sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Conheça a Vila de Macacos

Vila de Macacos. Foto da pousadavilarejoplus.com.br
Um passeio imperdível para quem mora ou vem visitar a capital mineira é a vila de Macacos, também conhecida como São Sebastião das Águas Claras. Localizada em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, a vila é muito visitada por ficar entre rios e belas montanhas e oferecer diversão e tranquilidade ao mesmo tempo.

Diversas histórias justificam o nome Macacos. Segundo funcionários do departamento de turismo de Nova Lima, “os bandeirantes portugueses chamavam de macacos os contrabandistas de ouro que usavam as trilhas da região para contrabandear o metal, com isso, a região ficou conhecida como região dos Macacos”.

Em 1718, foi construída a capela de São Sebastião para os moradores do local e era utilizada para as festas religiosas do lugar. A igreja foi reformada em 1801 e, depois, passou por outros reparos, sendo restaurada recentemente.
Macacos (foto acima da Capela de São Sebastião de Jusviajante.com.br)foi povoada a partir do século XVIII, com a descoberta de riquezas no lugar. O ouro era uma delas, mas sua extração só durou até metade do século XIX, quando o metal foi se extinguindo. Depois a agricultura e o comércio foram rendendo lucros para a vila. (foto abaixo de Guido Berkholz)
 Após essa fase, Macacos foi sendo explorada por atrair o público para o turismo e para a gastronomia, com a diversidade de pousadas, restaurantes e cachoeiras. Um exemplo é a cachoeira de Macacos, formada por um salto único de aproximadamente 2 metros de altura.

São Sebastião das Águas Claras tem suas qualidades e se difere de todos os outros locais de Nova Lima por preservar até hoje algumas construções da época colonial.

Como chegar
De carro: Pela Av. Nossa Senhora do Carmo - BR 040 sentido Rio de Janeiro. Entrar à direita, logo após a placa que indica a Mineração MBR, km 25.
De Ônibus: Ônibus 3915 - São Sebastião das Águas Claras
Fonte da matéria, exceto fotos:http://www.belohorizonte.mg.gov.br/node/33089

As belezas de Lavras Novas

Rua de Lavras Novas. Fotografia de Amarília Amaral Renan
Uma cidadezinha típica de Minas com vilarejos, ruas de pedra e cachoeiras convidativas para um contato mais próximo com a natureza. Assim é Lavras Novas. Localizada a apenas 117 km de Belo Horizonte e a 17 km de Ouro Preto, município ao qual pertence, a cidade oferece condições ideais para quem quer descansar, passear e também praticar esportes radicais.
Loja de artesanato de Lavras Novas. Fotografia de Fabinho Augusto. Foto abaixo também.
Com pouco mais de 1.500 habitantes, a beleza e tranquilidade do município atraem turistas do mundo inteiro. 
A sensação de quem visita Lavras Novas é de voltar no tempo e encontrar um lugar onde muitas casas ainda preservam detalhes do século XVII, um cenário bem diferente das grandes cidades.
O vilarejo foi descoberto pela família Cubas de Mendonça e foi nomeada Lavras Novas pelo Coronel Furtado. 
A partir do século XIX, a vila começou a tomar o rumo da modernidade. Na época, a população, com cerca de 500 pessoas, começou a produzir e vender cestas e balaios de taquara, um tipo de grama com caule oco encontrado na região. Dessa forma, começou a surgir o sustento da cidade.A partir de 1970, Lavras Novas passou a contar com o fornecimento de energia elétrica. Com isso, os moradores tiveram acesso a informações vindas de outros lugares, passaram a valorizar as riquezas existentes na região e todos se uniram para preservar e promover a cidade. Começaram a fazer investimentos em hospedagem, áreas de camping, bares e restaurantes.

Cachoeiras e esportes radicais

Cachoeira do Cibrão em Lavras Novas. Fotografia de Alberto Andrich
Com a valorização turística, Lavras Novas passou a ser conhecida pelas montanhas que preserva belas cachoeiras e becos naturais, lugar propício para a prática de esportes como o rapel e o trekking. Quem vai à cidade, conta com o auxílio de guias nos passeios a pé ou a cavalo.
Os lugares mais procurados são as Cachoeiras do Pocinho, do Falcão, Três Pingos e a dos Namorados. Além da represa do Custódio e o Vilarejo Chapada.
Vista parcial do distrito. Fotografia de Sérgio Mourão
Festas
Os visitantes também podem participar das festas religiosas que acontecem na cidade. Em janeiro, a população prepara a Folia de Reis e a Marujada. Na Semana Santa, são celebrados cultos da quinta e sexta-feira da paixão. Em junho e julho, as comemorações ficam por conta das festas junina e julina. Em setembro, sempre no dia 8, as festas de Nossa Senhora dos Prazeres e do Divino reúnem centenas de devotos na praça principal.

Fonte das Informações: Secretaria de Turismo da Prefeitura de Belo Horizonte

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Luar: paixão de um sertanejo

Correndo no infinito azul do céu vai ela
Entre brancas nuvens vagando ao leu como vela
Como escudeira da terra segue a lua companheira fiel
Prateando os vales e serras e levando são Jorge em seu corcel

A magia que o sertanejo cultua é seu legado de inspiração
Enquanto no braço de sua viola ele canta com emoção
Inspirado ele dedilha em sua triste prosa as angustias de outrora
Sabe Deus por qual motivo ele chora lamentando sua historia

Como está seu pobre coração quão arrasado ficou
Perdido de amor por alguém que se foi e não voltou
Partiu sem dizer um adeus, se quer até logo falou

Dos momentos que passou em teus braços, restou mera lembrança
Rolando pedras lapidando a vida,os murmúrios de uma bela cascata
Como herança ficou: o luar e o sereno refletindo,e gotejando na mata...!

