quinta-feira, 19 de julho de 2018

Os girassóis de Uberlândia

Dificilmente alguém não para admirar os girassóis floridos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro (na foto acima de Cris Ferreira). Os girassóis fascinam, simplesmente fascinam por sua beleza. A florada dessa planta, cuja origem é Mexicana, na América do Norte, começa no fim do verão e se estende até agosto. Nessa época do ano, é comum pessoas que passam pela BR 050 em Uberlândia e BR 452 na entrada para Uberaba, no Triângulo Mineiro, pararem para registrar e se fotografar em meio aos milhares de girassóis que chegam até metros de altura.
Os campos de Girassóis de Uberlândia (na foto acima de Cris Ferreira) pertencem à empresa Alta Genéticas e permitem visitantes somente entre abril e maio, durante a Expozebu em Uberaba, cidade vizinha. No período da Expozebu quem quiser pode andar entre os campos de girassóis. Fora desse período, somente da BR mesmo já que as plantações ficam às margens da rodovia. 
Reprodução de vídeo - Youtube - Canal: Talon Air Imagens
Além de Uberlândia, girassóis podem ser contemplados em Patos de Minas e Araxá no Alto Paranaíba, Caxambu, Ouro Fino, Conceição das Alagoas, Pedralva, São Pedro da União, Cruzília e Areado no Sul de Minas e Catuji e Manga no Norte de Minas. 
Utilização

Dos seus frutos, popularmente chamados sementes, é extraído o óleo de girassol que é comestível. A produção mundial ultrapassa 20 milhões de toneladas anuais de grão.
A semente também é usada na alimentação de pássaros em cativeiro além de ser uma das mais utilizadas na alimentação viva.
A sua flor é comercializada como flor de corte. Existem dois grupos de variedades importantes: uniflor com haste única e uma flor terminal; multiflor com flores menores que com ramos desde a base que são mais utilizadas na confecção de bouquet.
A semente do girassol tem sido utilizada no Brasil na produção de biodiesel.
Tem sido também uma boa alternativa para alimentação de gado, em substituição a outros grãos.
As suas folhas podem inibir o crescimento de plantas daninhas através do fenômeno alelopatia. (Por Arnaldo Silva)
Fotografia de José Humberto Peres (ou Adi Ribeiro porque a imagem foi enviada a nós sem a identificação exata. Caso o autor se identifique, favor entrar em contato para inserirmos os créditos corretos)

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Receita de Doce de Pêra em Compota

Ingredientes:
- 3 litros de água
- 20 peras-portuguesas inteiras (descascadas, sem retirar o cabinho)
- 1 quilo e meio de açúcar
Material:
- Tacho de cobre
Feito à mão:
Como fazer Doce de pêra em compota:
Pôr a água e o açúcar no tacho de cobre.
Levar ao fogo e, quando estiver fervendo, acrescentar as peras. 
Cozinhar até a calda ficar em ponto de fio (obtido quando escorre da colher como um fio). 
Deixar esfriar. Pôr em potes. (fotografia acima de Renato Weil/Jornal O Estado de Minas)
Que seja no tacho
Na Praça Cícero Macedo, uma das mais antigas de Uberlândia, há uma casa muito especial, que exala o aroma inconfundível de açúcar no tacho. Só pode ser casa de doceira. O cheiro é indício de que na cidade há espaço para mãos habilidosas, que encantam com a produção artesanal de doces. Há 20 anos, Líbia Vilela Marquêz ganha a vida como doceira, uma profissão de família, herdada da avó, que criou os filhos fazendo quitandas para vender.
Líbia aprendeu com a mãe a preparar as frutas em compota, doces cristalizados e docinhos para festa. O resultado aparece em uma cozinha bem grande, cheia de potes com figo, abacaxi, ameixinha de queijo, mamão e laranja-da-terra, tudo mergulhado em calda melada. É de dar água na boca! Líbia chega a fazer até 50 quilos de doce por dia e gosta de escolher bem as frutas que usa. Faz questão de que a matéria-prima seja do Triângulo.

Só assim os doces podem ter a mesma naturalidade da doceira. Sou de Uberlândia, sempre, afirma, com orgulho. Ela diz ter visto na TV que o uso do tacho seria proibido, mas não deu bola para isso. Ainda o usa e continuará usando, porque, segundo ela, não há doce de qualidade se não for feito assim. Palavra de quem entende do assunto.
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Receita fornecida por Líbia Vilela Marquêz, de Uberlândia MG

