segunda-feira, 22 de abril de 2019

São Tiago: a terra do Café com Biscoito

“Entra, vou passar o cafezinho e fazer biscoitos pra nós”. Ouvir isso é comum em São Tiago, cidade mineira encravada nas colinas do Campo das Vertentes, a 190 km de Belo Horizonte. As visitas vão logo pra cozinha. É uma das mineiridades, aprendidas em casa, desde os tempos antigos, como as receitas de biscoitos.(foto acima de Sérgio Mourão)
Desde o século 19, São Tiago tem fama de ser a cidade do Café com Biscoito. É uma tradição preservada há mais de 150 anos, graças ao amor à arte de fazer biscoitos, vocação antiga de todos os moradores. (foto ao lado de Sônia Fraga) Difícil não encontrar na cidade uma família que não tenha a vocação para fazer biscoitos. As receitas são de família, preservadas de geração a geração e biscoitos de qualidade, raramente encontrados fora de São Tiago. Toda cidade se envolve na produção de biscoitos. Movimenta a economia e sustenta famílias. Isso é o que difere São Tiago das outras cidades mineiras: a qualidade e sabor único dos biscoitos feitos na cidade. 
Segundo dados do IBGE, pelos menos 1/3 dos moradores 10.892 moradores de São Tiago trabalham na produção de biscoitos para a venda. São cerca de oito mil toneladas por ano de biscoitos vendidos na região e em quatro estados brasileiros. É um mercado em constante crescimento que favorece o sucesso profissional dos pequenos produtores artesanais de biscoitos e empresários locais que investem no setor, bem como gera emprego e melhores para o município com impostos.
Pra se ter ideia da vocação e talento do povo são-tiaguense na arte de fazer biscoitos, existe em São Tiago mais de 100 tipos de biscoitos diferentes que deixa o visitante de água na boca. Essa centena de biscoitos conquistou selo de procedência do Instituto Nacional de Proteção Industrial (INPI). É a garantia de que os biscoitos feitos em São Tiago, são únicos, não tem igual em outro lugar. (foto acima de Sônia Fraga)
Esses biscoitos podem ser degustados, adquiridos e conhecidos na festa anual do Café com Biscoito (na foto acima de Sérgio Mourão) que acontece regularmente no SEGUNDO FIM DE SEMANA DO MÊS DE SETEMBRO. São Tiago faz divisa com Ritápolis, Resende Costa, Conceição da Barra, Nazareno, Bom Sucesso e Oliveira. 
(Por Arnaldo Silva)

domingo, 21 de abril de 2019

O que é e como preparar um Café Colonial mineiro?

A cozinha mineira sempre foi farta. Desde os tempos do Brasil Colônia a fartura sempre esteve na mesa dos mineiros. Visitas vão logo para a cozinha e sempre tem quitandas, café, queijo e doces à vontade. O mineiro faz questão de mostrar sua culinária e agradar as visitas, com muita comida. É assim até hoje. (na foto acima de Amauri Lima, café na Praça da Matriz de São João Batista do Glória MG)
O que para nós é comum, mesa farta, vem sendo normal no Brasil hoje, com o nome de Café Colonial. Em eventos sociais, em restaurantes, e pousadas, sempre tem o famoso café colonial. À primeira vista acredita-se que seja uma prática dos tempos do Brasil Colônia, mas não é. (foto ao lado de Chico do Vale)
A origem do café colonial é do Sul do país. É típico das cidades de origem alemã, polonesa e ucraniana dos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Começou no início do século XX, com a chegada dos imigrantes europeus. Nas colonias, promoviam cafés em suas comunidades, com os produtos artesanais de seus países de origem como pães, manteiga, queijos, chimia, bolos, presuntos, leite, café, chocolate quente, vinho, salsicha, cuca, carne de porco e de marreco, roscas, chucrute, biscoitos, keschmier, mel e outros produtos. Todos os colonos participavam e os produtos eram postos em mesas, geralmente no centro da comunidade. Assim surgia o café colonial, com origem nos colonos, oriundos da Europa. Era uma forma de matar saudades e preservar a culinária de seus países de origem.
Embora tenha o nome de café, não é bem um café. Na sua versão original e uma refeição para ser degustada a qualquer hora do dia.
A ideia começou a se difundir pelo Brasil e hoje é muito comum em Minas Gerais, principalmente em eventos gastronômicos e em hotéis fazendas. (foto acima de Sérgio Mourão) A diferença é que o café colonial mineiro é realmente um café com o objetivo de mostrar e valorizar os produtos artesanais feitos em Minas Gerais.

