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sábado, 6 de agosto de 2022

Fim das charretes em São Lourenço

(Por Arnaldo Silva) Uma tendência que vem crescendo nas cidades turísticas mineiras e do Brasil, que ainda usam cavalos puxando carroças e charretes para entretenimento de turistas, é o fim completo dessa prática.
          As charretes estão sendo substituídas por carruagens elétricas, tuk-tuks ou mesmo encerrando de vez, caso os antigos charreteiros não se interessem em trabalhar com esses veículos alternativos.
          Aos poucos, cidades turísticas mineiras vêm buscando alternativas para proibir de vez o uso de veículos de tração animal pelas ruas de suas cidades. Agora é a vez de São Lourenço, cidade com cerca de 47 mil habitantes, no Sul de Minas. (na foto acima de Cássia Almeida)
          A famosa estância hidromineral e turística mineira decidiu pôr fim a um de seus atrativos urbanos: o passeio de charretes de 40 minutos pelos pontos turísticos da cidade será encerrado.
          Cavalos puxando charretes não serão mais vistos trafegando pelas ruas da cidade. Essa é a intenção da Prefeitura e foi com base nesse propósito que o Poder Municipal e os cerca 42 charreteiros atuantes em São Lourenço, acordaram no dia 5/08/2022 para encerrarem essa atividade.
          Pelo acordo, os charreteiros receberão, a título de indenização, cerca de R$30 mil reais. Com esse valor, podem escolher uma nova atividade profissional ou mesmo investir essa quantia na aquisição de Tuk-Tuk.
          Além disso, um projeto de lei a ser enviado à Câmara de Vereadores de São Lourenço, determinará a proibição em definitivo do uso de veículos de tração animal na cidade.
Os tuk-tuks
          Por ser mais prático e mais barato que as carruagens elétricas, o tuk-tuk é uma alternativa mais viável para os charreteiros que optarem em continuar a levar turistas pelas ruas de São Lourenço.
          Esse tipo de veículo é criação asiática e muito popular nessa região, principalmente na Índia e Tailândia, além de ser adotado em alguns países europeus, substituindo as charretes.
         Também conhecido como autorriquixá, o tuk-tuk é puxado por uma motocicleta e nada mais é que um triciclo motorizado com cabine para transporte de passageiros e mercadorias. 
          A palavra riquixá é a palavra mais correta para esse tipo de veículo. Essa palavra tem origem na língua japonesa. Riquixá um vocábulo com origem na palavra jinrikisha, em japonês. Jin significa humano e riki, tração. Ou seja, “veículos de tração humana”.
           Cada vez mais, o autorriquixá ou tuk-tuk, vem se tornando alternativa em substituição aos veículos de tração animal.

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Queijo caseiro feito na cidade

Você pode fazer queijo fresco em casa, na cidade, sem ter fazenda ou vaca leiteira e ainda, gastando menos. Embora não seja o tradicional Queijo Minas que tem como base o leite cru, o coalho, sal, pingo e as bactérias lácteas que dão cor, sabor, textura e características aos queijos, fazer esse tipo de queijo hoje, é uma boa opção. 
INGREDIENTES:
.  2 litros de leite integral (o de caixinha não serve)
.  2 copos de iogurte integral e sem açúcar ou de preferência, 1 colher (sopa) de coalho liquido, caso encontre na cidade.
. Suco de meio limão se for usar o iogurte. Se for usar o coalho, não precisa usar o limão.
. 1 1/2 colher (sopa) de sal
. Meio copo (americano) de água
Utensílios: 1 pano limpo, uma panela e uma fôrma redonda pequena, própria para queijos, encontrada de produtos agropecuários.
MODO DE PREPARO:
- Despeje os copos de iogurte (ou o coalho) em uma vasilha, em seguida a água, o limão 9se não for usar o coalho) e misture até dissolver bem. Reserve.
- Leve o leite ao fogo e quando estiver começando a ferver, desligue.
- Despeje na panela a mistura reservada.
- Após esse tempo, coloque o pano em um escorredor, despeje toda a mistura e vá espremendo, até sair todo soro.
- Pegue a massa do queijo, que ficou no pano e coloque-a na forma, apertando mais um pouco para sair o restante do soro.
- Espalhe por cima o sal, tampe com um pano e deixe descansando por 3 horas.
- Após esse tempo, coloque o queijo na geladeira e deixe de um dia para outro.
- Após esse tempo, já pode consumir seu queijo caseiro feito na cidade.
(fotografia ilustrativa de Judson Nani de Barão de Cocais MG)

Doce de abóbora em formato de coração

Esse doce tem sabor de infância e faz parte da lembrança de muitos hoje. Estava sempre presente nas antigas vendas de esquina e também nas festas juninas interior e escolas. Que tal relembrar esse doce delícia da infância e das tradicionais festas juninas e faze. É fácil, veja a receita:
INGREDIENTES
. 1 quilo de abóbora moranga sem a casca e cortada em pedaços
. 750 ml de água
. 700 gramas de açúcar
. Suco de meio limão
. Canela em pó e cravo-da-índia a gosto
MODO DE PREPARO
- Em uma panela grande, coloque a abóbora, o cravo, a canela, o suco do limão e a água. Misture.
- Ligue em fogo baixo e deixe cozinhando até a abóbora amolecer.
- Acrescente agora o açúcar, mexa bastante e deixe no fogo por 45 minutos.
- Quando a água começar a secar, passe o fogo para o baixo e deixe cozinhando, mas sempre mexendo para não grudar na panela.
- Quando a água estiver secado, desligue, despeje todo o doce numa fôrma já untada com manteiga e deixe na forma de um dia para o outro.
- No dia seguinte, com uma faca, faça os cortes em formato de coração e sirva acompanhada de Queijo Minas Padrão. 
(Fotografias de Fernando Campenella em Pouso Alegre MG)

