sábado, 22 de setembro de 2018

A simplicidade que virou arte

A simplicidade, a humildade e o talento, juntando com a vontade de mudar o mundo em sua volta. É assim que podemos descrever esse trabalho da artista plástica D´Jane Silper. Ela usou seu talento, sua arte e sensibilidade para transformar casa em que mora. Transformou sua vida e os corações de quem conhece sua obra e contempla sua arte. Nas paredes de seu lar, existem agora jardins, cupidos, vasos com flores, pássaros, borboletas, adornos romanos.... A calçada, lembra o teclado de um piano, dando mais magia ao lugar e sensibilizando os corações pela simplicidade e beleza que ficou. (veja abaixo como era a casa antes da arte da D`Jane)
Quando concluiu sua arte e publicou as fotos no Facebook chamou a atenção de todos seus amigos e as imagens passaram a ser compartilhadas, despertando o interesse de centenas de milhares de pessoas pelo Brasil e também do mundo. Pessoas da Rússia, China, Portugal, França, Turquia, Japão e Alemanha mantiveram contatos com a artista encantados com sua arte.(na imagem abaixo a artista iniciando a pintura da fachada)
D`Jane não é mineira, é bahiana, nascida em Itanhém em 1979. Começou a pintar em 1999 e nunca mais parou. Ela banca o seu próprio material, com seu trabalho que exerce. É auxiliar na Secretaria de Assistência Social de Itanhém.
Sua arte teve influência da artista plástica mineira Edilene Torino, que conheceu em 2013. A artista afirma sempre que esse encontro com mineira Edilene Torino foi decisivo para ela e consolidação de sua arte, definida hoje como gentileza urbana.
A arte de D´Jane Silper é exemplar. A sensibilidade dela e beleza de seu trabalho, tem que ser mostrado, conhecido e divulgado para que outros artistas se inspirem no talento da jovem bahiana e transformem, com seus talentos, sua casa, sua rua, sua praça, seu bairro, sua cidade.
Quem quiser conhecer a artista e seus trabalhos em sua cidade, o facebook da D´Jane Silper é:https://www.facebook.com/djane.silper

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Receita de Traíra desossada

Esse prato é um dos mais tradicionais da região dos Lagos de Minas. No restaurante Cantinho de Minas em São João Batista do Glória MG, da Aline Marques, que fez e tirou a foto, é um dos mais pedidos. Veja como preparar a Traíra desossada:

INGREDIENTES
1 traíra desossada de cerca de 2 kg
1 limão
Tempero para peixe
2 gemas
200 g de fubá
200 g de farinha de trigo

MODO DE PREPARO
Tempere a traíra com tempero para peixe e limão
Deixe no tempero por 1 hora
Em seguida misture o fubá e a farinha de trigo
Passe a traíra nas nas gemas e na farinha e frite em óleo bem quente, numa panela grande ou tacho. Coloque bastante óleo, a traíra que ser toda coberta pelo óleo.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Januária: o último litoral de Minas

Minas Gerais já teve mar. Um mar raso, de uns 10 metros de profundidade apenas, que chegava até onde é hoje a região de Lagoa Santa. A cidade de Januária, no Norte de Minas na divisa com a Bahia era a ponta do litoral de Minas. Com o passar dos anos, a água foi cedendo, secando e deixando de existir, como mar. (na foto acima, praia fluvial do Rio São Francisco em Januária, fotografado por Pingo Sales e na foto abaixo, também de Pingo Sales perna da bailarina, na Caverna do Janelão. Está no livro dos recordes como o maior estalactite do mundo, Caverna Janelão em Januária)
Mas como ninguém lembra disso? Porque foi a 550 milhões de anos atrás. É o que garante uma equipe de  geólogos e paleontólogos da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em visita à região, a equipe encontrou encrustados em um paredão e outros afloramentos rochosos, pequenos fragmentos de animais marinhos do gênero Cloudina. Para os cientistas, não resta dúvidas que eram restos de animais que viveram na Terra há cerca de meio bilhão de anos. Esses fragmentos estão espalhados em cerca de 300 mil quilômetros quadrados entre o Norte do Estado, a região das Grutas de Minas, Sete Lagoas, Lagoa Santa, Cordisburgo, etc até a Bahia, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. (na foto abaixo, de Charles Tôrres, uma concha marinha, que só existe em mares, encontrada na Gruta da Lapinha em Lagoa Santa MG)
Essa é a prova, segundo os cientísticas, de que nesse raio de 300 mil quilômetros quadrados, existia mar, raso, de cerca de 10 metros de profundidade, se extinguindo ao longo dos milhões de anos, sendo o que é hoje Januária, a última praia desse mar, em Minas Gerais. (na foto abaixo, de Pingo Sales, detalhes das formações rochosas da Gruta do Janelão, nas Cavernas do Peruaçu em Januária)
A equipe
A equipe de pesquisadores e geólogos que fez a pesquisa é formada pelo geólogo Lucas Warren, hoje professor do Instituto de Geociências e Ciências Exatas (IGCE) de Rio Claro, da Unesp, mas que fazia pós-doutorado na USP, com bolsa da FAPESP, quando a descoberta foi feita, no ano passado. Além de Warren, a equipe contou com o geólogo Nicolás Strikis, doutorando da USP e um biólogo da cidade mineira, Hamilton dos Reis Salles. 

