segunda-feira, 17 de setembro de 2018

O sotaque dos mineiros

O jeito de falar do mineiro é peculiar, interessante e gostoso de ouvir. O nosso sotaque teve influência dos portugueses, negros africanos, índios. Também dos ingleses, que para cá vieram a partir do século XIX para explorarem as minas de ouro.

Muita gente confunde sotaque com pronúncias de palavras erradas. Não é. O jeito de falar, que caracteriza um povo, um grupo, um estado, um país, vem de suas origens e suas raízes históricas. É o caso de Minas Gerais. Algumas palavras pronunciadas erradamente por mineiros, em séculos anteriores, estão hoje incorporadas ao nosso sotaque. São palavras encurtadas, isso porque, desde a origem do povoamento do nosso Estado, o mineiro passou a encurtar as palavras. Na verdade encurtar não, mineiro ataia as palavras. 


Mineiro odeia pronunciar uma palavra inteira. Uma frase completa, nem pensar. Mineiro encurta tudo e muitas das vezes, usa as palavras no diminutivo. Um pouco? Que nada, é poquim, um tiquim, um cadim. Se o trem tem apenas um vagão, não é trem, é um trenzim. Mineiro não pega um ônibus, pega é um ons mesmo. Doce de leite? Se ouvir um docindileiti, é isso ai. Se um mineiro te pedir um litro de leite, ele vai te falar: "midaumlidileite." 

E se o sujeito não for lá bom pra chegar no rêio? Não entendeu? Vamos lá. Vai que né, ele não é muito bom de dar uma boa coisada no trem. Entendeu? Ainda não? Vai que o trem dele não é lá aquele trenzão todo, é um trenzim de nada. E ai, continua sem entender? Vai que o sujeito não ataca nada. Ah, se não entendeu, deixa o trem do jeito que tá. 

Sabe o que é apear? Na verdade falamos é apiá. É descer. Apeavam da charrete, do carro de boi, do cavalo e falavam "vou apiá aqui'. Ah meu filho, se dentro de um ônibus o mineiro der sinal e te perguntar: " vamos apiá aqui?" Ai já entendeu né?

Pra quê falar uma palavra tão grande. Melhor ataiá as palavras. Fica facim de ler e entender. Ataiá conversa é com nós mesmos. Se a conversa está longa demais ele logo vai te falar: "ataia essa conversa logo sô!"

Mas é na cozinha que a gente percebe o quanto é bom ser mineiro. Pra começar, mineiro não conversa, proseia. Uma boa prosa, tem que ser a beira do fogão a lenha. 

Quem gostava de um cigarrim de palha pegava no tição e acendia. Tição é toco da lenha no fogão em brasa. Pegavam o tição, encostavam no cigarro, sugavam o ar e este acendia. Ai, davam aquelas pitadas boa pra daná no cigarrim de paia. 

 E o café não é quente, é bem quentim. Num meio de uns golin de café, um cadim de biscoito ou pãozim de queijo, vai uma prosa boa, uma causo daqueles.

É pãozim porque não gostamos de falar pão. Ouvir causos e prosa é gostoso demais. E demora, mas demora mesmo. Ainda mais se tiver um torresmim, com uma cachacinha, no ponto. Ai não tem, jeito. A prosa só dá uma pausa quando estão com a boca cheia. Mineiro come calado.

Aliás, comer calado é uma característica do mineiro. Mineiro é desconfiado que é uma beleza, não é muito de falar o que faz não. Quando você imaginou, ele já fez. Caladim, mas faz bem feito. Esse negócio de fazer propaganda do que faz é complicado. Melhor é fazer tudo bem caladim, comer bem quietim que a comida é quente. Se falar muito, ela tem outros que vão querer né. Boca fechada não entra mosquito.

Se for na casa de mineiro, se prepara. Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha. Já leva a visita direto para o melhor lugar da casa. Lá tem queijo, doces, quitandas, café e banco pra sentar e prosear à vontade. Se for em 5 casas por dia de mineiro, vai tomar 5 cafés e comer quitandas até ficar empantufado.

Mineiro adora receber visitas, principalmente das comadres e compadres. Se você é convidado para ser padrinho ou madrinha de batismo de filho ou de casamento de alguém, passa a ser compadre e comadre. Ou seja, uma có-pai e có-mãe. Seria mais ou menos um segundo pai, segunda mãe, no caso, se algo acontecesse com o pai ou mãe, as comadres e compadres teriam por obrigação substituí-los. Por isso a importância desse convite, que era levado a sério por quem os recebia. As comadres e compadres eram tidos como membros da família e os afilhados tinham que tomar bênção. Hoje em dia ninguém mais dá valor a isso, nem chama os padrinhos de comadres e compadres, mas eu chamo, e sei de muitos que ainda tem o prazer de visitar os compadis e as cumadis e chamá-los assim.

Quando um mineiro quer saber de suas origens, ele não pergunta qual a sua família e sim: "qual a sua graça seu moço?" A sua graça, não é que ele esteja pensando que esteja rindo dele tá. Graça é sua origem familiar, quem era seu pai e sua mãe.

Uma vez estava em Araxá e queria ir no Museu Calmon Barreto. Perguntei a primeira pessoa que vi na rua como chegar lá e assim ele me orientou: "olha moço, ocê segue reto a vida toda. Lá no finzim, ocê cai na direita, depois cai na esquerda, sobe um morrim de nada, vira só mais um tiquim pra direita ai ocê morre lá". Esse morre lá me assustou. Mas ele disse que era só jeito de falar mesmo. Eu sei, morre lá é o local onde termina, onde você quer chegar. Ai fui indo, indo, e nunca chegava. Ai eu achei que eu morrer mesmo, mas de tanto andar. Não quis morrer lá não, parei, tomei um litro d´água e voltei. Esse ali de mineiro é terrível. Mineiro é de confiança, mas no ali de mineiro, Deus me livre confiar.

E se você tem uma profissão? Qual é a pergunta? Não espere que ele pergunte o que você faz. Vai te perguntar: "com quê você mexe? " Isso mesmo. Mexe é o que você faz na vida, qual a sua profissão. Eu mexo com retrato, sou tiradô de retrato. E também me arrisco na escrita. 


E quando o sujeito não trabalha, não é bem visto. Sujeito à toa mineiro não gosta. Mineiro é trabalhador e gente à toa num ataca nada, num presta pra nada. Nem pra casar. Se o sujeito fosse à toa, nem pensasse em cortejar uma moça. Botavam o dito cujo pra correr porta a fora.

E quando a gente aprontava e a mãe ficava brava? Mineiro não leva uma surra, leva uma cunda. Essa história de cunda é antiga, vem lá do tempo que não existia caixão. Explicando melhor. Antigamente, não existia funerária e quando alguém morria, era colocado sobre um lençol grosso. Depois do velório, amarravam o lençol numa vara tipo uma rede e duas pessoas carregavam o defunto, até o cemitério. Iam revezando. O cortejo era a pé. Quando o defunto pesava muito, pegavam uma vara de marmelo e batiam nele até, mas até mesmo. Ai ficava bem levinho e o cortejo seguia. Ai né, inspirado nisso,  quando a gente aprontava, nossos pais pegavam uma vara de marmelo e davam uma cunda na gente que doia, mas doia mesmo sô. Dava até dó de defunto.

