quarta-feira, 18 de abril de 2018

Receita de Pão Borboleta

Pão Borboleta é tradição de Carangola MG, uma bela cidade da Zona da Mata Mineira. Quem vai lá, come o pão e compra pra levar pra casa. Um pão tipicamente mineiro. Temos a receita, mas é claro o legítimo Pão Borboleta é o feito em Carangola. Mas vamos aprender.
Ingredientes 
1 tablete de fermento biológico fresco
1/4 xícara (chá) de água morna(s)
1/2 xícara (chá) de leite
1/4 xícara (chá) de manteiga
1 colher (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de sal
2 unidades de ovo
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
Como Fazer
Dissolva o fermento na água morna; deixe descansar por 5 minutos. Ferva o leite e depois acrescente a manteiga, o açúcar e o sal; deixe amornar. 
Adicione os ovos, o fermento e a farinha. 
Sove vigorosamente; cubra a massa e deixe-a descansar por aproximadamente 1 hora. 
Transfira a massa para uma fôrma de pão e deixe-a dobrar de tamanho. 
Derreta um pouco de manteiga (cerca de 2 colheres de sopa) e despeje sobre a massa antes de colocá-la no forno. 
Asse por uns 20 minutos.
(fotografia da Carangolense Terezinha Ognibene)

Conheça o nosso Tremruá

Por Osvaldo Filho*
Na Europa fala-se muito em terroir (terruá). Terroir é uma palavra francesa que designa ‘uma extensão de terra cultivada’ ou um conjunto das terras exploradas por uma comunidade rural. O significado etimológico é: território. Aprofundando mais um cadinho: todas as características naturais e interferência humana daquele território ou região.

Como bons mineiros que somos mudamos esta palavra, nada contra o estrangeirismo. E assim, nasceu a palavra: tremrúa.


Tremruá aqui em Minas Gerais significa: determinado território, ou região de terras, com sua altitude, clima, geologia, ar, água, capim, somados à tradição, ao saber fazer, à cultura, à história daquele local. É o tremruá que torna um queijo único, ímpar e singular. Não só o queijo, mas o azeite e o vinho.

Um queijo feito na Canastra jamais será Araxá. Um queijo feito no Serro, jamais será Salitre. Um queijo feito no Cerrado jamais será Campo das Vertentes. Um queijo feito em Alagoa jamais será Triângulo Mineiro. Justamente porque cada região tem suas características intrínsecas que diferenciam um queijo do outro.

Pasmem! Dentro de um tremruá existem microtremruás. Um queijo artesanal preparado num território de elevada altitude apresenta diferenças no sabor de um queijo preparado num território mais baixo. Não só a altitude, mas são vários os fatores que podem diferenciar os sabores, ou ainda, interferir na maturação. Dependendo da região surge certo tipo de mofo que em outro local não aparece. Tremruá é, realmente, um tesouro de Minas Gerais.


O Tremruá de Alagoa
Alagoa (cidade do Sul de Minas com menos de 3 mil habitantes, foto acima de Jerez Costa) é a mais alta das Terras Altas da Mantiqueira e está no mesmo patamar dos alpes suíços. A altitude é um elemento do tremruá que faz uma grande diferença no sabor do queijo. Em certas épocas do ano o termômetro atinge temperaturas abaixo de zero, já chegou a fazer -8ºC. Este ano meu termômetro marcou temperatura máxima de 32ºC. Ameno em comparação com Rio de Janeiro, Mato Grosso ou São Paulo, o clima é outro elemento que faz a diferença. E por aí vai: o tipo de solo, pastagem, a água que a vaca bebe, a raça do gado, todo este conjunto que temos aqui em Alagoa confere singularidade e peculiaridade ao nosso queijo. (na foto abaixo, de Júlio Monteiro, dia típico de inverno em Alagoa MG)
Sei de histórias de alagoenses que vararam a noite viajando com o fermento (soro do dia anterior – lá na Canastra chamam de pingo) pra tentar fazer o queijo em outras cidades. O resultado: um desastre! Diz o ditado que não adianta chorar o leite derramado. Neste caso, não adianta chorar o leite coalhado fora de Alagoa. É um privilégio dos nossos conterrâneos.

É evidente que dentro do tremruá de Alagoa existem micro terruás. O queijo artesanal Alagoa feito lá no Garrafão (o bairro mais alto de Alagoa onde está o Pico do Santo Agostinho com 2.370m de altitude) tem características levemente diferentes do queijo artesanal Alagoa feito aqui no bairro onde moro, Ilha das Cabras. Repito: a altitude, o clima, a geologia, a água, a pastagem fazem total diferença no queijo. O saber fazer (know how) é transmitido de pai pra filho, de tio pra sobrinho, de padrinho pra afilhado, e por aí vai, a tradição é perpetuada e também diferencia o queijo.

Vale ressaltar que nosso queijo é patrimônio histórico cultural municipal registrado no IEPHA/MG. Integra a cultura do município, é a identidade da cidade, faz parte da nossa história. E por falar em história, se meu bisavô Jeremias Sene – que levava os queijos no lombo dos burros, dentro de canudos de bambu – fosse vivo certamente defenderia com muito orgulho nosso Queijo Artesanal Alagoa.
--------------------------------
* Osvaldo Martins Filho é Bacharel em Direito, bisneto de tropeiro, neto de pecuarista, fundador da “Queijo d’Alagoa-MG”, pioneiro na venda de queijo pela internet, proprietário das vacas Alagoa, França e Paris, garimpa e matura queijos artesanais. Seu queijo foi medalha de bronze no Concurso Internacional de Queijos em Paris/2017. Contato@queijodalagoa.com.br Instagran: @queijodalagoamg
A primeira e última fotos foram extraídas da fanpage: https://www.facebook.com/QueijodAlagoaMG/

Andanças por Minas


Não, não dá pra viver em Minas sem viver suas belezas. Fui passear por aí, desfrutar mais um pouco da deliciosa mineiridade de ser Minas e de Minas. O simples passar pelas estradas já é uma fascinante viagem. Pelos vidros do carro ir acompanhando o desfile de árvores, morros, vales, manchas minúsculas de animais a se espalharem pelas pastagens... Vislumbrar ao longe as entradas e porteiras, apreciar as casinhas brancas e deixar a imaginação entrar porta adentro, tentando adivinhar como vivem os que ali habitam. Pensar seus costumes, visualizá-los em seus afazeres domésticos, sentir o cheiro de suas cozinhas na fumaça exalada de suas panelas, no trepidar da lenha nos fogões. 

O olho é lente o tempo inteiro. Corre de um lado pro outro absorvendo avidamente todos os detalhes. E são tantos! Coisa que me dá prazer é a passagem pelas pequenas cidades mineiras, com seus traçados pitorescos, suas pracinhas, igrejas e coretos. Os bancos à sombra, as pessoas por ali sentadas distraídas numa boa prosa, falando sobre qualquer coisa. De que tratam no meio da tarde estes senhores de chapéus e rostos com sinais de muita vivência? Provavelmente falam do que já viveram, de tempos que já se foram... Com certeza, alguma saudade grassa por ali em meio às conversas, em tempos que já não dialogam com traços do passado... Fascinante os falares das praças, o eco dos dias idos. Minas tem disso, tem muito disso.