sábado, 14 de julho de 2018

Receita de Sorvete de Ora Pro Nobis

Ingredientes:
- 3 kg de ora-pro-nóbis (só as folhas)- 750 g de açúcar refinado
- 1 litro de leite integral
- 1 pote (250 g) de liga neutra (produto encontrado em mercados)
Como fazer Sorvete de ora-pro-nóbis:
Para desidratar o ora-pro-nóbis, pôr as folhas em uma panela de fundo grosso e levá-la ao fogo brando, mexendo bem, por 10 minutos, até as folhas murcharem completamente. Deixar esfriar. Bater as folhas murchas em uma batedeira ou no liquidificador, por sete minutos, com o leite frio, açúcar e a liga neutra. Levar ao congelador por uma hora, na regulagem máxima, para congelar. Depois, voltar a temperatura para o grau usado diariamente, para conservar a sobremesa no congelador.
Servir com cobertura de menta.
Doçura que engana criança
Sorvete de ora-pro-nóbis? Nídia Fonseca, de Pompéu, distrito de Sabará MG, já perdeu as contas de quantos clientes fizeram essa pergunta. Eles chegam, olham a lista de sabores e se assustam com a novidade, conta. Os marmanjos arriscam na pedida e, muitas vezes, pedem mais de uma bola. É engraçado, porque eles sempre voltam para degustar mais. Já para as crianças a sobremesa, à primeira vista, não parece nada atraente.
Quando elas ouvem falar do sabor, não se arriscam a experimentar, comenta Nídia. Segundo ela, muitos pais acharam um jeito de convencê-las. Eles dizem que é de menta, a criança saboreia e adora. É uma forma de fazer com que o filho coma ora-pro-nóbis, mesmo que seja na forma de um doce. Simples de ser preparada, a receita requer paciência só mesmo na hora de desidratar a planta.
A panela deve ter um fundo grosso. Se for fino, não agüenta, revela. O verde do ora-pro-nóbis é o que atrai olhares para o sorvete e, a cada colherada, é possível achar pedacinhos pequenos da planta em meio ao creme. Irresistível. O toque sublime, que os pais encontraram para enganar as crianças e que Nídia agregou à receita, é a calda de menta. Fica mais saboroso. Quem concorda é o paladar.
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Receita fornecida por Nídia Fonseca, em Pompeu, distrito de Sabará MG

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Conheça a Pousada do Bezerra

Um lugar com ambiente familiar, aconchegante e com uma infraestrutura que lhe proporciona segurança, conforto, estamos na serra do Caparaó em Alto Caparaó lado mineiro, a 500 metros da portaria do Parque Nacional do Caparaó, onde se encontra o Pico da Bandeira um dos maiores do Brasil, venha passar um fim de semana conosco e desfrutar das belezas naturais.
Tel: (32) 3747-2628 / Fax: (32) 3747-2538
Whatsap 32-98423-5696 (Carlos Bezerra) - (32) 98446-7661 (Naiara)
Site: www.pousadadobezerra.com.br
E-mail: gerencia@pousadadobezerra.com.br
www.facebook.com.br/pousadadobezerra
skipe: pousadadobezerra

Nossos Patrimônios da Humanidade

Patrimônio da Humanidade é uma região ou área (denominadas "sítios") que vem a ser considerado pela comunidade científica de inigualável e fundamental importância para a humanidade. Pode vir a ser um único monumento ou construção, ou o conjunto arquitetônico delimitado em uma cidade, vila ou região, ou toda a área, pode ser uma única caverna, ou vale, ou toda a região devido ao seu valor histórico, arqueológico, natural, ambiental, ou um conjunto desses fatores e vem a ser reconhecida pela UNESCO fazer parte da Lista do Patrimônio Mundial, também se inclui na lista, pela importância e singularidade, manifestações e rituais, como outros, reconhecendo sua dimensão histórica, praticado por algumas comunidades ou povos.

Esses locais ou manifestações culturais são avaliados e definidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura-UNESCO (acrônimo de United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization(órgão executivo da ONU), de fundamental importância e relevância, tanto, histórico, cultural e natural para humanidade, proporcionando, ao ser reconhecido e classificado como Patrimônio Mundial, o status e reconhecimento oficial para lhe garantir maior conservação, preservação e segurança.

Cada país membro da Onu pode fazer 1 indicação, a cada ano para concorrer ao título. Cabe ao Governo Federal escolher o que indicar para análise da Unesco.

Minas Gerais possui 4 cidades com seu patrimônio reconhecido como Patrimônio da Humanidade. A primeira cidade a ganhar esse título em Minas e no Brasil, foi Ouro Preto, em 1980. Pouco tempo depois, em 1985, foi a vez de Congonhas, na Região Central, ter o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, reconhecido como Patrimônio da Humanidade. Em 1999, o Centro Histórico de Diamantina foi recebeu o título de Patrimônio da Humanidade. Mais recentemente, foi a fez do Complexo da Pampulha, em 2016, ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade.

Esse reconhecimento enche o povo mineiro de orgulho, já que em termos de Brasil é o Estado mais agraciado com esse tipo de título.

São cidades magníficas, com um potencial turístico enorme e de alto valor histórico, não só para Minas e Brasil, mas para todo o mundo.

