sábado, 19 de janeiro de 2019

Ferrovia ligará Sete Lagoas a São Mateus no ES

Arte: Petrocity/Divulgação
A Estrada de Ferro Minas Espírito Santo (EFMES) terá cerca de 600 km de extensão e ligará a cidade de Sete Lagoas na Região Central de Minas Gerais à cidade de São Mateus, no Litoral do Espírito Santo.
     A nova linha de trem será 100% privada, com empreendimento da empresa Petrocity Portos SA.
     A ferrovia tem custo estimado em 6,5 bilhões de reais, que segundo a empresa, irá gerar 3500 empregos em Minas Gerais e 1000 no Espírito Santo.
     Inicialmente, será construído um Centro Portuário em São Mateus ES, com custo estimado em 3,1 bilhões de reais. O início dessas obras estão previstos para esse ano de 2019, aguardando apenas os trâmites burocráticos para iniciar as obras.
     Já a ferrovia, a expectativa é que as obras se iniciem em 2021, após a liberação das licenças ambientais, concessões e outras questões burocráticas que uma obra de vulto dessa carece. A previsão é que a ferrovia esteja concluída em 2025.
     O trajeto da ferrovia EFMES terá 5 Unidades de Translado. Uma em Barra de São Francisco/ES e 4 em Minas gerais sendo nas cidades de Santa Maria de Itabira, Governador Valadares, Confins e com ponto final em Sete Lagoas. Cada uma dessas unidades ocupará área de 200 mil metros quadrados, com investimento de 56 milhões, em cada.
A imagem mostra o projeto do Centro Portuário em São Mateus ES - Foto: Petrocy/Divulgação
     Em declaração à imprensa, o presidente da empresa José Roberto Barbosa da Silva, salientou que foi feito "um estudo minucioso por causa do centro portuário e identificamos a necessidade de escoamento da produção de indústrias no norte do Espírito Santo, no interior de Minas, como Vale do Jequitinhonha e Mucuri, e no Sul da Bahia. Com nova possibilidade de escoamento, podemos aumentar em 40% a produção industrial dessas regiões”. Segundo Silva, a ferrovia não irá transportar minério, mas produtos diversos da pecuária, grãos, rochas ornamentais, aço, siderurgia, incluindo veículos.
     O executivo disse ainda que a EFMES "terá tecnologia de ponta, com vagões e locomotivas com energia elétrica e solar nos escritórios do empreendimento. Os trens deverão ser equipados com monitoramento remoto e piloto automático."
     Indagado sobre a possibilidade da empresa colocar trens de passageiros o executivo disse que o projeto inicial não prevê transporte de passageiros, somente de carga, mas havendo demanda, não haveria impedimento em incluí-lo. (Por Arnaldo Silva)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

A origem dos tapetes de Corpus Christi

   A festa de Corpus Christi, que significa Corpo de Cristo, acontece 40 dias depois a páscoa. A Igreja comemora essa festa desde o ano de 1264, com a instituição desse festejo pelo Papa Urbano IX com a Bula "Transiturus". (na foto acima, de  Elvira Nascimento, mostra os tapetes de Corpus Christi no Largo do Coimbra em Ouro Preto MG)
   Os tapetes de Corpus Christi que encantam a todos nesse período religioso vem de uma tradição muito antiga.  A prática surgiu em na região dos Açores em Portugal no século XIII e foi introduzida no Brasil no período colonial, sendo rapidamente difundida por toda a colônia e hoje é uma prática dos católicos em todos os Estados Brasileiros. É uma tradição rica, de enorme valor para os católicos e preservada até hoje pelos dois países. Em Minas Gerais, Estado que durante o Ciclo do Ouro recebeu milhares de portugueses, a tradição foi amplamente difundida e se enraizou na sociedade cristã mineira, fazendo parte da tradição religiosa mineira. 
   Em Portugal a procissão do Corpus Christi sempre foi tradição. No século 13 fiéis observavam o Sacerdote que caminhava á frente da procissão carregando o Ostensório, um objeto que armazena a hóstia sagrada, que para os católicos simboliza o corpo de Cristo. ( na foto ao lado, o sacerdote com o Ostensório, em Bichinho, distrito de Prados MG, fotografado pelo César Reis) É o Sacramento da Eucaristia que somente nesse dia, deixa o altar e vai para as ruas. Para os católicos, a passagem do ostensório com a hóstia simboliza que Jesus está andando pelas ruas da cidade. 
   Por acreditarem que Jesus estaria andando pelas ruas de sua cidade e para os católicos, Jesus é o Rei dos Reis, o Salvador, o Messias prometido, merecia uma recepção digna da fé de seu povo. 
   Foi lembrada então uma passagem bíblica na parte que narra Jesus entrando em Jerusalém e o povo feliz com sua presença. Numa demonstração de carinho, jogavam no chão ramos de oliveiras para que ele passasse por cima. O ato do povo colocar ramos de oliveiras no chão, foi inspiração para para que no dia de Corpus Christi fosse feito algo mais bonito, digno de Jesus Cristo, o Rei dos Reis. 
   Não tem nada a ver com a procissão de Ramos, no período da Semana Santa, foi apenas uma ideia inspirada nessa passagem e que se popularizou e teve a aprovação da Igreja. Assim, inspirando-se nessa ideia, surgiu a decoração das ruas das cidades, no século 13, em Portugal e introduzida no Brasil, durante o período colonial. Até hoje decorar ruas com tapetes nesse dia é praticada nos dois países.  (a foto acima, a arte do artista plástico Reinaldo de Paula em frente a Igreja de Jaboticatubas.Um verdadeiro show de fé, criatividade e talento do artista )
   Com o passar dos séculos a ideia foi se desenvolvendo até chegar aos moldes atuais, onde os fiéis decoram as ruas fazendo desenhos que representam cenas bíblicas com o rosto de Cristo, cálices, cordeiros, pão e outros desenhos sobre as ruas onde a procissão passará. Usam serragens, borra de café, farinha, casca de ovos, areia, folhas, flores, sal coloridos, entre outros materiais. (a foto mostra procissão de Corpus Christi pela ruas de Diamantina. Imagem arquivo: Secretaria de Turismo/Divulgação)
   Esses trabalhos chegam a ser considerados verdadeiras obras de arte, pela beleza, magia e encantos que proporcionam. O trabalho é feito pela comunidade e não tem caráter de promessa ou penitência. É somente amor à Eucaristia e adoração a Cristo.Começam no dia anterior ao feriado e muitos passam a noite inteira decorando as ruas.
   Os fieis se reúnem e começam a preparar os tapetes para o dia seguinte, de Corpus Christi. Não tem tamanho, formato ou extensão exatas. Pode ser de algumas centenas de metros ou dependendo dos fiéis, quilômetros até. Na tradição antiga, principalmente nas cidades históricas onde existiam muitas igrejas, a procissão saia de uma igreja para a outra, assim os tapetes ligavam as igrejas. Durante o cortejo, os fiéis exibiam e ainda exibem panos vermelhos nas janelas (como podemos ver na foto abaixo, de Sônia Fraga, em Ouro Preto).

