sexta-feira, 19 de abril de 2019

Catas Altas: lugar sagrado nos Alpes Mineiros

Catas Altas tem pouco mais de cinco mil habitantes, distante apenas 120 km de Belo Horizonte. Faz divisa com Santa Bárbara, Alvinópolis e Mariana. (foto acima de Elvira Nascimento)Construída aos pés da Cordilheira do Espinhaço, também chamada de Alpes Mineiros, Catas Altas é uma típica cidade do interior mineiro, com tradição, história e uma culinária riquíssima. É uma das mais tradicionais na produção de vinhos em Minas. São 120 anos de tradição vinícola, em especial, o vinho de jabuticaba.
O município surgiu com a descoberta do ouro em Minas Gerais por volta de 1700. Foi esse ouro que ajudou no desenvolvimento do município e a definir suas tradições e cultura, ao longo dos mais de 300 anos de existência do de Catas Altas. 
Uma relíquia do período da extração de ouro em Catas Altas é o Bicame de Pedra (na foto acima de Marley Mello). Um aqueduto de 12 km, totalmente em pedras, feito pelos escravos com a finalidade de levar água para a cidade e abastecer a mineração. Restam apenas 200 metros do aqueduto, aberto à visitação.
 A cidade tem um belo e preservado casario, boas pousadas e natureza exuberante, mesmo com a mineração atuante na cidade, as belezas naturais locais são preservadas. (foto acima de Marley Mello) Em Catas Altas está o Santuário do Caraça, um dos lugares mais visitados em Minas Gerais e no centro da cidade, pode se contemplar o fabuloso maciço rochoso da Cordilheira do Espinhaço.
A Praça Monsenhor Mendes é o coração de Catas Altas. Nela, pode ser visto a Igreja de Nossa Senhora da Conceição (na foto acima de Elvira Nascimento), fundada em 1739 e em seu entorno, um belo e preservado casario do período barroco.
A Igreja de Santa Quitéria (na foto acima de Arnaldo Quintão) é uma das mais visitadas e fotografadas da cidade. Fica no alto de uma colina é uma das mais visitadas. A Igreja é pitoresca, singela, no estilo barroco, do século 18.
Outra igreja, a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, é atração na cidade. Sua construção iniciou-se no final do século 18 e foi concluída no início do século 19. Por fora não chama muito atenção, pela simplicidade dos detalhes, mas por dentro sim. Seu altar-mor é no estilo Joanino, com a pintura do teto em vermelho e marrom bem escuro. 
O Santuário do Caraça
“Só o Caraça paga toda viagem a Minas”, frase proferida pelo Imperador Dom Pedro II em 1881, quando visitou o local. Ele estava certíssimo! O Santuário está numa Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), guardando e preservando tesouros da nossa fauna e flora. (foto acima de Elvira Nascimento)
O visitante se encanta com o Caraça. Quem visita o Santuário, encontra de tudo em um só lugar. Natureza plena, sossego, paz, hospedagem, restaurante, história e espiritualidade. Oportunidade única e incrível para aventuras emocionantes e relaxamento completo em meio à natureza exuberante. Para os amantes das trilhas tem várias opções. Quem não resiste às cachoeiras, têm à sua disposição as cachoeiras da Cascatinha, Cascatona, Bocaina, com belas piscina naturais (na foto ao lado de Tom Alves/tomalves.com.br), e outras tantas cachoeiras, rios e praias fluviais. Se quiser também, pode apreciar a vista do santuário subindo até o Pico da Carapuça, Pico do Sol, Pico da Verruguinha, Pico Três Irmãos e Pico da Conceição, entre outros. Tem grutas também. As grutas de Lourdes e da Bocaina são muito procuradas pelos visitantes. 
Além de ser um santuário ecológico, o Caraça é um Centro de espiritualidade, cultura e religião, tendo sido eleita como uma das Sete Maravilhas da Estrada Real, sendo patrimônio de Catas Altas, de Minas e do Brasil. No Centro, o visitante tem uma excelente estrutura como pousada, restaurante, lanchonete, loja, igreja com vitrais doados pelo Imperador Dom Pedro II, museu, biblioteca. À noite, lobos-guarás costumam aparecer no adro do Caraça para comer carne, nas mãos dos padres. Um espetáculo que encanta os visitantes. (na foto ao lado, de autoria de Josiano Melo)
Catas Altas recebe em média 70 mil turistas por ano. Em dias de festas, como a Festa do Vinho, por exemplo, atrai gente de todas as regiões, quadruplicando o número de moradores locais. 
Conhecer Catas Altas é vivenciar um pouco da história de Minas. Estar no Caraça, é estar no coração da natureza plena. (Por Arnaldo Silva)

