quarta-feira, 25 de abril de 2018

Frutal: a capital mineira do abacaxi

A cidade é grande produtora de abacaxi, cana, grãos, além de ser um dos polos em educação do estado. (na foto acima, vista parcial da cidade. Arquivo Secretaria de Turismo de Minas/Divulgação)A produção de abacaxi em Frutal faz da cidade a maior produtora da fruta em Minas. Somando com Berilo no Vale do Jequitinhonha e Itamarandiba, no Norte de Minas, também grande produtoras de abacaxi, fazem do Estado de Minas Gerais, o terceiro maior produtor de abacaxi do Brasil.

O nome Frutal é derivado de sua história devido ao tempo de sua fundação, ter riachos cheios de jabuticabas (frutas). Daí a origem de seu nome "Frutal".Sua população, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2017, é de 58.780 habitantes. Considerada uma cidade média pequena. Foi fundada em 4 de outubro de 1887.
Aparecida de Minas

Frutal tem cerca de 200 produtores de abacaxi, sendo 160 desses produtores, residentes em Aparecida de Minas, distrito de Frutal, situada a 13 km da Rodovia BR-153 no acesso A-900, entre as cidades de Frutal e Fronteira, no estado de Minas Gerais. (na foto acima vista aérea do distrito. Imagem da Prefeitura local/Divulgação) A atividade econômica do distrito é rural, destacando a produção de abacaxi e cana de açúcar. O distrito é tão importante, que a Feira Regional do Agronegócio do Abacaxi, acontece no distrito,  geralmente no mês de novembro.

Um local de povo hospitaleiro, solidário e trabalhador, sendo maioria Católicos, buscam preservar as festas e tradições religiosas cristãs como as danças folclóricas, festas tradicionais como a Festa de “Santos Reis” ( Folia de Reis), Congada, Catira e a tradicional Festa de São João. As festas religiosas são em torna da Igreja de Nossa Senhora Aparecida, que dá nome ao distrito.

Tem também outras festas tradicionais no distrito como a Festa do Peão Boiadeiro e a famosa Festa Junina, realizada pela escola local e pela Igreja Católica, com direito a casamento caipira, quadrilha, pipoca, quentão, etc..

Em todos os eventos do distrito, religiosos ou não, a culinária mineira está presente e é uma das atrações das festas onde os moradores locais e visitantes podem saborear o que temos de melhor em Minas como tutu-de-feijão, canjica de (milho), pé-de-moleque (amendoim), quentão, pamonha de mandioca, pamonha de milho verde, entre outras que sempre estão presentes nas festas e danças.

O artesanato também é muito valorizado pela comunidade que  incentiva a preservação da tradição do artesanato local. Artesanato de Crochê, balaio ou jacá (feito de taboca), peneira (de cambaúva), tapetes e colchas de retalhos. Colchas de lã de carneiro e outras variedades de obras de grande beleza e qualidade.

É uma das poucas localidades em Minas Gerais que podemos encontrar benzedeiras praticando esse tradicional ofício. As benzedeiras locais são valorizadas e respeitada. Benzem adultos e crianças contra todo tipo de mal. 

Uma das características do povo de Aparecida de Minas, por serem muito supersticiosos, é preservar as simpatias. Conhecem todas, desde as que curam doenças, que afastam coisas ruins, ou que ajudam a emagrecer, etc... Tradicional também e muito praticada por seus moradores é a Medicina Popular. Seus moradores gostam de cultivar ervas medicinais em seus quintais, que ajudam na cura de doenças. Uma tradição muito valorizada por todos.

Aparecida de Minas é um distrito bastante desenvolvido, oferece uma boa qualidade de vida a seus moradores, com ruas asfaltadas, escolas, postos de saúde, telefonia digital, supermercados, farmácias, padarias, lanchonetes, água de qualidade e belezas naturais em volta, já que Aparecida de Minas é banhada pelo Rio Grande, com vários cursos d´água, que fazem das terras do distrito, que já são muito férteis e de ótima qualidade, super valorizadas.

Uma das características do povo de Aparecida de Minas é que são formados por famílias e que gostam do lugar em que vivem e cuidam bem do povoado que está sempre limpo, arborizado, com seu povo sempre acolhedor e amigo que recebem todos bem. Por ser um local pequeno, de famílias, a amizade entre famílias vem de longa data e a confiança também.
Imagem meramente ilustrativa. Créditos:@showdapecuaria/Divulgação
Benefícios do abacaxi
É uma fruta rica em minerais, como o potássio, Zinco, Magnésio, Fósforo, Cálcio, Cobre, Ferro e Sódio. Rica também em Vitaminas A, B e C que ajudam muito a aumentar a imunidade. Por isso é uma das mais nutritivas frutas existentes. Ela ajuda no combate a má digestão, prevenção de resfriados, tosse e gripes. Fortalece os ossos, protege contra a degeneração muscular, previne artrite e artrose e dores nas articulações. É ainda uma grande aliada no combate a doenças de pele, como eczemas, acnes, psoríase e acnes. 

Matéria produzida baseada em informações obtidas nos sites da Emater,  Prefeitura de Frutal e Wikipédia.

domingo, 22 de abril de 2018

Nó em goteira

Quando eu era criança, vovô Joãozinho me dizia sempre que eu sabia dar nó em goteira e esconder as pontas. Eu perguntava o que significava e ele ria...

Certa vez, vovô contou-me que ao vir da roça, onde passou o dia capinando, viu uma tamanduá-bandeira com seu filhote nas costas. Certamente seu ninho ficava no bambuzal perto do rio.

Bastou isso! Logo comecei a imaginar um tamanduazinho de estimação, bem ali, brincando com os meus cães e gatos. Dormindo todos juntos debaixo do fogão a lenha, no meio das palhas. Seria incrível, então aticei a turma!
— O qui ocêis acha de nóis pegá um fiotim de tamanduá prá nóis? — falei entusiasmada para as outras crianças.
— Bão dimais! Ninguém aqui na roça tem tamanduá em casa.
— Vai vim gente da cidade só pá vê!
— A vó Geralda vai gosta dimais! Ele pode cumê as furmiga qui corta as rosêra!

Aprontamos tudo às escondidas e saímos cedinho, andando pasto afora em direção à moita de bambu. Dois irmãos menores, uma prima, o filho de um vizinho e eu. Todos com menos de dez anos.

O sol já estava quente, quando paramos para merendar sentados à sombra de um jatobá. Mais uma hora de caminhada e avistamos o provável local do ninho.

Era um lugar muito bonito. O barulho da água corria tranquila sobre as pedrinhas claras. O sol dourava as folhas do bambuzal que se esparramavam no chão. Como era gostoso pisar e andar ali!

Procuramos em todas as moitas de bambu, nos cupins e nas árvores ocas. De repente um dos meninos gritou:
— Achei! Vem todo mundo vê! É uma fofura de fiote!

