terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

As águas quentes de Poços de Caldas

As águas quentes, medicinais e sulfurosas de Poços de Caldas, no Sul de Minas, são ótimas alternativas para os dias frios. 
Turistas de várias partes do país e do mundo vem à Poços de Caldas atraídos pelas propriedades terapêuticas de suas águas. 
Por toda a cidade, são várias minas d´água que fazem de Poços de Caldas, a cidade das águas. É esse um dos maiores encantos e atrativo de Poços de Caldas. Água medicinal em abundância.
Bem no centro da cidade está o Balneário Dr. Mário Mourão. Suas águas veem diretamente da Fonte dos Macacos a uma temperatura de 41 graus. Possui uma ótima estrutura para receber os turistas. No local são realizados banhos de imersão em cabines individuais. Suas águas são muito procuradas no inverno. E é nessa época que a cidade fica mais movimentada onde os turistas vem em maior número para aproveitarem mais as águas quentes, já que o inverno na região é bastante rigoroso, com temperatura próximas ou até abaixo de 0 grau. 
Outro local muito visitado por turistas são as Thermas Antônio Carlos. O prédio de onde saem as águas termais é um suntuoso, requintado e luxuoso edifício, de belíssima arquitetura. Inaugurado na década de 1930, recebeu a visita de personagens ilustres de nossa historia, entre eles, Getúlio Vargas. Foi também cenário da novela Alto Astral da Rede Globo. 
As águas das Thermas brotam de três fontes a 45ºC, saindo das torneiras a 37ºC. As propriedades medicinais dessas águas são usadas para tratamentos de saúde e de beleza. São 59 banheiras de hidromassagem e ainda conta com áreas para banhos, academia, jardins de inverno, espelho d´água e uma piscina térmica. 
Além das águas quentes, sulfurosas e medicinais, Poços de Caldas tem outros atrativos como a Feira da Praça dos Macacos, aos domingos com produtos artesanais e da culinária local como doces diversos, o Santuário Mãe Rainha, Cristo Redentor Teleférico, Serra de São Domingos, Relógio Floral, Parque Walter World, a Fonte das Rosas, Fontes dos Amores, o Jardim Japonês, além de uma ótima rede hoteleira e excelentes restaurantes. (Texto e fotografias de Arnaldo Silva)

Os Bens Imateriais de Minas Gerais

A Constituição Federal define em seu artigo 216 sobre bem material e imaterial da seguinte forma: "as formas de expressão; os modos de criar; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico." (foto acima, artesanato de barro do Vale do Jequitinhonha, de autoria de Thelmo Lins em Minas Novas MG)
Os bens materiais e imateriais são importantes para o reconhecimento da identidade regional e brasileira. É o valor dado ao patrimônio preservado em sua origem por gerações.
Os bens culturais materiais estão presentes em nosso dia a dia como o patrimônio arquitetônico da cidade, uma edificação, uma construção de valor cultural, objetos de valor histórico. Os bens imateriais são aqueles relacionados ao modo de ser, viver e se expressar das pessoas e de uma comunidade. Assim sendo, os conhecimentos passados de geração em geração e todo tipo de manifestação cultural de forma coletiva de uma comunidade, através de sua religiosidade e da forma que expressão suas realidades, através da arte, da música, da pintura, da culinária. Ou seja, bem imaterial é a manifestação cultural, religiosa e artística de uma comunidade, de um povo. (foto acima, sino em São João Del Rei MG por César Reis)
 Em nível nacional, O IPHAM (Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional) que é o órgão que define os bens materiais e imateriais no Brasil, reconheceu como patrimônio imaterial do Brasil o modo de fazer Queijo Minas (nas regiões da Serra da Canastra, Serra do Salitre e do Serro), o Frevo, a Capoeira, A Feira de Caruaru no Recife, o Samba no Rio de Janeiro e a Festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Bélém do Pará. (foto acima das violas, patrimônio imaterial de Minas Gerais, feitas pelo "Seu" Cabral, luthier de Bom Despacho MG. Fotografia de Arnaldo Silva)
Em Minas Gerais temos bens materiais e imateriais, reconhecidos e inventariados pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artistico) que é o órgão estadual que define os patrimônios materiais e imateriais em Minas Gerais. Os municípios também tem seus Conselhos de Cultura, que definem os tombamentos de bens materiais e imateriais locais. 
Os Bens Imateriais: saberes, ofício e expressões artísticas como patrimônio cultural de natureza imaterial de Minas Gerais em ordem cronológica são:
1- Modo Artesanal de Fazer o Queijo da Região do Serro
O modo artesanal de fazer o Queijo do Serro é considerado patrimônio imaterial brasileiro, pelo Ipham desde 2008, mas antes disso, em 2004,  já era bem imaterial tombado pelo Iepha MG. O tombamento tanto nacional, quanto estadual, garante a proteção e conservação da técnica usada para fabricação desse queijo, feito com leite cru. (fotografia acima de Tiago Geisler em Serro MG)
2. O Toque dos Sinos em Minas Gerais 
O badalar dos sinos em São João del-Rei, Congonhas, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes é patrimônio imaterial do Brasil desde 2009, inventariado pelo Ipham. Os sons que ecoam do alto das torres das igreja de Minas não são apenas toques de sinos e sim, uma linguagem que pode anunciar missas, festas, velórios, Semana Santa, casamentos, batizados, rituais, etc.
O toque dos sinos são de acordo com a ocasião. Os moradores que vivem nessas cidades entendem a linguagem e os avisos dos toques. 
3 - O Ofício de Sineiro
O toque dos sinos é patrimônio imaterial do Brasil e também quem os toca. Ser sineiro não é apenas tocar um sino, literalmente. É entender a linguagem, a mensagem a ser transmitida à comunidade através dos toques. Para transmitir essa linguagem, necessita de um sineiro que consiga retransmitir de forma fiel as características dos sons, através do badalar dos sinos. A forma de tocar os sinos vem de geração em geração, já que não existe curso de formação de sineiro. São conhecimentos passados de séculos.
Devido a importância dos sineiros e para preservar a prática de tocar sinos nas cidades de Minas, bem como preservar esse ofício, em 2009, o Ipham tombou o ofício de sineiro em São João del-Rei (na foto acima de Limoncino Oliveira), Congonhas, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes como patrimônio imaterial do Brasil.
4 - Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte

