Arquivo do blog

Tecnologia do Blogger.

domingo, 26 de junho de 2022

Cuscuz com rapadura e queijo

INGREDIENTES
. 500 gramas de fubá
. 350 gramas de rapadura raspada
. 250 gramas de queijo Minas meia cura em tiras ou ralado grosso
. 250 gramas de mandioca ralada bem fina
. Meio copo (americano) de água
MODO DE PREPARO
- Coloque numa vasilha uma parte do queijo ralado, todo o fubá, a mandioca e a rapadura e misture bem.
- Umedeça com a água, mas não deixe ficar cremoso, apenas um pouco.
- Espalhe por cima o restante do queijo ralado.
- Em seguida, coloque tudo numa fôrma própria para cuscuz.
- Coloque a fôrma numa outra vasilha com água e deixe cozinhando em banho maria por 40 minutos.
- Após esse tempo, ainda quente, desenforme e sirva.
- Está prontinho o cuscuz mineiro. Sirva quente com rapadura ou queijo. Fica ótima como merenda e no café da manhã ou da tarde.
(Cuscuz feito pela Marilene Rodrigues de Felício dos Santos MG)

quinta-feira, 23 de junho de 2022

Queijo Canastra é eleito o melhor do mundo

(Por Arnaldo Silva) De acordo com o site The Taste Atlas, o queijo da Serra da Canastra está entre os “50 melhores Queijos do Mundo”, divulgado no dia 20/06/2022.
          Idealizado pelo jornalista croata Matija Babic, The Taste Atlas é um guia voltado para a gastronomia mundial com conteúdo colaborativo feito por viajantes de todo o mundo. Funciona em moldes parecidos com o Guia 4 Rodas e Wikipédia, onde os usuários alimentam a plataforma com fotos, conteúdos e comentários. O site permite ainda que os seguidores da plataforma deem notas e votem em pratos, iguarias e estabelecimentos gastronômicos no mundo.
          Neste site, o queijo tem uma categoria exclusiva para postagens de fotos, textos, comentários e votação aberta aos usuários. (na foto acima, queijos Canastra feito na Queijo Dinho, em Piumhi MG/Divulgação)
Os 50 queijos mais votados
          Estar entre os 50 melhores queijos do mundo, não foi surpresa para os produtores de queijos Canastra, já que a iguaria recebe premiações nacionais e internacionais em todos os eventos que participa, sendo considerado um dos melhores queijos do mundo.
          O que chamou atenção dos queijeiros mineiros foi o Queijo Canastra figurar em primeiro lugar no levantamento feito pelo site The Taste Atlas, à frente inclusive de queijos mundialmente famosos como os holandeses Geitenkaas e Gorgonzola, Pecorino, Burrata, os italianos Grana Padano, Burrata, Pecorino e Parmegiano Reggiano, o francês Mont d´Or, do Português Serra da Estral, dentre outros.
          Abaixo podem ver a lista dos 50 melhores queijos do mundo, segundo eleição feita pelo site The Taste Atlas, divulgada nas redes sociais do referido site.
          Embora os critérios de votação e contagem das notas dadas aos queijos não foram especificados com clareza pelo site, os 70 queijeiros que produzem queijo Canastra, nas 7 cidades que formam a região queijeira mineira, comemoraram bastante o resultado. A conquista do queijo Canastra foi comemorada ainda pela Empresa  de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater/MG) e pela Associação dos Produtores da Canastra (Aprocan).
O Queijo Canastra
          O queijo Canastra ser reconhecido como melhor do mundo foi absorvido com naturalidade pelos mineiros. Isso porque o queijo feito na Serra da Canastra sempre foi considerado o melhor do mundo pelos mineiros. Pode ser uma surpresa para o mundo, para os mineiros não.
          Feito tradicionalmente há mais de 200 anos, com leite cru de vaca, sal e pingo, o queijo Canastra é Patrimônio Imaterial do Brasil desde 2008, reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). (foto acima e abaixo Queijo Dinho de Piumhi MG/Divulgação)
          Tem como características a casca amarela, formato cilíndrico, sabor e picância levemente ácido, massa firme com presença de algumas olhaduras (furinhos). O Canastra já maduro, acima de 21 dias, é o preferido. Isso porque quanto mais o tempo de maturação, mais acentuado é seu sabor e mais definidas são suas características.
          É um tipo de queijo que harmoniza muito bem com vinhos finos, cachaça, cervejas e claro, com café e doces mineiros. Devido sua qualidade, é um queijo muito versátil na gastronomia, além de melhorar o sabor de vários pratos e quitandas.
          A Região Queijeira Canastra é formada pelo municípios de Medeiros, Vargem Bonita, Tapirai, Delfinópolis, Bambuí, Piumhi e São Roque de Minas com os queijos produzidos nessas cidades constarem o selo de origem e em maioria, grafados no próprio queijo, com caseína, como podem ver na foto acima.

