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quinta-feira, 27 de maio de 2021

O Paraíso Achado em Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Cortando estrada, em meio a trilhas, fendas abertas pela natureza e matas nativas do Cerrado, está o Paraíso Achado, um complexo turístico formado por matas nativas de Cerrado, cachoeiras, piscinas naturais, trilhas e lagoas.
          Um lugar de impactante e impressionante beleza, achado na cidade de Capitólio MG, distante 280 km de Horizonte, no Sudoeste de Minas Gerais. O acesso a Capitólio é pela MG-050. (fotografia acima João Batista de Souza)
          Conhecida como a Rainha do Lago de Furnas, Capitólio é um dos mais badalados e atraentes pontos turísticos de Minas Gerais. De Capitólio, até o Paraíso Achado, são cerca de 38 km.
          O Paraíso Achado fica na Fazenda Córrego da Capivara, uma propriedade particular, com cerca de 400 hectares.
          No final de 2019, os proprietários, abriram a fazenda para exploração do turismo sustentável e vem investindo aos poucos em melhorias estruturais, para oferecer segurança e conforto aos turistas que visitam diariamente o Paraíso Achado.
         O lugar é muito bem sinalizado, muito limpo e muito bem cuidado pelos os proprietários, que tem preocupação com a preservação da fauna e flora local, incentivando o turismo sustentável, onde as pessoas desfrutam da natureza, respeitando-a, em todos os sentidos. (fotografia acima do Guia de Turismo @percio_passeioscapitolio)
          Para garantir a preservação do Paraíso Achado, é cobrada uma taxa de manutenção por pessoa, para entrar na área. (na foto acima do João Batista de Souza, banheiros do Paraíso Achado)
          Com isso, melhorias vêm sendo feitas no local, permitindo maior conforto e segurança dos usuários, como estacionamento, banheiros, corrimões e uma pequena lanchonete. (fotografia acima do Guia de Turismo @percio_passeioscapitolio)
          Pelos caminhos que levam ao Paraíso Achado, encontra-se cachoeiras e cascatas paradisíacas, que formam poços de águas limpíssimas e refrescantes, como as formadas pelo Córrego da Capivara, além de enormes paredões de pedras e fendas abertas há milhões de ano, pela ação natural. (foto acima de João Batista de Souza)
          O Paraíso Achado é um lugar ótimo para os amantes da natureza, tanto para o que buscam paz e sossego, bem como para que gostam de uma vida mais intensa, já que o lugar conta com trilhas e condições para a prática de rapel, canionismo, trekking, etc. (fotografia acima do Guia de Turismo @percio_passeioscapitolio) 
        O Paraíso Achado é tão lindo e faz jus ser chamado de paraíso. Quem conhece, quer voltar. Um lugar de raríssima beleza, um presente de Deus para os mineiros e turistas do Brasil e do mundo que vem à região, desfrutar uma das mais belas paisagens e Minas Gerais. (foto acima do João do Achado)
          Como Capitólio e São João Batista do Glória, são municípios vizinhos, o Paraíso Achado, está próximo ao Paraíso Perdido, em São João Batista do Glória MG. Dois paraísos na terra, e em Minas Gerais, na Serra da Canastra. (fotografia acima e abaixo de João Batista de Souza)
          O acesso mais fácil ao Paraíso Achado é por São João Batista do Glória MG. É recomendado ir acompanhado de guia, além de veículos adequados, tipo 4x4, para andar pelas estradas de pedras, da região, já que o acesso é um pouco difícil. Tanto em Capitólio, quanto em São João Batista do Glória, encontra-se Guias de Turismo para levar os turistas aos Paraíso Achado e outras localidades da região.