A cidade de Chapada do Norte fica no Norte do Estado e sua origem é quilombola. 91% de sua população se declara negra. As tradições culturais são preservadas fielmente pelos descendentes dos quilombolas, geração por geração. A maior manifestação cultural do município, existente há mais de 200 anos, é a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.(na foto acima de Thelmo Lins) Por sua importância cultural, foi considerada bem imaterial  de Minas Gerais em 2013 pelo Iepha MG.
É uma manifestação  que revive toda a religiosidade do povo na mais expressiva forma de fé. A festa dura duas semanas com novenas, leilões, lavagem da igreja, quinta do angu, buscada da Santa, Mastro a cavalo, Reinado, Missa da Festa, distribuição do doce, coroação, buscado do cofre, Feira nos Mascates, Tambozeiros e Congada.
5 - Folias de Reis
A Folia de Reis foi declarada como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais em 6 de janeiro de 2017 pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). (fotografia acima de Luis Leite em Guaranésia MG, Sul de Minas) A Folia de Reis existe em Minas desde os tempos coloniais e é uma das principais manifestações religiosas do Estado de Minas Gerais.
No dia 6 de janeiro, marca a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus na manjedoura. Após a visita dos Reis Magos, Maria e José se sentiram seguros para saírem do local e seguiram seu caminho, já que se sentiam salvos da perseguição de Herodes. No dia seguinte arrumaram a manjedoura, juntaram seus pertences e partiram do local. Por isso que a festa é neste dia, onde os grupos de Folia saem às ruas da cidades e visitam as casas dos fiéis, simbolizando o fim dos festejos natalinos. No dia seguinte, os que preservam a tradição de montar presépios e enfeitar suas casas para o Natal, desmontam os presépios e retiram os enfeites e guardam. Como fez Maria e José, no dia seguinte após a visita dos Reis Magos, juntaram suas coisas, arrumaram o local e foram embora.
A Folia de Reis está presente praticamente em todas as regiões, cidades e distritos de Minas Gerais. É uma das mais fortes tradições mineiras.
6 -  Comunidade dos Arturos
Foi reconhecida como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais em 2014, sendo a primeira comunidade negra reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. A comunidade fica em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Seus membros são de ascendência negra, formada pelos descendentes de Arthur Camilo Silvério e Carmelinda Maria da Silva. Preservam sua cultura, tradições e expressões culturais através dos sons e ritmos dos tambores e danças presentes nas principais festas da comunidade como a Folia de Reis, no Candomblé, Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Festa do João do Mato, Festa da Abolição.
 7 - As violas
No dia 14/06/2018 a Viola passou a ser patrimônio imaterial de Minas Gerais, aprovado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural - Conep. Esse reconhecimento possibilita a preservação e compreensão maior do universo das violas, instrumento musical que faz parte da cultura, tradição e história de Minas Gerais. O som da viola mostra as várias Minas Gerais, suas crenças. folclore e estilos de vida, expressos nos sons das cordas e toques dos violeiros. É a identidade da cultura regional, em estilos diferentes, expressos num mesmo instrumento. Seja no Triângulo Mineiro, no Norte de Minas, no Centro Oeste, na Zona da Mata, em todas as regiões, a viola sintetiza os valores históricos e socioculturais das regiões mineiras. (foto acima violas fabricadas pelo luthier "Seu" Cabral, de Bom Despacho MG. Fotografia de Arnaldo Silva)
8 - Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango
O Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) reconheceu, no dia 24/10/2018, como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais, o quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, que na linguagem africana quer dizer "a casa da força de Iansã. A comunidade foi fundada em 1970 por Mãe Efigênia, descendente de índios e africanos que foram escravizados em Ouro Preto. A matriarca mudou-se para Belo Horizonte em 1955, vivendo no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de Belo Horizonte, formando a comunidade, hoje reconhecida pelo seu valor cultural e histórico para Minas Gerais. 
9 - O Artesanato de barro do Vale do Jequitinhonha

 O artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha é uma das maiores identidades regionais do Brasil. (foto ao lado de Márcia Porto em Araçuai MG) Uma arte que vem de gerações, que identifica a região e é uma das identidades Minas Gerais. Por esse valor, foi reconhecido como patrimônio imaterial de Minas Gerais. O Iepha  MG reconheceu o artesanato feito em barro no Alto, Médio e Baixo Rio Jequitinhonha como Patrimônio Imaterial de Minas, destacando 21 municípios onde o artesanato de barro é muito forte. Entre 21 municípios está Turmalina, Minas Novas, Ponto dos Volantes, Caraí, Itinga, Itaobim e Araçuaí. Esse reconhecimento é importantíssimo para os artesãos do Vale porque valoriza a atividade presente em todas as cidades da região e possibilita maior valorização do trabalho dos artesãos. (Por Arnaldo Silva)

domingo, 17 de fevereiro de 2019

Receita de Broa de Fubá

Uma das grandes protagonistas do café da manhã ou da tarde tradicional brasileiro é sem dúvida nenhuma a broa de fubá. De sabor único e que combina perfeitamente com o cafezinho nosso de cada dia, as chamadas broas ou broinhas de fubá têm algumas versões sobre o seu surgimento em nosso país.
Acredita-se que o prato tenha se popularizado no Brasil por conta da chegada dos portugueses e dos africanos, que difundiram e ampliaram o uso do milho e consequentemente do fubá em nossa culinária, principalmente nos estados de Minas Gerais e São Paulo.

Isso porque era principalmente nesses locais que os tropeiros costumavam cultivar o milho, algumas espécies deles de colheita super-rápida, que muitas vezes chegavam a apenas três meses de seu plantio. Já a receita de broa de fubá como conhecemos atualmente, foi introduzida por norte-americanos no ano de 1865, segundo o que acreditam alguns especialistas e historiadores. Essa raiz norte-americana pode ser comprovada pelo próprio nome da delícia, já que broa possui uma semelhança com a palavra Bread, que serve para denominar a palavra pão em inglês.