Não tem jantar aqui em Minas, tem janta. Comemos o “r”. Almoçar é simples, é só falar “murçá” que todos entendem. Venham almoçar! Mineiro não fala isso nunca, tem dó, pra que complicar sô, facilita uai, diminui o trem sô! Ele fala simplesmente: "vem cumê logo sô!"

Senhora e senhor? Falamos isso não. Sá e sô. Vai lá sô (pra ele), vai lá sá (pra ela) e por ai vai. Quando se referir a um senhor ou moço é sô e a uma senhora ou moça é sá, viu?


E se estivermos com muita preguiça de falar muito, falamos trem. Pra tudo falamos trem. Comprar uma roupa, pede para experimentar os trens da loja. Não vai comer algo, vai ali comer um trem. E se não gostar, fala logo “ que trem ruim sô”. Carro, moto, avião, bicicleta, tudo é trem.

Mineiro não ri da cara de ninguém, ele caçoa docê.

Ocê ou cê, tanto faz, entende? A distância pode ser até longa, mas pra nós é “logo ali ó!”. Ver é só “V”. Nossa é apenas “nó”.
Mineiro não aumenta, diminui o português. É pra tudo ficar bem bunitim, facim e arrumadim pra todo mundo entender direitim.
Viu só, falando certim, todo mineiro entendi bem direitim e a prosa fica boa dimais da conta sô!

É só falar e amar porque Minas é um trem que corre em minhas veias e a estação é o meu coração. Amo Minas porque sou mineiro com muito orgulho e muito amor e ser mineiro é um prazer que só quem é mineiro sabe e entende. Ser mineiro não é apenas um privilégio, é uma honra e não tenho vergonha de falar com sotaque, de mostrar meu sotaque.


Muito prazer, sou Arnaldo Silva, natural de Bom Despacho, em pleno Cerrado Mineiro. Sou escritor, fotojornalista, ambientalista e mineiro com orgulho.
A imagem que ilustra o artigo é uma pintura do grande mestre das artes de Mina, Wilson Vicente
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O teatrinho barroco de Ouro Preto

A Casa da Ópera de Ouro Preto, conhecido por Teatro de Ouro Preto, foi inaugurada em 6 de julho de 1770 em homenagem ao aniversário do então rei de Portugal, Dom José I (174-1777)
É um dos mais belos teatros do período colonial brasileiro e o mais antigo das Américas. Fica a poucos metros da frente da Igreja do Carmo, em pleno centro histórico de Ouro Preto. A arquitetura é genuína, em formato de lira, sendo um dos poucos no mundo com esse formato. A obra foi erguida pelo coronel João de Souza Lisboa com projeto arquitetônico atribuído a Mateus Garcia. Originalmente a fachada seguiu os traços do barroco italiano, mas modificada para o barroco mineiro em 1861. Sua acústica é considerada perfeita pelos cantores e artistas que se apresentaram e ainda se apresentam no teatro.
No auge do Ciclo do Ouro, a vida cultura de Ouro Preto se tornou mais efervescente. Vários artista se apresentaram nesse teatro, alguns de fama internacional. Peças de escritores famosos como  Moliére (1622-1673), Calderón de La Barca (1600-1681) e outros autores europeus eram traduzidas para o português e encenadas para um teatro abarrotado de gente.
Cláudio Manoel da Costa (1729-1789), grande poeta mineiro e inconfidente, colaborou para o surgimento da Casa da Ópera e estava sempre presente nas apresentações. Era fã de teatro e ópera de carteirinha. Tinha até um camarote no teatro.
Os outros inconfidentes também eram. Acredita-se que, por falta de espaços públicos seguros na cidade para reuniões, os inconfidentes marcavam seus encontros no local, no horários das apresentações para discutirem os andamentos do movimento. Alguns inconfidentes que eram poetas e escritores, usavam também o local para apresentações de seus poemas e textos. 
No século XIX, os cinemas começam a popularizarem no mundo. As atividades teatrais começam a perder espaço e a frequência da presença das pessoas nos teatros, diminui. Mas esse fenômeno não foi muito sentido em Ouro Preto. A Casa da Ópera sempre foi palco dos mais importantes eventos artísticos e culturais da cidade. E até hoje mantém seu charme e é um dos mais visitados locais de Ouro Preto.
Quem entra no "teatrinho", como é carinhosamente chamado, logo se encanta, impressionado com a beleza barroca em todos os seus detalhes e contornos. O visitante se deslumbra, se imagina naquela época do auge das apresentações no período colonial e barroco. (Por Arnaldo Silva, texto e fotos)

domingo, 16 de setembro de 2018

Cidades místicas mineiras atraem turistas

Pessoas místicas são aquelas que buscam conhecimento espiritual e procuram aprofundamento para evoluírem espiritualmente. O contato e convívio com a natureza é primordial nessa busca. Cachoeiras, rios, paisagens, montanhas, lagos... tudo que leva a paz e sossego. O que vem da terra também, acreditam, que emanam energias, como cristais, pedras, rochas, etc. (fotografia acima de Jerez Costa em São Tomé das Letras MG)
Por isso místicos e esotéricos buscam lugares que tenham essas características e encontram em Minas Gerais um campo propício para vivenciar seus conhecimentos e aprimorar seu processo de evolução em busca de realização pessoal e felicidade.(fotografia acima de aviso na porteira de entrada para uma fazenda em Aiuruoca. Dá para perceber que o proprietário é místico. Fotografia de Jerez Costa)
Essa busca por felicidade e o contato com o sagrado, vem desde que o homem passou a existir na face da terra. No nosso tempo, essa ideia começou a virar tendência a partir dos anos 1960 com surgimento da cultura hippie, o aumento de adeptos das terapias e medicinas orientais, práticas de yoga, meditação, artes marciais, alimentação natural e práticas e estudos voltados para o esotérico.
Nesse contexto, algumas cidades de Minas, basicamente da região Sul do Estado, na Serra da Mantiqueira, vem sendo as cidades preferidas dos místicos, esotéricos, hipies, roots e curiosos 
contatos com o sagrado, com as montanhas, com as águas, com anjos, fadas, gnomos, duendes e até com Et´s. Muitos também vão nessas cidades  para desfrutares da paz e da beleza natural da Serra da Mantiqueira. Vamos conhecer um pouco das cidades místicas de Minas Gerais.(na imagem acima, de autoria de Rinaldo Almeida, ponto de ônibus em São Tomé das Letras)

