sábado, 17 de novembro de 2018

A culinária do Norte de Minas


A Cozinha mineira é uma das maiores riquezas do Estado. É um patrimônio imaterial do povo mineiro. A nossa culinária ajudou na formação da identidade do Estado. (fotografia acima Manoel Freitas de produção de farinha de mandioca próximo a Montes Claros MG)
A nossa cozinha é como nosso povo. Tem origem mestiça. Veio do colono europeu, do povo negro africano e dos índios nativos. Essa mistura maravilhosa de raças e povos criou a nossa identidade cultural, social e gastronômica. (na foto abaixo de Eduardo Gomes, o fruto do pequizeiro, que deu origem a vários pratos da culinária do Norte do Estado)
Para o português, que para cá veio em busca de ouro, a necessidade de comida era grande. Numa terra recém-descoberta, comida praticamente não existia, dai a necessidade de se criar. Junto com os portugueses, vieram os negros e aqui, juntamente com a população indígena, começaram a brotar as nossas raízes culturais e gastronômicas. Essa união afro-indígenas proporcionou o surgimento da culinária que é uma das identidades do Estado de Minas Gerais. Os portugueses e demais povos europeus que para cá vieram, contribuíram em muito com o aprimoramento da culinária que estava se desenvolvendo. Eles conheciam as qualidades naturais dos produtos e tinham domínios sobre temperos, principalmente temperos indianos, que foram introduzidos à nossa culinária. Sem contar os doces e o queijo, que os colonos trouxeram da Europa as técnicas de fazer, ensinando aos escravos e índios, adaptando as técnicas aos produtos encontrados em nossas terras. Assim começou o embrião da nossa culinária. (na foto abaixo de Manoel Freitas, o araticum, um dos principais frutos do Cerrado)
O aprimoramento e até mesmo a criação de pratos, se deve aos tropeiros. É inegável a influência dos tropeiros no surgimento da nossa culinária. Não que eles queriam inventar, mas porque precisavam de comida, dai foram adaptando seus conhecimentos aos produtos encontrados na região que hoje é o Estado de Minas. Eles viajavam por todo o território mineiro, em busca de ouro e por serem viagens longas, precisavam de alimentos que durassem mais tempo, que não perecessem rápido. Assim foi surgindo formas de armazenar comida como a carne, armazenada na lata, o açúcar que foi transformado em rapadura, o queijo curado, a mandioca, que era comida indígena, bem como o milho triturado, chamado de canjiquinha e o fubá. Alimentos que podiam ser levados nas tropas e que duravam muito tempo.
Outra parte da nossa culinária veio das fazendas, basicamente das senzalas, onde as escravas criavam pratos a pedido das Sinhás. Das tabas indígenas e senzalas surgiram vários pratos e ingredientes que hoje fazem parte da nossa cozinha como polvilho, a farinha de milho, de mandioca, o fubá. A partir desses ingredientes foi surgindo quitandas diversas como o pão de queijo, o biscoito, o bolo de fubá. Doces também, como o de leite, de mamão, a goiabada, saíram das senzalas para nossas mesas aprimorando as técnicas ensinadas pelos colonos.(na foto acima, de Manoel Freitas, doce de marmelo em São João do Paraíso, fruta introduzida na região hoje plantada em larga escala nesse município)
E nesse contexto a culinária foi se desenvolvendo, usando o que a terra produzia e o que já existia por aqui, passados pelos índios. Mas pela dimensão do Estado e biomas diferente, como Cerrado e Mata Atlântica, presentes na vegetação mineira, a cozinha variava, não era a mesma em todas as regiões. Em boa parte sim, mas certos alimentos não eram comuns em todas as regiões do Estado como, por exemplo, pequi, comum no Norte, Centro Oeste e parte da região Central de Minas Gerais, onde predomina o Cerrado. (na foto de Manoel Freitas a castanha do pequi, muito rica em minerais)