Mas a broa de fubá caiu mesmo no gosto do povo brasileiro em meados do século XIX, quando se tornou um petisco fundamental na mesa dos grandes fazendeiros, tendo o seu lugar garantido tanto em espaços rurais, como também em grandes centros urbanos onde elas podem ser encontradas facilmente em panificadoras e em cafés da manhã dos mais diversos tipos de hotéis.


O preparo, considerado fácil desde que sejam utilizados bons ingredientes dispostos nas quantidades corretas faz com que a delícia seja um verdadeiro hit, que além de sua versão mais tradicional feita com leite, margarina, açúcar, ovos e um toque de erva doce, também ganhassem outras releituras.


É possível encontrar receitas que levam coco, goiabada, doce de leite e até queijo. Também existem diferenciações no modo de preparo, transformando sua textura em cremosa, por exemplo.
Mas, a receita mais original e diferente ainda continua sendo as broas de fubá salgadas que levam uma infinidade de temperos e adicionais como presunto e queijo ou até mesmo uma linguiça calabresa, entre outros ingredientes. 

(fonte desta informação:http://www.matecouro.com.br/conheca-a-historia-da-broa-de-fuba-mate-couro/)
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RECEITA DA BROA DE FUBÁ
INGREDIENTES
3 xícaras (chá) de fubá comum

2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 ½ xícara (chá) de leite morno
¼ xícara (chá) de óleo
1 ovo
10 g de fermento biológico seco
½ xícara (chá) de açúcar
½ colher (sopa) de sal
1 colher (chá) de Erva-Doce
MODO DE PREPARO
Bata no liquidificador o leite, o óleo, o fubá, o ovo, o fermento, o açúcar e o sal até obter uma mistura homogênea.
Despeje a mistura em uma vasilha grande e junte a erva doce.
Acrescente a farinha de trigo aos poucos e sove bem, até que a massa desgrude das mãos.
Cubra a massa e deixe descansar por aproximadamente 1 hora.
Modele as broas, coloque em uma assadeira untada e enfarinhada e deixe crescer novamente por mais 1 hora.
Asse em forno, pré-aquecido a 200°C por aproximadamente 30 minutos ou até que a base das broas estejam coradas.

(fotografia de Marlon Arantes de Aiuruoca MG)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O triste fim do Benjamim Guimarães

        Foi construído no ano de 1913 pelo estaleiro James Rees & Com no Mississipi, Estados Unidos, chegou a navegar pelo Rio Mississipi antes de ser adquirido pela empresa da família do patriarca Benjamim Guimarães, na década de 1920, por isso o nome do barco.(foto acima de Rhomário Magalhaes) O Benjamim Guimarães foi trazido para Pirapora para navegar nas águas do Rio São Francisco, em viagens longas e continuas pelo rio e em seus afluentes, transportando passageiros e principalmente cargas. Saia de Pirapora no Norte de Minas, passando por várias cidades às margens do rio e ia até a Bahia.
        Com a ampliação da malha férrea para transporte de cargas e surgimento de estradas pavimentadas, bem como o aquecimento do  mercado de venda de automóveis e caminhões, a navegação pelo Rio São Francisco começou a entrar em decadência e se tornando cada vez menos frequente como embarcação de transporte de cargas e passageiros, até parar a partir da década de 1970. Ficou por anos abandonado. (fotografia ao lado de Rhomário Magalhães)
        A partir da década de 1980, o Benjamim Guimarães passou a fazer apenas viagens turísticas. Devido a sua importância cultural e histórica para Minas, em 1985, foi tombado como Patrimônio Histórico de Minas Gerais, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (IEPHA). Em 1986, já todo reformado e adaptado somente para viagens de turismo, foi reinaugurado com toda pompa em Pirapora MG.  
        Com a reforma feita, o Vapor passou a transportar 170 pessoas, entre tripulantes e passageiros. (foto acima de Sérgio Mourão) O barco possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo piso, estão instalados doze camarotes e no terceiro, um bar e área coberta. Atingia a velocidade de 15 km por hora. Essa velocidade baixa permitia ao turista contemplar as paisagens pelo trajeto e aproveitar mais a viagem.
        O combustível que movimenta o Vapor é simplesmente lenha. Consome um metro cúbico de lenha por hora, que faz com que o caldeirista tenha que abastecer constantemente a fornalha. É um trabalho duro, mas nenhum tripulante da embarcação reclamava. Todos tinham o maior prazer e orgulho em trabalhar no velho Benjamim Guimarães. (foto acima de Sérgio Mourão)
        O Benjamim Guimarães (na foto acima de Janaína Calaça) sempre foi a principal atração turística de Pirapora. Não há um morador da cidade que não tenha alguma lembrança, história para contar ou fotos do Benjamim Guimarães. Quando se fala em Pirapora, vem logo à mente, o barco navegando pelo Rio São Francisco. O vapor está incorporado à cidade, faz parte da identidade local e do povo que vive às margens do Rio São Francisco. É um cartão de Minas, orgulho do povo piraporense e mesmo se tornando apenas barco para turismo, ajudou a movimentar a economia local por décadas, já que o barco atraia todos os meses, centenas de turistas para a cidade. (foto abaixo de Lucas Vieira)
       Até aqui você percebeu que eu usei muito os verbos no tempo passado. É porque o Vapor Benjamim Guimarães não navega mais no Rio São Francisco. 
       O patrimônio de Minas, encontra-se encorado no porto de Pirapora desde 2014, quando foi proibido de navegar pela Capitania dos Portos do Rio São Francisco por apresentar problemas de segurança. Foi ancorado para ser reformado e desde então,nenhuma reforma foi feita ou sequer iniciada.
       A situação do Barco a Vapor Benjamim Guimarães hoje é totalmente diferente das fotos que você vê acima. 
       Suas ferragens estão enferrujando, as madeiras apodrecendo e o mato está tomando conta da embarcação. O patrimônio do povo de Minas está exposto a sol e chuva, se deteriorando, acabando, apodrecendo, definhando aos olhos de todos.
       O governo anterior se comprometeu a reformar o Benjamim Guimarães, já que é Patrimônio de Minas Gerais desde 1985 e cabe ao IEPHA, órgão do Governo do Estado, tomar as providências para preservar o patrimônio de Minas. Mas nada foi feito. Como todos sabem, o Estado de Minas Gerais está quebrado, sem dinheiro e mesmo que queira, o atual Governo não fará algo tão cedo, justamente por falta de dinheiro. Portanto, se as autoridades locais e sociedade piraporense em geral não se mobilizarem para reverter essa situação e encontrar uma solução rápida para salvar o Vapor, será tarde demais. 
        O definhamento do Benjamim Guimarães é um filme que estamos assistindo desde 2014, quando foi ancorado a espera de reformas. No momento, o final desse filme é o fim do Barco a Vapor Benjamim Guimarães. 
        Esperamos que o final do filme possa mudar. O vapor é o único no mundo, só existe em Minas. Só tem um. Esse filme tem que ter outro final que não seja a perda desse patrimônio de Pirapora e de Minas Gerais. (Por Arnaldo Silva)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Conheça Chapada Gaúcha

