quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Museus de Ouro Preto: horários e dias abertos

Ouro Preto por si só já é um museu a céu aberto. Cada pedra, cada casa, cada esquina, cada ladeira, tem uma história para contar. Na cidade, o turista pode visitar as lojas e restaurantes e com certeza todos com um pouco de história para contar. Geralmente, esses locais eram antigas senzalas, hoje transformadas em lojas, restaurante, etc. Mas na cidade tem museus diversos, onde o turista pode entrar e conhecer peças da arte sacra, barroca, vestimentas antigas, documentos e objetos diversos que contam a história de Minas e do Brasil. 
Um detalhe que vale ser lembrado é que em sua maioria, os museus cobram entrada e fotografias são proibidas. Alguns museus permitem fotografias com celular, sem uso de flash. Fiquem atentos e se informem antes. Listamos aqui os mais visitados museus da cidade,  lembrando que todas as Igrejas históricas de Ouro Preto também valem a pena visitar pela beleza e diversidade da arte sacra exposta, como nas igrejas de Nossa Senhora das Mercês de Cima e de Baixo, de Santa Efigênia, São José, dentre outras. 

Museu da Inconfidência - Antiga Casa de Câmara e Cadeia
Local: Praça Tiradentes, 139
Fone: (31) 3551-4977 / 3551-5233 
Horário: terça a domingo, das 12h às 17h 30
Preço: Cobra-se entrada

Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas
Local: Praça Tiradentes, 20
Fone: (31) 3559-3119 / 3559-3118
Horário: terça a domingo, das 12h às 17h Setores Astronomia, Desenho e Topografia: abertos aos sábados, das 20h 0 às 23h.
Preço: Cobra-se entrada
Site:http://www.museu.em.ufop.br

Casa dos Contos
Local: Rua São José, 12
Horário: domingo, das 10h às 16h; segunda-feira, das 14h às 18h;
Terça-feira a sábado, das 10h às 18h
Preço: Não cobra

Museu das Reduções
Local: Rua A, 131 - Distrito de Amarantina
Horário: diariamente, das 9h às 17h 30
Fone: (31) 553-5182
Preço: Cobra-se entrada
Site: www.museudasreducoes.com.br

Museu do Aleijadinho
Local: Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
Fone: (31) 3551-3282
Horário: terça a domingo, das 8h 30 às 11h 50 e das 13h 30 as 17h
Preço: Cobra-se entrada

Museu do Oratório
Local: Rua São José, 12
Horário: domingo, das 10h às 16h; segunda-feira, das 14h às 18 horas;
Terça-feira a sábado, das 10h às 18h
Preço: Cobra-se entrada

Museu Casa Guignard
Local: Rua Conde de Bobadela, 110
Fone: (31) 3551-5155
Horário: terça a sexta, das 12h 30 às 18h 30;
Sábados, domingos e feriados, das 9h às 15h.

Museu de Arte Sacra de Ouro Preto
Local: Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto
Fone: (31) 3551-4136 / 3551-4735
Preço: Cobra-se entrada
Horário: terça a domingo, das 9h às 10h 45 e das 12h às 16h 45


Museu da Siderurgia
Local: Centro de Artes e Convenções de Ouro Preto
Rua Diogo Vasconcelos, 328 - Pilar
Horário: agendar pelos telefones (31) 3551-1015 e (31) 3559-3130

Museu da Farmácia da Ufop
Endereço:Rua Costa Sena, 171, Centro. Ouro Preto
Telefone: (31) 3559-1630
Horário de Funcionamento:E
-mails: museudafarmaciaufop@gmail.com
Visitação : segunda a sexta-feira das 13h às 17h (exceto feriados).


Museu do Chá
Endereço:Localizado na sede administrativa do Parque do Itacolomi - BR 356 / Trevo do Hospital de Ouro Preto. Ouro Preto - (SEDE)
Telefone: (31) 3551-6193
Horário de Funcionamento: Terça-feira a domingo das 8h às 17h.
Ingresso: Cobra-se entrada

Ecomuseu da Serra de Ouro Preto
Endereço:Núcleo São Sebastião:espaço cultural Cores, Flores e Sabores (bar da Nida). Ouro Preto - (SEDE)
Telefone: (31) 9311-0623 (Nida) 8632-1359 (Yara)
Horário de Funcionamento: Agendar por telefone.
Site: http://www.ecomuseuserraop.ufop.br/


Se você não conhece Ouro Preto, melhor você antes de andar pela cidade, ir no Centro Turístico de Ouro Preto, que fica na Praça Tiradentes, 04, telefone 31 3551-3637, ano centro para obter informações e mapa de turismo da cidade. 
Se for o caso, contrate um Guia credenciado pela Secretaria de Turismo de Ouro Preto. A secretaria fica na Rua Cláudio Manoel, 61, telefone: 31 3559-3287 e 31 35516190. Mais informações podem ser obtidas no site da Prefeitura de Ouro Preto MG: https://ouropreto.org.br

Capela do Rosário: uma das primeiras de Minas

A Capela de Nossa Senhora do Rosário na Quinta do Sumidouro, A "Casa de Fernão Dias", a Lagoa e a Lapa do Sumidouro formam um importante conjunto arquitetônico, arqueológico e paisagístico, tombado em Fidalgo, distrito de Pedro Leopoldo MG a 46 km de Belo Horizonte. Foi tombada pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais), através do decreto nº 17.729 de 27 de janeiro de 1976. 
A Capela foi erguida pelas irmandades do Rosário e do Santíssimo Sacramento e pelas mãos dos escravos que trabalhavam na mineração no Vale do Rio das Velhas.
A área onde se localizam a Capela e a Casa de Fernão Dias constituiu-se de pouso para da expedição Bandeirista de desbravamento do território mineiro no final do século XVII. Esses pousos, embora de caráter temporário, evoluíram e tornaram-se os primeiros núcleos urbanos e marcos da formação da cultura e do território mineiro.
A Capela está entre as primeiras das Gerais que se vinculam ao período minerador. De proporções modestas, possui ornamentação interna de grande valor artístico, sendo o retábulo-Mor a peça de maior representatividade do conjunto, confeccionado em meados do século XVIII, o retábulo é filiado estilisticamente ao modelo D. João VI, segunda fase do nosso barroco.
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(Esse texto foi extraído da placa que fica em frente a Capela, no Sumidouro). Fotografias de Arnaldo Silva

A Quinta do Sumidouro

A Quinta do Sumidouro é a ocupação mais antiga da cidade de Pedro Leopoldo, hoje com cerca de 65 mil habitantes, distante apenas 46 quilômetros de Belo Horizonte, entre as rodovias MG-10 e MG-424. 
É um "bairro" de Fidalgo, distrito de Pedro Leopoldo desde 1923. O distrito de Fidalgo é uma das mais antigas povoações de Minas Gerais, sendo seu patrimônio histórico barroco, sobrevivente da cidade. Sua origem data de 1674.
Foi na terras férteis da Quinta do Sumidouro, que a partir de 1674, no século XVII, o bandeirante Fernão Dias Paes Leme estabeleceu morada com sua tropa. Construíram o arraial, inicialmente chamado de "Anhanhonhacanhuva", que significa em tupi: água parada que some no buraco e depois passou a se chamar arraial de São João do Sumidouro. O bandeirante morreu nas proximidades do arraial em 1681. Seus restos mortais foram levados para sua cidade natal, São Paulo, onde nasceu em 1608, por seu filho mais velho, Garcia Rodrigues Paes, sepultando-o no Mosteiro de São Bento. Fernão Dias Paes Leme deixou história, tanto de sua vida, como nas construções barrocas, sendo hoje um dos principais pontos de visitação turística da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Sua casa hoje é um Museu Histórico. Além dessa casa, o distrito 
conta com outras casas no estilo barroco, além da Capela de Nossa Senhora do Rosário, construída nessa época, no fim do século XVII, sendo essa uma das mais antigas igrejas de Minas Gerais. Originalmente, foi uma construção bem simples, em sua fase inicial. 
Já no século XVIII, coube ao Mestre Aleijadinho dar o acabamento final à capela. Aleijadinho construiu o altar no estilo da época, o Joanino (estilo de Dom João VI). Fez o coroamento do retábulo com dossel e anjos, tarjas, nichos cortinados e colunas com base com cabeças de anjos entre nuvens. Em estilo rococó foram feitas a pintura do forro da capela. 
Acredita-se que seja a segunda igreja a ser construída em Minas Gerais. A primeira foi a Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Matias Cardoso, no Norte de Minas. A Capela e a Casa de Fernão Dias são bens históricos tombados como Patrimônio Histórico do Estado pelo IEPHA.
Outros atrativos
Além da história e arquitetura colonial, o distrito fica próximo da Gruta da Lapinha, na vizinha cidade de Lagoa Santa e na própria região, existem grutas e sítios arqueológicos, além do Parque Estadual do Sumidouro, um dos mais importantes do Estado.
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(Texto e fotografias de Arnaldo Silva)