Para montar uma mesa de café colonial mineiro esses produtos não pode faltar nunca na mesa
1 - Café e leite: Valorize o café plantado e colhido em sua cidade, bem como o leite também. Leite cru, fervido é o ideal. Se não tiver cafezais em sua cidade, compre café, mas que seja de Minas Gerais, até porque, o melhor café do Brasil é de Minas. Café bom é aquele torrado e moído na hora, coado em coador de pano e adoçado com rapadura.
2 - Pão de Queijo e Biscoito de Queijo: Impossível não ter um café colonial em Minas com pão de queijo e biscoito de queijo. São nossas identidades. (foto de Saulo Guglielmelli em Passa Tempo MG)
3 - Queijo. Quem vem à Minas ou é de Minas, não resiste ao queijo. Mineiro se ver um queijo rolando morro abaixo,corre para pegá-lo. É uma ofensa para um mineiro não ter queijo num café colonial. Prefira os queijos fabricados em sua cidade.
4 - Doces. Onde tem queijo, tem que ter doce. Não pode faltar doce de leite, de mamão, de figo e claro, goiabada. Não tem quem não resista combinar esses doces com queijo.
5 - Pães e roscas. Faça pão de sal caseiro e coloque na mesa, bem como as roscas de leite condensado, de coco e a famosa rosca Rainha.
6 - Broas. Broa de fubá com queijo é deliciosa demais. As broas de milho no café colonial, por exemplo, broa Caxambu (na foto abaixo), ninguém vai resistir. As broinhas de fubá de canjica são deliciosas para um café. 
7 - Bolos e Bolinhos. Num café colonial tem que ter bolo, principalmente o bolo de fubá. Esse não pode faltar. Prepare um bolo de fubá na forma tradicional, assado no fogão a lenha, na chapa com brasa. Coloque o bolo na fôrma sobre a mesa. (na foto abaixo de Carias Frascoli) O cheirinho de fazenda desse bolo é indescritível!
Bolo de mandioca cremoso é ótimo, bem como bolo de farinha de trigo e bolo de cenoura com calda de chocolate.
E os bolinhos? Bolinho de Chuva, bolinho de arroz e bolinho de queijo tem que ter na mesa.
8 - Farofa e Fubá Suado. Mineiro adora farofa. Já ouviu falar do Mineiro de Botas? É uma farofa de queijo. Pode fazer que é bom. Experimente fazer o Fubá Suado. Os mais antigos lembram desse prato. Para o café da manhã dá uma energia enorme.
9 - Biscoitos. Mineiro adora biscoito de polvilho, seja salgado ou doce, frito ou assado. Não pode faltar na mesa.
10 - Milho. O milho faz parte da nossa culinária desde o povoamento do nosso Estado. Milho cozido com manteiga caseira tem que ter. Mingau de milho verde não pode faltar e claro, pamonha nem precisa dizer porque né?
Esses 10 itens não podem faltar num café colonial. Prepare uma mesa bem bonita, com forro feito com bordados de sua cidade. (na foto acima de Nilza Leonel nossos tradicionais doces) Decore com vinhos, licores, sucos naturais e artesanatos locais. O objetivo do café colonial é mostrar os produtos de sua cidade e região. Uma mesa assim ninguém irá resistir não é? Texto de Arnaldo Silva 

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Catas Altas: lugar sagrado nos Alpes Mineiros