Conheça os encantos de nossas cidades, Patrimônios da Humanidade

Belo Horizonte
A capital mineira é uma das maiores metrópoles do mundo, com 2,5 milhões de habitantes. Famosa por sua vida noturna agitada, com seus inúmeros bares, cafés e restaurantes com o melhor da culinária mineira, oferece ao belo-horizontino e visitantes opções de lazer, cultura e esportes, espalhados por todas as regiões da cidade. (fotografia acima de Charles Tôrres)
O complexo da Pampulha, composto pela Igreja São Francisco de Assis, Iate Tênis Clube, Casa do Baile e Museu de Arte sempre foi o principal atrativo dos belo-horizontinos. (fotografia de Lucas Vieira)
Mas os encantos da cidade não se resume apenas ao complexo da Pampulha. São 14 museus com opções diversas para todos os gostos e níveis culturais. Os museus que mais se destacam são: o Museu de Artes e Ofícios o Museu Histórico Abílio Barreto, o Museu Giramundo, o Museu de Ciências Naturais Puc Minas.
Belo Horizonte tem diversos parques, com destaque para o Parque Municipal Américo Gianneti (na foto acima de Rogério Salgado), o Parque da Serra do Curral, , Lagoa do Nado, Parque Burle Max no Barreiro, Parque dos Mangabeiras, dentro outros, são opções tradicionais de descanso. O Zoológico e o Jardim Botânico são grandes atrativos da cidade.
A Praça da Liberdade e seus prédios históricos (na foto acima de Arnaldo Silva) do entorno onde se destacam o Memorial Minas Gerais – Vale, o Espaço do Conhecimento UFMG, o Museu das Minas e do Metal, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Casa Fiat de Cultura, o Edifício Niemeyer e o Rainha da Sucata.
São centenas de praças espalhadas por toda a cidade com destaque para a Praça da Estação (na foto acima de Arnaldo Silva), Praça do Papa, Praça Sete de Setembro, Praça da Savassi, são as principais e dezenas de teatros e locais de eventos, como a Serraria Souza Pinto, o ExpoMinas e os teatros Palácio das Artes, a Sala Minas Gerais, o Sesc Palladium, o Cine Theatro Brasil, o Teatro Marília e o Teatro Francisco Nunes.
A Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena (na foto acima de Lucas Vieira) que acontece sempre aos domingos, pela manhã com todo o tipo de artesanato mineiro a disposição dos visitantes e turistas. O Mercado Central, considerado o terceiro melhor do mundo é parada obrigatória. São tantas atrações, tantas belezas que para conhecer bem Belo Horizonte, tem que ficar dias e dias para visitar tudo.

Ouro Preto
Ouro Preto fica a 98 km de Belo Horizonte e tem hoje, segundo o IBGE 75 mil habitantes. (fotografia ao lado de Arnaldo Silva) Desde 1980 é Patrimônio da Humanidade. É uma das mais belas e importantes cidades para o mundo, em termos de cultura, arte e preservação. No século XVIII, no auge do ciclo do Ouro, chegou a ser a maior cidade da América, maior que New York.
É só chegar na entrada da cidade e perceber que ali se respira cultura e história, 24 horas por dia.
Toda a cidade é história, cada pedra, cada casa ou casarão tem uma história para contar.
São vários atrativos que o turista pode optar. É imprescindível conhecer em Ouro Preto o trabalho do Mestre Aleijadinho e Manoel da Costa Ataíde, visíveis nas igrejas de Igreja de São Francisco de Assis, Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, as igrejas de Nossa Senhora das Mercês dos Perdões e da Misericórdia, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, o Museu da Inconfidência, o Museu do Oratório, O Museu de Ciência e Técnica, a Casa dos Contos, a Casa da Ópera (na fotografia ao lado de Arnaldo Silva), A feira do Largo de Coimbra, a Mina Du Veloso, o passeio de trem de Ouro Preto a Mariana e os distritos de Ouro Preto: Lavras Novas, Cachoeiro do Campo, Amarantina, São Bartolomeu, Santo Antônio do Leite

Congonhas
Congonhas (na foto acima de Glauco Umbelino) fica apenas 80 km de Belo Horizonte e tem 54 mil habitantes, segundo o IBGE. É uma cidade com um rico patrimônio histórico.
O mais famoso é o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos, com construção iniciada em 1757 por Feliciano Mendes de Guimarães, nascido em Portugal, de início modesta cruz e oratório. Célebre monumento histórico e artístico de Congonhas o santuário barroco de Bom Jesus de Matosinhos, que é desde 1985 Patrimônio da Humanidade foi construído em várias etapas, nos séculos XVIII e XIX, por vários mestres, artesãos e pintores, como o Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde, é uma das maiores realizações do barroco brasileiro. Nesse Santuário se encontra as estátuas dos 12 profetas, esculpidos em pedra sabão por Aleijadinho que deixou também outras obras que estão no interior do Santuário, sendo a Via Sacra de Jesus Cristo que esculpida por ele e pintada pelo Mestre Ataíde, é considerada a mais forte expressão do barroco na América Latina. (na foto acima de Sérgio Mourão) Além do Santuário o visitante pode conhecer o belo casario em torno do Santuário, as lojas de artesanatos e a Romaria, que é um local que recebe os fiéis durante o Jubileu do Senhor Bom Jesus, que acontece sempre no início de setembro de cada ano. Tem ainda para visitar o Museu de Congonhas, com 342 peças de arte sacra e diversos outros objetos retratando a religiosidade popular.