   Em Minas Gerais essa tradição, vem desde o início do século XVII e hoje em todos os 853 municípios mineiros, distritos e povoados, é preservada. 
   O mineiro sempre foi um povo conservador e muito religioso. As manifestações de fé do nosso povo atrai a atenção de todos do Brasil e do mundo. Vem para ver, fotografar, sentir, se emocionar e participar desse momento de fé, confraternização e alegria do povo católico mineiro que coloca toda sua emoção e sentimento na arte dos tapetes de Corpus Christi. E o turista sente essa emoção.
   Nosso Estado é muito grande e não dá para ir em todas as cidades mineiras para admirar a beleza dos tapetes e participar da alegria dos fiéis, mas sugerimos algumas cidades onde você turista poderá acompanhar o dia de Corpus Christi e conhecer cidades lindas, com história, museus, arquitetura colonial, e outros atrativos. Veja os roteiros que sugerimos.
Ouro Preto, Mariana e Congonhas
São cidades próximas. Começando por Ouro Preto (na foto acima de Elvira Nascimento), o visitante ficará deslumbrado com os tapetes coloridos em frente as igrejas do período barroco. É deslumbrante. A cidade é perto de Belo Horizonte, apenas 100 km de distância a capital.
   A 20 km de Ouro Preto está Mariana, a primeira cidade e capital de Minas Gerais. Os fiéis saem pelas ruas repletas de tapetes e os que não estão na procissão, estendem colchas e toalhas de rendas nas janelas de suas casas.
   E a 56 km de Ouro Preto está Congonhas, a famosa cidade dos 12 profetas do Aleijadinho, expostos no Santuário do Bom Jesus do Matosinhos que é Patrimônio da Humanidade. Os tapetes coloridos nesse de Corpus Christi são verdadeiros espetáculos.
São João del Rei, Tiradentes e Prados
   As cidades são vizinhas. Tiradentes fica apenas 16 km de São João Del Rei que está a 188 km distante da capital Belo Horizonte.
   Nas três cidades ocorre procissões com suas principais ruas, próximas as igrejas cobertas pelos tapetes. Em Tiradentes, é comum nesse dia apresentações de teatrais, recitais de poemas e canções, no Largo das Forras. (na foto, missa de Corpus Christi na Igreja de Santo Antônio em Tiradentes fotografada pelo César Reis)
   A 17 km de Tiradentes está a cidade de Prados, que também é cidade histórica, com um casario colonial preservado. É nessa cidade que está o Bichinho, distrito famoso por sua beleza e artesanato. A missa e procissão de Corpus Christi em Prados mostra a fé e carinho de seu povo por esse dia.
Diamantina e Serro
   Diamantina está a 300 km de Belo Horizonte na região do Alto Jequitinhonha. A 90 km de Diamantina está a cidade do Serro. (na foto acima, tapetes de Corpus Christi nas ruas de Diamantina. Foto arquivo Secretaria de Turismo/Divulgação)
   Essas duas cidades são especiais por valorizarem as tradições e preservarem a memória e história de seus antepassados. Pelas ruas de Diamantina e do Serro, após a missa de Corpus Christi, o colorido dos tapetes e a alegria dos fiéis emociona os visitantes.
Sabará, Santa Luzia e Caeté
Apenas 20 km de Belo Horizonte está Sabará, a terceira vila e cidade mineira. Possui um rico patrimônio histórico, com igrejas e casario do tempo do Brasil Colônia. Aleijadinho e o Meste Ataíde deixaram suas obras na cidade, que fica mais linda ainda com os tapetes coloridos, preparados com carinho pelos fiéis.
A 21 km de Sabará está Santa Luzia, também cidade histórica. Nesse dia especial de Corpus Christi, as principais ruas do centro histórico de Santa Luzia ficam lindas com os tapetes coloridos, bem como em Caeté, que está a 35 km de Sabará. Cidade histórica, fiel às tradições religiosas. Além disso, ir à Serra da Piedade, que faz parte do município, é um passeio quase que obrigatório.
Capitólio e São João Batista do Gloria

Capitólio está a 281 km de Belo Horizonte. É hoje um dos pontos turísticos mais badalados do Brasil. Banhada pelo Lago de Furnas, uma atração do município, além dos cânions, a cidade é rica em fé, bem como a vizinha São João Batista do Glória, a 61 km de Capitólio. (a foto ao lado mostra uma rua de São João Batista do Glória decorada para o dia de Corpus Christi. Foto da Paróquia local, enviada por Aline Marques) 
Em São João Batista do Glória está o Paraíso Perdido, a Lagoa Azul e tantas outras belezas e cachoeiras da região da Serra da Canastra. A fé vem de geração em geração e as cerimônias religiosas são seguidas à rica e feitas com muito carinho. O turista se impressiona com a beleza dos tapetes que ornamentam as ruas dessas cidades.
   Além das cidades históricas, turistas do Brasil inteiro vem a Caxambu, São Lourenço, Lambari, Extrema, Camanducaia, Santana do Riacho, Alfenas, Poços de Caldas, Baependi, Aiuruoca, Campos Altos, Romaria e Araxá para participarem das celebrações de Corpus Christi, porque são cidades que tem atividades voltadas para o turismo religioso.
   Seja qual for o roteiro que você escolher, Minas Gerais tem 853 municípios e em todos eles, a fé católica é mostrada com fervor e alegria não só no dia de Corpus Christi, mas em todos os dias religiosos. Onde você estiver, encontrará as tradições religiosas católicas mineiras valorizadas e preservadas. (Por Arnaldo Silva)

O Castelo do Café

O Castelo do Café está localizado na região do Coqueiro Rural em Manhuaçu – MG a 290 km de Belo Horizonte. Empreendimento ousado e imponente que surgiu com a finalidade de unificar e centralizar as operações do Café Salomão. Desta maneira, a família Charbel, formada pelo casal Rosely e Charbel e os filhos Davi e Salomão, foram audaciosos e decidiram criar um empreendimento único, e que trouxesse uma experiência ímpar no universo dos cafés especiais.
No início, a ideia era ter um galpão e colocar em sua fachada algo parecido com um castelo, porem, unindo a criatividade da Rosely e a experiência do arquiteto João Previero, o galpão se transforma em um Castelo. Uma obra majestosa, localizada entre uma cachoeira e belíssimos jardins e lavouras de café, a obra leva em seus traços características dos castelos italianos e da região da Baviera na Alemanha.
O visitante que tiver a oportunidade de ir até o Castelo do Café poderá ver de perto um local rico em detalhes, unindo os símbolos da família Charbel, elementos medievais e saborear cafés frescos de altíssima qualidade (característica presente do Café Salomão) na Cafeteria do Castelo do Café.
O Castelo do Café está aberto ao publico sábado, domingo feriados entre 10 da manhã as 20 horas. Para maiores detalhes, acesse a as redes sociais com a palavra "Castelo do Café".

1894: Inauguração do Monumento à Tiradentes em Ouro Preto

A Praça Tiradentes é uma praça localizada na cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais. Foi o local onde a cabeça do mártir da independência, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes foi exposta (1792) em Vila Rica, atual Ouro Preto. No local onde estivera o poste (atual praça Tiradentes) se encontra hoje um monumento ao Mártir. Verifica-se que curiosamente, a estátua em bronze de Tiradentes está de costas para a então residência oficial do governador.
A inauguração do monumento em homenagem a Tiradentes foi retratada na tela da artista plástica Émile Rouède (Avignon, França, 1848 - Chegou ao Brasil em 1880, vivendo no Rio de Janeiro. Faleceu em Santos, São Paulo em 1908). 
O local onde hoje se encontra a Praça Tiradentes, em Ouro Preto, era conhecido no século XVIII como Morro de Santa Quitéria e durante quase todo o século XIX, chamou-se Praça da Independência. Em 1894, com a inauguração do Monumento em homenagem a Tiradentes, passou a se chamar Praça Tiradentes.
Por volta de 1750, começava a se formar o conjunto arquitetônico da praça. Em 1748, aproximadamente, já começava a funcionar no local o novo Palácio dos Governadores. 
Hoje, a Praça Tiradentes é marcada por dois imponentes prédios: o Museu da Inconfidência (antiga Casa da Câmara e Cadeia - 1784) e o Museu de Ciência e Técnica (antigo Palácio dos Governadores). Compondo o conjunto, há um admirável casario colonial onde se destacam: - Conjunto Alpoim: são diversas casas que teriam sido projetadas pelo brigadeiro José Fernandes Pinto Alpoim, que vão do número 52 ao 70. Entre elas, está a casa de Dom Manoel de Portugal e Castro, que foi o último governador da Capitania de Minas Gerais no período colonial. As três grades das sacadas apresentam uma curiosidade; nelas se encontram a inscrição: “ para memória do benefício imortal teu nome fica gravado neste metal .” Há uma lenda que conta que a amante do governador é que teria mandado fazer a inscrição na sacada de sua casa. - Casa da Baronesa. Nº 33. - Câmara Municipal e Posto de Informações Turísticas. Nº 41. - O Restaurante Estudantil – REMOP. Nesse local, no século XVIII, existiu a Santa Casa de Misericórdia. O prédio atual, em estilo neoclássico, já serviu como Fórum no princípio do século. (fonte das informações: Wikipédia)

Aprenda a fazer pamonha doce

Ingredientes
6 espigas de milho (bem amarelas)
1 xícara (chá) de açúcar
1 xícara de queijo Minas cortado em fatias
½ xícara (café) de leite

1 colher (sopa) de manteiga
Palha do milho para embalar
Barbante ou elástico para amarrar