Sendo a mais velha, o filhote era meu por direto. Peguei o animalzinho no colo como se fosse de pelúcia. Todos queríamos brincar com o bichinho, por isso, nem notamos quando uma enorme tamanduá, certamente a mãe dele, descia o morro enfurecida. Vinha em nossa direção.

Sem saber o que fazer, ficamos todos parados ali no mato, feito cupins. Num piscar de olhos, meu avô que nos procurava desde cedo, chegou e rapidamente levantou os dois netos menores nos braços. Ele colocou o filhote no chão e nos mandou correr, pois sabia que a mãe do nosso “brinquedo”, se aproximando com as garras afiadas para nos atacar!

Acho que nunca vi o vovô tão assustado e nunca ouvi dele um sermão tão comprido que nem o daquele dia. No final ele me olhou e disse:
— Dona Maria do Carmo, ainda vem me perguntar o que é dar nó em goteira?

Texto da Escritora Maria Mineira de São Roque de Minas
Fotografia de Arnaldo Silva, de Bom Despacho MG

sábado, 21 de abril de 2018

Bambá de Couve

É um dos pratos mais tradicionais de Minas Gerais e uma ótima opção em dias frios. Veja a receita:
Ingredientes
- 250g pernil suíno em cubos médios
- 250g de linguiças cortadas
- 1 cebola grande repicada
- 10 dentes de alho repicados
- 1 maço grande de couve-manteiga picadas ou rasgadas
- 300 gramas de fubá e 2 tabletes de caldo de legumes dissolvidos em 1 litro de água fria
- sal
- pimenta do reino
- pimenta malagueta
- 300g de tomate maduro, sem pele e sem sementes e repicado
- cheiro verde repicado.
Mode de fazer:
Tempere a carne de porco com sal e pimenta do reino.
Frite a linguiça no óleo. Retire da panela e reserve.
Na panela que fritou a linguiça, escorra o excesso de óleo e acrescente a carne, mexendo até dourar. 
Coloque na panela a cebola, o alho, os tomates e a couve e mexa até murcharem.
Acrescente o fubá dissolvido na água. 
Cozinhe em fogo brando. 
Tempere com sal (a gosto) e pimenta malagueta. 
Pegue a linguiça que reservou e coloque uma a uma na borda do prato, como vê na fotografia. Finalize com cheiro verde e sirva em seguida.
(fotografia de Thelmo Lins no Serro MG, Jequitinhonha)

Circuito cervejeiro movimenta o Jardim Canadá, na região metropolitana

Backer oferece vários rótulos para degustação (foto: Acervo Backer/Divulgação)
Quem gosta de vinho costuma aliar o prazer da degustação a passeios por vinícolas e caves. Inspirado no sucesso do enoturismo, o “tour cervejeiro” cresce em Minas Gerais, sobretudo no Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lá estão cerca de 60 fábricas de craft beer (cerveja artesanal). Várias delas abrem as portas para que os fãs da bebida possam conhecer o processo de produção e aprender sobre a variada gama de sabores à disposição. 

Aos sábados, a Krug Bier abre as portas das 10h às 14h. As visitas são feitas em dois turnos, cada um com duas horas. O mestre cervejeiro Alfredo Oliveira é o guia dos turistas. Nos primeiros 30 minutos, o grupo conhece um pouco do processo de fabricação e da história da cerveja. Depois, o visitante tem 90 minutos para experimentar – à vontade – seis estilos de chope. A Backer recebe duas turmas, com direito à degustação de cinco rótulos produzidos no local. Geralmente, também é incluído o sexto sabor, pois ele está sendo preparado naquele exato momento. Os participantes recebem certificado e brinde da casa. As visitas ocorrem aos sábados, às 10h e às 11h. Caso haja demanda, o terceiro grupo pode ser formado ao meio-dia.

Na Verace, a visita guiada dura 90 minutos. O tour é realizado no segundo sábado do mês, às 10h, coincidindo com a Feira Experimente. Há degustação de cinco rótulos.
O mestre cervejeiro Túlio Silva diz que visitantes da Verace experimentam uma aventura sensorial (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
Durante o passeio, o visitante tem a opção de experimentar a bebida pertinho do tanque onde ela é preparada. As réguas de degustação oferecem vários tipos de cerveja, o que permite conhecer estilos e famílias. Pedagógica, essa introdução ensina também sobre aromas, cores e paladares. Todos os sentidos são aguçados no universo cervejeiro. “Sensorialmente, é uma experiência muito rica. As pessoas saem deslumbradas”, garante Túlio Silva.

O tour não se limita aos amantes da bebida. “O bonito do evento é que costumam vir pessoas curiosas para saber como a cerveja é feita. Nem sempre são apreciadores. Mostramos que o universo da cerveja pode ser mais amplo”, afirma o mestre cervejeiro da Verace.

De acordo com ele, o roteiro atrai pessoas das classes A e B, na faixa de 18 a 70 anos. Os públicos masculino e feminino se equivalem.

A gerente de marketing e eventos do Templo Cervejeiro da Backer, Tatiana Brito Paro, faz um lembrete importante: só maiores de 18 anos podem participar das visitas.
Fábricas de cerveja artesanal abrem as portas para os fãs da bebida, no Jardim Canadá. Túlio Silva (foto) comanda a visita guiada na Verace (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
PALADAR
Quando alguém diz que não gosta de cerveja embora aprecie outras bebidas alcoólicas, Túlio pede que ele experimente o produto da casa. “A razão de não gostar pode ser o fato de a pessoa não ter descoberto a cerveja que agrade ao seu paladar. Se você gosta de beber, vai descobrir o seu estilo de cerveja”, garante ele, lembrando a imensa variedade à disposição.

“Alguns dizem ter gostado da mais amarga, que lembra o vinho. Outros amaram as cervejas com frutas”, comenta Túlio.

Mestres cervejeiros gostam de apresentar esse multifacetado universo aos não iniciados. “Temos cerca de 700 craft beers no Brasil. No entanto, o segmento representa cerca de 1,5% do mercado consumidor. Quase 99% do consumo de cerveja no Brasil é de um estilo só”, explica Túlio Silva. O especialista se refere à american lager, a cerveja industrializada mais produzida em todo o mundo, estilo preferido dos brasileiros. “É extremamente leve, não é tão amarga e de aroma sutil”, define.

Há dois tipos de cerveja. A lager se caracteriza pela baixa fermentação e o teor alcoólico mais leve. Já as ale têm alta fermentação, são mais encorpadas e de coloração avermelhada. Lager e ale se subdividem em cerca de 400 estilos.