Diamantina
Diamantina fica na região do Alto Jequitinhonha, fica a 292 km distante de Belo Horizonte e conta hoje com 49 mil habitantes, segundo o IBGE. Foi fundada como Arraial do Tejuco em 1713, com a construção de uma capela que homenageava o padroeiro Santo Antônio. A localidade teve forte crescimento quando da descoberta dos Diamantes em 1729. Em fins do século XVIII era a terceira maior povoação da Capitania Geral da Minas, atrás da capital Vila Rica, hoje Ouro Preto, e com população semelhante à da próspera São João Del Rei.
Seu Centro Histórico, com seus imponentes casarões são preservadíssimos e encantadores. Toda beleza e cuidado com o patrimônio, deram à Diamantina, em 1999, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade. (na foto acima de Manoel Freitas , vista parcial de Diamantina)
A cidade tem uma forte tradição cultural , principalmente musical oferece aos seus visitantes vários atrativos como o Passadiço da Casa da Glória, o Chafariz da Câmara, a Casa JK, o Museu do Diamante, a Casa de Chica da Silva. Tem as igrejas de Nossa Senhora do Carmo é uma das maiores e mais ricas – com 80 quilos de ouro, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Igreja de São Francisco de Assis, Catedral Metropolitana e a Capela Imperial do Amparo, datada do século XVIII, com um importante acervo do período Colonial e Imperial. (na foto ao lado de Elvira Nascimento) Além desses atrativos tem também o famoso Mercado Velho, construído em 1835 como ponto de parada de tropeiros e o prédio do Cineteatro Santa Izabel. (na foto abaixo de César Rocha)
Ainda existe no município a exploração de diamantes e antigas minas, que podem ser visitadas com auxílio de guias locais. Um dos mais visitados locais de Diamantina é o Caminho dos Escravos, feito todo em pedras no século XVIII, para ligar o arraial do Tejuco ao hoje distrito de Mendanha. Antes era caminho dos mineiros que trabalhavam nas minas, hoje é usado para caminhadas. 
No centro histórico, tem o famoso Beco do Mota, point de encontro dos famosos músicos do Clube da Esquina e atualmente, dos universitários da cidade. (na foto acima Fernando Brant, Lô Borges, Márcio Borges e Milton Nascimento em Diamantina, na época em que compunham Clube da Esquina foto Arquivo O Cruzeiro/EM- 3/11/1971)
O Beco (na foto acima de Wilson Fortunato) é famoso, com seus bares e restaurantes sempre cheios. 
Um dos eventos mais famosos da cidade é a Vesperata (na foto acima de Charles Tôrres) que acontece de abril a outubro. Acontece na famosa Rua da Quitanda com apresentações da Banda de Música do 3º BPM e a Banda Mirim local.
Nos arredores da cidade tem outras atrações como a Vila de Biribiri, apenas 8 km do centro (na foto acima de Leandro Durães). Construída no século XIX para ser residência dos funcionários da Companhia Industrial de Estamparia. A fábrica fechou, os funcionários foram embora e o local ficou, como patrimônio do município, tombado pelo IEPHA). São 30 casas e uma igrejinha colonial e nas proximidades, tem o Parque do Biribiri, com linda paisagem e belas cachoeiras.

A candidatura do Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu como Patrimônio da Humanidade
O Parque do Peruaçu pleiteia sua indicação como Patrimônio Cultural da Humanidade. A área do parque possui 57 mil hectares e abrange os municípios de Januária, Itacarambi e São João das Missões, no Norte de Minas. O objetivo é proteger e proteger a área. No Peruaçu concentra as maiores riquezas naturais do Brasil com mais de 140 cavernas, (foto ao lado de Deniston Diamantino) pinturas rupestres de até 11 mil anos, uma fauna e flora diversificada e mais de 80 sítios arqueológicos registrados. . Hoje o local é totalmente estruturado para receber visitantes.
A indicação como candidato ao prêmio da Unesco é por país e cada país pode indicar apenas um, a cada ano. Quem indica é o Governo Federal e os ambientalistas mineiros vem se empenhando para convencer o Governo a indicar o Peruaçu, como representante do Brasil para avaliação da Unesco há quase duas décadas, mas agora o empenho se tornou mais abrangente e acreditam os ambientalistas que a indicação é uma realidade que pode ocorrer e o reconhecimento da Unesco do valor do Peruaçu e é concreto e real.
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Fonte das informações: Sites das Prefeituras Locais, IBGE e Wikipédia

quinta-feira, 12 de julho de 2018

A tradição do Queijo Minas artesanal

 Em maio de 2008, o queijo minas artesanal foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo Instituto Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Seis anos antes, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) já havia concedido o título de Patrimônio Imaterial ao alimento.(a foto acima, mostra o Queijo D´Alagoa, queijo produzido pelo Osvaldo Filho em Alagoa MG)

Os reconhecimentos apenas corroboram uma tradição mineira secular. Produzido principalmente em quatro regiões de Minas Gerais – Serro, Serra da Canastra, Serra do Salitre e Campo das Vertentes -, o queijo minas artesanal é o sustento de mais de 30 mil famílias em mais de 600 municípios do Estado.

A grande produção de queijo mineiro - cerca de 220 mil toneladas ao ano – ajuda o Brasil a manter o posto de 6º maior produtor de queijo do mundo. Pouco mais da metade de todo o queijo consumido em solo nacional vem de Minas Gerais.

Origens
A história do queijo minas artesanal remonta à descoberta do ouro na Capitania de Minas Gerais, que se tornou Província em 1822, antes de se tornar Estado após a Proclamação da República, em 1889. No fim do século XVII e início do século XVIII, muitos portugueses vieram ao Brasil em busca das riquezas que a região dispunha. (na foto acima da Maria Mineira, o famoso Queijo Canastra, de São Roque de Minas)

Como precisavam de um alimento que durasse o dia todo e que resistisse às longas jornadas, os viajantes adaptaram uma antiga receita portuguesa de queijo coalhado produzido a partir de leite fresco. No livro Viagens às nascentes do Rio São Francisco, publicado em Paris, no ano de 1848, o botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire(1779-1853) detalha a produção da iguaria:

“Tão logo o leite é tirado, coloca-se nele o coalho. O coalho mais usado é o de capivara. As fôrmas são de madeira e de feitio circular, tendo o espaço livre interno mais ou menos o tamanho de um pires. O leite talhado é colocado dentro delas em pequenos pedaços, até enchê-las. Em seguida a massa é espremida com a mão, e o leite cai dentro de uma gamela colocada em baixo. À medida que a massa é talhada, vai sendo comprimida na fôrma, nova porção é acrescentada, continuando-se a espremê-la até que a fôrma fique cheia de uma massa totalmente compacta. Cobre-se de sal a parte superior do queijo, e assim ele é deixado até a noite, quando então é virado ao contrário, pulverizando-se também de sal a parte agora exposta.”