Já na região Sul, Campo das Vertentes e Zona da Mata, a predominância é do bioma Mata Atlântica. É nesse contexto que surge a culinária regional, que faz parte da culinária Mineira, com suas identidades próprias de acordo com clima, vegetação e alimentos disponíveis. Essa regionalização hoje é a marca da nossa culinária, presente em todas as regiões, com certos pratos típicos de cada uma das 12 regiões mineiras, de acordo com o que os biomas produzem.
Como disse acima, a junção do branco, índio e africano, deu origem a nossa formação cultural e gastronômica. A presença dessas três raças foi predominante para o povoamento e crescimento da região Norte de Minas, a partir do século XVI e XVII. Os portugueses e tropeiros chegaram ao Norte de Minas margeando o Rio São Francisco e ao longo do caminho, foram formando povoados, que hoje são cidades. (na foto acima, de Manoel Freitas, feijão de Andu, colhido em Botumirim MG)
Assim surgiu uma das mais ricas cozinhas de Minas, que é a cozinha do Norte do Estado de Minas Gerais, cujos pratos estão presentes em nossas mesas e contribuíram para dar a Minas Gerais, a nossa identidade culinária.
No Norte de Minas predomina a vegetação de Cerrado nativo e tem o Rio São Francisco como um das suas maiores riquezas. Dos frutos do Cerrado Norte Mineiro surgiu pratos que hoje sustentam famílias e deram origem a vários pratos ainda hoje presentes em nossas mesas. Por ser uma região de contrastes, não apenas sociais, mas geográficos, os sabores da mesa norte mineira é um pouco diferente do restante do Estado. A região produz frutos, alimentos e temperos diferentes do restante do Estado, oriundos de uma culinária mestiça, muito rica em sabores e temperos singulares e fortes como a pimenta, muito apreciada, diferente de outras regiões do Estado. (na foto acima de Manoel Freitas, pescadores no Rio São Francisco em Manga MG)
Esses pratos e temperos vêm do que a região produz. A pecuária sempre foi forte na região. A carne de boi é muito apreciada na região, principalmente a carne de sol. Mirabela, uma das cidades da região, é considerada a Capital Nacional da Carne de Sol. (na foto da lado, sua famosa carne de sol, de autoria de Sérgio Mourão)
O nosso quiabo com angu, muito apreciado com frango hoje, tem origem no Norte de Minas. No Norte Mineiro a paçoca de carne, a farofa de feijão andu, tropeiro com torresmo e rapadura não faltam nas mesas. Sem contar o pequi com arroz, que é consumido sempre, já que o pequi é o símbolo do Cerrado e o fruto reina em todo norte mineiro, sustentando inclusive famílias e gerando empregos em municípios com a produção de licores, compotas e polpas da fruta, vendidos no comércio. Montes Claros e Japonvar se consideram capitais nacionais do pequi.
Além do pequi, o Cerrado tem outras frutas que são consumidas in natura ou viram sucos, doces, compotas, geleias, sorvetes, licores, conservas como o cajá, jatobá, cajá manga, seriguela, caju, cagaita, araticum, tamarindo e etc. (nas fotos acima e abaixo, do Eduardo Gomes, o mercado de Montes Claros, onde você pode encontrar todos os temperos e ingredientes da famosa culinária do Norte de Minas)
O Rio São Francisco banha boa parte do Norte de Minas e suas águas sustentam milhares de famílias, seja no turismo, seja na pesca. O Rio São Francisco, possui 152 espécies de peixes, ao longo de toda sua bacia. Esses peixes como o surubim, dourado, curimatã-pacu, matrinchã, mandi-amarelo, pirá, piau-verdadeiro, dentre outros estão presentes na culinária norte mineira, como a famosa moqueca de surubim.
Essa é a origem da culinária de uma das maiores e mais importantes regiões do Estado de Minas Gerais. Marcada pelos contrastes, mas também pela força e fibra do povo, que batalha, trabalha e preserva sua cultura, história e gastronomia. Por Arnaldo Silva