São Tomé das Letras

É a preferida dos mais jovens e adeptos da cultura hippie. Este andam pela cidade com seus trajes típicos, muitos cantando, dançando e tocando instrumentos musicais. Quem anda pela cidade percebe logo o clima diferente nas ruas. Sentir cheiro de incensos é normal. Lojas com artesanato esotérico tem aos montes na cidade,  com tudo que envolve o mistico e o sobrenatural. Bares, pousadas e restaurantes sempre tem decorações voltadas para o misticismo. (fotografia acima de Eudes Cerrado)
O povo da cidade também gosta de contar histórias, principalmente místicas. É bom parar pra ouvir, são histórias interessantes de aparições de Ets, gnomos, fadas, fenômenos sobrenaturais, etc.
A cidade tem uma boa estrutura hoteleira e gastronômica. Localizada a 304 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas, Santuma, como é chamada,  recebe turistas de todos os cantos do pais e do mundo, durante o ano todo. Ao chegar em São Tomé o visitante é rapidamente envolvido por um clima místico e um estilo alternativo. (fotografia acima de Eudes Cerrado)
O que chama a atenção em São Tomé das Letras é a sua arquitetura. As construções são feitas em pedras sobrepostas. Acreditam que as pedras tem energia muito boa e emanam essa energia. São Tomé é conhecida como a cidade das pedras. (fotografia acima de Vânia Pereira)
Os mais místicos acreditam que São Tomé (na foto acima de Jerez Costa) é o coração magnético do Brasil. Essa ideia é reforçada pelos fenômenos que acontecem na Ladeira do Amendoim, onde os carros parados se movimentam, desligados e sozinhos. Tem que jure que na cidade está uma passagem secreta que vai direto para a cidade sagrada dos Incas, no Peru, a famosa Machu Picchu.
São Tomé das Letras tem 30 pontos turísticos e conta com guias de turismo para orientar os turistas. Além da área urbana, a paisagem em redor atrai os visitantes, como grutas e cachoeiras. A mais famosa e mais procurada pelos místicos é a do Vale das Borboletas (na foto acima de Renato Borin). Tem esse nome porque no local encontra-se diversas espécies de borboletas. 
A noite é mágica em São Tomé. Olhar as estrelas é prática comum dos visitantes que sobem até a Pirâmide (na foto acima de Jerez Costa), que é uma antiga construção abandonada, toda em pedra, onde oferece uma visão panorâmica das montanhas em redor. Acreditam ainda que desse local, disco voadores aparecem e levam as pessoas para outras galáxias.

São Lourenço
São Lourenço fica no Sul de Minas (foto acima de Gislene Ras), a 387 km de Belo Horizonte. É a mais famosa cidade do Circuito das Águas de Minas. A fama das águas terapêuticas e medicinais sempre atraiu pessoas de vários lugares. E muitas dessas pessoas fixaram moradia na cidade, formando irmandades e movimentos religiosos voltados para a cura, meditação e contato com a natureza, fazendo com que a cidade passasse a atrair pessoas ligadas ao misticismo. 
Foi em São Lourenço que foi criada a Sociedade Brasileira de Eubiose uma instituição Cultural Espiritualista, fundada em 1924 e consideram São Lourenço a Capital Espiritual do mundo. A doutrina da Eubiose propõe a vivência do homem em perfeita harmonia com todas as leis universais. A Montanha Sagrada, que fica no município, é um dos locais mais visitados pelos adeptos dessa doutrina. Chama atenção também arquitetura do templo da sociedade. É uma mistura da arquitetura grega com a egípcia (na foto acima/Divulgação).

A cidade é sede da Fundação Cimas onde suas pesquisas sobre ervas medicinais são reconhecidas no mundo inteiro. Na área da fundação existe uma exposição permanente do artista plástico Salvador Dali. Uma das curiosidades do local é a cápsula do tempo que guarda objetos de nossa época e que só será aberta no ano de 2126.
A cidade é predominantemente católica, sendo a Matriz de São Lourenço um dos mais belos templos de Minas e a gruta de Nossa Senhora dos Remédios, no Parque da Águas, é uma das mais visitadas, para orações e pedidos à Nhá Chica. Esse parque é o maior atrativo da cidade e um dos mais belos do Brasil, com mais de 400 mil metros de área verde. (na foto acima de Rinaldo Almeida)

Aiuruoca
 Aiuruoca é uma bucólica cidade do Sul de Minas a 427 km de Belo Horizonte.Sua paisagem é deslumbrante, com mais de 80 cachoeiras, montanhas e picos que variam de 1300 a 2357 metros de altitude. O mais famoso é o Pico do Papagaio. Essas maravilhas naturais favorecem muito a prática de ecoturismo, trilhas e caminhadas. (fotografia acima de Marlon Arantes)
Tanta beleza natural (fotografia acima de Vanessa Legramandi) e oportunidade de desfrutar uma vida sossegada, atraiu e atrai muitas pessoas para a cidade. Muitos fixaram residência no município e optaram por morar no Vale do Matutu, onde algumas comunidades alternativas se formaram. O local é agradabilíssimo, com pousadas e restaurantes por perto, o que facilita para as pessoas que vem de outros lugares em busca de descanso, sair do estres, vivenciar a cultura, a arte, a vida hippie e o amor à natureza.
Aiuruoca é considerada pela Eubiose, uma das 7 Cidades Sagradas, mantendo por isso um templo na cidade. Essa comunidade tem como objetivo a medicina do futuro, conectada com anjos e devas. Tem um ótimo trabalho na pesquisa de ervas medicinais. (na foto acima, Templo no Matutu fotografado pelo Marlon Arantes) 
O Santo Daime também está presente no município, bem como diversos grupos praticantes de yoga e meditação. 
Existe uma simbiose de Aiuruoca com a cidade sagrada de Sri Nagar na Índia. Pela crença, as vibrações dessas cidades são expandidas para todo o mundo.

Varginha 
Varginha fica a 320 km de Belo Horizonte, no Sul de Minas. Ficou famosa no mundo inteiro a partir de 1996, quando 3 meninas afirmaram ter presenciado a aparição de Extra Terrestres. A partir de então, o ET de Varginha ganhou fama e atraiu olhares de ufólogos e místicos de todo o mundo. Existem versões diferentes para esse caso, mas nenhum conclusivo. Até hoje a cidade atrai turistas, curiosos e ufólogos de todo o Brasil e do mundo. 
A cidade incorporou a fama de "cidade do ET" e por todos os cantos podemos ver caixas d´água em forma de disco voador, pontos de ônibus, pinturas e estátuas de Ets.(fotos acima de Carias Frascoli)

Maria da Fé
A cidade fica no Sul de Minas a 432 km de Belo Horizonte. (na foto acima cerejeiras floridas, em Maria da Fé, de Leonardo Bueno) É cidade mais fria do Estado, segundo os meteorologistas. No inverno as temperaturas sempre ficam próximas ou abaixo de zero grau.Seu clima frio e altitude de 1258 metros, possibilita a produção de oliveiras. A cidade é a pioneira no cultivo de olivais e na produção de azeite, sendo hoje uma referência mundial em termos de azeites de qualidade. 
Maria da Fé (foto acima de Rinaldo Almeida) tem pouco mais de 15 mil habitantes. É muito bem organizada e estruturada. Sua natureza é exuberante e seu clima propício para adaptação de árvores de climas frios, como as cerejeiras, que são atrativos da cidade, na época da florada, em junho. Por todo o município matas nativas de araucárias são vistas e dão mais beleza à paisagem montanhosa e fria de Maria da Fé. 
Por essas características, foi criado na cidade um campus da Universidade Holística do Brasil que funciona numa bela fazenda, cercada por montanhas e araucárias. (fotografia acima de Rinaldo Almeida) A UNB é referência nacional e internacional na arte do desenvolvimento humano, ministrando cursos que elevam o conhecimento, desenvolvendo talentos e dons naturais dos interessados. São vários cursos ministrados no local como acupuntura, florais de bach, benzimento, plantas medicinais, meditação, xamanismo, dentre outros. É um local muito bem estruturado, totalmente harmonizado com a natureza e todos são muito bem acolhidos. Quem quiser saber mais sobre a UNB pode acesar o site www.unb.com.br e entrar em contato.
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Caso você tenha mais algumas informações a mais sobre o misticismo nessas cidade, pode nos passar as informações e se conhecer outras cidades de Minas, místicas e esotéricas, nos informe que pesquisaremos e acrescentaremos na matéria.
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Por Arnaldo Silva
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Ipê branco florido: beleza que dura pouco