Alguns anos antes, um dos pintores oficiais da família real portuguesa, Jean-Baptiste Debret (1768-1848), já havia relatado que os brasileiros costumavam comer após as refeições um produto que ele nunca havia visto e que era conhecido como queijo-de-minas.

Tradição
Ao contrário do que muitos consumidores brasileiros pensam, nem todo queijo minas representa a tradição secular do alimento. Nas regiões sul e sudeste, o queijo frescal, esbranquiçado e úmido, é muitas vezes vendido e confundido com o tradicional queijo minas artesanal. (na foto acima, de Tiago Geisler, o famoso Queijo do Serro, da cidade do Serro MG)

A principal diferença entre o queijo frescal e o queijo minas artesanal é a produção com leite cru não pasteurizado, exatamente como ordenhado da vaca e sem adição de nenhum componente. Outro processo que distingue o queijo minas artesanal é o processo de cura, que pode durar de quatro a vinte dias. Essa maturação dá ao produto um sabor mais pronunciado e uma massa mais firme e seca.

Porém, os produtores afirmam que a diferença do queijo minas tradicional vai além desses processos. Segundo muitos deles, o sabor e a textura do produto também são influenciados pela temperatura e clima das serras mineiras, pelo pasto e alimentação adequada dos animais, pela maneira como o queijo é trabalhado manualmente e pelo conhecimento acumulado ao longo de anos de produção familiar e caseira.

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Reportagem de Alencar Lucas - Revista Globo Rural

Ilustrações nossas. Link original:https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Cultura/noticia/2015/07/tradicao-do-queijo-minas-artesanal.html

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Bolo de Mandioca Cremoso

Ingredientes
1 kg de mandioca sem casca picado ou ralado
4 ovos
100 g de coco ralado em flocos

50 gramas de queijo Minas meia cura ralado
2 colheres de manteiga
2 xícaras de açúcar
2 copos americanos de leite

1 saquinho de fermento biológico seco
Modo de preparo
Coloque no liquidificador a mandioca, os ovos, a manteiga  e o leite e bata até que fique uma massa homogênea.

Após estar bem batida, despeje a massa numa vasilha e misture o queijo, coco e o açúcar e mexa bem. 
Em seguida coloque o coco, o fermento e o açúcar, mexendo novamente.
Agora é só despejar a massa num tabuleiro untado com manteiga e assar a 200 graus, até dourar.

domingo, 8 de julho de 2018

Calçamento com pés de moleque: a origem do nome.

As ruas de nossas cidades antigamente eram calçadas com pedras brutas. Esse calçamento recebeu o nome de "Pé de Moleque". Costumamos falar em ruas de pés de moleque sem ao menos saber o porquê desse nome. Agora vocês vão saber. 

Esse tipo de calçamento era comum na Europa nos tempos antigos e foi introduzido pelos Portugueses no tempo do Brasil Colônia. As pedras vinham de Portugal, de navio e as ruas das cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Paraty, Salvador, Porto Seguro, Santos, etc., receberam esse tipo de pavimentação. Chegavam em navios e eram levadas paras seus destinos em carros de bois.

O ouro de Minas Gerais seguia para o porto de Paraty/RJ em carruagens, mulas, burros e em sua maioria, em carros de bois. Deixavam o ouro e traziam pedras para calçamento, na volta. As ruas de Paraty/RJ foram quase todas calçadas com essas pedras vindas de Portugal.

Como as cidades mineiras eram muito distantes para transportar tantas pedras, optaram por calçar as ruas com as pedras existentes  nas regiões próximas às vilas, que existiam em abundância, em beiras de rios, por exemplo. Na região de Ouro Preto, a pedra sabão era a mais comum e foi a mais usada nos calçamentos das ruas da cidade. O corte das pedras era totalmente rústico, feito a base da picareta, pelos escravos e em boa parte, nem eram cortadas, eram colocadas nas ruas da forma que eram retiradas.

Com o aumento da exploração do ouro nas Minas Gerais, o fluxo de cavalos, carroças e carruagens aumentava a cada dia. As pequenas vilas que existiam não tinham ruas e sim caminhos abertos pela caminhada das pessoas e pelas rodas das carroças e carros de bois. Com o crescimento das vilas, bem como a transformações destas em cidades, surgiu à necessidade da abertura de ruas  mais largas que os caminhos existentes. E os escravos foram largamente usados para abrirem ruas e calçarem as mesmas. Era no braço, na picareta, enxada e pás. As pedras vinham de pedreiras e rios, trazidas em carros de bois.

A partir de 1760, a melhora das vias públicas se fez necessário, porque com o fluxo de pessoas e animais constantes, o transporte de mercadorias era prejudicado por atoleiros, buracos e poeira, prejudicando a todos. E para solucionar esse problema, as cidades começaram a receber calçamento, que com o tempo passaram a chamar de pés de moleque, nas suas ruas lamacentas e poeirentas.