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Matozinhos e as ruínas históricas da Fazenda Jaguara

(Por Arnaldo Silva) Matozinhos é uma das mais tradicionais e importantes cidades de Minas Gerais. Tem origem no século XVIII e foi de grande importância para a cultura, história e economia mineira no século XIX. Essa importância para Minas, prevalece até os dias de hoje com destaque para a agricultura, pecuária e mineração.
          Cidade com boa estrutura urbana, conta com belas praças, igrejas, grutas e cavernas, o Museu Arqueológico Peter Lund, dentre outros atrativos e  comércio e setor de serviços variados. O município de Matozinhos conta hoje com cerca de 39 mil habitantes. Está a 47 km de Belo Horizonte e faz divisa com Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Capim Branco, Esmeraldas, Baldim, Jaboticatubas e Funilândia. (na foto acima de Andréia Gomes/@andreiagomesphotoart, a Praça da Matriz de Matosinhos MG)
A Fazenda Jaguara
          É uma das mais importantes fazendas para a história de Minas Gerais. Formada no início do século XVIII, no auge da exploração do ouro em Minas, a Fazenda Jaguara foi um importante ponto fiscal, até 1765. A fazenda está localizada em Mocambeiro, distrito de Matozinhos MG (na foto acima do Thelmo Lins, a entrada da fazenda)
          Com o declínio da mineração, o posto fiscal foi desativado e a fazenda passou a produzir alimentos de subsistência, para abastecer a região, sendo construída o casarão sede, senzala, igreja e moinho. Era uma das maiores fazendas produtivas da região, com cerca de 1.200 alqueires e ainda, 750 escravos.
          Devido a riqueza hídrica da região, que favorecia a construção de pequenas usinas hidrelétricas, indústrias de tecidos começaram a instalar-se em Matozinhos e cidades vizinhas. Na Fazenda Jaguara, foi instalada uma dessas indústrias, com seu conjunto, passando a fazer parte da fazenda. Também em ruínas, o maquinário e galpões da antiga fábrica de tecidos, fazem parte da história e patrimônio da fazenda.
Arrependimento e promessa
          O destaque maior da fazenda são as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Era comum, no Brasil Colônia, a construção de pequenas capelas nas fazendas. Na Fazenda Jaguara, foi diferente, foi construída uma igreja. A iniciativa da construção do templo, foi do português, Antônio de Abreu Guimarães, que se enriqueceu contrabandeando diamantes e ainda, era sonegador de impostos.
          Arrependido de seus atos e disposto a mudar de vida, procurou o perdão divino, confessando seus atos, perante a Igreja. Como penitência, o padre determinou que  construísse, não uma capela, mas uma igreja na Fazenda Jaguara, além de doar os lucros da fazenda para obras de caridade e rezar muito.
          Decidido a se redimir, cumpriu sua penitência. Não economizou na construção da igreja que dedicou à Nossa Senhora da Conceição. Contratou para projetar e executar a obra, nada menos que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o Mestre do Barroco Mineiro.
A igreja construída por Aleijadinho
          O templo começou a ser construído na década de 1780 e concluído na mesma década, em 1786. Os riscos externos, o coro, os púlpitos, os altares laterais e as ornamentações, seguiam à risca o estilo do século XVIII, bem como o altar-mor, que era muito semelhante com o altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, também do Mestre Aleijadinho.
          Dentro da igreja, uma placa em madeira, fixada abaixo de um anjo, colocada a mando do português, dizia: “Feito à custa de Antônio de Abreu Guimarães”.
          Considerada uma das mais expoentes e originais arquiteturas mineiras, seu estilo arquitetônico e ornamentações interiores, representavam o que existia de mais autêntico e genuíno da arte barroca do século 18.
          Era uma das principais e mais belas igrejas mineiras, mesmo estando em uma fazenda particular, justamente pelas talhas do Mestre Aleijadinho.
          Um fato interessante é que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fazenda Jaguara, foi a única igreja feita totalmente por Aleijadinho. As demais foram em parcerias com outros artistas, como o Mestre Ataíde. A da Fazenda da Jaguará não. Do alicerce ao acabamento, obra do escultor, desenhista e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. 
A compra da fazenda pelo inglês George Chalmers
          A situação e realidade da fazenda mudou no final do século XIX, quando a fazenda foi adquirida pelo inglês George Chalmers (Falmouth, Inglaterra, 1857 — Nova Lima, 1924). 
          Chalmers era minerador e também, diretor da Mina de Morro Velho, em Nova Lima MG, cidade distante 106 km da Fazenda Jaguara. O inglês era também Protestante. 
          Por estar numa área rural e distante da cidade, a igreja era muito conhecida, mas pouco visitada e carecia de manutenção e cuidados constantes com sua arquitetura, como toda obra necessita, principalmente as mais antigas. Assim, começava a entrar em decadência. 
         Chalmers optou em não cuidar e nem em reformar a igreja, ao contrário, mandou desmontar e retirar todas as peças e obras de Aleijadinho da igreja da Fazenda Jaguara.  
          A intenção do britânico em retirar as peças da igreja, podia ser a melhor possível, mas não se sabe o real motivo ou motivos, de tão drástica atitude. 
Destino das obras de Aleijadinho
          As obras de Aleijadinho foram levadas para Nova Lima, onde Chalmers residia e trabalhava. Acredita-se que uma parte das obras retiradas da igreja, foram parar nas mãos de colecionadores.
          Sem as ornamentações e talhas de Aleijadinho, a igreja perdeu seus atrativos. Abandonada, foi entregue aos cuidados do tempo, bem como as construções em redor e algumas até a desapareceram, como a senzala, que não restou nem vestígios. (fotografia acima de Thelmo Lins as ruínas da igreja construída por Aleijadinho na Fazenda Jaguara)
Obras do Aleijadinho na Igreja do Pilar em Nova Lima
          Tempos depois, o batistério, os altares laterais e as talhas do altar-mor retirados da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, bem como a imagem da santa, talhados por Aleijadinho, no século 18, foram doados por Charlmers, à Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Matriz de Nova Lima, uma construção do século 20. Uma igreja com arquitetura e estilo bem diferente, das tradicionais igrejas do século 18, com ornamentos e talhas do Mestre do Barroco Mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
          Agindo certo ou errado, seja por quais motivos, ou intenções que teve, o fato é que boa parte das obras do Mestre Aleijadinho, foram salvas, pelo gesto de doação das obras, por Chalmers, à Matriz de Nova Lima, evitando que fossem parar nas mãos de colecionadores. (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade, a Matriz de Nova Lima)
          Estão hoje bem conservadas e protegidas na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Nova Lima, aberta a todos, fiéis, estudiosos e amantes da arte e arquitetura do barroco mineiro. A cidade de Nova Lima está distante 30 km do Centro de Belo Horizonte. (na foto abaixo da Norma Bittencourt, o altar-mor, da antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fazenda Jaguara, ornamentando o altar-mor da Matriz do Pilar, em Nova Lima).
Bens tombados
          Por sua importância histórica para Minas Gerais, as ruínas do conjunto arquitetônico da Fazenda Jaguara, foram tombadas em 12 de janeiro de 1996, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG). Compõe esse conjunto as ruinas da igreja, a Casa da Junta, galpões de maquinários, a casa sede, o moinho e o porto.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

