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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Cachoeira do Campo: O embrião do nascimento de Minas

(Por Arnaldo Silva) Quem vai a Ouro Preto passa, necessariamente, pela BR-356 – a Rodovia dos Inconfidentes. Em todo seu trecho, até a cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, desde 1980, montanhas, matas nativas, lagoas e rios, enchem os olhos dos viajantes.
          Mais que isso, a estrada margeia cidades e distritos, onde à vista, um pouco de sua arquitetura e artesanato em cerâmica, pedra sabão e em madeira, imagens sacras, além frutas nativas, queijos, cervejas artesanais, cachaças, doces e até museus, como o Jeca Tatu, em Itabirito e o Museu das Reduções às margens da Rodovia, em Cachoeira do Campo, a 22 km antes de chegar a Ouro Preto. (fotografia acima de Ane Souz)
Passam e geralmente, não param. Mas deviam.
          Além de ser um dos mais antigos distritos de Ouro Preto, Cachoeira do Campo tem história na origem de Minas Gerais. Não é apenas mais um povoado a beira de estrada. É uma parte da história do nascimento de Minas Gerais.
          Cachoeira do Campo tem cerca de 8.500 habitantes. Conhecida por seu clima ameno e saudável, considerado um dos melhores climas do Brasil, oferece uma boa qualidade de vida, segurança e tranquilidade aos seus moradores. (na foto acima de Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe, a Rodovia dos Inconfidentes, no Funil)
          
Seu comércio rico e variado, além do distrito contar com indústrias diversas como a moveleira e mineradoras. Conta ainda com uma boa estrutura urbana e prestação de serviços de qualidade, ótimas opções de hospedagem e gastronômica, com restaurantes, padarias e lanchonetes encontradas com facilidades.
Origem
          O povoado do que é hoje Cachoeira do Campo, tem origem nas últimas décadas do século XVII, com a chegada à região das bandeiras chefiadas por Fernão Dias, por volta de 1674/75. As tropas pararam próxima a uma cachoeira de águas limpas, em volta a um campo rupestre, na parte alta de uma serra, conhecida hoje por Serra do Trino, onde exatamente está o Colégio Dom Bosco.
          Daí a origem do nome. Inicialmente, Cachoeira, passando a se chamar, Cachoeira o Campo desde o século XVIII. (na fotografia acima do Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe, a Cachoeira Cascaa Dom Bosco)
          Fernão Dias e suas bandeiras não fixaram residência na região, partindo pouco tempo depois. Segundo a história, seu primeiro morador foi Manuel de Mello, que chegou à região por volta de 1680.
Além da das margens da rodovia
          Por sua origem e histórica, Cachoeira do Campo guarda verdadeiras joias de nossa história, pouco conhecida pelos turistas que vão à Ouro Preto.
          Passam pela Rodovia dos Inconfidentes rumo a Ouro Preto e apenas passam, não entram no distrito. Deixam de conhecer os encantos e a história de uma das mais antigas e importantes povoações mineiras.
          Além disso, como verão no decorrer da matéria, Cachoeira do Campo foi o embrião do nascimento de Minas Gerais. (na foto acima do Vinícius Barnabé/@viniciusbarnabe, o curso d´água da Cachoeira da Cascata, passando por debaixo da Ponte de Pedras)
O que ver e o que fazer em Cachoeira da Campo?
A Matriz de Nossa Senhora de Nazaré
          Os portugueses trouxeram a devoção à Nossa Senhora de Nazaré, quando de sua chegada à Cachoeira do Campo, ainda no final do século XVII. Pela fé, ergueram uma pequena ermida, dedicada à santa de devoção no povoado em formação. (fotografia acima de Arnaldo Silva)

          Um cruzeiro todo em pedras de cantaria, muito bem encaixada, construído em 1799 é marco da fé do povo de Cachoeira do Campo, instalado na Praça da Matriz da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré.
          A matriz tem cinco imponentes e impressionantes altares, muito bem trabalhados, em finíssimas talhas e com riquíssimos elementos artísticos, talhados em madeira e ouro puro. (na foto acima do Thelmo Lins, o altar-mor da Matriz)
          
Iniciada nos primeiros anos do século XVIII e concluída antes de 1730, substituindo a pequena ermida. Tem em sua arquitetura, riscos e traços do estilo predominante da primeira fazer do Barroco Mineiro, o Nacional-português. (na foto acima do Peterson Bruschi, o forro da Matriz)
          Sua arquitetura singular, reflete as características que definiram o estilo das igrejas mineiras: simplicidade por fora e uma estupenda riqueza por dentro como podem ver na foto acima do Peterson Bruschi.
          A Igreja de Nossa Senhora de Nazaré teve grande importância na história da formação de Minas Gerais por ter sido palco de batalhas da Guerra dos Emboabas (1707-1709) e da Sedição de Vila Rica ou Revolta de Filipe dos Santos (29/06 a 19/07 de 1720).
          Além disso, a Matriz tem enorme valor arquitetônico e cultural para Minas Gerais e para o Brasil. Por esse motivo, foi reconhecida em 1950, pelo Instituto Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como patrimônio brasileiro.
Governadores e o Imperador na Matriz
          Sua importância era tanta que os governadores da Capitania de Minas Gerais, faziam questão de assistirem as missas na Matriz de Nazaré. Naquela época, Vila Rica (hoje, Ouro Preto), era a Capital da Capitania de Minas Gerais.
          O Imperador Dom Pedro II (1825-1891), foi também um dos visitantes ilustres da Matriz de Nazaré, estando presente em Cachoeira do Campo e na Matriz, em 1881.
          Dom Pedro II veio à Minas Gerais para uma série de visitas às cidades mineiras, entre elas, Vila Rica. A comitiva imperial saiu do Rio de Janeiro em 26 de março de 1881. Vieram de trem até Barbacena e desta cidade, seguiram em carruagens e em cavalos, para Vila Rica.
          Chegaram em Cachoeira do Campo em 2 de abril de 1881, causando um grande alvoroço na população local, que esperava comitiva no adro da Matriz.
          Dom Pedro II e sua esposa, D. Teresa Cristina, ficaram deslumbrados com o altar da Matriz de Senhora de Nazaré. Visitaram o Palácio da Cachoeira e o Colégio Dom Bosco.
          A área do Colégio impressionou o Imperador, que demonstrou a intenção de transformar o local numa escola agrícola.
          No almoço servido à comitiva imperial, Dom Pedro II fez questão de sentar-se na cadeira em que seu pai, o Imperador Dom Pedro I, sentou, quando também visitou o distrito, em uma de suas viagens à Minas Gerais. A cadeira, encontra-se hoje guardada no Centro Dom Bosco.
Outros atrativos de Cachoeira do Campo
Igrejas históricas
          
Além da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, outras igrejas de grande valor histórico são atrativos no distrito como a a primeira Igreja no Brasil dedicada à Nossa Senhora das Dores (na foto acima de Arnaldo Silva), construída em 1767.
          Tem ainda a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, construída em 1908 e a Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho, construída em meados do XVIII (na foto acima de Ane Souz)
          Essas três igrejas não estão abertas à visitação, em seu interior, apenas a Matriz de Nazaré, abre para visitação pública de terça-feira a sábado, entre 14h e 18h.
O chafariz
Imponentes casarões, estâncias e construções suntuosas, para a época, marcam a arquitetura de Cachoeira do Campo como por exemplo o Chafariz de Dom Rodrigo na Serra do Ouro Preto, construído no século XVIII para levar água potável ao distrito. Construção tão bem feita que está ativo até os dias de hoje.
O Palácio da Cachoeira
          Para se ter ideia da importância e a tradicional qualidade de vida oferecida no distrito, em Cachoeira do Campo, foi construído em 1773, a mando de D. Rodrigo de Menezes, um imponente e luxuoso casarão, para ser residência oficial dos governadores da Capitania de Minas Gerais. É o Palácio da Cachoeira, no popular, Palácio dos Governadores.
          Na capital, Vila Rica, os governadores despachavam do Palácio do Governo, mas para residir, optavam pelo Palácio da Cachoeira, longe da agitação da mineração e clima bem úmido de Vila Rica, na época, uma das maiores cidades das Américas.
A ponte de pedras
          O acesso ao palácio era feito por uma ponte de 30 metros de comprimento, em pedra bruta assentada com argamassa e sangue de boi, como aglomerante. Foi construída na mesma época do palácio, no século XVIII. (fotografia acima de Arnaldo Silva)

