quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

4 paradisíacas cachoeiras de Baependi

Uma das mais belas cachoeiras do município é a do Caldeirão, na foto acima de Jerez Costa. Fica a 32 km do município. É uma pequena queda, que forma um poço enorme. Mas o banhista deve tomar cuidado acidentes e afogamento porque são cerca de 30 metros de profundidade. 
Baependi fica a 400 km de Belo Horizonte e é mais conhecida como a cidade de Nhá Chica, cujo santuário, fica nessa simpática cidade do Sul de Minas. Diariamente Baependi é procurada por turistas e romeiros de todos os cantos do Brasil que vem à cidade para visitar e rezar no Santuário de Nhá Chica. Quando os turistas chegam à Baependi, descobrem que além de paz elevação espiritual, o município é rico em belezas naturais.
Emoldurada pela Serra da Mantiqueira, Baependi faz parte do Circuito das Águas em Minas Gerais e também da Estrada Real. Suas belezas e paisagens preservadas fascinam e suas mais de 50 cachoeiras, encantam os visitantes. Para chegar a essas cachoeiras, são trilhas, caminhos e paisagens paradisíacas, em especial a paisagem do Parque Estadual da Serra do Papagaio, onde uma grande área dessa unidade está em Baependi. 
A cachoeira que mais chama a atenção em Baependi é a do Cavalo Baio (na foto acima de Jerez Costa). Fica na Serra da Canjica, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Com seus 215 metros de queda, é uma das maiores de Minas. O interessante nessa cachoeira é que nascente que formam suas quedas, nasce a mais de 2.200 metros de altitude. O acesso não é fácil, mas a vista da cachoeira é impressionante. 
Uma outra cachoeira muito famosa é a de Itaúna. Fica a 20 km do centro da cidade. É formada por pequenas quedas d´água, que formam poços rasos, que formam piscinas naturais, convidativas para um banho refrescante ou mesmo ficar curtindo as águas nos degraus das pedras.
Uma outra cachoeira muito famosa é do Juju (na foto acima de Jerez Costa), nas encostas da Serra do Careta, na área do Parque Estadual da Serra do Papagaio. São 130 metros de queda e a paisagem em seu redor é espetacular. O acesso é difícil e fica um pouco distante da cidade, cerca de 34 km. Por isso é recomendado ir acompanhado de guia.
Essas são apenas as mais famosas, são dezenas de cachoeiras, serras, paisagens espetaculares. Baependi, além da fé, da elevação espiritual é um lugar ideal para convívio pleno com a natureza. Por Arnaldo Silva

sábado, 8 de dezembro de 2018

6 diferenças e semelhanças entre Vinho e Azeite

Flavonoides do Vinho X Polifenóis do Azeite
Enquanto o vinho é rico em flavonoides, substância encontrada nos pigmentos que dão cor à casca da uva, os destaques no azeite de oliva são os polifenóis, que chegam a 2% da composição do óleo. O elemento confere um sabor amargo e picante e tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, importantes para a longevidade. “Os polifenóis combatem radicais livres e são como um paralelo dos flavonoides do vinho”, explica Paulo Freitas, especialista em azeites.
O sabor e acidez
Ao contrário do vinho, cuja acidez pode ser degustada e indica uma vocação gastronômica da bebida, além de ter função fundamental na harmonização com pratos, a acidez do azeite não confere sabor. “A acidez do azeite é diferente da sensação ácida de uma fruta cítrica ou de um vinho. Ela não é detectada na degustação”, explica Freitas. “No azeite, a baixa acidez é indicativo de um processo bem feito.” Isso porque um azeite mal feito apresenta uma maior quebra dos ácidos graxos livres da estrutura da gordura.
Consumo enquanto jovem X mais tempo de barriga
Ao contrário do vinho, que fica mais saboroso com o passar do tempo, o azeite deve ser consumido jovem. Quanto menos tempo passar entre o envase e o consumo, melhor. Um bom azeite extravirgem pode ser conservado por no máximo 24 meses a partir da extração, desde que armazenado corretamente. Após aberto, o ideal é consumir em até três meses – um cuidado importante para preservar os polifenóis.
Armazenamento correto
O vinho e o azeite têm formas de armazenamento ideal parecidas: devem ficar em ambientes escuros, longe da luz e do calor (não necessariamente na geladeira, mas em ambientes com temperatura amena, como um armário).
A importância da harmonização
Outra característica comum entre a bebida e o óleo é a importância da harmonização. Da mesma forma como escolhemos um vinho que combina com um prato, o azeite pode ajudar a realçar ainda mais o sabor de uma receita. No caso do azeite, porém, os principais atributos levados em consideração são os sabores amargo e picante. A intensidade deles deve ser proporcional a intensidade do alimento.
Por exemplo, um bacalhau bem temperado ou uma pizza calabresa vão bem com azeites bastante amargos e picantes. Já alimentos mais suaves, como uma salada verde, não combinam com azeites tão intensos, pois alteram consideravelmente o sabor e se destacam muito nas folhas.
Notas da degustação do Vinho X Azeite
A degustação do vinho consiste em três etapas: observar a intensidade de cor, tonalidade e transparência; sentir o aroma da uva; e bebê-lo, mantendo o líquido na boca por cerca de 15 segundos. No caso do azeite, porém, a aparência não influencia na análise, pois a cor está associada somente a maior ou menor presença de clorofila nas azeitonas. Ele também deve ser provado puro, em geral em copos escuros (tradicionalmente, utiliza-se o azul). O olfato percebe o aroma frutado, enquanto o paladar avalia se o azeite é picante e amargo.
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Fonte da matéria e fotos: Site do Azeite Olibi de Aiuruoca MG http://www.olibi.com.br Link original:http://www.olibi.com.br/6-diferencas-e-semelhancas-entre-o-vinho-e-o-azeite/

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

De alguma saudade....