O calçamento era necessário para evitar que as tropas com suas carroças, mulas e cavalos abarrotadas de ouro, diamantes, café e gêneros alimentícios, atolassem em dias de chuva ou levantassem poeira, em dias de estiagem, o que incomodava os moradores dos casarões e pedestres.

Os trabalhos de calçamentos eram orientados por mestres pedreiros e executados pelos escravos e também por presos das cadeias próximas, que eram obrigados a trabalhar de graça, sobre forte vigilância e acorrentados pelos pés. Eles preparavam a rua na enxada e iam postando pedra por pedra, uma ao lado da outra. 

Os filhos desses escravos, que eram costumeiramente chamados de "moleques" iam em seguida esparramando terra arenosa e acertando as pedras com os pés. Não eram pedras uniformes e nem certinhas, mas o calçamento ficava bom, evitava o barro nos tempos de chuva e poeira na estiagem. 

É por isso que esse tipo de calçamento se chama "Pé de moleque" embora muita gente diga que o nome é porque essas pedras lembram muito a cor do famoso doce de amendoim que conhecemos, o pé de moleque. Mas ao meu entender, o surgimento desse doce é bem posterior ao surgimento do nome desse tipo de calçamento, portanto, não faz sentido associar a pedra ao doce, até porque moleque, sempre era usado para chamar os filhos dos escravos. 
No final do século XIX, já no fim do Brasil Imperial, as cidades começaram uma era de modernização e urbanização que acompanhava o desenvolvimento das cidades Europeias, buscando melhorar a vida de seus habitantes. 

Com essa visão de modernizar as cidades, os calçamentos em pés de moleques começaram a ser retirados e colocados no lugar paralelepípedos, que são pedras bem trabalhadas, mais certinhas, que evitavam os constantes tropeços que o calçamento em pés de moleques causava e por dar um visual mais bonito às ruas, já que eram lisas e uniformes.

E assim foi na maioria das cidades históricas mineiras e do Brasil também. Poucas ruas de nossas cidades históricas mantiveram o calçamento original, sendo substituídas pelos paralelepípedos do final do século XIX.

Nas duas fotos acima você percebe bem a diferença nos tipos de calçamentos. A primeira, em Tiradentes MG de autoria de César Reis, calçamento original, com os famosos pés de moleque. Na segunda, uma Rua em Ouro Preto MG de minha autoria, já com os paralelepípedos. (Reportagem de Arnaldo Silva)

A Represa da Ponte Preta

A Represa da Ponte Preta é um atrativo turístico da cidade de Santos Dumont, na Zona da Mata Mineira.
Localização
Localizada no bairro Ponte Preta, a represa destaca-se como uma opção para o lazer, possibilitando a seus frequentadores realizar várias atividades como caminhada, pesca e acampamento, por exemplo. De setembro a janeiro, a represa encontra-se vazia, porém ainda é possível atividades de lazer no local, como campings, eventos como “Off Road”, etc.[4] A represa é formada pelas águas do Rio Pinho. Dos dois lados há estradas de chão que leva a outros distritos, como Conceição do Formoso, São João da Serra e até mesmo a outro município, como Aracitaba.
Dimensões
A represa possui 18 Km de extensão e chega até 20m de profundidade, e em alguns trechos chega até 300m de largura.
Fauna e Vegetação
Segundo alguns moradores locais, a fauna é caracterizada por variadas espécies, como: paca, marreco, pato, preguiça, garça, entre outras. A vegetação circundante é formada por mata ciliar nativa e encontram-se vestígios da mata Atlântica até a barragem.
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(Fonte das informações: Wikipédia - Fotografias de Marcos Lamas)

sábado, 7 de julho de 2018

O Pior Buteco do Mundo

Casa Branca, um charmoso distrito de Brumadinho MG, distante 60 km de Belo Horizonte.  Casa Branca é um charmoso distrito, rodeado por belas paisagens com montanhas e cachoeiras convidativas. O visitante tem como opção diversas pousadas e restaurantes de primeira e pode ainda contemplar o casario colonial do distrito, bem preservado. 
Mas em Casa Branca o visitante encontrar um local pitoresco, muito interessante boteco, que na placa é escrito com "u". É  O Pior Buteco do Mundo" e de quebra, neste boteco, tem em promoção a pior cachaça do mundo. Baratinha, apenas 10 reais. Coisas que você só vai conhecer mesmo em Minas Gerais. 

Se te convidarem para ir no pior boteco do mundo e ainda tomar a pior cachaça do mundo, ficaria no mínimo curioso. Você iria?

Nesse boteco de Casa Branca pode ir sim. O ambiente é ótimo. Tudo limpo, simples e bem organizado, que lembra muito aquelas vendas antigas. Tem cerveja gelada, tira gosto, um sonzinho ambiente gostoso, com músicas daquele tempo bom da boa música e até biscoitos e balas para vender.

É dirigido pelo Senhor Flávio, que não esconde de ninguém sua grande paixão, o América Futebol Clube, cuja bandeira está estampada no balcão do boteco, com orgulho. 

Todos que vão lá são conhecidos do Senhor Flávio ou clientes que frequentam o boteco e levam amigos que lá vão atraídos pelo nome ou mesmo turistas que vão ao distrito para passear e ficam curiosos em conhecer o "Pior Buteco do Mundo" justamente pra saber se é o pior mesmo. E gostam! Além disso, saem de lá com a impressão que entraram no melhor boteco do mundo e não o contrário.