O refúgio da aristocracia
           Com a presença da pompa e luxo da governança, poderosos ricaços da época, fizeram o mesmo, construíram moradias do distrito.
          Por suas características climáticas e belezas naturais, além da presença da governança no distrito, poderosos ricaços aristocratas da época, fizeram o mesmo, começaram a construir moradias em Cachoeira do Campo. Com isso, o distrito tornou-se, no século XVIII, um dos refúgios dessa nova classe, que se formava, graças à riqueza proporcionada pelo Ouro.
           Infelizmente, boa parte desses casarões não estão mais em pé. Os que restaram, contam a história da imponência da aristocracia mineira, durante o Ciclo do Ouro. A antiga morada dos governadores resiste ao tempo.
          A partir de 1811 o antigo palácio passou a ser um internato para meninas, sobre a direção das Irmãs Salesianas. Hoje, funciona no local o colégio Nossa Senhora Auxiliadora e o Retiro das Rosas, usado como um pequeno centro de convenções, muito procurado para retiros espirituais e congressos.
O Colégio Dom Bosco
          Outro atrativo é o antigo Quartel do Regimento Regular de Cavalaria de Minas Gerais, a célula-mãe da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Instalado em 9 de junho de 1775, a mando do Governador Dom Antônio de Noronha, tinha como missão principal, guardar as recém descobertas minas de ouro de Vila Rica. (fotografia acima de Arnaldo Silva)

          Antes da instalação do regimento, no local funcionava o Quartel dos Dragões Del´Rey, guarnição que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, era lotado, na patente de alferes, nos dias de hoje, um tenente.
          Em 1816, o local foi adaptado para receber a Coudelaria Imperial, instalada em 29 de julho de 1819, transformando-se no maior centro de treinamento, criação, seleção e aperfeiçoamento de cavalos de raças, da província mineira.
          Em 1834, já no fim do Ciclo do Ouro, o Regimento Regular de Cavalaria de Minas Gerais foi deslocado para o Rio de Janeiro e transformado no Primeiro Corpo de Cavalaria do Exército.
          Com isso, o espaço foi adaptado para ser um internato para meninos de todo o país, funcionando do século XIX, até a década de 1980, para este fim.
          O Colégio Dom Bosco, foi por décadas um dos mais tradicionais internatos para meninos do Brasil. Hoje, as instalações são usadas para congressos, encontros, simpósios e reuniões.
Educação e bandas musicais
          Cachoeira do Campo tem tradição na educação de qualidade. O primeiro grupo escolar no distrito foi fundado em 1907, em homenagem ao Padre Afonso de Lemos. Hoje, é uma escola estadual de ensino fundamental e médio.
          Desde o século XIX, as tradicionais bandas musicais compõem o cenário cultural do distrito e permanecem ainda na ativa. Como destaque a Banda Euterpe Cachoeirense, criada em 1856 e a Sociedade Musical União Cachoeirense, hoje, Sociedade Musical União Social, fundada em 1864. Inclusive, as duas bandas de Cachoeira do Campo estão entre as mais antigas bandas civis de Minas Gerais.
Festas populares
          Cachoeira do Campo se destaca em Minas por realizar um dos mais importantes festivais gastronômicos da Região, a Festa da Jabuticaba A festa acontece na época da temporada da fruta, entre novembro e dezembro.
          Destaque ainda para as festas de Nossa Senhora de Nazaré e a Festa do Cavalo, em julho.
Museu das Reduções
          Em Cachoeira do Campo, às margens do Rodovia dos Inconfidentes, no km 77, está instalado o Museu das Reduções, um lugar super agradável, onde o visitante tem a oportunidade em fazer uma incrível viagens conhecendo réplicas em miniaturas das principais esculturas e construções, desde o período barroco até as modernas construções do século XX, de 15 estados brasileiros, além do Distrito Federal. Vale a pena uma visita pela história do Brasil, que o museu oferece.
O embrião do nascimento de Minas Gerais
A Guerra dos Emboabas

          Foi na Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em 1708, antes mesmo da conclusão das obras, que o português Manuel Nunes Viana, aclamado pelo povo, assumiu o cargo de primeiro Governador de Minas Gerais.
          Nessa época a Matriz de Nazaré era o centro do povoado e foi justamente em Cachoeira do Campo, que foi desencadeado um dos mais violentos confrontos da Guerra dos Emboabas (1708 – 1709), conflito entre portugueses e bandeirantes paulistas que queriam exclusividade na exploração das minas de ouro no território mineiro, bem como o monopólio no comércio de gêneros de primeira necessidade.
          Com esse objetivo, a Capitania de São Paulo estendeu seu domínio para a maior parte do território mineiro, adotando o nome de Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, bem como a Capitania do Rio de Janeiro, que anexou parte do território de seu território mineiro aos seus domínios.
          Mesmo tendo durado pouco mais de um ano, durante a Guerra dos emboabas, ocorrerem batalhas sangrentas, principalmente em Cachoeira do Campo.
          Com derrota dos bandeirantes paulistas, a Coroa Portuguesa passou a controlar de forma mais enérgica as atividades mineradoras e o comércio, bem como, taxar impostos e exercer uma constante e repressiva fiscalização na cobrança.
A Sedição de Vila Rica
          Evento histórico, ocorrido entre 29 de junho e 19 de julho de 1720, considerado o embrião para o nascimento de Minas Gerais. Teve seu ápice final no adro da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré com a prisão de Filipe dos Santos (Portugal 1680 – Vila Rica, 1720).
          Filipe dos Santos veio para o Brasil, radicando-se em Vila Rica, no início do século XVIII, atuando como tropeiro, comerciante e político.
          Em Vila Rica, se destacou na liderança das camadas mais populares, encarnando a revolta da população contra os abusos cometidos pela Coroa Portuguesa, como por exemplo, as casas de fundição, criadas pela Coroa para fundir o ouro e controlar a extração mineral em Minas Gerais.
          Nessas casas, os mineradores tinham que levar o ouro extraído, que era fundido na casa e transformado em barras, cunhadas com o selo do Reino português. Essas barras eram enviadas para o porto de Paraty e de lá, para Portugal.
          Dos mineradores era cobrado uma quinta parte do ouro extraído, como imposto, chamado de Quinto. Isso equivaleria hoje a uma taxa de 20% do valor do bem.
          Para o povo e mineradores, uma taxa altíssima, diante de todas as dificuldades na extração e transporte do ouro, além do envio das riquezas para Portugal.
          Filipe dos Santos se revoltou contra o quinto e queria o fechamento das casas de fundição e formar um novo governo em Minas. Com este objetivo, liderou uma revolta popular conhecida como Sedição de Vila Rica e A Revolta de Felipe dos Santos.
          O movimento em si foi derrotado e Felipe dos Santos preso condenado à forca, por ordem de Pedro de almeida Portugal, o Conde de Assumar, então Governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro.
          Mesmo não tendo jurisdição para essa ordem, Assumar não era juiz e nem fazia parte do judiciário à época, mesmo assim, sua ordem foi cumprida.
          Filipe dos Santos foi executado, retirado em seguida da forca e seu corpo amarrado pelas mãos e pés a quatro cavalos, sendo todo destroçado.
          Partes de seu corpo, foram penduradas em pedaços de madeira e espalhados pela cidade. Prática comum da Coroa Portuguesa na época, para intimidar e servir de exemplo a quem se atrevesse a ir contra as leis impostas pelos colonizadores, a seus colonos.
          Toda liderança do movimento foi presa, mas apenas o líder principal, Filipe dos Santos, foi condenado. Os outros líderes e revoltosos presos, foram perdoados.
          Embora a povoação de Minas Gerais tenha se iniciado a partir de meados do século XVII, o movimento liderado por Filipe dos santos, tornou-se o marco do nascimento oficial do Estado de Minas Gerais.
          A insatisfação popular com a presença cada vez mais crescente em Mina Gerais e ainda, ser extensão da Capitania de São Paulo, gerava cada vez mais revolta nos mineiros. 
          Alguns meses depois do fim da Sedição de Vila Rica, em 12 de dezembro de 1720, Minas Gerais tornou-se uma Capitania independente, separando-se de São Paulo, passando a ter domínio administrativo próprio, sobre seu território. Essa data é comemorada como a data da fundação do Estado de Minas Geais e fim da influência paulista em Minas Gerais.
          Nas origens de Minas Gerais, Cachoeira do Campo, foi um dos atores protagonistas do nascimento do estado mineiro.
A Praça Filipe dos Santos
          Em frente ao adro da Matriz, onde ocorreu a prisão de Filipe dos Santos, é uma praça hoje, com o nome de Filipe dos Santos. (fotografia acima de Arnaldo Silva)