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Do garimpo ao morango

Trabalhadores no Vale do Jequitinhonha trocam o garimpo pelo cultivo de morango 
A região de Datas, em Minas Gerais, que era dominada pelo garimpo, está se transformando num polo de produção de morango. (a foto acima é de autoria de Jussan Lima sendo meramente ilustrativa à matéria) A possibilidade de renda certa tem feito muitas pessoas que trabalhava na mineração preferirem mudar de atividade.
O morango avança nas terras onde por vários anos foram extraídos diamantes e outras pedras preciosas. A fruta adaptou-se bem ao clima da região de Datas, no Alto Jequitinhonha. Os antigos garimpeiros trocaram a incerteza pela rentabilidade da cultura de morango.
O morango ganha espaço no terreno arenoso, localizado a mais de 1,3 mil metros de altitude. A região de Datas é a segunda maior produtora do estado, ficando atrás do sul de Minas Gerais. Mas não perde em qualidade. Atualmente, o morango é uma das principais fontes de renda na região. (a foto acima, de Tiago Geisler, mostra a Igreja Matriz do Divino Espírito Santo, da histórica cidade de Datas)
O estado de Minas Gerais é o maior produtor de morango do país.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Conheça Santo Antônio do Leite

Um dos mais bucólicos e charmosos distritos de Ouro Preto, Santo Antônio do Leite encanta pela simplicidade, pelo belo e preservado casario colonial, por sua cultura e vida simples, mas com ótima qualidade que oferece aos seus moradores e visitantes. (na foto acima de Cláudia Barbosa, a Capela de São José em Santo Antônio do Leite)
Os moradores de Santo Antônio do Itambé, tem vida longa. Isso se explica pela salubridade do clima a mais de 1000 metros de altitude, boa qualidade do ar e de sua água de ótima qualidade. Esse conjunto de qualidades, faz com que Santo Antônio do Leite atraia cada dias mais a presença de turistas, tanto do Brasil, quando do exterior em busca de sossego, lazer, descanso em suas várias pousadas e hotéis fazendas. (foto acima de Thelmo Lins)
O distrito conta com pouco mais de 2 mil moradores e fica apenas 25 km de Ouro Preto. É um dos mais antigos povoados de Minas Gerais. Seu povoamento começou por volta de 1864, no século XVIII, sendo reconhecido como distrito de Ouro Preto em dezembro de 1953.há quase 90 anos.
Como em todos os distritos de Ouro Preto o artesanato se faz presente. Em Santo Antônio do Leite o artesanato com prata e pedras brasileiras são muito procurados e inclusive, boa parte tem destino para a Europa. Existem também trabalhos em cerâmicas, pedra sabão e outros estilos de arte. (a foto de Antônio Carlos Pires Mapa, mostra a Matriz de Santo Antônio do Leite)
Aos sábados e domingos, os visitantes podem conhecer o artesanato local, bem como sua culinária, na tradicional feirinha.
Os moradores de Santo Antônio do Leite são calorosos, educados e recebem muito bem os visitantes. 

Quando vier a Ouro Preto, venha conhecer Santo Antônio do Leite.(Por Arnaldo Silva)

A origem e utilidades da Pedra Sabão

Esteatito (também pedra de talco ou pedra-sabão) é o nome dado a uma rocha metamórfica, compacta, composta sobretudo de talco (também chamado de esteatite ou esteatita) mas contendo muitos outros minerais como magnesita, clorita, tremolita e quartzo, por exemplo. É uma rocha muito branda e de baixa dureza, por conter grandes quantidades de talco na sua constituição. A pedra-sabão é encontrada em cores que vão de cinza a verde. Ao tato, dá uma sensação de ser oleosa ou saponácea, derivando-se daí sua designação de pedra-sabão. Existem grandes depósitos, de valor comercial no Brasil, em maior escala no estado de Minas Gerais.
Características físicas
A pedra-sabão é praticamente impenetrável. Não é afetada por substâncias alcalinas ou ácidas. Uma das notáveis características da pedra-sabão é sua excelente capacidade de resistir a extremos de temperatura desde muito abaixo de zero até acima de cerca 1000 °C. A pedra-sabão resiste às exposições e mudanças de condições atmosféricas durante séculos.
A 709 metros de altitude, com cerca de 30 metros de altura e totalmente revestida de chapas de pedra-sabão, a estátua do Cristo Redentor foi construída entre 1926 e 1931. Desde sua concepção está exposta a rigorosas condições atmosféricas, inclusive poluição do ar e consequentemente, chuva ácida, sem ser afetada.
A pedra-sabão é relativamente macia devido ao seu teor de talco (o talco sendo considerado de dureza grau um na escala Mohs).

Usos da pedra-sabão
Este tipo de rocha é muito utilizado na fabricação de panelas, esculturas e decoração, pela facilidade com que é trabalhada. O seu uso é generalizado pelo mundo afora: desde as esculturas tradicionais dos Inuit até a algumas obras do Aleijadinho. É especialmente utilizada na construção de lareiras, também pela sua capacidade de absorver e distribuir de forma regular o calor.
A pedra-sabão, em virtude de suas excelentes propriedades de absorção de calor, retém quase todo o calor produzido pela fonte de energia (madeira, carvão mineral, carvão vegetal, gás, energia elétrica) e o conduz rapidamente, através do chamado aquecimento de massa térmica. Isto significa que a própria pedra atua como uma eficiente fonte de calor e não a chama propriamente dita, como acontece com as tradicionais lareiras abertas. Por outras palavras, o calor absorvido pela massa da pedra-sabão é, em seguida, liberado lenta e uniformemente no passar do tempo, mesmo após a fonte de calor se extinguir ou ser desligada. Outra característica notável da pedra-sabão é que gera calor radiante, enquanto permanece, em geral, isenta de perigo ao toque.