Quem nunca passou por ela, nunca conheceu tramela, porteira e mourão. 

Não ouviu galo abrindo manhã, não acendeu fogo em lenha, não viu gato enrolado no rabo do fogão. 

Quem nunca passou por ela, não seguiu procissão em dia santificado, não levou flores aos finados, nunca dedilhou violão. 

Quem nunca passou por ela, não levou o dedo no tacho, não lavou a cara em riacho, não brincou de queimada, boneca, bola e balão. 

Não sentou à beira da estrada, não viu noite enluarada, não fez pipa, não jogou no único degrau da entrada as cinco pedrinhas com os primos e irmãos. 

Quem nunca passou por ela, não sabe o que é jardineira, estribeira, algibeira, roda d’água, nem banhou-se em cachoeira, seguiu a corredeira, virou cambota, acreditou em assombração – e na beira da alvorada andou com os pés calçados só de relva molhada e chão.

Mas se viveu uma história assim bonita e singela, é bom, seu moço, saber. Um dia ou outro, encostado, ao muro chamado passado, ela se abrirá mansa – uma rosa caipira na palma da sua mão. 

E o seu olho molhado, que nem chuva no roçado, vai te mostrar que é saudade esse quadro bem pintado, para sempre pendurado, no umbral do coração. 
Por Miryan Lucy Rezende de Uberlândia MG - Fotografia de Arnaldo Silva 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Casa da mãe depois que os filhos se vão...

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um oratório. Amanhece e anoitece, prece. Já não temos acesso àquelas coisinhas básicas do dia a dia, as recomendações e perguntas que tanto a eles desagradavam e enfureciam: com quem vai, onde é, a que horas começa, a que horas termina, a que horas você chega, vem cá menina, pega a blusa de frio, cadê os documentos, filho.

Impossibilitados os avisos e recomendações, só nos resta a oração, daí tropeçamos todos os dias em nossos santos e santas de preferência, e nossa devoção levanta as mãos já no café da manhã e se deita conosco.


Casa de mãe depois que os filhos se vão é lugar de silêncio, falta nela a conversa, a risada, a implicância, a displicência, a desorganização. Falta panela suja, copos nos quartos, luzes acesas sem necessidade…

Aliás, casa de mãe, depois que os filhos se vão, vive acesa. É um iluminado protesto a tanta ausência.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre o mesmo cheiro. Falta-lhe o perfume que eles passam e deixam antes da balada, falta cheiro de shampoo derramado no banheiro, falta a embriaguez de alho fritando para refogar arroz, falta aroma da cebola que a gente pica escondido porque um deles não gosta ( mas como fazer aquele prato sem colocá-la?), falta a cara boa raspando o prato, o “isso tá bão, mãe”. O melhor agradecimento é um prato vazio, quando os filhos ainda estão. Agora, falta cozinha cheia de desejos atendidos.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um recorte no tempo, é um rasgo na alma. É quarto demais, e gente de menos.

É retrato de um tempo em que a gente vivia distraída da alegria abundante deles. Um tempo de maturar frutos, para dá-los a colher ao mundo. Até que esse dia chega, e lá se vai seu fruto ganhar estrada, descobrir seus rumos, navegar por conta própria com as mãos no leme que você , um dia, lhe mostrou como manejar.

Aí fica a casa e, nela, as coisas que eles não levam de jeito nenhum para a nova vida, mas também não as dispensam: o caminhão da infância, a boneca na porta do quarto, os livros, discos, papéis e desenhos e fotografias – todas te olhando em estranha provocação.

Casa de mãe depois que os filhos se vão não é mais casa de mãe. É a casa da mãe. Para onde eles voltam num feriado, em um final de semana, num pedaço de férias.

Casa de mãe depois que os filhos se vão é um grande portão esperando ser aberto. É corredor solitário aguardando que eles o atravessem rumo aos quartos. É área de serviço sem serviço.

Casa de mãe depois que os filhos se vão tem sempre alguém rezando, um cachorrinho esperando, e muitos dias, todos enfileirados, obedientes e esperançosos da certeza de qualquer dia eles chegam e você vai agradecer por todas as suas preces terem sido atendidas.

Por que, vamos combinar, não é que você fez direitinho seu trabalho, e estava certo quem disse que quem sai aos seus não degenera e aqueles frutos não caíram longe do pé?

E saudade, afinal, não é mesmo uma casa que se chama mãe?