O  bar é bem decorado, com pôsteres diversos, principalmente de bandas como os Beatles e outras bandas famosas, além de objetos decorativos.
Quem quiser conhecer o Pior Buteco do Mundo, fica na Praça de Casa Branca Brumadinho, MG. Telefone: (31) 3535-3535 
(Por Arnaldo Silva - Fotografias de Eliane Torino

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O poder da fé e o Santo do Pau Ôco

Genaro morava com a mulher e um casal de filhos numa choupana na sua pequena gleba de terra, na vertente um pouco acima da nascente do rio. Como as terras de cabeceiras são incultas e pouco produtivas seus rendimentos eram insatisfatórios, ele complementava seu orçamento doméstico com sua arte, fabricando pequenos objetos de adorno e utensílios domésticos em madeira trabalhada. Vendidos na cidade mais próxima a sua propriedade. Cidade pequena, não conseguia faturar muito, mas dava para levar a vida sem grandes apertos. Seu filho Zequinha conduzia na garupa do pangaré sua irmã Sofia, um pouco mais nova que ele, até uma escola rural, na fazendo de seu Libório distante a dez quilômetros, onde ambos estudavam. 

Os pais até que gostariam que os filhos seguissem os estudos cursando uma escola superior, sonho que estava fora de cogitação devido os parcos recursos financeiros. Zequinha saiu bem ao pai e demonstrava um grande talento. Seu pai trabalhava na margem do rio a um quilometro distante do sitio onde havia abundância de madeira de lei apropriada para sua arte e cedida gentilmente pelo Médico dono da propriedade que adorava Genaro e seus filhos. Admirador que era também de sua arte.

Na sombra de um centenário ingazeiro debruçado no barranco do rio acompanhado pelo filho, Genaro realizava com arte seus trabalhos. Em pouco tempo com sua habilidade Zequinha já superava os trabalhos do pai em perfeição. Certo dia ele apanhou a sobra de um tronco que seu pai descartou devido ser de madeira oca. E começou a entalhar uma peça. O pai logo indagou sua intenção com aquele tronco imprestável e oco: - vou fazer um santo deste pau! Respondeu o garoto. 
–Deixe de enrolar menino vamos cuidar de nossas gamelas temos bastantes encomendas e não devemos perder tempo, este tronco nada vale. 

Zequinha não deu ouvido ao pai e continuou, observando que filho levava jeito ele o deixou com seu trabalho sem maiores aperreios. Dentro de um curtíssimo tempo uma bela peça estava esculpida. Orgulhoso o pai pergunta:
- e então Zequinha que santo é este? 
-Há digamos que seja o tal Santo do pau oco! 
-Rindo o pai o abraçou encantado com esperteza do filho. 

Nesse ínterim o doutor dono das terras que passava por lá cavalgando ficou admirado com arte do garoto dizendo: 
- olha seu Genaro o talento de seu filho não deve ser desperdiçado aqui neste sertão, o senhor vai me confiar seu filho para levá-lo para a capital e colocar numa escola de arte. Prometo que farei dele um grande escultor, pagarei todas as despesas, será meu presente para sua família! 
–Bão dotô de minha parte acho inté a coisa mais mió do mundo, mais a palavra finar é da Mariinha minha muié caso ela num ponha bistácuro o sinhô leva Zequinha. A mãe ficou mexida com a proposta imaginou mil coisas, mas acabou concordando.

Zéquinha foi pra capital sempre que o doutor voltava à fazenda o levava com ele. O tempo foi passando e o menino cada vez mais habilidoso e perfeito na sua arte. Os anos passaram e suas obras as vendidas e procuradas nas feiras de arte. 

Quando completou seus vinte anos já havia construído uma bela casa para os pais, e tinha seu carro para visitá-los quando quisessem. 

Numa de suas estadias na casa dos pais se lembrou de resgatar o santo que havia esculpido do pau oco, afinal foi graças a ele que sua vida melhorou, despertando no doutor o desejo de fazer dele o grande artista, a esta altura já perseguido pela a fama. 

Foi até o local, e voltou frustrado. Uma grande enchente havia levado rio abaixo sua escultura. Voltou pra cidade grande e continuou seu trabalho, viajando mundo afora expondo suas obras.

De repente o destino lhe pregou uma peça, o pai amanheceu completamente cego. Levaram-no aos melhores especialistas, até para o exterior e nada conseguiram de positivo. Pobre Genaro, ainda bem que a situação econômica estava melhor graças ao Zequinha. 

Passaram-se os anos, Zequinha e Sofia casados morando na capital, Genaro e Mariinha se mudaram para cidade, embora deficiente visual estivesse feliz, moravam numa casa confortável. Tinha o carinho de sua amada, a velha Mariinha, e aos fins de semana vinham os filhos da capital curtir o conforto no sitio, com sua piscina e tudo que a vida lhes dera de presente.

Certa ocasião, Zequinha foi convidado a expor suas obras numa cidade a trezentos quilômetros abaixo daquele paraíso onde nascia o rio de sua infância. Tal cidade atraía milhares de pessoas à busca de cura. A rede hoteleira já havia sido ampliada para atender a demanda, causada pelo fenômeno que ocorria.

