$ 1 mil. Para quem gosta de sossego e quer esquecer a correria da cidade grande, muitas pousadas oferecem serviço de spa, com massagens e banhos relaxantes. (preços citados sujeitos a alterações)

"Monte Verde tem capacidade de atender variados tipos de público, como famílias que buscam momentos em união, casais que apreciam tranquilidade e romantismo e até mesmo jovens e amantes do ecoturismo. Tudo dentro do poder aquisitivo de cada um", afirma Souza.

Influência europeia
Quem chega a Monte Verde se depara com uma arquitetura típica de alguns países da Europa, como casas de madeira que lembram muito os chalés. Isso se deve à influência dos povos da Letônia, país que fica na divisa da Rússia com a Alemanha. A maioria dos letos vieram para se refugiar no Brasil no período da 1ª Guerra Mundial.
Descendentes de letos, o casal Arnist Renats Lucas, de 77 anos, e Donatila Mathilde de Abolin Lucas, de 76, (na foto ao lado de Tiago Campos/G1) foram uns dos primeiros a se mudarem para o distrito quando adquiriram um terreno em 1950. Apelidados pela população local de “Tio Nato” e “Tia Nata”, o casal faz uma deliciosa geleia de frutas.

A casa dos simpáticos velhinhos fica aberta para visitação. Basta apertar a campainha para ser recebido pelo casal. Os turistas são convidados a entrar para conhecer a arquitetura típica dos letos. “Sempre nos demos muito bem com o público, gostamos de atender bem. Há finais de semana que chegamos a vender até 500 potes de geleia”, conta Tio Nato.

O casal mantém guardadas fotos de quando eles chegaram a Monte Verde. Uma delas mostra a avenida principal do distrito hoje tomada por pousadas e bares. “Aqui cresceu bastante, mas nós gostávamos do jeito que era antes. Nós gostamos do rústico e somos amantes da natureza”, explica Tio Nato.
Avenida principal da cidade na década de 1950 (à esquerda) e nos dias de hoje (à direita) (Foto: Tiago Campos / G1)
Há um ano e meio, a rotina do casal mudou após Tia Nata desenvolver o Alzheimer. Desde então, apenas Tio Nato confecciona as geleias. Os dois, que estão casados há 50 anos, dão um exemplo de que o amor não tem barreiras. “Ela agora é a minha criança e eu cuido dela”, diz Tio Nato.

Cervejaria e gastronomia
Desde 2009, Monte Verde conta com uma fábrica que confecciona cervejas artesanais. São quatro funcionários responsáveis por produzir cerca de 40 mil litros de cerveja e chopp por mês. A cervejaria disponibiliza um tour para os turistas acompanharem o processo de fabricação em horários e dias variados da semana.
Cervejaria escolheu se instalar em Monte Verde devido ao poço artesiano da montanha (Foto: Tiago Campos / G1)
“Monte Verde foi escolhida por causa do poço artesiano que há por aqui. A água desta montanha tem propriedades similares à água da cidade de Pilsen, na República Tcheca. Esse é um dos fatores primordiais para garantir um chopp de qualidade”, revela a auxiliar administrativa Fernanda Pereira Vieira, responsável pelo tour da Cervejaria Fritz.
Além de degustar um bom chopp, os pratos típicos alemães também agradam os turistas. O prato “Schlachtplatte” servido na cervejaria do distrito é um dos mais apreciados pelos turistas. (na foto ao lado de Tiago Campos/G1) Trata-se de um joelho de porco acompanhado de cinco tipos de salsichões alemães, batatas soutê e chucrute. O prato pode ser apreciado com três tipos de mostarda de fabricação própria da casa e serve quatro pessoas. Caso seja um casal, o prato “Eisbein Completo” oferece os mesmo ingredientes, mas em versão menor. Quem aprecia as delícias, também pode acompanhar em tempo real através de um vidro a confecção das cervejas na fábrica.

Como sobremesa, os turistas podem apreciar os chocolates artesanais da Fábrica de Chocolates de Monte Verde que oferece mais de 100 variações em forma de barras, trufas, bombons e o delicioso chocolate quente para se aquecer no melhor estilo europeu.
Ecoturismo: aventura em meio ao clima frio
Monte Verde também oferece opções para turistas que buscam aventura. O ecoturismo garante adrenalina e diversão na terra, na água e nas alturas em meio à paisagem e ao clima frio da Serra da Mantiqueira. Entre as opções estão trilhas, passeio de quadriciclo, megatirolesa, paint ball, entre outras atividades.