A cidade de Chapada Gaúcha fica no Norte de Minas e distante 722 km de Belo Horizonte e 350 km de Brasília. Faz divisa com os municípios de Januária, Pintópolis, São Francisco, Formoso, Arinos, e Urucuia. Segundo o IBGE, em 2018, o município contava com 13.397 habitantes. Apesar do pequeno número de habitantes, é um dos maiores municípios de Minas Gerais em extensão territorial com 3214.498 km2. (na foto abaixo, vista parcial da cidade de Chapada Gaúcha MG. Sem autoria identificada até o momento)
        A cidade foi formada por três distritos: Vila dos Gaúchos, Novo Horizonte e Serra das Araras, que pertenciam a São Francisco MG. Em 1994, já com o objetivo de se transformar em cidade, esses três distritos se uniram e numa votação entre os moradores, decidiram que seriam um único distrito que se chamaria Chapada Gaúcha. Nesse mesmo ano, em 19 de dezembro, a Câmara de Vereadores aprovou a criação do novo distrito, através de Lei nº 1523/94. Um ano depois, em 21 de dezembro de 1995, o distrito vira cidade através da Lei Estadual 12.030. No ano seguinte, em 1996, a cidade elegeu seu primeiro prefeito e seus primeiros vereadores. (na foto abaixo, de Vicente Queiroz, a Igreja Matriz de Santo Agostinho)
Mas porque o nome Chapada Gaúcha?
        A região hoje onde está o município possui terras muito férteis, ideal para o agronegócio. Na década de 1970 iniciou-se um projeto de assentamento, organizado pela antiga RuralMinas, que integrava os municípios de Formoso e Arinos, no Noroeste de Minas e Januária e São Francisco no Norte de Minas, denominado Padsa (Projeto de Assentamento Dirigido a Serra das Araras) 
        Por causa desse projeto, a partir de 1976, começaram a chegar na região migrantes vindos do Rio Grande do Sul, principalmente da cidade gaúcha de Chapada, atraídos pelo preço das terras, que eram muito baratas, em relação às terras do Sul. Vieram para produzir e trabalhar a terra, já que tinham bastante experiência em agricultura.
        As famílias gaúchas que chegaram, começaram construir suas casas e o local em que viviam passou a ser chamado de Vila dos Gaúchos. A cultura e tradição gaúcha era mantida pelos migrantes que com seus conhecimentos e vontade trabalhar, ajudaram em muito no desenvolvimento da região, além de deixar e manter um rico legado cultural, misturado com a cultura mineira, principalmente com a rica cultura do povo do Cerrado, bioma predominante na região. 
Chapada Gaúcha hoje
        Economicamente o município é um dos que mais cresce no Estado. Sua atividade econômica principal é o agronegócio onde predomina agricultura extensiva, mecanizada e com tecnologia avançada. 
        Sua principal atividade agrária é a produção de sementes de capim, sendo o município o maior produtor de sementes do país.
(a fotografia acima mostra a atividade agrária no município. Imagem sem autoria identificada até o momento)
        Além das atividade agrícola mecanizada, tem os pequenos agricultores que cultivam a terra da forma tradicional, produzindo para consumo próprio ou para o venderem no comércio. São produtos oriundos das atividades extrativistas, pesca, pecuária, artesanato, principalmente feitos com buritis, que é abundante na região. Com o apoio da Emater MG (
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais ) os pequenos produtores complementam suas rendas também com os frutos do Cerrado e produzem polpas, sementes, farinhas e óleos, para serem vendidos. Em muitos casos, as colheitas acontecem em mutirões e os produtos de seus trabalhos são vendidos para mercados de cidades mineiras e de outros estados como São Paulo, Rio de Janeiro de Distrito Federal. Os frutos do Cerrado e as delícias que desses frutos originam, ajudam também a enriquecer a merenda escolar das escolas do município. 
Potencial turístico
Além do agronegócio, cultura mineira e tradições gaúchas, Chapada Gaúcha MG tem um forte potencial para o turismo ecológico. 
É no município que está o maior parque ambiental do Cerrado, o Parque Nacional Grande Sertão Veredas (foto acima de Thelmo Lins). O nome é uma homenagem a uma das mais importantes obras literárias brasileiras, o romance Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, que retrata com extrema sensibilidade a realidade regional onde a unidade está inserida, repleta de passagens que descrevem os locais, a relação do homem com a natureza e as características culturais, ainda hoje encontradas. (foto abaixo de Thelmo Lins)
Ainda no município está o Parque Estadual da Serra das Araras, a Reserva de Desenvolvimento sustentável do Acari e várias reservas particulares (RPPN´s). A paisagem do Cerrado de Chapada Gaúcha MG possui uma rica fauna e flora, além de muitas cachoeiras e as tradicionais veredas com lindas palmeiras de buriti. (foto abaixo de Thelmo Lins)
Encontro dos Povos do Grande Sertão Veredas
        O município sedia com orgulho o encontro dos povos do grande sertão veredas. Esse encontro acontece todos os anos e já está em sua 18ª edição. Durante os dias de evento acontecem debates e palestras, além de comidas típicas, artesanato, oficinas, exposições, danças como batuque, tamanduá, catira e manzuá, manifestações religiosas populares como folias de reis e do divino, capoeira, quadrilha caipira, teatro, sarau,  apresentações de violeiros, repentistas e bandas de forró de sucesso nacional. Acontece também a famosa caminhada pelo "Caminho do Sertão". (abaixo, arte do fotógrafo e ambientalista Eduardo Gomes)
A Festa de Santo Antônio de Serra das Araras
        Apesar de ser um município novo, Chapada Gaúcha preserva uma das mais antigas festas de Minas Gerais. A festa de Santo Antônio de Serra das Araras. Esse evento religioso é realizado há mais de 100 anos no distrito de Serra das Araras, geralmente no mês de junho.