Os ipês tornam os dias frios do inverno mais alegres. As cores fortes dos ipês colorem todo o território nacional, principalmente em Minas, onde o clima é propício para a florada os ipês. (na foto acima, de Cristina Pimenta Krauss, ipê florido em Três Pontas MG)
Junto com o inverno, vem a florada do ipê roxo-bola, em junho. Em agosto o encanto fica por conta dos ipês amarelos e rosa. Em setembro, o inverno se despede com a espetacular beleza dos ipês brancos (na foto acima de Wilson Fortunato, detalhes das flores do ipê branco). Em alguns regiões eles podem florir antes, mas a época mesmo é fim de agosto e início de setembro. O Ipê-branco (Tabebuia roseoalba) é uma espécie nativa do Cerrado brasileiro. Seus nomes, tanto científico quanto popular, vêm do tupi-guarani: ipê significa "árvore de casca grossa" e tabebuia é "pau" ou "madeira que flutua".
A florada do ipê branco é bem curta. Ao ver um ipê branco florido, não perca tempo. Corra para admirá-lo e fotografá-lo por que no dia seguinte, as folhas já estão caindo. A florada dura 25 horas. Em regiões de clima mais quente, pode durar entre 3 a 5 dias, mas em relação à florada do amarelo, roxo e roxa, que duram em media 25 dias, a do branco é apenas 10% do tempo da florada das outras espécies de ipês. É curtíssima. (na foto acima, de Arnaldo Silva, ipê florido na Praça da Matriz de Bom Despacho MG)
Mas é um espetáculo essa árvore. Mas para nossa alegria, em algumas regiões costuma ter duas floradas. Depois da primeira florada, as pétalas caem e a árvore fica somente nos galhos, sem flor e folha alguma. Alguns dias depois, voltam a surgir brotos e uma nova chance de ver esse show de beleza surge, mas também por pouco tempo. Em 25 horas as folhas começam a cair, findando a florada em 3 a 5 dias depois. (na foto ao lado, ipê branco florido em Itajubá MG, Sul de Minas, de autoria de Cássia Almeida) 
Depois da queda das flores, a árvore fica pelada por uns dias e começam a surgir as vagens. Aproveite, pegue as sementes, doe para viveiros de sua cidade ou plante em saquinhos e quando brotar, plante em sua calçada, em uma praça de seu bairro ou mesmo nas estradas e matas do seu município. Eu faço isso sempre. (fotografia abaixo de Demétrius Rodrigues em Extrema MG)
Então, se tiver um ipê branco florido em sua rua, bairro e cidade, contemple, admire, tire fotos. A beleza é rara, estonteante, dura pouco e encanta.Com o fim da florada dos ipês, começa a primavera e a florada dos jacarandás. (Por Arnaldo Silva)

sábado, 15 de setembro de 2018

Receita de Broa de Fubá com Melado

Fotografia de Renato Weil/Jornal O Estado de Minas
Ingredientes:
1 kg de fubá de moinho d'água:
- 500 ml de melado
- 1 colher (sopa) de bicarbonato de sódio
- 500 ml de soro de queijo (obtido durante o preparo do queijo)
- 1 pitada de sal
- Cravo da índia a gosto
- 2 colheres (sopa) de banha
- Óleo para untar
Como fazer Broa de fubá com melado:
Misturar todos os ingredientes, deixando o soro por último. 
Mexer até que a massa fique homogênea. Untar uma assadeira com óleo e despejar a mistura. 
Levar ao forno alto e retirar assim que estiver dourado.
À moda antiga
O bom aroma dos fornos nos leva a Materlândia, a 298 quilômetros de BH, no Vale do Rio Doce. Com cerca de 6 mil habitantes, o município tem parte de sua economia e cultura ligada à zona rural. E é de lá que vêm os expositores da feira, que ocorre todas as sextas, pela manhã, na praça central da cidade. Verduras, frutas e deliciosas quitandas e doces são algumas das delícias vendidas nas barracas. A maioria segue, à risca e há muitas gerações, o modo de preparo tradicional das fazendas.
Uma das receitas resgatadas de tempos antigos é a broa de fubá com melado preparada por Maria Helena Ferreira Rosa, que recebeu a receita da mãe, com outros ensinamentos que a acompanham desde a infância. Desde os 11 anos ajudava a torrar café, conta. Vendedora na feira há um mês, Maria resolveu pôr a mão na massa por causa de uma dificuldade financeira pela qual passou. Hoje, a atividade ganhou um gosto que vai além do comercial.
Comprei uma cama para os meus filhos e fiquei endividada. Comecei a fazer os produtos e agora, além de ganhar algum dinheiro, me divirto e me distraio. É muito bom. Mas bom mesmo é uma fatia generosa da broa escurinha, que, a cada mordida, arranca suspiros.
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Receita de Maria Helena Rosa, de Materlândia MG

Receita de Torta de Limão

Fotografia de Marcos Michelim/Jornal O Estado de Minas
Ingredientes:
- 2 xícaras (chá) de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de fermento em pó
- 1 colher (sopa) de açúcar refinado
- 3 colheres (sopa) de manteiga, mais o suficiente para untar
- 6 colheres (sopa) de leite
- 2 gemas passadas na peneira
- 2 latas de leite condensado
- 2 caixas de creme de leite (200 g cada)
- 3 gemas passadas na peneira
- 1 xícara (chá, não muito cheia) de suco de limão
Para o suspiro 5 claras
- 2 colheres (sopa) deaçúcar refinado:
Material 1 forma redonda de fundo removível, de 25 cm de diâmetro:
Como fazer Torta de limão:
Para a massa, misturar os ingredientes e sovar bem, até que fique homogênea. 
Em uma superfície coberta com um plástico, abrir a massa com um rolo, até ficar bem fina. 
Modelar a massa na forma untada e assar, por 10 minutos, em temperatura média e forno pré-aquecido. 

Para o creme, misturar os ingredientes. 
Para o suspiro, bater as claras em neve com o açúcar refinado, até que fiquem bem firmes. 
Montar a torta despejando o creme por cima da massa, sem retirar da forma, e, por cima, o suspiro.

Levar novamente ao forno médio pré-aquecido. 
Após pôr a torta, desligar e esperar cerca de 10 segundos. 
Acender novamente e deixar a torta assar por 10 minutos. 
Desligar novamente, esperar cerca de 3 minutos e, depois, assar por mais 10 minutos. 
Repetir o processo mais uma vez, para evitar que o creme fique aguado. 
Após assar, deixar a torta dentro do forno, com a porta entreaberta, até que ela esfrie.
Boa ação à mesa
Junho é mês de bandeirinhas, sanfona, quentão, pipoca e pé-de-moleque. Em Governador Valadares, é tempo, também, de homenagear Santo Antônio, padroeiro da cidade. Sob sua bênção, a população se organiza em prol da solidariedade numa grande festa, que dura duas semanas. Um verdadeiro corredor gastronômico é montado na rua próxima à Catedral de Santo Antônio e toda a renda é repassada a instituições filantrópicas do município.
Em uma das barracas, uma mesa repleta de tortas faz o público salivar e cobiçar cada fatia. Quem prepara as iguarias são os voluntários do Grupo de Apoio e Prevenção Oncológica (Gapon), instituição que presta assistência gratuita a portadores de câncer de toda a região. Uma das voluntárias é Rita Maria Nogueira Costa, dona da receita da torta de limão. Há 12 anos, ela se dedica ao grupo, seja fazendo doces e bordados para arrecadar renda ou, simplesmente, oferecendo um ombro amigo nas horas mais difíceis.
Receita de cidadania que deve ser aprendida por todos.
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Receita fornecida por Rita Maria Nogueira Costa, de Governador Valadares