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar

          A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, atrai os visitantes em especial pelo fato de ser a mais rica em ouro na cidade, usado nos revestimentos dos altares e imagens, um reflexo da abundância do metal que marcou a história da antiga Vila Rica. 
          A origem da matriz remonta ao período do povoamento, no final do século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas, após a descoberta do ouro na região. Em data imprecisa, entre 1700 e 1703, teve início a construção da primeira Matriz do Pilar em taipa e madeira. Há registros da festa da Assunção de agosto 1710, quando a imagem da Virgem do Pilar, estofada de ouro, foi entronizada no altar-mor. Nesta mesma igreja, em 8 de julho de 1711, deu-se a reunião do governador Antônio de Albuquerque com os moradores locais mais influentes, para a criação daquela que veio a ser a Vila Rica. A localidade nascia, oficialmente então, e mantinha como padroeira a Virgem do Pilar. (foto abaixo de Sérgio Mourão)
          Em 1728, os fiéis decidiram erguer um novo templo com mais capacidade e segurança, pois a igreja estava pequena, arruinada e em termos de cair. Atribui-se a autoria da planta ao sargento-mor e engenheiro Pedro Gomes Chaves. As obras tiveram início entre 1728 e 1730, sem data precisa. Neste ano, "alicerces de extraordinária grandeza" já haviam sido erguidos.
           Em janeiro do ano seguinte, transferiram-se o Santíssimo Sacramento e as imagens para a capela da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, provisoriamente, enquanto se aguardava o fim da obra. Começando pela nave, os trabalhos duraram pouco tempo para os padrões da época. A matriz estava praticamente concluída em 1733, ano do Triunfo Eucarístico, procissão solene que marcou o traslado do Santíssimo Sacramento e das imagens para o novo templo.
          No interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (foto acima de Sérgio Mourão), há seis altares construídos, com as invocações a são Miguel e Almas, Sant'Ana, Senhor dos Passos, santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores. Foram erguidos por confrarias particulares. Os altares de santo Antonio e Nossa Senhora das Dores podem ter pertencido à primeira matriz. Os outros quatro seguem um estilo barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, conforme caracterizado pelo historiador francês Germain Bazin. São inteiramente dourados, assim como os dois púlpitos, em forma de balcões arredondados.
           Painéis de pintura a óleo, feita diretamente sobre a madeira, decoram as paredes laterais e o forro da capela-mor. Nas paredes, estão representados os quatro evangelhos e as quatro estações do ano. No painel circular do centro da abóbada, vê-se uma representação da Última Ceia. No forro da nave, sobressaem-se 15 painéis com personagens e temas do Antigo Testamento. Grande número de imagens, consideradas de excelente qualidade, guarnece o altar-mor e os altares laterais. (foto acima e abaixo de autoria de Arnaldo Silva)
          A fachada atual da igreja data do século 19 e substituiu a original. Segundo Germain Bazin, o novo frontispício representa uma espécie de síntese daqueles estampados nas igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Rosário.
          Uma das atrações atuais da Matriz de Nossa Senhora do Pilar é o Museu da Prata. São dezenas de peças escultura, prataria, móveis e utensílios organizadas originalmente pelo vigário José Feliciano da Costa Simões.
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Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/113 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975 - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-matriz-de-nossa-senhora-do-pilar

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Turismo em Minas não se resume às cidades históricas