Em sua visita Zequinha tomou conhecimento da dimensão, em que tornara aquela estância interiorana. Segundo afirmavam a água de uma pequena fonte que despencavam de uma imagem engastalhada entre as pedras no desvio de uma pequena cocheira no rio tinha um inexplicável poder de cura. A cidade ribeirinha ganhou fama e sua população testemunhava os mais fantásticos milagres. No encerramento da exposição, os compromissos não permitiram Zequinha visitar o local do santo milagroso. Voltou a sua rotina normal em seu cotidiano com suas viagens. Por ocasião de seu descanso no sitio ficou surpreso quando o pai lhe revelou que tivera um sonho com uma cidade ribeirinha daquele pequeno curso que ali iniciava, e que iria se curar quando lavasse seus olhos na água que despencava do corpo de uma imagem.

Zequinha mexido com a história do sonho, nada disse ao pai.
- Seria uma grande coincidência ou um milagre estava prestes acontecer? 
- Imaginou ele lá com os seus botões. 
O melhor mesmo seria tentar afinal não havia mais a perder o pai já sem a menor chance de se recuperar clinicamente, só mesmo um milagre o poderia curar. Na manhã seguinte quando sol raiou muitos quilômetros pai filho já haviam rodado, em busca da água milagrosa. Antes do meio dia Genaro já era guiado por Zequinha na fila que subia a passarela que conduzia os fieis aos pés da imagem. 

Segurando o pai pelas costas orientou a ele que com as mãos encurvadas no formato de conchas apanhasse a água lavando-a aos olhos. O velho respondeu 
- não se preocupe, fiz isso no meu sonho e apanhando água lavou os olhos. E entre gritos e vivas dava louvores a Deus dizendo 
– estou curado estou curado! 
 Encurvando-se para tocar na imagem disse num tom de voz suave para que ninguém ouvisse 
– Zequinha o milagre é real e fantástico, mas o santo é aquele do pau oco que ocê fez debaixo do ingazeiro e a enchente carregou pra cá; e agora... A gente conta ou não conta?
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Escrito por Geraldinho do Engenho, comerciante e escritor no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
Imagem acima ilustrativa. Peças do Mestre Aleijadinho em madeira de Cedro, exposta no Museu da Inconfidência em Ouro Preto MG

quarta-feira, 4 de julho de 2018

A Igreja de São Francisco de Paula em Ouro Preto

É a igreja mais pobre em detalhes de Ouro Preto. (fotografia acima de Fabinho Augusto) Sua construção iniciou-se no ano de 1804, sendo a última erguida no período Colonial, em plena decadência do ouro. Por isso o contraste em termos de riquezas nos detalhes, em comparação com as outras igrejas de Ouro Preto, erguidas no auge do Ciclo do Ouro. Devido a falta de recursos, sua conclusão foi longa, terminada em 1898. Foram 94 anos para ser concluída.
O projeto da igreja é de autoria do Sargento-mor, Francisco Machado da Cruz e seu estilo arquitetônico foi fiel ao Barroco mineiro e ao Rococó, estilos predominantes na arquitetura mineira do período colonial. Mesmo com o fim do período colonial, com a independência do Brasil em 1822, o projeto original da Igreja não foi alterado e concluído conforme o original. (por ter sido construído no local mais alto da cidade, é vista em todos os ângulos da parte histórica de Ouro Preto como podemos vê-la à direita, na foto acima  de Arnaldo Silva)
A igreja foi construída onde era a antiga Ermida de Nossa Senhora da Piedade que foi doada à Irmandade da Ordem Terceira que tinham como patrono, São Francisco de Paula. Nessa capela foi colocada uma imagem de São Francisco de Paula talhada pelo Mestre Aleijadinho.  (na foto acima, podemos ver o interior da Igreja de São Francisco de Paula. Imagem de autoria de Cláudio Tebaldi/via Flikr) Por ser pequena e com o aumento do número de fiéis, a Irmandade viu a necessidade de construir uma igreja maior. No lugar da pequena Ermida, foi erguida a Igreja dedicada ao patrono da Ordem, São Francisco de Paula. As relíquias da pequena Ermida, como a imagem de São Francisco de Paula, foram transferidas para a nova igreja, sendo retiradas e transferidas para o Museu da Inconfidência, atualmente. Ao lado da igreja, foi construído um cemitério para os membros da Irmandade, já que a partir de 1810, a Igreja Católica proibiu sepultamentos dentro dos tempos, prática comum na época.
Quatro estátuas dos evangelistas, João, Marcos, Lucas e Matheus em louça importadas do Porto, em Portugal, ornamentavam a mureta da escadaria de acesso ao templo, se destacando na paisagem em torno da igreja, mas como a imagem do padroeiro, também foi retirada (como podemos ver na foto acima, de Arnaldo Silva). O motivo, creio eu, por segurança, para evitar depredação ou furtos,  já que a igreja fica num local mais afastado, isolado, rodeado por mata nativa, com pouca iluminação, o que motivaria e facilitaria a ação de marginais.
Apesar de não ser uma igreja rica em detalhes, tanto no exterior quanto no seu interior, foi construída num local privilegiado, o Morro da Piedade que é uma área montanhosa de Ouro Preto. Isso faz a igreja se destacar, sendo vista  em todos os ângulos da cidade. Fica a alguns metros da Rodoviária, sendo então a porta de entrada para os turistas, que quando chegam à cidade, vão direto para o o adro da Igreja, contemplar a vista, já que a a cidade fica completamente à vista. (fotografia acima de Fabinho Augusto e abaixo de Arnaldo Silva)
A igreja de São Francisco de Paula não é aberta a visitação. Abre suas portas somente aos domingos, as 10 horas, quanto são realizadas missas. (Por Arnaldo Silva)