As cidades mais altas de cada estado brasileiro

(Por Arnaldo Silva) Por ser um estado montanhoso, Minas Gerais é o estado de maior altitude do Brasil. Entre as 25 cidades brasileiras acima de 1.000 metros de altitude, 15 estão em Minas Gerais. Com área de 588.383,6 km2, correspondente a 7% do território nacional e dependendo da região mineira, a altitude de Minas Gerais varia de 600 metros a 2890 metros.
          As altitudes e coordenadas dos Estados e municípios brasileiros são calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). (na foto acima de Ricardo Cozzo, Monte Verde, distrito de Camanducaia a 1550 metros de altitude. O distrito de 6 mil habitantes só não é o mais alto de Minas Gerais por justamente ser distrito e não um município)
          A altitude oficial de cada município brasileiro tem como base o nível do mar, que é o ponto 0. A partir do nível do mar, a altitude é contada tendo como base a sede do município, basicamente a área central de cada cidade, não entrando nesse cálculo a altitude dos distritos, serras, morros e picos.
          Baseando-se na parte central de cada cidade, evita-se distorções na altitude real de cada município. Por exemplo, Monte Verde, distrito de Camanducaia, no Sul de Minas está a 1550 metros de altitude acima do nível do mar, mas a sede, Camanducaia, a 1015 metros. Outro exemplo é a cidade mineira de Alto Caparaó, no Leste de Minas, que está a 997 metros de altitude e seu ponto mais alto, o Pico da Bandeira, a 2890 metros de altitude.
          O município de maior altitude de Minas Gerais é Senador Amaral, no Sul de Minas, a 1480,52. É inclusive, a segunda de maior altitude do país, atrás apenas de Campos do Jordão, o município de maior altitude brasileira, a 1628,16 metros acima do nível do mar. (na foto acima, Senador Amaral MG, a cidade mais alta de Minas. Foto/arquivo da Secretaria de Turismo local, enviada pelo Evanil Emiler)
          O mesmo caso é o de outros municípios brasileiros como exemplo Santa Isabel do Rio Negro, no estado do Amazonas. A altitude da cidade é 45 metros e seu ponto mais alto, o Pico da Neblina, está a 2993,78 metros.
            Com base na área central dos municípios brasileira, conheça a cidade de maior altitude, de cada estado brasileiro. A relação está em ordem alfabética.
Estado/Cidade                                            Altitude
- Acre/Jordão                                                342,79
- Alagoas/Mata Grande                               618,84
- Amapá/Serra do Navio                             152,00
- Amazonas/Guajará                                   180,73
- Bahia/Piatã                                                 1.271,27
- Ceará /Guaraciaba do Norte                     934,12
- Espírito Santo/Dores do Rio Preto           767,50
- Goiás/Alto Paraíso                                     1.211,67
- Maranhão/Sucupira do Norte                   479,80
- Mato Grosso/Alto Taquari                         875,69
- Mato Grosso do Sul/Chapadão do Sul    819,00
- Minas Gerais/Senador Amaral                  1.480,52
- Pará/Bannach                                              390,68
- Paraíba/Matureia                                        817,62
- Paraná/Inácio Martins                               1 220,09
- Pernambuco/Triunfo                                  1 010,03
- Piauí/Marcolândia                                       784,76
- Rio de Janeiro/ Teresópolis                       877,59
- Rio G. do Norte/Ten. Laurentino Cruz      738,05
- Rio G. do Sul/São José dos Ausentes      1.181,82
- Rondônia/Vilhena                                        604,50
- Roraima/Pacaraima                                    918,03
- Santa Catarina/São Joaquim                    1.353,45
- São Paulo/Campos do Jordão                  1.628,16
- Sergipe/Carira                                              368,80
- Tocantins/Arraias                                        712,63
          Brasília é o único município do Distrito Federal. A Capital Federal está a 1100 metros acima do nível do mar. Entre as cidades-satélites que formam o Distrito Federal: Gama, Taguatinga, Brazlândia, Sobradinho, Planaltina, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Ceilândia, Guará, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião, Recanto das Emas, Riacho Fundo I e II e Candangolândia, a área administrativa de Ceilândia, a 1.285 metros, é a de maior altitude. Já o ponto mais alto do Distrito Federal é o Ponto do Roncador a 1.344 metros de altitude acima do nível do mar.