        Durante os dias da festa, o pequeno distrito recebe milhares de romeiros, devotos de Santo Antônio e pagadores de promessas da região e de várias outras cidades. Chegam ao distrito a pé, em peregrinação, em carros, caravanas, a cavalo. 
        Vão para agradecer  a Deus as graças recebidas pela intercessão do santo, carinhosamente chamado pelos fiéis de Santo Antônio da Serra das Araras. Essa manifestação de fé do povo em Santo Antônio é narrada no livro de Guimarães Rosa, Grande Sertão Veredas. Para o povo da região, é a fé no Santo dos Pobres, no Santo do Povo Sofredor.
        A presença de tanta gente muda a rotina do pequeno vilarejo que  durante os dias do evento já que durante a festa religiosa,  acontecem shows com artistas locais e regionais, tem cavalgadas,  grupos de motociclistas e barracas com comidas típicas. Esse evento ajuda a movimentar a economia local.
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Algumas fotos não tem autoria identificada, infelizmente, mas assim que identificarmos os autores, os créditos serão inseridos. Estamos a procura de novas fotos e mais fatos sobre a cidade de Chapada Gaúcha. Assim que tivermos, serão inseridos na matéria.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Uma relação de amor

*Por Maria Eugênia de Viveiros
        Meu amor por você transcende à carência; vem da essência, do momento em que você pensou em mim, não como uma pessoa real, mas como uma possibilidade. Ou até mesmo como um desejo que toda mulher tem um dia; o de ser mãe.
        E aposto que, quando você pensava nessa pré-possibilidade, digamos que ainda longínquo desejo de ter um filho, a figura que vinha diante dos olhos da sua alma tinha o meu rosto.
        Posso jurar, também, que para mim a figura de alguém que seria a esperança de que eu viesse ao mundo, tinha a sua cara, o seu jeito e até o seu nome...
        Eu sonhava com você antes mesmo de pensar em fazer parte da sua vida e de algum modo sabia, mesmo quando a gente ainda não sabe de nada, que o destino nos faria predestinadas: você a ser minha mãe e eu a ser sua filha.
        Ou será que foi ao contrário?
        Ao longo do tempo, esta delicada relação entre nós ultrapassou a tênue linha que separava nossos papéis e tudo se misturou... Por tantos dias você foi minha mãe e eu sua filha... em tantos outros, eu troquei de lugar com você.
        E cuidamo-nos com desvelos, zelos...nos demos todo o amor que estava dentro de nós...
        Construímos nossas vidas olhando uma para a outra, participamos de cada passo à frente, de cada queda, nos demos as mãos, nos largamos, nos abraçamos novamente.
        Mas não teremos nunca que agradecer nada do que nos proporcionamos: eu não teria crescido sem a sua proteção e você não envelheceria sem o meu carinho...
        Pois, quando viemos ao mundo, sabíamos que nossa relação de amor seria especial: você foi a mãe que eu escolheria todas as vezes que tivesse esta chance e eu, a filha eleita do seu coração... seja lá em que ordem isto acontecesse.

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*Maria Eugênia de Viveiros é advogada, escritora e mora no Rio de Janeiro.
Publicado com autorização para Conheça Minas.
Imagem ilustrativa. Flores de Jacarandá de Arnaldo Silva

A saudade fala português

*Por Maria Eugênia de Viveiros
        Eu tenho saudades de tudo que marcou a minha vida . Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades... 
        Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei... 
        Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou vir a ter, se Deus quiser...
        Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
        Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
        Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei, de quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
        Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito; daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre; de coisas que eu tive e de outras que não tive mas quis muito ter; de coisas que nem sei que existiram mas que se soubesse, decerto gostaria de experimentar;
        Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
        Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade;
        Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
        Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha saudade, por eu ter nascido brasileira, só fala português embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
        Aliás, dizem que se costuma usar sempre a língua pátria, espontaneamente, quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor e declarar sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo estejamos. 
        Eu acredito que um simples “I miss you”, ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha. 
        Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas. 
        E é por isso que eu tenho mais saudades...
        Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida e de sentimentos.
        Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos muito do que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...
        Sentir saudades, é sinal de que se está vivo!