sábado, 4 de agosto de 2018

As cores vivas da arquitetura ouro-pretana

Quem visita Ouro Preto fica encantado com as cores vibrantes e perfeição das construções coloniais do seu casario e com imponência beleza de suas igrejas. Com a descoberta do ouro na região, a partir de 1713 começaram a chegar centenas de famílias portuguesas e com eles vieram arquitetos, engenheiros e pedreiros portugueses, que deram início a construção de suas casas, todas construídas com as mesmas características dos casarões em Portugal. (fotografia abaixo de Fabinho Augusto)
Os construtores que vieram para cá, eram mais que profissionais da construção, eram artesãos e mostravam isso nas suas construções. É difícil não parar para contemplar e fotografar os belos casarões, mesmo os mais simples. Todos tem requinte, beleza, criatividade em todos os detalhes e suas fachadas são verdadeiras obras de arte.
Alguns materiais para a construção das casas vieram de Portugal, mas pela demora e alto custo para trazê-los da Europa para cá, os construtores buscaram alternativas locais para concretizarem seus projetos. Os materiais usados para a base das casas eram cal e pedra que era abundante na região. No centro histórico de Ouro Preto as paredes ficam uma parte à mostra, para que o visitante veja como era. Era pedra sobre pedra, principalmente a parte de baixo onde ficavam as senzalas. 
Não existia a diversidade de tintas como existem hoje. As cores comuns de tintas que existiam era o vermelho, cobalto, ocre, azul, branco e dourado. A base das tintas era a gema de ovo porque os componentes presentes na gema faziam com que endurecesse e fixasse melhor a pintura nas paredes. Os pigmentos provinham de plantas(anil, assafroa, ipê, mulato, pau de braúna, urucum e sangue de dragão). Usavam também compostos presentes no solo como argila, terras coloridas, cal. Nos rebocos e pisos, usavam-se uma espécie de argila de várias cores conhecida tabatinga. Essa argila proporcionava tintas nas cores branca, amarela e vermelho rosado). Na pintura exterior, usavam um pigmento de carbonato de chumbo (alvaiade) que tornava as pinturas mais resistentes ao tempo.
Em sua maioria os casarões eram feitos com tijolos de adobe, que é uma mistura de barro com estrume de gado. A base era de madeira. As construções mais simples eram com armações em madeira e toda barreada. As igrejas eram construídas em pedra bruta. O acabamento das casas e igrejas eram no capricho, já que além de construtores, era artesãos e não economizavam o talento, fazendo belas esculturas e detalhes nas fachadas de suas obras. Uma que destaco muito é a Igreja do Rosário totalmente diferente dos padrões das igrejas da época, já que tem um traçado irregular e sua frente, em sentido oval.(na foto abaixo de Fabinho Augusto) Essa arquitetura não tem inspiração portuguesa e sim nas catedrais do norte Europeu.
Esses primeiros construtores que vieram para o Brasil e principalmente Minas Gerais fizeram escola. Com eles surgiram vários outros construtores e artesãos e continuaram a fazer casas, igrejas e outras construções, inspiradas no estilo português. Desses, alguns ficaram famosos e são hoje referência na arte barroca, como Mestre Aleijadinho e o Mestre Ataíde, o maior pintor do período barroco.
As obras desses dois artistas estão espalhadas por várias cidades históricas mineiras, principalmente em Ouro Preto. Aleijadinho no início seguia à risca a arquitetura portuguesa mas aprimorou-se e mesclou a linha portuguesa com detalhes da arquitetura chinesa. Esses detalhes podem ser visto claramente nas Igrejas de Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora do Carmo e de Nossa Senhora da Conceição (na foto acima de Thelmo Lins, detalhes chineses no interior da igreja) em Sabará MG. (Por Arnaldo Silva)

História da Estação Ferroviária de Ouro Preto

A ESTAÇÃO: A estação de Ouro Preto, aberta em 1888 quando a cidade ainda era a capital da Província de Minas Gerais. Foi construída no bairro da Barra, por ser este a parte mais plana da cidade, e num local que os moradores chamavam de Praia do Circo, onde as trupes circenses montavam seus espetáculos.
Como só acontecer em Minas, em alguns trechos a linha do ramal compartilha espaço com as ruas da cidade.
Até a década de 1950, uma usina siderúrgica experimental operada pelos alunos da Escola de Engenharia de Minas e Metalurgia de Ouro Preto ficava ali ao lado da estação e dispunha de ramal próprio.
Pelo menos até 1980 ainda havia movimentação de passageiros que podiam se utilizar dos trens mistos. 
Depois, a estação foi fechada, os trilhos no ramal chegaram em grande parte a ser retirados, a estação passou um tempo abandonada, foi reformada e finalmente em 2006 sofreu uma grande reforma para ser a estação inicial do trem turístico de Ouro Preto a Mariana operado pela FCA a partir de 05/05/2006 - o segundo, pois um outro trem deste tipo, o primeiro, operado pela RFFSA, operou de 1986 a 1996 utilizando primeiramente vaporeiras Baldwin e Pacific e no final diesels U13-B. O novo trem da FCA era puxado por uma locomotiva a vapor Santa Fé oriunda da antiga E. F. Teresa Cristina, em SC, e com 6 carros de aço, sendo um panorâmico. O prédio da estação passou então a servir, além de estação, como museu ferroviário, contendo uma maquete da linha turística recém-inaugurada. (como podemos ver na foto abaixo de Ane Souz, a maquete)
Em 2016, o trem ainda existia, mas era puxado - já havia alguns anos - por locomotivas diesel. A máquina a vapor não aguentou. 
A estação e a cidade, provavelmente anos 1920 (Autor desconhecido).
HISTÓRICO DA LINHA: O ramal de Ponte Nova foi construído em 1887 e 1888 para, da estação de Burnier, se atingir Ouro Preto, então capital da Província, de forma que ela se ligasse com o Rio de Janeiro por via férrea. Somente mais tarde, entre 1914 e 1926, é que foi construído o trecho que chegaria até Ponte Nova. Por uma resolução da RFFSA, RI-51 de 2/6/1964, o ramal passou a ser operado pela Leopoldina. Até 1980 ainda havia trens mistos percorrendo o ramal. Atualmente o ramal da Ponte Nova está desativado, tanto para passageiros como para cargas.Seus trilhos foram praticamente todos arrancados. 
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Receita de Pão de Cebola

INGREDIENTES
200 gr de cebola
3 ovos

250 ml de leite morno
1 kg de farinha de trigo

50 g de manteiga

Orégano a seu gosto
15 g de sal
30 g de açúcar
150 ml de óleo
1 tablete de caldo de galinha
40 g de fermento biológico fresco