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

10 razões saudáveis para você beber café

Café é bem mais que um estimulante . Embora tenha os seus contras, mais provocados pelo excesso de consumo, como por exemplo insônia, indigestão, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, tem vários pontos a favor, usando moderadamente, isso quer dizer umas 3 a 5 xícaras por dia. Tem gente que bebe uma garrafa inteira por dia, ou mais. Ai não faz bem mesmo, faz é mais mal que bem. Todos sabem que o excesso é o que faz mal. A própria ciência confirma os benefícios do café para a saúde, como vamos listar abaixo. São 10. A fonte da informação está no final da matéria.
Outra coisa, tem muito café ruim por ai, mas tem café bom mesmo. Para você saber se o café é de boa qualidade, faça o seguinte: numa xícara de água fria, despeje uma colher de café. Se ele dissolver e ficar no fundo, não é bom. Se boiar, o café é ótimo, pode tomar.
Vamos às dicas? Leia


1. O café é uma potente fonte de antioxidantes saudáveis.
De fato, o café mostra mais atividade antioxidante do que o chá verde e o cacau, dois superastros antioxidantes. Os cientistas identificaram aproximadamente 1.000 antioxidantes em grãos de café não processados ​​e centenas de outros se desenvolvem durante o processo de torrefação. Numerosos estudos citaram o café como a principal - e em alguns casos, a principal - fonte alimentar de antioxidantes para seus pacientes.
Como funciona: Os antioxidantes combatem a inflamação, uma causa subjacente de muitas doenças crônicas, incluindo artrite, aterosclerose e muitos tipos de câncer. Eles também neutralizam os radicais livres, que ocorrem naturalmente como parte das funções metabólicas diárias, mas que podem causar estresse oxidativo que leva à doença crônica. Em outras palavras, os antioxidantes ajudam a nos manter saudáveis ​​no nível micro, protegendo nossas células contra danos. Finalmente, o ácido clorogênico, um importante antioxidante encontrado quase exclusivamente no café, também ajuda a prevenir doenças cardiovasculares.
2. Cafeína fornece um aumento de memória de curto prazo.
Quando um grupo de voluntários recebeu uma dose de 100 miligramas (mg) de cafeína, aproximadamente a mesma quantidade contida em uma única xícara de café, pesquisadores austríacos descobriram um aumento na atividade cerebral dos voluntários, medida por ressonância magnética funcional (fMRI), como eles executaram uma tarefa de memória. Os pesquisadores observaram que as habilidades de memória e os tempos de reação dos voluntários cafeinados também foram melhorados quando comparados ao grupo de controle que recebeu um placebo e não mostrou aumento na atividade cerebral.
Como funciona: A cafeína parece afetar as áreas específicas do cérebro responsáveis ​​pela memória e concentração, fornecendo um impulso à memória de curto prazo, embora não esteja claro quanto tempo dura o efeito ou como ele pode variar de pessoa para pessoa.
3. O café pode ajudar a proteger contra o declínio cognitivo.
Além de proporcionar um aumento temporário na atividade cerebral e na memória, o consumo regular de café pode ajudar a prevenir o declínio cognitivo associado à doença de Alzheimer e a outros tipos de demência. Em um promissor estudo finlandês, pesquisadores descobriram que beber de três a cinco xícaras de café por dia na meia-idade estava associado a uma redução de 65% no risco de Alzheimer e demência na vida adulta. Curiosamente, os autores do estudo também mediram o efeito do consumo de chá no declínio cognitivo, mas não encontraram associação.
Como funciona: Existem várias teorias sobre como o café pode ajudar a prevenir ou proteger contra o declínio cognitivo. Uma teoria de trabalho: a cafeína impede o acúmulo de placa beta-amilóide que pode contribuir para o aparecimento e progressão da doença de Alzheimer. Os pesquisadores também teorizam que, como o consumo de café pode estar associado a um risco menor de diabetes tipo 2, um fator de risco para demência, também diminui o risco de desenvolver demência.
4. O café é saudável para o seu coração.
Um estudo holandês de referência, que analisou dados de mais de 37.000 pessoas durante um período de 13 anos, descobriu que os bebedores moderados de café (que consomem entre duas a quatro xícaras por dia) tinham um risco 20% menor de doença cardíaca quando comparados com pesados ​​ou leves. bebedores de café e não bebedores.
Como funciona: Há algumas evidências de que o café pode apoiar a saúde do coração, protegendo contra os danos arteriais causados ​​pela inflamação.
5. O café pode ajudar a reduzir certos tipos de câncer.
Os homens que bebem café podem estar em menor risco de desenvolver câncer de próstata agressivo. Além disso, uma nova pesquisa da Escola de Saúde Pública de Harvard sugere que beber quatro ou mais xícaras de café diariamente diminuiu o risco de câncer endometrial em mulheres em 25% em comparação às mulheres que beberam menos de uma xícara por dia. Pesquisadores também encontraram laços entre o consumo regular de café e taxas mais baixas de câncer de fígado, cólon, mama e reto.
Como funciona: Os polifenóis, fitoquímicos antioxidantes encontrados no café, demonstraram propriedades anticarcinogênicas em vários estudos e acredita-se que ajudem a reduzir a inflamação que poderia ser responsável por alguns tumores.
6. O café pode diminuir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.
Um corpo crescente de pesquisas sugere uma associação entre o consumo de café e um risco reduzido de diabetes. Um estudo de 2009 descobriu que o risco de desenvolver diabetes caiu 7% para cada xícara diária de café. Estudos epidemiológicos anteriores relataram que os bebedores pesados ​​de café (aqueles que tomam regularmente quatro ou mais xícaras por dia) tinham um risco 50% menor de desenvolver diabetes do que os bebedores leves ou não bebedores.
Como funciona: Os cientistas acreditam que o café pode ser benéfico em manter a diabetes sob controle de várias maneiras: (1) ajudando o corpo a usar insulina e protegendo as células produtoras de insulina, permitindo a regulação eficaz do açúcar no sangue; (2) prevenir danos nos tecidos; e (3) e combater a inflamação, um fator de risco conhecido para diabetes tipo 2. Descobriu-se que um componente do café conhecido como ácido cafeico é particularmente significativo na redução do acúmulo tóxico de depósitos proteicos anormais (fibrilas amilóides) encontrados em pessoas com diabetes tipo 2. O café descafeinado é considerado benéfico ou mais do que regular.
Nota: Existem algumas evidências de que o café diminui a sensibilidade das células musculares aos efeitos da insulina, o que pode prejudicar o metabolismo do açúcar e aumentar os níveis de açúcar no sangue. O significado deste achado, no entanto, ainda não está claro.
7. Seu fígado ama café.
É verdade: Além de diminuir o risco de câncer de fígado, o consumo de café tem sido associado a uma menor incidência de cirrose, especialmente cirrose alcoólica. Um estudo no Archives of Internal Medicine demonstrou uma correlação inversa entre o aumento do consumo de café e a diminuição do risco de cirrose - uma redução de 20% para cada xícara consumida (até quatro xícaras).
Como funciona: os cientistas descobriram uma relação inversa entre o consumo de café e os níveis sanguíneos de enzimas hepáticas. Níveis elevados de enzimas hepáticas tipicamente refletem inflamação e danos ao fígado. Quanto mais os sujeitos do café bebiam, menores eram os níveis de enzimas.
8. O café pode melhorar o desempenho do exercício.
Fomos condicionados a acreditar que a cafeína está desidratando, uma das principais razões pelas quais os especialistas em condicionamento físico recomendam a adição de café antes e depois do treino. No entanto, uma pesquisa recente sugere que o consumo moderado de cafeína - até cerca de 500 mg, ou cerca de cinco xícaras por dia - não desidrata os exercícios o suficiente para interferir em seus exercícios. Além disso, o café ajuda a combater a fadiga, permitindo que você se exercite por mais tempo.
Como funciona: A cafeína é um potenciador de performance e resistência; não apenas combate a fadiga, mas também fortalece a contração muscular, reduz a percepção de dor pelo praticante e aumenta os ácidos graxos no sangue, o que favorece a resistência.
9. Café freios depressão.
Vários estudos associaram o consumo de café a taxas mais baixas de depressão em homens e mulheres. Em vários estudos, os dados sugeriram uma relação inversa entre o consumo de café e a depressão: em outras palavras, os bebedores pesados ​​de café pareciam ter o menor risco (até 20%) de depressão.
Como funciona: os pesquisadores ainda não estão certos de como o café parece evitar a depressão, mas sabe-se que a cafeína ativa os neurotransmissores que controlam o humor, incluindo a dopamina e a serotonina.
10. O café protege contra a gota.
Estudos independentes sobre os padrões de consumo de café de homens e mulheres sugerem que beber café regularmente reduz o risco de desenvolver a gota. Pesquisadores do Nurses 'Health Study analisaram os hábitos de saúde de quase 90.000 enfermeiras ao longo de um período de 26 anos e encontraram uma correlação positiva entre o consumo de café a longo prazo e a diminuição do risco de gota. O benefício foi associado ao consumo regular e descafeinado: as mulheres que tomaram mais de quatro xícaras de café por dia tiveram 57% menos risco de gota; o risco de gota diminuiu 22% nas mulheres que bebiam entre uma e três xícaras por dia; e uma xícara de café descafeinado por dia foi associada a um risco reduzido de gota de 23% em comparação com as mulheres que não beberam café. Achados semelhantes foram documentados para homens: outro estudo em larga escala.
Como funciona: De acordo com o Nurses 'Health Study, as propriedades antioxidantes do café podem diminuir o risco de gota, diminuindo a insulina, o que reduz os níveis de ácido úrico (altas concentrações de ácido úrico podem causar gota).