Catas Altas tem pouco mais de cinco mil habitantes, distante apenas 120 km de Belo Horizonte. Faz divisa com Santa Bárbara, Alvinópolis e Mariana. (foto acima de Elvira Nascimento)Construída aos pés da Cordilheira do Espinhaço, também chamada de Alpes Mineiros, Catas Altas é uma típica cidade do interior mineiro, com tradição, história e uma culinária riquíssima. É uma das mais tradicionais na produção de vinhos em Minas. São 120 anos de tradição vinícola, em especial, o vinho de jabuticaba.
O município surgiu com a descoberta do ouro em Minas Gerais por volta de 1700. Foi esse ouro que ajudou no desenvolvimento do município e a definir suas tradições e cultura, ao longo dos mais de 300 anos de existência do de Catas Altas. 
Uma relíquia do período da extração de ouro em Catas Altas é o Bicame de Pedra (na foto acima de Marley Mello). Um aqueduto de 12 km, totalmente em pedras, feito pelos escravos com a finalidade de levar água para a cidade e abastecer a mineração. Restam apenas 200 metros do aqueduto, aberto à visitação.
 A cidade tem um belo e preservado casario, boas pousadas e natureza exuberante, mesmo com a mineração atuante na cidade, as belezas naturais locais são preservadas. (foto acima de Marley Mello) Em Catas Altas está o Santuário do Caraça, um dos lugares mais visitados em Minas Gerais e no centro da cidade, pode se contemplar o fabuloso maciço rochoso da Cordilheira do Espinhaço.
A Praça Monsenhor Mendes é o coração de Catas Altas. Nela, pode ser visto a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (na foto acima de Elvira Nascimento), fundada em 1739 e em seu entorno, um belo e preservado casario do período barroco.
A Igreja de Santa Quitéria (na foto acima de Arnaldo Quintão) é uma das mais visitadas e fotografadas da cidade. Fica no alto de uma colina é uma das mais visitadas. A Igreja é pitoresca, singela, no estilo barroco, do século 18.
Outra igreja, a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, é atração na cidade. Sua construção iniciou-se no final do século 18 e foi concluída no início do século 19. Por fora não chama muito atenção, pela simplicidade dos detalhes, mas por dentro sim. Seu altar-mor é no estilo Joanino, com a pintura do teto em vermelho e marrom bem escuro. 
O Santuário do Caraça
“Só o Caraça paga toda viagem a Minas”, frase proferida pelo Imperador Dom Pedro II em 1881, quando visitou o local. Ele estava certíssimo! O Santuário está numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), guardando e preservando tesouros da nossa fauna e flora. (foto acima de Elvira Nascimento)
O visitante se encanta com o Caraça. Quem visita o Santuário, encontra de tudo em um só lugar. Natureza plena, sossego, paz, hospedagem, restaurante, história e espiritualidade. Oportunidade única e incrível para aventuras emocionantes e relaxamento completo em meio à natureza exuberante. Para os amantes das trilhas tem várias opções. Quem não resiste às cachoeiras, têm à sua disposição as cachoeiras da Cascatinha, Cascatona, Bocaina, com belas piscina naturais (na foto ao lado de Tom Alves/tomalves.com.br), e outras tantas cachoeiras, rios e praias fluviais. Se quiser também, pode apreciar a vista do santuário subindo até o Pico da Carapuça, Pico do Sol, Pico da Verruguinha, Pico Três Irmãos e Pico da Conceição, entre outros. Tem grutas também. As grutas de Lourdes e da Bocaina são muito procuradas pelos visitantes. 
Além de ser um santuário ecológico, o Caraça é um Centro de espiritualidade, cultura e religião, tendo sido eleita como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real, sendo patrimônio de Catas Altas, de Minas e do Brasil. No Centro, o visitante tem uma excelente estrutura como pousada, restaurante, lanchonete, loja, igreja com vitrais doados pelo Imperador Dom Pedro II, museu, biblioteca. À noite, lobos-guarás costumam aparecer no adro do Caraça para comer carne, nas mãos dos padres. Um espetáculo que encanta os visitantes. (na foto ao lado, de autoria de Josiano Melo)
Catas Altas recebe em média 70 mil turistas por ano. Em dias de festas, como a Festa do Vinho, por exemplo, atrai gente de todas as regiões, quadruplicando o número de moradores locais. 
Conhecer Catas Altas é vivenciar um pouco da história de Minas. Estar no Caraça, é estar no coração da natureza plena. (Por Arnaldo Silva)