Coco ralado (opcional) 
Modo de Preparo
Descasque as espigas de milho, corte as pontinhas das espigas e retire todos os cabelinhos do milho. Reserve.
Em uma panela, coloque o leite, a manteiga e leve ao fogo médio até derreter. Retire do fogo e deixe esfriar. Reserve.Em uma panela ferva água para cozinhar a palha do milho.
Cozinhe a palha por aproximadamente 15 minutos.
Escorra e coloque as palhas para secar individualmente.
Debulhe as espigas de milho com uma faca.
Bata o milho, aos poucos, no liquidificador com o auxílio de uma espátula. Vá acrescentando a mistura de leite até virar uma massa homogênea. 
Quando formar um creme, despeje numa bacia
Misture ao creme de milho, o açúcar e se preferir, coco ralado.
Mexa bem até que fique homogêneo
Coloque a massa dentro da palha de milho com uma fatia de queijo, fazendo pequenos "travesseiros" e amarre bem com barbante ou elástico.
Em uma panela grande coloque água para ferver.
Quando a água estiver fervendo, coloque as pamonhas uma a uma. É importante que a água realmente esteja fervendo, caso contrário, as pamonhas irão se desmanchar.
Cozinhe por aproximadamente de 50 minutos a 1 hora.
Retire com uma escumadeira e sirva ainda quente ou fria.
(fotografias de Nilza Leonel em Vargem Bonita MG)

sábado, 12 de janeiro de 2019

Conheça São José do Alegre

São José do Alegre fica no Sul de Minas Gerais no Vale do Sapucai a 438 km de Belo Horizonte, na Serra da Mantiqueira. Segundo o IBGE, o município contava com 4.183 habitantes. Faz divisa com os municípios de Itajubá, Piranguinho, Santa Rita do Sapucai, Maria da Fé e Pedralva. (na foto abaixo, de autoria de Vinícius Montgomery,  vista parcial de São José do Alegre)
História
Por volta de 1838 Caetano Pires e outros desbravadores, atraídos pela fertilidade da terra, fixaram-se na região. Mariano Machado e membros de sua família construíram a primeira capela. Foi, então, criado o distrito com a denominação de São José do Alegre, em 1890. Somente em 1953 o distrito foi elevado à categoria de município. Na cidade a maioria das casas tem acesso a energia elétrica e água tratada. (na foto abaixo, de autoria de Fernando Campanella, a bela paisagem rural de São José do Alegre)
Turismo
A festa do padroeiro, São José, com missas, procissões, concursos de músicas, shows de música sertaneja, gincanas, desfiles de cavaleiros, leilões, barracas e queima de fogos, movimenta a cidade durante cinco dias no mês de Julho.
Além disso existe a festa da Cidade realizada em 12 de Dezembro, onde se recebe visitantes de toda a região além do Vale do Paraíba e São Paulo.
Como opções de lazer a cidade conta bares, danceteria, clubes e praças.
A cidade é pacata conta com corredeiras como as do bairro boqueirão. Os rios são ótimas opções de lazer principalmente os Rios Sapucaí e Lourenço Velho que têm maiores volumes de água. O Ribeirão Anhumas corta o perímetro urbano.
Bem próximo à cidade existe em Pedralva a Estação do Pedrão de onde pode-se ter uma visão de toda a região.
Economia
O município possui alambiques, usina de beneficiamento de café, arroz, olarias, tecelagem, entre outros.
O município tem alta capacitação agrícola se destacando o cultivo de arroz (na foto acima de Fernando Campanella), café e banana, além de tradição na pecuária. (fonte das informações: Wikipédia)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Conheça Montes Claros

Fiel ás suas tradições, Montes Claros (foto acima de Sérgio Mourão) tem seu início no século XVII, com a bandeira de Fernão Dias. Dois membros abandonaram a bandeira e foram se aventurar pelo sertão. Antonio Gonçalves Figueira construiu a Fazenda Montes Claros em torno da qual surgiu e cresceu a cidade.
Montes Claros ainda conta com diversos pontos turísticos, como: o Parque Municipal Milton Prates (na foto acima de Eduardo Gomes), que possui uma grande área verde e é onde está situado o Zoológico Municipal; o Parque Sapucaia, que está localizado na Serra do Ibituruna, sendo uma reserva florestal com relevo montanhoso, propícia para prática de esportes radicais; o Parque Guimarães Rosa, criado pela Lei Municipal nº. 793 de 7 de agosto de 1989, é uma das maiores áreas verdes do perímetro urbano municipal; a Lapa Encantada, com cachoeiras com 1 km de rios subterrâneos; a Gruta do Engenho, aberta para visitação; o Conjunto Lapa Grande, onde se insere a gruta de mesmo nome que, com seus 3 km, está entre as maiores de Minas Gerais, além de abrigar em seus sedimentos restos de animais fósseis; 
além de construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida (na foto ao lado de Lucas Vieira), com 65,08 metros de altura, a Igreja Matriz e a Igrejinha dos Morrinhos. Também possuem destaque os 164 sítios arqueológicos catalogados, tendo como principal o Complexo Espeleológico da Lapa Grande, dada a sua importância arqueológica, onde aparece a formação do vulcão espeleotema de pouquíssima ocorrência no Brasil.
No âmbito cultural, existem grande número de atrativos. O turista pode conhecer a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e São José, o Museu do Folclore, o Centro Cultural Hermes de Paula e a Santuário Bom Jesus.
Dicas de Viagem
Montes Claros preserva suas tradições e possui dois espaços onde o turista pode apreciar o artesanato e a arte local. A Casa do Artesão possui uma exposição de peças artesanais e oferece oficinas de criação. Já o Salão de Artesanato do Centro Cultural expõe quadros, poesias e artesanato dos artistas da região. Entre as obras encontram-se peças em cerâmica, miniaturas de moinhos, esculturas a tapetes artesanais. (fotografia ao lado de Sérgio Mourão/Encantos de Minas)
Dados gerais
Fundação: 03/07/1857
Região: Norte de Minas
Municípios Limitrofes: São João da Ponte, Mirabela, São João da Lagoa, Claro dos Poções, Bocaiúva, Glaucilândia, Juramento, Francisco Sá, Capitão Enéas, Engenheiro Navarro, Coração de Jesus, Patis.
Distância de Belo Horizonte(Capital): 417 km
Circuito: Circuito Sertão Gerais
3/07 – Comemoração do Aniversário da Cidade
População Total (Hab.): 404.804 - IBGE 2018
Fonte: Wikipédia e http://www.visiteminas.com/montes-claros/

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Mineirês: o dialeto mineiro

O mineiro, mineirês ou montanhês é o dialeto do português brasileiro falado na região central do estado de Minas Gerais. Essa variante, que ocupa uma área que corresponde aproximadamente ao Quadrilátero Ferrífero, incluindo-se a fala da capital, Belo Horizonte, é um dos dialetos mais facilmente distinguíveis do português brasileiro.

Ele deve ser diferenciado do dialeto caipira, que cobre áreas do interior de São Paulo, Paraná e das regiões sul do próprio estado por receber influência do interior de São Paulo.

A característica do dialeto montanhês apareceu durante o século XIX, após a decadência da mineração, quando o estado foi largamente esquecido (inclusive pelos próprios governantes estaduais que centralizaram, excessivamente, a administração do Estado à região central), com seu acesso ao mar bloqueado por florestas e altas montanhas. Devido a esse isolamento, o estado sofreu influência do dialeto do Rio de Janeiro no sudeste, enquanto o sul e a região do Triângulo Mineiro, passaram a falar o dialeto caipira, de São Paulo (Com o “R” retroflexo). A região central de Minas Gerais, contudo, desenvolveu um dialeto próprio, que é o conhecido dialeto mineiro ou montanhês. Este dialeto está também presente nas cidades de Patos de Minas, Governador Valadares, Ipatinga… (Essas duas últimas de sotaque pouco acentuado.) Sendo uma exceção no Triângulo Mineiro entre as cidades que falam formalmente o dialeto caipira.
O dialeto mineiro apresenta as seguintes particularidades fonéticas:
1 – Apócope das vogais curtas: parte é pronunciado part’ (com o “t” levemente sibilado).
2 – Assimilação de vogais consecutivas: o urubu passa a ser u rubu.
3 – Permutação de “e” em “i” e de “o” em “u” quando são vogais curtas
4 – Aférese do “e” em palavras iniciadas por “es”: esporte torna-se sportchi. 5 – Apócope do “d” nos gerúndios: chovendo passa a ser chuvenu. Cantando passa a ser cantanu. Fazendo passa a ser fazenu. Tomate passa ser tumat’ (com o “t” levemente sibilado).
6 – Somente o artigo é flexionado no plural, à semelhança do caipira: os livros é dito us livru. Meus filhos se pronuncia meus filhu.
7 – Contração freqüente de locuções: abra as asas passa a ser abrazaza.
8 – Alguns ditongos passam a ser vogais longas: fio converte-se em fii, pouco é dito poco.
9 – Algumas sílabas são fundidas em outras. -lho passa a ser i (filho ==> fii), -inho converte-se em -inh (pinho ==> pinh).
10 – “r” é pronunciado como uma consoante aspirada: rato.
11 – Sonorização do “s” final antes de vogal.