No Brasil, especialmente no Estado de Minas Gerais e na cidade turística de Ouro Preto, esta pedra é usada para a confecção de artesanatos feitos pela população local como: Porta-jóias, panelas, canecas, taças de vinho, além de souvenirs e estatuetas. Encontrados em feiras locais e pela internet. Algumas tribos da América do Norte utilizavam a pedra-sabão para produzir tigelas, recipientes para cozinha e outros objetos; historicamente, este hábito era particularmente comum durante o chamado período arqueológico arcaico. Outras tribos faziam cachimbos de pedra-sabão para fumar tabaco; inúmeros exemplares já foram encontrados em artefatos de diferentes culturas de nativos norte-americanos e outros continuam em uso nos dias de hoje. A baixa condutividade de calor da pedra-sabão permite o fumo de forma prolongada, sem que o cachimbo se aqueça demais.
A pedra-sabão é usada por ferreiros como um marcador pois, devido à sua resistência ao calor, ela se mantém visível mesmo quando aquecida. Também vem sendo utilizada por muitos anos por costureiras, carpinteiros e outros artesãos como um giz para fazer marcas no material a ser trabalhado, pois suas marcas são visíveis e podem ser apagadas.
Outro uso deste material é o de servir como molde para trabalhar materiais maleáveis como o peltre ou prata, devido à sua facilidade de ser trabalhado e sua não degradação com o calor. A superfície lisa da pedra-sabão permite a fácil retirada do objeto fundido do molde.
Como tratar a pedra-sabão
Utilizar óleo mineral (qualquer tipo de óleo hidrocarbônico, que pode ser adquirido em farmácias). Esfregar o óleo na pedra. Remover excedentes para que não haja aparência de molhado. No passar do tempo, fazer nova aplicação de óleo. Os seladores de pedras produzem pouco efeito sobre a pedra-sabão, em comparação com granito ou ardósia. Fazer a limpeza com esponja ou com pano macio, utilizando água limpa e detergente neutro, se necessário.

Fonte das informações: Wikipédia. As fotos são da página, feitas em Ouro Preto

domingo, 11 de novembro de 2018

A onça que lambia pé!

Cibalena é um analgésico conhecido há décadas. Houve um tempo em que esse comprimido era inflamável. Veio daí o apelido... O Homem sempre foi um sujeito trabalhador, mas quando bebia, saía da vendinha sem saber o rumo de casa.
Uma noite, após a saideira, Cibalena despediu-se dos amigos e foi embora levando debaixo do braço uma garrafa de aguardente. Para encurtar caminho, resolveu ir pelo atalho que passava no meio da mata.
As árvores deixavam a trilha escura, enquanto ele tropeçando, andava a passos lentos. Em uma clareira avistou uma grande arapuca, armada com uma galinha presa lá dentro. Alegre, imaginou que já estava garantido o almoço do dia seguinte. Mesmo porque, achado não é roubado.
— Quê qui ocê tá fazeno aí suzinha, minha fia?—Tá cum medo, não? Povo fala qui esse mato é cheiim de onça e arma penada.
A galinha cochilava e nem deu trela à falação do Cibalena.
— Cê qué vimbora cumigo? Si quisé é só falá, qu’eu vô aí e disato ocê e levo pá minha casa.
— Qui ruindade fizero cocê! Mardade ti dexá aí pá sirvi de isca prus bicho... Ê povo marvado! As galinha tamém é fidideus, uai! Mais podexá, ieu ti sarvo e tiro ocê dessa friage, inté dô um golim dessa pinga procê isquentá o bico...
Decidido a levar a galinha, se abaixou e foi engatinhando para resgatar a ave, porém, houve um imprevisto... A arapuca desarmou, aprisionando-o.
Cibalena gritou, esperneou e não conseguiu sair. Apenas seus pés ficaram fora das grades. Tonto, de bruços, o rapaz ouvia miados de gatos do mato, piados de coruja, canto de curiangos e uivos de lobo-guará.
Depois que se acalmou um pouco reatou a prosa com a companheira de penas.
—Tá veno, Chiquinha, qui ocê fêiz? Num vô ti perduá nunca! Curpa sua, ieu tô preso nessa gaiola, viu?
— Num dianta nada mi oiá cum esses zoim de pêxe morto e nem pidi discurpa, agora tamu nóis dois aqui pá sirvi de cumê pás onça.
— Nun fica caladinha assim, Sá! Bebe mais um golim...Tá sintino um chêro de café torrado? Ahh, ocê num tem nariz, né? Ieu tô! Crendeuspai, onça é qui chêra assim... Chiquinha si ieu num tivesse fechado aqui, ieu ia rapá no pé, minha nossinhora dos afritos mi acode!
Um arrepio lhe percorreu a espinha, fazendo-o entrar em pânico. Imobilizado, não podia se virar e ver o animal, mas sentiu um focinho frio fungando nos seus pés.
— Chiquinha... Num óia agora, mais ieu tô achano que tem um trem quereno mi cumê... Tá lembeno o meu pé isquerdo. Ihh, agora lembeu o outro e deu uma murdidinha no dedão... Aiii, tá fazeno cosquinha... manda essa onça fedazunha pará, Chiquinhaaaa!!
Cibalena gritava sem conseguir se mexer. Sentia-se prestes a perder os dois pés, que estavam sendo lambidos e na falta de coisa melhor iam virar comida de onça.
— Se ieu num tivesse ingastaiado aqui, cê ia vê... ieu ia deitá o braço nessa onça, rolá no chão e tirá o côro dela, cê ia vê só! Uai, num tô sintino mais os meus pé! Acho qui ela já cumeu os dois duma bocada só...
— Chiquinha... Cumé qu’eu vô carçá as butina amanhã cedo?
Ao amanhecer, os biólogos que estudavam os hábitos do lobo-guará da Serra da Canastra, encontraram Cibalena preso na armadilha. Este estava em estado de choque, com os olhos arregalados.
Quando foi retirado lá de dentro não disse uma palavra, saiu correndo e sumiu no mato.
 