 MODO DE PREPARO
Bata no liquidificador os ovos, leite, óleo, sal, açúcar, o caldo de galinha, manteiga e a cebola
Despeje numa bacia plástica e dissolva o fermento
Vá colocando aos o orégano e toda a farinha
Misture com uma colher grande até juntar todos os ingredientes e em seguida unte a mão com óleo e sove a massa com as mãos até que fique homogênea e bem lisa
Em seguida, cubra a bacia com um ano ou plástico e deixe descansando dentro da bacia plástica por 20 minutos
Após esse tempo faça bolinhas pequenas e coloque em forma já untada separadas por uns 10 centímetros e deixe descansando por mais 30 minutos
Pincele com gema batida e leve ao forno 200°C.
O pão assa rápido, entre 20 a 25 minutos. 
Acompanha muito bem com patê de sardinha

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

No escurinho do cinema

"Nove horas até a eternidade"... Era o filme em cartaz. Flagra precioso das lentes de uma câmera eternizando em fotografia o extinto Cine Vera Cruz. O antigo cinema ficava em frente à igreja Matriz, na Praça central da cidade, e fazia nossa alegria. Aos domingos, matinês, ao melhor estilo Velho Oeste, com muito tiro, mocinho e bandido, saloons com portas bang bang, xerifes de estrela no peito, cavaleiros solitários e forasteiros enigmáticos, tudo sob o efeito de impactantes trilhas sonoras: valia a pena ir à missa das nove para ter direito à sessão das três. Ah, se valia!

À noite, a história era outra: fitas do cinema-catástrofe, suspense, humor, tramas amorosas — incluindo as impróprias para menores de dezoito: a curiosidade matava, mas o jeito era se contentar com o que a idade permitia, e era bom além da conta: Aeroporto, Inferno na Torre, Tubarão, Sissi, a Imperatriz; Dio, Come ti Amo; Uma janela para o Céu; Romeu e Julieta; E o Vento Levou, roteiros que me arrebataram, me rendendo dias e dias de comentários com as amigas.

Antes da sessão, o alto-falante do Vera Cruz inundava a praça com as notas melódicas de "Shadows" na emocionante interpretação do cantor que marcou época, Demis Roussos. Jamais vou esquecer o impacto daquela voz densa e forte — que tinha algo de doloroso — se espalhando sobre a praça nos meses gelados de maio e junho. Aquele era o sinal de que em poucos instantes quem comprava ingresso na fila — e adquiria na bilheteria seus chicletes Adams, Prestígio e balas de menta — com o apagar das luzes, mergulharia no mágico mundo do faz de conta, ou viveria bons momentos românticos roubando beijos furtivos no escurinho do cinema.

Ir ao Vera Cruz me fascinava. Por algumas horas esquecia o mundo lá fora e me entregava de corpo e alma às imagens e sons emergidos da telona. Numa cidadezinha pequena e simples como a nossa, nos meados da década de 70, cinema era um verdadeiro luxo. E que sensação, adentrar aquele recinto com suas pesadas cortinas vermelhas, luzes embutidas, lanternas de jatos indiretos e as filas de cadeiras pretas posicionadas em declive, com seus assentos reclináveis que se recolhiam automaticamente sempre que a pessoa se levantava.

Durante o dia, a distração era parar no saguão onde se exibiam as propagandas dos próximos filmes. De passagem pela praça, obrigatoriamente eu me detinha por horas a olhar as novidades que seriam mostradas em breve. Títulos expostos, cada um mais atraente, e que vontade de poder ver tudo, já adivinhando as maravilhas contidas naqueles instigantes enredos.

O tempo passou. Vieram os modernos aparelhos — hoje também obsoletos — para exibição de filmes, no conforto do lar. As locadoras proliferaram, o cinema tradicional foi ao declínio, fechou as portas. O prédio perdeu seus áureos tempos de glória, deu lugar a uma grande loja de utilidades domésticas. De tudo, restaram apenas as lembranças e a nostalgia encerradas numa antiga fotografia: ao ver o antigo Vera Cruz, não tem jeito, na cabeça passa um filme, e o título chega a doer: Saudade, doce saudade!

Texto de Marina Alves - Lagoa da Prata MG
Imagem: autor desconhecido

domingo, 29 de julho de 2018

Paçoca de amendoim no pilão

Essa receita é antiga, vem do início do século XIX. Era um prato criado pelos escravos e hoje faz parte da culinária mineira e brasileira. Quem não gosta de paçoca? Vamos ver como os escravos faziam paçoca e aprender? Veja:

Você vai precisar de:
1 kg de amendoim
1 kg de açúcar
1 kg de farinha de mandioca torrada
1 colher rasa (de café) de sal

O modo de fazer é esse:
Numa panela de ferro, torre o amendoim, mexendo com uma colher de pau.
Depois de bem torrado, coloque o amendoim no peneira e abane bem para tirar as casquinhas.
Depois disso, coloque o amendoim num pilão e mãos à obra. Soque bastante. 
Vá adicionando aos poucos o açúcar e a farinha de mandioca. Misture bem, soque mais um pouco e retire, coloque na peneira bem fina e o que sobrar na peneira, leve de volta ao pilão, coloque mais farinha e açúcar e soque mais.
Eu gosto de colocar uma pitada de sal. Fica a seu gosto.
Quando estiver tudo bem socado, bem homogêneo estará pronto.
Você vai saborear uma paçoca deliciosa e vai estar com os braços bem malhado de tanto socar. Mas vale a pena, é uma delícia!
Era assim que os escravos faziam. 
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Receita de Arnaldo Silva - Fotografia de Odilon Euzébio de Jerusalém, distrito de Inhapim MG)

Churrasco na panela de pressão

INGREDIENTES
1kg costela com pouca gordura
1kg linguiça boa;bem temperada
2 cebolas grande picadas
1 saquinho de tempero sazón ou o tempero que desejar

MODO DE PREPARO
Corte a costela pedaço a pedaço. Pegue a linguiça e faça furos para retirar o ar.
Coloque as costelas cortadas na panela de pressão com o osso virado para baixo.
Cubra as costelas com a metade da cebola e o tempero. 
Coloque por cima a linguiça e cubra com a outra metade da cebola.
Tampe a panela e quando começar a dar pressão, reduza o fogo e deixe por exatos 50 minutos no fogo.
Depois disso, tire a pressão e abra.

Retire a carne e coloque num prato ou vasilha. Na panela de pressão verá que ficou uma camada de óleo devido ao processo de cozimento, a gordura presente nas carnes se desprende. Descarte essa gordura.

Você pode servir com arroz, mandioca e uma salada verde. 
Bom apetite! (foto e receita de Arnaldo Silva)

Cidades mineiras se tornam cenários de novelas

Mariana, Capitólio, Ouro Preto, Tiradentes e Carrancas se tornam cenário de novela.
Com belas paisagens e sítios históricos, Minas Gerais atrai produções de TV e cinema. Deslocamento de grandes equipes é desafio a produtores
Na sinopse de Espelho da vida – novela da faixa das 18h que estreia em setembro, na Globo – que a autora Elizabeth Jhin entregou à emissora, ela escreveu que a trama se passava em “uma cidade que tem uma praça com chafariz rodeada por casarões de época”. Quando a produção do folhetim foi a campo, encontrou no centro de Mariana o cenário ideal para a trama. (foto acima, da Praça Minas Gerais em Mariana, de autoria de Elvira Nascimento. Inserção nossa)

Tanto é assim que a produção da novela abriu mão de construir uma cidade cenográfica nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e optou por retornar de tempos em tempos à cidade mineira para novas gravações de cenas externas. “Foi uma escolha de caráter absolutamente dramatúrgico. Eu estava visitando as cidades históricas mineiras para encontrar um lugar que me servisse de base para a construção de uma cidade cenográfica nos Estúdios Globo, como a gente costuma fazer. Passei por todas as cidades e acabei encontrando em Mariana o desenho exato que a Elizabeth Jhin gostaria de ter para a cidade fictícia de Rosa Branca”, afirma Pedro Vasconcelos, diretor artístico de Espelho da vida.
(foto: Estevam Avellar/DIVULGAÇÃO)
PRAÇA Além de Mariana, as cidades de Tiradentes, Ouro Preto e Carrancas também servem de cenário ao folhetim. “Em Mariana, filmamos principalmente na praça onde moram os personagens principais da trama. As ruas de Tiradentes representam as ruas do centro histórico de Rosa Branca. Carrancas representa os arredores da cidade, as serras, as cachoeiras, onde as pessoas tomam banho de rio e andam a cavalo. E Ouro Preto seria o ‘centro nervoso’ de Rosa Branca. Também acho que a história pede um caráter mais realista e acredito que ter os atores circulando em uma cidade não cenográfica vai me ajudar a contar melhor essa história”, diz o diretor.