OS QUATRO SEGREDOS
“No início, as visitas eram de pessoas interessadas em produzir cerveja. Agora, temos um público com perfil cada vez mais variado. As pessoas querem conhecer a fábrica, o fermentador e o tanque, além de apreciar o carisma do mestre cervejeiro. Os visitantes costumam gostar muito do ambiente fabril”, conta Rodolfo Viana Chagas, diretor comercial da Krug.

Especialistas elencam quatro motivos para a concentração de fábricas de cerveja artesanal no Jardim Canadá. O primeiro é a localização geográfica, pois o bairro está próximo da Região Sul de Belo Horizonte, onde há maior concentração de consumidores do produto. O segundo se deve ao fato de ser uma zona industrial, com infraestrutura para receber fábricas. A terceira razão é que, devido à Feira Experimente, o Jardim Canadá se tornou point dos amantes de cerveja artesanal. O evento exibe criações de produtores mineiros e de outros estados.

O quarto motivo é a qualidade da água, ingrediente fundamental da bebida. “Quanto mais leve, mais neutra para montarmos o perfil da cerveja”, ensina o mestre Túlio Silva. A concentração de minerais como cálcio e sulfato determina se a água é leve ou dura.

“Quando a água é dura, gastamos muito para retirar os sais minerais. A água do Jardim Canadá já vem limpa e leve. A água de Belo Horizonte é boa, mas não é tão leve”, explica o especialista.

A água é tão importante na composição da bebida que, em alguns países, chega a ser recolhida nas nuvens antes de se transformar em chuva. Esse é o caso da Atrapaniebla, cerveja produzida na comunidade agrícola de Peña Blanca, no Norte do Chile.

Lições no Templo
Tatiana Paro, gerente de eventos do Templo Cervejeiro da Backer, conta que os visitantes aprendem sobre os insumos necessários para a fabricação de cerveja: malte, água, lúpulo e levedura. Também são detalhados os processos pelos quais passam esses insumos. O espaço oferece pratos e petiscos harmonizados com a bebida.

“A explicação começa no Templo. Já dentro da fábrica, os visitantes visualizam as panelas onde fazemos a braçagem, a fervura do processo inicial”, diz ela. O turista também assiste à primeira fervura do malte e acompanha o envase (quando as garrafas recebem higienização e o líquido), a pasteurização e a rotulagem.

A Backer produz 250 mil litros de cerveja por mês. São 18 rótulos. Outros nove, sazonais, são vendidos apenas no Templo. “Às vezes, estamos testando uma receita especial e ela desce para o Templo para ver se o público vai gostar”, conclui Tatiana.

PROGRAME-SE
» BACKER

Todos os sábados.
Das 10h às 11h e das 11h às 12h.
Se houver demanda, pode ser aberta a terceira turma,
das 12h às 13h. R$ 40
Rua Santa Rita, 220,
Bairro Olhos D’Água
Agendamento: (31) 3228-8888
» KRUG BIER
Todos os sábados.
Das 10h às 12h e das 12h às 14h
Rua Alaska, 115 A,
Jardim Canadá, Nova Lima
Vinte pessoas por turma. R$ 60
Agendamento: (31) 3507-0777
» VERACE
Segundo sábado de cada mês, de acordo com o calendário da Feira Experimente. Das 10h às 11h30
Avenida Canadá, 212, Jardim Canadá, Nova Lima
25 pessoas por turma. R$ 45
Agendamento: (31) 3541-6103
*preços citados acima estão sujeitos a alterações. Consulte antes.
Por Márcia Maria Cruz - Jornal O Estado de Minas/Portal Uai.com.br
 A primeira foto e legenda, são inserções nossa.

Catedral Diocesana Nossa Senhora da Luz

Em estilo neogótico, a Catedral foi inaugurada em 21 de setembro de 1941. A Catedral de Luz MG , bela cidade a 167 km de Belo Horizonte, na Região Centro Oeste de Minas,  é um dos mais notáveis e majestosos monumentos católicos erguidos no estado de Minas Gerais.
Dominando a cidade, lá do alto, a sua torre em agulha de 60 metros de altura, rasga o espaço. Dom Manoel, em seu grande senso estético, adaptou de uma maquete da Basílica de São Pedro, de Roma, a futura Catedral, e com extraordinária perseverança, desajudados de maiores conhecimentos técnicos, ergueu essa obra que não cansa a gente de admirar a harmonia de suas linhas, na suave luz coada através dos vitrais coloridos.
Fotografia de Wilson Fortunato -Texto/fonte: Site da Prefeitura de Luz - www.luz.mg.gov.br

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Praia da Saudade em Almenara

Com cerca de 45 mil habitantes, Almenara é um dos maiores municípios do Vale do Jequitinhonha, banhado pelo Rio Jequitinhonha. Faz divisa com os municípios de Jequitinhonha, Jacinto, Rubim, Bandeira, Divisópolis, Mata Verde e Pedra Azul. Fica a 720 km de Belo Horizonte.(Fotografia acima da Praia da Saudade, fotógrafo Luck San)
A cidade é muito organizada, (foto acima enviada por João Avelar) tendo uma economia crescente com boa produção agropecuária, atividades de comércio e o artesanato, que é uma característica marcante da região. (fotografia abaixo do fotógrafo Luck San)
A chegada do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais - Campus Almenara (IFNMG) e graduações em vários áreas, através da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Universidade de Almenara (Alfa), Universidade de Montes Claros (UNIMONTES), dentre outras, foram fatores predominantes para o crescimento e desenvolvimento do município, bem como de todo o Vale do Jequitinhonha.
A região do Vale do Jequitinhonha tem belezas fascinantes, devido aos afloramentos rochosos que se formam na região, formando belas paisagens e pelo Rio Jequitinhonha, o mais importante curso d'água para a economia da região. Em vários trechos, esse rio forma lindas praias artificiais.(fotografia acima do fotógrafo Luck San)
Almenara tem uma das maiores praias de água fluvial do Brasil, a Praia da Saudade.(fotografia acima do fotógrafo Luck San), mas que ainda resiste, abrigando espetaculares paisagens, apesar da poluição do Rio Jequitinhonha.
Com ações ambientais de controle e fiscalização e uma maior preocupação com a preservação do Rio Jequitinhonha, a vida foi voltando ao local e a praia passou a ser mais frequentada, sendo hoje um local de diversão e lazer das famílias almenarenses, bem como seu mais importante ponto turístico. (fotografia acima do fotógrafo Luck San)
Considerada como sendo uma das mais belas de Minas, a Praia da Saudade fica no perímetro urbano, sendo emoldurada pelo Morro do Cruzeiro, uma das mais exuberantes paisagens do Vale do Jequitinhonha. (fotografia acima e abaixo de autoria do fotógrafo Luck San.
Por Arnaldo Silva - Fotos e informações com a colaboração de João Avelar