Por Geraldinho do Engenho
Escritor, poeta e comerciante no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
Imagem ilustrativa. Lua em Pitangui MG. Foto de Nicodemos Rosa 

O troco na vendinha da roça

Às vezes abrindo uma das gavetas no meu arquivo de memórias deparo-me com as lembranças, dos tempos passados, quando as fantasias e os sonhos foram meus aliados na árdua luta tentando driblar as dificuldades da vida, com a esperança em dias melhores. Bate-me uma saudade danada, ponho-me a recordar os fatos pitorescos que povoaram meu cotidiano na vida de roceiro.
La pelos idos anos sessenta apareceu no povoado do Picão, vindo dos confins de Bonfim o tal jaó, nome esse pertencente a um pássaro suro da nossa fauna. Suro quer dizer sem cauda. Na época ninguém recém chegado por ali, estava imune a apelidaria, que permeava as margens da água quente, nome do saudoso córrego que La existia. Com isso logo o jaó cresceu seu rabo e passou a ser chamado de pavão. Parece ter gostado da troca de apelido. Ele era um homem alto e de boa aparência, embora longe de equiparar a plumagem de um pavão, se entusiasmou com sua pose e passou a esnobar grandeza.

Se dizendo economicamente bem situado, cismou em estabelecer com uma tradicional vendinha de roça, daquelas com seu balcão de madeiras, cargas de fumo em cima, mercadorias embaladas em capangas etc. e tal. Sua decisão acabou me Trazendo preocupações, seria ele, para mim um concorrente forte, uma vez que eu dependia da minha venda, para gerir minhas despesas familiares.
Mas o sonho do pavão em voar mais alto durou pouco, ao invés de um concorrente eu quase ganhei mais um cliente. Ele veio até mim querendo saber e o forneceria para a montagem de seu comercio. Procurando, se eu teria La uma carga de fumo velho daqueles perdidos, que o vendesse mais em conta, para iniciar seu negócio. Respondi:

--Olha meu amigo esse pessoal aqui come de tudo, no que se refere à alimentação, mas cachaça e fumo só consomem coisa de primeira qualidade. Se suas pretensões é ser comerciante, melhor procurar um atacadista que te forneça. Você vir recorrer a mim que sou um vendeiro pobre pra te fornecer é com certeza pedir esmola pra dois ao mesmo tempo. Seguido meu conselho ele se estabeleceu.
Uma semana depois indo à cidade, ele deixou a venda a cargo de um vizinho, ao voltar seu funcionário improvisado havia efetuado uma venda de vários itens. Ao prestar contas, o levou até a uma parede da casa, cada figura desenhada significava a pessoa que efetuou a compra e cada risco as mercadorias vendidas.
--Não to entendo nada que você fez porque não escreveu?
--Uai ieu num sei lê nem iscrevê!
-- E porque você não me disse?
-- Ocê num mim priguntô, mandô ieu toma conta e saiu cum pressa!

No mesmo dia a tarde estava ele descarregando as mercadorias em minha casa e afirmando:
Olha vê quanto me da por este estoque não nasci pra ser comerciante de jeito nenhum, eu vendi a cachaça, o resto ninguém quis comprar, fui dar umas balas de troco para um cabra, ele num quis, disse que eu desse a ele uma cheirada de pó de fumo pra cada bala, que toda tarde quando viesse da corta de lenha, ele passaria lá para receber sua cheirada. Vê se pode cheirada de rapé no lugar de troco.

Por Geraldinho do Engenho
Escritor, poeta e comerciante no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
A imagem acima é reprodução de uma foto antiga da Venda da Passagem 1929, povoado de Bom Despacho MG. Por Arnaldo Silva 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Conheça o Inhotim em Brumadinho e veja como chegar:

Créditos da imagem:@castilhosfelipe
A origem do nome Inhotim contada pelos moradores de Brumadinho, é que o lugar, quando ainda era área de mineração tinha como responsável um inglês de nome “Timot”, chamado na linguagem da época de “Nhô Tim” (Senhor Tim). Daí surge o nome Inhotim. O nome foi mantido como parte da história do lugar.
O Instituto Inhotim começou a ser idealizado pelo empresário mineiro Bernardo de Mello Paz a partir de meados da década de 1980.

A propriedade privada se transformou com o tempo, tornando-se um lugar singular, com um dos mais relevantes acervos de arte contemporânea do mundo e uma coleção botânica que reúne espécies raras e de todos os continentes.

Os acervos são mobilizados para o desenvolvimento de atividades educativas e sociais para públicos de faixas etárias distintas.

O Inhotim, uma Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), tem construído ainda diversas áreas de interlocução com a comunidade de seu entorno.

Com atuação multidisciplinar, o Inhotim se consolida, a cada dia, como um agente propulsor do desenvolvimento humano sustentável.

Localização 
Município de Brumadinho (região metropolitana de Belo Horizonte) apenas 60 km da capital

Jardim Botânico 
Em uma área de 100 hectares, o Jardim Botânico conta com cinco lagos ornamentais e diversas coleções botânicas entre as quais se destacam a de Aráceas, uma coleção de orquídeas da espécie Vanda, com 350 indivíduos de diferentes espécies e, ainda, uma das maiores coleções de palmeiras do mundo com mais de 1.400 espécies. Pesquisas e projetos botânicos e paisagísticos são desenvolvidos em parceria com órgãos governamentais e privados.

Como chegar: 
Ônibus:
De terça a sexta-feira, o ônibus com destino ao Inhotim sai da Rodoviária de Belo Horizonte (plataforma F2) às 9h e retorna às 16h30. Nos finais de semana e feriado, o horário de retorno para a capital é às 17h30.
O percurso tem a duração de 1h30.
Informações pelo telefone:
(+ 55 31) 3419 1800 ou (+ 55 31) 3272 8525.
De carro – Acessos:
Acesso pelo km 640 da BR-381 – sentido BH-SP. (aproximadamente 1h15 de viagem).


O Instituto, visitado por milhares de pessoas de todo o mundo, é automaticamente lembrado quando se fala em Brumadinho, município mineiro, que, partindo de BH, é acessado pelas rodovias BR-381, MG-155 e MG-040. Para quem não vai de carro, uma linha de ônibus sai da rodoviária de Belo Horizonte para o Inhotim. São 65 quilômetros de BH até o Instituto. E o caminho não é difícil: é preciso seguir pela rodovia Fernão Dias (BR-381) e, depois de passar pelo trevo para o Triângulo Mineiro, pegar a saída 501, em direção a Mário Campos. Depois de um posto de gasolina, virar à direita e pegar a estrada que leva ao Centro de Brumadinho. 
A partir dali, placas indicam o caminho para o museu.