Espelho da vida é uma entre quatro produções atuais da Globo que têm Minas Gerais como cenário. Sua antecessora, Orgulho e paixão também teve cenas gravadas em Lavras, Mariana e, principalmente, Carrancas, apesar de a história não se passar em Minas Gerais. Foi na cidade localizada a 300km de Belo Horizonte que transcorreram as cenas dos personagens se refrescando nas cachoeiras, além dos passeios e piqueniques de casais como Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda).

Na semana passada, a equipe retornou a Carrancas. “Graças ao trabalho de direção precisa do Fred Mayrink (diretor artístico), estamos tendo essa oportunidade de fazer uma viagem para filmar cenas de Orgulho e paixão já com a novela no ar. Isso não é muito comum”, comenta Bia Coelho, uma das diretoras da novela. Ela avalia que esse recurso proporciona um “respiro” de paisagens. “A novela tem uma finalização muito bonita, com paisagens, matas e cachoeiras. Essa viagem nos permite oferecer esse olhar rico ao telespectador, com essa variedade visual. O autor (Marcos Bernstein) também foi muito parceiro, escrevendo cenas de capítulos futuros, para otimizarmos essa viagem ao máximo”, diz a diretora.

Prevista para estrear em novembro, a próxima novela das 21h, O sétimo guardião, de Aguinaldo Silva, também terá a maioria das cenas externas rodadas em Minas, mais especificamente em Capitólio, Sul do estado, onde a equipe comandada pelo diretor Rogério Gomes já está desde o começo do mês. Mas a trama não se passa em terras mineiras, e sim numa cidade fictícia do interior do Brasil.

No ano passado, a charmosa Catas Altas, na Região Central, foi palco das gravações de Se eu fechar os olhos agora, série de Ricardo Linhares inspirada no livro homônimo de Edney Silvestre, que deve ser exibida no começo de 2019. Segundo a Globo, foi coincidência o fato de quatro de suas produções estarem sendo rodadas em Minas. A emissora diz que as locações de uma novela são definidas após muita pesquisa e sempre atendendo às necessidades da história que se pretende contar. “A dramaturgia é que define qual locação pode ser mais adequada para contar a trama escrita pelo autor. O estado de Minas Gerais é rico em belezas naturais, culturais, históricas e traz muito da diversidade brasileira. Além disso, oferece paisagens versáteis que possibilitam gravar tanto uma novela de época ou mesmo contemporânea. A preservação histórica dos casarões, fazendas e monumentos tão característicos de Minas e de um determinado período da história brasileira nos trazem a possibilidade de gravar em centros urbanos e áreas rurais”, diz a assessoria da emissora carioca.

POÇOS RECEBE A TURMA DA MÔNICA
Floquinho desapareceu. Cebolinha desenvolve então um plano infalível para resgatar seu cãozinho. Mas vai precisar da ajuda de Mônica, Magali e Cascão. Eles enfrentarão desafios e viverão aventuras para resgatar o cachorrinho. A história de Turma da Mônica - Laços, filme de Daniel Rezende (Bingo: O Rei das manhãs) se passa no fictício bairro do Limoeiro. A maior parte das cenas da produção que chega aos cinemas em 2019 foi rodada no interior paulista. Mas Minas também tem sua participação. Durante três semanas, a equipe do longa movimentou Poços de Caldas, no Sul do estado, sobretudo a região da praça principal, onde fica o Palace Hotel, que serviu de cenário disfarçado como bairro do Limoeiro. “A escolha foi feita após muita pesquisa em todo o Brasil. É sempre bom filmar numa cidade pequena, que não está acostumada com filmagens. Os moradores foram muito carinhosos, e a prefeitura apoiou a produção em tudo o que precisamos”, diz a produtora-executiva Bianca Villar.

Interior mineiro na rota de longas
Não é só na telinha que Minas Gerais anda dando as caras. Previsto para estrear em 2019, o longa Arigó, sobre o médium mineiro Zé Arigó, que realizava cirurgias espirituais, foi integralmente rodado no estado, com Danton Mello no papel principal. A produção percorreu Congonhas, Rio Novo e Cataguases, esta última marcada pela produção do mestre Humberto Mauro (1897-1983) e que mais recentemente serviu de cenários para filmes como O menino no espelho (2014) e Redemoinho (2016).

Roberto d’Avila, produtor de Arigó, admite que chegou a cogitar não filmar em Minas, em razão das dificuldades na logística. Mas, para dar mais veracidade ao longa, a equipe acabou passando quase dois meses por aqui. “Como o Arigó nasceu na região de Congonhas, a gente teve algumas cenas lá, principalmente no entorno da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Mas como a cidade foi muito descaracterizada, tivemos que procurar uma locação que se parecesse com BH e com o Rio nas décadas de 1950 e 1960, período retratado pelo filme”, diz. Depois de rodar a Zona da Mata, a produção chegou a Cataguases e Rio Novo. “Não é fácil filmar longe do Rio e de São Paulo, porque a gente teve que levar uma equipe de 120 pessoas para lá. Todos os figurantes são mineiros. Os cenários são mineiros. Era importante que isso estivesse presente no filme para ter essa sensação de verossimilhança”, afirma o produtor.

Ele diz que o apoio não só da população como também da administração dos municípios envolvidos foi fundamental para o bom andamento das filmagens. “A gente sabe que rodar um filme implica alterações, ainda mais numa cidade pequena. Fechamos rua, filmamos até no gabinete do prefeito de Cataguases e na Câmara Municipal de Rio Novo. Mudou a rotina mesmo. Muitas vezes, nossa atividade incomoda, mas é uma via de mão dupla, já que atrai coisas boas para o lugar, como geração de empregos e visibilidade”, aponta.

MILHO VERDE Em Além do homem, de Willy Biondani, o escritor Alberto Luppo (Sérgio Guizé) mora em Paris há anos e renega suas raízes tropicais. Quando um famoso antropólogo francês desaparece numa cidade do interior do Brasil, ele volta para sua terra natal e inicia uma investigação para descobrir o paradeiro do amigo. Apesar de o longa não identificar onde se passa a história, o diretor diz que sempre teve a intenção de filmar em Minas e pensava na Serra da Canastra.

“Acabamos usando a cachoeira da Casca D’anta, na Serra da Canastra, na trama, mas ali era muito complicado de se produzir. Então fui subindo e cheguei até a região da Serra do Cipó. Depois fui parar em Milho Verde, indicado pelo Rudá de Andrade, neto do Oswald de Andrade, que tem uma casa lá. Não poderia ter encontrado uma locação mais especial e apropriada”, afirma.

O diretor afirma que, além da potente paisagem do cerrado e dos inúmeros veios de água e cachoeiras, Milho Verde tem uma característica humana diferenciada, de valorização do outro. “Além disso, sua arquitetura não define nenhum período histórico e nenhuma região do país, e isso me interessava para o resultado final do filme. A escolha da locação possibilitou que resolvêssemos todas as necessidades do filme num raio de deslocamento aceitável para a produção. Com muito apoio da população local, conseguimos viabilizar várias coisas, por exemplo, a decoração de cenários internos (caso da recepção do hotel e do bar) e externos (instalação de bandeirinhas e mastros na praça). Os ambientes cenográficos foram todos construídos na cidade do Serro, dentro da quadra de uma escola. No geral, foi uma ótima experiência”, comenta.

