quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A história da Fazenda Santa Clara

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 A Fazenda Santa Clara (na foto abaixo de Márcio Lucinda-Sauá Turismo) fica em Santa Rita de Jacutinga, cidade da Zona da Mata que faz divisa com os municípios de Rio Preto, Bom Jardim de Minas, Passa Vinte. É a maior atração turística do município que fica apenas 140 km de Juiz de Fora,190 km do Rio de Janeiro e 380 km de Belo Horizonte.
A historia da Fazenda
O fazendeiro e minerador nascido em São João Del Rei, então Capitania de Minas Gerais, Luiz Fortes de Bustamante e Sá, assumiu, no final do século XVIII, o cargo de guarda-mor do registro de Rio Preto. Mas Luiz desistiu do cargo, sendo substituído pelo seu irmão Francisco Dionísio Fortes de Bustamante, que mudou com a esposa e filhos em Rio Preto, em 1800, aproximadamente. No ano de 1824 o seu filho Francisco Tereziano Fortes de Bustamante foi agraciado pelo governo imperial com uma sesmaria de terras, onde montou a fazenda Santa Clara, concluída em 1856. A fazenda foi deixada, com sua morte, para a viúva Maria Tereza de Souza Fortes, Viscondessa de Monte Verde. Com a morte da Viscondessa, que não tinha descendentes diretos, a fazenda ficou com o seu irmão Carlos Teodoro de Souza Fortes, que era o 2º Barão de Santa Clara. Com o fim da Escravidão e as dificuldades de pagar mão de obra, e manter toda a estrutura da propriedade, a fazenda acabou sendo hipotecada ao banco, ficando em sua posse por mais de 20 anos. Depois, foi à leilão e arrematada pelo Comendador Modesto Leal e, em 1924, adquirida pelo Coronel João Honório, sendo a fazenda hoje  propriedade de seus descendentes.
Com 6 mil m², a Fazenda Santa Clara (na foto acima de Márcio Lucinda-Sauá Turismo) deve ser uma das maiores propriedades rurais com origem no século XIX ainda existentes na América Latina.  Possui 365 janelas, 54 quartos, 12 salões, 3 cozinhas, 2 terreiros de café, uma capela, uma mirante, senzala, masmorra e outras dependências apropriadas. Iniciada em 1805, levou mais de 15 anos para ser construída. Toda em pau-à-pique e feita por escravos. O terreiro de café é primoroso e foi construído com conchas e óleo de baleia. A masmorra foi concebida com solidez tal que impedisse fugas. No mirante, construído para vigiar a propriedade do alto, foi instalado um grande relógio alemão, fabricado em 1840 e ainda funcionando. (na foto abaixo, de autoria de Marcos Lamas, a Senzala da fazenda e os instrumentos de castigo aos escravos)
Como ocorre com muitas construções antigas, a fazenda tem suas lendas como a escada do "Pai Nosso" e a escada da "Ave Maria". Ali, o crente faz um um pedido assim que chegar ao último degrau. Dizem que o casarão foi concebido com 365 janelas para simbolizar todos os dias do ano. Também há "janelas" apenas pintadas que, segundo a lenda, objetivavam somar 365 ou, na verdade, para burlar a fiscalização escravagista, já que na época já estava proibido o comércio de escravos. A história conta que pela fazenda teriam passado aproximadamente 2.800 escravos, o que pode ser uma verdade, pois ali se produzia muito café, o que exigia uma grande quantidade de mão de obra. Um dos objetivos da construção dessa fazenda foi a comercialização de escravos para os senhores da região.
A Fazenda ontem e hoje
A fazenda Santa Clara (na foto acima de Márcio Lucinda-Sauá Turismo), guarda mais de 200 anos de história e tradição. A fachada principal da fazenda é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórica e Artístico Nacional (Ipham). A parte interna do casarão está ainda em processo de avaliação pelo órgão.A manutenção da fazenda é mantida com a arrecadação oriundas das visitas guiadas à fazenda. Cada visitante paga uma taxa para entrar. Assim se preserva um patrimônio não só de Minas, mas do Brasil. 
Uma curiosidade interessante quando da construção da fazenda (foto acima de Márcio Lucina-Sauá Turismo) é que as telhas que cobrem o teto foram moldadas nas coxas dos escravos. Como eram moldadas nas coxas de vários escravos de tamanhos diferentes, as telhas apresentam imperfeições. Foi dai que surgiu a famosa expressão popular " feita nas coxas". 
Todos os meses turistas vem à fazenda para conhecê-la. Pessoas de várias partes do Brasil e até do exterior para conhecer o casarão e toda sua história, visando o Museu, os salões, a senzala e outros espaços da fazenda acompanhados por guias. Como já foi citado acima, para manter o local, são cobrada taxas de visita por pessoa. 
No casarão, o visitante pode conhecer em detalhes como era a vida dos centenas de escravos da fazenda, a masmorra, os instrumentos usados para castigos, a senzala e o mirante, construído para vigiar os escravos. (Na foto acima, de Marcos Lamas a entrada da senzala e abaixo, do mesmo autor, vista da fazenda.)
No interior do casarão, o mobiliário chama a atenção pelo luxo e arte muito bem feitas. Um tapete persa de mais de 20 metros quadrados é um dos atrativos. Outro atrativo é um espelho todo coberto em ouro e vários móveis como cristaleiras, cadeiras, lustres e outros objetos de grande valor histórico e cultural, pela beleza e requinte como foram trabalhados. No lugar os turistas tem a oportunidade conhecer várias peças históricas, como um tapete persa de mais de 20 metros quadrados, um espelho todo coberto com ouro e coleções de móveis. (na foto abaixo detalhes do casarão que tem três andares e todos são feitos de pau-a-pique. (Foto: Victor Nogueira/Arquivo Pessoal)
Por essa rica história e construção exuberante, a fazenda Santa Clara foi cenário da novela  da minissérie "Abolição" da Rede Globo, em 1988, em comemoração ao centenário da Abolição da Escravidão no Brasil. Em 1999 a fazenda foi cenário da novela "Terra Nostra,tambem da Rede Globo.
Memória viva
Na Região da Zona da Mata, existiam dezenas de fazendas de café com um rico patrimônio arquitetônico e cultural. Muitas delas ainda preservadas, mas de boa parte dessas fazendas, sobraram poucas peças para contar sua história. Ao contrário da Fazenda Santa Clara, foram conservadas boa parte da história da fazenda, bem como sua arquitetura. A constatação foi feita pelo historiador Roberto Dilly.  “Normalmente, sobraram apenas fragmentos dessas grandes fazendas produtoras de café. Porém, nesse caso, está tudo muito bem preservado. É um grande feito para a recuperação da memória e da história”, enfatizou o historiador.