15 Distritos mineiros que vão fazer você se apaixonar ainda mais por Minas. Parte I

Minas Gerais possui 1.712 distritos, sendo 853 cidades, que são as sedes municipais, mais 859 vilas, que são as sedes distritais.Cada um mais charmoso, pitoresco e lindo que outro. Não dá para postar todos, por isso vocês vão conhecer 15 pitorescos distritos que vão fazer você se encantar mais com Minas Gerais.
1 - Córregos
Fotografia de Ricardo Costa
O povoado de Nossa Senhora Aparecida de Córregos é considerado o mais antigo do município de Conceição do Mato dentro a 170 km de Belo Horizonte. Fundado por bandeirantes em 1702, foi núcleo ativo de mineração, tendo seus primeiros habitantes explorado com sucesso, nos cursos de água locais, tanto o ouro como o diamante, anos mais tarde.Com 432 habitantes (Censo 2010/IBGE), o lugarejo tem experimentado um crescente fluxo de turistas, pois é parte integrante da Estrada Real, projeto do governo de Minas Gerais. A economia é baseada na agropecuária, artesanato, culinária (cachaça, geleia, polpa de frutas, farinha). Apresenta como áreas de lazer o rio Santo Antônio e as festas religiosas com a banda de música de Córregos.(Fonte desta informação:: Livro: Minas Gerais – Monumentos Históricos e Artísticos – Circuito do Diamante.)
2 - Lobo Leite
Fotografia de Wanderley da Silva Almeida
Lobo Leite é um distrito da cidade brasileira de Congonhas, Minas Gerais que inicialmente pertencia a Ouro Preto. Um dos seus marcos é a Igreja de Nossa Senhora da Soledade, que tem um grande significado histórico para a comunidade de Lobo Leite. Em julho de 2009, terminaram as obras de restauração da Igreja que duraram dois anos e meio. Há também um restaurante histórico na região chamado Tia Maria, de tradicional comida mineira.
3 - São José das Três Ilhas
Fotografia de Márcia Valle
São José das Três Ilhas é um distrito de Belmiro Braga, na Zona da Mata Mineira. É um dos patrimônios históricos de Minas. Possui belos casarões datadas do período colonial e sua igreja Matriz foi erguida no século XIX, toda em pedra, sendo herança dos barões do café da região. Nesse estilo, é a única na Zona da Mata.
4 - São Sebastião das Três Orelhas
Fotografia de Fernando Campanella
A história de São Sebastião das Três Orelhas faz parte da história de Gonçalves no Sul de Minas, pois o povoado foi o primeiro núcleo habitacional do futuro município, muito antes da emancipação política e separação de Paraisópolis, cidade a qual Gonçalves pertencia.  Uma das peculiaridades de São Sebastião das Três Orelhas é ter o seu próprio cemitério, onde estão os túmulos das famílias pioneiras. A história do nome do povoado tem várias versões, todas contadas oralmente e cujas origens já se perderam no tempo. A versão tida como verdadeira pelos moradores mais antigos faz referência a uma história local, segundo a qual havia um morador dono de algumas terras que tinha um colono que tirava muita coisa do seu pequeno pedaço de terra. Um dia esse colono abateu três dos seus porcos e separou os pedaços. O dono das terras viu as carnes e propôs ao colono que lhe vendesse as seis orelhas de porco, esse recusou (regateou, como se diz em Minas) e após muita negociação concordou em trocar somente a metade das orelhas por um pedaço de terra. A história das "Três Orelhas" correu e o nome passou a identificar o lugar. Mais tarde foi erguida a capela, dedicada a São Sebastião, a partir daí a capela passou a ser referenciada como a "capela de São Sebastião" das "Três Orelhas". (Fonte desta informação: Site da Prefeitura de Gonçalves - www.goncalves.mg.gov.br)
5 - Piacatuba
 Foto da internet. No momento não identifiquei a autoria, assim que identificada, os créditos serão inseridos.
Piacatuba é um distrito de Leopoldina na Zona da Mata. Em seu território, localiza-se a Usina Hidrelétrica Maurício, construída no rio Novo entre 1906 e 1908. Piacatuba guarda relíquias arquitetônicas do final do século XIX. Organiza anualmente o tradicional Desfile de Charretes e o famoso e tradicional Festival da Viola e Gastronomia.
6 - São José da Serra 
Foto do Barbosa
São José da Serra, distrito de Jaboticatubas, é um povoado aconchegante e agradável de receptividade simples e acolhedora de seus moradores.Localizado a 25 KM do centro de Jaboticatubas, faz parte da APA Morro da Pedreira e reúne belos atrativos de grande valor ecológico. É banhado pelo Rio Jaboticatubas formando várias quedas e poços apropriados para banho. 
(Fonte da informação site jaboticatubas.com.br)
7 - Luminosa 
Fotografia de César Silveira 
Luminosa pertence ao município de Brazópolis. O distrito possui belíssimas paisagens da Serra da Mantiqueira e da Mata Atlântica, além das lindas nascentes d’água que formam belíssimas cachoeiras devido ao seu relevo e abundância de rochas. A cidade Brazópolis está localizada num verdadeiro complexo turístico, a 60 km de Campos do Jordão/SP, 45 km São Bento do Sapucaí/ SP, 49 km de Gonçalves/MG e a 40 km de Maria da Fé/MG. O distrito possui um clima ameno e agradável, com belíssimas montanhas e um céu invejável. Neste local, o turista também poderá encontrar um dos observatórios de astronomia brasileiro. Luminosa possui uma maravilhosa gastronomia, com muitos atrativos naturais exuberantes como cachoeiras, picos e suas pedras propiciando um ambiente favorável para a prática de esportes ao ar livre, como caminhadas, passeios de bike, jeep e cavalgadas.
Texto extraídos do site http://www.guiadoturismobrasil.com/cidade/MG/515/luminosa
8 - Macaia
Fotografia de José Luiz de Freitas 
Macaia é é um pitoresco distrito de Bom Sucesso no Sul de Minas e é banhada pelo lago da Hidrelétrica do Funil, sendo um dos seus principais atrativos.
9 - Mato Grosso 
Antigamente distrito de Alvorada de Minas, Mato Grosso hoje integra o município do Serro, no Alto Jequitinhonha e conta com 1200 habitantes. É um pequeno distrito, formado por oito ruas que se encontram em um ponto comum, onde se localiza a Capela de São Sebastião. O distrito possui ainda algumas casas em estilo colonial simples, mas assim como a Capela, já tiveram algumas de suas principais características modificadas.
Há também em Mato Grosso a capela de Nossa Senhora das Dores, e a religiosidade presente faz convergir para a cidade um grande número de fiéis. Há festas como a do padroeiro e de Nossa Senhora do Rosário, e a mais famosa é a que se realiza na capela de Nossa Senhora das Dores, com elevado fluxo de romeiros que, durante duas semanas de jubileu no mês de julho, ocupam as dezenas de casinhas localizadas próximas à igreja.
 