Miryan Lucy de Rezende - Uberlândia MG. Foto de Arnaldo Silva

domingo, 2 de dezembro de 2018

O Fogão de Cupinzeiro e o Feijão Tropeiro

   Fogão feito de cupinzeiro era muito comum antigamente, principalmente na roça. Os homens iam trabalhar e no embornal levavam cabaça com água, café, biscoitos, bolos e um caldeirãozinho com o almoço. Para esquentar a comida, improvisavam um fogão feito com o cupinzeiro porque naquela época não existia ainda tijolos como hoje.
   As formigas, depois de certo tempo, abandonam os cupinzeiros e vão para outros lugares fazerem outro. Com o sol e as chuvas a terra que fazem sua morada fica dura, quase que petrificada. Quando chega a esse ponto já não serve mais para elas e fazem outros cupinzeiros. E assim, o homem do campo aproveitava o cupim como fogão à lenha. Apenas cortavam uma parte do cupim para entrada, retiravam a terra no interior até abrir uma círculo na parte superior do cupinzeiro, como podem ver na foto abaixo. 
   A ideia foi aprimorada, já que esse tipo de fogão não gasta nada para fazer e é muito resistente, ainda mais em contato com o calor do fogo, fica mais resistente ainda e dura muito mesmo. E por isso, começaram a retirar os cupinzeiros e levar para seus quintais.
   As formigas fazem sua obra muito bem feita. O cupim é resistente e suporta o corte.
   Tem que ter habilidade com a enxada.No caso, tem que pegar a enxada, cavar um pouco no chão em volta e com a própria enxada ir cortando a parte baixa, até que ele se solte. Depois basta retirar a terra no interior do cupinzeiro e dois ou mais homens podem pegá-lo e colocá-lo na carroça, como faziam antigamente. Por fim, é só
ajeitá-lo no quintal, fazer o buraco para entrar a lenha e ir cavando devagar com um faca, até retirar a terra no interior do cupinzeiro até a parte superior do cupinzeiro, onde ficará a panela.
   Assim está pronto o fogão de cupinzeiro.Se usar um disco de arado, fica melhor que panela.
   Foi assim que fez o Laércio Antônio, que nos enviou essas três fotos. No disco de arado, fez um delicioso feijão tropeiro no dia de Queima de Alho no sítio em Monte Belo MG.
Vou passar a receita pra vocês:
Receita de Feijão Tropeiro
Ingredientes:

500 gr. de feijão roxinho
200 gr. de carne de porco picada
500 gr. de linguiça calabresa picadinha
4 dentes de alho amassado
2 cebola grande cortadas em rodelas
4 bananas da terra picadinhas e fritas
300 gr. de torresmo crocante e quebradinhos
5 ovos
1 tablete de caldo de Costela
6 folhas de couve picadas finas
4 xícaras (chá) de farinha de milho
cebolinha e salsinha picadinho a gosto
sal a gosto
Modo de preparo:
Cozinhe o feijão aproximadamente 30 minutos,
em água até que os grãos estejam macios (sem desmanchar). Escorra a água, e em uma panela frite a carne de porco e a lingüiça.
Escorra o feijão, e na mesma panela que fritou a carne e a linguiça, com a mesma gordura, junte o alho e a cebola e refogue.
Adicione os ovos e mexa até que estejam cozidos.
Junte o feijão.
Misture bem, retire do fogo e acrescente a farinha e os outros ingredientes, misturando cuidadosamente.
Texto de Arnaldo Silva - Fotos enviadas por Laércio Antônio de Monte Belo MG

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Trem Minas Rio será inaugurado em breve

(foto:Caio Correa MelloAmigos do Trem/Divulgação )
O trem turístico Minas rio tinha previsão de começar a operar em dezembro de 2018. Infelizmente, o idealizador do Projeto e presidente da Ong Amigos do Trem, Paulo Henrique do Nascimento, faleceu recentemente em novembro, vítima de câncer no pulmão aos 45 anos. Era um lutador incansável pela volta dos trens nas nossas ferrovias. Lutava para trazer de volta os trens, em especial, esse, que ligará Minas Gerais ao Rio de Janeiro.
Devido á sua doença e tratamento, a Ong e seus amigos, pararam o projeto e se dedicaram a recuperação de Paulo Henrique (na foto acima de autoria de Edésio Ferreira/EM/D.A. Press), o que não aconteceu, infelizmente. Seu corpo foi cremado no dia 23 de novembro de 2018 em Matias Barbosa MG, na Zonada Mata. As cinzas de Paulo Henrique serão jogadas ao longo do trajeto do Trem Minas Rio, na sua viagem de inauguração. Mesmo com a tristeza pela morte do Paulo Henrique, o projeto continua porque era um sonho dele, um ardoroso defensor das ferrovias e um desejo de toda a comunidade onde o trem passará.
O trem Turístico Minas Rio terá dois trens, com 15 vagões panorâmicos cada, adquiridos juntos a Vale (na foto acima/ONg Amigos do Trem/Divulgação). São os antigos vagões do Trem Vitória Minas, todos reformados. Um trem sairá de Cataguases MG e outro sairá de Três Rio RJ, no mesmo horário, se encontrando no meio do caminho, em Além Paraíba MG. 

Serão mais de 160 km de linha férrea reativado. Os trilhos por onde o trem passará foram usados no século XX para transporte de carga e café da região da Zona da Mata. O trajeto do trem passará por 6 cidades mineiras: Cataguases, Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba, Chiador e por Sapucaia e Três Rios no Rio de Janeiro. O trem circulará nos fins de semana e feriados. Serão 860 passageiros transportados por dia. Segundo estimativa da Ong Amigos do Trem, essa nova linha irá gerar cerca de 500 empregos diretos.