A letra R no final das sílabas também possui uma sonorização única quase imperceptível, apesar de que nas maiores cidades é um pouco similar ao R aspirado pronunciado no Rio de Janeiro, Norte e Nordeste do país. Já nas proximidades da divisa com o estado de São Paulo o R (no final das sílabas) sofre a influência do interior de São Paulo.

Muitas palavras costumam ser representadas no plural de uma forma muito especial. O “S” no início da palavra (representados por S ou Z) e não no final como é comum em vários idiomas.

Exemplos:
Quét’ s’criança! (Mãe pedindo às crianças que se calem).
Conta Z’óra? (Alguem perguntando quantas horas são).
S’trudia (Advérbio de tempo: “há alguns dias atrás”).
As’fruta ‘tão ‘pudrecen tud’ (Todas as frutas estão apodrecendo).
Historicamente se nota claramente que a presença do S ou Z no início da palavra é causada pela junção do artigo no plural com o substantivo que com o passar do tempo soltou-se do artigo e juntou-se ao substantivo.”

De todas as abordagens sobre o dialeto mineiro, esta acima foi a mais consistente e científica. Quanto aos exemplos que seguem, de uma maneira geral todo e qualquer mineiro consegue entender o que está escrito sem a menor dificuldade.

Outro ponto importante a considerar é que o dialeto mineiro se aproxima muito do dialeto caipira, o qual é falado no interior do estado de São Paulo e ainda em regiões dos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná.

Assim, não restam dúvidas de que o falar dos mineiros é próprio, da mesma forma que o falar dos gaúchos, paulistas, cariocas, baianos etc também é próprio, tendo cada um características próprias. Tais características, entretanto, não dificultam o entendimento entre um paraibano e um gaúcho, ou entre um rondoniano e um carioca. Portanto, a língua falada em todo o Brasil é a língua portuguesa a qual, em cada região, assumiu características próprias e específicas. Talvez um estudo mais aprofundado pudesse apontar maiores ou menores diferenças no que se refere à estrutura gramatical e fonética da falar de cada região e, neste caso específico, do dialeto falado em Minas Gerais.


Apresentações
Cuméquecêchama? = Qual o seu nome?
Doncêé? = De onde você é?
Oncêmor = Onde você mora?
Proncêvai? = Pra onde você vai?


Cumprimentos
Dia! = Bom dia
Tardi! = Boa tarde
Noiti! = Boa noite
Inté = Até logo
Bença (ou Bênçu) = A benção, minha mãe (ou meu pai).
Dêsabençôi (ou Dêstibençôi) = Que Deus te abençôe, meu Filho (a).

Pedindo informações
Onquié = onde que é?
Oncotô? = onde estou?
Proncovô? = para onde devo ir?
Logali (Logo ali) = fica a uns trinta quilômetros, mais ou menos
Dexovê (deixa ver) = não tenho a mínima idéia
Tremdifer = trem
Trem = qualquer coisa cujo nome a pessoa ignora, esqueceu ou acha que você é burro demais para conhecer ou entender.
Oncêtá? = Onde você está?
Prônostam’ínu = para onde nos estamos indo?
Ondéopondiônz? = Onde é o ponto de ônibus?

Lugares
Pondionz = ponto de ônibus
Ponditáxi = ponto de táxi
Berádurrii = próximo ao rio

Fazendo compras
Quêjo prus minêro é qui nem arroiz pro japonêis.
Quanté? = quanto custa?
Derrear = Dez Reais
Baratim = (deixa ver se eu adivinho quanto esse otário está disposto a pagar)
Lidilei = litro de leite
Kidicar = kilo de carne
Mastumati = massa de tomate
Pincumél = pinga com mel
Vidiperfumi = vidro de perfume
Pasdidenti = dentifrício
Iscodidente = escova de dente
Mascote = sanduíche
Cazopô = caixa de isopor
Grá di cerveja = engradado de cerveja

A família
Meu fii = meu filho
Meu tchi = meu tio
M’ia muié = minha esposa
M’ia amiga = minha amante
Mermão = meu irmão

O tempo
Trudia = outro dia
Antonte = antes de ontem
Ansdionti = antes de ontem
Séssetembro = sete de setembro
Sápassado = sabado passado
Sesquivem = sexta que vêm
Quioração = Que horas são?
Tá cum jeidi chuva = (cansei dessa conversa besta e vou embora)
Quánahora = quase na hora
É rapidim = vai demorar algumas horas ainda

Conversa informal
Ê trem bão = Gostei disso
Vai cagá di morro abaixo pra vê a bosta rolá = A pior e mais definitiva ofensa que se pode dizer a uma pessoa
Nossinhora = nossa senhora (‘Nuss’ em minerês avançado…)
Credeuspai = meu Deus!
Vixxxxxxx = Interjeição mineira de concordância ou espanto.
Doidimais = doido demais
Oncotô = onde eu me encontro, por favor, estou meio perdido hoje…
Pópopoquin = pode colocar mais um pouco…
Oiuchero = olha o cheiro
Óssócêvê = olhe só para você ver
Tissodaí = tira isso daí
Cê num some não = pode tirar o cavalinho da chuva OU “o que que esse imbecil ta achando que é?”
Fiidazunha = Xingamento equivalente ao de baixo
Fiidaputa = impressionante, grande, excepcional
Cê é muito feladaputa mermo, né? = você é uma pessoa divertida, gosto de você
Uai = interjeição mineira de espanto: uai é uai, uai!
Nó = Nossa Sinhora, Mãe do Céu, Ave Maria!
Nú = Nossa Senhora Aparecida do Perpétuo Socorro
Nusga = Nossa Senhora Aparecida do Perpétuo Socorro Mãe de Deus e dos Pecadores
Né = Não é mesmo?
Bão tamém! = com certeza, concordo com você OU ENTÃO “deixa ficar quieto para ninguém ver que eu falei besteira”.
Bora? = vamos embora?
Sucêfôeuvô = se você for eu vou
Tô atrais do cê = vai primeiro, que vou depois
Bora = e lá vamos nós!
Faznão = Não faça isso.
Réda = Afaste-se, por favor.
Quê c’o cê qué intão? = Então, o que você quer?
Brigado ocêis! = Obrigado a vocês!

Outros exemplos
Você comprou as roupas que eu lhe pedi? = Cê comprô as ropa qu’eu tch pidji?
Quantos anos você tem? = Quan zan ‘cê tem?
O que é que ela falou? = Que qu’ela falô?
Eu vou à praça com você. = Eu vô na práss c’ocê.
Ele comprou aqueles cadernos para você = Ei’ comprô aquês cadern pr’ôcê.
Eu estou ajudando-a a carregar as malas. = Eu tô ajudãn ela carregá as mala.
Eu gosto de você. = Gós d’ôcê.
Eu sou de Belo Horizonte. = Eu sô de Belurizontch.
Quem é você? = Quem ‘qu’é ocê?
Que horas são? = Conta zora?
Sábado Passado… = Sá’passad’.
Você é daqui mesmo? = Cê’dakimês???