          Tanto em Capitólio, quanto em São João Batista do Glória MG, encontra restaurantes, pousadas e hotéis, dos mais simples, aos mais sofisticados, além de Guias de Turismo, especializados, fáceis de serem encontradas nas duas cidades. (foto acima do João do Achado)
           Mais informações sobre o Paraíso Perdido podem ser obtidas direto com o proprietário, João Batista de Souza pelo número (35) 999050522 ou @paraisoachado

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Inconfidentes: a Capital Nacional do Crochê

(Por Lucas Silva Dantas*) Inconfidentes, localizada no interior do Sul de Minas Gerais, é uma cidade encantadora na sua simplicidade, na sua beleza e na riqueza dos seus talentos. Localizada a 441 quilômetros da sua Capital Belo Horizonte com acesso pela BR-381 e MG-290, a cidade possui aproximadamente 7.300 habitantes e 149 Km2, fazendo divisa com os municípios de Bom Repouso, Borda da Mata, Bueno Brandão, Ouro Fino e Tocos do Moji.
Fotos acima de Karen Nogueira
          Segundo a historiadora Leyde Moraes Guimarães no seu livro “Inconfidentes: a terra que me viu nascer” (2010): “Naturalmente os primeiros habitantes desta região foram os gentios – talvez o gentio caiapó (habitante das matas) – que dominaram a vasta região da cabeceira do rio Mogi-Guaçu. Inconfidentes está situada em território que era ocupado por eles. A nação caiapó pertencia ao grupo jê e era de caráter bravio. Dominava desde a cabeceira do rio Araguaia, em Goiás, até as cabeceiras dos rios Oriçanga e Mogi-Guaçu. Suas aldeias se estendiam pelos vales dos rios. Geralmente estabeleciam residências nos lugares onde mais abundavam a caça e a pesca. ” 
          Segundo Elaine Garcaia Reberte, em seu trabalho denominado “Histórico de Inconfidentes” (1998): “A vinda dos bandeirantes em busca de ouro nas margens do Rio Mogi Guaçú também marca a história de Inconfidentes. O território era chamado Povoado de Mogi Acima e pertencia ao município de Ouro fino. O ourofinense Júlio Bueno Brandão tomou todas as providências junto ao Governo Estadual para que fosse criado uma Colônia Agrícola de Estrangeiros, onde foi concedido e iniciada em 22 de maio de 1910. Intitulada Núcleo Colonial de Inconfidentes as terras foram distribuídas para os colonos italianos, espanhóis, portugueses, russos, estonianos, franceses, suíços e outras nacionalidades. Desta forma, Inconfidentes não nasceu de um assentamento, mas da colonização por colonos estrangeiros e nacionais."
  Foto de Maria Stela Rissatti, por meio do seu projeto “Uma proposta de arquivo histórico de garra da população de Inconfidentes”, para a Lei Aldir Blanc
        Inconfidentes se tornou município em 30 de dezembro de 1962, o nome da cidade é uma alusão aos heróis da Inconfidência Mineira, como Tiradentes e Alvarenga Peixoto. 
          A cidade de Inconfidentes apresenta na sua formação os contornos de vários povos, etnias, culturas e tradições diversas. Tem um histórico de luta e resistência para deixar de ser núcleo colonial, para se desligar de Ouro Fino, até ser oficializada como município. Desde a sua criação, a cidade foi pensada por engenheiros da época, com projeção das praças, quarteirões, entre outros espaços, para que pudesse um dia ser reconhecida como cidade.
          Em Inconfidentes está sediado o Instituto Federal do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS) - Campus Inconfidentes, um dos maiores polos de ensino e pesquisa do Brasil. Segundo o site do Instituto:
          “O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais – campus Inconfidentes, tem sua origem em 28 de fevereiro de 1918, pelo Decreto nº 12.893, nove anos após a criação da primeira Escola Agrícola no Brasil, ainda como Patronato Agrícola, vinculada ao Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Permaneceu assim até o final da década de 50, quando então passou a ser denominada a Escola Agrícola “Visconde de Mauá”, oferecendo curso ginasial, durante toda a década de 60. No dia 29 de dezembro de 2008 a Escola Agrotécnica Federal de Inconfidentes/MG, passou a denominar Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais, Campus Inconfidentes, juntamente com as ex- escolas agrícolas de Machado e Muzambinho. Com a sua criação, os Institutos deverão ter forte inserção na área de pesquisa e extensão, visando estimular o desenvolvimento de soluções técnicas e tecnológicas e estendendo seus benefícios à comunidade.”