Passadas as cidadezinhas, as vilas e povoados alço olhares para o destino que me traz: as serras e seus mistérios. Vou conhecer o convento do Caraça, incrustrado na Serra do mesmo nome, em Catas Altas. Altamente suspeita sou eu para falar do assunto, pois a História me toca, revolve cada célula que me compõe. Tenho certeza de que o passado mora em mim, literalmente. Silêncio, recolhimento, a presença quase palpável dos dias idos é algo inenarrável. Não há palavras que definam a sensação de voltar duzentos anos no tempo. É algo que só vivenciando se tem a dimensão exata. O mosteiro com suas ruínas, sua arte sacra, seus jardins, seus complexos ambientais é um grandioso patrimônio histórico e cultural que fala grandiosamente por Minas.

Seguindo caminho, Minas agora é Mariana. Estar na Praça Minas Gerais é voltar num tempo que ficou na História, mas permanece vivo em suas igrejas, no pelourinho, na casa da câmara,marcando o surgimento da primeira cidade e primeira capital do Brasil. A Rua Direita, com seu casario antigo, lugar que encanta com seus solares e sobrados, testemunhando a época dourada dos barões, nos áureos tempos da mineração. E aí a imaginação, amparada pelos fatos históricos, não tem freio nem limites. É possível se adentrar cada porta daqueles casarões, sentar nas cadeiras de palhinha tomando chá com as elegantes senhoras da época em seus magníficos serviços de porcelana importada da Europa.

Mas, indescritível mesmo é me deparar com uma portinhola azul,na mesma Rua Direita, e descobrir o nome de seu ilustre morador “Alphonsus de Guimaraens”. Dá vontade de recitar “Ismália”e é isso que faço. Em frente à porta, recito sem constrangimento,o poema mais conhecido deste consagrado poeta mineiro. Tomara que ele esteja vendo de algum lugar e saiba que seus versos o imortalizaram... Ah, Minas, Minas e seus encantos. De Mariana para Ouro Preto... Mas, daí já é outra viagem e já foi contada uma primeira vez.


Por Marina Alves, escritora em Lagoa da Prata MG
Na imagem acima o sobrado que foi residência do poeta, escritor e juiz Alphonsus de Guimaraens, que lá viveu de 1913 a 1921.  Localizado na Rua Direita, 35 – Mariana – MG.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cervejaria em Belo Horizonte conquista prêmio mundial de arquitetura

Inovação, criatividade, design, identidade. Com leiaute inusitado, semelhante a uma grande barrica de madeira que desvela o olhar para o lindo cenário das montanhas de Belo Horizonte, o projeto do Ateliê Wäls acaba de ser agraciado com o primeiro lugar no mais importante prêmio mundial de arquitetura comercial. O conjunto, idealizado pelo escritório GPA&A, de Gustavo Penna, faz jus à concepção de cerveja arte da marca e ganhou reconhecimento pela Unesco e pela União Internacional dos Arquitetos como o melhor trabalho de arquitetura na categoria restaurantes - etapa América do Sul, Central e Caribe - do Prix Versailles 2018.

O espaço começou a funcionar no ano passado, e é a primeira vez, em nível global, que uma cervejaria conquista o Grand Prix, condecoração máxima do evento. “O Ateliê Wäls era um sonho antigo que Gustavo Penna ajudou a colocar em pé. Mais do que um espaço dedicado à cerveja e com várias referências a ela, dos móveis ao ambiente, passando pelos locais voltados à inovação, ele foi pensado para ser a casa do mineiro e uma homenagem a Belo Horizonte", afirma José Felipe Carneiro, fundador da Cervejaria Wäls.

O ateliê é um vasto centro cervejeiro chancelado pela marca que foi selecionada pelo RateBeer, principal ranking do setor, como a melhor cervejaria do Brasil. Um destaque no bairro Olhos d'Água, o complexo inclui restaurante, loja, escritório, adega, cervejaria e área externa com um mirante especial para desfrutar a paisagem ao redor. "É um projeto lúdico e divertido, que mostra a união da arquitetura e do conceito de cerveja arte de maneira mágica", explica Gustavo Penna. 
 Na parte interna, a beleza, a harmonia e a inventividade do conceito saltam aos olhos. Um dos protagonistas é um generoso balcão avermelhado, que celebra a influência do icônico estilo inglês India Pale Ale, com 21 torneiras dedicadas às inovações cervejeiras da empresa. A estrutura empreende um diálogo direto com uma enorme estante cheia de garrafas, pensada exclusivamente para o lugar. As mesas para degustação estão dispostas entre centenas de barricas de madeira que adornam e dividem os ambientes. No barrel room- o maior da América Latina voltado ao envelhecimento de cervejas -, um volume superior a 100 mil litros da bebida descansam e fermentam. Tudo emoldurado por uma delicada cortina composta por 135 mil rolhas de cortiça, que tornam o clima um tanto quanto teatral. 

O prêmio é realizado desde 2015 e este ano aconteceu em Santiago, no Chile. A iniciativa já certificou internacionalmente composições de etiquetas como Dior, Dolce & Gabbana e Channel. A conquista atual atribui ao Ateliê Wäls uma força importante para se candidatar a ser o primeiro brasileiro a vencer a etapa mundial do Prix Versailles, marcada para maio, em cerimônia em Paris, na sede da Unesco.

O sonho da cervejaria começou a ser vivenciado em 29 de novembro de 1999, pelo casal Miguel e Ustane, que tinham enraizada a intenção de criá-la. A Wäls surgiu das mãos da família Pedras Carneiro, da capital mineira, e hoje é comandada pelos irmãos Tiago e José Felipe. "A missão é criar as melhores cervejas para os paladares mais diferenciados, harmonizando com momentos únicos. Produzimos obras de arte, mas alguns as chamam de cervejas. Nossa linha de produtos é inspirada nas tradicionais escolas cervejeiras belga e americana. Ousamos, inventamos e acreditamos que a cerveja é uma grande fonte de alegria", descrevem. 
O Prix Versailles é um prêmio anual dedicado à arquitetura de prédios comerciais. Abarcando diferentes categorias, com os vencedores selecionados por um painel de juízes independente formado por personalidades de áreas diversas, é a principal gratificação de arquitetura mundial para lojas, hotéis e restaurantes, e legitima obras que reúnem criatividade, arte e negócios.

Reportagem do Jornal O Estado de Minas

domingo, 15 de abril de 2018

Made in Santa Rita do Sapucaí

Cidade encrustrada entre montanhas teve incentivo de criar polo de tecnologia nos idos de 1950, assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos.(foto: Sindvel/divulgação )
Todo dia, em média, três novas tecnologias de ponta saem do forno de indústrias da pequena Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, prontas para entrar no mercado mundial. Lá, a tranquilidade típica do interior contrasta com o ritmo acelerado das inovações. O município de apenas 40 mil habitantes abriga o Vale da Eletrônica, formado por três instituições de ensino e 153 empresas de setores que vão da informática à telecomunicação. Não por acaso, o lugar é comparado ao Vale do Silício, polo tecnológico na Califórnia, nos Estados Unidos, criado na mesma época, nos anos 1950. Mais de 13 mil produtos são fabricados na cidade mineira, que deixou parte da tradição do café e do leite para se enveredar no universo dos fios, placas e softwares. Desde então, Santa Rita criou filhos ilustres, como a urna eletrônica, o chip do passaporte eletrônico e o transmissor de TV digital nacional, para citar apenas três deles.

