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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Vale do Gongo: a vinícola do Norte de Minas

(Por Arnaldo Silva) Na cidade histórica de Grão Mogol, no Norte de Minas, distante 150 km de Montes Claros e a 570 km da capital, Belo Horizonte, se destaca a Vale do Gongo, uma vinícola boutique e artesanal, localizada num cenário de natureza e belezas exuberantes da única cordilheira do Brasil, a Cordilheira do Espinhaço. A cidade tem pouco mais de 14 mil habitantes e é uma das mais charmosas e atraentes cidades históricas de Minas Gerais. 
A origem
        A Vinícola começou em 2017, quando os irmãos Gesio e Alexandre, observaram a excelente produção de uma videira que seu avô havia plantado no quintal da histórica Casa Velha há mais de 65 anos. A partir dessa observação, iniciaram-se os estudos e os experimentos para a implantação de uma vinícola no sertão das Minas Gerais, na Cordilheira do Espinhaço, a única cordilheira do Brasil. 
        Hoje, cultivam, com sucesso, as variedades  de uvas européias como Merlot, Syrah, Sangiovese, além das variedades híbridas brasileiras BRS Lorena e BRS Vitória, desenvolvidas pela tecnologia de melhoramento genético da Embrapa. Etsá sendo testado ainda as variedades Malbec, Chardonnay e Cabernet Franc. 
        Os vinhos da vinícola Vale do Gongo são finos e de 'terroir' próprio, produzidos em pleno sertão mineiro com vários de seus rótulos premiados.
        Os vinhedos, a produção e processamento de vinhos, são feitos na Fazenda Vale do Gongo, localizada no KM 17 da Comunidade Taquaral, Zona Rural de Grão Mogol, onde estão os parreirais das uvas.
Vinhos finos e espumantes
        Na vinícola, são produzidos vinhos finos de qualidade como Tinto Seco, Branco Seco, Tinto Meio Seco, Rosé Seco e Rosé Meio Seco e Vinho Licoroso tipo Porto que o açúcar é natural da própria fruta, colhida no ponto mais extremo de maturação.
        Além disso, na vinícola são produzidos espumantes Démi-sec Rosé, utilizando os métodos tradicionais na espumantização da bebida. espumantes são nuture, pelo método tradicional, com 18 meses em autolise.
Visitas à Vinícola
        A Vale do Gongo recebe visitantes para experiências enoturísticas e gastronômicas. Durante o passeio guiado pelos parreirais, os visitantes conhecem a história e a filosofia da vinícola, participam, também, da colheita de uvas e recebem explicações sobre o cultivo da videira.
        Após o passeio guiado, contemplam o lindo pôr do sol nas montanhas e se deliciam com um farto café sertanejo, com quitandas mineiras assadas na hora em forno a lenha.
A Casa Velha
        À noite, a partir das 21 horas, no espaço histórico Casa Velha, um casarão erguido no final do século XVIII, no Centro Histórico da cidade.
        Construído com pedras locais, características das construções coloniais da cidade, o histórico casarão é um espaço agradável, confortável, com ares medievais e romântico. Lugar ideal para casais que buscam o romantismo tradicional, regado a bons vinhos, jantares a luz de velas, em um ambiente rústico, acolhedor, charmoso, sofisticado e elegante.
Jantar harmonizado
        Na Casa Velha, visitantes são recepcionados para um jantar harmonizado com os vinhos artesanais produzido pela Vale do Gongo, desde o espumante, passando pelos vinhos brancos, tintos encorpados, rótulos premiados e, para finalizar o banquete, são servidos os vinhos licorosos tipo Porto.
        O jantar é completo com pratos típicos da nossa culinária e animado com show musical ao vivo. Durante o jantar, são servidos vários petiscos de entrada, três pratos principais e as deliciosas sobremesas mineiras. Tudo servido à vontade!
Datas de visitas e agendamento
Vista aérea de Grão Mogol MG fotografada pelo Bruno Lages
        A temporada de visitas vai de março a outubro. As vagas são limitadas e concorridas! Não fique de fora dessa experiência incrível!         Venha se surpreender com os aromas, os sabores e as belezas naturais de Grão Mogol-MG e da Vinícola Vale do Gongo
DATAS DISPONÍVEIS PARA 2026:
AGOSTO: dias 08 e 22
SETEMBRO: dias 05 e 19
OUTUBRO: dias 10 e 17
        Contato pode ser feito via Instagram: @valedogongo ou pelo WhatsApp: 38 9106-3436 com Alexandre Damasceno.
Fotos cedidas pela Vinícola Grão Mogol, exceto a vista aérea, cedida pelo autor.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