Quando se pensa em viajar para Minas Gerais vem logo a mente passear em Ouro Preto, por Mariana, andar de Maria Fumaça de São João Del Rei a Tiradentes, participar da Vesperata em Diamantina, da bolerata do Serro, conhecer o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos em Congonhas, a gastronomia e arquitetura barroca de Sabará. Ou seja, a primeira ideia de quem quer conhecer Minas é visitar às cidades históricas. (Foto acima, de autoria de Thelmo Lins, mostra o distrito de São José das Três Ilhas, em Belmiro Braga MG, Zona da Mata) Mas Minas Gerais não se resume apenas às cidades históricas. São 853 cidades mineiras, cada uma com seus atrativos e história.
Temos as cidades do Circuito das Águas, com suas belezas, fontes termais, medicinais, águas quentes e sulfurosas como Caldas, Pocinhos do Rio Verde, Caxambu, Lambari (na foto acima de autoria de Luiz Carlos) e Poços de Caldas no Sul de Minas.
No Alto Paranaíba temos Araxá, cidade rica em história e de ótima gastronomia, principalmente seus queijos e doces. Sem falar em suas águas radioativas e sulfurosas, famosas no mundo inteiro (na foto acima de Arnaldo Silva).
No Vale do Jequitinhonha e Mucuri as paisagens são magníficas, principalmente os afloramentos rochosos (teofilitos) que estão espalhados pelas cidades da região como Santa Maria do Salto, Pedra Azul, Cuparaque (na foto acima de Elpídio Justino de Andrade), Ataleia, Carlos Chagas e outras. 
Na Zona da Mata, tem as antigas fazendas de café como por exemplo em Belmiro Braga, Santa Rita de Jacutinga e Rio Preto (na foto acima a fazenda bicentenária Pouso Alegre, em Rio Preto, aberta a visitação). Na mesma região, temos a cidade de Alto Caparaó, a porta de entrada para o Parque Nacional do Caparaó, onde está o Pico da Bandeira, maior de Minas e terceiro maior do Brasil. Nas redondezas de Alto Caparaó as cidades de Alto  Jequitibá, Caparaó e Espera Feliz, grandes produtoras de cafés especiais, são atrativos para quem gosta de cidades pacatas e belezas naturais. 
 Próximo a Belo Horizonte, temos as cidades do Vale do Charme, como Brumadinho, sendo seus atrativos o Inhotim, maior Museu Contemporâneo do Mundo e os bairros de Casa Branca e Piedade do Paraopeba (na foto acima do Barbosa). A vizinha Igarapé é um dos destaques em gastronomia. No bairro Olhos D´Água em Belo Horizonte e Jardim Canadá em Nova Lima, se destacam as grandes marcas de cervejas artesanais de Minas, como a Backer e Virace.
 E quem gosta de forró e festa junina? Tem o arraial de Belô, famosíssimo, mas bom mesmo são as festas juninas no Vale do Mucuri, nas cidades de Pavão (na foto acima da Prefeitura Muncipal/Divulgação)  e Teófilo Otoni (na foto abaixo, da Prefeitura Municipal/Divulgação),  por exemplo. Verdadeiros espetáculos populares que envolve toda a cidade e atrai turistas de toda a região. 
Por falar em gastronomia, a Festa do Biscoito de Caldas, no Sul de Minas é um dos mais importantes eventos gastronômicos mineiros. (foto abaixo de Caldas, autoria de Joelmir Barbosa)
Durante os quatros finais de semana do mês de julho, em pleno inverno, os turistas podem se deliciar com os mais diversos biscoitos da típica culinária mineira, bem como degustar os doces caseiros e experimentar os excelentes vinhos produzidos nas vinícolas do município. 
Além de Caldas, a cidade de Andradas produz um dos melhores vinhos do Brasil (na foto acima de Sérgio Mourão, um dos vinhos produzidos na cidade). A tradição vem desde o início do século 20, com a chegada de imigrantes italianos. Três Pontas também se destaca na produção de vinhos de qualidade, bem como na produção de cafés. São várias fazendas cafeeiras no município. 
Outra cidade tradicionalíssima na gastronomia é São Tiago, na região do Campo das Vertentes. São Tiago é famosa por realizar uma das mais importantes festas gastronômicas do país, a Festa do Café com Biscoito (na foto acima de Sérgio Mourão), que acontece sempre no segundo fim de semana do mês de setembro. A tradição biscoiteira da cidade vem de quase dois séculos. Fazer biscoito é vocação natural do município.