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*Maria Eugênia de Viveiros é advogada, escritora e mora no Rio de Janeiro. 
Artigo publicado com autorização para Conheça Minas  
Imagem ilustrativa de autoria de Sueli Santos em Dores do Indaiá MG

Santa Rita de Ouro Preto

Santa Rita de Ouro Preto, distrito de Ouro Preto, dista 30 km da sede e está a uma altitude média de 1030 metros. (na foto abaixo, de autoria de Marselha Rufino, a linda paisagem do distrito)
O distrito de Santa Rita é conhecido como a Capital da Pedra-Sabão, por concentrar artesãos na arte de esculpir a pedra-sabão. Seus primeiros habitantes chegaram no início do século XVIII, com a bandeira de Martinho de Vasconcelos, à procura do ouro às margens do Ribeirão Falcão, mas encontraram em abundância a esteatita, conhecida como pedra-sabão. 
A origem do nome se deve à devoção à Santa Rita de Cássia, imagem trazida pelos bandeirantes tornando-se a santa de devoção da população da cidade. Passou a chamar de Santa Rita de Ouro Preto quando foi elevado a distrito. 
História do Distrito
Ao chegarem à região das minas, os bandeirantes que se espalharam por toda Minas Gerais, seguiram às margens do rio na busca do ouro, em Santa Rita, foram escavadas às margens do Ribeirão do Falcão. O lugar sempre foi conhecido até 1938 por Santa Rita de Cássia, porém, quando é elevado à categoria de distrito, e para distingui-lo, deram-lhe a denominação de Santa Rita de Ouro Preto. (a fotografia ao lado foi extraída do site minutomais.com, mas sem autoria identificada)
A igreja foi construída em pedra, barro e madeira, todos muito abundantes na região, a santa trazida pelos tropeiros era italiana e toda feita em madeira, o medalhão que ornamentava foi todo construído em pedra-sabão, com dois anjos, um de cada lado, segurando as alças de um cálice que sustentava uma hóstia, trazendo a inscrição com a data de 1734. A capela-mor ainda era ornada com mais alguns anjos e balaústres de pedra-sabão e depois vinha o corpo da igreja onde colocaram alguns bancos para maior comodidade dos serviços religiosos. 
Santa Rita começa a se urbanizar por volta de 1940, onde inúmeras atividades começam a se desenvolver, como a fabricação do pó de pedra-sabão para as indústrias químicas e metalúrgicas e a produção de panela de pedra para serem vendidos em toda a região, ambos extraídos de pedreiras locais. 
A população chega ao requinte de adquirir um projetor de filme, montando uma pequena sala de cinema em uma das casas da praça central. As festas religiosas convencionais também são feitas em Santa Rita, como o mês de Maria, a Semana Santa e o Natal, a festa mais importante é a da padroeira Santa Rita de Cássia, comemorada no dia 22 de maio com novena, alvorada, missa solene, levantamento de mastro, procissão, e nos últimos quinze anos introduziram o desfile com carros alegóricos com encenação de fatos importantes na vida da santa.  Em 1964 a antiga ermida é totalmente destruída. Em seu lugar foi erguida uma ampla, com detalhes mais modernos. Foram conservados os acervos da antiga capela.
O trabalho com a pedra-sabão ganha novo impulso na década de 70, algumas indústrias passaram a beneficiar o pó do minério da pedra-sabão que, dependendo da qualidade, pode ser utilizado nas indústrias de produção de massa plásticas, azulejo, tintas, pneus, e perfumaria. São poucas as fábricas que conseguiram desenvolver tecnologia produzindo peças em série, como a forma para pizza de panela de pedra. 
(fonte:https://pt.wikipedia.org/wiki/Santa_Rita_de_Ouro_Preto)

A Cachoeira de Carlos Euler

Carlos Euller é o 1° distrito do município de Passa Vinte MG, no Sul de Minas Gerais.Tem acesso por estrada municipal e dista cerca de 13 quilômetros do Centro da cidade. (foto acima da Cachoeira de Carlos Euler, de autorai de Thatiana Fabiana) Sua principal atividade econômica é a agricultura e possui cerca de 300 habitantes. 
A origem do nome Carlos Euller vem de um engenheiro de origem alemã. Seu nome, pronunciado como "OILER", acabou, aportuguesadamente, como "EULER". Antes de receber este nome, o arraial de Carlos Euller chamava-se Pouso Alegre, nome dado pelos tropeiros que ali passavam e paravam para seu descanso e de sua tropa. Eles repousavam onde se localiza a antiga venda do arraial (CASA COMMERCIAL FORTUNATO NARDELLI) e seus animais ficavam nos dois morros em frente à sede da fazenda, propriedade do casal Fortunato e Corinna Nardelli. 
O engenheiro Nardelli, oriundo do Tirol do Sul (na época pertencente ao Império Austríaco, hoje à Itália) também foi responsável pela construção da estação, da subestação e de algumas casas(Ex: Casa do sr. Wilson Nardelli), além da pequena capela, esta foi erguida como presente da empresa à srª. Corinna Nardelli, por agradecimento à sua hospitalidade com os "forasteiros" em sua fazenda. (fotografia acima de Mércia Silva)
Cachoeira
A principal atração do distrito é a Cachoeira Carlos Euler, distante apenas 5 minutos da sede do distrito, com cerca de 800 metros de trilhas que pode ser percorrida a pé ou de bike. De longe já impressiona pela grandeza.É muito procurada por banhistas e amantes das trilhas. Á água é cristalina e bem gelada. A paisagem em torno da cachoeira é deslumbrante. (fonte parcial: Wikipédia)

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Artesanato mineiro

A diversidade de Minas Gerais está espelhada também na riqueza de seu artesanato, trabalhado em pedra, barro, madeira, prata, estanho e fibra trançada. Conhecer esse talento regional é fazer uma viagem pelos caminhos das Minas e das Gerais.(na foto acima de Sônia Fraga )
O artesanato em cerâmica, de origem indígena e desenvolvido especialmente nos vales do Jequitinhonha e São Francisco, é dos mais difundidos da produção mineira. Os ceramistas, geralmente, produzem objetos utilitários ou representativos, como potes, panelas, vasos, cachimbos e imagens.(na foto acima, artesanato em cerâmica de Capelinha MG. Fotografia de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
O trabalho em pedra-sabão predomina em Ouro Preto, Congonhas, Mariana e Serro e também se concentra em objetos utilitários ou figurativos. Já o artesanato em madeira é produzido em regiões diversas do Estado, sendo as peças mais comuns as imagens de santos ou personagens históricas. (na foto acima, artesanato em pedra sabão de Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto MG. Foto de Arnaldo Silva)
Os bordados, os trançados em talas, bambu e fibras têxteis, os crochês e tricô e o trabalho em couro estão espalhados por várias partes de Minas Gerais. Também não podem ser esquecidas as obras artesanais em funilaria, tecelagem e em prata; as peças em cobre, folha de flandres e outros metais, em Ouro Preto e Viçosa; ou as que são produzidas em estanho (São João Del Rei) e em prata (nas cidades de Tiradentes, Serro e Diamantina). (na foto acima, de autoria de Josiano Melo, o diversificado artesanato de Lavras Novas, distrito de Ouro Preto MG)
Fonte: https://www.mg.gov.br/conheca-minas/artesanato

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O segredo do queijo canastra

A culinária mineira é rica em sabores, ingredientes e possui uma variedade de pratos que certamente agradam a todos. Alguns alcançaram fama e popularidade fora do estado mineiro e também mundial, como é o caso do famoso queijo da canastra.