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar

          A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, atrai os visitantes em especial pelo fato de ser a mais rica em ouro na cidade, usado nos revestimentos dos altares e imagens, um reflexo da abundância do metal que marcou a história da antiga Vila Rica. 
          A origem da matriz remonta ao período do povoamento, no final do século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas, após a descoberta do ouro na região. Em data imprecisa, entre 1700 e 1703, teve início a construção da primeira Matriz do Pilar em taipa e madeira. Há registros da festa da Assunção de agosto 1710, quando a imagem da Virgem do Pilar, estofada de ouro, foi entronizada no altar-mor. Nesta mesma igreja, em 8 de julho de 1711, deu-se a reunião do governador Antônio de Albuquerque com os moradores locais mais influentes, para a criação daquela que veio a ser a Vila Rica. A localidade nascia, oficialmente então, e mantinha como padroeira a Virgem do Pilar. (foto abaixo de Sérgio Mourão)
          Em 1728, os fiéis decidiram erguer um novo templo com mais capacidade e segurança, pois a igreja estava pequena, arruinada e em termos de cair. Atribui-se a autoria da planta ao sargento-mor e engenheiro Pedro Gomes Chaves. As obras tiveram início entre 1728 e 1730, sem data precisa. Neste ano, "alicerces de extraordinária grandeza" já haviam sido erguidos.
           Em janeiro do ano seguinte, transferiram-se o Santíssimo Sacramento e as imagens para a capela da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, provisoriamente, enquanto se aguardava o fim da obra. Começando pela nave, os trabalhos duraram pouco tempo para os padrões da época. A matriz estava praticamente concluída em 1733, ano do Triunfo Eucarístico, procissão solene que marcou o traslado do Santíssimo Sacramento e das imagens para o novo templo.
          No interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (foto acima de Sérgio Mourão), há seis altares construídos, com as invocações a são Miguel e Almas, Sant'Ana, Senhor dos Passos, santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores. Foram erguidos por confrarias particulares. Os altares de santo Antonio e Nossa Senhora das Dores podem ter pertencido à primeira matriz. Os outros quatro seguem um estilo barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, conforme caracterizado pelo historiador francês Germain Bazin. São inteiramente dourados, assim como os dois púlpitos, em forma de balcões arredondados.
           Painéis de pintura a óleo, feita diretamente sobre a madeira, decoram as paredes laterais e o forro da capela-mor. Nas paredes, estão representados os quatro evangelhos e as quatro estações do ano. No painel circular do centro da abóbada, vê-se uma representação da Última Ceia. No forro da nave, sobressaem-se 15 painéis com personagens e temas do Antigo Testamento. Grande número de imagens, consideradas de excelente qualidade, guarnece o altar-mor e os altares laterais. (foto acima e abaixo de autoria de Arnaldo Silva)
          A fachada atual da igreja data do século 19 e substituiu a original. Segundo Germain Bazin, o novo frontispício representa uma espécie de síntese daqueles estampados nas igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Rosário.
          Uma das atrações atuais da Matriz de Nossa Senhora do Pilar é o Museu da Prata. São dezenas de peças escultura, prataria, móveis e utensílios organizadas originalmente pelo vigário José Feliciano da Costa Simões.
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Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/113 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975 - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-matriz-de-nossa-senhora-do-pilar

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Turismo em Minas não se resume às cidades históricas