sábado, 30 de julho de 2022

Conheça Itaobim: Terra da Manga

(Por Arnaldo Silva) Uma das mais importantes cidades para a cultura, economia e tradições do Nordeste Mineiro e Vale do Jequitinhonha, Itaobim conta atualmente com cerca de 21 mil habitantes. Desses habitantes, constata-se uma forte presença de gaúchos e seus descendentes. Isso porque a partir da década de 1970, a região recebeu um grande número de agricultores do Rio Grande do Sul para trabalhar nas terras férteis da região.
          Seu povo é é gentil e bastante hospitaleira. A cidade é agradável, pacata e charmosa. Conta com um comércio variado, boa infraestrutura urbana, hotéis, pousadas e restaurantes com comidas típicas.(na foto acima gentilmente enviada pela Fátima Vieira, a entrada da cidade)
          Com as novas divisões geográficas das microrregiões e mesorregiões mineiras feitas pelo IBGE em 2017, Itaobim passou a integrar as regiões intermediárias e imediatas de Teófilo Otoni, no Nordeste de Minas. Segundo o próprio IBGE, Itaobim está na mesorregião do Vale do Jequitinhonha, inserida na microrregião de Pedra Azul MG, numa posição geográfica entre Nordeste Mineiro e o Vale do Jequitinhonha.
          Distante 620 km de Belo Horizonte, o município faz divisa com Medina, Jequitinhonha, Ponto dos Volantes e Itinga. Seu nome, foi adotado a partir de 1963. Itaobim é da linguagem tupi e significa Pedra Verde ((Itá = pedra e obý = verde). Isso devido existir na região uma serra com formação rochosa de coloração esverdeada, por isso o nome. (na foto acima de José Ronaldo, vista das serras que circundam Itaobim)

Breve história
          Nos séculos XVIII e XIX, a região que deu origem a Itaobim, foi importante rota de ligação de bandeirantes e tropeiros da Região Sudeste com o Nordeste brasileiro. Itaobim tem origem no povoado de São Roque formado no século XIX. Elevado a distrito em 1913 e posteriormente à cidade em 30/12/1962, o município foi instalado oficialmente em 1963, com a eleição de seu primeiro prefeito e vereadores.
          Banhada pelo Rio Jequitinhonha, Itaobim continua sendo de grande importância estratégica para a região. O município é hoje uma rota rodoviária estratégica ligando os estados do Sudeste ao Nordeste, pelo Sul da Bahia, já que está localizada geograficamente no entroncamento da BR-116 a Rio-Bahia e lingada ainda ao Norte de Minas pela BR-367 e ao Sul da Bahia, pela BR—327
          Essa localização estratégica faz de Itaobim um grande ponto de tráfego de veículos, movimentando assim a economia da cidade através do abastecimento de combustíveis, oficinas mecânicas, lojas de peças para veículos, hospedagens, restaurantes e outros segmentos.
A Terra da Manga
          Itaobim está numa região belíssima, cercada por serras, formações rochosas impressionantes e além do Rio Jequitinhonha, de grande importância econômica, histórica e cultural para a cidade e região. (na foto acima do Gilberto Coimbra, o Rio Jequitinhonha)
          Além disso, Itaobim, por ter em sua formação povos de outras regiões do Brasil, misturadas à cultura e regionalismo de Minas Gerais, é uma cidade de grande diversidade cultural.
          A noite na cidade é bastante movimenta devido os inúmeros bares e restaurantes da cidade. Outro destaque no turismo é o Museu de Arte e Cultura que conta com peças de animais empalados (taxidermia) e a Paróquia de São Roque, a praça e o casario em seu entorno.
          Além disso, Itaobim se destaca por sua rica atividade cultural, por seu artesanato em madeira (na foto acima de José Ronaldo), em fibra de taboa como as famosas caixas trançadas, cabaças e em argila. Mas é agricultura familiar, a pecuária leiteira e principalmente a produção e exportação de frutas tropicais como a banana e a manga, o principal destaque da economia de Itaobim.
          Na cidade são produzidas diversas variedades da fruta, principalmente as variedades Espada e Manga Rosa.
          A fruta tropical é associada ao nome da cidade, de tão importante que é para o município. Itaobim é reconhecida e chamada de A Terra da Manga. A fruta da um enorme impulso a economia e o turismo da cidade durante a safra, que vai de outubro e janeiro. (foto acima da entrada da cidade, gentilmente enviada pela Fátima Vieira) 
          Todos os anos, geralmente no mês de novembro, a cidade realiza a Festa da Manga. Tradicional em Minas Gerais, a Festa da Manga de Itaobim movimenta a econômica da cidade e atrai milhares de visitantes nos dias de festas. Conta com comidas típicas, exposição do artesanato e cultura local, shows com artistas e bandas famosas, eleição da rainha e princesa da Manga, além claro, apresentação de pratos, produtos e subprodutos da manga.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