*Esta e outras 52 histórias fazem parte do livro:“Ao Pé da Serra- Contos e Causos da Canastra” de Maria Mineira.Para adquirir um exemplar entre em contato pelo facebook ou pelo e-mail:mariamineira2011@yahoo.com.br

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Queijo Azul de Cruzília é premiado na Noruega

Queijo mineiro leva medalha de prata em concurso mundial disputado na Noruega
Queijo Azul de Minas, um gorgonzola da Laticínios Cruzília, faturou medalha de prata no Mundial na Noruega(foto: Jair Amaral/EM/D. A Press)
O Azul de Minas levou medalha de prata no 31º Mundial de Queijos, realizado neste ano em Bergen, na Noruega. O queijo mineiro é um gorgonzola, produzido pela Laticínios Cruzília, da cidade de Cruzília, no Sul do estado, a cerca de 320 quilômetros de distância de Belo Horizonte. O grande campeão do concurso foi o Fanaost, um gouda envelhecido e produzido pelo norueguês Jørn Hafslund a partir do leite de um rebanho de apenas 12 vacas em Ostegården. A premiação aconteceu no último dia 2 e avaliou 3.472 queijos.

O gorgonzola mineiro dos irmãos Luiz e Carlos Medeiros Almeida é um queijo de leite pasteurizado, curado por cerca de 45 dias em uma sala exclusiva da produção no Sul de Minas. Além do Azul de Minas, a fábrica comercializa as marcas ‘A Lenda’, ‘Santo Casamenteiro’, ‘Cruzília Reserva’ e a linha ‘Todos os Dias’, com os mais conhecidos e consumidos pelo público.

Ao todo, foram premiados 599 queijos com medalha de bronze, 486 de prata, 339 de ouro e 78 chamados ‘super ouro’, que disputaram o título mundial. Em 2016, o Tulha, da Fazenda Atalaia, em São Paulo, levou medalha de ouro.

Tradicionalmente, o concurso é realizado em Nantwich, na Inglaterra. No entanto, nos últimos anos, a premiação tem percorrido cidades já premiadas com queijos vencedores. A próxima edição, em 2019, será realizada em Bergamo, na Itália.

Mineiros premiados
No ano passado, outros 11 queijos produzidos em Minas Gerais foram premiados no Salão Mundial do Queijo, realizado em Tours, na França. Concorreram mais de 700 competidores de 20 países.

Um queijo da Fazenda Caxambu, de Sacramento, no Alto Paranaíba, foi premiado com o selo ‘Super Ouro’. Outro queijo da Cruzília, o Santo Casamenteiro, também foi agraciado no concurso francês.