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Receita de Pão Borboleta

Pão Borboleta é tradição de Carangola MG, uma bela cidade da Zona da Mata Mineira. Quem vai lá, come o pão e compra pra levar pra casa. Um pão tipicamente mineiro. Temos a receita, mas é claro o legítimo Pão Borboleta é o feito em Carangola. Mas vamos aprender.
Ingredientes 
1 tablete de fermento biológico fresco
1/4 xícara (chá) de água morna(s)
1/2 xícara (chá) de leite
1/4 xícara (chá) de manteiga
1 colher (sopa) de açúcar
1 colher (chá) de sal
2 unidades de ovo
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
Como Fazer
Dissolva o fermento na água morna; deixe descansar por 5 minutos. Ferva o leite e depois acrescente a manteiga, o açúcar e o sal; deixe amornar. 
Adicione os ovos, o fermento e a farinha. 
Sove vigorosamente; cubra a massa e deixe-a descansar por aproximadamente 1 hora. 
Transfira a massa para uma fôrma de pão e deixe-a dobrar de tamanho. 
Derreta um pouco de manteiga (cerca de 2 colheres de sopa) e despeje sobre a massa antes de colocá-la no forno. 
Asse por uns 20 minutos.
(fotografia de Arnaldo Silva)

Conheça o nosso Tremruá

Por Osvaldo Filho*
Na Europa fala-se muito em terroir (terruá). Terroir é uma palavra francesa que designa ‘uma extensão de terra cultivada’ ou um conjunto das terras exploradas por uma comunidade rural. O significado etimológico é: território. Aprofundando mais um cadinho: todas as características naturais e interferência humana daquele território ou região.

Como bons mineiros que somos mudamos esta palavra, nada contra o estrangeirismo. E assim, nasceu a palavra: tremrúa.


Tremruá aqui em Minas Gerais significa: determinado território, ou região de terras, com sua altitude, clima, geologia, ar, água, capim, somados à tradição, ao saber fazer, à cultura, à história daquele local. É o tremruá que torna um queijo único, ímpar e singular. Não só o queijo, mas o azeite e o vinho.

Um queijo feito na Canastra jamais será Araxá. Um queijo feito no Serro, jamais será Salitre. Um queijo feito no Cerrado jamais será Campo das Vertentes. Um queijo feito em Alagoa jamais será Triângulo Mineiro. Justamente porque cada região tem suas características intrínsecas que diferenciam um queijo do outro.

Pasmem! Dentro de um tremruá existem microtremruás. Um queijo artesanal preparado num território de elevada altitude apresenta diferenças no sabor de um queijo preparado num território mais baixo. Não só a altitude, mas são vários os fatores que podem diferenciar os sabores, ou ainda, interferir na maturação. Dependendo da região surge certo tipo de mofo que em outro local não aparece. Tremruá é, realmente, um tesouro de Minas Gerais.


O Tremruá de Alagoa
Alagoa (cidade do Sul de Minas com menos de 3 mil habitantes, foto acima de Jerez Costa) é a mais alta das Terras Altas da Mantiqueira e está no mesmo patamar dos alpes suíços. A altitude é um elemento do tremruá que faz uma grande diferença no sabor do queijo. Em certas épocas do ano o termômetro atinge temperaturas abaixo de zero, já chegou a fazer -8ºC. Este ano meu termômetro marcou temperatura máxima de 32ºC. Ameno em comparação com Rio de Janeiro, Mato Grosso ou São Paulo, o clima é outro elemento que faz a diferença. E por aí vai: o tipo de solo, pastagem, a água que a vaca bebe, a raça do gado, todo este conjunto que temos aqui em Alagoa confere singularidade e peculiaridade ao nosso queijo. (na foto abaixo, de Júlio Monteiro, dia típico de inverno em Alagoa MG)
Sei de histórias de alagoenses que vararam a noite viajando com o fermento (soro do dia anterior – lá na Canastra chamam de pingo) pra tentar fazer o queijo em outras cidades. O resultado: um desastre! Diz o ditado que não adianta chorar o leite derramado. Neste caso, não adianta chorar o leite coalhado fora de Alagoa. É um privilégio dos nossos conterrâneos.

É evidente que dentro do tremruá de Alagoa existem micro terruás. O queijo artesanal Alagoa feito lá no Garrafão (o bairro mais alto de Alagoa onde está o Pico do Santo Agostinho com 2.370m de altitude) tem características levemente diferentes do queijo artesanal Alagoa feito aqui no bairro onde moro, Ilha das Cabras. Repito: a altitude, o clima, a geologia, a água, a pastagem fazem total diferença no queijo. O saber fazer (know how) é transmitido de pai pra filho, de tio pra sobrinho, de padrinho pra afilhado, e por aí vai, a tradição é perpetuada e também diferencia o queijo.

Vale ressaltar que nosso queijo é patrimônio histórico cultural municipal registrado no IEPHA/MG. Integra a cultura do município, é a identidade da cidade, faz parte da nossa história. E por falar em história, se meu bisavô Jeremias Sene – que levava os queijos no lombo dos burros, dentro de canudos de bambu – fosse vivo certamente defenderia com muito orgulho nosso Queijo Artesanal Alagoa.
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* Osvaldo Martins Filho é Bacharel em Direito, bisneto de tropeiro, neto de pecuarista, fundador da “Queijo d’Alagoa-MG”, pioneiro na venda de queijo pela internet, proprietário das vacas Alagoa, França e Paris, garimpa e matura queijos artesanais. Seu queijo foi medalha de bronze no Concurso Internacional de Queijos em Paris/2017. Contato@queijodalagoa.com.br Instagran: @queijodalagoamg
A primeira foi extraída da fanpage: https://www.facebook.com/QueijodAlagoaMG/

Andanças por Minas


Não, não dá pra viver em Minas sem viver suas belezas. Fui passear por aí, desfrutar mais um pouco da deliciosa mineiridade de ser Minas e de Minas. O simples passar pelas estradas já é uma fascinante viagem. Pelos vidros do carro ir acompanhando o desfile de árvores, morros, vales, manchas minúsculas de animais a se espalharem pelas pastagens... Vislumbrar ao longe as entradas e porteiras, apreciar as casinhas brancas e deixar a imaginação entrar porta adentro, tentando adivinhar como vivem os que ali habitam. Pensar seus costumes, visualizá-los em seus afazeres domésticos, sentir o cheiro de suas cozinhas na fumaça exalada de suas panelas, no trepidar da lenha nos fogões. 

O olho é lente o tempo inteiro. Corre de um lado pro outro absorvendo avidamente todos os detalhes. E são tantos! Coisa que me dá prazer é a passagem pelas pequenas cidades mineiras, com seus traçados pitorescos, suas pracinhas, igrejas e coretos. Os bancos à sombra, as pessoas por ali sentadas distraídas numa boa prosa, falando sobre qualquer coisa. De que tratam no meio da tarde estes senhores de chapéus e rostos com sinais de muita vivência? Provavelmente falam do que já viveram, de tempos que já se foram... Com certeza, alguma saudade grassa por ali em meio às conversas, em tempos que já não dialogam com traços do passado... Fascinante os falares das praças, o eco dos dias idos. Minas tem disso, tem muito disso.