Leite condensado e leite em pó caseiros

(Por Arnaldo Silva) Muita gente pensa que o leite condensado e o leite em pó são ingredientes modernos porque só conhecem leite condensado enlatado e o leite em pó empacotado. Mas eles fazem parte da nossa culinária bem antes de serem industrializados.
          É certo que a industrialização dos saberes populares facilitou a vida das cozinheiras e cozinheiros, mas existiam bem antes de se tornarem mais acessíveis com a industrialização.
O leite condensado
          A presença do leite condensado nas receitas de todo o mundo é mais antiga que imaginamos. Surgiu por acaso nos Estados Unidos, em 1856, no século XIX. Foi quando Gail Borden, tentava fazer o leite durar mais tempo, depois da ordenha. Para isso, ferveu o leite com açúcar e deixou desidratando no fogo, antes que virasse doce ou ressecasse. Conseguiu com isso condensar o leite. O resultado foi um creme, amarelado e muito saboroso. Com o aprimoramento da invenção ao longo do tempo e sua industrialização, o leite condensado acabou se popularizando em todo o mundo.
          Da forma caseira, são fácies de preparar, embora não sejam iguais aos que encontramos industrializados. Ao menos, no século XX, a forma caseira de preparar leite condensado e leite em pó, enriqueceu mais ainda as quitandas mineiras.
Como fazer leite condensado
Ingredientes
. 1 litro de leite
. 300 gramas de açúcar
. 1 colher (sopa) de amido de milho)
. 1 colher (sopa) do fermento em pó caseiro
Modo de preparo
- Separe dois copos americanos do leite e misture com o fermento em pó até dissolver bem. Reserve
- Na outra parte do leite, coloque o açúcar e o amido de milho e misture até ficarem bem homogêneos.
- Leve ao fogo brando mexendo sempre.
- Quando começar a ferver, despeje de uma vez os dois copos de leite.
- Continue mexendo até que adquira uma boa consistência e cor amarelada.
          Prontinho, está pronto o leite condensado caseiro.
O leite em pó
          Já o leite em pó foi inventado no século XX, exatamente no ano de 1933 pela sueca Maria Johanna "Ninni" Kronberg, passando a ser industrializado a partir dessa época.
Como fazer leite em pó caseiro
Ingredientes

. 1 ½ litro de integral
Modo de preparo
- Em uma panela antiaderente, coloque o leite e deixe cozinhando no fogo baixo por cerca de 40 minutos e mexendo com uma colher de pau para não evaporar e grudar no fundo.
- Assim que começar a formar uma massinha, desligue e espere esfriar.
- Agora você vai raspar essa massinha que se formou e colocá-la numa fôrma retangular e assar em forno brando, a menor possível, por 40 minutos e com a porta do forno entre aberta para evitar que o vapor do forno desidrate o leite.
- Ao perceber que a massa está dura e firme, desligue.
- Espere esfriar, bata num processador ou liquidificador até formar um pó bem fininho.
- Prontinho. Agora é só colocar o leite em pó em potes de vidro e ir utilizando-o em seus pratos. 
(fotografias de Katita Jardim de Belo Horizonte MG da @tremdeferroartesanatobh)

terça-feira, 26 de julho de 2022

Novo trem turístico entre Minas e São Paulo

(Por Arnaldo Silva) A Ferrovia Minas e Rio, inaugurada em 1884 pelo Imperador Dom Pedro II, terá parte dos 170 km recuperados e o trem voltará a circular pela histórica ferrovia, para fins de turismo. O trecho a ser recuperado e reativado, ligará a Estação Central de Cruzeiro no Leste de São Paulo à Estação Rufino de Almeida, na zona rural deste município, na divisa com Passa Quatro MG, Sul de Minas. O trecho inicial será de 6 km com projeção de ampliação do trecho entre Cruzeiro/SP e Passa Quatro MG. Entre as duas cidades são 34,5 km de distância.
          Atualmente, apenas 20 km dos 170 km originais da Ferrovia Minas e Rio estão em operação sob a responsabilidade da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF). Trata-se do trecho entre o km 24 ao 35, onde opera o Trem da Mantiqueira, em Passa Quatro MG e do km 80 ao 90 do Trem das Águas, entre São Lourenço MG a Soledade de Minas. Em São Sebastião do Rio Verde MG, projeto visa recuperar o trecho férreo que liga a cidade à São Lourenço MG. (na foto acima de Sérgio Mourão/@sergio.mourao, o Trem da Mantiqueira em Passa Quatro, sobre os trilhos da Ferrovia Minas e Rio)
          Os 170 km da ferrovia Minas e Rio ligava diretamente Cruzeiro/SP a Três Corações, no Sul de Minas. A Estrada de Ferro era ligada ao Rio de Janeiro por interconexão ferroviária através da Estrada de Ferro Central do Brasil, Estrada de Ferro Muzambinho e Viação Férrea Sapucaí.
A história da Ferrovia Minas e Rio
          A linha férrea Minas e Rio começou a ser construída em 1881 pela companhia inglesa Waring Brothers. Para a construção, foi criada uma empresa nacional, autorizada pelo Governo Imperial, através do decreto 7.734, de 21 de junho de 1880, com o nome de The Minas and Rio Railway.
          Três anos depois, em 14 de junho de 1884, a Estrada de Ferro Minas e Rio era inaugurada por Dom Pedro II. A viagem Imperial teve inicio na Estação de Passa Quatro MG. Os 135 km de ferrovia entre Passa Quatro MG a Três Corações MG, foram percorridos em 2h.35min a uma velocidade média de 52km/h, recorde para aquela época. (na foto acima, Estação de Cruzeiro SP em 1895. Fotografia de Marc Ferrez/Domínio Público)
          O projeto original da ferrovia iniciava numa estação do Rio de Janeiro, finalizando na Estação Rufino de Almeida, na Zona Rural de Cruzeiro/SP, na divisa com Passa Quatro MG. Em 3 de maio de 1881, foi aprovado uma modificação no traçado estendendo a linha até a Estação Central de  Cruzeiro SP.
          Mesmo a linha férrea passando a ter, a partir dessa época, a estação final na cidade de Cruzeiro SP, manteve-se até os dias de hoje o nome original da ferrovia: Minas e Rio.
A recuperação da linha férrea
          Sob a responsabilidade da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), os trabalhos de restauração dos 34,5 km da Ferrovia Minas e Rio já está em andamento, iniciando com a recuperação dos trilhos para que o trem possa operar nos primeiros 6 km do trecho entre a Estação Central de Cruzeiro até a Estação Rufino de Almeida, na Zona rural.
          A conclusão e inauguração da primeira etapa está prevista para o início de 2024.
          Futuramente, prevê-se a ampliação do trecho até Passa Quatro MG, no Sul de Minas, com o trem passando pelo Túnel da Mantiqueira, na divisa das duas cidades.
          