 Fotografia de Rosiane Aparecida Silva, por meio do seu projeto “Um Olhar Sobre Inconfidentes”, para a Lei Aldir Blanc
         Inconfidentes é reconhecida como a Capital Nacional do Crochê, sendo uma das maiores produtoras de crochê, malhas, fios, fibras e tapetes do Sul do Minas Gerais. O crochê está no dia a dia da população, se transformou em fonte de renda de muitas pessoas do município, deixando um legado histórico e cultural para a cidade. O modo de fazer crochê foi tombado como Patrimônio Cultural do Estado de Minas Gerais através da lei Nº 22896, DE 11/01/2018. A cidade integra o Circuito Turístico das Malhas, sendo uma das maiores produtoras de malhas e de crochê do Estado. 
          A cidade se tornou famosa por sua produção artesanal de peças com essa técnica, tanto em linha de seda quanto em linha de barbante. O crochê está na decoração das árvores, no tapete das casas, nas lojas de artesanato, nas roupas e acessórios, nas mãos de crocheteiras que ensinam suas filhas, suas netas e passam essa arte de geração em geração. O crochê produzido em Inconfidentes se espalha pelas lojas de todo o País. Estima-se que mais de 2 mil pessoas fazem o artesanato no município, comprovando o ditado popular que diz que em Inconfidentes toda família tem uma crocheteira.
Fotografia de Caroline Silva Dantas, por meio do seu projeto “Mãos (In)Visíveis”, para a Lei Aldir Blanc.
          Para trazer visibilidade as malharias, comércios, artistas e artesões do Município foi criado a CrocheMalhas, um importante evento da cidade com cerca de 4 dias de exposição com desfiles, shows e outros eventos organizados para atrair turistas e a população das cidades vizinhas. Nos dias de realização da CrocheMalhas a cidade toda se reúne para apreciar a exposição de malhas, crochês, entre outros artesanatos e produções.
          Em 2005, Inconfidentes entrou para o Rank Brasil como o maior artesanato linear em Crochê do Brasil com um tapete de 2.578,09 metros. A peça de crochê foi estendida desde a entrada da cidade, passando pela avenida principal, decorando toda a praça da igreja e entrando até o pavilhão de exposições da CrocheMalhas.       
Fotografia de Rosiane Aparecida Silva, por meio do seu projeto “Um Olhar Sobre Inconfidentes”, para a Lei Aldir Blanc
          Para além do crochê Inconfidentes também possui outras riquezas e conta com a produção de alho, café, verduras, legumes, frutas, bucha, leite, queijo, danone, doce de leite, entre outros produtos que trazem riqueza, fartura e que são o sustento de muitas famílias da cidade. Os produtores rurais estão espalhados por todo o município, que possui extensa Zona Rural, com plantações e produções diversas, incluindo a pecuária. 
                                                                                   Fotografia Ana Luiza Silva Ribeiro do Vale, por meio do seu projeto “Sobre Olhares”, para a Lei Aldir Blanc. 
          Inconfidentes também faz parte do roteiro turístico do Caminho da Fé, caminho de peregrinação inspirado no milenar caminho de Santiago de Compostela na Espanha. Para além do Caminho da Fé Inconfidentes também está no trajeto do Caminho da Prece, Caminho de Nhá Chica, Caminho das Graças e Prosas e Caminho das Capelas. Inconfidentes possui hotéis, hostel e pousadas prontas para receber turistas e peregrinos que por aqui passam e desejam conhecer melhor o município!
          Seja para apreciar as árvores revestidas de crochê, para peregrinar pelos diversos caminhos que passam pelo município, para imergir no turismo rural e conhecer picos e cachoeiras, para comprar os artesanatos, provar o café, os queijos e doces, para conhecer o IFSULDEMINAS Campus Inconfidentes e seus inúmeros cursos técnicos, para visitar a Igreja e as diversas capelas do município, visite e conheça Inconfidentes!
Fotografia de Ana Luiza Silva Ribeiro do Vale, por meio do seu projeto “Sobre Olhares”, para a Lei Aldir Blanc.