Passadas as cidadezinhas, as vilas e povoados alço olhares para o destino que me traz: as serras e seus mistérios. Vou conhecer o convento do Caraça, incrustrado na Serra do mesmo nome, em Catas Altas. Altamente suspeita sou eu para falar do assunto, pois a História me toca, revolve cada célula que me compõe. Tenho certeza de que o passado mora em mim, literalmente. Silêncio, recolhimento, a presença quase palpável dos dias idos é algo inenarrável. Não há palavras que definam a sensação de voltar duzentos anos no tempo. É algo que só vivenciando se tem a dimensão exata. O mosteiro com suas ruínas, sua arte sacra, seus jardins, seus complexos ambientais é um grandioso patrimônio histórico e cultural que fala grandiosamente por Minas.

Seguindo caminho, Minas agora é Mariana. Estar na Praça Minas Gerais é voltar num tempo que ficou na História, mas permanece vivo em suas igrejas, no pelourinho, na casa da câmara,marcando o surgimento da primeira cidade e primeira capital do Brasil. A Rua Direita, com seu casario antigo, lugar que encanta com seus solares e sobrados, testemunhando a época dourada dos barões, nos áureos tempos da mineração. E aí a imaginação, amparada pelos fatos históricos, não tem freio nem limites. É possível se adentrar cada porta daqueles casarões, sentar nas cadeiras de palhinha tomando chá com as elegantes senhoras da época em seus magníficos serviços de porcelana importada da Europa.

Mas, indescritível mesmo é me deparar com uma portinhola azul,na mesma Rua Direita, e descobrir o nome de seu ilustre morador “Alphonsus de Guimaraens”. Dá vontade de recitar “Ismália”e é isso que faço. Em frente à porta, recito sem constrangimento,o poema mais conhecido deste consagrado poeta mineiro. Tomara que ele esteja vendo de algum lugar e saiba que seus versos o imortalizaram... Ah, Minas, Minas e seus encantos. De Mariana para Ouro Preto... Mas, daí já é outra viagem e já foi contada uma primeira vez.


Por Marina Alves, escritora em Lagoa da Prata MG
Na imagem acima o sobrado que foi residência do poeta, escritor e juiz Alphonsus de Guimaraens, que lá viveu de 1913 a 1921.  Localizado na Rua Direita, 35 – Mariana – MG.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Cervejaria em Belo Horizonte conquista prêmio mundial de arquitetura

Inovação, criatividade, design, identidade. Com leiaute inusitado, semelhante a uma grande barrica de madeira que desvela o olhar para o lindo cenário das montanhas de Belo Horizonte, o projeto do Ateliê Wäls acaba de ser agraciado com o primeiro lugar no mais importante prêmio mundial de arquitetura comercial. O conjunto, idealizado pelo escritório GPA&A, de Gustavo Penna, faz jus à concepção de cerveja arte da marca e ganhou reconhecimento pela Unesco e pela União Internacional dos Arquitetos como o melhor trabalho de arquitetura na categoria restaurantes - etapa América do Sul, Central e Caribe - do Prix Versailles 2018.

O espaço começou a funcionar no ano passado, e é a primeira vez, em nível global, que uma cervejaria conquista o Grand Prix, condecoração máxima do evento. “O Ateliê Wäls era um sonho antigo que Gustavo Penna ajudou a colocar em pé. Mais do que um espaço dedicado à cerveja e com várias referências a ela, dos móveis ao ambiente, passando pelos locais voltados à inovação, ele foi pensado para ser a casa do mineiro e uma homenagem a Belo Horizonte", afirma José Felipe Carneiro, fundador da Cervejaria Wäls.

O ateliê é um vasto centro cervejeiro chancelado pela marca que foi selecionada pelo RateBeer, principal ranking do setor, como a melhor cervejaria do Brasil. Um destaque no bairro Olhos d'Água, o complexo inclui restaurante, loja, escritório, adega, cervejaria e área externa com um mirante especial para desfrutar a paisagem ao redor. "É um projeto lúdico e divertido, que mostra a união da arquitetura e do conceito de cerveja arte de maneira mágica", explica Gustavo Penna. 
 Na parte interna, a beleza, a harmonia e a inventividade do conceito saltam aos olhos. Um dos protagonistas é um generoso balcão avermelhado, que celebra a influência do icônico estilo inglês India Pale Ale, com 21 torneiras dedicadas às inovações cervejeiras da empresa. A estrutura empreende um diálogo direto com uma enorme estante cheia de garrafas, pensada exclusivamente para o lugar. As mesas para degustação estão dispostas entre centenas de barricas de madeira que adornam e dividem os ambientes. No barrel room- o maior da América Latina voltado ao envelhecimento de cervejas -, um volume superior a 100 mil litros da bebida descansam e fermentam. Tudo emoldurado por uma delicada cortina composta por 135 mil rolhas de cortiça, que tornam o clima um tanto quanto teatral. 

O prêmio é realizado desde 2015 e este ano aconteceu em Santiago, no Chile. A iniciativa já certificou internacionalmente composições de etiquetas como Dior, Dolce & Gabbana e Channel. A conquista atual atribui ao Ateliê Wäls uma força importante para se candidatar a ser o primeiro brasileiro a vencer a etapa mundial do Prix Versailles, marcada para maio, em cerimônia em Paris, na sede da Unesco.

O sonho da cervejaria começou a ser vivenciado em 29 de novembro de 1999, pelo casal Miguel e Ustane, que tinham enraizada a intenção de criá-la. A Wäls surgiu das mãos da família Pedras Carneiro, da capital mineira, e hoje é comandada pelos irmãos Tiago e José Felipe. "A missão é criar as melhores cervejas para os paladares mais diferenciados, harmonizando com momentos únicos. Produzimos obras de arte, mas alguns as chamam de cervejas. Nossa linha de produtos é inspirada nas tradicionais escolas cervejeiras belga e americana. Ousamos, inventamos e acreditamos que a cerveja é uma grande fonte de alegria", descrevem. 
O Prix Versailles é um prêmio anual dedicado à arquitetura de prédios comerciais. Abarcando diferentes categorias, com os vencedores selecionados por um painel de juízes independente formado por personalidades de áreas diversas, é a principal gratificação de arquitetura mundial para lojas, hotéis e restaurantes, e legitima obras que reúnem criatividade, arte e negócios.