Na mesma época, também foram rodados na região os longas Vazante, de Daniela Thomas, e Joaquim, de Marcelo Gomes. “Era carro de produção para todo lado (risos). É sempre difícil produzir no Brasil. Os lugares têm poucos recursos; tem a questão de deslocamento, infraestrutura. Mas, quando a gente chega, ainda mais ali em Milho Verde, as paisagens são tão incríveis, as pessoas nos recebem tão bem, que a gente até esquece. Não há uma pessoa da equipe de Além do homem que não tenha se apaixonado pelo lugar e pelas pessoas”, assegura Biondani. O ator Fabricio Boliveira, por exemplo, se sentiu tão tocado pela região que durante a filmagem resolveu alugar uma casa em Milho Verde e viver um tempo na cidade. Além do homem estreou no final de junho no Rio e em São Paulo. Em outubro o longa deverá ter uma sessão aberta em Milho Verde. (Colaborou Márcia Maria Cruz)

ALÉM DAS MONTANHAS
Relembre filmes e novelas que tiveram Minas Gerais como cenário
» A dança dos bonecos (filme) - 1986
» Coração de estudante (novela) - 2002
» Depois daquele baile (filme) - 2006
» Desejo proibido (novela) - 2007
» Dona Beija (novela) - 1986
» Hilda Furacão (série) - 1998
» Irmãos Coragem - segunda versão (novela) - 1995
» JK (série) - 2006
» Joaquim (filme) – 2017
» Liberdade, liberdade (série) - 2016
» Menino Maluquinho (filme) - 1995
» Minha doce namorada (novela) - 1971
» Redemoinho (filme) - 2016
» O menino no espelho (filme) - 2014
» O fim do mundo (novela) - 1996
» Vazante (filme) - 2017
» Xica da Silva (filme) - 1976
-------------------------------------------------------------------------------------------------------Por Ana Clara Brant - Jornal O Estado de Minas/Portal www.uai.com.br
Link original:https://www.uai.com.br/app/noticia/series-e-tv/2018/07/29/noticias-series-e-tv,231489/mariana-ouro-preto-tiradentes-e-carrancas-se-tornam-cenario-de-novel.shtml (a primeira imagem é inserção nossa e não consta na matéria original)

sábado, 28 de julho de 2018

Receita de Pudim de Milho

Fotografia de Beto Magalhães/Jornal O Estado de Minas
Ingredientes:Para o pudim
- 2 latas de milho verde em conserva (escorrido)
- 1 xícara (chá) de leite
- 1 vidro (200 ml) de leite de coco
- 1 lata de leite condensado
- 3 ovos
Para a calda
- 1 xícara (chá) de açúcar refinado
- Meia xícara (chá) de água
Material
- 1 forma para pudim, de cerca de 19 cm de diâmetro)
Como fazer Pudim de milho:
Bater no liquidificador o milho e o leite. 
Passar na peneira, desprezar o bagaço e levar de volta ao liquidificador, para bater com o lei­te de coco, o leite condensado e os ovos. 
Para a calda, levar ao fogo o açúcar e deixar caramelizar. 
Pôr a água e mexer até formar uma calda escura. 
Forrar com ela a forma. 
Despejar a massa do pu­dim na forma e cobrir com papel alumínio.
Assar em banho-maria, em forno médio, por cerca de uma hora e meia. 
Deixar esfriar e levar à geladeira por seis horas. Retirar da forma e servir.
Doce combinação da felicidade
Sabor e praticidade se unem ao fogão quando a sobremesa da vez é pu­dim de leite condensado. Iguaria que já faz parte da história de nossas mesas, dificilmente desagrada ou desanda. Basta sensibilidade no pre­paro e cuidado no momento crucial de retirar o doce da forma. Há quem prefira os pudins com furinhos e outros que não abrem mão das fatias lisinhas. Seja como for, a verdade é que a textura e o paladar da igua­ria figuram entre as nossas mais saborosas e alegres lembranças.

Para quem quer se deliciar com uma nova versão do clássico, Jaquelina Xavier Araújo, moradora da comunidade rural do Jatobá, dá a dica. A aparência de sua receita é a mesma das tradicionais, mas, ao ser levada à boca, a iguaria intriga o paladar.

Aos ingredientes, a jovem mistura milho verde em conserva, o que confere, lá no fundo, um gostinho que faz toda a diferença. Se você salivou só de imaginar, o que não faltam são bons argumentos para correr logo para a cozinha e preparar essa maravilha.
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Receita fornecida por Jaquelina Xavier Araújo Ribeiro

terça-feira, 24 de julho de 2018

O Defunto Nicolau

As velhas cochichavam entre si:
— Credincruiz! Difunto se rindo é coisa do Demo!

Pois naquele velório ninguém atinava o motivo do risinho indecoroso, assim meio de ladinho, desenhado sob o bigode do Nicolau. Houvesse ali um astuto, logo adivinharia seu semblante de puro contentamento e deleite.

Abatida se via Manuela, ao lado do marido Ludgero. Haviam passado a noite em claro, velando o corpo do boiadeiro, o Nicolau Simão. Noutro canto da sala, chapéu no peito, todo contido em si, estava Joãozinho, sem coragem de olhar nos olhos dela. Aquele conluio era segredo que levariam para o túmulo. Na cozinha, as comadres comentavam:
— Tadinha da Maneca! Num é pa menos, ficá abobada assim. O danado do home vei morrê na sala da casa dela! Dissero qui tava isperano o Lugero chegá do sirviço pa modi niguciá umas cabeça de gado, quando istribuchô e caiu mortim. Num fosse o Joãozin tá pru perto...

Ensimesmada, Manuela lembrava como viera parar ali. Casou-se ainda novinha com Ludgero – fazendeiro viúvo, sem filhos e já bem erado – para cumprir gosto do pai. Não gostou nem desgostou. Não havia sido criada para escolher marido. No começo foi tudo novidade! A fazenda tinha terra que não acabava mais, muito gado e plantação! Com o passar dos anos, porém, ela passou a se ver como um enfeite da casa, como uma propriedade do marido ciumento. Bastava só entrar na cozinha, onde reinava a velha Sinhana Preta, para ouvi-la:
— Sinhô Lugero falô qui num qué muié dele isquentano barriga no fugão e isfriano na bica, não...

Às vezes pensava em cuidar do jardim, mas aquele rapazinho acanhado logo lhe tirava as ferramentas das mãos avisando:
— Patrão num qué a sinhora quemano nesse solão... Sô Lugero falô pa modi ieu num dexá não. Issu é sirviço meu!

Dezembros e janeiros e a chuva a malhar no telhado por dias e noites a fio. O tempo se arrastava naquele fim de mundo. Debruçada na janela, ela avistava o cafezal onde as pessoas pareciam formigas trabalhando. Via Joãozinho, o rapaz acanhado, a cuidar dos arredores da casa. Devia ser peão de confiança do seu marido, parece que estava ali o dia todo vigiando, contando seus passos... Ou será que era cisma sua?!

Certo dia, bem cedinho, depois que Ludgero saiu a campear um boi sumido, Manuela botou vestido bonito, aquele mesmo, que tinha dois botõezinhos teimosos em morar fora da casa, revelando um tiquinho dos seus guardados. Abeirou-se do curral. Toda prosa, trepou na cerca. Caneco na mão, pediu que Joãzinho lhe desse leite da formosa, a melhor vaca do curral. O peão, encabulado, rosto amoitado no chapéu de palha, custou a lhe cumprir a ordem, mas cumpriu, embora um tanto sem jeito...