A reportagem completa com todas as informações técnicas da pesquisa você encontra no link: http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/06/16/o-ultimo-litoral-de-minas/
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Conheça Januária
Januária (na foto acima de Thelmo Lins) fica na região do Médio São Francisco, no Norte do Estado. Possui cerca de 70 mil habitantes e uma rica história. 
Com seus três séculos de existência, é uma cidade com um valioso patrimônio histórico e cultural. Possui belíssimas paisagens, com formações rochosas impressionantes e lindas cachoeiras.As tradições culturais mineiras como o Reinado, Folia de Reis e Cavalhadas são especiais e sempre valorizadas no município. 
O artesanato local é maravilhoso (foto do artesanato feito por Pingo Sales). São diversos artistas que fazem arte com argila, bordados, tudo. Um artesanato que valorizada a cultura e tradições do povo local. A culinária é rica, já que a culinária de Minas.
Sua cachaça é famosa, principalmente a oriunda de seu mais famosos distrito, Brejo do Amparo. Cachaça em Januária é tradição familiar e a qualidade e sabor, reconhecido nacionalmente. (na foto abaixo, de Pingo Sales, barcos de pescadores ancorados no Rio São Francisco)
Januária tem o privilégio de ser banhada pelo Rio São Francisco. No período colonial a cidade era um importante porto  entreposto comercial. As mercadorias seguiam o rio para o litoral, através do Rio São Francisco. Hoje, as margens do Velho Chico, onde existem várias praias fluviais, que garante a diversão de seus moradores e turistas. 

Chapada do Norte e a Festa do Rosário dos Homens Pretos

Chapada do Norte é uma pequena cidade mineira do Vale do Jequitinhonha, a 545 km de Belo Horizonte. Sua população é de cerca de 16 mil habitantes, sendo que a maioria (mais de 10 mil) mora na zona rural.
A cidade é conhecida como uma das aglomerações urbanas com maior percentual de negros no país – 91% dos habitantes. Isto se deve ao fato de a localidade ter sido um quilombo, formado ainda no século 18, na época da mineração do ouro na região de Minas Novas. Com a decadência da exploração mineral, em 1743, os negros fugiram dos maus tratos e fundaram Santa Cruz da Chapada que, na época, era ligada à Bahia. Em 1963, o lugarejo desmembrou-se de Minas Novas e transformou-se em um município.
Devido à grande concentração negra, a festa mais importante da cidade é a comemoração do Rosário dos Homens Pretos, no segundo fim de semana de outubro, coincidindo com o feriado de Nossa Senhora Aparecida. Danças, apresentações musicais, lavação da igreja e distribuição do angu estão entre os rituais da festividade, que conta com a participação dos Tamborzeiros. Devido à sua importância histórica e cultural, tanto a festa quanto a igreja do Rosário foram tombadas pelo patrimônio histórico estadual. A capela, inclusive, foi restaurada há pouco mais de 10 anos. Apesar de sua simplicidade exterior, abriga um impressionante acervo em suas dependências, incluindo sofisticadas pinturas do período Barroco.
Também tombada pelo IEPHA é a Matriz de Santa Cruz. Quando estive lá, no final de 2007, presenciei um casamento em que quase todos os presentes eram da pele negra, criando um visual incrível. O casario da parte urbana ainda conserva vários edifícios antigos, com destaque para o casarão da prefeitura municipal. Fiquei encantado com uma lojinha, daquelas vendas antigas do interior, com uma impecável organização e um colorido fantástico.
Texto e fotos de Thelmo Lins e Vagner Cosse
Link original:https://descobertasdothelmo.blogspot.com/2018/09/dica-da-semana-chapada-do-norte-e-festa.html

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O sotaque dos mineiros

O jeito de falar do mineiro é peculiar, interessante e gostoso de ouvir. O nosso sotaque teve influência dos portugueses, negros africanos, índios. Também dos ingleses, que para cá vieram a partir do século XIX para explorarem as minas de ouro.