Reportagem do Jornal O Estado de Minas

domingo, 15 de abril de 2018

Made in Santa Rita do Sapucaí

Cidade encrustrada entre montanhas teve incentivo de criar polo de tecnologia nos idos de 1950, assim como o Vale do Silício, nos Estados Unidos.(foto: Sindvel/divulgação )
Todo dia, em média, três novas tecnologias de ponta saem do forno de indústrias da pequena Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas, prontas para entrar no mercado mundial. Lá, a tranquilidade típica do interior contrasta com o ritmo acelerado das inovações. O município de apenas 40 mil habitantes abriga o Vale da Eletrônica, formado por três instituições de ensino e 153 empresas de setores que vão da informática à telecomunicação. Não por acaso, o lugar é comparado ao Vale do Silício, polo tecnológico na Califórnia, nos Estados Unidos, criado na mesma época, nos anos 1950. Mais de 13 mil produtos são fabricados na cidade mineira, que deixou parte da tradição do café e do leite para se enveredar no universo dos fios, placas e softwares. Desde então, Santa Rita criou filhos ilustres, como a urna eletrônica, o chip do passaporte eletrônico e o transmissor de TV digital nacional, para citar apenas três deles.

Somente no ano passado, o Vale da Eletrônica, situado entre as montanhas que cercam o Rio Sapucaí, faturou R$ 3 bilhões. “Somos o maior polo tecnológico de eletroeletrônica do Brasil e único cluster maduro da área no país”, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), Roberto de Souza Pinto. Significa dizer que Santa Rita do Sapucaí reúne toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa, o desenvolvimento até a fabricação do produto.
E o Vale da Eletrônica não para de lançar equipamentos e tecnologias de olho nas demandas do mercado nacional e internacional – a região exporta produtos para 41 países. No mês passado, empresas santa-ritenses apresentaram em São Paulo, na Exposec, maior feira da América Latina do setor de segurança eletrônica e patrimonial, as mais modernas tecnologias do setor desenvolvidas no Sul de Minas. Estão entre elas uma central de alarmes em miniatura com 400 sensores e um filtro de linha que elimina o consumo stand-by de aparelhos eletrônicos e chega a economizar até 15% de energia.

A precursora desse processo de inovação foi a santa-ritense Luzia Rennó Moreira, a Sinhá Moreira. Mulher viajada e à frente de seu tempo, ela fundou no município, em 1959, a Escola Técnica de Eletrônica (ETE), primeira de nível médio da América Latina. Seis anos depois, foi criado o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), primeiro centro de ensino e pesquisa a oferecer curso superior na área de telecomunicação. Para completar, também se estabeleceu na cidade a FAI, centro de ensino superior em gestão, tecnologia e educação.
A formação de estudantes empreendedores, ligados à área de tecnologia e inovação, foi passo decisivo para impulsionar o polo eletroeletrônico em Santa Rita do Sapucaí. Atualmente, o Vale da Eletrônica emprega 14 mil trabalhadores, muitos formados pelas instituições de ensino do município. “A expansão da educação plantou uma semente em Santa Rita que permitiu a transformação da realidade”, afirma o diretor do Inatel, Marcelo de Oliveira Marques, que comemora os 50 anos da instituição.

Roberto Souza Pinto reforça que a primeira empresa da cidade, que atualmente pertence a uma multinacional japonesa, surgiu dentro da escola técnica. “Isso quando nem se falava em incubadora de empresas. Santa Rita é uma fábrica de fábricas”, afirma. “Hoje, Santa Rita é a menina dos olhos do Brasil. Os empresários são técnicos, têm mestrado, doutorado. A empresa tem mercado, produto, gestão”, diz.

O presidente do Sindvel atribui o sucesso da região a uma “tríplice hélice”, formada por academia, indústria e governo. “Esses grandes diferenciais do vale só são possíveis e viáveis por meio dos benefícios oferecidos pelo governo e, caso eles se extirpem, a geração de renda, de emprego e os ganhos serão repassados para outros países que detiverem uma tecnologia parecida e mais competitividade. Se não há incentivo fiscal, não há competitividade”, afirma.
Por Flávia Ayer - Reportagem do Jornal O Estado de Minas

sábado, 14 de abril de 2018

Conheça Thelmo Lins, jornalista, escritor, cantor e artista mineiro.

Em 2018, completo 35 anos de atividades artísticas. E é engraçado imaginar que se está há três décadas e meia resistindo, buscando alternativas, driblando das dificuldades inerentes à opção de se viver de cultura no Brasil. A história foi mais ou menos assim... 

Primeiramente, nasci em Minas Gerais. E, em Itabirito. Isso tem uma consequência, pois a gente se vê exatamente no meio do caminho entre Belo Horizonte e Ouro Preto, numa economia pautada pela mineração de ferro. É quase como se nascêssemos de versos de Carlos Drummond de Andrade.

Em Itabirito, respirei a cultura musical dos Canarinhos de Itabirito (fundado em 1973), dos festivais da canção, das corporações musicais que varam o século, das escolas de música. Fui mordido por várias dessas influências, mas também pelo teatro. 
E foi nesse espaço de criação – as artes cênicas – que pisei no palco pela primeira vez, em 1983, após realizar um ano de Oficina do Teatro, já em Belo Horizonte, dirigida pelo incansável Pedro Paulo Cava. Ali conheci gente de teatro, fiz amizades e galguei meus primeiros passos artísticos. Meus primeiros mestres: Fernando Limoeiro e Luciano Luppi. Dali também nasceu o Grupo Experimentando o Palco, formando por uma grande equipe, com seus luxos próprios, como o de ter Álvaro Apocalypse (fundador do Giramundo) como cenarista e figurinista. Dali surgiram vários atores que até hoje transitam na cena mineira, como Paulo André (Galpão) e Andréia Garavello. E convivi com Marcello Castilho Avellar, primeiramente como colega de trabalho e, posteriormente, como diretor.

Logo logo veio a mistura de teatro com música. O dom de cantar foi lapidado por vários mestres, sendo a primeira deles Mary Armendani, que descobriu meu potencial para a música. Então, mergulhei nos anos seguintes em corais e em eventos promovidos pela Escola de Música Padre Xavier, de Itabirito, onde também me tornei produtor e diretor cênico.