terça-feira, 21 de junho de 2022

O sabonete mineiro feito com azeite de abacate

(Por Júnia Pimenta Gonçalves) Há alguns anos, a empresa Flor do Abacate de São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste Mineiro, tem se dedicado, incansavelmente, ao desenvolvimento de produtos inovadores e criativos, à partir dos subprodutos do abacate.
          A tarefa se mostra árdua, desafiadora e morosa, pois aliar princípios sustentáveis, ambientais e de qualidade inquestionáveis envolvem inúmeros procedimentos de pesquisa, técnicos, logísticos e burocráticos que todos os empreendedores conhecem bem. São os famosos bastidores do negócio: aquele caminho percorrido sempre permeado por acertos e erros desde a concepção do produto até a chegada dele ao consumidor. Em nosso caso, no “banheiro” do consumidor.
          Imagino que já descobriram a novidade e o nosso xodó atual: nosso sabonete em barra! Isso mesmo! O primeiro sabonete em barra, industrial, feito com 100% de Azeite de Abacate!
          Já é de conhecimento geral que extraímos dos abacates das nossas lavouras, o Azeite de Abacate e conseguimos, nessas extrações, basicamente, 3 padrões de azeites:
- Azeite de Abacate Paraíso Verde: produto Premium, Clean Label, destinado à gastronomia e ao consumo humano.
-O segundo padrão, seria um azeite também fino, que com suas características, é destinado à indústria farmacêutica e cosmética.
- O terceiro padrão de azeite, com características peculiares e medicinais preservadas, se transformou em dois produtos sensacionais e únicos no mercado mundial: Sabonete em Barra industrial 100% desenvolvido com azeite de abacate e Shampoo em Barra também industrial, desenvolvido com 100% de azeite de abacate.
          O resultado da empreitada, são produtos finos, com características hidratantes e emolientes bem definidas, fragrância exclusiva e um toque extremamente confortável ao corpo.
          Estamos em fase final de aprovação pela ANVISA e ansiosos para que, em breve, eles estejam por aí, levando um pouco de Minas Gerais e do Brasil para todo o mundo!
          Empreender é como um casamento. Só uma coisa é capaz de fazê-lo sobreviver ao longo do tempo e seus desafios: o amor. Quando se ama, os obstáculos se tornam pequenos frente a enorme jornada da vida.”
Contato com a Júnia Pimenta: 35 8876-7922 ou através dos sites: www.paraisoverde.ind.br e www.avolovers.com.br

quinta-feira, 16 de junho de 2022

Doce de leite: origem e a receita tradicional

(Por Arnaldo Silva) O ato de ferver o leite com açúcar originou um dos doces mineiros mais tradicionais de Minas Gerais, o doce de leite. Se ficar menos tempo no fogo, fica cremoso. Se ficar mais tempo, fica sólido, bom para corte.
          O doce surgiu numa época de busca por alimentos, numa terra recém povoada. Sabia-se que a gordura preservava por mais tempo alimentos perecíveis, bem como açúcar, que é um conservante natural. Em busca de alimentos que durassem mais tempo, por um acaso ou não, surgiram vários alimentos, como o doce de leite. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
          O doce de leite harmoniza muito bem com o queijo Minas, com doces como de figo, casca de laranja-da-terra, de mamão, além de ser versátil, podendo ser usado em receitas diversas, para fazer sorvetes, recheios para bolos, biscoitos, pudins, pães, roscas, churros, balas, etc.
          Presente na culinária mineira desde o século XVIII, o doce de leite conquistou, não só o paladar dos mineiros, mas também de todos os brasileiros, a partir da segunda metade do século XIX, quando começou a se popularizar em todo o Brasil.
          O maior produtor e consumidor de doce de leite no Brasil é Minas Gerais. Embora tenha centenas de fábricas de doces por todas as cidades mineiras, o doce de leite caseiro ainda é o mais popular entre os mineiros. (fotografia acima de Evaldo Itor Fernandes em Moeda MG)
Quem inventou o doce de leite?
          A história afirma que o doce de leite foi criação mineira. O problema é que os argentinos, afirmam que são eles os inventores da iguaria.
          Mineiros e argentinos disputam quem foi o primeiro a fazer o doce de leite desde o século XIX. Enquanto esse imbróglio centenário com os argentinos não se resolve, a origem do doce de leite segue incerta.
A versão dos mineiros
          Segundo opinião de historiadores, o doce de leite foi criado em Minas Gerais. Surgiu pela necessidade da criação de alimentos, numa terra que a cada dia recebia aventureiros, bandeirantes e portugueses, que chegaram à Minas Gerais, com a descoberta de ouro, no século XVIII.
          O doce de leite saiu das cozinhas mineiras, nos primórdios do povoamento de Minas Gerais por um erro. Ao ferver o leite de vaca com açúcar, o leite foi esquecido no fogo, o que resultou num creme amarronzado. O sabor ficou ótimo, surgindo assim o doce de leite, passando a iguaria a ser feita pelas famílias mineiras com a receita passada de geração para geração, desde o século XVIII.
          O doce de leite se popularizou entre os mineiros ainda nos primeiros anos de sua descoberta, passando a ser apreciado por todos, chegando à nobreza e passando a ser feito também em outras regiões brasileiras.
          Não há nenhum relato em nossa história de doce de leite feito antes da popularização do doce em Minas Gerais.
          Doce de leite, junto com o pão de queijo e o queijo, são as principais identidades mineiras. 
A versão dos argentinos
          Quem experimentou o doce de leite argentino sabe muito bem que o doce é diferente do feito em Minas Gerais. Os sabores são diferentes, pelo leite, pelo tipo de açúcar, por especiarias regionais inseridas na receita e pela proporção entre os dois ingredientes, o açúcar e o leite. Obviamente há diferenças na textura, cor e sabor.
          Segundo os argentinos, o doce de leite foi inventado por eles em 1829, no século XIX, na fazenda do governador Juan Manuel de Rosas, nas proximidades de Buenos Aires.
          Uma das criadas do governador estava preparando lechada, um tipo de chá da tarde dos argentinos, uma bebida de leite quente com açúcar. Como a criada estava bastante cansada, deitou-se para descansar um pouco, deixando a lechada no fogo e acabou cochilando.
          Quando acordou, foi à cozinha e viu que a lechada tinha se transformado em uma pasta cremosa e amarronzada. Mostrou ao governador, que experimentou e gostou tanto que apresentou a iguaria às pessoas que conhecia, tornando-a popular entre os argentinos, a partir de então.
          Segundo historiadores, não há nenhuma evidência concreta que essa história seja verídica, mas é uma boa história que os argentinos defendem para se afirmarem os criadores do doce de leite.
          Até porque, doce de leite como conhecemos, já existia em Minas Gerais desde o século XVIII, bem antes da “invenção” argentina, em 1829, no século XIX.
Outra versão
          Há também historiadores que afirmam que as duas versões, tanto mineira, quanto argentina, não tem comprovação e que não é possível dizer com certeza, quem criou o doce de leite, se mineiros ou argentinos ou nenhum dos dois.
          Concordam apenas em dizer que tanto mineiros, quanto argentinos, desenvolveram a receita original, de acordo com suas características regionais, estilo e especiarias locais, gerando assim variações diversas do doce, ao longo do tempo.
A receita do doce de leite tradicional
          Em sua forma cremosa é o mais popular, mas também tem forma sólida, em barra ou cortado em pedacinhos. A diferença entre um tipo e outro é o tempo que fica no fogo. 
          Para fazer o doce de corte, basta deixa-lo mais tempo no fogo, tendo atenção para não queimar e bater com uma colher de pau, até começar a endurecer. Por fim é despejado em tabuleiro ou forma e cortado. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
Receita tradicional
Ingredientes