Somente no ano passado, o Vale da Eletrônica, situado entre as montanhas que cercam o Rio Sapucaí, faturou R$ 3 bilhões. “Somos o maior polo tecnológico de eletroeletrônica do Brasil e único cluster maduro da área no país”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto. Significa dizer que Santa Rita do Sapucaí reúne toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa, o desenvolvimento até a fabricação do produto.
E o Vale da Eletrônica não para de lançar equipamentos e tecnologias de olho nas demandas do mercado nacional e internacional – a região exporta produtos para 41 países. No mês passado, empresas santa-ritenses apresentaram em São Paulo, na Exposec, maior feira da América Latina do setor de segurança eletrônica e patrimonial, as mais modernas tecnologias do setor desenvolvidas no Sul de Minas. Estão entre elas uma central de alarmes em miniatura com 400 sensores e um filtro de linha que elimina o consumo stand-by de aparelhos eletrônicos e chega a economizar até 15% de energia.

A precursora desse processo de inovação foi a santa-ritense Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira. Mulher viajada e à frente de seu tempo, ela fundou no município, em 1959, a Escola Técnica de Eletrônica (ETE), primeira de nível médio da América Latina. Seis anos depois, foi criado o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), primeiro centro de ensino e pesquisa a oferecer curso superior na área de telecomunicação. Para completar, também se estabeleceu na cidade a FAI, centro de ensino superior em gestão, tecnologia e educação.
A formação de estudantes empreendedores, ligados à área de tecnologia e inovação, foi passo decisivo para impulsionar o polo eletroeletrônico em Santa Rita do Sapucaí. Atualmente, o Vale da Eletrônica emprega 14 mil trabalhadores, muitos formados pelas instituições de ensino do município. “A expansão da educação plantou uma semente em Santa Rita que permitiu a transformação da realidade”, afirma o diretor do Inatel, Marcelo de Oliveira Marques, que comemora os 50 anos da instituição.

Roberto Souza Pinto reforça que a primeira empresa da cidade, que atualmente pertence a uma multinacional japonesa, surgiu dentro da escola técnica. “Isso quando nem se falava em incubadora de empresas. Santa Rita é uma fábrica de fábricas”, afirma. “Hoje, Santa Rita é a menina dos olhos do Brasil. Os empresários são técnicos, têm mestrado, doutorado. A empresa tem mercado, produto, gestão”, diz.

O presidente do Sindvel atribui o sucesso da região a uma “tríplice hélice”, formada por academia, indústria e governo. “Esses grandes diferenciais do vale só são possíveis e viáveis por meio dos benefícios oferecidos pelo governo e, caso eles se extirpem, a geração de renda, de emprego e os ganhos serão repassados para outros países que detiverem uma tecnologia parecida e mais competitividade. Se não há incentivo fiscal, não há competitividade”, afirma.
Por Flávia Ayer - Reportagem do Jornal O Estado de Minas

sábado, 14 de abril de 2018

Conheça Thelmo Lins, jornalista, escritor, cantor e artista mineiro.

Em 2018, completo 35 anos de atividades artísticas. E é engraçado imaginar que se está há três décadas e meia resistindo, buscando alternativas, driblando das dificuldades inerentes à opção de se viver de cultura no Brasil. A história foi mais ou menos assim... 

Primeiramente, nasci em Minas Gerais. E, em Itabirito. Isso tem uma consequência, pois a gente se vê exatamente no meio do caminho entre Belo Horizonte e Ouro Preto, numa economia pautada pela mineração de ferro. É quase como se nascêssemos de versos de Carlos Drummond de Andrade.

Em Itabirito, respirei a cultura musical dos Canarinhos de Itabirito (fundado em 1973), dos festivais da canção, das corporações musicais que varam o século, das escolas de música. Fui mordido por várias dessas influências, mas também pelo teatro. 
E foi nesse espaço de criação – as artes cênicas – que pisei no palco pela primeira vez, em 1983, após realizar um ano de Oficina do Teatro, já em Belo Horizonte, dirigida pelo incansável Pedro Paulo Cava. Ali conheci gente de teatro, fiz amizades e galguei meus primeiros passos artísticos. Meus primeiros mestres: Fernando Limoeiro e Luciano Luppi. Dali também nasceu o Grupo Experimentando o Palco, formando por uma grande equipe, com seus luxos próprios, como o de ter Álvaro Apocalypse (fundador do Giramundo) como cenarista e figurinista. Dali surgiram vários atores que até hoje transitam na cena mineira, como Paulo André (Galpão) e Andréia Garavello. E convivi com Marcello Castilho Avellar, primeiramente como colega de trabalho e, posteriormente, como diretor.

Logo logo veio a mistura de teatro com música. O dom de cantar foi lapidado por vários mestres, sendo a primeira deles Mary Armendani, que descobriu meu potencial para a música. Então, mergulhei nos anos seguintes em corais e em eventos promovidos pela Escola de Música Padre Xavier, de Itabirito, onde também me tornei produtor e diretor cênico.

O primeiro show solo surgiu em 1992, numa homenagem a Frank Sinatra. A primeira experiência já garantiu uma pequena turnê e, assim, eu estreei como cantor na capital mineira, para onde eu me mudaria anos mais tarde. E assim não parei mais. No início, em shows promovidos pela Babaya Escola de Canto. Depois, cantando em bares, restaurantes e shoppings. Em 1997, aconteceu um marco definitivo: alugamos o Palácio das Artes para fazermos, em quarteto, um show em homenagem ao Clube da Esquina. Ao lado de Graziela Cruz, Regina Milagres e Wagner Cosse, que se tornaram meus amigos inseparáveis, dois anos depois lançamos o CD Nada Será Como Antes, que veio a se tornar minha primeira produção fonográfica. 
Encontro dos Rios (2001), Thelmo Lins Canta Drummond (2003), Cânticos (2006), Trá-lá-lá-lá-li Trá-lá-lá-lá-lá (2010), Samba Sambá Sambô (2011), Casa de Vinicius (2014), O que você vai ser quando crescer? (2016) e Balada dos Casais (2017) vieram na sequência. A maioria dos trabalhos foi dedicada à poesia musicada, vertente que me atraiu desde o CD lançado em 2003. O sucesso deste disco e, posteriormente, do show, lançou-me às aventuras na poesia de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa, Leo Cunha, Affonso Romano de Sant´Anna e Marina Colasanti, seja em solos ou duetos com Wagner Cosse. Duas obras foram dedicadas a minha terra natal: Encontro dos Rios, em que mergulhei nos compositores locais que mais se destacaram no século 20; e em Samba Sambá Sambô, dedicado à obra de Pirulito da Vila. A cada disco, uma nova turnê.