E foi nesse dia que Joãozinho sentiu, num leve roçar de dedos, o calor da mão dela. Escabreado, afastou depressa a sua. Aquilo foi brasa a lhe queimar mão, braço e todo corpo. Daí por diante, passou a madrugar para que a patroa não o achasse mais no curral! Cedinho, deixava o balde de leite na cozinha com a Sinhana Preta e sumia no mundo, a caçar serviço bem longe das vistas da patroa.

O fim do sossego de Joãozinho se deu quando o boiadeiro Nicolau Simão danou a rodear a casa depois que o patrão saía. E piorou, quando o viu entrando para um café, a convite de dona Manuela, já então animada por demais com aquelas visitas. João perdia noites de sono, cismando sozinho: “O qui fazê?! Falá das visitas pro Sô Lugero? Não, isso nunca! Que ele era capaz de dá cabo da vida dela, tadinha. E se ela num devesse?! Ele ia era morrê de remorso”. Sentindo-se de mãos atadas, João viu o outro se adonar aos poucos das horas ociosas da mulher do patrão. E percebia que esses momentos se estendiam tarde adentro, sempre que Sô Lugero se ausentava de casa.

Certo dia, o retireiro criou coragem e foi indagar de Sinhana Preta, na esperança de ouvir alguma coisa que o tirasse daquele desatino. Em vão! A cozinheira deu de ombros, dizendo que estava com pressa, tinha que cozinhar uma canjica para o Sô Nicolar, a mando da patroa.

Aconteceu no meio da tarde, quando nem os passarinhos cantavam. Joãozinho ouviu um berreiro vindo da casa. Largou a enxada no chão e correu para acudir. Entrou às pressas, sem bater. Foi logo na direção donde vinha o choro da patroa. O que viu naquele quarto iria atormentá-lo pela vida afora. Esparramado na cama, o corpo gordo e nu do boiadeiro. Na mesinha de cabeceira, um pato com vestígios de canjica. Olhou ao redor: lá estava ela, do jeitinho que veio ao mundo. Por respeito, pelejou pra não olhar, mas suas vistas não obedeceram. No desespero do acontecido, Manuela não tivera pudor de se cobrir. Os olhos se cruzaram e falaram por si.

Sentindo ciúme, vergonha e medo, João começou a ajuntar rapidamente as tralhas do boiadeiro morto. O tempo urgia, tinha muita coisa a fazer...
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Texto e fotografia de autoria de Maria Mineira - São Roque de Minas MG

sábado, 21 de julho de 2018

O Largo do Coimbra em Ouro Preto

Largo do Coimbra no Século XIX. Autor Marc Ferrez - Fonte: Acervo Instituto Moreira Salles – ims.com.br
O Largo de Coimbra fica a poucos metros do Museu da Inconfidência e é um dos locais mais visitados em Ouro Preto MG devido a Feira de Pedra Sabão, a casa do Inconfidente Tomaz Antônio Gonzaga, a Igreja de São Francisco de Assis e seus bem preservados casarões do século XVIII. No século XIX e início do século XX o local era usado por tropeiros, que vinham de longas distâncias para comercializarem seus variados produtos com os ouro-pretanos. Traziam de tudo, como por exemplo açúcar, querosene, sal, objetos de uso da época como as lamparinas, roupas, sapatos, velas, etc.
Como o fim das  atividades dos tropeiros provocado pelo surgimento dos automóveis e caminhões, que facilitavam a entrega dos produtos, uma nova feira surgiu no local. Produtores rurais passaram a usar o espaço para venderem seus produtos como frutas, verduras, leite, doces, carnes, etc direto para o consumidor, (como podemos ver na foto acima, de Marcos Tr. Almeida, da década de 1970)
Com título de Patrimônio da Humanidade em 1980, o turismo passou a ganhar força e o Largo do Coimbra, um dos lugares mais visitados da cidade, passou a ter a feira exclusiva para comércio e exposição do artesanato local e assim é até hoje. 
Onde ficavam os tropeiros, com seus cavalos e mercadorias, passou a ser uma feira rural e por fim, feira permanente de artesanato em pedra sabão.
Onde ficava os animais e os tropeiros, fica hoje a feira. Fotografia de Alisson Gontijo
Do Largo do Coimbra se tem uma privilegiada vista do Pico do Itacolomi, do bairro Antônio Dias, onde está a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, e do alto da Igreja de Santa Efigênia. 

Ir a Ouro Preto e não ir no Largo do Coimbra, é como se tivesse perdido metade do passeio. É imprescindível visitar o Largo.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Os girassóis de Uberlândia

Dificilmente alguém não para admirar os girassóis floridos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro (na foto acima de Cris Ferreira). Os girassóis fascinam, simplesmente fascinam por sua beleza. A florada dessa planta, cuja origem é Mexicana, na América do Norte, começa no fim do verão e se estende até agosto. Nessa época do ano, é comum pessoas que passam pela BR 050 em Uberlândia e BR 452 na entrada para Uberaba, no Triângulo Mineiro, pararem para registrar e se fotografar em meio aos milhares de girassóis que chegam até metros de altura.
Os campos de Girassóis de Uberlândia (na foto acima de Cris Ferreira) pertencem à empresa Alta Genéticas e permitem visitantes somente entre abril e maio, durante a Expozebu em Uberaba, cidade vizinha. No período da Expozebu quem quiser pode andar entre os campos de girassóis. Fora desse período, somente da BR mesmo já que as plantações ficam às margens da rodovia. 
Reprodução de vídeo - Youtube - Canal: Talon Air Imagens
Além de Uberlândia, girassóis podem ser contemplados em Patos de Minas e Araxá no Alto Paranaíba, Caxambu, Ouro Fino, Conceição das Alagoas, Pedralva, São Pedro da União, Cruzília e Areado no Sul de Minas e Catuji e Manga no Norte de Minas. 
Utilização

Dos seus frutos, popularmente chamados sementes, é extraído o óleo de girassol que é comestível. A produção mundial ultrapassa 20 milhões de toneladas anuais de grão.
A semente também é usada na alimentação de pássaros em cativeiro além de ser uma das mais utilizadas na alimentação viva.
A sua flor é comercializada como flor de corte. Existem dois grupos de variedades importantes: uniflor com haste única e uma flor terminal; multiflor com flores menores que com ramos desde a base que são mais utilizadas na confecção de bouquet.
A semente do girassol tem sido utilizada no Brasil na produção de biodiesel.
Tem sido também uma boa alternativa para alimentação de gado, em substituição a outros grãos.
As suas folhas podem inibir o crescimento de plantas daninhas através do fenômeno alelopatia. (Por Arnaldo Silva)
Fotografia de José Humberto Peres (ou Adi Ribeiro porque a imagem foi enviada a nós sem a identificação exata. Caso o autor se identifique, favor entrar em contato para inserirmos os créditos corretos)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Receita de Doce de Pêra em Compota

Ingredientes:
- 3 litros de água
- 20 peras-portuguesas inteiras (descascadas, sem retirar o cabinho)
- 1 quilo e meio de açúcar
Material:
- Tacho de cobre
Feito à mão:
Como fazer Doce de pêra em compota:
Pôr a água e o açúcar no tacho de cobre.
Levar ao fogo e, quando estiver fervendo, acrescentar as peras. 
Cozinhar até a calda ficar em ponto de fio (obtido quando escorre da colher como um fio). 
Deixar esfriar. Pôr em potes. (fotografia acima de Renato Weil/Jornal O Estado de Minas)
Que seja no tacho
Na Praça Cícero Macedo, uma das mais antigas de Uberlândia, há uma casa muito especial, que exala o aroma inconfundível de açúcar no tacho. Só pode ser casa de doceira. O cheiro é indício de que na cidade há espaço para mãos habilidosas, que encantam com a produção artesanal de doces. Há 20 anos, Líbia Vilela Marquêz ganha a vida como doceira, uma profissão de família, herdada da avó, que criou os filhos fazendo quitandas para vender.
Líbia aprendeu com a mãe a preparar as frutas em compota, doces cristalizados e docinhos para festa. O resultado aparece em uma cozinha bem grande, cheia de potes com figo, abacaxi, ameixinha de queijo, mamão e laranja-da-terra, tudo mergulhado em calda melada. É de dar água na boca! Líbia chega a fazer até 50 quilos de doce por dia e gosta de escolher bem as frutas que usa. Faz questão de que a matéria-prima seja do Triângulo.