- 5 litros de leite integral
- 1 quilo de açúcar
Modo de preparo
- Despeje todo o leite num tacho, se possível de cobre junto com açúcar e leve ao fogo médio
- Mexa sem parar com uma colher de pau até começar a ferver para que o açúcar se dissolva por completo e se caramelize por igual
- Quando começar a ferver e continue mexendo por 15 minutos
- Reduza mais ainda o volume do fogo e deixe no fogo, mexendo sempre até que adquira uma consistência cremosa na cor marrom claro
- Caso prefira, pode adicionar frutas com o doce já pronto de frutas a seu gosto como pêssego, figo ou outras frutas que preferir, ou mesmo, chocolate (foto abaixo de Evaldo Itor Fernandes)
- Espere esfriar, coloque o doce em uma tigela ou potes de vidro e sirva acompanhado de Queijo Minas..

terça-feira, 14 de junho de 2022

Cuscuz: origem, variações e o cuscuz mineiro

(Por Arnaldo Silva) O cuscuz é tão popular no Brasil e no mundo que tem até dia, 19 de março, no mesmo dia de São José, padroeiro do Nordeste, região brasileira onde a iguaria é bastante popular além de ser uma das identidades gastronômicas dessa região.
          Por estar presente no dia-dia de boa parte do povo brasileiro, o cuscuz até parece ser uma criação da gastronomia brasileira, mas não é.
Origem berbere
          O cuscuz é um alimento milenar. Com o nome original de "alcuzcuz", tem origem nos povos berberes. Esses povos habitavam, há milhares de anos, a região noroeste da África, formada hoje pela Líbia, Tunísia, Argélia, Marrocos e Saara Ocidental.
          É um dos principais alimentos até os dias de hoje desses países africanos, principalmente no Marrocos e Argélia onde o cuscuz é considerado o prato do dia e prato da culinária nacional da Tunísia.
          Nesses três países, o cuscuz tradicional vem ainda acompanhado de cenoura, batata, nabo e outros legumes, além de ser cozido em caldo de carne ou ensopado picante de frango, peixe ou de carne carneiro. É servida com pequenos pedaços de carne de frango ou de carneiro. É uma refeição completa!
          O cuscuz original, criado pelos povos berberes, era feito com trigo. Consistia em amassar o trigo com as mãos, com um pouco de água quente, mexer e apertar, até se transformar em pequeninos grãos para ser em seguida, cozido no vapor numa cuscuzeira.
A popularização do cuscuz no mundo
          A iguaria se popularizou na região do Saara, em toda África, no Oriente Médio, chegando à Europa, onde se popularizou em vários países. Em Portugal passou a ser consumido no reinado de Dom Manuel I (1495-1521), com o nome de couscous.
          Uma comida prática, que sustenta, sacia e fácil de fazer, chegou ao Brasil ainda no século XVI pelos navegantes portugueses, aqui chamado de cuscuz.
          O problema era que no Brasil e na América Latina não existia trigo naquela época, mas existia milho, cereal nativo do Brasil e ocorrente também na América Latina. A farinha de milho e também o polvilho, substituiu o trigo nos dois primeiros séculos, após a descoberta do Brasil e é assim até hoje. Raro se fazer cuscuz em sua forma original no Brasil, com o trigo. Comum mesmo é com farinha de milho.
          O modo de preparo do cuscuz é o mesmo feito pelos povos berberes há milhares de anos. Muda apenas o trigo, substituído pela farinha de milho e variações regionais com acréscimos de temperos e outros ingredientes.
O cuscuz no Brasil
          No Nordeste brasileiro, o cuscuz está presente na alimentação do nordestino, principalmente no café da manhã. É geralmente consumido em sua forma mais popular, com flocos de milho moído no pilão e cozinhado no vapor ou ainda, acompanhado de leite, ovos, carne-de-charque e outros ingredientes. Já no Norte do Brasil, o cuscuz é consumido salgado e também doce, além de substituir a água quente pelo leite de coco na mistura com a farinha.
          Em São Paulo, alguns preparos de cuscuz levam peixe e camarão, em outros, galinha, ovos cozidos, ervilha, pimentão, tomate, cheiro verde e temperos diversos.
          Com os novos ingredientes e temperos regionais acrescentados à iguaria, tem apenas que deixar a massa marinar um pouco para fiquem bem incorporados ao cuscuz.
Receitas de cuscuz salgado e doce de Minas Gerais
          Em Minas Gerais, além da farinha de milho, é misturado às vezes um pouco de polvilho e farinha de mandioca, mas no popular, é com farinha de milho, cozido no vapor com ingredientes típicos de cada região mineira.
          O cuscuz mineiro pode ser doce ou salgado. Leva queijo, requeijão moreno ou cremoso, mel, manteiga, linguiça, carne desfiada, melado de cana, couve, e também ovo frito. É muito comum o cuscuz com queijo ou requeijão no café da manhã e da tarde, principalmente de quem trabalha na roça.
          No século XIX, o cuscuz doce com queijo era a primeira merenda do dia nas escolas que existiam em Minas Gerais, como por exemplo, a primeira refeição das alunas do Colégio Providência, em Mariana MG.
Cuscuz mineiro salgado
Ingredientes