Muita gente confunde sotaque com pronúncias de palavras erradas. Não é. O jeito de falar, que caracteriza um povo, um grupo, um estado, um país, vem de suas origens e suas raízes históricas. É o caso de Minas Gerais. Algumas palavras pronunciadas erradamente por mineiros, em séculos anteriores, estão hoje incorporadas ao nosso sotaque. São palavras encurtadas, isso porque, desde a origem do povoamento do nosso Estado, o mineiro passou a encurtar as palavras. Na verdade encurtar não, mineiro ataia as palavras. 


Mineiro odeia pronunciar uma palavra inteira. Uma frase completa, nem pensar. Mineiro encurta tudo e muitas das vezes, usa as palavras no diminutivo. Um pouco? Que nada, é poquim, um tiquim, um cadim. Se o trem tem apenas um vagão, não é trem, é um trenzim. Mineiro não pega um ônibus, pega é um ons mesmo. Doce de leite? Se ouvir um docindileiti, é isso ai. Se um mineiro te pedir um litro de leite, ele vai te falar: "midaumlidileite." 

E se o sujeito não for lá bom pra chegar no rêio? Não entendeu? Vamos lá. Vai que né, ele não é muito bom de dar uma boa coisada no trem. Entendeu? Ainda não? Vai que o trem dele não é lá aquele trenzão todo, é um trenzim de nada. E ai, continua sem entender? Vai que o sujeito não ataca nada. Ah, se não entendeu, deixa o trem do jeito que tá. 

Sabe o que é apear? Na verdade falamos é apiá. É descer. Apeavam da charrete, do carro de boi, do cavalo e falavam "vou apiá aqui'. Ah meu filho, se dentro de um ônibus o mineiro der sinal e te perguntar: " vamos apiá aqui?" Ai já entendeu né?

Pra quê falar uma palavra tão grande. Melhor ataiá as palavras. Fica facim de ler e entender. Ataiá conversa é com nós mesmos. Se a conversa está longa demais ele logo vai te falar: "ataia essa conversa logo sô!"

Mas é na cozinha que a gente percebe o quanto é bom ser mineiro. Pra começar, mineiro não conversa, proseia. Uma boa prosa, tem que ser a beira do fogão a lenha. 

Quem gostava de um cigarrim de palha pegava no tição e acendia. Tição é toco da lenha no fogão em brasa. Pegavam o tição, encostavam no cigarro, sugavam o ar e este acendia. Ai, davam aquelas pitadas boa pra daná no cigarrim de paia. 

 E o café não é quente, é bem quentim. Num meio de uns golin de café, um cadim de biscoito ou pãozim de queijo, vai uma prosa boa, uma causo daqueles.

É pãozim porque não gostamos de falar pão. Ouvir causos e prosa é gostoso demais. E demora, mas demora mesmo. Ainda mais se tiver um torresmim, com uma cachacinha, no ponto. Ai não tem, jeito. A prosa só dá uma pausa quando estão com a boca cheia. Mineiro come calado.

Aliás, comer calado é uma característica do mineiro. Mineiro é desconfiado que é uma beleza, não é muito de falar o que faz não. Quando você imaginou, ele já fez. Caladim, mas faz bem feito. Esse negócio de fazer propaganda do que faz é complicado. Melhor é fazer tudo bem caladim, comer bem quietim que a comida é quente. Se falar muito, ela tem outros que vão querer né. Boca fechada não entra mosquito.

Se for na casa de mineiro, se prepara. Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha. Já leva a visita direto para o melhor lugar da casa. Lá tem queijo, doces, quitandas, café e banco pra sentar e prosear à vontade. Se for em 5 casas por dia de mineiro, vai tomar 5 cafés e comer quitandas até ficar empantufado.

Mineiro adora receber visitas, principalmente das comadres e compadres. Se você é convidado para ser padrinho ou madrinha de batismo de filho ou de casamento de alguém, passa a ser compadre e comadre. Ou seja, uma có-pai e có-mãe. Seria mais ou menos um segundo pai, segunda mãe, no caso, se algo acontecesse com o pai ou mãe, as comadres e compadres teriam por obrigação substituí-los. Por isso a importância desse convite, que era levado a sério por quem os recebia. As comadres e compadres eram tidos como membros da família e os afilhados tinham que tomar bênção. Hoje em dia ninguém mais dá valor a isso, nem chama os padrinhos de comadres e compadres, mas eu chamo, e sei de muitos que ainda tem o prazer de visitar os compadis e as cumadis e chamá-los assim.