Segundo declarações ao Jornal O Estado de Minas, de Cyntia Nascimento que atua na Ong nas área de comunicação e assistência social e é sobrinha de Paulo Henrique ao Jornal  "a expectativa é que a inauguração ocorra em janeiro”. Segundo Cyntia os oito prefeitos da região beneficiada deram total apoio à iniciativa, que tem ainda no roteiro Leopoldina, Recreio, Volta Grande, Além Paraíba, Chiador e Sapucaia. Os prefeitos estão empenhados em reformar ou construir estações e outras obras para facilitar o trajeto do trem Minas Rio. 
Novas linhas de trens
A volta dos trens em Minas vem sido discutido na Assembléia Legislativa de Minas Gerais pela Comissão Extraordinária Pró-Ferrovias Mineiras, presidida pelo deputado João Leite (PSDB) Segundo levantamento, em Minas existem mais três projetos de trem turístico em discussão. Um projeto desenvolvido pela Oscip Apito em parceria com a Ong Cidades pretende criar uma linha de trem ligando o bairro Belvedere ou o Museu do Mao em Belo Horizonte até o Inhotim em Brumadinho. Seria uma linha e 51 km, usando os vagões do antigo trem Vera Cruz, que ligava Minas ao Rio de Janeiro. Seria um trem de luxo, com capacidade para transportar 780 passageiros por dia.
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Quem quiser saber mais sobre o Trem Minas Rio, pode entrar em contato com a Ong Amigos do Trem através da fanpage:https://www.facebook.com/ONGAmigosdoTrem/

segunda-feira, 26 de novembro de 2018

O Museu dos Dinossauros em Peirópolis

Peirópolis é um distrito rural de Uberaba, localizado às margens da rodovia BR-262, a 20 km do centro da cidade. (foto acima de Carias Frascoli) No começo do Séc. XX, destacou-se como produtor de calcário e atualmente é uma atração turística do Município em função dos fósseis encontrados nas imediações. Na antiga estação ferroviária desativada da Cia. Mogiana funciona hoje o Museu dos Dinossauros, parte do Complexo Científico Cultural de Peirópolis. O bairro conta ainda com pousadas, restaurantes e um parque com réplicas de dinossauros.
A antiga estação Peirópolis da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro abriga hoje o Museu dos Dinossauros de Uberaba. Fotografia de André Borges Lopes
Desde a década de 1940, descobertas paleontológicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana , o paleontólogo gaúcho Llewellyn Ivor Price (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros.
Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), no Rio de Janeiro.
Ferrovia e Calcáreo
A "linha do Catalão" da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi a primeira ferrovia a atingir o Triângulo Mineiro, chegando a Uberaba em 1889. A pequena estação de Peirópolis, designada originalmente como "Cambará", ficava no trecho entre as cidades de Conquista e Uberaba, e teria sido inaugurada nesse mesmo ano. Em 1924 ganhou a atual denominação.
O surgimento do bairro junto à estação deve-se ao imigrante espanhol Frederico Peiró que, em 1911, montou duas fábricas de cal virgem aproveitando o calcário da região. Peirópolis – como ficou sendo conhecida a localidade – ganhou importância econômica vendendo o produto no estado de São Paulo por meio da ferrovia. No entanto, a partir da década de 1950 a Cia. Mogiana foi progressivamente desativando a antiga linha de Conquista, dando preferência à linha de Igarapava, inaugurada em 1915 e considerada mais viável economicamente. A construção do lago da Usina Hidrelétrica de Jaguara no início dos anos 1970 selou o destino do ramal, que foi definitivamente desativado em 1976.

Sítio Paleontológico
Desde a década de 1940, descobertas paleontologicas já traziam nova notoriedade para a região. Informado de que fósseis de ossos haviam sido encontrados durante obras de retificação da linha da Cia. Mogiana , o paleontólogo gaúcho Llewellyb Iovr Pirce (1905-1980), começou a trabalhar em Peirópolis em 1947. Realizou uma escavação sistemática na região de Caieira, entre 1949 e 1961. Como resultado, foram recuperadas centenas de ossos fossilizados do período Cretáceo Superior (100 a 65 milhões de anos atrás), sobretudo de dinossauros do grupo dos titanossauros. (na foto acima de André Borges Lopes Réplica em tamanho natural de um Titanossauro, de autoria do artista plástico Northon Fenerich, em frente ao Museu dos Dinossauros de Peirópolis)
Por quase 30 anos, o Ivor Price pesquisou as terras do Triângulo Mineiro e de municípios paulistas. Considerado o pai da paleontologia brasileira, permaneceu na região até 1974. Todo o acervo de fósseis coletado por ele e seus auxiliares, ao longo de três décadas, integra a coleção do Museu de Ciências da Terra do Departamento Nacional de Produção Mineiral (DNPM), no Rio de Janeiro.
Museu e Centro de Pesquisas
Replica do Uberabasuchus terrificus, crocodilomorfo do Cretáceo Superior cujos fósseis foram descobertos na região de Peirópolis - Fotografia de André Borges Lopes
Em 1991, a Prefeitura Municipal de Uberaba restaurou o prédio da estação e outras dependências no entorno para instalar o "Centro de Pesquisas Paleontológicas Llewellyn Ivor Price", criado no ano seguinte sob supervisão do geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro. A antiga estação passou a abrigar um laboratório de preparação de fósseis e um pequeno mas atraente museu paleontológico, aberto à visitação pública e vinculado à Fundação Cultural de Uberaba. Outros imóveis no entorno foram transformados em residências para pesquisadores.
Ossos fossilizados do Uberabasuchus terrificus, crocodilomorfo do Cretáceo Superior, descobertos na região de Peirópolis. Fotografia de André Borges Lopes
Dentre as atrações do museu, destaca-se hoje o esqueleto fóssilizado do crocodilomorfo do Cretáceo Superior Uberabasuchus terrificus – descoberto na região no ano 2000 e um dos mais completos do tipo já encontrado no mundo – que está exposto no museu ao lado de uma réplica do animal. O Uberabasuchus terrificus pertence a uma família de crocodilomorfos denominada Peirosauridae em homenagem a Peirópolis. Estima-se que ele media aproximadamente 2,5 metros de comprimento e pesava cerca de 300 kg.