História da Festa do Vinho de Andradas MG

Muito mais que uma festa: uma história que atravessa gerações
(Arnaldo Silva) - Colaborador: Edson Conti - Há tradições que sobrevivem ao tempo porque fazem parte da identidade de um povo. Em Andradas, no Sul de Minas Gerais, a Festa do Vinho é uma delas.
        Muito além dos shows, da gastronomia ou da degustação de vinhos, a Festa do Vinho representa o encontro entre passado e futuro. É um patrimônio construído pelas mãos de famílias que, geração após geração, transformaram a cultura da uva e do vinho em um dos maiores símbolos da cidade.
        Desde sua primeira edição, realizada em 1954, a festa tornou-se um retrato da evolução de Andradas. Ao longo das décadas, acontecendo tradicionalmente no mês de julho, acompanhou mudanças econômicas, culturais e sociais, reinventando-se sem perder sua essência: celebrar o trabalho, a hospitalidade e as tradições de uma terra reconhecida pela vocação vitivinícola.
Uma festa que nasceu da terra
        Muito antes dos palcos, das luzes e das grandes atrações, existiam os parreirais.
        Foram os imigrantes, especialmente os italianos, que trouxeram para Andradas o conhecimento do cultivo da videira e da produção artesanal do vinho. O que começou como tradição familiar transformou-se em atividade econômica, impulsionando o desenvolvimento da cidade e consolidando sua identidade.
        Foi desse legado que nasceu a Festa do Vinho: uma celebração criada para valorizar quem cultivava a terra e produzia um dos principais símbolos do município.
Quando a cidade inteira era a festa
        Quem viveu as antigas edições guarda lembranças difíceis de esquecer.
        Durante vários dias, o centro de Andradas ganhava um novo cenário. As praças Coronel Luiz Venturelli e Dr. Alcides Mosconi eram cercadas por barracas de comerciantes vindos de diversas regiões do Brasil.
        Nas calçadas, formava-se uma grande feira a céu aberto. As ruas permaneciam livres para a circulação das pessoas, enquanto moradores e turistas passeavam entre os expositores.
        Ali era possível encontrar roupas, utensílios domésticos, louças, peças de alumínio, brinquedos, doces, discos de vinil, fitas cassete, artesanato e tantas outras novidades que, muitas vezes, ainda não faziam parte do comércio local.
        Era muito mais que um espaço de compras.
        Era um lugar de encontros.
        De conversas.
        De descobertas.
        'De convivência.
        A cidade respirava Festa do Vinho.
A caneca que virou lembrança
        Entre tantas tradições, poucas despertam tanta nostalgia quanto a famosa caneca oficial da Festa do Vinho.
Em diversas edições, os visitantes que adquiriam o passaporte para o evento recebiam uma caneca de louça personalizada.
        Ela acompanhava o público durante a visita ao Pavilhão do Vinho, onde os produtores apresentavam seus rótulos e compartilhavam o resultado de meses de trabalho nos vinhedos.
        Ao final da festa, aquela simples caneca deixava de ser um utensílio.
        Transformava-se em lembrança.
        Hoje, muitas delas permanecem guardadas como verdadeiras relíquias, representando momentos especiais vividos em família ou entre amigos.
Um mascote que ganhou vida
        Outra transformação curiosa da Festa do Vinho aconteceu com o seu personagem mais querido.
        Durante muitos anos, o Uvinho existia apenas nos cartazes, programas oficiais, cartolas e materiais promocionais.
Era uma ilustração simpática que anunciava a chegada da festa.
        Com o passar do tempo, ganhou forma, movimento e personalidade.
        Hoje, o Uvinho circula pelo recinto, recebe visitantes, abraça crianças, participa de fotografias e tornou-se um dos maiores símbolos da hospitalidade andradense.
Muito além do vinho
        Ao longo de sua trajetória, a Festa do Vinho acompanhou a evolução da própria cidade.
        Os antigos bailes deram lugar aos grandes shows.
        Novas atrações culturais passaram a integrar a programação.
        A gastronomia ganhou destaque.
        O turismo se fortaleceu.
        Mas a essência permaneceu.
        Cada edição continua sendo uma homenagem aos produtores rurais, às famílias pioneiras e à cultura que fez de Andradas uma referência na produção de vinhos em Minas Gerais.
Uma história que continua sendo escrita
Arte IA - Por Gabriel Conti
        A Festa do Vinho não pertence apenas ao passado.
        Ela continua viva.
        Renova-se a cada edição.
        Recebe novas gerações de visitantes, produtores e artistas.
        Ao mesmo tempo, preserva as lembranças daqueles que viveram as antigas barracas nas praças, os bailes, as canecas de louça e os encontros que marcaram época.
        Celebrar a Festa do Vinho é celebrar a própria história de Andradas.
        É brindar à coragem dos pioneiros, ao trabalho das famílias, à riqueza da cultura local e ao futuro de uma tradição que, há mais de sete décadas, emociona moradores e encanta visitantes.
        Porque, em Andradas, o vinho é mais do que uma bebida.
        É memória.
        É identidade.
        É patrimônio.
        E, acima de tudo, é um convite para que cada visitante leve consigo um pouco da história desta terra acolhedora.
Conheça as principais vinícolas de Andradas
- Vinhos Marcon: uma história centenária que nasceu da terra e floresceu em tradição
Fotografia com arte IA - Por Edson Conti
         Algumas histórias não são escritas apenas em livros. Elas são cultivadas na terra, amadurecem com o tempo e atravessam gerações.
Assim nasceu a história da Vinhos Marcon, uma das mais tradicionais vinícolas de Andradas, no Sul de Minas Gerais.
        Tudo começou em 1889, quando a família Marcon desembarcou em Andradas trazendo consigo a esperança de construir uma nova vida. Como tantas famílias de imigrantes que ajudaram a formar a identidade da cidade, dedicaram-se inicialmente ao cultivo do café, atividade que movimentava a economia da região e exigia trabalho árduo, perseverança e profundo respeito pela terra.
        Durante mais de duas décadas, o café foi o sustento da família. Mas a tradição europeia do cultivo da uva e da elaboração de vinhos permaneceu viva na memória e no coração dos Marcon.
        Foi então que, em 1912, nasceu um novo capítulo dessa trajetória.
Movidos pelo conhecimento herdado de seus antepassados e pela vocação natural de Andradas para a viticultura, iniciaram a produção artesanal de vinhos. O que começou de forma simples, dentro da propriedade da família, transformou-se ao longo dos anos em um verdadeiro patrimônio da história vitivinícola da cidade.
        Década após década, a Vinhos Marcon acompanhou as transformações do Brasil e da própria viticultura. Enfrentou períodos de crescimento, desafios econômicos, mudanças tecnológicas e novas exigências do mercado. Em cada fase, soube preservar aquilo que jamais poderia ser perdido: o compromisso com a qualidade e o respeito às tradições familiares.
        Mais de um século depois, esse legado permanece vivo.
Hoje, a vinícola reúne a força da terceira, quarta e quinta gerações da família Marcon, que trabalham lado a lado para manter viva uma história construída com dedicação, honestidade e amor pelo que fazem.
        Cada garrafa produzida carrega muito mais do que vinho.
Carrega o trabalho de homens e mulheres que acreditaram em seus sonhos, a memória dos pioneiros que transformaram a terra em oportunidade, o conhecimento transmitido entre pais e filhos e o orgulho de fazer parte da história de Andradas.
        Ao degustar um vinho Marcon, não se aprecia apenas seus aromas e sabores. Degusta-se uma tradição iniciada em 1912, resultado de mais de cem anos de experiência, dedicação e paixão pela viticultura.
        É a prova de que algumas histórias, assim como os grandes vinhos, tornam-se ainda melhores com o passar do tempo.
        Mais de um século transformando trabalho, tradição e amor pela terra em vinhos que preservam o verdadeiro sabor da história de Andradas.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