Quando um mineiro quer saber de suas origens, ele não pergunta qual a sua família e sim: "qual a sua graça seu moço?" A sua graça, não é que ele esteja pensando que esteja rindo dele tá. Graça é sua origem familiar, quem era seu pai e sua mãe.

Uma vez estava em Araxá e queria ir no Museu Calmon Barreto. Perguntei a primeira pessoa que vi na rua como chegar lá e assim ele me orientou: "olha moço, ocê segue reto a vida toda. Lá no finzim, ocê cai na direita, depois cai na esquerda, sobe um morrim de nada, vira só mais um tiquim pra direita ai ocê morre lá". Esse morre lá me assustou. Mas ele disse que era só jeito de falar mesmo. Eu sei, morre lá é o local onde termina, onde você quer chegar. Ai fui indo, indo, e nunca chegava. Ai eu achei que eu morrer mesmo, mas de tanto andar. Não quis morrer lá não, parei, tomei um litro d´água e voltei. Esse ali de mineiro é terrível. Mineiro é de confiança, mas no ali de mineiro, Deus me livre confiar.

E se você tem uma profissão? Qual é a pergunta? Não espere que ele pergunte o que você faz. Vai te perguntar: "com quê você mexe? " Isso mesmo. Mexe é o que você faz na vida, qual a sua profissão. Eu mexo com retrato, sou tiradô de retrato. E também me arrisco na escrita. 


E quando o sujeito não trabalha, não é bem visto. Sujeito à toa mineiro não gosta. Mineiro é trabalhador e gente à toa num ataca nada, num presta pra nada. Nem pra casar. Se o sujeito fosse à toa, nem pensasse em cortejar uma moça. Botavam o dito cujo pra correr porta a fora.

E quando a gente aprontava e a mãe ficava brava? Mineiro não leva uma surra, leva uma cunda. Essa história de cunda é antiga, vem lá do tempo que não existia caixão. Explicando melhor. Antigamente, não existia funerária e quando alguém morria, era colocado sobre um lençol grosso. Depois do velório, amarravam o lençol numa vara tipo uma rede e duas pessoas carregavam o defunto, até o cemitério. Iam revezando. O cortejo era a pé. Quando o defunto pesava muito, pegavam uma vara de marmelo e batiam nele até, mas até mesmo. Ai ficava bem levinho e o cortejo seguia. Ai né, inspirado nisso,  quando a gente aprontava, nossos pais pegavam uma vara de marmelo e davam uma cunda na gente que doia, mas doia mesmo sô. Dava até dó de defunto.

Não tem jantar aqui em Minas, tem janta. Comemos o “r”. Almoçar é simples, é só falar “murçá” que todos entendem. Venham almoçar! Mineiro não fala isso nunca, tem dó, pra que complicar sô, facilita uai, diminui o trem sô! Ele fala simplesmente: "vem cumê logo sô!"

Senhora e senhor? Falamos isso não. Sá e sô. Vai lá sô (pra ele), vai lá sá (pra ela) e por ai vai. Quando se referir a um senhor ou moço é sô e a uma senhora ou moça é sá, viu?


E se estivermos com muita preguiça de falar muito, falamos trem. Pra tudo falamos trem. Comprar uma roupa, pede para experimentar os trens da loja. Não vai comer algo, vai ali comer um trem. E se não gostar, fala logo “ que trem ruim sô”. Carro, moto, avião, bicicleta, tudo é trem.

Mineiro não ri da cara de ninguém, ele caçoa docê.

Ocê ou cê, tanto faz, entende? A distância pode ser até longa, mas pra nós é “logo ali ó!”. Ver é só “V”. Nossa é apenas “nó”.
Mineiro não aumenta, diminui o português. É pra tudo ficar bem bunitim, facim e arrumadim pra todo mundo entender direitim.
Viu só, falando certim, todo mineiro entendi bem direitim e a prosa fica boa dimais da conta sô!

É só falar e amar porque Minas é um trem que corre em minhas veias e a estação é o meu coração. Amo Minas porque sou mineiro com muito orgulho e muito amor e ser mineiro é um prazer que só quem é mineiro sabe e entende. Ser mineiro não é apenas um privilégio, é uma honra e não tenho vergonha de falar com sotaque, de mostrar meu sotaque.