Dois trens turísticos na região
          Em Passa Quatro MG circula o Trem Turístico Serra da Mantiqueira, que sai da Estação de Passa Quatro fazendo o percurso até a Estação Coronel Fulgêncio, nas proximidades do Túnel da Mantiqueira. Essa é outra linha que continuará funcionando normalmente, da forma que está.
          O trem turístico que circulará entre Cruzeiro a Estação Rufino de Almeida em São Paulo, na divisa com Minas Gerais,  é outro trem e outro trajeto, embora na mesma região. Ganha o turismo, as cidades envolvidas e os turistas, que terão mais opções de passeios pela história da região e dos dois estados, lazer e cultura.         
A Revolução de 1932
          Essa região, onde operará o novo trem turístico é de grande importância histórica para mineiros e paulistas, por ter sido palco da Revolução de 1932.
          Os paulistas pretendiam, entre outros objetivos, depor Getúlio Vargas e instalar a Assembleia Nacional Constituinte. Com esse objetivo, embarcaram na Estação de Cruzeiro rumo a Três Corações MG e dessa cidade seguiriam em outro trem até o Rio de Janeiro, então capital do Brasil na época.
Coube a Minas Gerais impedir a pretensão paulista. E conseguiram. A viagem das tropas paulistas foi curta, parou em Passa Quatro MG.
          Liderados pelo 7°Batalhão de Caçadores Mineiros, hoje 7° Batalhão da Polícia Militar, sediado em Bom Despacho MG, o 7°BCM era comandado pelo do Ten. Cel. Fulgêncio, morto em combate, impediu o avanço dos paulistas.
O Túnel da Mantiqueira
          Passa Quatro MG e o Túnel da Mantiqueira foram os campos de batalha dos mais violentos confrontos entre mineiros e paulistas. Iniciado em 9 de julho de 1932, encerrou-se 87 dias depois, após rendição dos paulistas. O acordo para encerrar o conflito foi assinado em Cruzeiro SP. Números oficiais apontam 934 mortos e outras centenas de feridos, de ambos os lados.
          O Túnel da Mantiqueira foi o palco das mais sangrentas batalhas desse conflito. Até hoje, marcas de tiros ainda podem ser vistos no túnel. Esse túnel, inaugurado por Dom Pedro II em 1884, fará parte do trajeto do novo trem. (na foto acima do Paulo Santos, o Túnel da Mantiqueira)
          Além das bucólicas e impressionantes paisagens da Serra da Mantiqueira, o novo trem turístico será de grande valor cultural e histórico para Minas Gerais e São Paulo.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Vencedores do Concurso Nacional de Produtos Lácteos