Fotografia de F. Weber. 
Fonte do texto:http://www.turismosolidario.com.br/interna.php?area=4&municipio=24
10 - Monte Verde
Fotografia de Ricardo Cozzo
Monte Verde é distrito da cidade de Camanducaia e está no Sul de Minas. Um dos lugares mais procurados do Brasil para turismo, principalmente na época do frio quando os termômetros baixam de 0 grau no inverno. O povoado de pouco mais de 5 mil habitantes, chega a receber mais de 50 mil turistas no inverno em busca do romantismo e charme que a arquitetura européia oferece, bem como seus chocolates, cervejas artesanais e sua gastronomia especial, valorizando a culinária mineira. Com seus 1554 metros de altitude, Monte Verde está no ponto mais alto de Minas Gerais e a segunda cidade mais alta do Brasil, perdendo apenas para a vizinha Campos do Jordão que está 1620 metros de altitude.
11 - Milho Verde
Fotografia de Karle Ray (Pitiruas)
Milho Verde é distrito da cidade do Serro.Situa-se na região do Alto Jequitinhonha, próxima à nascente deste rio. sua população no ano de 2010 era de 1 275 habitantes, sendo 655 homens e 620 mulheres, possuindo um total de 548 domicílios particulares. Foi criado pela lei provincial nº 830, de 11 de Julho de 1857. Originou-se da lavra de minerais preciosos de Manuel Rodrigues Milho Verde, natural da Província do Minho, em Portugal, e abrigou um posto de fiscalização da entrada e saída no Distrito Diamantino. De aspecto e modo de vida tradicionais, com casario e igrejas antigas cercados de montanhas de pedra e cachoeiras da Serra do Espinhaço, e afastada da velocidade e tecnologia do mundo moderno, Milho Verde veio a se tornar um dos cartões-postais de Minas Gerais, sendo muito visada pela atividade turística e atraindo um grande número de novos moradores, com impactos diversos para a população local. Distante poucos quilômetros de Diamantina, integra roteiros turísticos de cunho histórico, cultural e ecológico, tais como o da Estrada Real. (Fonte Wikipédia).
12 - Santana do Alfié
Fotografia de Duprata.com
Santana de Alfié é um pitoresco distrito de São Domingos do Prata. Começou a ser povoado a partir de 1730. A Igreja Matriz começou a ser construída em 1790. O distrito guarda relíquias históricas desde o século XVIII.  O nome "Alfié", segundo acreditam, veio do ouro que era extraído no local onde os compradores que lá iam, pediam "ouro fiel", em referência ao ouro de qualidade que ali se extraía. Sempre que queria comprar ouro, falavam "ao fiel" e como mineiro gosta de diminuir e na época, a palavra fiel era pronunciada como "fié", ao invés de falarem "ao fiel" falavam no mais puro mineirês mesmo, "alfié". Assim pegou e assim ficou até hoje. O distrito está a 49 km da sede do município e faz divisa com as cidades de Jaguaraçu, Marliéria, Dionísio e Nova Era.
13 - Lavras Novas 
Fotografia de Paulo Carvalho (Paura) 
Lavras Novas é um distrito de Ouro Preto, dista 19 km da sede. O distrito data de aproximadamente 1716 e sua comunidade é de maioria negra, cercado por esplêndidas paisagens de montanha. Iniciando na década de 1990, foi descoberta por turistas, que procuram o local em busca da cultura local, da paz, da natureza e da aventura. A população chega a sextuplicar durante feriados. Antes disso, foi cenário de um conto de Bernardo Guimarães, "A Garganta do Inferno" (1871).
As atrações naturais ainda são mal sinalizadas e algumas oferecem perigo, como a cachoeira do Rapel. Com mais de 200 metros de queda - contando todos os seus degraus - não é recomendada para turistas inexperientes. Mesmo assim é possível chegar perto da queda, passando por outra atração: os pocinhos. São ideais para um refrescante banho.
Tem mais: cachoeira dos Namorados, cachoeira Três Pingos, represa do Custódio… A mais bela cachoeira, cabeceira da represa, leva o nome da padroeira do local, Nossa Senhora dos Prazeres. O acesso é demorado, o carro vai até certo ponto. Depois são mais ou menos quarenta minutos de caminhada. Contudo o sacrifício é recompensado pela força da queda. Uma chuva fina, formada pelo bater ruidoso das águas, refresca o cansaço. (Wikipedia)