Mais recentemente foram descobertos na região fosseis do Uberabatitan ribeiroi, o maior dinossauro brasileiro já encontrado. Fósseis de três indivíduos dessa espécie foram descobertos em 2004 na região de Serra da Galga, entre as cidades de Uberaba e Uberlândia, durante a realização das obras da duplicação da rodovia BR-050. O trabalho de retirada dos fósseis foi concluído em 2006, após os técnicos escavarem manualmente cerca de 300 toneladas de rochas que datavam do período Cretáceo e Paleogeno para a extração do material. Em 2011, foram feitas novas descobertas na mesma área, que incluem um fêmur de 1,4 metros do Uberabatitan.

Fonte das informações acima:https://pt.wikipedia.org/wiki/Peir%C3%B3polis
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Localização e horários de funcionamento
A maior atração do museu é o rico acervo de fósseis de dinossauros e outros vertebrados. Conta ainda com painéis explicativos sobre a evolução da vida e dioramas que reconstituem os cenários da vida e dos animais e vegetais que habitaram a região de Uberaba há milhões de anos. Está instalado no prédio da antiga estação ferroviária de Peirópolis, construída em 1889, em estilo inglês.
Horário de visitação: terça a sexta das 08h às 17h e sábado, domingo e feriados das 08h às 18h.
No período de janeiro (férias) o Museu também está aberto às segundas-feiras.
BR 262, km 784, Bairro de Peirópolis.(34)3338-1526.

Na roça, o ar sempre foi mais fresco e mais alegre

     Ás 6:30 acordava ao som de 'Noites' do Barra de Alencar, o cheiro do café forte no coador, penetrava nos quartos, ajudava a aprumar o corpo, aquecido e envolvido nos grossos cobertores de linho. No telhado da casa, os passarinhos reviravam seus ninhos.
     No fogão , a lenha se fazia brasa e deixava aquecido o café para o dia todo, as galinhas que sempre acordam primeiro, ás 6:30 siscavam o terreiro pela centésima vez. Os cachorros se dividam nos lugares;Tafarel beirava o fogão, á espera de petisco e Dunga beirava a estrada, á espera de visitas. A verdade é que ele sabia: domingo era dia de casa cheia!
     Aos poucos, os parentes da cidade, que não eram poucos, chegavam e traziam quitandas e refrigerantes para acompanhar o almoço. As mulheres preparavam a refeição e colocavam a conversa em dia, os homens abriam a cerveja e jogavam baralho,E nós ,as crianças, espalhávamos pelo terreiro. Quando o sol beirava o meio do céu, a casa já estava cheia de Pais, Mães, filhos, tios, sobrinhos , avós e o Dunga, que não largava da gente, ele não continha nas lambidas, a empolgação.
     Dos 39 netos , filhos dos filhos de D Maria Luíza de Carvalho, mãe de minha mãe, e a mais bonita do Cercado, como ela dizia, apareciam nos domingos, pelo menos 30 deles. Maria Luíza, era de sangue quente, sempre mandona, mas com ternura na voz. O cabelo longo e grisalho eram cuidadosamente amarrado em coque e os traço do rosto, mostrava o trabalho que foi cuidar dos seus 17 filhos.
     Dividíamos o tempo, entre nadar; correr; comer os belisques de quem bebia cerveja e jogar bola, inclusive tínhamos um campo.
     Á 300 km, podia notar o brilho no olhar de Alvarino, o mais velho de toda aquela gente, pai e avô adorável, desses que seu coração se aquieta só de olhar. Amava bala de frutas, mais doce que elas, era o sorriso que abria, ao ver a casa cheia, e a criançada correndo, pra lá e pra cá, pra cá e pra lá ..
Na roça, o ar sempre foi mais fresco e mais alegre...
(Texto e fotografai de Suelen Rezende, 06 de julho ,2018)

Diário de Viagem: Serra do Caraça

Misturando-se com as montanhas, o Santuário do caraça é mais uma das miragens Mineiras. É cercado de Horizontes e História. De fé e de sorrisos. " Só o caraça paga toda viagem a Minas" disse D Pedro II.
Tudo é detalhadamente belo, nos pequenos e grandiosos detalhes. 
O silencio da mata toma conta do espaço, é quebrado apenas, pelos ventos que balançam as orquídeas, pelos turistas que sussurram e pelos pássaros, que insistem em cantar! 
A construção neogótico, primeira do Brasil, foi construída sem mão escrava. E permanece intacta mesmo após as chamas na madrugada de 1968. "Se foi muitos livros e documentos da nossa História" disse-me Pedro enquanto me mostrava a revista do mosteiro. Foi o único momento em que seus olhos mergulharam na tristeza. Eu, o entendia completamente! 
Apesar da tragedia no frio de maio de 68 , o Santuário não perdeu o brilho; parte foi restaurado fazendo um paralelo entre o antigo e o moderno. Na biblioteca encontrei anotações de D pedro II , junto estava a cópia do seu diário. No museu vi alguns antigos rádios; machados, retratos e a cama de Tereza Cristina (queria cochilar por ali mesmo) vi os objetos que mais me interessavam: os baús. 
Na capela, vi alguns fiéis pedindo suas preces, vi o Padre por perto, pra qualquer orientação e vi a arquitetura, que fugia do barroco. 
E na simplicidade, vi o sorriso de Vicente. O "nosso vicente". Sentando em baixo da árvore , o olhar aceso disfarçava seu cento e poucos anos. Escolhendo as palavras, prozeou com a Aline, contando que morou ali a vida inteira e não se imagina longe. 
Afirmou que iria se casar um dia, e quem sabe não era comigo? 
Abri um sorriso por tamanha simpatia. Sr Vicente é tão especial que a sua História se mistura com a do Caraça, e a do Caraça se mistura com a dele. O ovo e a gema. 
Percebi na partida , olhando no vidro do carro enquanto as nuvens passavam, que: por mais que meus olhos se esforçassem , eles não conseguiriam, jamais, captar todos os detalhes daquele lugar. Alguns se misturaram no Horizonte, outros se foram nas chamas ou simplesmente esconderam-se na timidez ,como os olhos negros de Vicente. 
Conheçam o Caraça! 
Texto e fotografias de Suelen Rezende, 22 /11 de 2018.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Antônio Pereira e a Igreja queimada