Quem gosta de arquitetura diferente, por exemplo, construções em pedras, pode conhecer a mística cidade de São Tomé das Letras no Sul de Minas (na foto acima de Vânia Pereira) e no outro extremo, no Norte do Estado, a cidade de Grão Mogol. 
Quem gosta da liberdade de voar, o melhor lugar no mundo para isso é Governador Valadares na região do Vale do Rio Doce. Santana do Paraíso, no Vale do Aço (na foto acima de Elvira Nascimento) também é outra opção para os adeptos de voo livre. E se sua vontade é voar de balão, não precisa ir para a Capadócia. Em São Lourenço, no Sul de Minas, são oferecidos esse passeio.
Em Mesquita acontece uma das mais famosas festas juninas da região do Vale do Rio Doce, com uma das maiores fogueiras também.(na foto ao lado de autoria de Elvira Nascimento)  Ingaí, no Campo das Vertentes, tem a tradição de ter uma das maiores fogueiras de São João do Brasil. Em Cachoeira de Minas, no Sul do Estado, a fogueira é dedicada a São Pedro, sendo uma das maiores do Brasil. 
Para os que gosta de rapadura e alambiques tradicionais, a cidade de Itaguara, a 100 km de BH, é a opção. A economia no município gira em torno da produção de rapaduras e cachaças, nas fazendas antigas e tradicionais. Prefere licor? Em Itaipé, no Vale do Mucuri encontra licores pra todos os gostos e sabores.
Para os amantes de esportes radicais tem as cidades de Araguari e Nova Ponte no Triângulo Mineiro com cachoeiras fenomenais, de tirar o fôlego. No Norte de Minas, em Porteirinha tem a  Cachoeira do "Serrado", na mesma região, a cidade de Gouveia  tem várias cachoeiras imperdíveis. A região Noroeste de Minas, destacando a cidade Buritis possui diversas cachoeiras espetaculares.
E quem gosta rios e lagos, tem opção? Claro, Cachoeira Dourada no Triângulo Mineiro é linda. Capitólio é um espetáculo, com suas águas verde-esmeralda e seus cânions fabulosos. A beleza das cidades banhadas pelo Lago de Furnas impressiona, bem como a gastronomia, com pratos feitos com peixe de água doce. Outra opção também são as cidades de Três Marias e Morada Nova de Minas, banhadas pelo Rio São Francisco e Represa de Três Marias (na foto acima de Sérgio Mourão). São fabulosas! Pra quem gosta de areia branquíssima e água limpa, a Cachoeira do Telésforo em Conselheiro Mata, distrito de Diamantina é imperdível. O Rio do Peixe, em Botumirim, no Norte de Minas, com as rochas que o margeiam são espetáculos naturais incríveis.
Gosta de andar na moda? Que tal fazer turismo e compras? Temos Divinópolis no Centro Oeste de Minas que é a Capital da Moda. Nova Serrana, na mesma região é a Capital do Calçado Esportivo. Em Belo Horizonte, o bairro da moda é o Barro Preto.
 E se vir a Minas, não se esqueça que você está na terra do café e do queijo. Muzambinho, Campanha, Campestre e Cristina no Sul de Minas são cidades lindas, gostosas de conhecer e tem um café de primeira. Aliás, o café do Sul de Minas é delicioso! Espera Feliz também, na Zona da Mata tem um dos melhores cafés do Brasil e a cidade é pitoresca e charmosa. 
Agora o queijo né. Em todos os municípios de Minas você encontra nossos queijos. Os mais famosos, reconhecidos como melhores do Brasil e do mundo, você encontra em Alagoa, uma pequena cidade da Serra da Mantiqueira. Na Serra do Salitre e Araxá no Alto Paranaíba. Em Sacramento, no Triângulo Mineiro. Em São Roque, Piumhi (na foto abaixo, de Lucas Rodrigues, o Queijo do Dinho) e Vargem Bonita, no Oeste de Minas. No Serro e em Rio Vermelho, no Alto Jequitinhonha. Se estiver em Belo Horizonte, no Mercado Central você encontra todos esses queijos. Além do queijo, essas cidades são ótimas, com excelentes opções de passeios, gastronomia e hospedagens.
Quer mais? E tem viu. Todas as cidades mineiras tem seus atrativos. São 853 cidades espalhadas pelas regiões Sul, Norte, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Central, Jequitinhonha, Mucuri, Rio Doce, Zona da Mata, Campo das Vertentes Oeste e Noroeste mineiro. Não dá para mostrar o que cada uma tem de belo, o espaço é bem pequeno. O certo é que turismo em Minas Gerais vai além das cidades históricas. Venha à Minas Gerais, conheça o Estado de Minas. Te esperamos de braços abertos  para mostrar  nossas riquezas naturais, turísticas, gastronômicas e culturais, em cada canto do nosso imenso território. Por Arnaldo Silva