Graças a conservação e preservação da história da Fazenda Santa Clara, segundo o historiador, é possível entender de forma bem clara como era a vida naquela época, tanto das oligarquias cafeeiras, bem como a vida dos escravos.  “A Santa Clara foi altamente produtiva no século XIX. Apesar dela ser do século XVIII, a parte cafeeira só vai atingir seu ápice no século seguinte, principalmente com a chegada da família imperial em 1808. O número de escravos no local era muito grande, acima do normal, possibilitando a grande produção. Ao visitar a propriedade, o turista consegue saber como era a vida na casa grande, a vida na senzala e entender como a questão produtiva era organizada. O local conta a história naturalmente”, explicou.
COMO VISITAR A FAZENDA SANTA CLARA
Endereço: Estrada Santa Rita - Rio Preto Povoado João Honório, Santa Rita de Jacutinga MG
Horário visitas: Todos os dias de 8 às 17 horas com guia. Cobra-se para entrar. Verifique os valores
Telefones: (32) 3291-1400 - (24) 2442-5703

(fonte das informações: Wikipédia e G1-Zona da Mata)

36 comentários:
Faça também comentários
  1. Muito legal a história dessa fazenda . Estive lá e gostei muito. Parece que a gente vê os rostos dos personagens da novela quando caminhamos por lá...

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  2. Como conseguimos entrar em contato com vocês? Tem como passar um telefone? Obrigada. Camila

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  3. Interessante! Gostaria do contato de vocês.
    Obrigada!

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  4. São tesouros que temos no Brasil,
    e que nos deixam orgulhosos.
    Parabéns ão responsaveis pelas informações.

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  5. Gostaria muito de conhecer adoro história

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  6. O que ninguém diz é que muitas desses janelas são pintadas, na época o propósito era acobertar o galpão da senzala.

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  7. O que ninguém diz é que muitas desses janelas são pintadas, na época o propósito era acobertar o galpão da senzala.

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  8. Foi construida em meados do séc XIX e não sec XVIII

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    1. A Fazenda Santa Clara foi construída no final do Século XVIII, segundo todas as fontes pesquisadas.