. 500 gramas de farinha de milho
. 1 xícara (chá) de água
. 300 gramas de linguiça picadinha e já frita
. 300 gramas de frango cozido e desfiado
. 1 maço de couve picada mineiramente, bem fininha
. ½ colher (chá) de banha de porco
. 2 dentes de alho amassados
. 1 cebola pequena picadinha
. 1 pimentão verde picadinho
. ½ xícara (chá) de ervilha
. ½ xícara (chá) milho verde em grãos
. 1 tomate picadinho
. Sal a gosto
. Manjericão, salsa, pimenta-do-reino e orégano a gosto
. 1 ovo
Modo de preparo

- Aqueça a banha numa panela, acrescente a linguiça, a cebola, o alho, o pimentão e refogue por 3 minutos.
- Acrescente a ervilha, o frango desfiado, o milho, o tomate e refogue até secar.
- Acrescente agora o sal, o manjericão, o orégano, a salsa, a pimenta-do-reino e mexa bem.
- Acrescente por fim a farinha de milho, mexa, vá acrescentando a água quente aos poucos e vá desmanchando com as mãos os carocinhos que se formarem.
- Unte a cuscuzeira com banha ou óleo, coloque aos poucos a farofa que se formou e deixe cozinhando no vapor por uns 25 minutos ou até que esteja bem fofo.
- Enquanto cozinha, frite o ovo, coloque num prato e coma com o cuscuz. Fica ótimo com café.
Cuscuz mineiro doce
Ingredientes

. 1 xícara (chá) de farinha de mandioca (não torrada)
. 4 xícaras (chá) de fubá mimoso
. 2 xícaras (chá) de queijo Minas meia cura ralado
. 1 xícara (chá) de queijo Minas cortado em pedacinhos
. 1 ½ xícara (chá) de açúcar
. 1 xícara (chá) de água
. Canela em pó e erva-doce a gosto
. 2 colheres (chá) de sal
Modo de preparo
- Numa panela, coloque a farinha, o fubá, o queijo ralado, o açúcar, a canela em pó, a erva-doce e misture tudo.
- Dissolva o sal na água e acrescente à mistura que parecerá uma farofa
- Mexa e vá desmanchando com as mãos os carocinhos que se formam
- Unte a cuscuzeira com manteiga e coloque devagar a farofa, intercalando com os pedacinhos do queijo.
- Cozinhe em vapor de água fervendo por 25 minutos ou até que o cuscuz mineiro esteja fofo.
          O cuscuz é um prato democrático, popular, presente em todo o mundo, mesmo com variações e ingredientes regionais diferentes em sua receita tradicional, é uma iguaria mundial.
Fotografias de Marluce Ferreira de Ipatinga MG

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Estudo afirma que café reduz risco de mortes