Em quase todos os trabalhos, busquei parcerias que hoje me orgulham e que me fizeram entender um pouco melhor o meu ofício. Nomes como Maria Bethânia, Elza Soares, Fatima Guedes, Nana Caymmi, Vander Lee, Matheus Nachtergaele participaram dos meus discos. Boa parte do repertório gravado foi feito especialmente para mim, por nomes de grande importância na história da música e novos talentos musicais. Sempre fui antenado com o que está surgindo e fiz, com eles, uma ponte com compositores consagrados, como Milton Nascimento, Francis Hime, Sueli Costa, Joyce, Belchior, José Miguel Wisnik, Fatima Guedes, dentre outros. Todos esses trabalhos estão na internet e podem ser ouvidos em qualquer parte do mundo (veja os links no final deste texto).

Como produtor fiz inúmeros projetos, dentre eles os projetos Caixa Acústica e TraLaLaLaLi, que completam cinco anos neste ano. Eles propuseram encontros musicais entre gerações e ainda divulgaram o teatro infantil musical produzido na capital mineira. Mas a lista de produções não termina por aqui. Fui assessor de cultura em Itabirito, Congonhas e Ouro Branco, cidades onde contribui com um pouco de meu conhecimento e ideias. 
Como jornalista, atuei em várias assessorias e veículos. Fui assessor da Prefeitura de Itabirito, da Fundação Clóvis Salgado e da Galeria de Arte da Copasa, dentre tantas empresas. Mais recentemente, atuei por cinco anos como apresentador do programa Arte no Ar, produzido pela TV Horizonte, de Belo Horizonte. 
Lancei, em 2007, um singelo livro de poesias – Rosas Amassadas – em que divulguei um pouco de minha obra literária. Nele, contei com um honroso prefácio escrito por Fernando Brant, um dos meus maiores incentivadores.

Hoje, dedico-me aos meus shows, em especial ao projeto Casas, que já está na sétima edição, sendo a mais recente o espetáculo Casa de Dalva, homenagem a Dalva de Oliveira. Sou, também, administrador do Teatro Santo Agostinho, da capital mineira, há nove anos (em 2018, o espaço completa 20 anos de fundação e estamos preparando uma agenda especial comemorativa). Por fim, dedico-me ao blog Descobertas do Thelmo, um site de turismo e viagens, que relata em textos e fotos minhas experiências no Brasil e no exterior.

São poucas linhas para tanta história. Mas nada disso teria sentido se não tivesse em minha vida os valores éticos de meus pais, Tilma e Otacílio, e a educação proporcionada pelas tias Terezinha e Lili. No mais, foram influências importantes de tantos amigos e mestres, que contribuem no dia a dia para sufocar as desesperanças e manter sempre acesa a chama da vontade. Que esta nunca se apague e que continue brilhando, para minha salvação e para poder contribuir um meu grão de areia na melhoria da Humanidade. 
Sites e blogs de referências:
www.thelmolins.tnb.art.br;
www.encontrodosrios.tnb.art.br;
www.cantadrummond.tnb.art.br;
www.canticos.tnb.art.br;
www.cdcasadevinicius.tnb.art.br;
www.oquevocevaiser.tnb.art.br;
www.omeninopoeta.tnb.art.br;
www.baladadoscasais.tnb.art.br;
www.descobertasdothelmo.blogspot.com
(31) 99991-6653
Agenda:
Produção do projeto Caixa Acústica, que acontece todos os sábados de maio, no Teatro Santo Agostinho.
05 de maio, 19h – Tizumba e Laura Catarina homenageiam Vander Lee e Flávio Henrique
12 de maio, 19h – Regina Milagres e Wagner Cosse no show Querelas do Brasil
19 de maio, 19h – Anthonio, Flavia Simão e Marcos Costa no show Clariô
26 de maio, 19h – Marcelo Veronez no show Narciso deu um Grito Acústico
Dias 9 e 10 de junho, realizo os shows O que você vai ser quando crescer? e Balada dos Casais, na Feira do Livro de Joinville (SC)
Dia 21 junho, apresento-me no projeto Dois na Quinta, no Teatro da Biblioteca Pública de Belo Horizonte, ao lado da cantora Patrícia Ahmaral.

No sul de Minas, entre cidades charmosas e pitorescas

Nesta postagem, continuarei falando do sul de Minas Gerais, especificamente na região do Circuito das Águas, onde estive entre o final de fevereiro e o início de março de 2018, com meus amigos Conceição e Wagner Cosse. Além de São Lourenço, que falei na outra postagem, visitei também Caxambu (que eu adoro!), Maria da Fé, Cristina, Soledade de Minas e Lambari. Vou falar um pouco de cada uma delas.
Caxambu já foi alvo de uma postagem, há dois anos, quando estive em Aiuruoca e Baependi. Desta vez, encontrei o Parque das Águas em reforma. Para mim, é o mais belo da região e, talvez, o mais charmoso do país. Suas construções antigas são preciosas. Os plátanos que enfeitam a via principal do parque são escandalosos de tão bonitos. E há um sem número de árvores e flores pelos caminhos.
Parece que, com a reforma – sob a administração da Codemig – o espaço vai ganhar mais conforto e beleza. Alguns prédios estão sendo pintados ou restaurados.
Aproveitei e fiz uma caminhada também pela região central de Caxambu, onde visitei algumas lojinhas e restaurantes. A cidade continua muito bonita e aconchegante. Umas das novidades – para mim – foi conhecer a Igreja de Santa Isabel de Hungria, cuja pedra fundamental foi inaugurada pela princesa Isabel, ainda no século 19. Dali se tem uma bela vista da área central.
Por falar em vista, os meus companheiros de viagem – Conceição e Wagner Cosse – fizeram o passeio de teleférico, que une a região do parque das águas com um dos morros mais altos da região, a 900m de altitude. Embora curto – cerca de 15 minutos – do alto do passeio tem-se uma ampla e bela vista de Caxambu.
Soledade de Minas tem poucos atrativos na sede urbana, exceto sua estação ferroviária e o entorno (na foto acima). A cidade fica cerca de 10 km de distância de São Lourenço e ambas participam do circuito da Maria Fumaça. Quando estive lá, tanto a estação quanto as lojinhas de artesanato estavam fechadas. Imagino que elas funcionem apenas nos fins de semana, quando o trenzinho está em atividade. Na igreja matriz, há pinturas interessantes.
Cristina está a 30 km de São Lourenço (foto acima). A estrada que une das duas cidades é belíssima, como quase todas as estradas daquela região. A chuva fez verdadeiros tapetes verdes nos pastos e as quaresmeiras enfeitavam as montanhas. A cidade conserva um expressivo e bem preservado casario do início do século 20. As ruas são limpíssimas. A atração principal é a pracinha da prefeitura, onde há curiosas estátuas e enfeites. Dentre elas, a de um leão. Ali, bem pertinho, tem uma loja de tecidos e artigos de cama, mesa e banho de encher os olhos. Ela conserva o mobiliário antigo, todo feito em madeira. Não resistimos e fomos lá para comprar alguns tecidos e conhecer os proprietários.
Cristina também tem um café premiado internacionalmente, assim como sua vizinha, Carmo de Minas. Por isso, é fundamental dar uma passadinha no supermercado local para levar um pouco dessas preciosidades. Pelo menos, as que cabem no nosso bolso. Contam que, um quilo do café premiado tipo exportação, está na casa dos R$ 400,00 o quilo.
A única nota triste foi conhecer o local onde havia o cinema da cidade. Ele foi destruído para dar lugar a uma galeria de lojas. No entanto, há uma menção à antiga sala de exibição, com fotos e cartazes.
De Cristina, demos um pulinho em Maria da Fé (19 km de distância). (na foto acima) Famosa por seu rigoroso inverno, a cidade é bastante simpática. Tem uma estação de trem desativada e uma maria-fumaça de enfeite na pracinha principal. Já estive na cidade há 11 anos, quando me hospedei na Fazenda Pomária, uma deliciosa pousada que não existe mais. Fomos lá tentando encontrar D. Lourdinha, sua proprietária, mas encontramos a casa fechada. Na pitoresca estradinha, muitas araucárias.
Chamam a atenção em Maria da Fé as pinturas internas da Igreja Matriz, dedicada à Nossa Senhora de Lourdes. São lindíssimas. As obras são autoria dos irmãos italianos Pietro e Ulderico Gentilli. E o trabalho do grupo Gente de Fibra, que criou um artesanato caprichadíssimo a partir da fibra de bananeira. Para conhecer melhor o trabalho, sugiro que acesse o site www.gentedefibra.com.br
Vale a pena visitar! Chamou a atenção, também, uma nova obra da prefeitura local. São várias casinhas que servirão, brevemente, para abrigar os artesãos locais com mais conforto.
Lambari merece uma visita melhor. Na verdade, passamos pela cidade para almoçar e dar uma volta pelas ruas principais. Mas a visão da lagoa com o antigo cassino ao fundo é de tirar o fôlego. O conjunto é maravilhoso, apesar de construções desajeitadas, nos morros que circundam o local, atrapalharem a paisagem. Ou seja, falta de planejamento urbano. Felizmente, o antigo cassino está sendo restaurado e parece que, brevemente, será aberto para visitação.