          Além do adro, da Matriz e praça, o conjunto é formado por uma murada, coreto e casarões coloniais completando o cenário colonial.
Pare e entre em Cachoeira do Campo
          Quando vier à Ouro Preto, pare em Cachoeira do Campo e entre. Na rodovia, tem lojas diversas de artesanato em pedra sabão, como panelas, na foto acima do Arnaldo Silva e em madeira, como na foto abaixo, do mesmo autor.
          Entre no distrito, conheça as igrejas, o Colégio Dom Bosco, os casarões, a Ponte de Pedra. Almoce ou faça um lanche nos vários bares, lanchonetes e restaurantes do distrito.
          Conheça e vivencie um pouco de um lugar que gerou Minas Gerais, como Capitania autônoma e um estado dotado de uma imensa riqueza cultural, arquitetônica, cultural, natural e único no Brasil.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Copo Americano não. Aqui é copo Lagoinha!

(Por Arnaldo Silva) Nas lanchonetes, padarias, restaurantes, nas mesas de bares e botecos, bem como, nas casas dos mineiros e brasileiros, está sempre presente, até mesmo em festas sociais, sendo inclusive, imprescindível nas medidas culinárias, com seus exatos 190 ml.
          É o copo Lagoinha, como é chamado em Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte. No Brasil, é conhecido por copo Americano, seu nome original. É um copo genuinamente brasileiro. (fotografia acima de Alexa Silva/@alexa.r.silva em Jaboticatubas MG)
          Copo americano, brasileiro ou mineiro? Se é brasileiro, porque tem o nome de Copo Americano? O que esse copo tem a ver com os Estados Unidos? Se o copo surgiu em São Paulo, o que tem a ver com Minas Gerais?
          Vamos as respostas. Não existe esse tipo de copo na América e com certeza, a maioria dos americanos sequer ouviu falar desse tipo de copo. É criação brasileira, criado pelas mãos de um mineiro, de São João Del Rei MG, cidade histórica nas Vertentes de Minas, distante 190 km de Belo Horizonte, com cerca de 90 mil habitantes.(fotografia de Clésio Moreira do 24º andar do condomínio do Edifício Super Building Valente, na Avenida Afonso Pena, Centro)
Nadir Figueiredo
          Seu criador foi Nadir Dias de Figueiredo, nascido em São João Del Rei, em 1891. Radicou-se em São Paulo, no início do século XX, com seus irmãos, em busca de uma vida melhor, já que veio de uma origem bem modesta. (na foto acima de Deividson Costa, vista parcial de São João Del Rei)
          Na capital paulista, tornou-se um dos maiores empresários do Brasil, se destacando no ramo da vidraçaria. Nadir Figueiredo faleceu em 10 de abril de 1983, em São Paulo.
          O copo Americano, que criou em 1947, foi uma de suas maiores e mais populares criações. Mas antes disso, Nadir Figueiredo já era um próspero e visionário empresário. Fundou uma oficina de conserto em máquinas de escrever em 1912. Alguns anos depois, passou a atuar no setor de eletrificação em sociedade com o irmão, Morvan Dias de Figueiredo.
          Em 1935, os irmãos decidiram investir no segmento de vidraçaria, adquirindo a empresa Cristaleira Americana, transformando-a no que é hoje a Nadir Figueiredo, empresa e marca que leva o nome do empresário, tornando-a uma das maiores e mais importantes empresas do Brasil, destaque inclusive no mundo. Em 2019, a empresa foi adquirida pela gigante americana de private equity HIG Capital.
A origem do copo Americano
          Nadir Figueiredo decidiu criar um copo que ao mesmo tempo fosse atraente e resistente. Ficou sabendo de um copo abaulado (em forma de curva) criado pela artista plástica russa, Vera Mukhina, no início da década de 1940.
          Nessa época, os copos eram muito frágeis, quebravam com facilidade, principalmente quando eram colocados nas rústicas máquinas de lavar louças, que existiam na extinta União Soviética. A artista criou o design de um copo justamente, para ser resistente e não quebrar com facilidade, quando colocadas nessas máquinas. E conseguiu.
          Foi nessa ideia da artista soviética que Nadir Figueiredo se inspirou para desenvolver o design de seu copo. Em viagem aos Estados Unidos, o empresário conheceu as vidraçarias americanas, seus produtos e a tecnologia disponíveis de ponta, da época.
          Voltou ao Brasil com ideia de criar um copo, inspirado no estilo soviético. Além disso, importou o maquinário dos Estados Unidos para São Paulo, dando início assim a concretização de sua ideia.
          Nadir Figueiredo, queria um copo no estilo abaulado, como o criado pela artista soviética, usando o que tinha de mais moderno da indústria americana, na época. Entre o maquinário de ponta que importou dos Estados Unidos, estava uma máquina que abaulava copos.
          Com a inspiração no design soviético, Nadir Figueiredo criou um copo versátil, resistente, confortável e que tivesse inúmeras utilidades, além de ter um custo mais acessível à população em geral. Isso porque, naquela época, copos de vidros eram mais restritos às camadas mais abastadas da sociedade.
          Além disso Nadir Figueiredo procurou adequar sua ideia à característica, cultura e costumes do povo brasileiro, que o empresário conhecia muito bem.
          Com base nesses critérios, criou um design genuinamente nacional, para atender os gostos e necessidades de todos os brasileiros.
          Todos os detalhes do copo foram pensados para dar mais resistência, utilidades diversas e versatilidade ao copo. Boca larga, com borda lisa, uma linha que circula a borda, separando a boca do restante do corpo do copo, que é todo chanfrado. Tudo isso, além de ser mais robusto que os demais copos, foi pensado para que o copo americano fosse resistente e cumprisse seus objetivos.
O motivo do nome copo Americano
          E cumpriu. O copo agradou e agrada até os dias de hoje. Por ter sido feito em máquinas que importou dos Estados Unidos, passou a chamar seu copo de copo Americano, mesmo tendo se inspirado no design de um copo soviético. E assim ficou o nome. (foto acima do Clésio Moreira)
O copo do mundo
          Copo Americano, criado por um mineiro, inspirado no design de um copo soviético, fabricado com maquinário Americano, numa fábrica paulista, que acabou se popularizando em Belo Horizonte e Minas Gerais com o nome de copo Lagoinha.
          Com todos esses atributos, não tinha como não ser um copo universal e tão popular assim.
          A produção inicial, em 1947, começou totalmente manual. As máquinas produziam apenas de 2 copos por minuto. Em 2012, a empresa comemorou 6 bilhões de unidades do copo Americano, vendidas em todo o mundo. Esses 6 bilhões de copos em fila, seria o equivalente a 10 voltas em torno do planeta Terra. (na foto acima da Aline Marrques, café da manhã do Chalé Cantinho de Minas, em São João Batista do Glória MG. E está o copo Lagoinha)
Símbolo nacional
          A popularidade desse copo é tanta e seu design, criado por Nadir Figueiredo, se tornou dos símbolos do design do Brasil, reconhecido no mundo todo. Tanto é que em 2009, o modelo tradicional do Copo Americano, foi exposto no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York. Méritos para Nadir Figueiredo, que deu ao Brasil, um produto que reflete a identidade e criatividade do povo brasileiro.
A chegada do Copo Americano em Minas Gerais
          A popularidade do Copo Americano em Minas Gerais, começou a partir do bairro boêmio da Lagoinha, em Belo Horizonte, nos primeiros anos da década de 1950.