Usar sempre “i” no lugar de “e”. Ex.: MININO, ISPECIAL, EU I ELA, VISTIDO
Dizer “ÉMÊZZ?” quando quiser uma confirmação.
Se quiser chamar atenção diga simplesmente ÓI QUIÓ.
Se estiver com fome coma PÃO DJI QUEJJ. Ex.: dois PÃO DJI QUEJJ e dois guaraná…
Na falta de vocabulário específico utilizar a palavra TREM que serve pra tudo, exceto como meio de transporte ferroviário. Neste caso, é TROÇO.
Se aprovar alguma coisa solte um sonoro MAIS QUI BELÊZZ!
Pra fazer café, primeiro pergunte PÓPÔPÓ? Achou pouco, ficou ralo? Pergunte: PÓPÔ MAPOQUIM DIPÓ?
Se não estiver certo de comparecer, diga simplesmente CONFÓFÔ EU VÔ, que quer dizer: conforme for, eu vou.
Se o motivo da dúvida for algo que você tem que fazer, explique, “Vou fazer um NIGUCIM e volto logo”.
Ao procurar alguém que concorde com você, dispare um NÉMÊZZ?
Use a expresão aumentativa DIMÁI DA CONTA. Ex.: ISSÉ BÃO DIMÁI DA CONTA. CÊÉ BOBO DIMÁI DA CONTA.
Usar sempre duas negativas prá deixar claro que você não sabe do que está falando: “NUM sei NÃO”.
Use sempre o diminutivo INN, tipo PIQUINININN, LUGARZINN, BOLINN, MINEIRINN…
Use a expressão RAPÁI pra iniciar uma exclamação. Nem sempre é necessário complemento. Ex.: RAPAAAI…
REDÁ: Mesma coisa de RASTÁ. Ex.: JUDA REDÁ ESS TREM AQUI Ó…
Ao terminar uma frase, conclua com a palavra SÔ.
Se alguém der cinco, supere e diga, DÔCÊIS ou PROCÊIS
Fonte da matéria:http://www.visiteminas.com/mineires-o-dialeto-mineiro/ - Arte Conheça Minas

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A praça da estação de BH

A praça da Estação está ligada à construção de Belo Horizonte, fundada em 1897 para ser a nova capital de Minas Gerais, em substituição a Ouro Preto. Erguida em 1904, a estação ferroviária era a porta de entrada para os materiais e equipamentos destinados às obras da nova cidade. Oficialmente, seu nome é praça Rui Barbosa, em homenagem ao grande jurista e político baiano.
Dispõe de uma ampla área livre, de 12 mil metros quadrados, com dois conjuntos de fontes enormes, que brotam do piso sem formação de lago, e iluminação especial de 12 postes laterais. Esses recursos permitem a utilização da área livre para manifestações culturais e políticas, uma tradição no local desde os anos 1970.
 A praça adquiriu o perfil atual com as obras de sua reforma, em 2003, que incluíram a instalação de piso em concreto avermelhado. A pintura do prédio principal da estação, em tons ocre e cinza, deu destaque à torre do relógio e enfatizou as esculturas brancas de figuras femininas no topo um conjunto que termina com uma elegante cúpula encimada por uma flecha.
No largo em frente ao prédio da estação, encontra-se a estátua Monumento à Terra Mineira, obra em bronze de 1930, de autoria do escultor e arquiteto italiano Júlio Starace. O monumento retrata a conquista de Minas Gerais pelos bandeirantes e homenageia os mártires de Inconfidência - principal movimento contra a Coroa portuguesa. No alto, um homem com a bandeira de Minas Gerais representa o Estado. Ele está de frente para a estação, como a dar as boas-vindas a quem desembarca. Abaixo, há uma inscrição em latim, Montani Semper Liberti (a montanha sempre está livre, na tradução).
No bloco de sustentação, quatro painéis em bronze completam a obra. À frente, representa-se o expedicionário Bruzzo Spinosa. À direita, está o martírio do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, líder da Inconfidência Mineira e executado na forca, em 1792, no Rio de Janeiro. À esquerda, fica o martírio do minerador Filipe dos Santos, líder de uma revolta contra a Colônia em Ouro Preto, em 1720, também condenado à morte. Na parte de trás, vê-se o bandeirante Fernão Dias Paes, que ajudou a desbravar as terras de Minas Gerais. (a foto acima de Thelmo Lins mostra a uma das Ninfas da Praça Rui Barbosa, em frente a Praça da Estação)
Desde cedo, a região onde a praça se localiza, no centro da cidade, tornou-se um importante pólo de comércio, sede de pequenas indústrias e área de grande concentração de hotéis e pensões. Com o crescimento da cidade, uma nova estação foi construída no local, em 1922. Em 1936, instalou-se a fonte luminosa Independência, durante muito tempo uma atração para os moradores e visitantes da capital.
Ao longo do século 20, o processo de modernização e urbanização de Belo Horizonte impôs alterações ao projeto da estação. Os jardins foram reduzidos, para dar espaço a novas ruas e avenidas, e estátuas foram transferidas de local. A reforma recente, porém, buscou devolver à praça da Estação a importância que ocupou na história da cidade.
Em 2005, o Museu de Artes e Ofícios foi fundado na Estação Central, com o intuito de preservar a memória do trabalho e das relações sociais no Brasil. O museu é um projeto do Instituto Cultural Flávio Gutierrez e recebeu como acervo a coleção da empresária Angela Gutierrez. Este acervo conta com mais de 2.147 peças dos séculos 17 ao 20, coletadas em oficinas, sítios e cozinhas, em áreas urbanas e zonas rurais. A coleção é dividida em 14 áreas temáticas, cada uma representando um setor de trabalho.
O entorno da praça exibe um destacado conjunto arquitetônico, que abriga o Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais, a Casa do Conde de Santa Marina e a Serraria Souza Pinto. A estação abriga hoje, além de um ramal ferroviário, uma linha do metrô.
Fontes: Prefeitura de Belo Horizonte, Belotur e Museu de Artes e Ofícios - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/praca-da-estacao-0

Bolo Estrela de Minas

INGREDIENTES
2 copos (requeijão) de queijo Minas meia cura ralado ou picado
5 ovos caipira
2 1/2 copos (requeijão) de farinha de trigo
1 xícara de açúcar
3 colheres (sopa) cheia de manteiga
1 copo (requeijão) de leite
1 pitada de sal
1 colher (sopa) bem cheia de fermento em pó
MODO DE PREPARO
No liquidificador coloque os ovos, a manteiga e, o açúcar.Bata bem
Em seguida adicione o sal, a farinha e o leite, alternando um e outro;
Depois de batido coloque o queijo e o fermento e misture bem com uma colher de pau;
Leve para assar em fôrma untada e enfarinhada, em forno médio, pré-aquecido, por cerca de 40 minutos, até dourar;
Não abra o forno antes de 30 minutos para não murchar o bolo;
Para saber se esta assado enfie um palito no centro da massa e se este sair limpo já esta assado. O bolo ficará bem leve e um pouco cremoso, mas fofinho.
A forma em forma de estrela você encontra em lojas de produtos para cozinha e culinários. Se não encontrar, use forma comum. O bolo ficará gostoso do mesmo jeito.
Fotografia e receita com direitos reservados à Arnaldo Silva

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

O Hotel

Desci a escadaria do prédio carregando uma pequena mala e meu material de trabalho. A viagem não seria muito longa, mesmo assim hesitei um pouco quanto a aceitar aquele serviço. Meu auxiliar avisou de última hora sobre uma gripe que o impediria de acompanhar-me. Tudo bem, imprevistos acontecem. A ideia era chegar até uma pequena cidade, a fim de registrar um casamento, para o qual havia sido contratada. Tudo correndo bem, em dois dias estaria de volta. Liguei o carro e peguei a estrada rumo ao Sul de Minas,

Estranhamente não queria ir, meu desejo era ficar em casa com meus livros, filmes, o velho pijama de flanela, as frustrações e sombras, causadas pelo fim do relacionamento de dez anos. Porém, lembrei de minha conta bancária. Ela não estava propícia a recusar a quantia que me foi oferecida. As famílias dos noivos fizeram questão, queriam a melhor fotógrafa de eventos, modéstia à parte, claro! Nem reclamaram quando dobrei o preço, alegando a distância e as estradas mal conservadas. O jeito foi encher-me de coragem e seguir rumo ao desconhecido...

Nos meus planos, não gastaria mais que cinco horas de viagem, mas a certa altura, o GPS me fez enveredar por rumos diferentes do previsto anteriormente. Irritada, eu praguejei em voz alta:
— Grande coisa essa tecnologia, talvez uma bússola tivesse me ajudado mais!

Escureceu antes do esperado e sinceramente, nunca gostei de dirigir à noite. A estrada de terra me causava medo, pois era ladeada por matas fechadas. Para piorar, a lua cheia que iluminaria a noite daquela sexta-feira, estava envolta por nuvens pesadas. O único clarão era dos relâmpagos que cortavam o céu, seguidos por trovões assustadores e logo a chuva caiu pesada sobre o para-brisa.