A cidade tem também um parque das águas e muitas cachoeiras na zona rural, que não conheci desta vez. Mas pretendo voltar um dia, para curtir melhor os atrativos.Chuvas torrenciais caem sobre Minas nessa época do ano, assustando com seus fortes raios e trovões. O sol também deu seu ar da graça, deixando alguns dias excepcionalmente quentes. Mas é hora de voltar para casa e planejar um novo passeio para breve!
Até mais!

Por Thelmo Lins Fotografias de Thelmo Lins e Wagner Corse
Blog do Thelmo:https://descobertasdothelmo.blogspot.com.br - Link original
https://descobertasdothelmo.blogspot.com.br/2018/03/no-sul-de-minas-entre-cidades-charmosas.html

sexta-feira, 13 de abril de 2018

É Muçarela ou Mussarela?

O correto é MUÇARELA, se escreve com "ce" cedilha e não Mussarela, com dois SS. 
- Tem certeza disso? - Absoluta!
- Em qualquer lugar que a gente vai está escrito com dois SS como nos supermercados, restaurantes. Tem matérias em jornais, em propagandas de TV, em receitas, até mesmo nos nomes e rótulos das empresas, como pode ser com "ç" e não com SS? 

Lamento a decepção gente, mas é com Ç mesmo. 

Como essa palavra refere-se a um queijo de origem italiana muito popular no Brasil, quando era vendido nos supermercados faziam cartazes e nos cardápios de restaurantes escreviam mussarela  e alguns até pioravam a grafia e escreviam mutssarella (sic). Com toda escrita errada a palavra acabou se popularizando assim e até em nomes de empresas que fabricam o produto vem com ss, nos rótulos. Mas com SS é erradíssimo. No Português, correto é MUÇARELA. 

Quer entender?
Na Itália, país de origem desse queijo, a escrita é "mozzarella" com zz e ll mesmo. Quando o verbete foi aportuguesado, como todas as palavras italianas com o som "zz" foi escrito na nossa língua e oficializada no dicionário com o "ç". Como todas as palavras de origem espanhola ou italiana com dois zz. Por exemplo carrozza no Português é carroça, piazza ficou praça, razza passou a se escrever  raça em Português. Seguindo a lógica do dicionário Português mozzarella se escreve é com "ce" cedilha, não com dois SS. É muçarela. Até porque os doutores da língua portuguesa estabeleceram que nas palavras de origem estrangeiras (incluindo as palavras indígenas) o fonema "ce" diante das vogais "a", "o" e "u" deveriam ser grafados com Ç (ce-cedilha) no caso "ça", "ço" e "çu" como por exemplo paçoca, paço, açúcar, praça, iguaçu, palhaço, palhoça, guaçu etc....

É isso. Se for fazer alguma prova, como por exemplo, redação do Enem ou de algum concurso e escrever muçarela com dois ss, já começou mal. No popular pode até ser aceito, mas oficialmente não.

Na foto acima, produtos da fábrica de Laticínios Pioneira de Moema MG, especialista em muçarela. Embora o erro na grafia da muçarela, que nem é intencional e sim seguindo a popularização da palavra, os produtos são excelentes. A muçarela com ç ou ss da Pioneira é ótima.  Por Arnaldo Silva

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Requeijão da Roça

Fazer requeijão é tão comum em Minas, quanto fazer queijo. O bom mesmo é feito na roça. Esse é o autêntico e você vai aprender a fazer. No Serro MG, uma bela cidade histórica mineira, no Alto Jequitinhonha, o requeijão é tradicional e a fôrma usada é a folha de bananeira, como veem na fotografia do Tiago Geisler. Basta colocar a massa um pouco quente do requeijão num prato, enrolar as laterais com folha de bananeira e ir apertando com as mãos a massa para que ela fique redonda. Raspe a parte superior para que fique certinha também, como vê na imagem.Essa é fácil, agora vamos à receita.

Você vai precisar de 10 litros de leite cru, aquele tirado na hora, direto da vaca e sal a gosto. 

Agora vamos fazer:
Dos 10 litros de leite, retire dois litros e reserve. Vai servir para dar uma "lavada" na massa. 

Coloque os outros 8 litros de leite num balde e cubra com um pano e deixe descansado por 24 horas. Ele irá coalhar. Após esse tempo, descubra o balde. Você vai ver que se formou uma pequena capa de gordura sobre o leite. Retire com uma colher essa gordura e coloque num prato e reserve. Você vai precisar dessa gordura mais a frente.

Feito isso, pegue o leite coalhado e coloque-o num tacho ou panela grande. Quando começar a ferver, vai aparecer o soro. Vá retirando esse soro e coloque numa outra panela, com uma peneira e reserve.

Quando a massa estiver sem o soro, pegue aqueles dois litros de leite que reservou na massa e vá despejando aos poucos e mexendo. Esse leite que irá despejar, formará também um pouco de soro. Vá retirando e colocando na panela do soro anterior, com a peneira e por fim, pode descartar o soro.
Retire todo o soro, até que a massa fique bem lisa e depois disso, retire a massa do tacho ou panela e reserve.

Lembra da gordura que pedi para reservar no início? Pois bem, pegue ela e coloque no tacho e deixe ferver, até que doure.

Em seguida, pegue a massa que reservou e coloque sobre a gordura no tacho e deixe fritar, mexendo, até que a massa tenha uma cor marrom claro por igual.

Quando estiver no ponto, na cor marrom, desligue o fogo, espere esfriar e coloque na fôrma. 

Não precisa fazer uma fôrma de bananeira, como mostrei no início, pode usar uma forma de queijo ou um recipiente que julgar melhor. 