Muito prazer, sou Arnaldo Silva, natural de Bom Despacho, em pleno Cerrado Mineiro. Sou escritor, fotojornalista, ambientalista e mineiro com orgulho.
A imagem que ilustra o artigo é uma pintura do grande mestre das artes de Mina, Wilson Vicente
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O teatrinho barroco de Ouro Preto

A Casa da Ópera de Ouro Preto, conhecido por Teatro de Ouro Preto, foi inaugurada em 6 de julho de 1770 em homenagem ao aniversário do então rei de Portugal, Dom José I (174-1777)
É um dos mais belos teatros do período colonial brasileiro e o mais antigo das Américas. Fica a poucos metros da frente da Igreja do Carmo, em pleno centro histórico de Ouro Preto. A arquitetura é genuína, em formato de lira, sendo um dos poucos no mundo com esse formato. A obra foi erguida pelo coronel João de Souza Lisboa com projeto arquitetônico atribuído a Mateus Garcia. Originalmente a fachada seguiu os traços do barroco italiano, mas modificada para o barroco mineiro em 1861. Sua acústica é considerada perfeita pelos cantores e artistas que se apresentaram e ainda se apresentam no teatro.
No auge do Ciclo do Ouro, a vida cultura de Ouro Preto se tornou mais efervescente. Vários artista se apresentaram nesse teatro, alguns de fama internacional. Peças de escritores famosos como  Moliére (1622-1673), Calderón de La Barca (1600-1681) e outros autores europeus eram traduzidas para o português e encenadas para um teatro abarrotado de gente.
Cláudio Manoel da Costa (1729-1789), grande poeta mineiro e inconfidente, colaborou para o surgimento da Casa da Ópera e estava sempre presente nas apresentações. Era fã de teatro e ópera de carteirinha. Tinha até um camarote no teatro.
Os outros inconfidentes também eram. Acredita-se que, por falta de espaços públicos seguros na cidade para reuniões, os inconfidentes marcavam seus encontros no local, no horários das apresentações para discutirem os andamentos do movimento. Alguns inconfidentes que eram poetas e escritores, usavam também o local para apresentações de seus poemas e textos. 
No século XIX, os cinemas começam a popularizarem no mundo. As atividades teatrais começam a perder espaço e a frequência da presença das pessoas nos teatros, diminui. Mas esse fenômeno não foi muito sentido em Ouro Preto. A Casa da Ópera sempre foi palco dos mais importantes eventos artísticos e culturais da cidade. E até hoje mantém seu charme e é um dos mais visitados locais de Ouro Preto.
Quem entra no "teatrinho", como é carinhosamente chamado, logo se encanta, impressionado com a beleza barroca em todos os seus detalhes e contornos. O visitante se deslumbra, se imagina naquela época do auge das apresentações no período colonial e barroco. (Por Arnaldo Silva, texto e fotos)

domingo, 16 de setembro de 2018

Cidades místicas mineiras atraem turistas

Pessoas místicas são aquelas que buscam conhecimento espiritual e procuram aprofundamento para evoluírem espiritualmente. O contato e convívio com a natureza é primordial nessa busca. Cachoeiras, rios, paisagens, montanhas, lagos... tudo que leva a paz e sossego. O que vem da terra também, acreditam, que emanam energias, como cristais, pedras, rochas, etc. (fotografia acima de Jerez Costa em São Tomé das Letras MG)
Por isso místicos e esotéricos buscam lugares que tenham essas características e encontram em Minas Gerais um campo propício para vivenciar seus conhecimentos e aprimorar seu processo de evolução em busca de realização pessoal e felicidade.(fotografia acima de aviso na porteira de entrada para uma fazenda em Aiuruoca. Dá para perceber que o proprietário é místico. Fotografia de Jerez Costa)
Essa busca por felicidade e o contato com o sagrado, vem desde que o homem passou a existir na face da terra. No nosso tempo, essa ideia começou a virar tendência a partir dos anos 1960 com surgimento da cultura hippie, o aumento de adeptos das terapias e medicinas orientais, práticas de yoga, meditação, artes marciais, alimentação natural e práticas e estudos voltados para o esotérico.
Nesse contexto, algumas cidades de Minas, basicamente da região Sul do Estado, na Serra da Mantiqueira, vem sendo as cidades preferidas dos místicos, esotéricos, hipies, roots e curiosos 
contatos com o sagrado, com as montanhas, com as águas, com anjos, fadas, gnomos, duendes e até com Et´s. Muitos também vão nessas cidades  para desfrutares da paz e da beleza natural da Serra da Mantiqueira. Vamos conhecer um pouco das cidades místicas de Minas Gerais.(na imagem acima, de autoria de Rinaldo Almeida, ponto de ônibus em São Tomé das Letras)