Antônio Pereira é um distrito de Ouro Preto MG. Dista 16 km de Ouro Preto - cidade histórica, reconhecida mundialmente por este fato - e 9 km de Mariana - também cidade histórica, com arquitetura pertencente ao barroco mineiro. Não possui construções tão antigas como Mariana e Ouro Preto, mas é lugar de lindas cachoeiras. (foto acima o Barbosa) Atualmente, a área é protegida por lei, após anos de exploração agressiva aos recursos naturais por parte de garimpeiros em busca de ouro e pessoas em busca de cascalho, material usado em construções.
Histórico
Trata-se de um arraial antigo que foi um dos primeiros núcleos mineradores de Minas Gerais. Dentre os pontos turísticos, destacam-se as ruínas da igreja de Nossa Senhora da Conceição, incendiada (segundo locais, por uma vela que veio a cair sobre um tapete), em cujo interior existe um curioso cemitério, ainda utilizado. A imponente fachada, em blocos de pedra, chama a atenção. Outro passeio interessante é à gruta da Lapa, porque possui em seu interior uma pequena capela.
Na grande fome de 1700-1, o bandeirante português Antonio Pereira Machado (de São João das Caldas, perto de Guimarães em Portugal) seguiu para o norte, chegando ao lugar a que deu nome por ali se ter fixado, chamando-o porém na ocasião o Bonfim do Mato Dentro. Em 1703, desgostoso com a abundância de animais ferozes, voltou à vila do Carmo. Teria sido o padre João de Anhaia o verdadeiro fundador do arraial de Antonio Pereira, com Mateus Leme e com Antonio Pompeu Taques, pois se estabeleceram como mineradores nas numerosas minas como as do Romão, Mata-mata, Macacos, Capitão Simão, Fazenda do Barbaçal, Mateus, da Rocinha.
Em 1716 foi fundada a igreja de Nossa Senhora da Conceição, curada como igreja matriz em 1720 e colativa em 1752. Localmente chamada como igreja da lapa, ou igreja de nossa senhora da lapa.
Pontos turísticos
Três pontos são visitados com frequência por pessoas do Brasil ou mesmo estrangeiros: Gruta da Lapa (na foto acima do Barbosa), Garimpo de Topázio Imperial, e Igreja Queimada.
Igreja queimada
A igreja queimada, localizada na saída/entrada de Antônio Pereira para quem vem/vai à Mariana, datada do século XVIII. Esta, junto com a gruta da lapa, são os marcos históricos do local. A igreja é cercada de mitos, o mais acentuado está em volta do fato que foi criada para a santa local, Nossa Senhora da Lapa, como é chamada pelos moradores do distrito. Segundo a tradição oral, a santa misteriosamente saia da igreja e aparecia na gruta da lapa, onde segundo os moradores, foi achada originalmente, até o momento em que foi queimada de forma misteriosa. 
Os moradores da localidade acreditam que a santa fez isso para permanecer na gruta da lapa, atualmente com uma pequena capela na entrada para a santa. 
O fato da igreja ter sido queimada, até hoje gera controvérsias entre os moradores, sem uma confirmação precisa da causa do incêndio. Uma dessas versões diz que uma pessoa de origem aparentemente da Bahia, roubou a igreja, que na época era coberta de metais preciosos, então colocou fogo na mesma. Outra versão diz que o sacristão local, chamado Roque, foi acusado de deixar uma vela acessa, causando o incêndio, e preso pelo crime. (na foto abaixo do Barbosa, o interior da Gruta da Lapa onde se encontra a imagem da Santa)
Beleza natural
Alguns dos lugares mais belos ficam nas Cachoeiras da Pedreira. São três cachoeiras naturais cuja estrutura é mantida por formações rochosas naturais. A primeira destas é rasa, altura máxima de aproximadamente um metro e a queda de água não é alta. 
A segunda, chamada pelos locais de Cachoeira da Escuridão, devido ao fato de que o sol não alcança a mesma todo o tempo, ou mesmo por que esta gera “certo medo”, é funda, altura maior do que um adulto de estatura normal, tendo aproximadamente dois metros de profundidade em alguns pontos. A queda de água é mais alta do que a primeira, mas não tão alta quanto a terceira.
A terceira, chamada pelos moradores de Cachoeira da Lajinha, é praticamente plana, como uma área de piscina, possuindo profundidade maior. 
Até o momento, boa parte da área não sofreu relevantes alterações por ação humana. Existem outros pontos, como a Lagoa Azul, ou mesmo a Cachoeira da Vila, atualmente tomada pela empresa Vale do Rio Doce. O local é cercado por montanhas, que durante as chuvas formam espelhos de água, e a rica quantidade de minério ajuda a formar uma paisagem bela.(fonte parcial das informações: Wikipédia. Ilustrações nossa)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Monte Verde iluminada para o Natal