          O nome Lagoinha tem origem nas lagoinhas formadas, durante a extração de rochas nesta região. Esta atividade existia antes mesmo da fundação do Curral Del Rei, povoado que deixou de existir para dar lugar à futura capital mineira, fundada em 12 de dezembro de 1897.
          Com a fundação de Belo Horizonte, a Lagoinha começa a ser povoada, se transformando em bairro.
          Até hoje, charmosas e bem trabalhadas, construções em estilo eclético das primeiras décadas do século XX, bem como construções modernistas, harmonizadas pela bela vista da Serra do Curral, que a região proporciona. (na foto acima do Thelmo Lins, Rua Além Paraíba no bairro Lagoinha)
          Estão presentes no tradicional bairro como o Cemitério do Bonfim (na foto acima do Thelmo Lins), a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Conjunto IAPI, o Colégio Municipal, a Rádio Itatiaia, o Hospital Odilon Behrens, dentre outros antigos estabelecimentos e construções residenciais.
          Foi na Lagoinha que foi criada a Corporação Musical Nossa Senhora da Conceição, a primeira banda de música da cidade e ainda em atividade, bem como o Leão da Lagoinha, primeiro bloco de carnaval da capital mineira.
          O bairro concentra até os dias de hoje a maior diversidade religiosa de Belo Horizonte, com templos de diversas denominações religiosas convivendo democraticamente na região, bem como seus velhos e charmosos casarões em estilo eclético, mostrando o tempo do romantismo arquitetônico da capital mineira. Mas a região é famosa desde as primeiras décadas do século passado por sua agitada vida boêmia.
           A Lagoinha, juntamente com parte da região Central da Capital, a partir da Rodoviária e os bairros Bonfim, Carlos Prates, Colégio Batista, Pedreira Padro Lopes, São Cristóvão e Senhor dos Passos, formam a Região da Lagoinha.
O primeiro copo
          O primeiro estabelecimento a vender o Copo Americano foi o Armazém dos Irmãos Vaz de Mello, que funcionava na Rua Itapecerica, na esquina com a Avenida do Contorno, na Região da Lagoinha.
           Um dos irmãos, Joaquim Sétimo Vaz de Mello (“Seu” Quimquim), gostava de mostrar os atributos do copo, inclusive, batendo-o na bancada de madeira de seu armazém para mostrar aos fregueses que o copo não quebrava fácil. Com isso, além de versátil e multiuso, ganhou fama de copo inquebrável, tornando-se sucesso geral de vendas.
          Não demorou muito, para o copo cair no gosto dos donos de bares e botecos da região da Lagoinha, principalmente dos comerciantes da Praça Vaz de Melo, que na época, tinha uma vida boêmia muito intensa.
          O copo alegrava os ambientes dos bares e botecos, unindo sambistas, malandros, comerciantes, mulheres e pessoas de outras regiões que frequentavam a boemia belo-horizontina. As rodas de samba e bate papo entre amigos, corria a noite e o copo era o componente principal dessa socialização.
          Por isso, cada vez mais os pedidos de copos chegando ao ponto de ser tão popular, que o copo Americano foi associado e até mesmo, ser um símbolo da boemia belo-horizontina.
Aqui é copo Lagoinha! Aqui é Minas!
          Tanto é que ao invés de chamar copo Americano, era chamado de copo Lagoinha, por sua tamanha aceitação e popularidade nessa região.
          O nome copo Lagoinha passou a ser pedido para compras nos armazéns e no uso de botecos e bares. Não se pronunciava mais copo Americano.
           Com o passar do tempo, o copo Lagoinha começou a se expandir por outras regiões da Capital, passando a ser usado, nos demais bares e botecos da capital mineira, pelos restaurantes, padarias, lanchonetes, mercados e mercearias da cidade, além da população em geral. (fotografia acima de Clésio Moreira)
          A praticidade do Copo Lagoinha saiu das divisas de Belo Horizonte para todo o interior mineiro. Caindo de vez no gosto de todos os mineiros.
          Na década de 1980, foi criado o Complexo Viário da Lagoinha, ligando a Zona Norte-Sul com a Zona da Leste-Oeste de Belo Horizonte. Esse complexo foi construído onde era a efervescência da boêmia da capital. 
          Na medida que a construção foi avançando, os casarões, bares, botecos e comércios que existiam no local, foram dando lugar a um imponente complexo viário, com túneis, viadutos, rotatórias e novas ruas. Com isso, os anos da boêmia da Lagoinha, ficaram no passado, na história e imaginário do povo belo-horizontino.
Melhor copo do mundo para se tomar cerveja
          O Copo Lagoinha é tão popular em Minas Gerais, quanto a cachaça de Minas. Aliás, cachaça e Copo Lagoinha, tudo a ver. Cerveja também, claro. (fotografia acima de Alexa Silva/@alexa.r.silva em Jaboticatubas)
          Numa votação popular na década de 1990, o Copo Lagoinha foi eleito pelos belo-horizontino e mineiros, como o melhor copo para se tomar cerveja no mundo. É também o preferido nas mesas dos bares para se tomar a tradicional cachaça mineira. Cachaça e cerveja em copo que não seja o Lagoinha, perde a graça. Isso é fato!
          É um copo que simboliza e reflete claramente a cultura e os sabores do mineiro, já integrado no dia a dia do nosso povo. Sem nenhum projeto de marketing, tornou-se um dos símbolos da capital dos bares do Brasil, Belo Horizonte. Um símbolo que saiu das camadas populares e da boemia belo-horizontina, naturalmente, incorporando-se aos costumes da cidade e do nosso povo em geral.
          Mesmo com tantas opções de copos hoje disponíveis, nos mais diferentes designs e os preços mais em conta, o copo Lagoinha nunca deixou de estar nas casas brasileiras. E sempre estará. O copo é um símbolo da cultura, festas, tradições, folclore, costumes e alegria do povo brasileiro. Faz parte não só da cultura e costumes do nosso povo, mas de nossas emoções e sentimentos.
Campanha tornou o nome Lagoinha, oficial
            Em nenhum estado ou cidade brasileira, esse copo tem tanta importância como em Belo Horizonte. De tão importante, está enraizado na cultura e costumes da cidade, desde a década de 1950/60. É parte da vida e história do povo belo-horizontino e um ícone dos bares e botecos mineiros e também um ícone do Brasil. (fotografia acima de Alexa Silva/Alexa.r.silva)
          Em 2019, numa campanha organizada pela Cervejaria Wäls, marca mineira de cervejas artesanais, para que a empresa Nadir Figueiredo, reconhecesse o nome Copo Lagoinha, como oficial, teve adesão do povo mineiro.
          Foi feita uma petição que contou com ampla mobilização dos belo-horizontinos com efeito positivo. Isso porque a empresa aceitou a petição dos mineiros, reconhecendo que copo Americano, é também chamado de copo Lagoinha.
          Enquanto o restante do Brasil chama o modelo de copo Americano, em Belo Horizonte o copo Lagoinha é unanimidade, o copo e o nome.
Da alegria à democracia
          Da pinga ao pingado, da água ao café, do suco ao refrigerante, ele está lá, presente. Sem contar nas rodas de amigos, nos bares, botecos e festinhas, tem sempre Copo Lagoinha presente. Se não tiver copo americano, qualquer churrasco ou roda de amigos e principalmente em bares e botecos, não tem graça alguma. (fotografia acima de Arnaldo Silva) 
          É o copo mais democrático e social que existe no Brasil. Na maioria das casas, das mais diferentes camadas sociais, em padarias, lanchonetes, bares, mercados públicos e restaurantes, simples ou sofisticados, tem copo Lagoinha.