Biscoito ou Bolacha? Uma tradição que faz parte da história de Andradas MG

(Por Edson Conti) Quem visita Andradas, no Sul de Minas, logo percebe que o aroma do café passado na hora combina perfeitamente com uma mesa repleta de delícias. Mas, afinal, existe diferença entre biscoito e bolacha?
(Arte IA - Por Edson Conti
        Embora muitas pessoas utilizem os dois nomes como sinônimos, tradicionalmente o biscoito de polvilho é preparado à base de polvilho, resultando em um produto leve, aerado e crocante, um verdadeiro símbolo da culinária mineira.
        Já as bolachas, produzidas com farinha de trigo, apresentam uma enorme diversidade de receitas e formatos. Rosquinhas, beliscões recheados com goiabada, cavacas açucaradas, bolachas amanteigadas e tantas outras especialidades fazem parte da tradição das famílias e das fábricas da cidade, mantendo receitas transmitidas de geração em geração.
Arte IA - Por Edson Conti
        Mais importante do que a nomenclatura é reconhecer o valor cultural de cada uma dessas receitas. Elas representam trabalho, empreendedorismo, memória afetiva e uma tradição gastronômica que há décadas faz parte da identidade de Andradas.
        Ao redor de uma xícara de café, biscoitos e bolachas compartilham o mesmo propósito: reunir pessoas, preservar histórias e manter viva uma das mais saborosas expressões da hospitalidade mineira.
Arte IA - Por Edson Conti
        Em Andradas, cada receita carrega um pedaço da história da cidade, transformando ingredientes simples em um patrimônio de sabor, tradição e acolhimento.

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