O queijo minas artesanal é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto de Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).
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Fonte da matéria: Jornal O Estado de Minas/Portal uai.com.br

O Mosteiro de Macaúbas e o Vinho de Rosas

     O Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição de Macaúbas, ou simplesmente convento ou mosteiro de Macaúbas, está localizado na rodovia MG 020, km 37,5 que liga Santa Luzia ao município de Jaboticatubas, a 12 km do Centro Histórico de Santa Luzia e a 40 km de Belo Horizonte. 
     O imponente casarão do século XVII conta com 200 cômodos, mobiliário, capela e detalhes do período Colonial brasileiro. O silêncio do local é apenas quebrado pelo canto dos pássaros e os cânticos em latim e orações das freiras que vivem no convento.
     São 16 freiras da Ordem da Imaculada Conceição. Elas vivem em regime completo de clausura, saindo apenas em ocasiões necessárias, como por exemplo, problemas familiares ou de saúde.
     Entrar no templo não é permitido. As freiras vivem numa rotina rigorosa. Acordam todos os dias antes às 5 da manhã e se deitam às 20h30min. Fazem pelo menos 10 orações diárias com horários pré-determinados. Quando não estão orando, estudam ou meditam e trabalham nos afazeres no interior do convento e na produção dos produtos culinários. (na foto abaixo, de autoria de Carlos Magno de Almeida, uma vista do imponente casarão do século XVII)
História
     Sua construção começou em 1714, por Félix da Costa para ser uma casa de recolhimento religioso e educandário feminino. A obra foi concluída em 1770.
     Este foi o primeiro educandário feminino do Brasil. Pelo convento passaram filhas das mais ricas famílias do Brasil e de personagens ilustres de nossa história como, por exemplo, Joaquina, a filha de Tiradentes. Também as nove filhas do Contratador João Fernandes de Oliveira, marido de Chica da Silva estudara no local. A casa em que o Chica da Silva e seu marido ficavam, quando iam visitar suas filhas, ainda existe. Fica ao lado do Convento. O próprio João Fernandes, a título de dote pelo acolhimento de suas filhas, entre 1767 e 1768 ampliou o local, mandando construir a Ala do Serro, com mirante e 10 celas (quartos para religiosos). 
     Mas o convento não abrigava apenas filhas da elite brasileira da época. Recebiam e davam abrigo a meninas e mulheres órfãs, pensionistas e devotas. Recebiam também mulheres que optavam em ficar por algum tempo no convento para guardar a honra, enquanto os pais ou maridos viajavam. O convento acolheu também várias mulheres, que para lá fugiram do preconceito e discriminação social por terem sido desonradas. (na foto acima de Thelmo Lins, altar da capela do convento)
     Devido sua importância passou a ser protegido da rainha de Portugal, Dona Maria I, por Carta Régia. Quase um século depois, em 1881, o Imperador Dom Pedro II, que estava de viagem à Minas Gerais, fez questão de visitar o colégio.
     Em 1847, o convento passou a funcionar como colégio, se tornando uma das mais tradicionais escolas de Minas Geras.
     No século XX, começa a chegar a Minas congregações religiosas europeias com experiência em educação. Com isso, o colégio começa a entrar em decadência e em 1933 deixou de existir o colégio, se tornando desde então até os dias de hoje, um convento de freiras que vivem enclausuradas. (o imponente casarão guarda tesouros riquíssimos do Período Colonial. Na foto abaixo, um dos altares da capela do convento, autoria de Thelmo Lins)
Dia a dia e trabalho
     Quando não estão orando ou estudando, as freiras trabalham e muito. É do trabalho das freiras e doações que vem o sustento e manutenção do convento.
     No interior do Mosteiro elas produzem e vendem licores, doces, quitandas e o famoso vinho de rosas. No século XVII, médicos da época recomendavam este vinho para curar problemas do pulmão.
     As paredes do convento guardam as receitas das quitandas, licores e do vinho de rosas desde o século XVII. A técnica usada pelas freiras são as mesmas de 300 anos atrás, não mudaram nada no modo de fazer. É totalmente artesanal.
     Elas guardam com zelo cada receita e fazem com um imenso carinho, preservando uma das mais fortes culturas gastronômicas de Minas Gerais. As freiras fazem quitandas, doces, licores e o famoso vinho de rosas. No século XVII, o vinho de rosas era recomendado pelos médicos da época para curar os males do pulmão. (na foto abaixo, de Thelmo Lins, a paisagem nos arredors do Mosteiro)
O vinho que inspirou o filme
     A tradição gastronômica e a história do convento, principalmente o vinho de rosas, virou filme em 2005, chamado de O vinho de rosas. Dirigido por Elza Cataldo, o longa metragem retrata a vida de Joaquina, filha de Tiradentes, criada num convento. Na história, Joaquina descobre que é filha de Tiradentes e que sua mãe, ainda estava viva. Aos 18 anos, deixa o convento e sai em busca de sua história e seu passado.
Como comprar os produtos do Mosteiro de Macaúbas
     A manutenção dos trabalhos, do imóvel e atividades das freiras enclausuradas, vem das vendas dos produtos feitos pelas irmãs e de doações.
     Quem quiser adquirir os produtores da culinária do Mosteiro de Macaúbas, podem entrar ir diretamente ao local ou entrar em contato pelos telefones (31) 3684-2096/9612-1773. (Por Arnaldo Silva)