É trabalhoso, como deu para perceber mas é bom, é ótimo e super mineiro. Com fôrma de folha de bananeira, dá um ar rústico, nostálgico e mais romântico. Passe um café no coador de pano e sirva. (Por Arnaldo Silva)

A cidade do Tecido de Chita

Alvinópolis fica a 163 km de Belo Horizonte e está situada na Região Central/Leste do Estado. (foto acima de Vera Lúcia) Devido sua localização e importância nas rotas dos antigos tropeiros, o município está incluído no roteiro turístico da Estrada Real. Com cerca de 16 mil habitantes, é uma típica cidade de Minas, com casario histórico bem preservado, com tradições folclóricas e religiosas ativas como o Congado, uma tradição fortíssima na cidade e preservada em sua origem desde a criação do município no século XIX. A cidade também tem uma expressiva vocação musical e teatral com grupos de teatros, bandas de música, orquestras como de flautas, cantores solos e duplas com estilos diversos sempre surgem na cidade e abrilhantam eventos locais e regionais. (na foto abaixo, enviada por Alessandro Pascoal  Eugênio, a Festa de Nossa Senhora do Rosário)
A cidade também organiza um dos melhores carnavais da região, com a presença de milhares de pessoas que prestigiam a festa, vindos das cidades próximas. O carnaval é tão animado e tão bom, que chega a ter uma média de 20 mil pessoas pulando carnaval nos dias de festa, mais que os moradores da cidade. 

Além disso, o povo alvinopolense é muito hospitaleiro e sente e muito orgulho de sua cidade, da sua história e principalmente por ser sede de uma das mais importantes empresas do setor têxtil do Brasil e uma das mais antigas também, a Fabril Mascarenhas. (na foto abaixo, enviada por Alessandro Pascoal Eugênio, o interior da Igreja de Nossa Senhora do Rosário)

Alvinópolis faz divisa com os municípios de Rio Piracicaba, Mariana, São Domingos do Prata, Dom Silvério, Santa Bárbara, Catas Altas e Barra Longa. Está distante do Rio de Janeiro por 450 km, de São Paulo por 755 km, de Brasília por 900 km e de Vitória por 425 km. As cidades mais próximas, são: João Monlevade por 56 km, Mariana por 68 km e Ponte Nova por 60 km de distância.

Breve história:

No final do século XVII foi encontrado ouro no Rio Gualaxo. Com a descoberta começaram a vir pessoas de outras localidades para explorarem o precioso metal. Um desses foi o sertanista Paulo Moreira da Silva, que adquiriu uma fazenda próximo ao Rio do Peixe, um lugar com solo e terras bastante férteis. A partir de 1830, nesta mesma fazenda, começou a se formar um arraial onde seus moradores se dedicavam a produção agrícola e esta produção abastecia as cidades de Mariana e Ouro Preto. Em 1832, o arraial passou a chamar-se de Freguesia de Nossa Senhora do Rosário de Paulo Moreira. Em 1745, no arraial, começa a construção da capela em honra a Nossa Senhora do Rosário e em 5 de fevereiro de 1891, é reconhecida como cidade. O nome da cidade passou a ser Alvinópolis em homenagem a Cesário Alvim, ex-governador do Estado

Fabril Mascarenhas

Em 14 de junho de 1887 foi inaugurada próxima a fazenda Paulo Moreira, uma pequena fábrica de tecidos. (na foto ao lado, arquivo da Fabril Mascarenhas) Em 1901 a pequena fábrica foi arrendada por um grupo do setor têxtil da época, sendo adquirida em definitivo em 1912, passando a denominar-se Companhia Fabril Mascarenhas. Ao longo desses mais de 100 anos em atividade, a empresa se modernizou, ampliando seu campo de ação com aquisição do controle acionário da Monferrari Ltda e da Industrial Policena Mascarenhas S.A, no inícios dos anos 80. Além disso a empresa possui três usinas hidrelétricas em Dom Silvério MG e em Alvinópolis MG, garantindo uma enorme economia de energia elétrica.

A fábrica sempre passa por processos de modernização e atualização mas mantendo o que tem de mais valor que é a tradição e qualidade dos tecidos de seus produtos, que são cretones para roupas de cama, popelines para vestuário adulto e infantil, tecido para decoração, cama, mesa e fraldas. O produto mais famoso da empresa é o tecido de Chita. A empresa gera em torno de 400 empregos diretos.

Além da Fabril Mascarenhas, Alvinópolis conta com a Bio Extratus Cosméticos Naturais Ltda, gerando vários empregos diretos e indiretos. A própria Prefeitura é uma geradora de empregos, tendo em seus quadros mais de 500 servidores. Desde o arraial, Alvinópolis tem como força a sua produção agrícola. Esse setor emprega mais de 2000 famílias que atuam na produção de leite e seus derivados, gado de corte, produção de eucaliptos e outras culturas agrícolas. (na foto acima, enviada por Alessandro Pascoal Eugênio, vista parcial da Fabril Mascarenhas) 

Festchita
Tecidos de Chita é a principal produção da fábrica Fabril Mascarenhas, o que torna a cidade de Alvinópolis a cidade das Chitas. Vem se tornando tradicional na cidade a Festchita, geralmente no mês de junho, onde artesãos mostram seus trabalhos usando o famoso tecido, bem como a própria empresa Fabril Mascarenhas, mostra seus produtos nos 3 dias de festa. (na foto acima, enviada por Alessandro Pascoal Eugênio, barraca de chitas no dia da festa)
O evento é marcado, além de tecidos, da chita e artesanato local, por shows, barracas e desfile. Tem também concurso e desfile de beleza, onde garotas da cidade desfilam com vestidos de chita, como podemos ver na foto acima enviada por Alessandro Pascoal Eugênio.

Chita vem do sânscrito "chintz". É um tecido estampado de origem indiana que surgiu entre os séculos XV e XVI conquistando os europeus por pelas cores vivas, intensas e cintilantes do pano. Quando chegou ao Brasil, por volta de 1800, o tecido passou por várias melhorias até chegar ao que temos hoje. Com a produção do tecido no Brasil, o custo para o consumidor baixou muito. Com o preço mais baixo, logo se popularizou, sendo o mais importante tecido do século XX, principalmente entre as camadas mais simples da sociedade, considerado uma identidade nacional de tão popular que era. 
Esse tecido hoje é muito usado em festas populares, como Reinados e Festas Juninas. É usado também como decoração de ambientes e nas artes. Gildásio Jardim, um artista plástico de Padre Paraíso, pinta suas telas como pode ver na imagem acima, somente com tecidos de Chita. É considerado o artista das chitas no Brasil. 

COMO CHEGAR

De carro: Pegue a BR 381 até João Monlevade. No trevo dessa cidade, pegue a MG 123. Você passará por Rio Piracicaba, Padre Pinto e Major Ezequiel, por fim, Alvinópolis.
De ônibus: Na Rodoviária de Belo Horizonte, pegue o ônibus da linha Lopes e Filhos. De segunda a sábado são dois horários e no domingo um. Pode pegar também um ônibus da Viação Gontijo para Dom Silvério MG, que passa tem parada em  Alvinópolis.  Essa linha tem apenas um horário.
De trem. Você pode ir de trem. Na Estação Ferroviária de Belo Horizonte, pegue o trem Vitória Minas, que sai as 7:30 hs, todos os dias. Você descerá na Estação de Trem de Rio Piracicaba e de lá, pegue um ônibus direto para Alvinópolis. (Por Arnaldo Silva)

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A casa da rua Santana 384

Doze de agosto de mil novecentos e trinta e oito, uma terça feira ensolarada o outono em pleno auge dava a tonalidade marrom das folhas mortas ao ambiente.