Os primeiros moradores de Monte Verde vieram da Letônia, um pequeno país do leste Europeu. O pioneiro foi o Sr. Verner Grinberg (1910-2006) que sobrevoando a região em 1938, percebeu a semelhança das paisagens e do clima local com a de seu pais. Se apaixonou pelo lugar e resolveu ficar, comprando terras no local.
A partir de 1950  os Grinberg começaram a vender pequenas terrenos de sua fazenda, iniciando a formação de um povoado com a a abertura de ruas e construção de casas, cuja arquitetura foi inspirada na bela arquitetura européia da Letônia.
E assim surgiu uma das mais importantes vilas mineiras, hoje distrito de Camanducaia MG, no Sul de Minas. Um lugar charmoso, pitoresco, tranquilo em meio a vasta natureza e paisagens que lembram as pequenas vilas Europeias. 
As baixas temperaturas na região também ajudam já que Monte Verde está a 1680 metros de altitude, sendo o ponto mais alto de Minas Gerais e o segundo do Brasil. Por isso que o inverno no distrito é rigoroso, geralmente abaixo de zero grau, com frequentes geadas.
Monte Verde tem uma ótima estrutura para receber o turista, com hotéis e pousadas de nível. Cervejarias artesanais. Fábricas de chocolates e restaurantes diversos, com culinária mineira, brasileira e europeia. 
Um dos destaques  de Monte Verde é sua decoração de Natal. É uma das mais belas de Minas. A vila fica ainda mais linda e com milhares de turistas nesse período natalino.
Toda a comunidade de Monte Verde participa e ajuda na decoração de Natal. A iniciativa de decorar o distrito para o Natal recebe apoio da Sub-prefeitura de Monte Verde. 
Dessa união entre sub-prefeitura, moradores e empresários locais, nasceu o projeto Natal - Monte Verde Iluminada.
Esse projeto visa iluminar, no período natalino, a entrada de Monte Verde se estendendo pelo canteiro central da principal avenida do distrito, destacando a iluminação do Túnel do Papai Noel, ao lado do lago. Esse túnel tem lareira e um papai Noel ao fundo que pessoas possam fazer seus pedidos de Natal.
A decoração segue até o morro da Baiana, chegando até a praça em frente a Igreja de São Francisco de Assis. A decoração conta também com uma árvore de 5 metros de altura toda decorada.
Venha para Monte Verde. Venha presenciar esse espetáculo de cultura e tradição num lugar pitoresco, charmoso, encantador.
Como chegar
De São Paulo a Monte Verde: siga pela Via Dutra m direção a Guarulhos (SP) e acesse a Rodovia Fernão Dias na altura do km 13 até Camanducaia.
Partindo de Campinas (SP): o trajeto começa pela Rodovia D. Pedro I em direção a Jacareí (SP); depois entre à esquerda na Rodovia Fernão Dias, no sentido Belo Horizonte, até chegar a Camanducaia.
Saindo do Rio de Janeiro (RJ): siga pela Via Dutra até Jacareí (SP), entre na Rodovia D. Pedro I e, em Atibaia (SP), entre à direita na Rodovia Fernão Dias, continuando até Camanducaia.
De Belo Horizonte (MG) para Monte Verde: saída pela Avenida Amazonas, sentido São Paulo, até Camanducaia pela BR 381.
Texto de Arnaldo Silva - Fotografias de Ricardo Cozzo