(Por Arnaldo Silva) Depois da água, o café é a segunda bebida mais consumida no mundo. Não tem como começar a manhã sem o tradicional cafezinho coado. O café seria incompleto. O café anima, alegra e causa bem estar.
          Segundo especialistas, a quantidade ideal de consumido de café, já que a bebida possui alta concentração de cafeína deve ser no máximo até 4,5 xícaras, por dia. Acima disso, superaria a quantidade máxima de 400 mg de cafeína, diária, recomendada. Como consequência o uso exagerado do café pode ocasionar insônias, ansiedade, gastrite, palpitações tremores, dores na cabeça, refluxo gastroesofágico, náuseas e até taquicardia.
          Usando de forma equilibrada e moderara, é ao contrário, o café faz bem e ainda pode reduzir de 16% a 29% a possibilidade de falecimento prematuro. 
          Ao menos é o que afirma um estudo publicado em 31 de maio de 2022, pela Annals of Internal Medicine, uma revista médica publicada pelo American College of Physicians. É uma das revistas médicas mais importantes e influentes do mundo.
O estudo foi feito com 171.616 mil pessoas, com idade entre 37 a 73 anos com média de 56 anos, entre 2009 e 2018 por especialistas do departamento de Epidemiologia da Southern Medical University na China.
          Para efeitos de análise, foi levando em conta a dieta alimentar, estilo de vida, etnia, gênero e outras questões demográficas das pessoas que fizeram parte da pesquisa. No início dos estudos, os participantes apresentaram problemas de saúde como câncer ou cardíacos.
          Os participantes foram divididos entre o grupo que bebia café sem açúcar, outro grupo com adoçante e outro com açúcar, variando a quantidade diária. O estudo foi analisado no final de 2018. Foram 9 anos de estudos de observação.
          Dos 171.616 participantes do estudo, ao final do estudo, constatou-se o óbito de 3.177 dos participantes. Nesse número, o índice de óbitos de quem tomava café, puro, com açúcar ou adoçante, foi muito menor que os que não faziam uso diário de café, com conclusão de que quem faz uso moderado e regular de café, tem menor chance de morte de quem não faz uso da bebia.
          Além disso, o índice de redução de mortes prematuras de quem bebia café sem açúcar, era bem maior que os que bebia café com açúcar.
          Quem bebia até 2,5 xícaras de café por dia tinha uma redução de 16%, na possibilidade de morte prematura e entre 3,5 a 4,5 xícaras de café por dia, o índice subia para 29%.
          O uso de adoçante na bebida não teve uma conclusão definitiva dos pesquisadores devido não apresentar muita influência nesse quesito.
          Além disso, os benefícios do café para a saúde é tema de estudos científicos. Pesquisas não conclusivas demonstram que o uso moderado da bebida ajuda na prevenção do mal de Parkison, do diabetes tipo II, na prevenção do câncer do fígado e outros males.
          Vale ressaltar que esses dados, bem como os estudos sobre os benefícios do café, são estudos de observação, sem conclusão definitiva. Isso porque o estilo de vida das pessoas não são os mesmos e análises concretas devem ter por base possíveis comorbidades e o estilo de vida que a pessoa leva como alimentação, prática de esportes, seus cuidados para com a saúde mental, etc.
          Por isso é bom ter cautela e fazer uso moderado do café como recomenda os próprios cientistas que é entre 3,5 a 4,5 xícaras por dia. Segundo pesquisa do Instituto Axxus, 45% dos brasileiros consomem em média 3 a 5 xícaras de café por dia.
          O estudo completo está disponível no site da revista American College of Physicians (acpjournals.org)
Foto ilustrativa Sitio Pé de Bréu do Ricardo Borges e Wildma Emediato em Alto Caparaó MG