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    2. Na verdade existe estudos datando de 1780 o inicio da construçao que tinha o objetivo de ser uma firtificaçao militar uma especie de presídio, com a funçao pe patrulhar a regiao denominada de "Áreas proibidas" posteriomente apartir de 1800 transformada em fazenda por Francisco Dionisío de Bustamante Fortes , entao Guarda-Mor do referido Presídio, transferindo o presídio e tomando posse das terras ,ja que sua familia ja ocupava a terra e minerava nela desde meados de de 1700!!!Com o seu tio João Pedro de Bustamante Fortes.

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  9. Gostaria de receber informações sobre como visitar esta fazendal a partir de Belo Horizonte. Sou professora de Filosofia e estudo o século XIX. Costumo levar os meus alunos em viagens pelo Brasil e exterior. Agradeço o retorno.

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    1. 5 h 19 min (376,9 km) via BR-040 e BR-267 é a distância de BH até a cidade. Basta ir á fazenda. Eles cobram taxa por pessoa e está aberta todos os dias, finais de semana inclusive. O telefone que me passaram da fazenda é este (32) 3291-1400

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  10. Impressionante!! Parabéns para os proprietários que conseguem manter o local! História viva!!

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  11. É um local impressionante. Belo e ao mesmo tempo, sombrio. Conhecer este local é um conflito de emoções, angústias e principalmente reflexão. Saí de dentro da senzala com calafrios ao ter contato direto com o local, onde seres humanos eram tratados com o pior lado da sociedade: escravidão. É assustador, mas pela reflexão que nos leva a ter, merece a visita.

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  12. Minha mãe viveu ai quando criança e sempre contava história pra gente

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    1. Oi Romilda,boa tarde,gostaria de saber se vc tem faceFace!!para conversar melhor!!abraco e

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  13. Vendo essas imagens da senzala, tive vontade de chorar, comecei a lembrar de histórias q minha falecida avó me contava pois ela nasceu nessa senzala se viva fosse estaria fazendo 104 anos, meus bisovos e outros ancestrais nasceram e foram escravos nessa fazenda, fazenda muito linda mas marcada com o sangue dos meus ancestrais.

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    1. Cristina vc tem faceFace,gostaria da histohisde sua avó 😘obrigada

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  14. Minha família meus tios, pai, nasceram nesta cidade de Santa Rita de Jacutinga-MG, Rio Preto-MG. originário, um dos dois cartórios devo encontrar documentos deles. Pedro Sabino da Silva Nascido em 1914 Rio Preto-MG Faleceu em Pindamonhangaba-SP, em 2012.

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  15. Gostaria de conhecer, como faca para obter maiores informações.

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  16. muito top msm fui la essa semana de carnaval .

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  17. Linda..adoraria conhecer,mas pelo q vi nos comentarios ñ temos respostas

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  18. Adoro história,principalmente do Brasil.Sempre que posso pesquiso sobre as fazendas históricas do Brasil.Infelizmente preservamos muito pouco de nossa história.É realmente lamentável lembrar da escravidão dos afros descendentes que houve no Brasil,porém é fundamental falar sobre o assunto para que as novas gerações não repitam os erros do passado.Historia é história não podemos mudar o que passou.Devemos conhecer o passado para viver um presente e futuro melhor.
    Parabéns aos herdeiros pelo trabalho de preservar nossa história!

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  19. Patricia Catelan,vitoria ES.Outubro/2018
    Adoro história,principalmente do Brasil.Sempre que posso pesquiso sobre as fazendas históricas do Brasil.Infelizmente preservamos muito pouco de nossa história.É realmente lamentável lembrar da escravidão dos afros descendentes que houve no Brasil,porém é fundamental falar sobre o assunto para que as novas gerações não repitam os erros do passado.Historia é história não podemos mudar o que passou.Devemos conhecer o passado para viver um presente e futuro melhor.
    Parabéns aos herdeiros pelo trabalho de preservar nossa história!

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  20. Como fazer pra visita entrar em contato com quem?

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  21. Também gostaria de informações para visita. Qual o contato ?

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  22. Contato para viaita !!!Como fazer ?

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  23. Um lugar mágico! Passei a maior parte da minha infância lá, me alimentando dessa maravilha. As vezes podíamos sentir (e até escutar rs) a presença dos antigos... Agradeço aos deuses por ter vivido tudo isso.

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