Senti-me sufocada ao fechar totalmente a janela do carro, mas o vento frio parecia assobiar no meu ouvido me causando arrepios. À minha frente, apenas o solitário caminho sem asfalto. Me desesperar nessa hora não adiantaria em nada, mas confesso que meus nervos estavam em frangalhos. A medida que eu adentrava naquele lugar, a cerração envolvia o automóvel, tirando totalmente a visibilidade. Olhei os ponteiros do tanque de combustível e, graças a Deus havia me lembrado de abastecer na última cidade. Eu nunca havia me sentindo tão sem rumo. Me vi perdida no meio da noite, dirigindo numa estrada coberta pela lama, debaixo de uma tempestade. Para piorar tudo, o maldito celular continuava totalmente sem sinal. Mesmo impedida pela neblina, eu adivinhava as ribanceiras, pois via árvores e morros na claridade dos raios.

Há tempos não rezava, mas a angústia causada pelos trovões, automaticamente me fez recitar antigos cânticos e orações aprendidos com as avós, segundo elas, era o único recurso para abrandar tempestades e ventos. Em dado momento, pensei que as minhas vistas me pregavam uma peça. Vi uma placa apontando para um desvio, na qual estava escrito: “Hotel Pena Branca: 1 Km.” Senti que minhas preces poderiam ter sido atendidas. Eu não tinha outra opção, mesmo que quisesse. Precisava de um abrigo para passar a noite e me livrar da escuridão e da chuva. Manobrei o carro em direção ao lugar indicado pela placa. O temporal cessou, o mato sombrio, o vento sibilante e o canto das aves de mau agouro, desapareceram como por encanto. Notei que a estrada era margeada por belas palmeiras de um lado e ipês de outro. Avistei no alto da colina, uma grande construção toda iluminada. Tudo se tornava mais claro, havia luzes por todo percurso. A neblina densa e o vento forte deram lugar a uma brisa fria, porém branda.

No final da alameda, avistei o hotel. Mesmo sob efeito dos sustos recentes, eu ainda me questionei interiormente como um lugar deserto feito aquela estrada de chão, comportava tamanho empreendimento? Mas naquela hora, isso não vinha ao caso! Eu precisava respirar, beber algo, me acalmar! Estacionei no lugar indicado através de aceno, por um jovem uniformizado que se retirou em seguida, sem dizer palavra. Desci do carro ainda sentindo as pernas bambas e as mãos trêmulas. O sereno caía sobre as roseiras de um canteiro deixando as flores salpicadas de gotas douradas sob a luz. O ruído de uma fonte luminosa, o aroma agradável de jasmins e alfazemas me acalmavam lentamente...

Era mês de agosto e a noite estava fria. Peguei minha bagagem, apenas a maleta com algumas roupas e a bolsa. Olhei para os lados, procurando alguém que pudesse me dar informações. comecei a caminhar em direção à entrada principal. Ouvi o som de passos e parei, mas o coração se acelerou. Percebi uma presença, mas não consegui ver nada. Uma mão quente pousou sobre meu ombro descoberto e um arrepio percorreu todo o meu corpo. Aquele toque em minha pele foi tão intenso, como se vestígios de um passado desconhecido se desvendassem através dos tempos e se acomodassem no interior da minha alma. Em seguida, algo extremamente macio e aconchegante deslizou sobre minhas costas, era um xale de seda. Nesse instante, ouvi uma voz masculina que se fez entender com muita clareza, apesar de eu não falar francês.
— "Bonsoir, mademoiselle, bienvenue!". Je m'appelle Antoine de Saint-Hilarie. S'il te plaît, viens avec moi! *

Era um homem alto, de meia idade, semblante enigmático. Tinha cabelos escuros, ligeiramente grisalhos e usava um elegante terno preto. Quando se dirigiu a mim, vi um olhar intenso e profundo, capaz de intimidar, mas ao mesmo tempo derramava uma sensação de paz e segurança. Sem mais, pegou a mala e com a outra mão segurou meu braço. Pensei dizer que conseguia caminhar sozinha, mas a sensação de calor emanada de sua mão, era tão reconfortante que me fez calar e apenas sentir.

Em silêncio, subimos as escadas e nos aproximamos da porta de madeira que se abriu lentamente. Ouvi o som de lenha se queimando na lareira localizada em um canto da sala bem decorada e espaçosa. Aquele cavalheiro parecia ter saído dos meus livros antigos. Me fez uma reverência, deu ordens ao rapaz de uniforme para levar a bagagem. Uma moça usando as mesmas cores de roupa, se encarregou de levar-me aos meus aposentos. A decoração era luxuosa e havia ali uma atmosfera quase irreal, tanto nas cores dos lençóis, no bordado das toalhas, nas rosas que decoravam a mesa. Tudo parecia de um outro tempo e lugar. Mentalmente saudei o bom gosto do decorador.

A camareira não disse palavra, apenas um ligeiro sorriso de cumprimento ao sair do quarto. Averiguei o local e logo percebi que uma das portas levava a um ambiente onde havia armários decorados com vitrais floridos, velas perfumadas, essências diversas e um roupão branco bordado no mesmo padrão das toalhas. A grande banheira com diversas torneiras douradas, era tudo que eu precisava, após aquele susto na estrada! Derramei alguns sais perfumados na água quente...Me despi não apenas das roupas, mas de todos os sustos daquele dia, mergulhando num mar de paz por um tempo infinito, enquanto a lá fora a chuva e o vento retornaram insistentes.

Secava os cabelos quando ouvi do outro lado da porta, uma voz suave avisando que o jantar estava servido. Usando meu vestido vermelho de festa, desci os degraus e fui saudada pelo mesmo homem de terno preto que havia me recepcionado quando cheguei. Me olhou minuciosamente e percebi algo mais naqueles olhos que a simples delicadeza de anfitrião. Conduziu-me até a mesa no centro da sala. Afastou a cadeira e depois sentou-se também. Estranhei a falta de outros hóspedes para o jantar, mas não me preocupei muito, talvez fosse baixa temporada. Era um ambiente atípico, mas maravilhosamente aconchegante! Com muita fome experimentei cada um dos pratos servidos.

Guardo na memória o sabor de cada iguaria saboreada naquela noite. Terminada a refeição, ele convidou-me para a outra sala. Segurou minha mão e senti uma agradável e demorada pressão. Ofereceu-me uma poltrona defronte à lareira acesa. Ele estava com olhar demorado nas chamas, fiz o mesmo e assim permanecemos por algum tempo olhando o crepitar das brasas. Após alguns minutos a conversa fluiu como se fôssemos antigos conhecidos com muitos gostos em comum. Soube que viera da França há alguns anos e se encontrou naquele lugar, mas segredou-me com bom humor ainda faltar algo para que fosse realmente feliz...

No outro dia despertei ao som dos pássaros .Abri a janela me deparando com uma visão incrível. A chuva dera lugar ao sol que dourava todo o lago de Furnas. Na noite anterior não havia reparado a beleza daquele lugar cercado de pura natureza. Com calma, pude apreciar cada detalhe e me encantar com tudo ali. Me arrumei e desci para o café, me esforçando para não me esquecer que ainda tinha muito trabalho pela frente e não podia me atrasar. Com certeza, o dono do hotel me daria informações necessárias para que pudesse seguir viagem. Após o desjejum, ele me levou até o carro. Entre risos, devido ao assunto que nunca acabava, combinamos continuar a conversa quando eu retornasse. No banco, encontrei meu celular, agora com sinal. Verifiquei que o GPS estava funcionando e indicava meu destino, isto é, Sul de Minas.

Na despedida, senti sua mão no meu rosto e o seu olhar fixo nos meus olhos. Não consegui me desviar enquanto ele analisava minha expressão de espanto. Se aproximou lentamente e roçou os lábios na minha boca, dizendo em forma de sussurro: —"J'ai attendu si longtemps pour toi! Content que tu sois venu! J'aimerais pouvoir rester plus longtemps! *

Ele olhava suavemente, investigando meu semblante até que fechei os olhos para melhor sentir sua respiração quente sobre meu rosto. Foi um beijo tão intenso que o mundo ao redor parecia se dissipar e eu queria ficar presa para sempre naqueles braços que me enlaçavam. Correspondi ao beijo e a única coisa que importava no mundo era a sensação de bem estar que ele me causava. Como eu gostaria de atender o seu pedido e ficar mais, muito mais! Aos poucos me afastei, mas minhas mãos custaram a se desvencilhar das dele. Tudo que havia acontecido nas últimas doze horas parecia incrível e quem sabe, inesquecível. Tudo recordava algo surreal, onírico e indescritivelmente mágico.