Quando se pensa em viajar para Minas Gerais vem logo a mente passear em Ouro Preto, por Mariana, andar de Maria Fumaça de São João Del Rei a Tiradentes, participar da Vesperata em Diamantina, da bolerata do Serro, conhecer o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos em Congonhas, a gastronomia e arquitetura barroca de Sabará. Ou seja, a primeira ideia de quem quer conhecer Minas é visitar às cidades históricas. (Foto acima, de autoria de Thelmo Lins, mostra o distrito de São José das Três Ilhas, em Belmiro Braga MG, Zona da Mata) Mas Minas Gerais não se resume apenas às cidades históricas. São 853 cidades mineiras, cada uma com seus atrativos e história.
Temos as cidades do Circuito das Águas, com suas belezas, fontes termais, medicinais, águas quentes e sulfurosas como Caldas, Pocinhos do Rio Verde, Caxambu, Lambari (na foto acima de autoria de Luiz Carlos) e Poços de Caldas no Sul de Minas.
No Alto Paranaíba temos Araxá, cidade rica em história e de ótima gastronomia, principalmente seus queijos e doces. Sem falar em suas águas radioativas e sulfurosas, famosas no mundo inteiro (na foto acima de Arnaldo Silva).
No Vale do Jequitinhonha e Mucuri as paisagens são magníficas, principalmente os afloramentos rochosos (teofilitos) que estão espalhados pelas cidades da região como Santa Maria do Salto, Pedra Azul, Cuparaque (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade), Ataleia, Carlos Chagas e outras. 
Na Zona da Mata, tem as antigas fazendas de café como por exemplo em Belmiro Braga, Santa Rita de Jacutinga e Rio Preto (na foto acima a fazenda bicentenária Pouso Alegre, em Rio Preto, aberta a visitação). Na mesma região, temos a cidade de Alto Caparaó, a porta de entrada para o Parque Nacional do Caparaó, onde está o Pico da Bandeira, maior de Minas e terceiro maior do Brasil. Nas redondezas de Alto Caparaó as cidades de Alto  Jequitibá, Caparaó e Espera Feliz, grandes produtoras de cafés especiais, são atrativos para quem gosta de cidades pacatas e belezas naturais. 
 Próximo a Belo Horizonte, temos as cidades do Vale do Charme, como Brumadinho, sendo seus atrativos o Inhotim, maior Museu Contemporâneo do Mundo e os bairros de Casa Branca e Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa). A vizinha Igarapé é um dos destaques em gastronomia. No bairro Olhos D´Água em Belo Horizonte e Jardim Canadá em Nova Lima, se destacam as grandes marcas de cervejas artesanais de Minas, como a Backer e Virace.
 E quem gosta de forró e festa junina? Tem o arraial de Belô, famosíssimo, mas bom mesmo são as festas juninas no Vale do Mucuri, nas cidades de Pavão (na foto acima da Prefeitura Muncipal/Divulgação)  e Teófilo Otoni (na foto abaixo, da Prefeitura Municipal/Divulgação),  por exemplo. Verdadeiros espetáculos populares que envolve toda a cidade e atrai turistas de toda a região. 
Por falar em gastronomia, a Festa do Biscoito de Caldas, no Sul de Minas é um dos mais importantes eventos gastronômicos mineiros. (foto abaixo de Caldas, autoria de Joelmir Barbosa)
Durante os quatros finais de semana do mês de julho, em pleno inverno, os turistas podem se deliciar com os mais diversos biscoitos da típica culinária mineira, bem como degustar os doces caseiros e experimentar os excelentes vinhos produzidos nas vinícolas do município. 
Além de Caldas, a cidade de Andradas produz um dos melhores vinhos do Brasil (na foto acima de Sérgio Mourão, um dos vinhos produzidos na cidade). A tradição vem desde o início do século 20, com a chegada de imigrantes italianos. Três Pontas também se destaca na produção de vinhos de qualidade, bem como na produção de cafés. São várias fazendas cafeeiras no município. 
Outra cidade tradicionalíssima na gastronomia é São Tiago, na região do Campo das Vertentes. São Tiago é famosa por realizar uma das mais importantes festas gastronômicas do país, a Festa do Café com Biscoito (na foto acima de Sérgio Mourão), que acontece sempre no segundo fim de semana do mês de setembro. A tradição biscoiteira da cidade vem de quase dois séculos. Fazer biscoito é vocação natural do município.
Quem gosta de arquitetura diferente, por exemplo, construções em pedras, pode conhecer a mística cidade de São Tomé das Letras no Sul de Minas (na foto acima de Vânia Pereira) e no outro extremo, no Norte do Estado, a cidade de Grão Mogol. 
Quem gosta da liberdade de voar, o melhor lugar no mundo para isso é Governador Valadares na região do Vale do Rio Doce. Santana do Paraíso, no Vale do Aço (na foto acima de Elvira Nascimento) também é outra opção para os adeptos de voo livre. E se sua vontade é voar de balão, não precisa ir para a Capadócia. Em São Lourenço, no Sul de Minas, são oferecidos esse passeio.
Em Mesquita acontece uma das mais famosas festas juninas da região do Vale do Rio Doce, com uma das maiores fogueiras também.(na foto ao lado de autoria de Elvira Nascimento)  Ingaí, no Campo das Vertentes, tem a tradição de ter uma das maiores fogueiras de São João do Brasil. Em Cachoeira de Minas, no Sul do Estado, a fogueira é dedicada a São Pedro, sendo uma das maiores do Brasil. 
Para os que gosta de rapadura e alambiques tradicionais, a cidade de Itaguara, a 100 km de BH, é a opção. A economia no município gira em torno da produção de rapaduras e cachaças, nas fazendas antigas e tradicionais. Prefere licor? Em Itaipé, no Vale do Mucuri encontra licores pra todos os gostos e sabores.
Para os amantes de esportes radicais tem as cidades de Araguari e Nova Ponte no Triângulo Mineiro com cachoeiras fenomenais, de tirar o fôlego. No Norte de Minas, em Porteirinha tem a  Cachoeira do "Serrado", na mesma região, a cidade de Gouveia  tem várias cachoeiras imperdíveis. A região Noroeste de Minas, destacando a cidade Buritis possui diversas cachoeiras espetaculares.
E quem gosta rios e lagos, tem opção? Claro, Cachoeira Dourada no Triângulo Mineiro é linda. Capitólio é um espetáculo, com suas águas verde-esmeralda e seus cânions fabulosos. A beleza das cidades banhadas pelo Lago de Furnas impressiona, bem como a gastronomia, com pratos feitos com peixe de água doce. Outra opção também são as cidades de Três Marias e Morada Nova de Minas, banhadas pelo Rio São Francisco e Represa de Três Marias (na foto acima de Sérgio Mourão). São fabulosas! Pra quem gosta de areia branquíssima e água limpa, a Cachoeira do Telésforo em Conselheiro Mata, distrito de Diamantina é imperdível. O Rio do Peixe, em Botumirim, no Norte de Minas, com as rochas que o margeiam são espetáculos naturais incríveis.
Gosta de andar na moda? Que tal fazer turismo e compras? Temos Divinópolis no Centro Oeste de Minas que é a Capital da Moda. Nova Serrana, na mesma região é a Capital do Calçado Esportivo. Em Belo Horizonte, o bairro da moda é o Barro Preto.
 E se vir a Minas, não se esqueça que você está na terra do café e do queijo. Muzambinho, Campanha, Campestre e Cristina no Sul de Minas são cidades lindas, gostosas de conhecer e tem um café de primeira. Aliás, o café do Sul de Minas é delicioso! Espera Feliz também, na Zona da Mata tem um dos melhores cafés do Brasil e a cidade é pitoresca e charmosa. 
Agora o queijo né. Em todos os municípios de Minas você encontra nossos queijos. Os mais famosos, reconhecidos como melhores do Brasil e do mundo, você encontra em Alagoa, uma pequena cidade da Serra da Mantiqueira. Na Serra do Salitre e Araxá no Alto Paranaíba. Em Sacramento, no Triângulo Mineiro. Em São Roque, Piumhi (na foto abaixo, de Lucas Rodrigues, o Queijo do Dinho) e Vargem Bonita, no Oeste de Minas. No Serro e em Rio Vermelho, no Alto Jequitinhonha. Se estiver em Belo Horizonte, no Mercado Central você encontra todos esses queijos. Além do queijo, essas cidades são ótimas, com excelentes opções de passeios, gastronomia e hospedagens.
Quer mais? E tem viu. Todas as cidades mineiras tem seus atrativos. São 853 cidades espalhadas pelas regiões Sul, Norte, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Central, Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce, Zona da Mata, Campo das Vertentes Oeste e Noroeste mineiro. Não dá para mostrar o que cada uma tem de belo, o espaço é bem pequeno. O certo é que turismo em Minas Gerais vai além das cidades históricas. Venha à Minas Gerais, conheça o Estado de Minas. Te esperamos de braços abertos  para mostrar  nossas riquezas naturais, turísticas, gastronômicas e culturais, em cada canto do nosso imenso território. Por Arnaldo Silva