(Por Arnaldo Silva) Aconteceu em julho de 2022, no Expominas em Juiz de Fora MG na Zona da Mata, o 35° Congresso Nacional de Laticínios, a 46° Expomaq (feira de maquinários e difusão de novas tecnologias), a 46° Expolac (feira de produtos lácteos), o 45º Concurso Nacional de Produtos Lácteos e a 41ª Semana do Laticinista. 
          Conhecido como Minas Láctea, o evento é realizado a cada dois anos pela Empresa Mineira de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT), sempre em Juiz de Fora MG. (Fotografia acima de Erasmo Pereira/Epamig, jurados avaliados os produtos queijos e doces durante o concurso Nacional de Produtos Lácteos)
          O Minas Láctea é um dos mais importantes eventos lácteos do Brasil. Para se ter ideia da dimensão do evento, nesta última edição, foram cerca de 12 mil pessoas que estiveram na Expominas de Juiz de Fora, nos 3 dias do evento. (na foto acima de Erasmo Pereira/Epamig, a Expominas de Juiz de Fora)
Concurso Nacional de Produtos Lácteos
          Um dos momentos mais esperados do Minas Láctea é o resultado final do Concurso Nacional de Produtos Lácteos, já na sua 45º edição, divulgado no último dia do evento. (na foto acima jurados avaliando queijos e abaixo, avaliação de doces. Fotos de Erasmo Pereira/Epamig)
          Foram premiados os 3 primeiros colocados em cada uma das 12 categorias do concurso. 
          Foram avaliados os produtos de 80 laticínios de todo o Brasil, que enviaram seus produtos para análises dos jurados. (na foto acima de Erasmo Pereira/Epamig, entrega das premiações aos vencedores de cada categoria e abaixo o público presente nos estandes)
          Uma das categorias em destaque neste concurso é o Produto Inovador, valorizando laticínios que destacam de forma diferenciada em seus produtos foram: o Queijo Conquista (Coopervap de Paracatu), Doce de Leite com Raspas de Limão (Laticínios Sabor das Vertentes) e Queijo Barão de Minas (Laticínios Cruzília) foram os três primeiros colocados.
Os primeiros colocados por categoria:
- Gorgonzola - Laticínios Paiolzinho
- Parmesão - Laticínios Tirolez
- Gouda - Laticínios Frimesa
- Provolone - Laticínios Cruzília
- Queijo do Reino - Laticínios Curral de Minas
- Queijo Prato - Queijos Lucca
- Requeijão Cremoso - Laticínios Curral de Minas
- Doce de leite - Laticínios Boreal
- Manteiga de Primeira Qualidade - Cooprata
- Minas Padrão - Laticínios Saboroso
- Cottage - Laticínios Sérvulo
- Produto Inovador - Coopervap
          Segue abaixo a lista completa dos 3 primeiros colocados em cada uma das 12 categorias do 45º Concurso Nacional de Produtos Lácteos:

          O Minas Láctea acontece é bienal, realizado em anos ímpares. O evento de 2021 não pode ser presencial devido as restrições sanitárias na época, tendo sido transferido excepcionalmente para 2022. O próximo Minas Láctea será em 2023, seguindo seu calendário normal.
Informações e fotografias fornecidas pela Assessoria de Comunicação Social da Epamig

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Cataguás: os Tatus Brancos do Centro Oeste Mineiro

(Por Arnaldo Silva) A partir de meados do século XVII, começam a chegar ao território mineiro bandeirantes paulistas, em busca de ouro. A presença do homem branco no território mineiro, não foi nada amistosa. Isso por que a região por onde iniciaram a entrada, Sul de Minas, Oeste e Centro Oeste Mineiro, era habitada por várias etnias indígenas, como toda Minas Gerais era. Vestígios arqueológico apontam a presença de povos indígenas em território mineiro há mais 11 mil anos.
          A questão era que uma dessas etnias, que habitava a região do Alto São Francisco, no Centro Oeste Mineiro era os Tatuas Brancos, os temidos índios Cataguás. (foto acima de Arnaldo Silva, o Rio São Francisco entre Moema e Bom Despacho MG, no Vale do São Francisco)
          Índios de língua não tupi, eram descendentes da tribo dos Tremembé, etnia oriunda do litoral do Nordeste do Brasil. Os Cataguás eram mais conhecidos como Cataguases, pela facilidade da pronúncia. Escrever ou pronunciar Cataguás ou Cataguases é a mesma coisa. 
          O povo Cataguá deixou o litoral nordestino e se instalou no Sul do país, ficando pouco tempo por lá. Partiram rumo ao Norte do Brasil, passando pelo atual território mineiro, no século XVI.
Cataguases X Carijós
          No caminho dos Cataguás estava a tribos dos Carijós, habitantes da parte alta do Vale do Alto São Francisco, no Centro Oeste Mineiro. Os Carijós eram índios mais tranquilos, trabalhadores e de fácil diálogo. Não eram muito de guerras e conflitos com outras tribos.
          Já os Cataguás, não. Eram avessos a conversas, além de serem guerreiros valentes, eram bastante hostis e não se intimidavam fácil. Carijós e Cataguás travaram uma ferrenha batalha, com os Cataguás saindo vencedores. Os Carijós que sobreviveram, deixaram a região, rumo a parte Oeste do Estado, longe dos Cataguás.
          Com a vitória, os Cataguás decidiram se fixar no território conquistado. Em pouco tempo, cresceram como povo e expandiram seus domínios para todo o Centro Oeste, Sul de Minas, Médio e Alto São Francisco, mantendo-se dominantes nessas regiões de forma implacável, até a chegada do homem branco, em meados do século XVII.
O país dos Cataguás
          A presença dos índios Cataguases em território mineiro era tanta e eram tantas as tribos Cataguases espalhadas pelas regiões mineiras, que eram chamados pelos bandeirantes paulistas de “povo que mora no país das matas” e ainda por “País dos Cataguases” e “Campos Geraes dos Cataguases". Na época a grafia gerais era com e, geraes. Os dois últimos nomes, foram primeiros nomes de Minas Gerais
          Somente após a descoberta de minas de ouro, que o território mineiro deixou de ser chamado “País dos Cataguases” e "Campos Geraes dos Cataguases" , a partir da descoberta de grandes quantidades de minas de ouro.