Os Contras do Café 

Os potenciais benefícios para a saúde de beber café são novidades excitantes, mas isso não significa que mais é melhor. Para algumas pessoas, o café pode causar irritabilidade, nervosismo ou ansiedade em altas doses, e também pode afetar a qualidade do sono e causar insônia. Em pessoas com hipertensão, o consumo de café aumenta temporariamente a pressão arterial - embora não mais do que várias horas -, mas nenhuma correlação foi encontrada entre beber café e aumentar a pressão sanguínea a longo prazo ou a incidência de doença cardiovascular em pacientes com pressão arterial. hipertensão existente.

A cafeína afeta todas as pessoas de forma diferente, por isso, se você tiver quaisquer efeitos colaterais negativos, considere cortar seu consumo de café em conformidade. Demora cerca de seis horas para os efeitos da cafeína passarem, então limite o consumo de café no início do dia, ou mude para descafeinado, que contém apenas cerca de 2 a 12 mg de cafeína por oito onças. Sempre reduza gradualmente o consumo de café. Evite deixar o peru frio; Isso pode levar a sintomas de abstinência de cafeína que podem incluir dores de cabeça, dores musculares e fadiga que podem durar dias.

Como mantê-lo saudável

Então, quanto café é saudável e quanto é demais? Dois a três xícaras por dia são considerados moderados; bebedores mais frequentes de café  consomem quatro xícaras ou mais por dia. Lembre-se, a quantidade de cafeína por bebida varia de acordo com a preparação e o estilo da bebida. 1 xícara comum de café podem conter de 80 a 200 mg de cafeína por xícara (uma xícara “média” provavelmente contém cerca de 100 mg).

Sua melhor opção: Evite café com muito açúcar. Prefira um café preto básico, com pouca açúcar  e melhor ainda, sem açúcar. Misturado com leite integral é ótimo. Quanto menos açúcar o café tiver, melhor ficará a bebida.

Nota do editor: Por mais que todos nós gostemos de café, é importante reconhecer que mesmo os mais rigorosos estudos científicos estão sujeitos a interpretações diversas e críticas - especialmente aqueles que examinam algo tão amado e economicamente importante como o café - então aproveite seu hábito matinal. , mas interprete essas descobertas com cautela.
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Fonte das informações:https://www.onemedical.com/blog/newsworthy/10-healthy-reasons-to-drink-coffee-2/
Foto ilustrativa nossa. Autoria de chico do Vale

Conheça São Gonçalo do Rio das Pedras

São Gonçalo do Rio das Pedras é um presepinho lindo de Minas, a 1150 metros de altitude. É distrito do Serro MG, situado no Alto Jequitinhonha a 338 km de Belo Horizonte às margens do antigo caminho que ligava o Serro a Diamantina na Estrada Real.Sua história está ligada ao período da colonização de Minas Gerais, à mineração do ouro e diamante. (fotografia acima de Rita Peixoto)
Lugar paradisíaco, de arquitetura colonial, com acesso por estradas de terra, existem várias opções de hospedagem, como a primeira pousada criada na cidade, o Refúgio dos Cinco Amigos, Pousada do Capão, Pousada do Pequi, Pousada Fundo de Quintal e a Pousada Mirante do Vale. (fotografia acima de Guido Berkholz)
A natureza é exuberante e com paisagens e cachoeiras maravilhosas nas cercanias e o horizonte rochoso da Serra do Espinhaço. (foto acima de Tiago Geisler) O encanto não é apenas das belezas naturais. Seu povo é maravilhoso, simples, educado, hospitaleiro e muito receptivo. São Gonçalo do Rio das Pedras é um lugar para descanso e contemplação.
A pequena vila possui um rico acervo arquitetônico, com belos casarios coloniais, comidas típicas de Minas e se destaca também na produção de doces, vinhos e receitas oriundas do período colonial. Tem um rico artesanato feitos em madeira, capim, tecidos e lã. (foto acima de Rita Peixoto)
As tradições culturais e principalmente religiosas bem preservadas no distritos. Suas ruas são estreitas, calçadas ou gramadas, onde as crianças podem brincar à vontade, ao ar livre. (fotografia acima de Tiago Geisler) (Texto de Arnaldo Silva)
Lenda de São Gonçalo
Conta-se que há muito tempo atrás duas crianças brincavam em uma goiabeira onde está hoje a Matriz de São Gonçalo do Rio das Pedras (na foto acima de Tiago Geisler). Ao decorrer da brincadeira, as crianças encontraram uma imagem. Seus pais, ao verem aquela imagem, perceberam que era a de um santo. Como não existia nenhuma igreja no povoado, levaram-na em romaria para outro local mais perto, Milho Verde, onde havia uma capela. Mas o Santo pareceu não ter gostado nada da ideia e voltou para o mesmo lugar embaixo da goiabeira. No outro dia, as crianças voltaram a encontrar a imagem no mesmo local. Apavorados, chamaram seu pais. Eles ficaram impressionados ao verem o santo no mesmo lugar de antes. Novamente reuniram-se em romaria e levaram a imagem ao Milho Verde. Em sua caminhada, os romeiros perceberam as pegadas pequenas que havia na estrada e que sugeriam serem do próprio santo. Percebendo o acontecido, decidiram respeitar a vontade do santo, trazendo-o de volta e construindo a igreja Matriz de São Gonçalo no local de sua aparição.

Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, deve sua construção à iniciativa do bandeirante Antônio Dias, em 1699, nos primeiros anos de povoamento da região, com a descoberta do ouro. O templo original foi substituído por uma nova edificação em 1724, pois o crescimento do número de fiéis fez com que a primeira capela se tornasse pequena.

O arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (ao lado, retratado pelo artista plástico Elias Layon), foi enterrado nesta igreja, provável local de seu batismo. Seus restos mortais estão à frente do altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Aleijadinho é considerado o mais importante artista do período colonial brasileiro. Ganhou o apelido por volta dos 40 anos de idade, quando passou a andar com dificuldade em conseqüência de uma doença que deformou suas pernas e mãos. A limitação não o impediu, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais, como Sabará, Mariana e Congonhas. Em Ouro Preto, exemplos do trabalho do artista também podem ser encontrados na igreja de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição abriga o Museu do Aleijadinho, que exibe as obras do artista. O acervo conta ainda com documentos sobre a vida de escultor. (na fotografia abaixo, de WDiniz, o túmulo de Aleijadinho no interior da Igreja de Nossa Senhora da Conceição)
Os altares invocam são José, são Sebastião, santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, Nossa Senhora da Boa Morte, são João Batista, são Gonçalo e são Miguel e Almas. No altar-mor, há representações de roca de santa Bárbara e são João Nepomuceno. E, ao fundo, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na capela-mor, estão representados temas do Evangelho. No forro, vêem-se símbolos eucarísticos, como cachos de uva e hóstia. Nas laterais, imagens de fé (cruz e cálice) e esperança (cruz e âncora). Nas extremidades, os quatro evangelistas, João, Mateus, Lucas e Marcos.

Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, também foi enterrada na igreja em 1853, mas seu túmulo foi transferido depois para o Museu da Inconfidência. Ela foi a musa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que, inspirado por este amor, escreveu o livro Marília de Dirceu, publicado entre 1792 e 1799.

A arquitetura e alguns elementos de sua ornamentação repetem traços das igrejas Matriz do Pilar e de Nossa Senhora do Carmo, segundo especialistas, obras contemporâneas à sua construção. Altares e capela-mor são exemplos da influência destas outras igrejas, assim como a estrutura arquitetônica. Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de Santuário Arquideocesano da Imaculada Conceição.
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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/141 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e no Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000) Link original:http://mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-matriz-de-nossa-senhora-da-conceicao

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A vida é um trem que mora dentro de gente...

O trem vai de Minas pra Minas, atravessando montanhas. Viaja vencendo a mata, driblando árvores, fazendo nuvens, carregando histórias. Atravessa com sua fumaça os olhos da gente, com seu apito desnuda as lembranças, e corta nossa existência bem no meio do peito, fazendo o coração esquecer seu ritmo. A cadência certa, seu chacoalhar gostoso faz a vida se assentar e viajar ao nosso lado, coladinha com a nossa alma. 

O trem que vai de Minas pra Minas vai devagar, contando coisas do passado e desembrulhando com gentileza o presente. Vai tingindo nossas trilhas com cores esquecidas, vai deixando abrir porteiras que há muito trancamos sem perceber. Vai fazendo a gente estender a prosa e o pensamento, desacelerar, esperar sem pressa o que vai surgir na curva dos trilhos, e gostar do que vê. 

Faz a gente menos pergunta e mais descoberta, faz a gente mais observador do que crítico, faz a gente degustar o passar mais lento, e por isso mais profundo da nossa viagem interior. 

É no interior da gente que mora um trem. Mas a gente se esquece que ele existe e pode ser colocado a qualquer hora em movimento. Esquecemos, porque deixamos de perceber que a vida não é aquilo que está à nossa frente e que perseguimos incansavelmente com o nome de futuro. Esquecemos que a vida é um trem taquaral que pulsa em nós, apitando paisagens, desvendando caminhos a serem sentidos sem pressa, de rosto coladinho com a existência. 

A vida é uma viagem na Maria Fumaça. Mas a gente desaprendeu o jeito de passear. Pegamos o trem bala numa trajetória cara e sem garantia. É Maria Fumaça nosso bilhete de travessia. Pois que nem esse trenzinho que vai de Minas pra Minas, a gente vem da gente e volta pra gente mesmo, qualquer dia. Boa viagem
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Texto de Myrian Lucy Rezende de Uberlândia MG
Fotografia de César Reis mostrando a Maria Fumaça em Tiradentes MG

terça-feira, 11 de setembro de 2018

O tempo passou e me formei em solidão

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. 
Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, à noite.

Ninguém avisava nada, o costume era chegar de paraquedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegres a visita. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um.
– Olha o compadre aqui, garoto!
Cumprimenta a comadre.
E o garoto apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão dos meus irmãos. Aí chegava outro menino. Repetia-se toda a diplomacia.

– Mas vamos nos assentar, gente.
Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala.
Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre.
Eu e meus irmãos ficávamos assentados todos num mesmo sofá, entreolhando-nos e olhando a casa do tal compadre. Retratos na parede, duas imagens de santos numa cantoneira, flores na mesinha de centro… casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.

Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. Como um anjo benfazejo, surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Gente, vem aqui pra dentro que o café está na mesa.

Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite… tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também. Pra que televisão? Pra que rua? Pra que droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança… Era a vida respingando eternidade nos momentos que acabam…. era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade…

Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa.. A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos, a família toda, à porta. Olhávamos, olhávamos… até que sumissem no horizonte da noite.

O tempo passou e me formei em solidão. Tive bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail… Cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa:
– Vamos marcar uma saída!… – ninguém quer entrar mais.

Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores.
Casas trancadas.. Pra que abrir?
O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos do leite…

Que saudade do compadre e da comadre! 

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Texto de autoria de José Antônio Oliveira de Resende
Professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura, da Universidade Federal de São João Del-Rei/MG. (imagem ilustrativa. Pintura do artista plástico Márcio Luiz) Quem quiser conhecer a biografia e os trabalhos desse grande escritor mineiro, nesse link tem sua biografia e trabalhos: http://fundacaoschmidt.org.br/jose-antonio-oliveira-de-resende/

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A Bolerata do Serro

Tudo começou em 1990 com um encontro de bandas que ocuparam as sacadas dos casarões históricos da Praça João Pinheiro, no Serro, na região do Alto Jequitinhonha. Foi um encontro tão emocionante, que a partir daquele ano, começou a ser frequente e a partir de 2002, virou um evento tradicional na cidade, com apoio da Prefeitura Municipal e Associações culturais e musicais locais.

É um espetáculo maravilhoso. O centro da cidade, com seus belos e preservados casarões, a beleza da escadaria e Igreja de Santa Rita, emolduram a paisagem da noite cultural. O povo fica ao centro da praça, e pode saborear os produtos da terra, como o famoso queijo do Serro, a cachaça, doces e também, tomar uma boa cerveja ou uma gostosa bebida quente. Quem não se contenta em ficar sentado, ouvindo, levanta da mesa e dança à vontade.