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Santa Luzia, história, mosteiro e presépios

Assim como Sabará, o município de Santa Luzia confunde-se com os arredores de Belo Horizonte. Atualmente tem quase 220 mil habitantes. É difícil saber aonde termina uma cidade e começa a outra. A cerca de 18 km da capital, Santa Luzia reserva boas surpresas para quem gosta da história de Minas Gerais.
Fundada em 1724, como uma freguesia ligada à Sabará, a cidade conserva um belo casario, principalmente na Rua Direita (foto acima). 
É lá que ficam os principais prédios históricos, como a Igreja Matriz de Santa Luzia (na foto acima), a Igreja do Rosário, a Igreja do Bonfim, o teatro e o Solar da Baronesa (na foto abaixo), que atualmente é sede de atividades artísticas e culturais do município.
Ali bem perto também estão a estação ferroviária e seu entorno, bastante agradáveis, embora carentes de boa conservação.
Estive em Santa Luzia em várias ocasiões, em bate-e-voltas da capital, onde resido. Voltei lá recentemente para visitar uma de suas mais belas atrações, o Mosteiro de Macaúbas (na foto acima), com 304 anos. O local abriga 16 freiras concepcionistas (ligadas à Nossa Senhora da Conceição), que vivem lá em regime de clausura. A primeira escola feminina de Minas Gerais funcionou ali até a década de 20 do século passado. Uma das preciosidades é a capela, com belíssimos altares (na foto abaixo), pinturas e imagens que remontam ao período do barroco e do rococó mineiros.
A edificação de 6,6 mil metros quadrados é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e Prefeitura de Santa Luzia. Recentemente, nas comemorações de seu tricentenário, ganhou de presente uma ampla reforma, que contou com a colaboração de voluntários.
Visitação aos presépios
O fim de ano costuma trazer à tona importantes tradições culturais e religiosas de Santa Luzia. A começar com a festa da padroeira, que acontece a partir de 13 de dezembro. O período também coincide com outra atração local: os presépios montados nas residências particulares da cidade. 
São cerca de 30 que funcionam atualmente, provenientes de uma tradição de mais de um século. Os presépios têm estilos e tamanhos variados. Alguns ocupam cômodos inteiros e sintetizam décadas de colecionamento das peças.
A visitação é organizada pela paróquia de Santa Luzia. De acordo com a disposição física e o tempo de permanência dos visitantes, é organizado o roteiro. O telefone de contato é (031) 3641-1050.
Outra atração de Santa Luzia é o coral Mater Ecclesiae, ligado à Federação dos Meninos Cantores do Brasil. O grupo já participou de vários eventos no Estado e em outras unidades da federação e já gravou um CD.
Bem, agora divirtam-se com algumas fotografias que tirei da cidade em minhas visitas. Boa viagem!
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Texto e fotos de Thelmo Lins