sábado, 27 de novembro de 2021

11 tradicionais Mercados Centrais mineiros

(Por Arnaldo Silva) Concentrar lojas e produtores de uma cidade em um único lugar, aberto a todos os públicos, é prática milenar. Era a forma que os governantes encontraram para ter mais controle sobre os produtos que entravam e saiam das cidades, além claro, de aumentar a arrecadação de impostos, evitando comércios irregulares.
          Ao longo dos milênios, as funções dos mercados públicos foram se aprimorando, chegando a ser hoje um espaço democrático, de relacionamentos interpessoais, sociais e coletivos. (na foto acima do Gil Santos, uma das bancas do Mercado Municipal de Salinas MG)
          São estabelecimentos antigos e tradicionais, que atraem gente de todas as camadas sociais, já que nesses mercados, estão presentes os produtos da terra, o artesanato, a arte, a cultura, a história e a gastronomia das cidades.
          Os Mercados Municipais, popularmente chamados de Mercados Centrais, por sempre se localizarem nas regiões centrais das cidades, são um dos poucos espações públicos, onde diferentes classes sociais e a intelectualidade, convivem harmoniosamente. Por isso que os mercados públicos estão presentes há séculos nas cidades de todo o mundo. (na foto acima de Rogério Salgado de uma banca de queijos no Mercado Central de BH)
          Diferente dos supermercados e grandes redes varejistas, quem vai aos mercados públicos, vai para comprar sim, mas principalmente, interagir com amigos e fazer novas amizades, em rodas das tradicionais bebidas, petiscos e pratos típicos locais. 
          A sociabilidade e a convivência democrática é a diferença de um mercado público, para os mercados particulares existentes atualmente.
            Isso porque são os Mercados Centrais a forma mais democrática e popular de convívio social e de contato direto do produtor, feirante e dono das lojas, com os frequentadores desses espaços. São pessoas de diferentes faixas etárias e com diferentes objetivos e motivos, frequentando um Mercado Público. (na foto acima do Rogério Salgado, banca de flores do Mercado Central de BH)
          Os mercados públicos tem história e presença nas cidades, desde sua origem, passando por suas dependências, várias gerações.
          Os frequentadores com mais de 50 anos, frequentam esses mercados mais por saudosismo, para relembrar os tempos de sua infância e juventude, vividos nesses locais. Os abaixo de 50, até 30 anos, gostam de frequentar os barzinhos e lojas para comprarem produtos para suas famílias, além de encontrar os amigos para bater papos, nos botecos e lojas de comidas dos mercados. Quem tem menos de 30 anos, os mais jovens, buscam mesmo é a alegria e diversão que os mercados oferecem.
          Os Mercados Centrais ou Municipais, são mais que ponto de vendas de mercadorias. São pontos de encontro entre amigos, lazer e diversão, além, de compras, claro. (na foto acima do Ernani Calazans, o Mercado Municipal de Itinga, no Vale do Jequitinhonha)
          Em Minas Gerais, a tradição dos mercados públicos, estão presentes. Listamos 11 mercados públicos tradicionais em Minas Gerais. Uma profusão de cores, saberes e sabores de Minas.
01 – Mercado Central de Belo Horizonte
          É sem dúvida o mais famoso e o mais popular mercado público de Minas Gerais, além de ser um dos mais tradicionais mercados municipais do Brasil.
          Recentemente, o Mercado Central de BH fez parte da lista dos 10 melhores mercados públicos do mundo, eleito pelos usuários em todo o mundo, da companhia aérea, Latam Airlines, com resultado divulgado na Revista Tam Nas Nuvens. (fotografia acima de Alexandre Vidigal)
          Entre os 10 primeiros colocados, o Mercado Central de BH, ficou em terceiro lugar, atrás apenas dos mercados públicos Mercat de la Boqueira, de Barcelona e do Boiurough Market, de Londres.
          São 13.442 m2 de área, com mais de 400 lojas, espalhadas por seus corredores temáticos, com produtos variados. 
          São lojas de queijos, doces, cachaças e licores mineiros, pimentas, temperos, compotas, hortifrutis, ervas medicinais, artesanato, arranjos florais, utensílios domésticos, todos os produtos típicos da culinária mineira, lanchonetes, restaurantes e botecos, que estão sempre lotados, principalmente nos finais de semana. (fotografia acima de Alexandre Vidigal)
          O fígado com jiló, tira gostos como a linguiça acebolada e a feijoada, são os pratos mais apreciados pelos frequentadores do Mercado Central de Belo Horizonte.
          Inaugurado em 7 de setembro de 1929, funciona até os dias de hoje à Avenida Augusto de Lima, 744, com entrada também pela Avenida Amazonas.
          O Mercado Central de Belo Horizonte é um dos pontos de maior sociabilidade e parada obrigatória dos belo-horizontinos e de quem vem à Belo Horizonte. Estatísticas apontam uma média diária de 15 mil visitantes.
02 – Mercado Municipal de Araçuaí
          Inaugurado em 1961, instalado numa charmosa construção histórica da cidade, o Mercado Municipal de Araçuaí, na região do Vale do Jequitinhonha, é um dos mais populares da região. (na foto acima do Ernani Calazans, banca produtos da agricultura familiar no Mercado)
          Conhecido como Mercadão o espaço oferece uma diversidade de produtos como frutas, verduras, cerais, carnes, temperos a granel, queijos, doces, dentre outros produtos, além da culinária e do artesanato da cidade e de todo o Vale do Jequitinhonha. Essa diversidade, além de sua história, faz do Mercadão um ponto de lazer, cultura e turismo do Vale do Jequitinhonha.
          Na parte externa do Mercadão, acontece uma feira popular, com os produtos da agricultura familiar de Araçuaí e de cidades vizinhas como Berilo e Francisco Badaró. A feira é bastante concorrida, com maior concentração de público, aos sábados. (na fotografia acima de Ernani Calazans)
03 - Mercado Municipal de Salinas 
          A Capital Mundial da Cachaça, conta também com um dos mais atraentes e ativos mercados municipais do Norte de Minas. (na fotografia acima e abaixo de Gil Santos)
          Além da produção variada da agricultura familiar local, do artesanato do norte mineiro e claro, da famosa cachaça produzida na cidade, no Mercado de Salinas são encontradas as iguarias típicas da culinária do Norte de Minas como os pratos a carne de sol, doces tradicionais como tijolo, pratos feitos à base de carne de sol e pequi, dentre outros, servidos no restaurante do Mercado. (fotografia acima e abaixo de Gil Santos)
          Inaugurado em 1972, O Mercado Municipal de Salinas, instalado no Centro da cidade, é um ponto de encontro entre amigos e fomentação cultural. Fica aberto de segunda à sábado de 6h às18hs, não abrindo aos domingos e feriados.
04 – Mercado Municipal de Diamantina
          Na cidade Patrimônio Cultural da Humanidade, Diamantina, o Mercado Velho ou Mercado dos Tropeiros, foi no século XIX um dos mais importantes pontos de parada de tropeiros de Minas Gerais. Jequitinhonha, cidade mineira, Patrimônio Mundial da Humanidade. (fotografia acima de Giselle Oliveira)
          O Mercado Velho foi construído em 1835 para ser um ponto parada dos tropeiros que cortavam o sertão de Minas Gerais, trazendo e levando mercadorias. No século XX, com a chegada dos carros e caminhões no Brasil e abertura de estradas, o transporte de cargas feito por tropas, foi deixando de existir aos poucos.
          Hoje é um dos mais importantes pontos culturais e tradicionais de Diamantina. Um dos mais belos cartões postais de Diamantina e de Minas. Nas manhãs de sábados, os diamantinenses e turistas, podem adquirir no Mercado Velho, as tradicionais comidas típicas de Minas Gerais, doces, queijos, etc., além do artesanato local, como a arte feita em flores de sempre vidas, tapetes arraiolos e peças diversas do riquíssimo artesanato da cidade da região. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          À noite o Mercado Velho é um espaço cultural e gastronômico. O turista encontra no Mercado, os pratos típicos dos sabores de Diamantina e de Minas Gerais, além das cachaças, licores e vinhos finos, feitos pelas vinícolas da cidade. Diamantina produz vinhos finos há mais de 200 anos. Além disso, seus queijos são maravilhosos, sem contar as variadas criações dos chef´s de cozinha local, que aguça os mais finos e exigentes paladares.
04 – O Mercado Municipal de Teófilo Otoni