Só assim os doces podem ter a mesma naturalidade da doceira. Sou de Uberlândia, sempre, afirma, com orgulho. Ela diz ter visto na TV que o uso do tacho seria proibido, mas não deu bola para isso. Ainda o usa e continuará usando, porque, segundo ela, não há doce de qualidade se não for feito assim. Palavra de quem entende do assunto.
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Receita fornecida por Líbia Vilela Marquêz, de Uberlândia MG

sábado, 14 de julho de 2018

Receita de Sorvete de Ora Pro Nobis

Ingredientes:
- 3 kg de ora-pro-nóbis (só as folhas)- 750 g de açúcar refinado
- 1 litro de leite integral
- 1 pote (250 g) de liga neutra (produto encontrado em mercados)
Como fazer Sorvete de ora-pro-nóbis:
Para desidratar o ora-pro-nóbis, pôr as folhas em uma panela de fundo grosso e levá-la ao fogo brando, mexendo bem, por 10 minutos, até as folhas murcharem completamente. Deixar esfriar. Bater as folhas murchas em uma batedeira ou no liquidificador, por sete minutos, com o leite frio, açúcar e a liga neutra. Levar ao congelador por uma hora, na regulagem máxima, para congelar. Depois, voltar a temperatura para o grau usado diariamente, para conservar a sobremesa no congelador.
Servir com cobertura de menta.
Doçura que engana criança
Sorvete de ora-pro-nóbis? Nídia Fonseca, de Pompéu, distrito de Sabará MG, já perdeu as contas de quantos clientes fizeram essa pergunta. Eles chegam, olham a lista de sabores e se assustam com a novidade, conta. Os marmanjos arriscam na pedida e, muitas vezes, pedem mais de uma bola. É engraçado, porque eles sempre voltam para degustar mais. Já para as crianças a sobremesa, à primeira vista, não parece nada atraente.
Quando elas ouvem falar do sabor, não se arriscam a experimentar, comenta Nídia. Segundo ela, muitos pais acharam um jeito de convencê-las. Eles dizem que é de menta, a criança saboreia e adora. É uma forma de fazer com que o filho coma ora-pro-nóbis, mesmo que seja na forma de um doce. Simples de ser preparada, a receita requer paciência só mesmo na hora de desidratar a planta.
A panela deve ter um fundo grosso. Se for fino, não agüenta, revela. O verde do ora-pro-nóbis é o que atrai olhares para o sorvete e, a cada colherada, é possível achar pedacinhos pequenos da planta em meio ao creme. Irresistível. O toque sublime, que os pais encontraram para enganar as crianças e que Nídia agregou à receita, é a calda de menta. Fica mais saboroso. Quem concorda é o paladar.
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Receita fornecida por Nídia Fonseca, em Pompeu, distrito de Sabará MG

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Conheça a Pousada do Bezerra

Um lugar com ambiente familiar, aconchegante e com uma infraestrutura que lhe proporciona segurança, conforto, estamos na serra do Caparaó em Alto Caparaó lado mineiro, a 500 metros da portaria do Parque Nacional do Caparaó, onde se encontra o Pico da Bandeira um dos maiores do Brasil, venha passar um fim de semana conosco e desfrutar das belezas naturais.
Tel: (32) 3747-2628 / Fax: (32) 3747-2538
Whatsap 32-98423-5696 (Carlos Bezerra) - (32) 98446-7661 (Naiara)
Site: www.pousadadobezerra.com.br
E-mail: gerencia@pousadadobezerra.com.br
www.facebook.com.br/pousadadobezerra
skipe: pousadadobezerra

Nossos Patrimônios da Humanidade

Patrimônio da Humanidade é uma região ou área (denominadas "sítios") que vem a ser considerado pela comunidade científica de inigualável e fundamental importância para a humanidade. Pode vir a ser um único monumento ou construção, ou o conjunto arquitetônico delimitado em uma cidade, vila ou região, ou toda a área, pode ser uma única caverna, ou vale, ou toda a região devido ao seu valor histórico, arqueológico, natural, ambiental, ou um conjunto desses fatores e vem a ser reconhecida pela UNESCO fazer parte da Lista do Patrimônio Mundial, também se inclui na lista, pela importância e singularidade, manifestações e rituais, como outros, reconhecendo sua dimensão histórica, praticado por algumas comunidades ou povos.

Esses locais ou manifestações culturais são avaliados e definidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura-UNESCO (acrônimo de United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization(órgão executivo da ONU), de fundamental importância e relevância, tanto, histórico, cultural e natural para humanidade, proporcionando, ao ser reconhecido e classificado como Patrimônio Mundial, o status e reconhecimento oficial para lhe garantir maior conservação, preservação e segurança.

Cada país membro da Onu pode fazer 1 indicação, a cada ano para concorrer ao título. Cabe ao Governo Federal escolher o que indicar para análise da Unesco.

Minas Gerais possui 4 cidades com seu patrimônio reconhecido como Patrimônio da Humanidade. A primeira cidade a ganhar esse título em Minas e no Brasil, foi Ouro Preto, em 1980. Pouco tempo depois, em 1985, foi a vez de Congonhas, na Região Central, ter o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, reconhecido como Patrimônio da Humanidade. Em 1999, o Centro Histórico de Diamantina foi recebeu o título de Patrimônio da Humanidade. Mais recentemente, foi a fez do Complexo da Pampulha, em 2016, ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade.

Esse reconhecimento enche o povo mineiro de orgulho, já que em termos de Brasil é o Estado mais agraciado com esse tipo de título.

São cidades magníficas, com um potencial turístico enorme e de alto valor histórico, não só para Minas e Brasil, mas para todo o mundo.

Conheça os encantos de nossas cidades, Patrimônios da Humanidade

Belo Horizonte
A capital mineira é uma das maiores metrópoles do mundo, com 2,5 milhões de habitantes. Famosa por sua vida noturna agitada, com seus inúmeros bares, cafés e restaurantes com o melhor da culinária mineira, oferece ao belo-horizontino e visitantes opções de lazer, cultura e esportes, espalhados por todas as regiões da cidade. (fotografia acima de Charles Tôrres)
O complexo da Pampulha, composto pela Igreja São Francisco de Assis, Iate Tênis Clube, Casa do Baile e Museu de Arte sempre foi o principal atrativo dos belo-horizontinos. (fotografia de Lucas Vieira)
Mas os encantos da cidade não se resume apenas ao complexo da Pampulha. São 14 museus com opções diversas para todos os gostos e níveis culturais. Os museus que mais se destacam são: o Museu de Artes e Ofícios o Museu Histórico Abílio Barreto, o Museu Giramundo, o Museu de Ciências Naturais Puc Minas.
Belo Horizonte tem diversos parques, com destaque para o Parque Municipal Américo Gianneti (na foto acima de Rogério Salgado), o Parque da Serra do Curral, , Lagoa do Nado, Parque Burle Max no Barreiro, Parque dos Mangabeiras, dentro outros, são opções tradicionais de descanso. O Zoológico e o Jardim Botânico são grandes atrativos da cidade.
A Praça da Liberdade e seus prédios históricos (na foto acima de Arnaldo Silva) do entorno onde se destacam o Memorial Minas Gerais – Vale, o Espaço do Conhecimento UFMG, o Museu das Minas e do Metal, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa Fiat de Cultura, o Edifício Niemeyer e o Rainha da Sucata.
São centenas de praças espalhadas por toda a cidade com destaque para a Praça da Estação (na foto acima de Arnaldo Silva), Praça do Papa, Praça Sete de Setembro, Praça da Savassi, são as principais e dezenas de teatros e locais de eventos, como a Serraria Souza Pinto, o ExpoMinas e os teatros Palácio das Artes, a Sala Minas Gerais, o Sesc Palladium, o Cine Theatro Brasil, o Teatro Marília e o Teatro Francisco Nunes.
A Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena (na foto acima de Lucas Vieira) que acontece sempre aos domingos, pela manhã com todo o tipo de artesanato mineiro a disposição dos visitantes e turistas. O Mercado Central, considerado o terceiro melhor do mundo é parada obrigatória. São tantas atrações, tantas belezas que para conhecer bem Belo Horizonte, tem que ficar dias e dias para visitar tudo.