14 - Bichinho
  Fotografia de Kiko Neto
Vitoriano Veloso, também conhecido como Bichinho, é um povoado rural de Prados. Está situado a cerca de 9 km do centro da cidade.
Bichinho é bastante conhecido por sua importância histórica, sendo que o povoamento do lugar teve início com a procura de ouro no decorrer do século XVIII. Neste período surgiram as primeiras construções, muitas das quais ainda existem e conservam o estilo arquitetônico original. A Igreja Nossa Senhora da Penha, cujas obras tiveram início em 1732 e término em 1771, configura-se como um dos principais atrativos. O artesanato de móveis, telas, bordados, crochês, tapetes, esculturas e adornos também é bastante presente. (foto de Kiko Neto)
Fotografia de Kiko Neto
O nome do povoado é uma homenagem a Vitoriano Gonçalves Veloso, negro que nasceu e viveu na região e trabalhava como alfaiate após ser um escravo alforriado, tendo sido um dos participantes da Inconfidência Mineira. Inicialmente a área da localidade pertencia ao município de Tiradentes, porém em 1938 teve seu território anexado a Prados. Faz parte do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e recebe um dos trechos da Estrada Real. (Fonte desta informação Wikipédia)
15 - Ipoema
Fotografia de Sérgio Mourão/Encantos de Minas
Ipoema é um distrito de Itabira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população no ano de 2010 era de 2 746 habitantes, sendo 1 374 homens e 1 372 mulheres, possuindo um total de 1 331 domicílios particulares
Foi criado pela lei municipal nº 26, de 23 de maio de 1894, então com o nome de Aliança. Pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, passou a ter sua denominação atual.
Fotografia de Marley Mello
Ipoema é procurada por suas belezas naturais, principalmente por suas cachoeiras (Cachoeira Alta, Cachoeira Boa Vista, Cachoeira Patrocínio Amaro), mas também tem como destaque o Museu do Tropeiro, que desde 2 de abril de 2003 reúne cerca de 700 objetos relativos aos tropeiros e realiza exposições temáticas.

Quem quiser conhecer todos os distritos mineiros, segue o link da relação com todos os 1712 distritos e vilas de Minas Gerais. Essa é a relação oficial:http://www.iga.br/js/source/distritos_mg.pdf
AVISO LEGAL:Este conteúdo pode ser publicado livremente, no todo ou em parte, em qualquer mídia, eletrônica ou impressa, desde que contenha um link remetendo para o site www.conhecaminas.com

Alma penada



Jardineira estacionada no Centro de Bom Despacho. Milhares de bom-despachenses viajaram pelas estradas 
de Bom Despacho nessa velha jardineira. (fotografia do arquivo pessoal de Arnaldo Silva)
Nos idos do século passado pela década de cinqüenta, a viajem do Engenho a Bom Despacho levava cerca de hora e meia a duas horas, na famosa jardineira. Isso se as condições do tempo permitissem. Em dias chuvosos era uma verdadeira maratona o veiculo atolando nos lamaçais e crateras provocadas pela erosão, em estradas cortadas por carros de boi.

Tanto a medicina como os demais seguimentos sociais engatinhavam ao meio dos amarfanhados e tortuosos caminhos do primitivismo. Uma simples cirurgia de apendicite era motivo de temor causando pânico e comentários negativos. De fato houve alguns insucessos que levaram a morte muitas pessoas, não por culpa dos médicos, mas, por falta de conhecimentos da própria população que na maioria dos casos procuravam o médico já quando não havia mais nada a se fazer. 


Acometida por uma crise aguda, minha mãe teve que se submeter a uma operação, como dizia o linguajar da época. Sua irmã mais velha, minha tia, uma mulher de fibra a acompanhou durante o período de convalescência. Esta tia e eu, permanecemos por três semanas hospedamos em uma casa mantida na cidade por meu avô, para estas ocasiões. Enquanto isso minhas três irmãs e dois irmãos abaixo de mim ficaram na casa da tia sendo cuidados pelas primas que já eram adultas.

Bom Despacho na época era uma pequena cidade com características de aldeia sem nenhuma poluição sonora. Aonde reinava paz e tranquilidade, lembro-me dos embrulhos de pães nas janelas das residências deixados pelos padeiros que faziam as entregas em domicílios pelas madrugadas, muitos moradores mantinham pregos nas janelas na maioria de madeira, onde os embrulhos amarrados de cordão eram dependurados. 

O ranger de rodas das carroças e o canto dolente dos carros de boi abastecendo as residências de lenha a ser consumida pelos seus fogões, faziam parte da musicalidade do ambiente misturando-se com os gritos dos: jornaleiros, verdureiros, leiteiros e outros tantos similares que propagavam seus produtos pelas ruas, em sua maioria crianças como eu que na época tinha entre oito e nove anos de idade. Um cenário sadio e acolhedor nem mesmo a palavra droga era conhecida.

Após uma temporada internada na Santa Casa mamãe teve alta e retornamos ao Engenho. Encontramos minhas irmãs e as primas, apavoradas. Por três noites seguidas elas ouviram uma voz de mulher no entorno da casa tentando pronunciar uma oração ao mesmo tempo em que se lamentava e chorava em seguida.
Contou ao tio, ele zombou dizendo que deveria ser os gatos que estavam namorando durante a noite. Na noite seguinte enquanto todos dormiam foi à vez dele ouvir os lamentos implorando perdão.
Assim que minha mãe tomou conhecimento do fato, disse logo a tia saber de quem se tratava. Era uma idosa que havia falecido fazia pouco tempo. Em vida tivera ela, língua solta e comentava sempre a moral da vida alheia. Falou coisas absurdas e infundadas da tia, injustamente.

-Você deve perdoá-la porque com certeza é ela, e está precisando do seu perdão, assim afirmou minha mãe. – Que nada; isso é impressão das meninas e de meu marido, deve ser medo, apenas isso.

A noite seguinte em sua residência, todos dormindo menos ela. Lá pelas tantas já de madrugada começou no entorno da casa os lamentos e pedidos de perdão se misturando com oração e choro. Eis que De repente a voz já dentro da sala rezava e pedia perdão. 

De seu quarto a tia com muita coragem perguntou se era tal pessoa, ela respondeu que sim e que precisava de perdão. -Pode ir em paz você! Embora eu não saiba do que se trata, mas, tem o meu perdão e vá para onde Deus determinar. E assim a claridade morteira azulada que segundo a tia alumiava toda a residência deu lugar à escuridão silenciando o ambiente.

No dia seguinte era domingo dia de missa na comunidade, após a missa como de costume, reunida com os irmãos, na casa de minha avó materna a tia comentou o fato ocorrido. Meu tio um adolescente de quinze anos meio rebelde perguntou: - e você perdoou esta linguaruda? –Perdoei sim não é isso que Jesus ensinou? Ah eu não a perdoaria, quando se está viva fica por ai com uma língua de metro e meio falando o que não deve levantando falso nos outros, agora que se queime no quinto dos infernos! Minha avó ao ouvir o repreendeu:- filho...! Filho, bate na boca não fale assim!- Que nada esta língua de trapo tem mesmo é que se queimar nos infernos!