O primeiro show solo surgiu em 1992, numa homenagem a Frank Sinatra. A primeira experiência já garantiu uma pequena turnê e, assim, eu estreei como cantor na capital mineira, para onde eu me mudaria anos mais tarde. E assim não parei mais. No início, em shows promovidos pela Babaya Escola de Canto. Depois, cantando em bares, restaurantes e shoppings. Em 1997, aconteceu um marco definitivo: alugamos o Palácio das Artes para fazermos, em quarteto, um show em homenagem ao Clube da Esquina. Ao lado de Graziela Cruz, Regina Milagres e Wagner Cosse, que se tornaram meus amigos inseparáveis, dois anos depois lançamos o CD Nada Será Como Antes, que veio a se tornar minha primeira produção fonográfica. 
Encontro dos Rios (2001), Thelmo Lins Canta Drummond (2003), Cânticos (2006), Trá-lá-lá-lá-li Trá-lá-lá-lá-lá (2010), Samba Sambá Sambô (2011), Casa de Vinicius (2014), O que você vai ser quando crescer? (2016) e Balada dos Casais (2017) vieram na sequência. A maioria dos trabalhos foi dedicada à poesia musicada, vertente que me atraiu desde o CD lançado em 2003. O sucesso deste disco e, posteriormente, do show, lançou-me às aventuras na poesia de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa, Leo Cunha, Affonso Romano de Sant´Anna e Marina Colasanti, seja em solos ou duetos com Wagner Cosse. Duas obras foram dedicadas a minha terra natal: Encontro dos Rios, em que mergulhei nos compositores locais que mais se destacaram no século 20; e em Samba Sambá Sambô, dedicado à obra de Pirulito da Vila. A cada disco, uma nova turnê.

Em quase todos os trabalhos, busquei parcerias que hoje me orgulham e que me fizeram entender um pouco melhor o meu ofício. Nomes como Maria Bethânia, Elza Soares, Fatima Guedes, Nana Caymmi, Vander Lee, Matheus Nachtergaele participaram dos meus discos. Boa parte do repertório gravado foi feito especialmente para mim, por nomes de grande importância na história da música e novos talentos musicais. Sempre fui antenado com o que está surgindo e fiz, com eles, uma ponte com compositores consagrados, como Milton Nascimento, Francis Hime, Sueli Costa, Joyce, Belchior, José Miguel Wisnik, Fatima Guedes, dentre outros. Todos esses trabalhos estão na internet e podem ser ouvidos em qualquer parte do mundo (veja os links no final deste texto).

Como produtor fiz inúmeros projetos, dentre eles os projetos Caixa Acústica e TraLaLaLaLi, que completam cinco anos neste ano. Eles propuseram encontros musicais entre gerações e ainda divulgaram o teatro infantil musical produzido na capital mineira. Mas a lista de produções não termina por aqui. Fui assessor de cultura em Itabirito, Congonhas e Ouro Branco, cidades onde contribui com um pouco de meu conhecimento e ideias. 
Como jornalista, atuei em várias assessorias e veículos. Fui assessor da Prefeitura de Itabirito, da Fundação Clóvis Salgado e da Galeria de Arte da Copasa, dentre tantas empresas. Mais recentemente, atuei por cinco anos como apresentador do programa Arte no Ar, produzido pela TV Horizonte, de Belo Horizonte. 
Lancei, em 2007, um singelo livro de poesias – Rosas Amassadas – em que divulguei um pouco de minha obra literária. Nele, contei com um honroso prefácio escrito por Fernando Brant, um dos meus maiores incentivadores.

Hoje, dedico-me aos meus shows, em especial ao projeto Casas, que já está na sétima edição, sendo a mais recente o espetáculo Casa de Dalva, homenagem a Dalva de Oliveira. Sou, também, administrador do Teatro Santo Agostinho, da capital mineira, há nove anos (em 2018, o espaço completa 20 anos de fundação e estamos preparando uma agenda especial comemorativa). Por fim, dedico-me ao blog Descobertas do Thelmo, um site de turismo e viagens, que relata em textos e fotos minhas experiências no Brasil e no exterior.

São poucas linhas para tanta história. Mas nada disso teria sentido se não tivesse em minha vida os valores éticos de meus pais, Tilma e Otacílio, e a educação proporcionada pelas tias Terezinha e Lili. No mais, foram influências importantes de tantos amigos e mestres, que contribuem no dia a dia para sufocar as desesperanças e manter sempre acesa a chama da vontade. Que esta nunca se apague e que continue brilhando, para minha salvação e para poder contribuir um meu grão de areia na melhoria da Humanidade. 
Sites e blogs de referências:
www.thelmolins.tnb.art.br;
www.encontrodosrios.tnb.art.br;
www.cantadrummond.tnb.art.br;
www.canticos.tnb.art.br;
www.cdcasadevinicius.tnb.art.br;
www.oquevocevaiser.tnb.art.br;
www.omeninopoeta.tnb.art.br;
www.baladadoscasais.tnb.art.br;
www.descobertasdothelmo.blogspot.com
(31) 99991-6653
Agenda:
Produção do projeto Caixa Acústica, que acontece todos os sábados de maio, no Teatro Santo Agostinho.
05 de maio, 19h – Tizumba e Laura Catarina homenageiam Vander Lee e Flávio Henrique
12 de maio, 19h – Regina Milagres e Wagner Cosse no show Querelas do Brasil
19 de maio, 19h – Anthonio, Flavia Simão e Marcos Costa no show Clariô
26 de maio, 19h – Marcelo Veronez no show Narciso deu um Grito Acústico
Dias 9 e 10 de junho, realizo os shows O que você vai ser quando crescer? e Balada dos Casais, na Feira do Livro de Joinville (SC)
Dia 21 junho, apresento-me no projeto Dois na Quinta, no Teatro da Biblioteca Pública de Belo Horizonte, ao lado da cantora Patrícia Ahmaral.