A viagem foi tranquila e o trabalho muito satisfatório. Eu estava ansiosa para voltar. Dispensei o caminho mais curto, pois minha intenção era retornar pela mesma estrada. Havia em mim uma curiosidade e um desejo tão grande de saber cada detalhe da vida daquele homem, porque era tão solitário? Precisava saber daquele olhar que parecia conhecer minha alma. Queria entender o motivo de eu não desejar mais sair do seu lado. Precisava saber o que estava acontecendo comigo.

Pouco antes da ponte, abri a janela procurando pela placa indicando a entrada do hotel. Mesmo com toda a claridade, não a encontrei. Havia apenas mato e o silêncio tomando conta do lugar. Cheguei à conclusão que havia me confundido e resolvi perguntar alguns pescadores distraídos na margem da represa. Indaguei sobre a entrada para o Hotel Pena Branca. Os três homens me olharam espantados, quando falei que era hóspede daquele hotel. Com um riso meio irônico, um deles me disse para atravessar a ponte que o avistaria no alto da colina.

Segui adiante e ao olhar para trás, avistei apenas as ruínas da construção de um hotel. Os moradores do distrito de Santo Hilário me informaram que havia sido abandonado há mais de 40 anos, nos meados da década de 70, ainda em fase construção. Segundo eles, o Pena Branca teria dezenas de suítes, além de piscinas, restaurante, e até um heliporto. Um teleférico levaria os hóspedes da montanha até o hotel e outro do hotel até as margens do lago de Furnas. Uma construção sem igual naquele lugar. Não conseguia acreditar que tudo foi apenas uma ilusão. Apenas as informações dos pescadores não me convenceriam, precisava ver de perto.

Tentei ser racional e crer que naquela noite chuvosa eu era uma mulher sozinha e amedrontada, mas não queria acreditar ter sido apenas ilusão. Tudo foi tão real... Ao caminhar até o local, percebi o cenário de abandono. Havia buracos no chão, antes coberto por flores. As paredes pintadas de branco estavam agora depredadas. Parecia que tudo aquilo desabaria a qualquer momento. Atordoada não consegui raciocinar. Senti um profundo vazio na alma, apesar de misteriosamente ainda reconhecer aquele perfume no ar. O toque do vento na pele, trazia a estranha sensação, parecendo afirmar que tudo foi verdade.

Respirei fundo tentando caminhar de volta até o carro. Peguei a estrada de volta para capital, com imenso pesar e um coração partido. Em casa, joguei a bagagem a um canto e caí no cama, imaginando que um sono profundo me libertaria de todo aquele mal estar. Os dias se arrastavam, eu ainda sem ânimo para voltar à vida normal. Lembrei-me de desfazer a mala da viagem ainda abandonada no mesmo lugar. Entre as roupas, envolto em um xale de seda, aquele mesmo que me aqueceu na noite chuvosa, encontrei um envelope com os dizeres: UN PEU DE MÉMOIRE. No antigo retrato amarelado pelo tempo, havia um homem e uma mulher. As feições dela eram as minhas. A diferença estava no corte dos cabelos e roupas do século passado que usava. Quanto ao homem, era o cavalheiro do hotel, sorria com olhar carinhoso... No verso, as palavras que me acompanharão pela vida afora:
Mon cher
Les plus belles choses de la vie ne peuvent être ni vues ni touchées, mais elles ne sont pas ressenties que par le cœur. L'essentiel est invisible pour les yeux.
Je t'aime
Pour toujours *  Antoine

Tradução:
1-( "Boa noite, mademoiselle, seja bem vinda!" . Meu nome é Antoine de Saint-Hilaraire. Por favor, venha comigo!)
2-(Esperei tanto por você! Que bom que veio! Gostaria tanto que ficasse mais!
3-Minha querida
As coisas mais bonitas da vida não podem ser vistas ou tocadas, mas são sentidas apenas de coração. O essencial é invisível aos olhos.
Eu te amo
Eternamente seu 
Antoine
Texto e fotografia de autoria da escritora Maria Mineira - São Roque de Minas

sábado, 5 de janeiro de 2019

Conheça Belo Horizonte

A cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, tem história recente, num Estado de antigas tradições. Foi fundada em 12 de dezembro de 1897, cerca de 150 anos após a criação da primeira cidade mineira, Mariana, em 1745. Sua localização está na Região Sudeste do Brasil, formada ainda pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.
A região de Belo Horizonte começou a ser povoada em 1701, pelo bandeirante João Leite Ortiz. Em suas terras, nasceu o arraial de Curral del-Rei, em 1707, nome que iria perdurar até a fundação da nova cidade. Em 1893 foi promulgada da lei que determinava a mudança da capital Vila Rica (atual Ouro Preto) para Belo Horizonte.
A cidade foi construída de forma planejada, inspirada nos modelos urbanos de Paris e Washington.
A capital é emoldurada pela Serra do Curral e apresenta diversas atrações em sua paisagem urbana, com destaque para o Conjunto Arquitetônico da Pampulha e da Praça da Liberdade. A Pampulha foi erguida entre 1942 e 1943, durante a administração de Juscelino Kubitschek (1902-1976) na prefeitura. Um de seus principais atrativos, a igreja de São Francisco de Assis é o cartão postal de Belo Horizonte e um dos principais trabalhos do arquiteto Oscar Niemeyer, que se tornou mundialmente conhecido pela construção de Brasília. Já o conjunto da Praça da Liberdade, onde está localizado o Palácio da Liberdade, sede do governo mineiro, data da época da fundação da capital, entre 1895 e 1897.
A cidade possui bairros com forte vocação para diversos tipos de comércio - do popular ao de alto luxo - e vida noturna intensa, que lhe deu o título informal de "a capital brasileira dos bares", pela quantidade de estabelecimentos espalhados pelos bairros que animam a noite belo-horizontina.

Outros importantes atrativos turísticos de Belo Horizonte são o estádio Mineirão, o Mercado Central, o Museu Histórico Abílio Barreto, o Museu de Artes e Ofícios localizado na Praça da Estação, os parques Municipal e das Mangabeiras, o Palácio das Artes e a praça do Papa - de onde se tem uma excelente vista panorâmica.
Belo Horizonte tem 2,5 milhões de habitantes. É a quarta capital mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. A Região Metropolitana possui 33 municípios e 4,5 milhões de habitantes. A temperatura é amena, com médias de 22º C. Principais distâncias: São Paulo (586 km), Rio de Janeiro (435 km) e Brasília (740 km).
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Fontes: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959), Belotur e Prefeitura de Belo Horizonte - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/capital

Congonhas: a cidade dos Profetas

A cidade de Congonhas (na foto acima de André Saliya), na região Central de Minas Gerais, guarda um dos mais relevantes conjuntos religiosos do Brasil colonial: o santuário do Bom Jesus de Matosinhos. Ali se destacam as estátuas dos 12 profetas, obra que, em 1985, recebeu o título de Patrimônio da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A autoria é do escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Além dos profetas, o conjunto possui uma igreja e seis capelas com os Passos da Paixão, cujos personagens, também esculpidos por Aleijadinho, foram pintados por Manuel da Costa Athaíde. Os dois artistas se tornaram a maior expressão da arte colonial brasileira.
As origens da cidade estão ligadas à expansão da atividade dos mineradores portugueses em busca de novas jazidas de ouro, encontradas, inicialmente, na região vizinha que viria a ser conhecida por Ouro Preto, no final do século 17. Após se fixarem, em 1700, na Vila Real de Queluz (atual Conselheiro Lafaiete), os exploradores fundaram o arraial de Congonhas do Campo, em 1734. A descoberta de ouro no rio Maranhão levou a população a se fixar nas proximidades.
A palavra Congonhas deriva do tupi-guarani. "Kõ" e "gõi" significam "O que sustenta" ou "O que alimenta". Congonha é um tipo de erva utilizada para fazer chá. Entre os portugueses que fundaram o arraial de Congonhas, estava o minerador Feliciano Mendes. Ele foi o responsável pela construção do principal monumento da cidade, o santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, localizado no alto do morro do Maranhão. (na foto acima de Wilson Fortunato)
A construção surgiu como resposta a uma promessa. Doente, Feliciano Mendes fez uma promessa de dedicação ao Senhor Bom Jesus de Matosinhos caso recuperasse a saúde. 
Quando se refez da enfermidade, começou a trabalhar para edificar o santuário, em 1757. Todo o santuário tem concepção de Aleijadinho e o local se tornou centro de devoção popular e alvo de peregrinações de fiéis até hoje. (na foto ao lado, o Profeta Isaias, obra de Aleijadinho. Fotografia de Glauco Umbelino)
Em 17 de dezembro de 1938, foi criado o município de Congonhas do Campo. Só em 1948 o nome foi alterado para Congonhas. A cidade se desenvolveu em virtude das instalações de siderúrgicas, que buscavam a exploração das jazidas de ferro na região.
Os eventos mais importantes da cidade são as festas religiosas, como o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matozinhos, em setembro, e a Semana Santa, quando há a encenação do Auto da Paixão. Há também os eventos culturais como a Semana do Aleijadinho, que acontece em agosto, e o Festival de Cultura Popular, em julho.
Congonhas tem 55 mil habitantes, segundo estimativas em 2018. O clima é ameno e a temperatura média de 20º C. Principais distâncias: Belo Horizonte (89 km), São Paulo (596 km), Rio de Janeiro (356 km) e Brasília (794 km).
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Fonte: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (IBGE, 1959) e Câmara Municipal de Congonhas - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/cidade-de-congonhas