A casa de vovó era muito simples, apertadinha, tinha uma pequena copa onde o tio dormia num pequeno corredor a porta de um quarto onde vovó dormia, defronte outra porta que saia para a sala, um quarto saindo na copa onde dormia minha bisavó que estava com quase cem anos, dependendo de cuidados, uma lamparina permanecia acesa a noite inteira sobre um guarda roupas. Naquela noite todos dormiram menos o tio, La pra meia noite apareceu um besouro voando na copa deu muitos voos rasante sobre o seu leito entrou no quarto da bisavó bateu na lamparina apagando-a e escuridão foi total. Poucos segundos após, ele ouviu alguém mexendo na lenha que estava num canto da cozinha, De repente um claro meio embasado esverdeado tomou a copa, ele tentou gritar a voz não saia, tentava fechar os olhos não conseguia. Era a velha com um pau de lenha armado para ele de cara feia ameaçando descer o porrete, foi passando vagarosamente à beira de sua cama de costas para a parede até chegar ao corredor virou-se entrando de costas na sala. Não lhe deu as costas em nenhum momento, quando sumiu no corredor a escuridão foi total, ele soltou um berro que acordou vó bisavó e a todos que dormia inclusive os vizinhos da casa ao lado. Uma moça que cuidava da bisavó teve que trocar com ele a cama, o resto da noite e muitas outras dormiram no quarto de sua mãe, aos seus pés. Foi uma boa lição para sua rebeldia.

Por Geraldinho do Engenho
Escritor, poeta e comerciante no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG.

Túnel da Mantiqueira

(Na foto acima A Garganta do Embaú apresenta uma altitude de 1133 metros e está localizada na divisa entre a cidade paulista de Cruzeiro e a cidade mineira de Passa-Quatro. A Garganta do Embaú é um ponto notável na Serra da Mantiqueira, na região do Vale da Paraíba, por seu ponto mais baixo e visível a várias dezenas de milhas. O Grande Túnel possui 996m de comprimento e está localizado a uma altitude de aproximadamente 900m. Foi construído embaixo da Garganta do Embaú por determinação do Imperador Dom Pedro II, no ano de 1882, e inaugurado em 5 de março de 1883. Fotografia de Glauco Umbelino)
O Túnel da Mantiqueira é um túnel ferroviário com 997 metros de extensão, localizado nos km 23 e 24 da ferrovia Minas e Rio, precisamente na fronteira entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, e também os municípios de Cruzeiro-SP e Passa Quatro-MG. A entrada paulista fica no km 23+743 e a boca mineira, no km 24 mais 740m da ferrovia.

O início da operação da respectiva linha férrea começou em 14 de junho de 1884. A inauguração contou com a ilustre presença do Imperador Dom Pedro II e da família real, que também realizaram a primeira viagem do trecho.

Em 1932, a posição do túnel e a da Garganta do Embaú, localizado logo acima do túnel, foram palco de batalhas da Revolução Constitucionalista de 1932, sendo considerado um dos principais front do conflito, onde ocorreram as lutas mais violentas e com maior número de baixa de todas as frentes de combate. 
(na foto acima O Grande Túnel possui 996m de comprimento e está localizado a uma altitude de aproximadamente 900m. Foi construído embaixo da Garganta do Embaú por determinação do Imperador Dom Pedro II, no ano de 1882,e inaugurado em 5 de março de 1883.) Essa posição naquele conflito foi um dos poucos locais onde as tropas paulistas não foram derrotadas. O local foi dominado pelas tropas federais de Getúlio Vargas somente após o recuo estratégico dos paulistas para Guaratinguetá, no atual bairro de Engenheiro Neiva, para evitar o iminente envolvimento de suas posições pelos flancos, de modo a não serem encurralados pelo inimigo, dado o avanço das tropas federais através da frente de combate de Pinheiros, Vila Queimada e Batedouro.

Em 1991 com o fechamento do ramal de Cruzeiro a Três Corações, o túnel e todos os 170kms da ferrovia foram abandonados pela RFFSA.

Atualmente o túnel é mantido pela ABPF, mais precisamente pela Regional Sul de Minas, que faz manutenção no local desde 2004 e hoje é o ponto final do passeio do Trem da Serra da Mantiqueira.
Em 30 de maio de 2017, o Governo do Estado de Minas Gerais, por meio do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural de Minas Gerais – Conep, aprovou, por unanimidade, o tombamento do Túnel da Mantiqueira. (Fonte: Wikipédia)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Tradição de 150 anos transforma cidade na 'terra do biscoito' em MG

Festa em São Tiago distribui biscoitos e café de graça para visitantes (Foto: Douglas Caputo / Divulgação)
A pouco menos de 200 km de Belo Horizonte (MG) fica a pequena cidade de São Tiago, no Sul de Minas. Antes que fosse preciso alardear muito, toda a região já conhecia o município como a terra do café com biscoito. A tradição na produção dos quitutes é conservada por mais de 150 anos. Mas o que a difere de tantas outras cidades que conservam sua história é que os moradores de São Tiago a transformaram em fonte de renda. Ao menos um terço dos 11.046 mil moradores da cidade (segundo senso IBGE de 2016) ajudam a produzir 6 mil toneladas dos quitutes para vender para toda a região e em ao menos outros quatro estados. O grande feito garante ao município no mínimo um roteiro diferente da maioria das pequenas cidades do interior de Minas Gerais: a oportunidade de sucesso profissional sem precisar sair de casa.

Ninguém na cidade sabe definir ao certo quando o processo de industrialização dos biscoitos de São Tiago começou a se expandir. O que se sabe é que a tradição de produzir biscoitos e a qualidade dos mesmos sempre fez com que muita gente fosse à cidade comprar os quitutes e os levasse para fora. Para os fabricantes, fica difícil até definir o alcance que as vendas tomam. Atualmente São Tiago vive um paralelo entre a tradição artesanal que se mantém e um futuro que caminha para a produção massiva dos biscoitos. Com a criação de uma associação de fabricantes do produto, há 12 anos, as vendas aumentam a cada ano.