São Tomé das Letras

É a preferida dos mais jovens e adeptos da cultura hippie. Este andam pela cidade com seus trajes típicos, muitos cantando, dançando e tocando instrumentos musicais. Quem anda pela cidade percebe logo o clima diferente nas ruas. Sentir cheiro de incensos é normal. Lojas com artesanato esotérico tem aos montes na cidade,  com tudo que envolve o mistico e o sobrenatural. Bares, pousadas e restaurantes sempre tem decorações voltadas para o misticismo. (fotografia acima de Eudes Cerrado)
O povo da cidade também gosta de contar histórias, principalmente místicas. É bom parar pra ouvir, são histórias interessantes de aparições de Ets, gnomos, fadas, fenômenos sobrenaturais, etc.
A cidade tem uma boa estrutura hoteleira e gastronômica. Localizada a 304 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas, Santuma, como é chamada,  recebe turistas de todos os cantos do pais e do mundo, durante o ano todo. Ao chegar em São Tomé o visitante é rapidamente envolvido por um clima místico e um estilo alternativo. (fotografia acima de Eudes Cerrado)
O que chama a atenção em São Tomé das Letras é a sua arquitetura. As construções são feitas em pedras sobrepostas. Acreditam que as pedras tem energia muito boa e emanam essa energia. São Tomé é conhecida como a cidade das pedras. (fotografia acima de Vânia Pereira)
Os mais místicos acreditam que São Tomé (na foto acima de Jerez Costa) é o coração magnético do Brasil. Essa ideia é reforçada pelos fenômenos que acontecem na Ladeira do Amendoim, onde os carros parados se movimentam, desligados e sozinhos. Tem que jure que na cidade está uma passagem secreta que vai direto para a cidade sagrada dos Incas, no Peru, a famosa Machu Picchu.
São Tomé das Letras tem 30 pontos turísticos e conta com guias de turismo para orientar os turistas. Além da área urbana, a paisagem em redor atrai os visitantes, como grutas e cachoeiras. A mais famosa e mais procurada pelos místicos é a do Vale das Borboletas (na foto acima de Renato Borin). Tem esse nome porque no local encontra-se diversas espécies de borboletas. 
A noite é mágica em São Tomé. Olhar as estrelas é prática comum dos visitantes que sobem até a Pirâmide (na foto acima de Jerez Costa), que é uma antiga construção abandonada, toda em pedra, onde oferece uma visão panorâmica das montanhas em redor. Acreditam ainda que desse local, disco voadores aparecem e levam as pessoas para outras galáxias.

São Lourenço
São Lourenço fica no Sul de Minas (foto acima de Gislene Ras), a 387 km de Belo Horizonte. É a mais famosa cidade do Circuito das Águas de Minas. A fama das águas terapêuticas e medicinais sempre atraiu pessoas de vários lugares. E muitas dessas pessoas fixaram moradia na cidade, formando irmandades e movimentos religiosos voltados para a cura, meditação e contato com a natureza, fazendo com que a cidade passasse a atrair pessoas ligadas ao misticismo. 
Foi em São Lourenço que foi criada a Sociedade Brasileira de Eubiose uma instituição Cultural Espiritualista, fundada em 1924 e consideram São Lourenço a Capital Espiritual do mundo. A doutrina da Eubiose propõe a vivência do homem em perfeita harmonia com todas as leis universais. A Montanha Sagrada, que fica no município, é um dos locais mais visitados pelos adeptos dessa doutrina. Chama atenção também arquitetura do templo da sociedade. É uma mistura da arquitetura grega com a egípcia (na foto acima/Divulgação).

A cidade é sede da Fundação Cimas onde suas pesquisas sobre ervas medicinais são reconhecidas no mundo inteiro. Na área da fundação existe uma exposição permanente do artista plástico Salvador Dali. Uma das curiosidades do local é a cápsula do tempo que guarda objetos de nossa época e que só será aberta no ano de 2126.
A cidade é predominantemente católica, sendo a Matriz de São Lourenço um dos mais belos templos de Minas e a gruta de Nossa Senhora dos Remédios, no Parque da Águas, é uma das mais visitadas, para orações e pedidos à Nhá Chica. Esse parque é o maior atrativo da cidade e um dos mais belos do Brasil, com mais de 400 mil metros de área verde. (na foto acima de Rinaldo Almeida)