A Catedral da Sé em Mariana

Um dos mais antigos templos de Minas Gerais, a catedral de Nossa Senhora de Assunção (na foto acima de Edmar Amaro), em Mariana, tem origem em 1703, quando se verificava a grande afluência de paulistas e portugueses atraídos pela descoberta do ouro na região, em fins do século 17. Mais conhecida como Sé de Mariana, sua principal riqueza está no interior, que apresenta um dos mais significativos conjuntos de talhas (obras de arte esculpidas na madeira mediante instrumentos como o cinzel) do período colonial.

Segundo o historiador francês Germain Bazin, a suntuosa decoração arquitetônica da capela-mor comprova o alto grau de refinamento atingido pelos arquitetos de Minas em meados do século 18. Uma das atrações é o órgão alemão Arp Schnitger, construído em 1701 e incorporado à Sé em 1753.
O altar-mor exibe, bem ao centro, uma tela com a representação da Assunção da Virgem. Os altares laterais da nave, com exceção do de Santa Bárbara, são do mesmo estilo do altar-mor, incluindo detalhes decorativos como atlantes (estátua em figura de homem). Esses altares são consagrados a são João Evangelista, são Pedro, são Francisco, Senhor dos Passos e santa Bárbara, santa Luzia e santo Antônio.

A igreja apresenta duas falsas cúpulas na capela-mor e dois enormes retábulos (tipo de ornamento em madeira, geralmente atrás do altar): um, em louvor de Nossa Senhora do Rosário e, outro, dedicado a são Miguel e Almas. Ambos pertencem ao estilo Brito, novo estilo barroco introduzido em Minas por Francisco Xavier de Brito na capela-mor de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.

No batistério, um painel representa o batismo de Cristo, de autoria atribuída a Manoel da Costa Athaíde, principal pintor do período colonial brasileiro. Os serviços de pintura dos forros da nave e capela-mor foram executados por Manuel Rabelo de Souza, em 1760. Arredondado, o teto da nave mostra pintura em fundo branco com armas imperiais. O teto da capela-mor é constituído por duas abóbadas, apoiadas em arcos pelos quatro lados. Ambas são integralmente recobertas por pinturas, onde sobressaem figuras religiosas.

Vista de fora, a Sé tem um traçado arquitetônico modesto e sóbrio, lembrando algumas construções jesuíticas do litoral do Brasil. Construída em pedra e cal, a fachada (frontispício) é simples e pesada, predominando a simplicidade das linhas retas, sem, contudo, oferecer a grandiosidade de muitos dos templos do período colonial. Sobre o portal da fachada, aparecem duas janelas com balcões e parapeitos, e, logo acima, as duas torres para os sinos.

Inicialmente, no começo do século 18, quando aquele povoamento se chamava ainda vila do Carmo, a Sé era apenas uma capelinha, iniciativa dos bandeirantes. A Coroa portuguesa determinou que se erguesse ali uma matriz, em razão da importância que a futura Mariana havia assumido na mineração do ouro. Em 1713, iniciaram-se as obras de construção, com aproveitamento da capela original, que se tornou a sacristia da nova igreja. Em 1745, a vila do Carmo foi elevada à categoria de cidade e a antiga matriz se viu escolhida como a nova catedral pelo bispo de Mariana, d. Frei Manuel da Cruz. Por volta de 1930, todo o piso da nave, que era de campa (pedra de sepultura), foi substituído por ladrilhos, inclusive o dos corredores, onde se acham os altares laterais.
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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração MA/24 (Fundação João Pinheiro, Instituto Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM, 1973-1975), Sé de Mariana e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/catedral-da-se-nossa-senhora-da-assuncao

A Estrada Real

Caminho por onde passa a história de Minas Gerais, a Estrada Real remonta ao século 17, associada à exploração do ouro e do diamante no Brasil colonial. Dela fazem parte as vias de acesso, as trilhas calçadas pelos escravos, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas, que serviram de cenário à Inconfidência Mineira, principal movimento de contestação à Coroa portuguesa naquela época, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. (na foto acima de autoria de Sérgio Mourão, Barragem do Mosquito - Estrada Real sentido Morro D´água Quente em Catas Altas MG)
     Inicialmente, a Estrada Real ligava a antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto, ao porto de Paraty, no Rio de Janeiro, o chamado Caminho Velho. A vontade da Coroa portuguesa de escoar mais rapidamente os produtos da mineração em direção aos portos do Rio, e, destes, à Europa, levou à abertura de um Caminho Novo, que ligou o Rio de Janeiro à antiga capital de Minas, Ouro Preto. Com a descoberta das pedras preciosas na região do Serro, a estrada foi estendida até o Arraial do Tejuco (atual Diamantina).
     O Caminho Velho foi utilizado a partir de 1694, ligando São Paulo a Minas, numa viagem que demorava 90 dias. Cruzava as atuais regiões de Taubaté, Guaratinguetá, Serra da Mantiqueira, Passa-Quatro, Itanhandu, Pouso Alto, Baependi, Conceição do Rio Verde, Ibituruna, Rio das Mortes, São João del Rei, Mariana e Ouro Preto.
     Em 1701, foi aberto o Caminho Novo, cujo trajeto começava na baía de Guanabara e passava pelas localidades de Inhaúma, Iguaçu, Rio Paraíba, Rio Paraibuna, Simão Pereira, Matias Barbosa, Juiz de Fora, Santos Dumont, Barbacena, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco e Ouro Preto. Até 1808, este percurso era interditado a estrangeiros. Em 1729, a descoberta de diamantes no Serro estendeu a Estrada Real até Diamantina.
     Fatos históricos ficaram marcados no trajeto. Durante o movimento dos Inconfidentes, por exemplo, as estalagens e os pousos foram utilizados por Tiradentes para pregar a liberdade e a independência do Brasil. D. Pedro 1º também aproveitou para visitar Minas Gerais por este caminho em duas ocasiões: 1822 e 1831.
     Três séculos depois, o mesmo caminho por onde foram transportados ouro, diamantes e pedras preciosas de Minas Gerais para o resto do mundo está sendo redescoberto e revitalizado. São 1.410 quilômetros que cortam Minas Gerais, Rio de Janeiro e parte de São Paulo, passando por 177 cidades que possuem um rico acervo histórico, cultural, artístico, gastronômico, rural, religioso. As belezas naturais da região, como serras, cachoeiras, rios e florestas, também integram o patrimônio da Estrada Real.
     Hoje, a Estrada Real possui em seu trajeto Patrimônios da Humanidade, como as cidades de Ouro Preto e Diamantina e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, e uma cidade em processo de obtenção deste título (Paraty). Além disso, estão presentes vários patrimônios naturais e histórico-culturais em nível nacional, estadual e municipal.
     Essa revitalização é resultado de uma parceria do governo estadual com entidades como a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) e o Instituto Estrada Real. O projeto Estrada Real é a principal iniciativa do governo de Minas Gerais na área de turismo e o mais importante programa turístico em implantação no País. Seu objetivo é promover o desenvolvimento dos 162 municípios mineiros situados na área de influência da Estrada Real, por meio do incentivo ao turismo cultural, religioso, histórico e rural, ecoturismo e turismo de aventura.
Fonte:https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/estrada-real