sábado, 4 de junho de 2022

O resgate arqueológico do Solar Baeta Neves

(Por Arnaldo Silva) Patrimônio de Ouro Preto, na Região Central, o Solar Baeta Neves, foi a primeira construção em estilo neocolonial da cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.
          Erguido no início do período republicano, o marco da arquitetura neocolonial de Ouro Preto foi soterrado e destruído por um deslizamento de terra do Morro da Forca, em 13 de janeiro de 2022.
          Patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), foi completamente restaurado pelo órgão federal em 2010, mas interditado em 2012 devido ao risco de deslizamento de terra nas imediações.
Da interdição à destruição
          A interdição era para preservar o casarão de um possível deslizamento de terra e preparar ações para evitar que tal fato ocorresse. 10 anos depois, o que era previsto e previsível ocorreu devido às fortes chuvas que desabaram em Minas Gerais no início de 2022. (na foto acima do Peterson Bruschi, o exato momento do deslizamento de terra do Morro da Forca)
         Sem encostas, proteção ou contensão de terra, o casarão não resistiu ao enorme volume de terra que desceu morro abaixo. Foi completamente soterrado e destruído. No Solar Baeta Neves não havia mobiliário, mas o imóvel estava completamente restaurado em toda sua estrutura, ornamentação e pintura, da forma que era antes.
          O casarão que resistiu 120 anos ao tempo, foi destruído em questão de segundos pela terra que desceu do Morro da Forca, em imagens que correram o mundo, deixando mineiros e brasileiros perplexos.
Baeta Neves
          A história começa em 1890, com aquisição de um terreno próximo à Estação Ferroviária, às margens do Córrego do Funil em Ouro Preto MG pela família Baeta Neves, uma das mais distintas, respeitadas e tradicionais famílias mineiras. (na fotografia acima de Jair Barreiro, o Solar Baeta Neves, dois andares, à direita, em branco com portas e janelas em azul)
          A construção começou em 1892 e foi concluída no início do século XIX. Foi residência de Alfredo Teixeira Baeta Neves (Ouro Preto 4/07/1872 – Ouro Preto 28/7/1942).
          Formado em engenharia, com graduação em minas, metalurgia e engenharia civil, Baeta Neves foi também catedrático de botânica e zoologia, vereador, presidente Câmara de Ouro Preto, Deputado Estadual, Senador e importante educador ouro-pretano. Foi o fundador da Escola Normal e do Ginásio Municipal de Ouro Preto em 1898, posteriormente denominado Colégio Baeta.
A construção da Estação Ferroviária
          A Estação Ferroviária e estação começaram a serem construídos por volta de 1870, com abertura de ruas, preparo do terreno para receber trilhos, ampliação de pontes etc. Foi inaugurada em 1989 por Dom Pedro II, antes da Proclamação da República. O ramal da linha férrea, bem como a estação ferroviária, trouxe mais desenvolvimento comercial e crescimento dessa parte da cidade, inabitada à época. (na foto acima de Arnaldo Silva, a Praça da Estação Ferroviária de Ouro Preto)
          Antes da ferrovia, da estação e do casario, esse lugar era uma lagoa, que lembrava um funil, por isso era chamara de Lagoa do Funil, bem como o córrego que desaguava na lagoa.
          Para construir a estrada de ferro e estação, a lagoa foi aterrada com terra retirada do Morro da Forca, que por coincidência, foi a terra desse mesmo morro que destruiu o casarão.
          Esse morro tem esse nome, Morro da Forca, porque era para esse local, pouco atrás do Museu da Inconfidência, que os sentenciados à morte pela Coroa Portuguesa eram executados. A pena de morte à época era o enforcamento público.
          Com a estação pronta, o lugar se valorizou e várias construções foram surgindo nas proximidades a partir final do século XIX.
          Como a origem da família Baeta Neves era de comerciantes e a estação trazia movimento à região, além de movimentar o comércio, ter um imóvel nesta localidade era mais que opção de moradia, era um investimento.
A importância do casarão para Ouro Preto
          Pela história, importância social da família que o construiu e sua arquitetura neocolonial, o Solar Baeta Neves se destaca entre as novas construções do século XIX no entorno da Praça da Estação, denominado hoje de Praça Cesário Alvim, formada por um coreto, a estação e o casario erguido no final do século XIX e início do século XX. 
          O sobrado tinha dois pavimentos com fachada em o estilo colonial e alguns detalhes interiores diferentes do tradicional nos casarões coloniais ouro-pretano. O estilo neocolonial do sobrado contrastava com a tendência para o estilo eclético das construções do final do século XIX e início do século XX, muito marcante nessa região de Ouro Preto.
O estilo neocolonial
          O neocolonial foi um estilo que surgiu nos Estados Unidos no final do século XIX com a tendência ganhado força no início do século XX, contrastando com o estilo eclético, que predominava na Europa.
          O ecletismo europeu foi inspiração para a nova arquitetura de várias cidades do mundo e do Brasil, como Belo Horizonte. Os engenheiros e arquitetos que projetaram Belo Horizonte no final do século XIX, se inspiraram no estilo eclético da arquitetura francesa.
          O neocolonial americano, tinha como objetivo resgatar a arquitetura e o estilo decorativo das construções do início do período colonial americano, principalmente nas fachadas das construções. Apenas era acrescentado alguns detalhes novos, graças ao desenvolvimento da indústria moveleira, de fundição e metalúrgica na época, que permitia o surgimento de novas técnicas para fazer pisos, sacadas, escadas, portas, janelas, ornamentos, etc.
O estilo do Solar Baeta Neves
          É o caso do Solar Baeta Neves que possui ornamentos, decoração e alvenaria de época, de grande relevância para a arquitetura e história de Ouro Preto MG.
          O teto era em madeira e todo feito à mão, ornamentado com um belíssimo forro quadrante em madeira de lei almofadado. (na foto acima e abaixo de Rodrigo Câmara, o teto e pisos do Solar Baeta Neves)
          No casarão podia se ver em detalhes esquadrias, forjas de ferragem nas portas e janelas. No casarão foi usado argamassa feita com gesso, água e cal, chamada de estuque, um tipo de revestimento decorativo de uso milenar. Sua função era de retardar a secagem, facilitando assim a modelagem.
          Nos cômodos existiam pisos revestidos com ladrilhos hidráulicos, em Pinho de Riga, considerada a mais nobre das madeiras do mundo e em setas, feitos com madeira de jacarandá, ornamentados em marchetaria, que é a arte de ornamentar superfícies planas, principalmente pisos em pedra e tetos em madeira, dentre outras superfícies planas. (fotografia acima de Rodrigo Câmara)
          No período colonial e pós republicano, as datas do início ou término de uma construção eram grafadas na porta principal dos casarões em pedras de cantaria. É um tipo pedra usada nas estruturas das construções e para fazer esculturas e placas numéricas. No Solar Baeta Neves, a cantaria da porta principal tem o ano de 1902, mas se sabe que sua conclusão foi entre 1904 e 1906.
          No interior do casarão, portas do andar térreo tinha detalhes em cantaria e sacada feita em ferro, ornamentada com cordões esculpidos em pedra, além de forjas de ferragem nas portas e janelas, balaústres em madeira, símbolos republicanos e outros elementos decorativos. (fotografia acima de Rodrigo Câmara)
A recuperação dos elementos do Solar Baeta Neves
          Isso tudo foi abaixo, mas não foi o fim total do Solar Baeta Neves. Está sendo feito um trabalho minucioso para encontrar todos os elementos artísticos, arquitetônicos e decorativos do casarão que estão sobre os escombros.(fotografia acima e abaixo de Peterson Bruschi)
          Como o imóvel faz parte do inventário de Ouro Preto, fotos de todos os detalhes do Solar do estão servindo para identificar cada elemento do casarão recolhidos dos escombros.
          É um trabalho lento, cuidadoso e feito por especialistas da área como historiadores, engenheiros, arquitetos, arqueólogos e restauradores. (fotografia acima e abaixo de Peterson Bruschi)
          É praticamente um garimpo nos escombros, mas os especialistas envolvidos creem que possam recuperar 90% dos elementos históricos do Solar Baeta Neves.
          É um quebra cabeça longo e demorado, para recuperar o máximo possível dos detalhes do Solar dos Baeta com o objetivo de preservar uma parte e um marco importante da história e arquitetura de Ouro Preto. (foto acima e abaixo de Peterson Bruschi)
          Todo material garimpado dos escombros está sendo recolhido, avaliado, higienizado, mapeado e identificado numericamente e guardados em local seguro.
          A conclusão de todos os trabalhos está inicialmente prevista para 3 meses. 
          Após tudo concluído, com identificação e restauração dos elementos do Solar Baeta Neves, será definido o que fazer com todo o material recuperado e com o terreno onde estava o casarão.
          O certo é que todo o material recolhido e recuperado, será exposto em público, mas ainda não há definição de quando, como será e nem onde será a exposição.