sábado, 3 de novembro de 2018

São João Batista do Glória: a cidade das cachoeiras

São João Batista do Glória (na foto acima de Amauri Lima) é um típico município mineiro, localizando entre as águas do Rio Grande e a Serra da Canastra na região Sudoeste de Minas, distante 371 km de Belo Horizonte.
O município tem várias cachoeiras, o que torna a cidade conhecida regionalmente por cidade das cachoeiras. (na foto acima, de Amauri Lima, a Lagoa Azul na antiga pedreira) Devido ao grande nome da cidade, ela leva o apelido de "Glória".
São João Batista do Glória também é destaque no agronegócio, por ter três entre os cem maiores produtores de leite do Brasil e ser o município com a tecnologia de produção leiteira entre as melhores do país. (na foto acima, de Amauri Lima, pôr do sol na zona rural)
A cidade ainda se orgulha de ter uma das melhores qualidades de vida do país, com sua saúde e educação premiada por vários segmentos. (foto acima de Amauri Lima)
Mas, o destaque mesmo fica a cargo de seu setor turístico, com as dezenas de cachoeiras. 
Conheça as principais cachoeiras de São João Batista do Glória: 
Cachoeira do Quilombo: tida como um dos mais belos atrativos da cidade. A cachoeira fica na região dos Canteiros, a 36 km da cidade. (na foto acima de Amauri Lima)
Cachoeira Maria Augusta: fica na região das Palmeiras, no Ribeirão Grande, distante 18 km da cidade. (na foto acima de Aline Marques) 
Cachoeira do Remanso: fica na região do Quilombo, a 38 km da cidade. Há uns poços de águas cristalinas com belas cascatas e um belo visual das serras.
Cachoeira do Barulho: o atrativo fica na região dos Canteiros, no Córrego do Barulho à apenas 20 km da cidade. A cachoeira é dedicada aos amantes de emoções e aventuras; na parte superior para os praticantes de rapel, e na inferior, para os que gostam de caminhar pelo rio em mata fechada. (foto acima de Amauri Lima)
Cachoeira do Esmeril: o atrativo fica no Buracão, distante 13,5km da cidade. É possível ver um poço e um paredão de 30 metros de altura. (foto acima de Amauri Lima)
Cachoeira do Osmar Bia: o atrativo fica na região das Palmeiras, no Córrego Capetinga. Pela trilha, chega se ao córrego e à sua direita é avistada a cachoeira. 
Cachoeira do Rasga Saco: A cachoeira tem este nome porque, quando era caminho dos tropeiros, os sacos dos mantimentos rasgavam-se no local, devido ao fato de ser estreito e possuir um cipó com espinhos cortantes.
Cachoeira do Filó: fica na região do Quebra Anzol, a 25 km da cidade. (na foto acima de André Laine)
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Fonte da matéria, exceto os dois primeiros parágrafos:https://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/MG/548/sao-joao-batista-do-gloria

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Carvalhos das trilhas, do Cafundó e da pinga boa

Carvalhos é uma pequena cidade do Sul de Minas. Se destaca pela tranquilidade, suas trilhas e cachoeiras que a cada dia atraem turistas em busca de descanso e convívio com a natureza. O município possui pacatos distritos, entre eles Franceses, Furnas (na foto abaixo) e o Cafundó.
Seu nome é uma homenagem a família Carvalho, família de origem judaico-marroquina cujo nome original era Nahom. Esta família se assentou na região, construindo uma igreja dedicada a Nossa Senhora Aparecida, em um terreno doado pela dona de uma fazenda na região. Atualmente essa família se encontra quase extinta no município. Sua população estimada em 2018 pelo IBGE é de 4.495 habitantes. 
A cidade não tem indústria e a produção agropecuária é que move a economia do município.  O comércio não possui potencial tão grande, quando comparado a cidades maiores. Porém, na região, destaca-se pelas lojas de material de construção, supermercados e farmácias. Além desses, a cidade conta com dois estabelecimentos que vendem hortifrútis, padarias e lojas de móveis. Na cidade, a operadora de telefonia móvel é a Vivo. 
Possui inúmeras cachoeiras distribuídas por todo o município (em torno de 70 quedas), a mais famosa é a Cachoeira da Estiva (na foto abaixo). Tem mais de 400 km de trilhas para a prática de Off-Road. Além disso, possui um pico chamado Pico do Muquém de altitude aproximada de 1800 m acima do nível do mar.



Também encontra-se no município o Pico do Calambau e dos Três Irmãos, que juntamente com o do Muquém, formam a Serra dos Três Irmãos. Há também o Pico do Quilombo (Serra do Quilombo), a Serra da Aparecida e a serra do Grão-Mogol.

O Cafundó 


Já te mandaram tomar no Cafundó? Pois é, esse lugar existe sim. Fica em Minas, em Carvalhos. É um pequeno povoado de fácil acesso em Carvalhos. Além de um pesqueiro, pequena pousada, pesque-pague no Cafundó tem a famosa cachaça Cafundó, feita com frutas. Então, tomar no cafundó é lá mesmo e a cachaça é de primeira. Boa mesmo. Além do lugar né, ser ótimo, bem cuidado e os moradores do pequeno povoado são todos gente da melhor qualidade. Aliás, como todo povo de Carvalhos é. 
No Cafundó, é produzida a famosa Cachaça Cafundó, a base de frutas como amora, abacaxi, laranja, maracujá, jabuticaba, mel, etc. Se alguém te mandar tomar no Cafundó, pode ir. A cachaça é boa, a comida é ótima e tem ainda no local uma pitoresca pousada, com pesque pague.
(Texto de Arnaldo Silva com informações da Wikipédia e IBGE com fotos de Dalton Maciel)