Enroladeiras preparam biscoitos em padaria de São Tiago, MG (Foto: Samantha Silva / G1)
A cidade hoje produz mais de 100 tipos diferentes de biscoitos e a divulgação mais eficaz para se manter as vendas acontece em uma festa anual que serve biscoito e café de graça na praça do pequeno município. Em fevereiro do ano passado, os biscoitos de São Tiago também conquistaram o selo de procedência do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), garantindo que o produto de lá não se repete em nenhum outro lugar.

Para uma população que constantemente demonstra o quanto ama o lugar onde vive, a oportunidade de negócio “caiu do céu”. O setor cria postos de trabalho ano a ano e o retorno financeiro torna desnecessário procurar emprego “na cidade grande”.

Era uma vez...
Muita coisa é incerta sobre o povoamento da região que hoje é São Tiago, mas a tradição conta que os primeiros habitantes buscavam ouro na região de Vargem Alegre, na Fazenda das Gamelas, de propriedade do padre José Manoel. Essa história tem início em 1708.
Na foto ao lado Professora aposentada guarda história e poesias
de São Tiago (Foto: Samantha Silva / G1)
Também na memória do povo é preciso buscar a origem dos tradicionais biscoitos de São Tiago. A professora aposentada Nilza Trindade Morais Campos já soma seus 70 anos e se orgulha em dizer que dedicou 45 deles dando aulas nas escolas da cidade. “Acho que todo mundo de São Tiago foi meu aluno. Aposentei, mas ainda tenho saudade”, diz com um alegre sorriso no rosto.

Dona Nilza faz questão de destacar que sempre ensinou a origem e cultura do café com biscoito de São Tiago na escola. As crianças da cidade crescem conhecendo sua história, a admiram e fazem até poemas em homenagem a São Tiago. Dona Nilza já até publicou livros poetizando a tradição municipal. Ela começa a relatar o que a ela foi contado: desde a época dos bandeirantes se produzia quitutes no arraial. Comboios e viajantes que passavam pela região eram recebidos com os biscoitos e o cafezinho e usavam as fazendas para descansar do longo caminho. “Eles chegavam e as sinhazinhas iam fazer as guloseimas e quitutes para servir para o pessoal”, conta.

Para continuar a história, dona Nilza puxa a lembrança da própria infância. Segundo ela, o pai foi um dos primeiros fabricantes de polvilho da região. Ela conta que o sítio da família era formado pela fábrica, o engenho de açúcar e as lavouras onde muita gente trabalhava não por dinheiro, mas por amor. O biscoito produzido na fazenda não era feito para vender, mas somente para hospitalidade. “Me lembro quando chegava os viajantes no sítio. A gente ficava olhando pela fresta da janela os cavaleiros que chegavam, numa curiosidade. E tinha aquele monte de vasilha na cozinha, cheias de biscoitos para receber [a visita]. E naquela época era assim: se um vizinho precisasse de hortaliças, era de graça, as pessoas doavam pra vizinhança. As coisas eram diferentes naquela época.”

Fazer biscoito se aprende em casa
Em São Tiago, toda visita que entra em casa é logo chamada para a cozinha. Os anfitriões não se demoram a dizer: “Entra, vou passar um cafezinho com biscoito.” E é assim que entramos no casarão de cerca de 200 anos da Fazenda da Serra. Dona Antônia Elena de Almeida puxa o bule e coloca a água pra ferver no avermelhado fogão a lenha. Em seguida, se desculpa pelo velho chão rústico da cozinha: “Tião não deixa reformar essa casa”, reclama, se referindo ao marido, seu Sebastião Galdêncio de Almeida.
Dona Antônia na porta do casarão de 200 anos, na fazenda de São Tiago (Foto: Samantha Silva / G1)
Pois se o velho casarão da fazenda já soma seus dois centenários, também é na cozinha dele que a família Almeida representa a história de uma cidade que começou servindo quitutes por quem passasse pelo arraial e hoje os vende para as “bandas” de Norte a Sul do país. A mãe de dona Antônia já sabia fazer biscoitos e a avó também. Faziam para dar e vender. Ela só aprendeu a fazer para servir em casa.

Assim como Dona Antônia, todas as mulheres de São Tiago aprenderam a fazer biscoito em casa, receita passada de mãe pra filha. Os maridos, se não produziam os ingredientes, trabalhavam nas propriedades rurais de onde os ingredientes saíam para dar continuidade à tradição. A fazenda é o retrato da vida dos moradores da antiga São Tiago.

Dona Antônia vai colocando na mesa os biscoitos de farinha de milho já prontos com manteiga caseira e café de bule. Ao seu lado está seu ‘Tião, com quem é casada há 55 anos. Ela já tem 71 anos e ele “dois machados” (77 anos). Passaram a maior parte da vida na roça e ali criaram 13 filhos.
Sou um caboclo feliz, só não tenho é profissão, mas não importo com isso não. Eu vou lá pra serra, que lugarzinho bão. Lá tem muita água, eu não pago nem um tostão. Não é como na cidade, que é cheia de exploração. Eu vivo lá com Deus e não tenho medo não. Lá eu tenho uma rede, é nela que eu vou deitar. Só escuto os pássaros cantar. Eu tenho uma vida de rei, mas eu não sou rei não."  Sebastião Galdêncio de Almeida

Casaram-se no dia de São Tiago, 25 de julho. O aniversário de casamento de 50 anos inspirou seu Tião a fazer um poema, mais um entre muitas das rimas que ele faz para contar tudo que acontece na vida: “Ó São Tiago, há 50 anos ‘atrás’, 25 de julho, não esqueço jamais. Minha mulher era bonita e eu muito mais. Ela gostava de mim e eu dela ainda mais. Agora ela está velha e eu velho demais. Muita coisa que nós fazíamos, hoje não faz mais. Pulava cerca e buraco, hoje não pula mais. Dançava muito forró e hoje não dança mais. A vida, ao invés de ir para frente, está voltando para trás.”