O repertório principal é o bolero mas as tradicionais fanfarras, serestas, clássicos são tocados também. Música boa, de qualidade e com bandas formadas por músicos talentosos, que amam a arte que vivenciam e passam para os conterrâneos e visitante. Emociona, encanta, alegra a alma.

O som das bandas, que ecoa por todos os cantos, becos e e ruas da tri-centenária cidade serrana. O evento dura 90 minutos. Pura cultura, música de qualidade com muita emoção. E o povo serrano é ímpar, gosta de música, de cultura e valoriza sua cidade, suas tradições e seus valores. São hospitaleiros, simples, alegres e recebem muito bem os turistas e visitantes. (Por Arnaldo Silva - Fotografia de Sônia Fraga)

Veja a programação da Bolerata para o ano de 2018
Programação acima extraída da fanpage da Prefeitura do Serro MG
Como chegar em Serro
Além da Bolerata, o Serro tem um rico e preservado acervo arquitetônico e festividades culturais como a Folia de Reis e Festa de Nossa Senhora do Rosário. Seus distritos são muito procurados por turistas pela simplicidade e belezas naturais. Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras, Vila de Mato Grosso e Capivari são os distritos mais procurados.
A cidade fica a 226 km de Belo Horizonte, 759 km de Brasília, 892 km de São Paulo, a 685 km do Rio de Janeiro  a 580 km de Vitória.
De avião: 
Pegue um avião até o aeroporto de Confins em Belo Horizonte. Do aeroporto, siga de ônibus até a rodoviária da capital mineira  pegue um ônibus na rodoviária, da viação Serro e Saritur. São 5 horas de viagem e você poderá contemplar as belas paisagens da Serra do Cipó, pelo caminho. 
De carro:
Se vier de Brasília, venha pela BR 040 e próximo a Curvelo, pegue a BR 259.
Se ver de Belo Horizonte, pegue a MG 010, sentido Lagoa Santa, Serra do Cipó e Conceição do Mato Dentro e ficar atento as placas indicativas.
Se for sair de São Paulo, venha pela Fernão Dias, até BH e pegue a MG 010, sentido Lagoa Santa, Serra do Cipó, Conceição do Mato Dentro e fique atento as placas indicativas.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O Sotaque das Mineiras

O sotaque das mineiras deveria ser ilegal, imoral ou engordar. Porque, se tudo que é bom tem um desses horríveis efeitos colaterais, como é que o falar lindo (das mineiras) ficou de fora?
Mineira deveria nascer com tarja preta avisando: ouvi-la faz mal à saúde. Se uma mineira, falando mansinho, me pedir para assinar um contrato doando tudo que tenho, sou capaz de perguntar: só isso?
Assino achando que ela me faz um favor.
Eu sou suspeitíssimo. Confesso: esse sotaque me desarma. Os mineiros têm um ódio mortal das palavras completas.
Preferem abandoná-las no meio do caminho, não dizem:
pode parar, dizem: 'pó parar'.
Não dizem: onde eu estou?, dizem: 'ôncôtô'.
Os não-mineiros, ignorantes nas coisas de Minas, supõem, precipitada e levianamente, que os mineiros vivem lingüisticamente falando, apenas de uais, trens e sôs.
Digo-lhes que não(...)
Mineiras não usam o famosíssimo 'tudo bem'.
Sempre que duas mineiras se encontram, uma delas há de perguntar pra outra:
- 'Cê tá boa?'.
Para mim, isso é pleonasmo.
Perguntar para uma mineira se ela tá boa é desnecessário.
Há outras. (...)
- 'Aqui', não vou dar conta de chegar na hora, não.
Esse 'aqui' é outro que só tem aqui(...)
Que os mineiros não acabam as palavras, todo mundo sabe.
É um tal de 'bonitim', 'fechadim', e por aí vai.
Já me acostumei a ouvir:
- E aí, 'vão?'. Traduzo:
- E aí, vamos?
Não caia na besteira de esperar um 'vamos' completo de uma mineira.
Não ouvirá nunca.
Eu preciso avisar à língua portuguesa que gosto muito dela, mas prefiro, com todo respeito, a mineira.
Nada pessoal.
Aqui certas regras não entram.
São barradas pelas montanhas.
Por exemplo, em Minas, se você quiser falar que precisa ir a um lugar, vai dizer:
- Eu preciso 'de' ir.
Onde os mineiros arrumaram esse 'de', aí no meio, é uma boa pergunta.
Só não me perguntem. Mas que ele existe, existe(...)
Aqui em Minas ninguém precisa ir a lugar nenhum.
Entendam...
Você não precisa ir, você precisa 'de' ir.
Você não precisa viajar, você precisa 'de' viajar.
Se você chamar sua filha para acompanhá-la ao supermercado, ela reclamará:
- Ah, mãe, eu preciso 'de' ir?
No supermercado, o mineiro não faz muitas compras, ele compra um 'tanto de coisa'.
O supermercado não estará lotado, ele terá um 'tanto de gente'(...)
Entendeu?
Se, saindo do supermercado, a mineirinha vir um mendigo e ficar com pena, suspirará:
- 'Ai, gente, que dó'.
É provável que a essa altura o leitor já esteja apaixonado pelas mineiras(...)
Para uma mineira falar que algo é muitíssimo bom vai dizer:
- 'Ô, é sem noção'.
Entendeu?
É 'sem noção!
' Só não esqueça, por favor, o 'Ô' no começo, porque sem ele não dá para dar noção do tanto que algo é sem noção,
entendeu?
Capaz...
Se você propõe algo ela diz:
- 'Capaz'!!!
Vocês já ouviram esse 'capaz'?
É lindo(...)
Já ouviu o 'nem...?
' Completo ele fica:
- Ah, 'nem' (...)
A propósito, um mineiro não pergunta:
- Você não vai?
A pergunta, mineiramente falando, seria:
- 'Cê' não anima 'de' ir?
Tão simples.
O resto do Brasil complica tudo.
É, ué, cês dão umas volta pra falar os trem(...)
O plural, então, é um problema.
Um lindo problema, mas um problema.
Sou, não nego, suspeito.
Minha inclinação é para perdoar, com louvor, os deslizes vocabulares das mineiras.
Aliás, deslizes nada.
Só porque aqui a língua é outra, não quer dizer que a oficial esteja com a razão.
Se você, em conversa, falar:
- Ah, fui lá comprar umas coisas...
- 'Que' s coisa?' - ela retrucará.
O plural dá um pulo(...)
E se você acusar injustamente uma mineira, ela, chorosa,confidenciará:
- Ele pôs a culpa 'ni mim'.
A conjugação dos verbos tem lá seus mistérios, em Minas.
Ontem, uma senhora docemente me consolou:
'preocupa não, bobo!'.
E meus ouvidos, já acostumados às ingênuas conjugações mineiras, nem se espantam.
Talvez se espantassem se ouvissem um: 'não se preocupe', ou algo assim.
A fórmula mineira é sintética.
E diz tudo.
Até o tchau, em Minas, é personalizado.
Ninguém diz tchau pura e simplesmente.
Aqui se diz: 'tchau pro cê', 'tchau pro cês'.
É útil deixar claro o destinatário do tchau.
Então neh, as mineiras são trem bão demais sô....


Um abraço bem apertado procê
Felipe Peixoto Braga Netto
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Esse texto é atribuído erroneamente a Carlos Drumond de Andrade mas o autor é Felipe Peixoto Braga Netto (Imagem ilustrativa nossa - Modelo Lee Camargo - Caetanópolis MG. Fotografia de Carol Bertolino)