Desemboque: o berço do Triângulo Mineiro

Desemboque é um distrito de Sacramento e está no Triângulo Mineiro. É famoso por ser terra natal do ator Lima Duarte. Apesar de ser hoje pouco povoado, tem apenas 50 habitantes, possui um passado rico em história além de muitas belezas em volta. 
Desemboque foi o berço da civilização no Triângulo Mineiro. Seu povoamento começou no século XVIII, em 1743, com a fundação da Capela de Nossa Senhora do Desterro, por desbravadores portugueses. Mas não foi fácil no início já que a ocupação contou com a uma forte resistência de índios e negros. Após vencerem essa resistência é que começou de fato a colonização do Brasil Central.
Suas minas de ouro produziam bem, fazendo com que o povoado se desenvolvesse. 
O distrito chegou a ter cerca de 2 mil habitantes, tinha vereadores, juiz e cartório. No século XVIII, Desemboque era o lugar mais importante de toda a região do Triângulo Mineiro, Oeste de Minas e também do Sul de Goiás. No século XIX as minas de ouro começaram a entrar em decadência e a produzir menos. Assim o povoado foi diminuindo, com seus habitantes saindo em busca de outras atividades fora do distrito.
Quando era muito habitado, a vida no local era agitada por ser o distrito um ponto importante de referência comercial e política para a região. Como todo distrito e cidade mineira, foi fundado com a Cruz de Cristo, pratica ativa dos bandeirantes portugueses que onde chegavam, fincavam um cruzeiro e começavam a construir capelas.
 No Desemboque tem duas, a primeira, citada acima que é a Igreja de Nossa Senhora do Desterro frequentada somente pelos brancos e no cemitério ao lado dessa igreja, só podiam ser sepultados brancos. Tem também a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, criada e frequentada por negros, que também tem um cemitério próximo . Nesse cemitério, só podiam ser sepultados negros. 
Segundo a tradição oral,era essa a história que se conta no Desemboque, do cemitério dos brancos e dos negros. Quem viaja pelo interior de Minas, principalmente pelas cidades históricas e conhece a história do Brasil Colônia e da Escravidão no nosso país, sabe que isso é fato real. (Por Arnaldo Silva - Fotografias de Luis Leite