Geralsina, uma mulher negra com um metro e setenta de altura, dentes alvos e perfeito corpo de mulher feito para a lida diária da roça, dava neste momento aos seus filhos o farto alimento que colhera de seu quintal: arroz, feijão mostarda, angu e torresmo de carne de porco.

No seu casebre sonhava em aumentar mais um cômodo, pois prenunciava a vinda de mais filhos e queria que esse filho que teria viesse na paz do senhor e com muito espaço para peraltear.


A rua em que a família morava, era rústica, cheia de buraco e carecia de cuidados, afinal o brasileiro estava mais preocupado coma guerra eminente em que o presidente Vargas estava empenhado em participar se aliando com os estadunidenses e ingleses contra os branquelos alemães. Todo esforço da economia nacional estava direcionada para esse objetivo.

- Graça ao bom Deus, ninguém da família fora convocado para lutar, La no outro lado do mundo. Isto tranquilizava Geralsina. Seu marido José Hilário estava no seu segundo casamento e ela além de cuidar de seus filhos em numero de três , cuidava com desvelo dos quatros outros filhos, fruto do primeiro casamento de seu marido.
Para uma família cujo chefe teve a sorte de arrumar um emprego na RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima) era sinal de estabilidade financeira e assim foram se passando o tempo, seu marido atendera seu pedido aumentando a casa que ficou do agrado.

O bebe se aproximava do dia de seu nascimento e Geralsina já tomava o chá de ervas para quando chegasse a hora, não houvesse dificuldade para o seu nascer.

Acabara de preparar o jantar e sob a luz tenra da lamparina viu seu marido chegar do serviço com o semblante cansado e extenuado como sempre, mas nessa sexta feira tinha algo novo em seu olhar, seus dentes alvos brilhavam emoldurando um sorriso de satisfação.
Jose muito cansado, ainda arrumou forças para dar um abraço em sua esposa e confidenciar ao teu ouvido a boa nova: - “Cina !” 


Recebi uma promoção, agora não serei braçal. virei guarda chave e vou trabalhar arrumadinho dentro da estação de trem!

- Que bom! jubilou “Cina” acabou essas viagens doidas de conserto de linhas, você vai trabalhar onde?- Indagou sua companheira.
- Irei trabalhar aqui em General Carneiro. Perto daqui, vou trabalhar a noite e o salário vai ser maior. Teremos que mudar para la para quando o patrão precisar de mim, eu vou estar sempre pronto a atender.
-Mas e aqui? Depois que reformamos a casa vou deixa-la? Nunca! Bradou irritada senhora.
- É por pouco tempo é só até eu pegar experiência no cargo e ficar próximo de olhar você e nossos filhos. Iremos só nós dois e nossos filhos essa casa fica com o Rubinho, Carmelita, Enedina e Valdemar assim olho as duas famílias e descanso mais.

Inconformada Geralcina não queria aceitar e seu marido estava irredutível. Já comprara a casa em General carneiro e a mudança seria na quinta feira da semana seguinte.

O amor que Geralsina tinha pela sua casa, era algo indescritível, seu jardim, sua plantação de hortaliça, suas galinhas, cabras e mimosa, sua vaquinha que lhe dava o sagrado leite toda as manhã, iriam ficar para trás. Seus enteados não saberiam como preservar toda a sua riqueza.

Ficara sem conversar com seu marido e dialogando com o padre José aceitou ainda relutante, mudar para o local de trabalho de seu esposo.

Na quarta feira que antecedeu o dia de sua mudança, Geralcina, chorou e implorou que seu marido a deixasse morar naquela casa, pois toda a sua historia estava impregnada nas paredes e que ela não se adaptaria ao novo endereço. Não houve jeito e na quinta feira no trem das oito horas da manhã ela partia com seus três filhos nas mãos e um na barriga para o seu novo lar.

A mudança chegaria no cargueiro do meio dia e haveria amigos de Jose Hilário para ajudar a montar seu novo lar.

O abatimento caiu como uma rocha de uma tonelada na alma de Geralsina. Vivia calada e sempre com lagrimas nos olhos com saudade da Roça grande e de seu antigo lar. Jurava que voltaria para a terra de santo Antonio e viveria ali seus últimos dias.
O tempo passava rápido, ela com pensamentos ocupado, havia se esquecido que estava grávida e na noite de vinte e oito de fevereiro de mil novecentos e trinta e nove a parteira Diolinda foi requisitada a socorrer a mulher de Jose Hilário, mas ela nada pode fazer, a parturiente teve grave hemorragia e faleceu juntamente com seu filho.

Foi uma enorme comoção em Roça grande e atendendo ao seu desejo seu corpo e do seu filho foi enterrados no cemitério ao lado da capela de santo Antônio.

A casa da Roça Grande ficou com os filhos de Jose hilário do primeiro casamento, cada um foi tomando o caminho que a vida os destinara. Rubens entrou para a companhia Belgo mineira e juntamente com Valdemar, mudaram para Sabará e La constituíram família, Enedina e Carmelita casaram teve filhos e Jose hilário deu a cada uma, pedaço da gleba da rua Santana onde as duas viveram com seus filhos ate morrerem.

Em 16 de julho de 1966, partia desse mundo o Zé Hilário e sua casa agora vazia serviu de moradia para vários casais com seus filhos.

Muitos inquilinos relataram que constantemente viram uma mulher sentada na soleira da porta da cozinha, mas quando se aproximava ela desaparecia.

Todos moradores desta casa por um motivo ou outro tiveram conflitos de relacionamento familiar e hoje é uma casa abandonada onde o tempo está encarregado de destruí-la.

Por Valdemar Arcanjo - Sabará MG
Visite o blog do escritor:http://arocacontaumconto.blogspot.com.br/
Imagens meramente ilustrativas


terça-feira, 10 de abril de 2018

Trem turístico vai ligar Minas Gerais e Rio de Janeiro

Imagem meramente ilustrativa, mostrando uma linha de trem, com flores feita pela Marselha Rufino de Itumirim MG. Simboliza a esperança que temos em novas iniciativas como estas, de reativar o transporte de passageiros, mesmo que seja de turismo. Temos esperança na foto dos trens!

As locomotivas já foram recuperadas e nove vagões estão sendo preparados para transportar os turistas pelos 160 km que ligam Cataguases, em Minas Gerais, e Três Rios, no estado do Rio de Janeiro. Outras seis cidades serão contempladas com o passeio interestadual: Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba e Chiador, em Minas; e Sapucaia, no Rio de Janeiro. Os passeios serão realizados nos sábados, domingo e feriados e deverão dinamizar a atividade turística nos municípios.

Os turistas que já visitam a região em busca de atrativos naturais e históricos poderão apreciar as belas paisagens, além de realizarem viagens temáticas e atividades culturais ao logo das estações. O projeto Trem turístico Rio-Minas é coordenado pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem e conta com o apoio das prefeituras e iniciativa privada da região, além da concessionária da ferrovia Centro Atlântica e órgãos do governo federal ligados ao transporte ferroviário.