          Em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, está um dos mais populares mercados públicos de Minas Gerais. Localizado bem no Centro da cidade, ocupa um quarteirão inteiro, com acesso pela principal avenida central da cidade, a Avenida Getúlio Vargas. (na foto acima do Sérgio Mourão/@sergio.mourao, bancas do Mercado de Teófilo Otoni)
          Funciona de segunda à sexta-feira de 8h às 18h e aos sábados, das 8 da manhã, até o meio dia. São lojas diversas, com produtos da agricultura familiar, queijos, doces, requeijão, cachaças, licores, artesanato, pedras preciosas, hortifrutis, dentre outras variedades de produtos.
          No Mercado Municipal de Teófilo Otoni, o visitante encontra os sabores, saberes, cultura, artesanato e a culinária típica da região, bem como amigos, para bater um bom papo.
05 – O Mercado Municipal de Uberlândia
          Instalado à Rua Olegário Maciel, 255, Centro, num prédio histórico, construído em 1944, o Mercado Municipal de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, é um dos mais atraentes pontos turísticos da maior cidade do interior de Minas Gerais. (fotografia de Álvaro Luiz Medeiros)
          O espaço foi todo revitalizado em 2009 e conta com ótima estrutura, para atender os feirantes, comerciantes e frequentadores em geral.
          Oferece uma enorme variedade de produtos oferecidos como biscoitos, doces, queijos típicos da região, peixes, hortifrutis da agricultura familiar, frutos do mar, carnes variadas, enfim, uma infinidade de produtos para todos os gostos.
          O espaço oferece o que existe de melhor na culinária mineira, bebidas e artesanato da cidade e ainda, abriga no local, o Espaço Cultural Mercado (na foto acima de Álvaro Luiz Medeiros), que oferece aos frequentadores do Mercado, shows musicais, apresentações teatrais, exibição de filmes, exposições de artes visuais e outras atividades culturais.
06 - O Mercado Municipal de Poços de Caldas
          Mercado público é tradição na famosa Estância Hidromineral de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, desde 1890, quando funcionou na Av. Francisco Salles com Assis Figueiredo. Neste local funcionou até 1969, quando foi transferido para a Rua Pernambuco, estando hoje localizado no Centro da cidade, numa construção maior, com melhores condições para os produtores comercializarem seus produtos, além de oferecer mais conforto e acesso mais fácil a população. (na foto acima enviada pelo Sebastião Tranalli, uma das bancas do Mercado)
          São 194 boxes internos, 54 boxes externos, com os comerciantes instalados em local arejado e bem organizado. Com isso, os moradores da cidade e turistas, tem um ótimo espaço para compras dos diversos produtos da cidade, como queijos diversos, requeijão moreno, doces, frutas, verduras, bebidas, temperos, artesanato local e claro, encontrar amigos e até fazer novas amizades, já que o ambiente é muito agradável.
07 - O Mercado Municipal de Montes Claros
          Um lugar onde encontra-se os principais sabores e saberes do Norte de Minas: queijos, requeijão moreno, cachaça, licores, farinha de mandioca, carne de sol, compotas de pequi, doces diversos, polvilho, temperos, rapadura, doce tijolo, hortifrutis, artesanato e também amigos. Este é o Mercado Christo Raeff, o Mercado Municipal de Montes Claros. (na foto acima do Gilberto Coimbra, banca de temperos do Mercado)
          É um dos mais completos e antigos mercados centrais de Minas Gerais. Datado de 1899, funcionou inicialmente na Praça Dr. Carlos, posteriormente na Rua Joaquim Costa e por fim, desde 1992, na Avenida Deputado Esteves Rodrigues, 1460. (na foto acima do Márcio Pereira/@dronemoc, vista parcial de Montes Claros, com destaque para o Mercado e Av. Dep. Esteves Rodrigues) 
          Nas dependências do mercado, o visitante encontra farmácia popular, mercearias, açougue, lojas de artesanato, bares, restaurantes, que servem pratos típicos como o arroz com pequi, pratos feitos com peixes, carne de sol e mandioca, feijão tropeiro, feijoada e outros pratos.
          Conta ainda com uma variedade de bancas, com diversos produtos da agricultura familiar, divididos em 289 boxes, com mais de 600 comerciantes.
          É um dos maiores e mais populares mercados de Minas Gerais, além de ser um importante ponto turístico da cidade, referência em gastronomia, cultura e arte do Norte de Minas Gerais.
08 – O Mercado Municipal de Conceição do Mato Dentro
          Fundado em 1931, é um dos mais tradicionais da região da Cordilheira do Espinhaço, a Nordeste de Minas, na cidade histórica de Conceição do Mato Dentro, distante 170 km de Belo Horizonte. (fotografia acima e abaixo de Nacip Gômez do Mercado durante Festa do Rosário)
          Localizado no Largo do Rosário, numa atraente construção em estilo eclético, do início do século XX, os produtos oferecidos no mercado, saem direto do produtor conceicionense, para o consumidor, além de ser uma referência gastronômica, cultural, artística e turística da cidade.
          Por sua importância histórica, cultural e social para a cidade, foi declarado Patrimônio Cultural Municipal, tendo sido tombado pelo município em 2004.
09 - Mercado Municipal Uberaba
          Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, distante 480 km de Belo Horizonte, está um dos mais antigos mercados públicos de Minas Gerais. Foi fundado em 1882, no século XIX. Seu primeiro endereço foi no bairro Alto do Rosário, mudando a partir de 1914 para a Praça Manoel Terra, no Centro da cidade, até a construção própria da sede definitiva do mercado, nesta mesma praça, no centro da cidade. (sem foto até o momento)
          Próximo ao mercado, estão pontos históricos e turísticos de Uberaba como a Igreja de Santa Rita Igreja e a Igreja de São Domingos, além de casarões coloniais e prédios públicos, como o da antiga cadeia e da faculdade de medicina.
          Construído em estilo octogonal, ocupa uma área de 1400 metros quadrados. Inicialmente, o prédio passou por algumas reformas e ampliações, ao longo de décadas, sendo a última, em 2006, sempre acompanhando o crescimento da cidade.
          Por sua história, arquitetura e importância turística, social e cultural para Uberaba, o Mercado Municipal foi tombado pelo Município em agosto de 1999.
          No Mercado Municipal de Uberaba encontra-se de tudo como queijos, doces, ovos, produtos da agricultura familiar, carnes, frutas, peixes, artesanatos e artigos religiosos, além claro, nostalgia, alegria, diversão e amigos que se encontram nos bares e botecos do Mercado, com seus deliciosos pratos típicos da nossa culinária.
10 – O Mercado Municipal de Pouso Alegre
          Fundado 1893 e instalado hoje ao lado da Catedral Metropolitana, O Mercado Central de Pouso Alegre, conhecido por Mercadão, é um dos mais populares mercados centrais de Minas Gerais. (sem foto até o momento)
          Tem de tudo um pouco, desde os produtos da agricultura familiar, queijos, doces diversos, carnes, hortifrutis, empórios a artesanato, roupas, souvenires, restaurante com a nossa culinária típica.
          Além disso, é um espaço social, de encontro e confraternização de amigos que se reúnem no Mercadão para um bom bate papo e saborearem os doces sabores da culinária local, em especial, o pastel de milho recheado com carne ou queijo e outros petiscos, acompanhados por refrigerantes, cachaça ou mesmo, cerveja gelada.
          O local é agradável, tranquilo e muito bem organizado em diversas bancas.
11 – O Mercado Municipal de Juiz de Fora
          O Mercado Público de Juiz de fora, na Zona da Mata Mineira, foi inaugurado em 31 de dezembro em 1904. Funcionou por décadas numa construção em estilo eclético, formando um conjunto arquitetônico de grande relevância para a cidade, tendo sido por isso, tombado desde 1983. (sem foto até o momento)
          Desde 1987 passou a funcionar na Avenida Getúlio Vargas, 188, no Complexo Mascarenhas, totalmente restaurado em 2000, após um incêndio, em 1991. Trata-se de uma área de mais de 8.500 metros quadrados, formado pelo Mercado Público, Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, Biblioteca Municipal, Secretaria de Educação, Restaurante, bar, salão de beleza, etc.
          Aberto de segunda a sexta, das 8h às 19h30, sábado das 8h às 18h, e aos domingos de 8h às 12h, é um dos mais tradicionais pontos turísticos da cidade, referência na gastronomia, cultura, história, artesanato, tradição, além de oferecer, produtos diversos e de qualidade à disposição das inúmeras bancas no Mercado, além de ser ponto de encontro de amigos.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