Desemboque: o berço do Triângulo Mineiro

Desemboque é um distrito de Sacramento e está no Triângulo Mineiro. É famoso por ser terra natal do ator Lima Duarte. Apesar de ser hoje pouco povoado, tem apenas 50 habitantes, possui um passado rico em história além de muitas belezas em volta. 
Desemboque foi o berço da civilização no Triângulo Mineiro. Seu povoamento começou no século XVIII, em 1743, com a fundação da Capela de Nossa Senhora do Desterro, por desbravadores portugueses. Mas não foi fácil no início já que a ocupação contou com a uma forte resistência de índios e negros. Após vencerem essa resistência é que começou de fato a colonização do Brasil Central.
Suas minas de ouro produziam bem, fazendo com que o povoado se desenvolvesse. 
O distrito chegou a ter cerca de 2 mil habitantes, tinha vereadores, juiz e cartório. No século XVIII, Desemboque era o lugar mais importante de toda a região do Triângulo Mineiro, Oeste de Minas e também do Sul de Goiás. No século XIX as minas de ouro começaram a entrar em decadência e a produzir menos. Assim o povoado foi diminuindo, com seus habitantes saindo em busca de outras atividades fora do distrito.
Quando era muito habitado, a vida no local era agitada por ser o distrito um ponto importante de referência comercial e política para a região. Como todo distrito e cidade mineira, foi fundado com a Cruz de Cristo, pratica ativa dos bandeirantes portugueses que onde chegavam, fincavam um cruzeiro e começavam a construir capelas.
 No Desemboque tem duas, a primeira, citada acima que é a Igreja de Nossa Senhora do Desterro frequentada somente pelos brancos e no cemitério ao lado dessa igreja, só podiam ser sepultados brancos. Tem também a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, criada e frequentada por negros, que também tem um cemitério próximo . Nesse cemitério, só podiam ser sepultados negros. 
Segundo a tradição oral,era essa a história que se conta no Desemboque, do cemitério dos brancos e dos negros. Quem viaja pelo interior de Minas, principalmente pelas cidades históricas e conhece a história do Brasil Colônia e da Escravidão no nosso país, sabe que isso é fato real. (Por Arnaldo Silva - Fotografias de Luis Leite

sábado, 13 de abril de 2019

Armazém do Zé Totó desde 1943 em BH

Imagine você numa capital como Belo Horizonte, com 2,5 milhões de habitantes, entrando numa venda, daquelas antigas, que vende de tudo. Balas, produtos alimentícios, brinquedos, doces, batons, cachinhos para o cabelo, bolinhas de gude, ferramentas, vassouras, fumo de rolo, ratoeira, material escolar, pratos, agulhas, linha, tudo que você imaginar. Tem até balcão para os fregueses que apreciam uma boa pinguinha e cerveja gelada, como no século passado. E quem não tem dinheiro, tem caderneta onde se anota toda a compra do dia e no início do mês, o freguês vai lá e paga.
Em pleno século 21 imaginar isso numa metrópole é difícil, mas existe. É o Armazém do Zé Totó, aberto em 1943 pelo senhor José Alves dos Santos e faleceu em 1950, vítima da doença de Chagas. Zé Totó conta que nessa época, com 13 anos, ajudava o pai no armazém e após sua morte, passou a cuidar do armazém. Mesmo hoje, com 88 anos, "Seu" Zé Totó é figura presente no armazém, que conta com a ajuda dos filhos, netos e genros na administração. Funciona no mesmo lugar e tudo do jeito que era antes, numa movimentada esquina no bairro Aparecida, na região Noroeste de Belo Horizonte. Fica aberto de domingo a domingo, de 8 da manhã às 21 horas. Só não abre na Sexta-Feira da Paixão. A construção é da década de 1940 e uma das poucas construções preservadas na região.
O sucesso do Armazém é tanto que a freguesia é antiga, passa de geração para geração e uma clientela fiel. Tudo isso graças à diversidade dos produtos oferecidos. Tem de tudo que você precisa. Além-claro, do carisma, simplicidade e simpatia do "Seu" Zé Totó, um senhor alegre, atencioso, que gosta de uma boa conversa no balcão com seus fregueses e amigos.
O lugar não tem luxo algum, mas tem uma alegria nostálgica. Encostar-se ao balcão do Armazém e ficar de conversa com os mais antigos, principalmente com o "Seu" Zé Totó é como se estivéssemos revivendo um passado feliz que a gente não conhecia. Os primórdios do desenvolvimento da nossa capital, as histórias de vida que o povo conta, estão lá, presentes na memória do "Seu" Zé Totó, dos fregueses antigos e dos mais novos, que ouviram de seus avós e pais as histórias.
Quem vai lá não vai para passar tempo, vai para curtir a alegria que o lugar emana. Assim eram as antigas vendas, lugar de comprar o que precisava em casa e de encontrar com os amigos para uma boa roda de conversa. Com a presença do "Seu" Zé Totó, a conversa é longa, alegre, interessante e saudável. Conversa de gente feliz.
O tempo que eu estive no Armazém, na companhia dos fregueses e do “Seu” Zé Totó, senti tudo isso. Nostalgia, simplicidade, alegria, saudade dos bons tempos da verdadeira amizade, da confiança na honestidade das pessoas, a generosidade e a gratidão sincera das pessoas. Gostei dessa volta ao passado, na metrópole do século 21.
O Armazém do Zé Totó fica na Rua Aporé, número 500, bairro Aparecida em Belo Horizonte. Telefone: (31) 3428-3066.
Texto e fotografias com direitos reservados à Arnaldo Silva