sábado, 13 de abril de 2019

Armazém do Zé Totó desde 1943 em BH

Imagine você numa capital como Belo Horizonte, com 2,5 milhões de habitantes, entrando numa venda, daquelas antigas, que vende de tudo. Balas, produtos alimentícios, brinquedos, doces, batons, cachinhos para o cabelo, bolinhas de gude, ferramentas, vassouras, fumo de rolo, ratoeira, material escolar, pratos, agulhas, linha, tudo que você imaginar. Tem até balcão para os fregueses que apreciam uma boa pinguinha e cerveja gelada, como no século passado. E quem não tem dinheiro, tem caderneta onde se anota toda a compra do dia e no início do mês, o freguês vai lá e paga.
Em pleno século 21 imaginar isso numa metrópole é difícil, mas existe. É o Armazém do Zé Totó, aberto em 1943 pelo senhor José Alves dos Santos e faleceu em 1950, vítima da doença de Chagas. Zé Totó conta que nessa época, com 13 anos, ajudava o pai no armazém e após sua morte, passou a cuidar do armazém. Mesmo hoje, com 88 anos, "Seu" Zé Totó é figura presente no armazém, que conta com a ajuda dos filhos, netos e genros na administração. Funciona no mesmo lugar e tudo do jeito que era antes, numa movimentada esquina no bairro Aparecida, na região Noroeste de Belo Horizonte. Fica aberto de domingo a domingo, de 8 da manhã às 21 horas. Só não abre na Sexta-Feira da Paixão. A construção é da década de 1940 e uma das poucas construções preservadas na região.
O sucesso do Armazém é tanto que a freguesia é antiga, passa de geração para geração e uma clientela fiel. Tudo isso graças à diversidade dos produtos oferecidos. Tem de tudo que você precisa. Além-claro, do carisma, simplicidade e simpatia do "Seu" Zé Totó, um senhor alegre, atencioso, que gosta de uma boa conversa no balcão com seus fregueses e amigos.
O lugar não tem luxo algum, mas tem uma alegria nostálgica. Encostar-se ao balcão do Armazém e ficar de conversa com os mais antigos, principalmente com o "Seu" Zé Totó é como se estivéssemos revivendo um passado feliz que a gente não conhecia. Os primórdios do desenvolvimento da nossa capital, as histórias de vida que o povo conta, estão lá, presentes na memória do "Seu" Zé Totó, dos fregueses antigos e dos mais novos, que ouviram de seus avós e pais as histórias.
Quem vai lá não vai para passar tempo, vai para curtir a alegria que o lugar emana. Assim eram as antigas vendas, lugar de comprar o que precisava em casa e de encontrar com os amigos para uma boa roda de conversa. Com a presença do "Seu" Zé Totó, a conversa é longa, alegre, interessante e saudável. Conversa de gente feliz.
O tempo que eu estive no Armazém, na companhia dos fregueses e do “Seu” Zé Totó, senti tudo isso. Nostalgia, simplicidade, alegria, saudade dos bons tempos da verdadeira amizade, da confiança na honestidade das pessoas, a generosidade e a gratidão sincera das pessoas. Gostei dessa volta ao passado, na metrópole do século 21.
O Armazém do Zé Totó fica na Rua Aporé, número 500, bairro Aparecida em Belo Horizonte. Telefone: (31) 3428-3066.
Texto e fotografias com direitos reservados à Arnaldo Silva