Aiuruoca
 Aiuruoca é uma bucólica cidade do Sul de Minas a 427 km de Belo Horizonte.Sua paisagem é deslumbrante, com mais de 80 cachoeiras, montanhas e picos que variam de 1300 a 2357 metros de altitude. O mais famoso é o Pico do Papagaio. Essas maravilhas naturais favorecem muito a prática de ecoturismo, trilhas e caminhadas. (fotografia acima de Marlon Arantes)
Tanta beleza natural (fotografia acima de Vanessa Legramandi) e oportunidade de desfrutar uma vida sossegada, atraiu e atrai muitas pessoas para a cidade. Muitos fixaram residência no município e optaram por morar no Vale do Matutu, onde algumas comunidades alternativas se formaram. O local é agradabilíssimo, com pousadas e restaurantes por perto, o que facilita para as pessoas que vem de outros lugares em busca de descanso, sair do estres, vivenciar a cultura, a arte, a vida hippie e o amor à natureza.
Aiuruoca é considerada pela Eubiose, uma das 7 Cidades Sagradas, mantendo por isso um templo na cidade. Essa comunidade tem como objetivo a medicina do futuro, conectada com anjos e devas. Tem um ótimo trabalho na pesquisa de ervas medicinais. (na foto acima, Templo no Matutu fotografado pelo Marlon Arantes) 
O Santo Daime também está presente no município, bem como diversos grupos praticantes de yoga e meditação. 
Existe uma simbiose de Aiuruoca com a cidade sagrada de Sri Nagar na Índia. Pela crença, as vibrações dessas cidades são expandidas para todo o mundo.

Varginha 
Varginha fica a 320 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas. Ficou famosa no mundo inteiro a partir de 1996, quando 3 meninas afirmaram ter presenciado a aparição de Extra Terrestres. A partir de então, o ET de Varginha ganhou fama e atraiu olhares de ufólogos e místicos de todo o mundo. Existem versões diferentes para esse caso, mas nenhum conclusivo. Até hoje a cidade atrai turistas, curiosos e ufólogos de todo o Brasil e do mundo. 
A cidade incorporou a fama de "cidade do ET" e por todos os cantos podemos ver caixas d´água em forma de disco voador, pontos de ônibus, pinturas e estátuas de Ets.(fotos acima de Carias Frascoli)

Maria da Fé
A cidade fica no Sul de Minas a 432 km de Belo Horizonte. (na foto acima cerejeiras floridas, em Maria da Fé, de Leonardo Bueno) É cidade mais fria do Estado, segundo os meteorologistas. No inverno as temperaturas sempre ficam próximas ou abaixo de zero grau.Seu clima frio e altitude de 1258 metros, possibilita a produção de oliveiras. A cidade é a pioneira no cultivo de olivais e na produção de azeite, sendo hoje uma referência mundial em termos de azeites de qualidade. 
Maria da Fé (foto acima de Rinaldo Almeida) tem pouco mais de 15 mil habitantes. É muito bem organizada e estruturada. Sua natureza é exuberante e seu clima propício para adaptação de árvores de climas frios, como as cerejeiras, que são atrativos da cidade, na época da florada, em junho. Por todo o município matas nativas de araucárias são vistas e dão mais beleza à paisagem montanhosa e fria de Maria da Fé. 
Por essas características, foi criado na cidade um campus da Universidade Holística do Brasil que funciona numa bela fazenda, cercada por montanhas e araucárias. (fotografia acima de Rinaldo Almeida) A UNB é referência nacional e internacional na arte do desenvolvimento humano, ministrando cursos que elevam o conhecimento, desenvolvendo talentos e dons naturais dos interessados. São vários cursos ministrados no local como acupuntura, florais de bach, benzimento, plantas medicinais, meditação, xamanismo, dentre outros. É um local muito bem estruturado, totalmente harmonizado com a natureza e todos são muito bem acolhidos. Quem quiser saber mais sobre a UNB pode acesar o site www.unb.com.br e entrar em contato.
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Caso você tenha mais algumas informações a mais sobre o misticismo nessas cidade, pode nos passar as informações e se conhecer outras cidades de Minas, místicas e esotéricas, nos informe que pesquisaremos e acrescentaremos na matéria.
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Por Arnaldo Silva
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Ipê branco florido: beleza que dura pouco