Guerreiros valentes e destemidos
          Na parte alta do São Francisco, os Cataguases predominavam. Viviam da caça, pesca e cultivo de milho e mandioca, além de fazerem utensílios de cerâmica, para uso diário, rituais religiosos e festas. Eram vigilantes e atentos a tudo em seu redor, devido a conflitos em etnias diferentes e presença constante de forasteiros.
         Embora existam várias traduções para a palavra Cataguás a mais conhecida é que Cataguá significa “gente boa” (catu-auás), embora os Cataguases não fizessem jus a tradução do nome. 
          Eram gente boa entre os membros da etnia, mas com outras tribos e principalmente forasteiros, nem um pouco. O homem branco era chamado pelos Cataguases de Poxi-auá, “gente ruim.
          Eram valentes, corajosos, destemidos e unidos, os Cataguases defendiam seu povo e suas terras com bravura. Eram extremamente agressivos e impiedosos para com seus inimigos, sejam de outras tribos ou forasteiros.
          Era guerreiros implacáveis, inteligentes e estrategistas. Quando capturavam seus inimigos, os devoravam em pouco tempo. Os Cataguases eram canibais. Não era por menos que as outras etnias indígenas da região temiam os Cataguases.
Os Tatus Brancos trogloditas
          A região de Doresópolis, no Oeste Mineiro, concentra inúmeros cânions, paredões e cavernas. Diferente de outras tribos que viviam em comunidades e em ocas, como moradas, os Cataguases que viviam na região de Doresópolis, eram trogloditas (habitantes de cavernas). Viviam em furnas e nas inúmeras cavernas existentes na região do Alto São Francisco e não em ocas, como a maioria dos indígenas viviam. Por esse motivo eram chamados de Tatus Brancos. (na imagem acima de Eduardo Valente, furnas na região de Doresópolis)
           Nesta região onde os Cataguases viviam, cavernas e paredões enormes podem ser vistos até os dias de hoje. Era esse o habitat dos Cataguases do Alto São Francisco, os temidos Tatus Brancos.
          Exímios caçadores noturnos, conseguiam capturar suas presas com muita facilidade. Saiam à noite e caçavam até o dia raiar. Com a presença do homem branco na região, estes passaram a ser também suas presas. 
          Na época da ocupação, relatos de homens brancos que desapareciam misteriosamente na região dominada pelos Cataguases eram comuns. Se algum forasteiro era capturado, não se encontrava nem vestígios. Os Tatus Brancos eram canibais e não perdiam tempo prendendo suas presas. Os forasteiros eram vistos como inimigos naturais.
          A dificuldade de diálogo com os Cataguases, bem como sua forte resistência e agressividade com os invasores, além de serem em grande número, eram empecilhos para portugueses e bandeirantes ocuparem o território mineiro.
          Com o passar do tempo e aumento do número de bandeirantes, escravos, missionários e portugueses em território mineiro e os crescentes ataques dos Tatus Brancos aos forasteiros, o Governo Português resolveu agir para facilitar a entrada das bandeiras no território.
O fim dos Tatus Brancos
          Por volta de 1670 as autoridades da Colônia Portuguesa determinaram uma verdadeira cruzada contra os Tatus Brancos, com a ação a cargo Fernão Dias Paes Leme. O bandeirante partiu de São Paulo com cerca de 600 homens, entre brancos e escravos.
          Diante da resistência dos Cataguás, foi enviado ainda Lourenço Castanho Taques, bandeirante paulista que conseguiu colocar fim a resistência dos Cataguás, obtendo êxito em seu intento.
          Ação dos bandeirantes não visava expulsar os Cataguás ou escravizá-los, eles nunca aceitaram ser escravos. Portugueses e bandeirantes empreenderam uma violenta ação visando exterminar por completo o povo Cataguás e apagar qualquer vestígio da presença da etnia que encontrassem pelo caminho.
          E conseguiram. Já no final do século XVII, já não existia mais os Cataguases em território mineiro e infelizmente, muito pouco da história desse povo foi registrada. Sabe-se quase nada sobre os costumes e usos, vestimentas e aparência física do povo Cataguá, bem como da origem de seu idioma, que se sabe, não era do tronco Tupi. Nada sobrou que contasse mais da origem e história desse povo que habitou boa parte do território mineiro. (na foto acima do Eduardo Valente, caverna em Doresópólis MG, habitat dos Cataguás, os Tatus Brancos)
Campos Geraes
          Com o extermínio dos Cataguás, a região deixou de ser "País dos Cataguases". Foi por algum tempo chamada de "Campos Gerais dos Cataguases". Como não existia mais os Cataguases, chegou a ser chamada de "Campos Geraes", na grafia do século XVII e XVIII. Quem nascia na região era "Geralista". O gentílico "mineiro" só passou a ser usado no século XIX.
          Com a descoberta de minas de ouro no território mineiro, a palavra "campos" foi mudada para Minas e manteve-se o geraes. Ficando, na grafia da época, "Minas Geraes".  Assim nascia Minas Gerais. 
          O termo “País dos Cataguases”, "Campos Geraes dos Cataguases"  e "Campos Geraes", ficou apenas na história dos séculos XVII e início do século XVIII e não passou disso. O nome do território passou a ser capitania, província e por fim, Estado de Minas Gerais. 
O legado dos Cataguás 
          O certo é que os Cataguases foram os primeiros povos que ofereceram resistência contra a ocupação e exploração das riquezas em território mineiro.
          Os Cataguases não existem mais como povo, mas com certeza, o espírito de luta, de resistência, de bravura, coragem e defesa de sua existência, faz parte do espírito do povo mineiro, desde os primórdios da formação de Minas Gerais.
          O povo mineiro possui o espírito valente e de luta dos Cataguás. Este espírito nos torna defensores de nossas tradições, de nossas divisas, de nossa cultura, de nossa história, de nossas riquezas e da luta pela liberdade, presente em nosso sangue e bandeira, desde a ocupação bandeirante e portuguesa em Minas Gerais.

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