quinta-feira, 2 de junho de 2022

Pastel de Angu: origem e receita

(Por Arnaldo Silva) Receita simples, bem mineira e bem fácil de fazer. O Pastel de Angu é um um quitute típico de Minas, com origens em meados do século XIX. Surgiu em Itabirito MG, na Região Central Mineira, reconhecido como Patrimônio Imaterial do Município em 2010.
           A iguaria surgiu em 1851 na senzala da Fazenda Portões, em Itabirito. O fubá e o milho eram a base da alimentação dos escravos, além de algumas sobras de carne. 
          Com o fubá e as sobras de carne, as escravas maria Conga e Filó produziram um pastel misturando o fubá com um pouco de polvilho e recheando com os restos de carnes que lhes eram dados.
O pastel agradou os demais escravos, chegou à Casa Grande e a receita se popularizou em Itabirito e região, chegando a outras cidades mineiras, a partir do século XX, com algumas variações regionais.
          Hoje, o Pastel de Angu ou de fubá é um dos principais quitutes da gastronomia mineira.
          É um pastel frito na gordura de porco, sem o uso de farinha de trigo. É o fubá o ingrediente principal e um pouco de polvilho, para dar liga.
          No pastel de angu tradicional usa-se como recheio pedaços de carne com jiló, carne de sol, jiló com carne moída, umbigo de banana refogado, ora-pro-nobis com carne moída, taioba com carne moída, linguiça picadinha com jiló, palmito, queijo e outros recheios. (fotografia abaixo de Eliane Torino em Brumadinho MG)

INGREDIENTES
. 1 quilo de fubá, de preferência de moinho d´água, por ser de melhor qualidade
. 2 litros de água
. 1/2 xícara de polvilho azedo
. 2 colheres (sopa) de sal
. 1 colher (café) de bicarbonato
. Banha de porco ou óleo para fritar.
MODO DE PREPARO
- Leve a água ao fogo, acrescente o sal e o bicarbonato.
- Antes de começar a ferver, passe para o fogo baixo, acrescente apenas 1 xícara de fubá e mexa até dissolver bem.
- Quando começar a ferver, acrescente todo o restante do fubá e deixe cozinhando em fogo baixo por 30 minutos e mexendo sempre.
- Após esse tempo e quando estiver na consistência de angu, desligue, transfira o angu para uma vasilha e ainda quente, acrescente o polvilho e comece mexer com uma colher de pau e misture até a massa ficar firme e lisa.
- Após mexer bem, cubra a massa e deixe descansando por 30 minutos.
- Após esse tempo, sove bastante a massa com as mãos, cubra e deixe descansando por mais 30 minutos.
- Após esse tempo, espalhe a massa sobre uma bancada polvilhada com fubá e passe um rolo.
- Corte em pedaços, coloque o recheio que desejar, feche os pasteis, aperte com um garfo as extremidades e leve para fritar em banha bem quente ou óleo.