Os ipês tornam os dias frios do inverno mais alegres. As cores fortes dos ipês colorem todo o território nacional, principalmente em Minas, onde o clima é propício para a florada os ipês. (na foto acima, de Arnaldo Silva, ipê florido em Bom Despacho MG)
Junto com o inverno, vem a florada do ipê roxo-bola, em junho. Em agosto o encanto fica por conta dos ipês amarelos e rosa. Em setembro, o inverno se despede com a espetacular beleza dos ipês brancos (na foto acima de Wilson Fortunato, detalhes das flores do ipê branco). Em alguns regiões eles podem florir antes, mas a época mesmo é fim de agosto e início de setembro. O Ipê-branco (Tabebuia roseoalba) é uma espécie nativa do Cerrado brasileiro. Seus nomes, tanto científico quanto popular, vêm do tupi-guarani: ipê significa "árvore de casca grossa" e tabebuia é "pau" ou "madeira que flutua".
A florada do ipê branco é bem curta. Ao ver um ipê branco florido, não perca tempo. Corra para admirá-lo e fotografá-lo por que no dia seguinte, as folhas já estão caindo. A florada dura 25 horas. Em regiões de clima mais quente, pode durar entre 3 a 5 dias, mas em relação à florada do amarelo, roxo e roxa, que duram em media 25 dias, a do branco é apenas 10% do tempo da florada das outras espécies de ipês. É curtíssima. (na foto acima, de Arnaldo Silva, ipê florido na Praça da Matriz de Bom Despacho MG)
Mas é um espetáculo essa árvore. Mas para nossa alegria, em algumas regiões costuma ter duas floradas. Depois da primeira florada, as pétalas caem e a árvore fica somente nos galhos, sem flor e folha alguma. Alguns dias depois, voltam a surgir brotos e uma nova chance de ver esse show de beleza surge, mas também por pouco tempo. Em 25 horas as folhas começam a cair, findando a florada em 3 a 5 dias depois. (na foto ao lado, ipê branco florido em Itajubá MG, Sul de Minas, de autoria de Cássia Almeida) 
Depois da queda das flores, a árvore fica pelada por uns dias e começam a surgir as vagens. Aproveite, pegue as sementes, doe para viveiros de sua cidade ou plante em saquinhos e quando brotar, plante em sua calçada, em uma praça de seu bairro ou mesmo nas estradas e matas do seu município. Eu faço isso sempre. (fotografia abaixo de Demétrius Rodrigues em Extrema MG)
Então, se tiver um ipê branco florido em sua rua, bairro e cidade, contemple, admire, tire fotos. A beleza é rara, estonteante, dura pouco e encanta.Com o fim da florada dos ipês, começa a primavera e a florada dos jacarandás. (Por Arnaldo Silva)

sábado, 15 de setembro de 2018

Receita de Broa de Fubá com Melado

Fotografia de Renato Weil/Jornal O Estado de Minas
Ingredientes:
1 kg de fubá de moinho d'água:
- 500 ml de melado
- 1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio
- 500 ml de soro de queijo (obtido durante o preparo do queijo)
- 1 pitada de sal
- Cravo da índia a gosto
- 2 colheres (sopa) de banha
- Óleo para untar
Como fazer Broa de fubá com melado:
Misturar todos os ingredientes, deixando o soro por último. 
Mexer até que a massa fique homogênea. Untar uma assadeira com óleo e despejar a mistura. 
Levar ao forno alto e retirar assim que estiver dourado.
À moda antiga
O bom aroma dos fornos nos leva a Materlândia, a 298 quilômetros de BH, no Vale do Rio Doce. Com cerca de 6 mil habitantes, o município tem parte de sua economia e cultura ligada à zona rural. E é de lá que vêm os expositores da feira, que ocorre todas as sextas, pela manhã, na praça central da cidade. Verduras, frutas e deliciosas quitandas e doces são algumas das delícias vendidas nas barracas. A maioria segue, à risca e há muitas gerações, o modo de preparo tradicional das fazendas.
Uma das receitas resgatadas de tempos antigos é a broa de fubá com melado preparada por Maria Helena Ferreira Rosa, que recebeu a receita da mãe, com outros ensinamentos que a acompanham desde a infância. Desde os 11 anos ajudava a torrar café, conta. Vendedora na feira há um mês, Maria resolveu pôr a mão na massa por causa de uma dificuldade financeira pela qual passou. Hoje, a atividade ganhou um gosto que vai além do comercial.
Comprei uma cama para os meus filhos e fiquei endividada. Comecei a fazer os produtos e agora, além de ganhar algum dinheiro, me divirto e me distraio. É muito bom. Mas bom mesmo é uma fatia generosa da broa escurinha, que, a cada mordida, arranca suspiros.
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Receita de Maria Helena Rosa, de Materlândia MG