Serra da Canastra é um dos mais fortes pontos turísticos de Minas Gerais, seja por suas belas paisagens, cachoeiras e rios, mas também por ser de lá o local de fabricação do queijo da canastra.
O Segredo

A produção do queijo começou há cerca de 200 anos, durante o período de colonização, junto dos portugueses. A receita básica trazida por eles foi adaptada ao local, como por exemplo a utilização do leite cru ao invés do pasteurizado. Mas além disso outras características únicas do local fazem da receita do queijo da canastra uma receita exclusiva: o clima, temperatura e as bactérias da fauna local.

Até hoje, o queijo é feito de maneira artesanal e em algumas fazendas produtoras, somente por mulheres. O processo ao todo leva em média 20 dias, período que engloba a ordenha da vaca e a maturação completa do queijo.

Para fazer o queijo, além do leite e do coalho, a receita recebe um fermento líquido chamado pingo, que é basicamente o soro do leite da leva anterior dos queijos. Após este leite coalhar, ele vira uma especia de massa e é retirado manualmente do tambor e colocado em formas redondas. Por cima do queijo é colocado cuidadosamente sal grosso. Depois de tudo isso o queijo é retirado da forma e levado para secar em prateleiras arejadas.

O Queijo da Canastra após comprado deve ser conservado em local fresco e ventilado, de preferência em cima de uma tábua de madeira, lembrando -se de virá-lo uma vez por dia. Guardado em sacos plásticos pode estragar e na geladeira fica ressecado.
Conclusão

Sua forma de consumo também varia de acordo com seu tempo de cura. Quanto mais demorado o processo de “cura do queijo” mais dourada fica a sua cor, adquirindo também um endurecimento da sua casca. É um ótimo acompanhamento para vinhos, cervejas e cachaças.

E então, na sua próxima viagem a Minas Gerais, dê uma passadinha na Serra da Canastra para apreciar este maravilhoso e popular queijo, acompanhado de uma tradicional cachaça mineira!

Quer ter este e outros produtos mineiros na sua casa todos os meses? 
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Este artigo teve como fonte os seguintes endereços:
http://www.serradacanastra.com.br/atracoes/queijo-canastra
https://super.abril.com.br/sociedade/a-saga-do-queijo-canastra/
http://overlanderbrasil.com/segredos-da-canastra-o-queijo/
https://www.queijariaalpi.com.br/blogs/guiaalpino/queijo-canastra-como-conservar-e-curar
Link original da publicação:https://minaslovers.com.br/blog/artigo/o-segredo-do-queijo-da-canastra-68 - Imagem ilustrativa. Fotografia de Lucas Rodrigues - Queijo do Dinho em Piumhi MG
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Serra do Curral em Belo Horizonte

Principal fonte de inspiração para o nome de batismo de Belo Horizonte, a serra do Curral serve de moldura para a cidade, com uma extensão de 11 quilômetros e altitude de até 1.390 metros em seu ponto mais alto. As curvas de suas montanhas podem ser vistas de grande parte dos bairros capital e se tornaram um dos motivos de orgulho dos seus moradores. Nos fins de semana, centenas de pessoas visitam o bairro Mangabeiras, no sopé da serra, para passear ou fazer caminhadas. Uma das atrações da região é a praça do Papa, que ganhou este nome depois que João Paulo 2º rezou ali uma missa durante visita ao Brasil, em 1980.

A origem de seu nome é semelhante à de Belo Horizonte, antes conhecida como arraial do Curral del Rey, após a fundação da Fazenda do Cercado, em 1701, pelo bandeirante paulista João Leite da Silva Ortiz. No final do século 19, com a construção da nova capital mineira e conseqüente destruição do antigo arraial, a serra começou a ser valorizada pelas boas condições climáticas e temperatura agradável.


O seu ponto mais alto é o pico de Ferro. A serra faz a divisa de Belo Horizonte, a sudeste, com o município de Nova Lima. Sua formação geológica apresenta rochas ricas em ferro, o que motivou a exploração desordenada de suas jazidas, com impacto ambiental e descaracterização da paisagem. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tombou a serra do Curral em 1960, incluindo o conjunto paisagístico do pico e de sua parte mais baixa e nobre. Em 1991, o alinhamento das montanhas também foi incluído como bem tombado para fins de preservação.
Fonte: Baseado no inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/serra-do-curral

domingo, 3 de fevereiro de 2019

Conheça Brumadinho

Brumadinho está localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte e sua população estimada em 2018 era de 39.520 habitantes, segundo o IBGE. Faz divisa com os municípios de Ibirité, Sarzedo, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Igarapé, Itatiaiuçu, Rio Manso, Bonfim, Belo Vale, Moeda, Itabirito, Nova Lima e Belo Horizonte, estando apenas a 51 km de distância da capital. (fotografia acima de Sônia Fraga)
Etimologia
O nome "Brumadinho" deriva-se do nome do povoado que deu origem à cidade. A região do vale do Paraopeba foi ocupada por bandeirantes no fim do século XVII. Nessa época, foram fundados os povoados de São José do Paraopeba, Piedade do Paraopeba, Aranha e Brumado do Paraopeba, também conhecido como Brumado Velho. Este nome deve-se às brumas comuns em toda a região montanhosa em que se situa o município, especialmente no período da manhã. (Entre Brumadinho e São Joaquim de Bicas às margens do Rio Paraopeba vive a tribo dos índios Pataxós Hã, Hã, Hãe. O portal de entrada da cidade tem um monumento em homenagem ao índio vaqueiro. Na foto ao lado do Barbosa) Segundo informações do Portal Uai/Jornal O Estado de Minas de 29/01/2019As famílias pataxós vivem à margem do Rio Paraopeba há cerca de um ano e meio, boa parte deles provenientes do Sul da Bahia. A Funai fez a qualificação fundiária, que é o passo inicial para que a área seja reconhecida como pertencente aos pataxós hã-hã-hãe."
Geografia