As trilhas tem diversos níveis de dificuldade. A 1,6 mil metros de altitude, o ar é mais rarefeito e é preciso ter cautela para não ficar cansado logo de início. Existem trilhas fáceis e tranquilas indicadas para toda a família e caminhos mais radicais para pessoas mais preparadas e que buscam fortes emoções.

Para quem gosta de velocidade em terra, não pode deixar de aproveitar o passeio de quadriciclo. O veículo, que era de uso militar na década de 1950, vence facilmente qualquer terreno. Os modelos vão de 200 a 400 cilindradas e transporta até duas pessoas. É preciso portar a Carteira Nacional de Habilitação para pilotar. Um profissional fica responsável por guiar os turistas pelas trilhas mais radicais. Para quem gosta de velocidade em duas rodas, também existe a opção de alugar motocicletas para o passeio nas trilhas.

O comerciante Raul de Almeida Novaes e a analista de RH Raquel Ávila Maia namoram há dois anos e meio e foram até Monte Verde acompanhar o casal de amigos Wallace Martins e Priscila Martins Freu. Mesmo sendo de Varginha (MG), os quatro amigos não conheciam o distrito e visitaram o local pela primeira vez. “Apesar de estar sofrendo com o frio, nós aprovamos o passeio e estamos adorando nos aventurar nessa paisagem. Já estamos pensando na próxima vez”, diz Novaes.

Para quem prefere aventura na água, a descida de boia-cross pelas corredeiras do Rio Jaguari é diversão garantida. O percurso dura cerca de uma hora com boias especiais e equipamentos de segurança. A atividade é feita de dezembro a março e a idade mínima é 12 anos.

Megatirolesa
Uma das principais atrações radicais de Monte Verde é a megatirolesa. O circuito está dividido em duas partes – trajetos de ida e volta. Na ida, o turista percorre um trecho de 450 metros a 65 metros de altura. (na foto ao lado de Tiago Campos/G1) Ao chegar do outro lado, o aventureiro enfrenta uma subida a pé até a outra tirolesa que é ainda maior que a outra – 475 metros a 75 metros de altura. O visual da Serra da Mantiqueira e a velocidade dão a impressão de um verdadeiro voo livre.

“Nós só temos como contraindicações pessoas recém operadas e mulheres grávidas. Fora isso já vimos idosos de 87 anos descerem a megatirolesa. Alguns turistas ficam com medo no início, mas depois querem fazer de novo”, conta o empresário responsável pela megatirolesa Robert Hamacher.

A pedagoga Nerivalda Santos, de 28 anos, é de Mairiqui (SP) e já foi cinco vezes a Monte Verde. Ela e a família experimentaram pela primeira vez a emoção da megatirolesa.

“A sensação e o visual são sensacionais. A empolgação na hora de ir era grande e com certeza valeu a pena”, conta a pedagoga.

Serviço
Quem quiser conhecer Monte Verde, pode entrar em contato com a Associação de Hotéis e Pousadas de Monte Verde pelo telefone (35) 3438-1839 ou também acessar o site www.monteverde.org.br.

Por Tiago Campos - G1 Sul de Minas
Link original: http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2012/06/com-jeito-europeu-distrito-mineiro-de-monte-verde-atrai-turistas.html As fotos de Ricardo Cozzo não fazem parte da publicação original, são inserções nossa.

2 comentários:
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  1. Esses "distritos" do Interior, cidadezinhas acanhadas são, na verdade, verdadeiras esmeraldas escondidas nos rincões mineiros, pequenos paraísos cheios de verde, de cachoeiras magníficas, de povo acolhedor e pacato, de comidas deliciosas e história que, na maior parte, não aparecem nos livros escolares e só conhecemos por pesquisar e melhor...por visitar tais lugares!

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  2. Acredito que Monte Verde, Gonçalves e a paulista Campos do Jordão serão mais beneficiadas se forem unidas para fortalecerem o turismo sustentável na Serra da Mantiqueira, em vez de serem concorrentes rivais. As três fazerem parte de um mesmo circuito turístico, onde quem entra por uma, é incentivado(a) a visitar as outras, em vez de voltar pelo mesmo caminho. Por exemplo: os turistas da capital paulista e região: chegaram pela Via Dutra ? Quando voltarem para casa, voltem pela Fernão Dias e vice-versa.

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