sábado, 17 de novembro de 2018

A culinária do Norte de Minas


A Cozinha mineira é uma das maiores riquezas do Estado. É um patrimônio imaterial do povo mineiro. A nossa culinária ajudou na formação da identidade do Estado. (fotografia acima Manoel Freitas de produção de farinha de mandioca próximo a Montes Claros MG)
A nossa cozinha é como nosso povo. Tem origem mestiça. Veio do colono europeu, do povo negro africano e dos índios nativos. Essa mistura maravilhosa de raças e povos criou a nossa identidade cultural, social e gastronômica. (na foto abaixo de Eduardo Gomes, o fruto do pequizeiro, que deu origem a vários pratos da culinária do Norte do Estado)
Para o português, que para cá veio em busca de ouro, a necessidade de comida era grande. Numa terra recém-descoberta, comida praticamente não existia, dai a necessidade de se criar. Junto com os portugueses, vieram os negros e aqui, juntamente com a população indígena, começaram a brotar as nossas raízes culturais e gastronômicas. Essa união afro-indígenas proporcionou o surgimento da culinária que é uma das identidades do Estado de Minas Gerais. Os portugueses e demais povos europeus que para cá vieram, contribuíram em muito com o aprimoramento da culinária que estava se desenvolvendo. Eles conheciam as qualidades naturais dos produtos e tinham domínios sobre temperos, principalmente temperos indianos, que foram introduzidos à nossa culinária. Sem contar os doces e o queijo, que os colonos trouxeram da Europa as técnicas de fazer, ensinando aos escravos e índios, adaptando as técnicas aos produtos encontrados em nossas terras. Assim começou o embrião da nossa culinária. (na foto abaixo de Manoel Freitas, o araticum, um dos principais frutos do Cerrado)
O aprimoramento e até mesmo a criação de pratos, se deve aos tropeiros. É inegável a influência dos tropeiros no surgimento da nossa culinária. Não que eles queriam inventar, mas porque precisavam de comida, dai foram adaptando seus conhecimentos aos produtos encontrados na região que hoje é o Estado de Minas. Eles viajavam por todo o território mineiro, em busca de ouro e por serem viagens longas, precisavam de alimentos que durassem mais tempo, que não perecessem rápido. Assim foi surgindo formas de armazenar comida como a carne, armazenada na lata, o açúcar que foi transformado em rapadura, o queijo curado, a mandioca, que era comida indígena, bem como o milho triturado, chamado de canjiquinha e o fubá. Alimentos que podiam ser levados nas tropas e que duravam muito tempo.
Outra parte da nossa culinária veio das fazendas, basicamente das senzalas, onde as escravas criavam pratos a pedido das Sinhás. Das tabas indígenas e senzalas surgiram vários pratos e ingredientes que hoje fazem parte da nossa cozinha como polvilho, a farinha de milho, de mandioca, o fubá. A partir desses ingredientes foi surgindo quitandas diversas como o pão de queijo, o biscoito, o bolo de fubá. Doces também, como o de leite, de mamão, a goiabada, saíram das senzalas para nossas mesas aprimorando as técnicas ensinadas pelos colonos.(na foto acima, de Manoel Freitas, doce de marmelo em São João do Paraíso, fruta introduzida na região hoje plantada em larga escala nesse município)
E nesse contexto a culinária foi se desenvolvendo, usando o que a terra produzia e o que já existia por aqui, passados pelos índios. Mas pela dimensão do Estado e biomas diferente, como Cerrado e Mata Atlântica, presentes na vegetação mineira, a cozinha variava, não era a mesma em todas as regiões. Em boa parte sim, mas certos alimentos não eram comuns em todas as regiões do Estado como, por exemplo, pequi, comum no Norte, Centro Oeste e parte da região Central de Minas Gerais, onde predomina o Cerrado. (na foto de Manoel Freitas a castanha do pequi, muito rica em minerais)
Já na região Sul, Campo das Vertentes e Zona da Mata, a predominância é do bioma Mata Atlântica. É nesse contexto que surge a culinária regional, que faz parte da culinária Mineira, com suas identidades próprias de acordo com clima, vegetação e alimentos disponíveis. Essa regionalização hoje é a marca da nossa culinária, presente em todas as regiões, com certos pratos típicos de cada uma das 12 regiões mineiras, de acordo com o que os biomas produzem.
Como disse acima, a junção do branco, índio e africano, deu origem a nossa formação cultural e gastronômica. A presença dessas três raças foi predominante para o povoamento e crescimento da região Norte de Minas, a partir do século XVI e XVII. Os portugueses e tropeiros chegaram ao Norte de Minas margeando o Rio São Francisco e ao longo do caminho, foram formando povoados, que hoje são cidades. (na foto acima, de Manoel Freitas, feijão de Andu, colhido em Botumirim MG)
Assim surgiu uma das mais ricas cozinhas de Minas, que é a cozinha do Norte do Estado de Minas Gerais, cujos pratos estão presentes em nossas mesas e contribuíram para dar a Minas Gerais, a nossa identidade culinária.
No Norte de Minas predomina a vegetação de Cerrado nativo e tem o Rio São Francisco como um das suas maiores riquezas. Dos frutos do Cerrado Norte Mineiro surgiu pratos que hoje sustentam famílias e deram origem a vários pratos ainda hoje presentes em nossas mesas. Por ser uma região de contrastes, não apenas sociais, mas geográficos, os sabores da mesa norte mineira é um pouco diferente do restante do Estado. A região produz frutos, alimentos e temperos diferentes do restante do Estado, oriundos de uma culinária mestiça, muito rica em sabores e temperos singulares e fortes como a pimenta, muito apreciada, diferente de outras regiões do Estado. (na foto acima de Manoel Freitas, pescadores no Rio São Francisco em Manga MG)
Esses pratos e temperos vêm do que a região produz. A pecuária sempre foi forte na região. A carne de boi é muito apreciada na região, principalmente a carne de sol. Mirabela, uma das cidades da região, é considerada a Capital Nacional da Carne de Sol. (na foto da lado, sua famosa carne de sol, de autoria de Sérgio Mourão)
O nosso quiabo com angu, muito apreciado com frango hoje, tem origem no Norte de Minas. No Norte Mineiro a paçoca de carne, a farofa de feijão andu, tropeiro com torresmo e rapadura não faltam nas mesas. Sem contar o pequi com arroz, que é consumido sempre, já que o pequi é o símbolo do Cerrado e o fruto reina em todo norte mineiro, sustentando inclusive famílias e gerando empregos em municípios com a produção de licores, compotas e polpas da fruta, vendidos no comércio. Montes Claros e Japonvar se consideram capitais nacionais do pequi.
Além do pequi, o Cerrado tem outras frutas que são consumidas in natura ou viram sucos, doces, compotas, geleias, sorvetes, licores, conservas como o cajá, jatobá, cajá manga, seriguela, caju, cagaita, araticum, tamarindo e etc. (nas fotos acima e abaixo, do Eduardo Gomes, o mercado de Montes Claros, onde você pode encontrar todos os temperos e ingredientes da famosa culinária do Norte de Minas)
O Rio São Francisco banha boa parte do Norte de Minas e suas águas sustentam milhares de famílias, seja no turismo, seja na pesca. O Rio São Francisco, possui 152 espécies de peixes, ao longo de toda sua bacia. Esses peixes como o surubim, dourado, curimatã-pacu, matrinchã, mandi-amarelo, pirá, piau-verdadeiro, dentre outros estão presentes na culinária norte mineira, como a famosa moqueca de surubim.
Essa é a origem da culinária de uma das maiores e mais importantes regiões do Estado de Minas Gerais. Marcada pelos contrastes, mas também pela força e fibra do povo, que batalha, trabalha e preserva sua cultura, história e gastronomia. Por Arnaldo Silva