terça-feira, 31 de maio de 2022

Conheça a cidade de Miraí

(Por Arnaldo Silva) “Eu daria tudo que pudesse pra voltar aos tempos de criança... ai meu Deus, eu era tão feliz, no meu pequenino Miraí...” versos da música Meus tempos de Criança, composta por Ataulfo Alves (Miraí, 2/05/1909 – Rio de Janeiro, 20/04/1969), relembrando sua infância em sua terra natal, Miraí, cidade mineira da Zona da Mata, distante 300 km da capital.
          A música é uma pura poesia e nostalgia, onde o famoso compositor, música e sambista mineiro relembra sua infância em sua terra natal e afirma em seus versos: “Ai, meu Deus, eu era tão feliz, no meu pequenino Miraí”. (fotografia acima de Brunno Estevão/@brunno_7)
          A pequena Miraí, dos tempos de Ataulfo Alves, continua pequena. São pouco mais de 15 mil habitantes, mas continua charmosa, tradicional, bem pacata e seu povo, acolhedor e hospitaleiro. É uma típica cidade do interior mineiro.
          O município faz divisa com Cataguases, Guidoval, Guiricema, Muriaé, Santana de Cataguases e São Sebastião da Vargem Alegre com acesso pela rodovia Rio Bahia.
Origem
          Região de terras férteis e água de qualidade propícia para pastagens e cultivo de café, foram os motivos para o grande número de à região, após o fim do Ciclo do Ouro em Minas Gerais, no início do século XIX. Vieram pessoas de Minas e de vários lugares do Brasil, junto com suas famílias, bens e ainda, com seus escravos. Com isso, foram surgindo vários arraiais na Zona da Mata Mineira, que hoje são cidades, como Miraí.
          A cidade de Miraí surgiu a partir de um arraial, formado em 1853, no século XIX, com o nome de Arraial do Brejo, às margens do Rio Muriaé, ocupando uma pequena parte da Fazenda Três Barras. (fotografia acima de Brunno Estevão/@brunno_7)
          Seguindo as tradições da época, o arraial em formação, foi dedicado a Santo Antônio, crescendo em torno da pequena ermida, construída em honra ao santo. Em 1883, seu nome foi mudando para Santo Antônio do Camapuã.
          Com a chegada da ferrovia à região, em 1895, a Freguesia de Santo Antônio do Camapuã, à época subordinada a Cataguases, passou a ser cortada pelo ramal da Estrada de Ferro Cataguazes (com z mesmo, a grafia da época) chamado de Mirahy (a grafia da época), no tupi significa “terra molhada”. Em 1903 Santo Antônio do Camapuã passa a adotar o nome do ramal e estação, Mirahy.
           O trem de ferro transportava passageiros e a produção agropecuária da região, contribuindo em muito para o desenvolvimento econômico e social da região. Vários distritos foram emancipados e elevados à cidade, entre eles, Miraí, emancipada em 7 de setembro de 1923.
Atrativos de Miraí
          A cidade é bem cuidada, seu casario e arquitetura são bastante atraentes, além de oferecer boa qualidade de vida a seus moradores. Possui um comércio variado, hotéis, pousadas e restaurantes com comidas típicas.
          A Igreja de Santo Antônio e a Casa Paroquial, na Praça Dr. Miguel Pereira (na foto acima e abaixo de Bruno Estevão/@brunno_7) e a Praça Santa Rita, são os destaques urbanos de Miraí.
          Além disso, a cidade conta com o Museu Chácara Dona Catarina, o Museu da Eletricidade, o Memorial Nanzita, o Memorial da Fundação Cristiano Varella, a Ponte Metálica, dentre outros, como atrativos urbanos.
          Em Miraí encontra-se diversas cachoeiras e belezas naturais de Mata Atlântica, além de uma efervescente atividade cultural e religiosa durante o ano como eventos religiosos como a Festa de Santo Antônio, a Semana Santa, Corpus Christi, o Natal, etc. e festas tradicionais como o Carnaval.
          Miraí realiza um dos melhores carnavais da Zona da Mata Mineira, além de realizar o Encontro Nacional de Motociclistas e o tradicional Festival de Samba e Petiscos, eventos tradicionais da região.

O biscoito feito de queijo

(Por Arnaldo Silva) Mineiro conserva suas tradições centenárias, por isso é reconhecido como um povo conservador e tradicionalista. Torce o nariz para qualquer tentativa de mudar suas tradições, principalmente gastronômicas.
          Os sabores da cozinha mineira é uma tradição passada por gerações. São saberes e fazeres preservados em sua forma original desde o final do século XVII, quando o que é hoje Minas Gerais começou a surgir. (fotografia acima de Arnaldo Silva)
          São heranças de nossa cozinha deixadas por nossas decavós, passadas para nossas eneavós, octavós, septavós, hexavós, pentavós, tetravós, trisavós, avós e por fim, deixadas por nossas mães, que transmitem o legado da tradição aos filhos, conservando assim todos os sabores, saberes e fazeres de nossa cozinha, em sua forma original.
          Passa-se anos, décadas e séculos. O tempo muda, as roupas mudam, a arquitetura muda, a vida, as pessoas mudam, a tecnologia dá lugar à rusticidade antiga, mas as receitas tradicionais mineiras continuam intocadas.
          Nada mudou nos sabores, saberes e fazeres da cozinha mineira. Nossos pratos, queijos e quitandas, são preservados em sua originalidade, feito da mesma forma que há 300 anos.
          Uma dessas receitas é o biscoito de queijo, tradicional em Minas Gerais desde o século XVIII. Naquela época as medidas tinham como base as cuias e cuinhas de cuité, hoje, xícaras, copos e colheres. O que facilita a exatidão dos ingredientes.
          Vamos agora à receita original do biscoito de queijo:
Ingredientes
. 1 quilo de queijo Minas meia cura ralado
. 6 copos (americano) de polvilho azedo
. 1 ½ xícara (chá) de leite
. 1 copo (americano) de banha de porco
. 2 a 3 ovos
. ½ xícara (chá) de água fria
. ½ xícara (chá) de água morna que é para dar o ponto da massa
. Sal a gosto
. Banha para untar ou se preferir, manteiga
Modo de preparo
- Coloque todo o queijo ralado numa vasilha, o polvilho e misture.
- Despeje apenas 1 xícara do leite e mexa novamente.
- Aqueça a banha e coloque o restante do leite com a água fria, o sal e deixe no fogo até ferver.
- Despeje sobre o polvilho e mexa com uma colher até a massa esfriar.
- Acrescente aos poucos os ovos e comece a sovar a massa.
- Acrescente a água morna aos poucos até a massa ficar firme e desgrudando das mãos. Se precisar, acrescente mais polvilho.
- Faça os moldes dos biscoitos em forma de palito, anel ou ferradura e coloque-os numa fôrma untada com banha ou manteiga e leve ao forno pré-aquecido a 200°C por 15 minutos.
- Após esse tempo, baixe um pouco a temperatura e deixe assando até que fiquem dourados.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Facebook

Postagens populares

Seguidores