No sul de Minas, entre cidades charmosas e pitorescas

Nesta postagem, continuarei falando do sul de Minas Gerais, especificamente na região do Circuito das Águas, onde estive entre o final de fevereiro e o início de março de 2018, com meus amigos Conceição e Wagner Cosse. Além de São Lourenço, que falei na outra postagem, visitei também Caxambu (que eu adoro!), Maria da Fé, Cristina, Soledade de Minas e Lambari. Vou falar um pouco de cada uma delas.
Caxambu já foi alvo de uma postagem, há dois anos, quando estive em Aiuruoca e Baependi. Desta vez, encontrei o Parque das Águas em reforma. Para mim, é o mais belo da região e, talvez, o mais charmoso do país. Suas construções antigas são preciosas. Os plátanos que enfeitam a via principal do parque são escandalosos de tão bonitos. E há um sem número de árvores e flores pelos caminhos.
Parece que, com a reforma – sob a administração da Codemig – o espaço vai ganhar mais conforto e beleza. Alguns prédios estão sendo pintados ou restaurados.
Aproveitei e fiz uma caminhada também pela região central de Caxambu, onde visitei algumas lojinhas e restaurantes. A cidade continua muito bonita e aconchegante. Umas das novidades – para mim – foi conhecer a Igreja de Santa Isabel de Hungria, cuja pedra fundamental foi inaugurada pela princesa Isabel, ainda no século 19. Dali se tem uma bela vista da área central.
Por falar em vista, os meus companheiros de viagem – Conceição e Wagner Cosse – fizeram o passeio de teleférico, que une a região do parque das águas com um dos morros mais altos da região, a 900m de altitude. Embora curto – cerca de 15 minutos – do alto do passeio tem-se uma ampla e bela vista de Caxambu.
Soledade de Minas tem poucos atrativos na sede urbana, exceto sua estação ferroviária e o entorno (na foto acima). A cidade fica cerca de 10 km de distância de São Lourenço e ambas participam do circuito da Maria Fumaça. Quando estive lá, tanto a estação quanto as lojinhas de artesanato estavam fechadas. Imagino que elas funcionem apenas nos fins de semana, quando o trenzinho está em atividade. Na igreja matriz, há pinturas interessantes.
Cristina está a 30 km de São Lourenço (foto acima). A estrada que une das duas cidades é belíssima, como quase todas as estradas daquela região. A chuva fez verdadeiros tapetes verdes nos pastos e as quaresmeiras enfeitavam as montanhas. A cidade conserva um expressivo e bem preservado casario do início do século 20. As ruas são limpíssimas. A atração principal é a pracinha da prefeitura, onde há curiosas estátuas e enfeites. Dentre elas, a de um leão. Ali, bem pertinho, tem uma loja de tecidos e artigos de cama, mesa e banho de encher os olhos. Ela conserva o mobiliário antigo, todo feito em madeira. Não resistimos e fomos lá para comprar alguns tecidos e conhecer os proprietários.
Cristina também tem um café premiado internacionalmente, assim como sua vizinha, Carmo de Minas. Por isso, é fundamental dar uma passadinha no supermercado local para levar um pouco dessas preciosidades. Pelo menos, as que cabem no nosso bolso. Contam que, um quilo do café premiado tipo exportação, está na casa dos R$ 400,00 o quilo.
A única nota triste foi conhecer o local onde havia o cinema da cidade. Ele foi destruído para dar lugar a uma galeria de lojas. No entanto, há uma menção à antiga sala de exibição, com fotos e cartazes.
De Cristina, demos um pulinho em Maria da Fé (19 km de distância). (na foto acima) Famosa por seu rigoroso inverno, a cidade é bastante simpática. Tem uma estação de trem desativada e uma maria-fumaça de enfeite na pracinha principal. Já estive na cidade há 11 anos, quando me hospedei na Fazenda Pomária, uma deliciosa pousada que não existe mais. Fomos lá tentando encontrar D. Lourdinha, sua proprietária, mas encontramos a casa fechada. Na pitoresca estradinha, muitas araucárias.
Chamam a atenção em Maria da Fé as pinturas internas da Igreja Matriz, dedicada à Nossa Senhora de Lourdes. São lindíssimas. As obras são autoria dos irmãos italianos Pietro e Ulderico Gentilli. E o trabalho do grupo Gente de Fibra, que criou um artesanato caprichadíssimo a partir da fibra de bananeira. Para conhecer melhor o trabalho, sugiro que acesse o site www.gentedefibra.com.br
Vale a pena visitar! Chamou a atenção, também, uma nova obra da prefeitura local. São várias casinhas que servirão, brevemente, para abrigar os artesãos locais com mais conforto.
Lambari merece uma visita melhor. Na verdade, passamos pela cidade para almoçar e dar uma volta pelas ruas principais. Mas a visão da lagoa com o antigo cassino ao fundo é de tirar o fôlego. O conjunto é maravilhoso, apesar de construções desajeitadas, nos morros que circundam o local, atrapalharem a paisagem. Ou seja, falta de planejamento urbano. Felizmente, o antigo cassino está sendo restaurado e parece que, brevemente, será aberto para visitação.

A cidade tem também um parque das águas e muitas cachoeiras na zona rural, que não conheci desta vez. Mas pretendo voltar um dia, para curtir melhor os atrativos.Chuvas torrenciais caem sobre Minas nessa época do ano, assustando com seus fortes raios e trovões. O sol também deu seu ar da graça, deixando alguns dias excepcionalmente quentes. Mas é hora de voltar para casa e planejar um novo passeio para breve!
Até mais!

Por Thelmo Lins Fotografias de Thelmo Lins e Wagner Corse
Blog do Thelmo:https://descobertasdothelmo.blogspot.com.br - Link original
https://descobertasdothelmo.blogspot.com.br/2018/03/no-sul-de-minas-entre-cidades-charmosas.html

sexta-feira, 13 de abril de 2018

É Muçarela ou Mussarela?

O correto é MUÇARELA, se escreve com "ce" cedilha e não Mussarela, com dois SS. 
- Tem certeza disso? - Absoluta!
- Em qualquer lugar que a gente vai está escrito com dois SS como nos supermercados, restaurantes. Tem matérias em jornais, em propagandas de TV, em receitas, até mesmo nos nomes e rótulos das empresas, como pode ser com "ç" e não com SS? 

Lamento a decepção gente, mas é com Ç mesmo. 

Como essa palavra refere-se a um queijo de origem italiana muito popular no Brasil, quando era vendido nos supermercados faziam cartazes e nos cardápios de restaurantes escreviam mussarela  e alguns até pioravam a grafia e escreviam mutssarella (sic). Com toda escrita errada a palavra acabou se popularizando assim e até em nomes de empresas que fabricam o produto vem com ss, nos rótulos. Mas com SS é erradíssimo. No Português, correto é MUÇARELA. 

Quer entender?
Na Itália, país de origem desse queijo, a escrita é "mozzarella" com zz e ll mesmo. Quando o verbete foi aportuguesado, como todas as palavras italianas com o som "zz" foi escrito na nossa língua e oficializada no dicionário com o "ç". Como todas as palavras de origem espanhola ou italiana com dois zz. Por exemplo carrozza no Português é carroça, piazza ficou praça, razza passou a se escrever  raça em Português. Seguindo a lógica do dicionário Português mozzarella se escreve é com "ce" cedilha, não com dois SS. É muçarela. Até porque os doutores da língua portuguesa estabeleceram que nas palavras de origem estrangeiras (incluindo as palavras indígenas) o fonema "ce" diante das vogais "a", "o" e "u" deveriam ser grafados com Ç (ce-cedilha) no caso "ça", "ço" e "çu" como por exemplo paçoca, paço, açúcar, praça, iguaçu, palhaço, palhoça, guaçu etc....

É isso. Se for fazer alguma prova, como por exemplo, redação do Enem ou de algum concurso e escrever muçarela com dois ss, já começou mal. No popular pode até ser aceito, mas oficialmente não.

Na foto acima, produtos da fábrica de Laticínios Pioneira de Moema MG, especialista em muçarela. Embora o erro na grafia da muçarela, que nem é intencional e sim seguindo a popularização da palavra, os produtos são excelentes. A muçarela com ç ou ss da Pioneira é ótima.  Por Arnaldo Silva