sexta-feira, 12 de abril de 2019

O que fazer em Ouro Preto em apenas dois dias?

A cidade fica a 97 km de Belo Horizonte, com fácil acesso e estrada em bola qualidade. Por sua importância histórica e arquitetônica, é Patrimônio da Humanidade desde 1980. 
Fundada em 1711, Ouro Preto foi a cidade mais população da América no século 18, no auge da extração do ouro em Minas, chegando a 80 mil habitantes, superior a Nova York, na época. Quem vem a Ouro Preto sente algo diferente, uma sensação de volta ao passado. Não é por menos. Cada canto, cada esquina, cada ladeira, cada pedra em suas ruas, tem uma história para contar. É um museu a céu aberto. São mais de 300 anos de história, arte e cultura pura. Os primórdios da extração de minério, da identidade da arquitetura barroca mineira, em especial as obras de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho e do Mestre Ataíde, presentes principalmente nas igrejas barrocas ouro-pretanas e guardadas também nos museus da cidade, podem ser vistas e contempladas por todos. 

O que visitar em Ouro Preto? 
Chegando a Ouro Preto, de carro ou de ônibus, a primeira vista que terá será a Igreja de São Francisco de Paula, descendo mais um pouco, tem a Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia. Ambas proporcionam linda vista de todo o casario histórico ouro-pretano.

O ouro-pretano valoriza a sua culinária. Em todos os restaurantes da cidade você encontra a autêntica e genuína cozinha mineira, feita em panela de pedra sabão e em alguns restaurantes, no fogão a lenha. As dezenas de pousadas da cidade, seja a mais simples a mais requintada, oferecem aos hóspedes um café tipicamente mineiro. 

Aproveite a noite ouro-pretana. Os bares centrais oferecem cardápios variados como tira gostos, pizzas e claro, a deliciosa culinária mineira. Não falta também, cervejas, licores e diversos drinks preparados no capricho. As cervejas artesanais mineiras são de alta qualidade e as de Ouro Preto não fogem à regra. Experimente as cervejas artesanais de Ouro Preto.  

 O Museu da Inconfidência é uma verdadeira aula de história. Pertinho do Museu tem a Casa do Inconfidente Tomaz Gonzaga, em frente à Igreja de São Francisco de Assis. Em frente a essa igreja tem a feira de artesanato em pedra sabão. São milhares de obras de arte mostrando o mais genuíno artesanato mineiro. 


As igrejas são pontos de visita obrigatórios, pela história e beleza arquitetônica. São espetaculares! As igrejas de Nossa Senhora da Conceição, São Francisco de Assis e Nossa Senhora das Mercês e Perdões, que tem obras do Mestre Aleijadinho, são as mais procuradas pelos visitantes. Essas três igrejas compõem o Museu Aleijadinho, criado em 1968. As três igrejas guardam 250 peças da arte sacra e documentos gráficos, com história do período colonial e imperial Brasileiro. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição guarda os restos mortais do Mestre Aleijadinho. 
Se você gosta de uma boa caminhada, uma boa dica é subir a ladeira para a Igreja de Santa Efigênia. A vista de Ouro Preto do alto é impressionante.