O município de Brumadinho é cortado pelas rodovias BR-381 (São Paulo-Belo Horizonte) e BR-040 (Rio de Janeiro-Belo Horizonte), sendo possível chegar à sede municipal a partir de ambas as rodovias. O acesso mais curto da capital à cidade de Brumadinho é pela rodovia MG-040, a chamada Via do Minério, uma estrada mais direta que sai da região do Barreiro, na parte sudoeste da capital, e atravessa os municípios de Ibirité e Mário Campos antes de chegar a Brumadinho. Há uma curta divisa direta de Brumadinho com o município da capital, localizada entre uma remota área montanhosa, de difícil acesso. (na foto acima, do Barbosa, a chegada à cidade)
Apesar de sua pequena população, Brumadinho se destaca na Região Metropolitana de Belo Horizonte por causa de seus grandes mananciais de água, possibilitados pela extensão relativamente grande do município e pelo relevo montanhoso. (na foto acima do Barbosa, paisagem de Casa Branca) Um quarto da água que abastece a região metropolitana vem dos mananciais de Brumadinho e dos municípios vizinhos, através dos sistemas Rio Manso e Catarina, operados pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (COPASA).
Ainda no município, há uma grande lavra de água mineral, explorada pela empresa Hidrobrás e comercializada sob a marca "Ingá". Segundo o jornal Estado de Minas, "a maior fonte de água mineral do mundo" estaria localizada na serra que separa os municípios de Brumadinho e Mário Campos.
Distritos e bairros rurais

Brumadinho possui 4 distritos: Aranha, Conceição de Itaguá, Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa), São José do Paraopeba
Bairros rurais e povoados: Aranha, Águas Claras, Casa Branca, Coronel Eurico, Córrego do Feijão, Córrego Fundo, Eixo Quebrado, Encosta da Serra da Moeda, Marinhos, Melo Franco, Monte Cristo, Palhano, Parque da Cachoeira, Quilombos do Sapé, Retiro do Brumado, Suzana, Toca e Tijuco (na foto acima do Barbosa)
Economia
A mineração é a principal atividade econômica, responsável por cerca de 65% da arredação do município. A cidade tem um comércio variado, com pousadas, hotéis, restaurantes, bares, etc para atender um fluxo grande de turismo que todos os dias vem à cidade para conhecer suas belezas naturais e o Inhotim (na foto acima de Sônia Fraga). Graças às suas belas paisagens, o turismo ecológico é muito forte em Brumadinho.
Circundado por pelo menos quatro serras, entre elas a do Rola-Moça e a da Moeda, Brumadinho começou a explorar, sobretudo recentemente, as paisagens naturais. O número de leitos de hotelaria saltou de 300 em 2008 para 1300 no levantamento de 2016. (na foto acima do Barbosa)
Embora o turismo no município ainda seja considerado recente e contribui com uma pequena parcela das receitas municipais, centenas de empreendedores dependem do setor em Brumadinho, que possuía até então, inúmeros atrativos turísticos, turismo cultural e ecológico que também movimentam a economia local, a exemplo: 
o Parque Estadual da Serra do Rola-Moça (na foto acima de Eliane Torino), a Serra da Moeda (local de prática de esportes radicais), o circuito turístico de Veredas do Paraopeba, que engloba vários conjuntos paisagísticos e que são considerados patrimônios históricos tombados pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais, onde incluem edificações construídas no século XVIII, a exemplo da Fazenda dos Martins, o povoado  histórico de Piedade do Paraopeba,  
a histórica tri-centenária Igreja Nossa Senhora da Piedade inaugurada em 1713 (na foto ao lado do Barbosa) com ricos elementos artísticos e sacros, a Igreja Nossa Senhora das Dores na localidade de Córrego do Feijão, o distrito de Casa Branca, vilarejo rodeado por montanhas, abrigando pousadas e uma gastronomia baseada na culinária tradicional mineira, e o Instituto Inhotim (na foto abaixo de Sônia Fraga), o maior museu a céu aberto da América Latina, com uma das mais expressivas coleções de arte contemporânea do Brasil, no distrito de mesmo nome; que atraem muitas pessoas pela quantidade de belezas locais e regionais.
A Corporação Musical Banda São Sebastião, fundada em 13 de maio de 1929 por Tarcílio Gomes da Costa, é uma atração à parte e é inclusive mais antiga que a própria instalação do município de Brumadinho, tendo completado 80 anos de existência em 2009.
Principais pontos turísticos:
Instituto Inhotim - Centro de Arte Contemporânea, Mansão Matosinhos, Estação de Marinhos, Fazenda dos Martins (na foto acima do Barbosa), Topo do Mundo Bar e Restaurante, Arvorismo em Casa Branca, Clube de Voo Livre, Safári Rural, Serra da Moeda, Serra do Rola Moça, Mirante dos Veados,
Templo Budista (na foto acima do Barbosa), Forte de Brumadinho, Túnel do Sapê.
Principais eventos Culturais
Rodeio de Brumadinho; Dezembrega; Folia Sertaneja; Festa de São Sebastião, Jubileu de Nossa Senhora das Mercês, Festa da Cachaça, Festa da Mexerica, Festa do Milho, Festa da Jabuticaba

Fonte parcial: https://pt.wikipedia.org/wiki/Brumadinho - Ilustrações nossa