E voltando ‘para trás’, dona Antônia se lembra da festa do seu casório. “No meu casamento só teve biscoito e café. Aqui em São Tiago era assim: todo casamento que tinha era só café com biscoito que era servido nas festas. Agora o povo já varia. Muita gente casa às 11h, então tem almoço na festa”, revela. Mas mesmo que o tempo tenha passado, ela emenda dizendo que se o casório não for na hora do almoço, ainda é servido café com biscoito, e também nos velórios, nascimentos, aniversários. “Só duas filhas minhas fizeram o casamento na hora do almoço”, completa.
Seu Tião e a mulher Antônia, na fazenda em São Tiago (Foto: Samantha Silva / G1)

Reportagem e fotos: Samantha Silva/G1 (exceto a primeira foto, que foi inserção nossa)
Link original:http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2014/10/tradicao-de-150-anos-transforma-cidade-na-terra-do-biscoito-em-mg.html

domingo, 10 de dezembro de 2017

Florada das cerejeiras marca a chegada do inverno em Maria da Fé


Fotografia de Leonardo Bueno
A cerejeira está em flor. Sinal de que o inverno finalmente chegou a Maria da Fé (MG). As árvores ornamentais tomam conta da cidade nessa época do ano. Encantam moradores e turistas.”Nós ficamos orgulhosos disso”, diz o aposentado Haroldo Batista, que gosta tanto das cerejeiras que se dedica a fazer mudas e distribuí-las de graça.
Fotografia de Cássia Almeida
De origem japonesa, esse tipo de árvore é conhecida como “sakura” e floresce apenas uma vez por ano. Em Maria da Fé, a origem das cerejeiras está relacionada à retirada das linhas de trem na cidade. Na década de 1980, o fim da atividade ferroviária abriu espaço para a arborização do Centro da cidade.
Fotografia de Rinaldo Santos Almeida
“A gente tinha que escolher uma variedade que se adaptasse ao clima de Maria da Fé, que tem temperaturas muito baixas”, explica a engenheira agrônoma Carina Mori Diehl, que participou do plantio da espécie.
Fotografia de Cássia Almeida
Hoje são mais de 200 espécies espalhadas pelo município. Dessas, pelo menos 40 estão na avenida principal. Quem passa por lá, não perde a oportunidade de registrar a beleza da florada. Paulo Henrique da Silva Almeida se dedica há anos a fotografar as flores que anunciam o inverno.
Fotografia de Leonardo Bueno
“Quero transmitir essa beleza para todo mundo. Principalmente, levar o nome de Maria da Fé para qualquer lugar”, diz Paulo.

Fonte da matéria G1 Sul de Minas:http://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2015/07/florada-das-cerejeiras-marca-chegada-do-inverno-em-maria-da-fe.html - Ilustrações nossas 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Enterrar umbigo e outras superstições com recém-nascidos.


Pelo que sei, meu umbigo foi enterrado próximo a essa igreja,

 na Vila Gontijo em Bom Despacho MG, bairro em que nasci, em 1965. Por Arnaldo Silva
A tradição de enterrar o umbigo do recém nascido quase não existe hoje, mas num tempo não muito distante isso era normal e até obrigatório, porque existia muita superstição em torno desse ato.
Numa época que quase não existia médicos e nem hospitais para atender toda a população, principalmente a rural, os partos eram feitos em casa mesmo, por parteiras.Pegar os restos do parto e enterrar nos quintais era prática comum, porque era o mais correto a fazer.
O umbigo, que caia uma semana depois, ficava sem destino certo e por isso, ao longo do tempo foram surgindo várias crendices, enraizada no meio popular, principalmente no interior.
Enterrar umbigo, tinha motivos, obrigações e objetivos dos pais, de acordo com suas crenças. Segundo a crença popular, o umbigo deve ser enterrado, porque na época porque acreditavam que se jogassem o umbigo no lixo e um rato o pegasse, a criança seria um ladrão. Alguns enterravam o umbigo junto a uma roseira, porque assim a criança nascia bonita, saudável e querida. Outros num terreno de hospital, pois acreditavam que a criança seria médico. Quando o umbigo era enterrado numa porteira, a criança seria um fazendeiro. Junto a soleira da porta de entrada, a criança seria caseira. Se o umbigo fosse enterrado num local onde os pais gostavam, os filhos voltasse depois de adultos. E nesse raciocínio, iam enterrando os umbigos, de acordo com seus motivos e objetivos para a criança.


Além dessas crenças, haviam outras superstições em relação a recém-nascidos e crianças:
- Após o desmame da criança, caso ela fique com vontade de mamar no peito, a mãe deve pedir leite de peito de três mulheres chamadas “Maria”. Esse leite é misturado ao leite da vaca que será dado em mamadeira
- O nome de um filho só deve ser escolhido pelo pai após o nascimento.
- Crê-se que a água do batismo não deverá ser enxugada na fronte da criança, devendo de deixar que seque naturalmente;
- Vestir na criança uma peça de cor vermelha;
- Não a deixar no escuro antes do batismo;
- Enterrar o umbigo de recém nascido debaixo do cocho para dar sorte.;
- Quem quiser ter boa sorte trate de beijar os pés de um recém nascido;
- Para proteger o recém nascido, deve-se colocar uma faca na soleira da porta, assim nenhum espírito maligno entrará no quarto;
- Quem conserva o umbigo, guardado como lembrança ou quem o enterra nunca sairá a viajar. E se o fizer, estará sempre desejoso de voltar a terra onde nasceu. Daí nasce o ditado “quero morrer na terra onde foi enterrado o meu umbigo”;
- Para amansar uma criança muito chorona, colocá-la numa peneira sob a cama dos pais. Pô-la nos pés da cama;
- Para criança não ter dor de barriga, não se deve torcer as fraldas;
- Tanto o berço quanto o carrinho do bebê não devem ser comprados antes do nascimento da criança;
- Um legume colocado na boca de um recém nascido impedirá que ele tenha cólicas;
- Para desaparecer marcas de nascença, a mãe deve lambê-la regularmente, por muitos dias após o nascimento da criança, dado o poder curativo da saliva;
- Acredita-se que se uma mulher grávida comer frutos inconhos , isto é pegados um ao outro, terá filhos gêmeos.



Com certeza, muitos de nós tivemos o umbigo enterrado e conhece bem essas superstições do nosso povo antigo.