Ouro Preto
Ouro Preto fica a 98 km de Belo Horizonte e tem hoje, segundo o IBGE 75 mil habitantes. (fotografia ao lado de Arnaldo Silva) Desde 1980 é Patrimônio da Humanidade. É uma das mais belas e importantes cidades para o mundo, em termos de cultura, arte e preservação. No século XVIII, no auge do ciclo do Ouro, chegou a ser a maior cidade da América, maior que New York.
É só chegar na entrada da cidade e perceber que ali se respira cultura e história, 24 horas por dia.
Toda a cidade é história, cada pedra, cada casa ou casarão tem uma história para contar.
São vários atrativos que o turista pode optar. É imprescindível conhecer em Ouro Preto o trabalho do Mestre Aleijadinho e Manoel da Costa Ataíde, visíveis nas igrejas de Igreja de São Francisco de Assis, Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, as igrejas de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões e da Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Museu da Inconfidência, o Museu do Oratório, O Museu de Ciência e Técnica, a Casa dos Contos, a Casa da Ópera (na fotografia ao lado de Arnaldo Silva), A feira do Largo de Coimbra, a Mina Du Veloso, o passeio de trem de Ouro Preto a Mariana e os distritos de Ouro Preto: Lavras Novas, Cachoeiro do Campo, Amarantina, São Bartolomeu, Santo Antônio do Leite

Congonhas
Congonhas (na foto acima de Glauco Umbelino) fica apenas 80 km de Belo Horizonte e tem 54 mil habitantes, segundo o IBGE. É uma cidade com um rico patrimônio histórico.
O mais famoso é o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, com construção iniciada em 1757 por Feliciano Mendes de Guimarães, nascido em Portugal, de início modesta cruz e oratório. Célebre monumento histórico e artístico de Congonhas o santuário barroco de Bom Jesus de Matosinhos, que é desde 1985 Patrimônio da Humanidade foi construído em várias etapas, nos séculos XVIII e XIX, por vários mestres, artesãos e pintores, como o Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde, é uma das maiores realizações do barroco brasileiro. Nesse Santuário se encontra as estátuas dos 12 profetas, esculpidos em pedra sabão por Aleijadinho que deixou também outras obras que estão no interior do Santuário, sendo a Via Sacra de Jesus Cristo que esculpida por ele e pintada pelo Mestre Ataíde, é considerada a mais forte expressão do barroco na América Latina. (na foto acima de Sérgio Mourão) Além do Santuário o visitante pode conhecer o belo casario em torno do Santuário, as lojas de artesanatos e a Romaria, que é um local que recebe os fiéis durante o Jubileu do Senhor Bom Jesus, que acontece sempre no início de setembro de cada ano. Tem ainda para visitar o Museu de Congonhas, com 342 peças de arte sacra e diversos outros objetos retratando a religiosidade popular.

Diamantina
Diamantina fica na região do Alto Jequitinhonha, fica a 292 km distante de Belo Horizonte e conta hoje com 49 mil habitantes, segundo o IBGE. Foi fundada como Arraial do Tejuco em 1713, com a construção de uma capela que homenageava o padroeiro Santo Antônio. A localidade teve forte crescimento quando da descoberta dos Diamantes em 1729. Em fins do século XVIII era a terceira maior povoação da Capitania Geral da Minas, atrás da capital Vila Rica, hoje Ouro Preto, e com população semelhante à da próspera São João Del Rei.
Seu Centro Histórico, com seus imponentes casarões são preservadíssimos e encantadores. Toda beleza e cuidado com o patrimônio, deram à Diamantina, em 1999, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. (na foto acima de Manoel Freitas , vista parcial de Diamantina)
A cidade tem uma forte tradição cultural , principalmente musical oferece aos seus visitantes vários atrativos como o Passadiço da Casa da Glória, o Chafariz da Câmara, a Casa JK, o Museu do Diamante, a Casa de Chica da Silva. Tem as igrejas de Nossa Senhora do Carmo é uma das maiores e mais ricas – com 80 quilos de ouro, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de São Francisco de Assis, Catedral Metropolitana e a Capela Imperial do Amparo, datada do século XVIII, com um importante acervo do período Colonial e Imperial. (na foto ao lado de Elvira Nascimento) Além desses atrativos tem também o famoso Mercado Velho, construído em 1835 como ponto de parada de tropeiros e o prédio do Cineteatro Santa Izabel. (na foto abaixo de César Rocha)
Ainda existe no município a exploração de diamantes e antigas minas, que podem ser visitadas com auxílio de guias locais. Um dos mais visitados locais de Diamantina é o Caminho dos Escravos, feito todo em pedras no século XVIII, para ligar o arraial do Tejuco ao hoje distrito de Mendanha. Antes era caminho dos mineiros que trabalhavam nas minas, hoje é usado para caminhadas. 
No centro histórico, tem o famoso Beco do Mota, point de encontro dos famosos músicos do Clube da Esquina e atualmente, dos universitários da cidade. (na foto acima Fernando Brant, Lô Borges, Márcio Borges e Milton Nascimento em Diamantina, na época em que compunham Clube da Esquina foto Arquivo O Cruzeiro/EM- 3/11/1971)
O Beco (na foto acima de Wilson Fortunato) é famoso, com seus bares e restaurantes sempre cheios. 
Um dos eventos mais famosos da cidade é a Vesperata (na foto acima de Charles Tôrres) que acontece de abril a outubro. Acontece na famosa Rua da Quitanda com apresentações da Banda de Música do 3º BPM e a Banda Mirim local.
Nos arredores da cidade tem outras atrações como a Vila de Biribiri, apenas 8 km do centro (na foto acima de Leandro Durães). Construída no século XIX para ser residência dos funcionários da Companhia Industrial de Estamparia. A fábrica fechou, os funcionários foram embora e o local ficou, como patrimônio do município, tombado pelo IEPHA). São 30 casas e uma igrejinha colonial e nas proximidades, tem o Parque do Biribiri, com linda paisagem e belas cachoeiras.

A candidatura do Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu como Patrimônio da Humanidade
O Parque do Peruaçu pleiteia sua indicação como Patrimônio Cultural da Humanidade. A área do parque possui 57 mil hectares e abrange os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no Norte de Minas. O objetivo é proteger e proteger a área. No Peruaçu concentra as maiores riquezas naturais do Brasil com mais de 140 cavernas, (foto ao lado de Deniston Diamantino) pinturas rupestres de até 11 mil anos, uma fauna e flora diversificada e mais de 80 sítios arqueológicos registrados. . Hoje o local é totalmente estruturado para receber visitantes.
A indicação como candidato ao prêmio da Unesco é por país e cada país pode indicar apenas um, a cada ano. Quem indica é o Governo Federal e os ambientalistas mineiros vem se empenhando para convencer o Governo a indicar o Peruaçu, como representante do Brasil para avaliação da Unesco há quase duas décadas, mas agora o empenho se tornou mais abrangente e acreditam os ambientalistas que a indicação é uma realidade que pode ocorrer e o reconhecimento da Unesco do valor do Peruaçu e é concreto e real.
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Fonte das informações: Sites das Prefeituras Locais, IBGE e Wikipédia