O Requeijão de Ouro de Porteirinha

(Por Arnaldo Silva) A ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards 2021, realizada entre os dias 4 e 7 de novembro de 2021, em Araxá MG, Alto Paranaíba, as dependências do Grande Hotel e Termas do Barreiro de Araxá, premiou os melhores queijos do mundo, premiou queijos e requeijão de todo o mundo. Cerca de 50 mil pessoas, estiveram nas dependências do Grande Hotel do Barreiro, nos quatro dias de evento.
         Além do concurso mundial de queijos, os participantes e queijarias inscritas, puderam acompanhar palestras, participar de oficinas de treinamento e capacitação aos produtores, além da trocar de experiências com diversas regiões queijeiras brasileiras e internacionais. (na fotografia acima, o Requeijão Toko - Requeijão do Norte, de Porteirinha MG/Divulgação)
          Além disso, o evento contou com atrações culturais como shows musicais, exposição de carros antigos e apresentações teatrais, dentre outras.
Objetivos da ExpoQueijo Brasil
          Além da premiação dos melhores e mais bem avaliados queijos do mundo, a ExpoQueijo Brasil – Internacional Cheese Awards tem como finalidade o fomento da produção dos queijos, bem como dar maior visibilidade aos produtores dos diversos tipos de queijos, seja em nível estadual, nacional e internacional, já que é um evento de alcance mundial.
          O evento a curadoria da Organização Nacional dos Provadores de Queijos (ONAF), sediada na Itália. A entidade, que é única na Itália que atua com a formação de provadores de queijos, usando um método codificado. A ONAF é bastante respeitada na Europa e no mundo todo.
Participantes, categorias e critérios de avaliação
          Participaram do evento cerca de 800 queijos, sendo 550 de queijos mineiros, 213 de outros estados e 48 de países da América Latina como Peru e Argentina e Europa, em destaque para Itália, Suíça e Portugal. (na fotografia acima, queijos expostos para avaliação dos jurados. Fotografia:Ascom/Prefeitura Municipal de Araxá/Divulgação)
          Todos os queijos foram avaliados por um grupo de jurados de vários países, formado por professores, comerciantes, mestres queijeiros renomados e analistas sensoriais de queijos.
Os queijos foram avaliados e premiados de acordo com as categorias: Massas cozidas, Massas semi cozidas, massas prensadas não cozidas (crus), Massas moles, Massas lácticas; Massas filadas; Fundidos e Inovadores (temperados, condimentados, imersos em azeite, bebidas etc.).
          A avaliação dos queijos tem como critério as famílias-base dos queijos, baseado na matriz leiteira: queijos feitos com leite de vaca, cabra, búfala, ovelha e os feitos com leite misturados. (na foto acima o Requeijão Toko, requeijão moreno de Porteirinha MG, que conquistou medalha de ouro na categoria “Queijo de vaca, leite: cru, com tratamento da coalhada cozida, jovem (30 dias)”
          Além das famílias-base, os queijos são divididos em subfamílias como a de queijos feitos com leite cru e pasteurizado, além das divisões, de acordo com as tecnologias usadas na produção do queijo.
Quadro de medalhas
          No total, foram 118 queijos premiados com medalhas de bronze, prata, ouro e super ouro.
          Os queijos mineiros receberam 66 medalhas sendo 22 de ouro, 19 de prata e 25 de bronze.
          Os grandes medalhistas mineiros foram os queijos das regiões queijeiras de Alagoa MG, que levou 12 medalhas, seguido por Mantiqueira de Minas, com 9 medalhas.
          A região queijeira Araxá, conquistou 7 medalhas. A região da Serra da Canastra 6 e a região queijeira do Serro, com 5 medalhas.
          São Paulo ficou em segundo lugar, com 19 medalhas, sendo 5 de ouro, 10 de prata e 4 de bronze.
          Os queijos de Rondônia e Goiás, levaram 1 medalha de ouro cada. Os queijos do Paraná receberam 2 medalhas de prata e 3 de bronze. O Rio de Janeiro conquistou 1 medalha de ouro e 1 de prata. O Rio Grande do Sul levou uma medalha de ouro e 1 de bronze. Espírito Santo e Santa Catarina, conquistaram 1 medalha de bronze, cada.
O melhor queijo do mundo
          Os queijos internacionais tiveram como destaque os queijos italianos e peruanos.
          Os peruanos inscreveram 11 marcas de queijos. conquistando ao todo, 6 medalhas, sendo 3 de ouro, 2 de prata e uma de bronze.
           Já os queijos italianos foram os grandes destaques do concurso mundial em Araxá. Levaram 5 medalhas de ouro, 4 de prata e 2 de bronze, além do título de melhor queijo do mundo, conquistado pelo queijo Bra Duro Dop, da região italiana de Piemonte.
          O corpo de jurados avalia e pontua os queijos, de acordo com as características dos queijos, tempo de maturação e critérios do concurso. As maiores pontuações levam medalhas de bronze, prata e ouro.
          No final, soma-se a votação de todos os queijos medalhas de ouro, selecionando os 15 queijos mais bem pontuados. Desses 15, o que maior pontuação, conquista medalha Super Ouro.
          Nesse quesito, se destacou o queijo italiano Bra Duro Dop, que obteve 105 pontos, superando todos os outros medalhistas de ouro.
          O queijo italiano recebeu a premiação máxima: medalha Super Ouro, o que equivale ao título de melhor queijo do mundo.
          O queijo Bra Duro Dop é feito com leite cru de vaca, massa prensada, aroma perfumado, ligeiramente salgado e picante, casca moderadamente amarela e dura, devido ao longo de tempo de maturação, em média, 180 dias.
Norte de Minas se destaca no Concurso Mundial
          Os queijos mineiros sempre foram destaque em concurso nacionais e internacionais. O grande número de medalhas para os queijos de Minas, conquistadas nesse concurso, não surpreende.
          Isso devido ser o queijo, tradição tricentenária, base das principais quitandas mineiras e uma das maiores identidades do Estado de Minas Gerais.
         Nos últimos anos, uma região mineira vem se destacando em Minas e no Brasil, na produção de queijos, requeijão e manteiga de garrafa: é o Norte de Minas. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          Fato notório e visível é o crescimento da produção queijeira norte-mineira, com destaque para os queijos produzidos em Porteirinha, na Serra Geral.
Requeijão Toko - Medalha de Ouro
           Presente na ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards 2021, disputando na categoria “Queijo de vaca, leite: cru, com tratamento da coalhada cozida, jovem (30 dias)”, o tradicional requeijão moreno do Norte de Minas levou a medalha de ouro, através do Requeijão Toko, do produtor Everson Pereira, da cidade de Porteirinha, na Serra Geral de Minas.