Ao lado do Museu da Inconfidência está à belíssima Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Descendo a escadaria, numa pequena ruela, encontra-se a Casa da Ópera de Ouro Preto. Foi o primeiro teatro das Américas. Nos palcos da Casa da Ópera, nos 300 anos de sua existência, artistas famosos de todas as épocas se apresentaram. Diferente da arquitetura barroca, o teatrinho, como é chamado, tem em sua arquitetura a influência italiana. É um espetáculo! 

O casarão da Casa dos Contos é um dos mais importantes monumentos do barro mineiro. Impressiona pela construção imponente e por sua importância histórica para Minas Gerais. Quem quer conhecer a história do ciclo do ouro em Minas, as moedas de cada período brasileiro, bem como uma senzala e os instrumentos usados para castigos dos escravos, esse é o lugar. Estar na Casa dos Contos é estar em uma verdadeira sala de aula de história. 
Seguindo a rua de acesso a Casa dos Contos, passará pela Rua São José onde estão os bancos, restaurantes finos e lojas diversas. A rua é plana e o casario é lindo. É a rua mais fotografada em Ouro Preto. Ao fim da rua, estará próximo das Igrejas do Pilar e de Nossa Senhora do Rosário. 
A Igreja de Nossa Senhora do Pilar é outra igreja que não pode deixar de ser visitada. Seu altar é ornado com belíssimas obras de arte do período barroco, talhados em ouro. Foram usados 400 quilos de ouro puro.
No subsolo da igreja tem o Museu de Arte Sacra, com valiosas peças do século XVIII. Um balcão em madeira bruta com gavetas, montado sem usar um prego sequer, chama muita a atenção dos visitantes pela qualidade do trabalho e imponência do móvel.

Próximo a Igreja do Pilar está a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O visitante não deve deixar de conhecer esse impressionante templo e vislumbrar o casario em torno da igreja.

Passeio de trem
O trem que faz o percurso de 18 km de Ouro Preto até a vizinha Mariana é um das melhores opções de passeios para turistas e moradores. Até Mariana, são cerca de 30 minutos de viagem passando por belas paisagens. O trem é confortável e circula nas sextas, sábados, domingos e feriados. A passagem pode ser comprada nas bilheterias da Estação. Tem vagão convencional e panorâmico.

Festivais
Além do privilégio de estar em Ouro Preto, conhecer sua arquitetura, museus, igrejas, seus belos e preservados casarios, Ouro Preto é uma cidade que respira cultura e arte por toda parte. 

Além dos festejos religiosos, preservados desde os tempos do Brasil Colônia, Ouro Preto oferece a seus moradores e visitantes um diversificado calendário cultural com grandes festivais de música, cinema, eventos artísticos, gastronômicos e culturais, praticamente o ano todo.

Durante o ano, algumas festividades se destacam na vida ouro-pretana. Uma é sem dúvida o Carnaval, considerado um dos melhores do Brasil. Outra festividade é o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, que acontece em julho. Outro evento é a Festa do 12, criada para marcar a fundação da Escola de Minas, em 12 de outubro de 1876. A festividade se caracteriza pela presença de ex-alunos da universidade às suas repúblicas de origem. Nesse período a cidade fica repleta de turistas num clima quase que carnavalesco. 
Outra festividade é a Mostra de Cinema de Ouro Preto que atrai milhares de amantes da bela arte, no mês de junho. 

Pra quem gosta de música de qualidade quem vier à Ouro Preto em setembro poderá conhecer o Festival Ouro-pretano de Bandas. Para quem gosta de jazz, no fim do ano acontece o Festival Tudo é Jazz.
Dicas importantes
Um passeio pelo Centro Histórico de Ouro Preto, para ser completo leva no mínimo dois dias. 

A melhor forma de conhecer Ouro Preto é andando a pé pela cidade e claro, ter em mãos um mapa ou com acompanhamento de um guia credenciado pela Prefeitura. 

Todas as igrejas do período barroco em Ouro Preto são verdadeiros museus, sendo abertas à visitação. As igrejas e museus em Ouro Preto não abrem às segundas-feiras. Também não é permitido fotografias no interior das principais igrejas e museus, além de ser cobrada uma taxa de manutenção por visitante. 

Ouro Preto tem muita ladeira. Poucas ruas da cidade são retas. Tem ainda o calçamento em pedra. Mulheres devem evitar salto alto e usar calçados confortáveis. Tanto para homens, quanto para mulheres, o mais indicado são sapatos ou tênis com solado antiderrapante. (Texto e fotografias de Arnaldo Silva)