Paulo Henrique Nascimento, que está à frente do projeto, considera o trem Rio-Minas inovador para a atividade turística. “A previsão é que essa iniciativa contribua com a geração de cerca de 500 empregos diretos e indiretos, além de manter preservado o patrimônio histórico”, comenta.


Os trens poderão transportar até 850 passageiros, por dia de funcionamento, nos dois sentidos da ferrovia. As composições partirão simultaneamente de Cataguases (MG) e Três Rios (RJ). Os turistas poderão fazer o trajeto completo de ida e volta ou retornar para a origem trocando de trem na metade do caminho.

MTUR - O Brasil possui, atualmente, mais de 30 trens turísticos em operação e o Ministério do Turismo apoia iniciativas que valorizam o transporte turístico através do resgate das ferrovias e da história do transporte ferroviário brasileiro. No dia 26 de fevereiro, uma reunião em Brasília marcou a retomada de discussões do Grupo de Trabalho de Turismo Ferroviário coordenado, desde 2010, pela Pasta.

Cabe ao grupo a elaboração de políticas de fomento ao setor. A pauta do encontro abordou pontos como a necessidade de avanços normativos e legais na área para superar obstáculos ao adequado desenvolvimento do ramo no Brasil. A próxima reunião do colegiado deve ocorrer em abril. Além do MTur, fazem parte do GT de Turismo Ferroviário representantes do Ministério dos Transportes, do DNIT, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério do Meio Ambiente, do Brasil Convention & Visitors Bureau e empresários do setor, entre outros.

Ilustração nossa. Fonte das informações: Ministério do Turismo - http://www.turismo.gov.br

segunda-feira, 9 de abril de 2018

A cidade de pedra e a Igreja de Santo Antônio

Grão Mogol (foto acima de Lucas Alves)é a genuína e autêntica raiz do sertão mineiro. Suas ruas e construções em pedras, em destaque para a Igreja de Santo Antônio, é a mais pura originalidade da cultura, arquitetura e riqueza patrimonial mineira. Foi fundada em 1840, sendo hoje uma cidade histórica, tendo seu centro histórico, com suas ruas e casarios históricos em pedra, tombados pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais (Conep). A cidade possui também um presépio tamanho natural, muito visitado por turistas nas proximidades do natal.
Tem hoje 17 mil habitantes, está a 829 metros de altitude e a 556 km de Belo Horizonte, 1.080 km do Rio de Janeiro, 1.215 km de São Paulo, 930 km de Brasília, 940 km de Vitória e 879 km de Salvador. (foto acima e abaixo de Juneo Lopes)
É uma das mais importantes cidades do Norte de Minas. Faz divisa com os municípios de Riacho dos Machados, Francisco Sá, Itacambira, Botumirim, Cristália, Berilo, Virgem da Lapa, Josenópolis, Padre Carvalho, Fruta de Leite, Rio Pardo de Minas, Juramento. 

Breve história
Tela mostrando Grão Mogol na origem. Créditos: Divulgação/Unimontes
A partir de 1710, bandeirantes e aventureiros começaram a chegar na Serra do Espinhaço devido a descoberta de diamantes, num local denominado Arraial do Tejuco, onde é hoje o município de Diamantina. A descoberta gerou a procura por diamantes em terras ao longo do entorno do recém formado Arraial do Tejuco. No final do século XVIII descobriram diamantes ao longo do Rio Itacambiraçu e na Serra de Santo Antônio onde foram encontrados diamantes nas rochas, sendo caso único no mundo. A partir de então, um pequeno arraial começou a se formar, denominado de Santo Antônio do Itacambiruçu, que hoje é a cidade de Grão Mogol.
A origem do nome Grão Mogol não é exata. (foto acima de Thelmo Lins mostrando o casario e a rua de pedra, característica da cidade) Uma versão diz que vem do nome de um diamante descoberto na Índia em 1550, que pesava 793 quilates denominado Grão Mogol. Na região do Espinhaço foram encontrados alguns diamantes semelhantes em quilates, por isso a associação ao nome.
Na foto acima de Thelmo Lins, local de extração de diamantes, ainda em funcionamento. 
Uma outra versão sugere que o nome tenha originado no amargo sofrimento gerado por conflitos pela disputa de diamantes ocasionando grandes desordens sociais e assassinatos, o que provocava grande amargor nas pessoas do povoado. Já naquela época, o mineiro tinha o hábito de reduzir as palavras, como ainda hoje. Não falavam "grande amargor" e sim "granmargor", "grãomargó" e por fim, corrigindo a pronuncia, a denominação passou a ser Grão Mogol. 

Mas nem tudo era amargor no arraial. (a foto ao lado, de Juneo Lopes, mostra a Capela do Rosário) O famoso Barão de Grão Mogol, Gláuter Martins Pereira, nascido em 1826 numa fazenda na região, era conhecido pela sua generosidade, compaixão e por tratar humanamente os escravos que possuía. Como ele, tinha outras pessoas boas. 

Voltando a história do arraial, em 1840 o povoado foi elevado a distrito, subordinado a Montes Claros MG. Em 1849 foi elevado a Vila e finalmente, reconhecida como cidade em 1858. A data oficial do aniversário de Grão Mogol é 23 de março de 1840, portanto, a cidade tem hoje 178 anos.

A marca da presença portuguesa era a edificação de uma cruz e construção de uma capela, em homenagem aos seus santos. Os portugueses, bem como seus descendentes, veneravam muito Santo Antônio, um frade franciscano nascido em Lisboa que viveu boa parte de sua vida em Pádua, na Itália. 
A foto acima mostra a Praça da Matriz de Grão Mogol com seus casarões coloniais e em pedra. Fotografia de Thelmo Lins
Na região já existia uma cadeia montanhosa com o nome de Santo Antônio e resolveram construir uma igreja em sua homenagem. Começaram a construção da igreja, no então distrito com apoio do Barão de Grão Mogol, que cedeu o terreno e escravos para a construção. A ideia era que a igreja fosse construída somente com rochas, que é abundante na região. A partir da construção da igreja, em pedras, começaram a construir no seu casas também de pedras, sendo até hoje uma das características da cidade, devido a abundância de rochas na região. Não casas, como calçamentos de ruas e praças também são feitas em pedras
A fachada da Igreja foi construída em estilo eclético. (foto acima de seu interior de Thelmo Lins) Mesmo sendo feita de pedras, diferente das construções em barro e pau-a-pique da época, o interior da igreja seguiu os padrões do estilo da época, ou seja, o barroco. Na época as igrejas sempre tinham um altar principal todo ornado em madeira e ouro, com a imagem central do padroeiro e dois altares laterais com diversos pequenos oratórios dedicados aos santos e imagens de anjos adornando toda a igreja. Todos ornados em madeira, como também o piso, os bancos, confessionários etc. No caso dessa igreja, a originalidade da cor bruta das rochas e a beleza nobre da madeira, dá um contraste com ares de paz e sossego. 

É uma das mais belas igrejas de Minas Gerais, um rico patrimônio de Grão Mogol e do povo mineiro. (Por Arnaldo Silva)