          Com a medalha de ouro conquistada, o Requeijão Toko é hoje o melhor requeijão do Brasil, fazendo parte agora do seleto grupo dos melhores do mundo.
          Everson Pereira, conhecido como Toko, é queijeiro e presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal da Serra Geral, com sede em Porteirinha.
          A entidade esteve presente no evento, apresentando em seu estande queijos e requeijão da Queijaria da Dinda, Queijaria Rubi, Queijaria Nilton e Requeijão Toko, todos da cidade de Porteirinha, para mostra e degustação dos presentes no evento.
Queijo, requeijão moreno e manteiga de Garrafa 
          A vitória do Requeijão Toko, colocou em evidência, no mundo, a Serra Geral, no Norte de Minas, como região de grande potencial queijeira. (foto acima/Divulgação: Manteiga de Garrafa e Requeijão Toko)
          Região tradicional na produção de queijo e principalmente requeijão, a Serra Geral vem ganhando notoriedade, devido o reconhecimento da qualidade de seus queijos e requeijão, conquistados através de medalhas em nível estadual, nacional e internacional, com a premiação do Requeijão Toko.
Origem do Requeijão Toko - Requeijão do Norte 
          Fundada apenas em 2013, pelo casal de agricultores, Everson e Mirani, o Requeijão Toko ganhou notoriedade por sua qualidade, sabor e textura, inigualáveis. (foto acima Requeijão Toko/Divulgação)
          A conquista da medalha de ouro na ExpoQueijo Brasil 2021 é fruto de dedicação e muito estudo. O casal se dedicou em pesquisar e fazer cursos diversos de boas práticas, de acordo com as normas sanitárias vigentes, visando maior qualificação, tendo como objetivo, melhorar a qualidade de seus produtos.
          O resultado do empenho não demorou muito a surgir. A queijaria recebeu o Certificado do IMA, o que permite a comercialização de seus produtos, requeijão e manteiga de garrafa, no Brasil.
          Coroando o emprenho e dedicação, o Requeijão Toko, foi premiado em 2019 com a medalha de bronze no V Prêmio Queijo Brasil/2019, e agora, ouro na ExpoQueijo Brasil 2021.
          As recentes conquistas são motivos de alegria para o produtor Toko e sua família. “Em 2019, conquistamos a medalha de Bronze na V Prêmio Queijo Brasil em Florianópolis, onde entre 718 participantes de todo o Brasil e através de diversas análises, o nosso requeijão foi premiado. Foi uma experiência única de termos sidos premiados, pois essa qualificação, nos trouxe a certeza de que fabricamos um produto com qualidade o suficiente para estar entre os melhores do nosso país” comemora Toko.
          A medalha de ouro do requeijão moreno, feito por sua queijaria, na ExpoQueijo 2021, foi a mostra clara da excelente qualidade do requeijão Norte Mineiro, como analisa Everson Pereira, o Toko: “Essa premiação só reforçou o quanto amamos o nosso trabalho e o quanto nos dedicamos para que Requeijão Toko prospere cada dia mais, mantendo a qualidade, o sabor e a segurança alimentar para todos os nossos clientes”. (na foto acima, Toko, com a medalha de ouro, em mãos e o certificado durante a ExpoQueijo Brasil/2021. Foto: Divulgação)
A Manteiga de Garrafa e o Requeijão Moreno Norte Mineiro
          O requeijão moreno Norte Mineiro é feito totalmente de forma artesanal, a base leite cru. É bastante popular e apreciado em toda a região. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          O preparo do requeijão moreno leva em média dois dias. Primeiro o leite é coalhado, em seguida, é retirado o chamado “soro bravo”. A massa é levada ao fogo, para cozimento e por fim, é fritada na manteiga e fica descansando até esfriar, para finalmente, ser enformada.
          Pelo fato do longo cozimento, recebe a coloração mais escura, por isso é chamado de requeijão moreno.
          A iguaria possui um sabor único e intenso. A massa é densa, com textura firme, mas levemente suave e macia. Por ser produção artesanal, faz parte da cultura, história e tradição popular. Tradição essa passada de geração por geração.
          O Requeijão Moreno é um dos maiores símbolos da identidade gastronômica do Norte de Minas. Envolve famílias, tradição, os sabores e saberes do povo norte mineiro.
          Já a manteiga de garrafa é outro derivado do leite igualmente popular no Norte de Minas.
          A origem da manteiga é tão antiga quanto o queijo, existe desde a antiguidade. Feita através da gordura natural, presente no leite cru, possui um sabor intenso e muito acentuado.
          A manteiga é tão popular em Minas Gerais, quanto o queijo. Faz parte do dia a dia do povo mineiro. É um ingrediente indispensável na culinária mineira.
          Diferente da manteiga comum, que é pastosa, cor levemente amarelada, é muito usada na culinária e no café da manhã, em pães, por exemplo.
          Já a manteiga de garrafa, se mantém na forma líquida, cor amarela bem intensa e sabor mais forte. É muito usada na culinária brasileira como molho, em carnes e outros pratos. (fotografia acima: Requeijão Toko/Divulgação)
          A manteiga comum é obtida através da nata do leite batida, preservando a “água” presente no leite. Já a manteiga de garrafa é obtida artesanalmente através do aquecimento e batimento do creme do leite, sendo retirada a “água”, quase que na sua totalidade, após o batimento. Essa parte liquida, “agua”, é engarrafada, por isso o nome, manteiga de garrafa.
Araxá e a ExpoQueijo 2022
          A ExpoQueijo Brasil - Internacional Cheese Awards é um evento anual e faz parte do calendário fixo de eventos da famosa estância hidromineral mineira e região queijeira tradicional.
          Araxá conta atualmente com cerca de 110 mil habitantes. É uma cidade muito bem organizada e estruturada para realização de eventos de grande porte. (na fotografia acima de Arnaldo Silva, o centro da cidade)
          Conta ainda com uma excelente rede hoteleira e gastronômica, acesso terrestre fácil e aéreo, com aeroporto, construído no perímetro urbano da cidade, com capacidade para aeronaves de até 70 lugares, operando com voos regulares, através da Azul Linhas Aéreas.
          A cidade oferece todas as condições todas as condições para realização de eventos de médio e grande porte, em nível nacional e internacional.
          O próximo evento já tem data marcada para acontecer. Será entre os dias 11 e 15 de agosto de 2022.

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