*Lucas Silva Dantas é educador e artista, natural de Inconfidentes e colaborador do Turismo e da Cultura do município
Referências Bibliográficas: Livro “Inconfidentes a terra que me viu nascer - aspectos históricos gerais” escrito por Leyde Moraes Guimarães (2010); Trabalho “Histórico de Inconfidentes”, escrito por Elaine Garcia Reberte (1998)

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Alagoa e a história da centenária receita de seu queijo

(Por Arnaldo Silva) Alagoa é uma cidade charmosa, elegante, tradicional, aconchegante e de um povo gentil e hospitaleiro. São pouco mais de 2800 mil habitantes, que vivem do pequeno comércio, da prestação de serviços, da pequena indústria como laticínios, produção de azeite de oliva e queijarias artesanais, além da agropecuária. 
Conheça Alagoa          
          O município fica no Sul de Minas, a 1132 metros de altitude, no alto da Serra da Mantiqueira. Faz divisa com os municípios de Itamonte, Aiuruoca, Baependi e Bocaina de Minas, estando distante 420 km da capital. Para chegar à cidade, a opção é pela estrada que vem de Itamonte ou por Aiuruoca. (foto acima fornecida pela Thaylane Guedes da Fazenda Bela Vista)
          Embora seja um dos menores municípios de Minas, em número de habitantes, Alagoa é uma das mais antigas povoações mineiras, tendo sua história iniciada em 1710, no século XVII, com a chegada de bandeirantes em busca de ouro. Quando os bandeirantes chegaram à região, encontraram uma enorme lagoa com cerca de 3 km de extensão e ainda, em seu leito, tinha o tão procurado metal, o ouro. A lagoa não tinha nome, era chamada apenas de “a lagoa”.
          A busca desenfreada pela retirada do ouro foi tão intensa, que da lagoa nada existe. Sobrou apenas o nome pela qual era chamada, “a lagoa” que passou a ser o da cidade, juntando o “a” com “lagoa, ficando, Alagoa, elevada à cidade emancipada em 28 de dezembro de 1962. (foto abaixo enviada pelo Rafael Faria, da queijaria Sítio do Morro)
Uma típica cidade mineira
          A cidade preserva a religiosidade, a cultura, a gastronomia, história e tradições de Minas. Seus moradores tem hábitos tipicamente mineiros. Todos se conhecem e boa parte, tem algum tipo de parentesco. Visita que chega vai logo pra cozinha, tomar café, comer pão de queijo e biscoitos assados no forno do fogão a lenha, tomar aquele café coado em coador de pano e claro, comer queijo.

          Casario colonial bem preservado, ruas calçadas com paralelepípedos. Os poucos carros que circulam em suas estreitas ruas, dividem espaço com as tradicionais charretes ou pessoas montadas em cavalo, pela cidade. Em Alagoa, os dias da semana parecem com os domingos. Dias calmos, sossegados, e tranquilos, rompidos apenas pelo barulho dos sinos da Matriz. (fotografia acima de Marlon Arantes)
O italiano e o queijo de Alagoa
          Cidades assim, geralmente passam despercebidas, mas Alagoa é diferente, por um detalhe que a torna famosa e conhecida em Minas, no Brasil e no mundo inteiro: o seu queijo, cuja receita é preservada há mais de 100 anos. Um queijo especial, de sabor único, só encontrado no município e em nenhum outro lugar. (foto acima de Marlon Arantes)
          No final do século XIX e início do século XX, chegaram ao Brasil centenas de milhares de imigrantes europeus. Alguns desses imigrantes, em especial, dinamarqueses e italianos, vieram para o Sul de Minas.
          Entre esses imigrantes, chegou a Alagoa, Paschoal Poppa, com sua esposa Luiza Altomare Poppa. De origem familiar queijeira, o casal conhecia muito bem a arte de fazer queijos. Perceberam a semelhança do clima das montanhas da Mantiqueira, a qualidade da água e da terra, que permitia uma pastagem de qualidade, além da geologia e da altitude, com as terras italianas. Semelhanças essas que, aliada aos conhecimentos dos italianos sobre a produção de queijos e vontade de, literalmente, pôr a mão na massa, são fatores primordiais para se produzir queijos de qualidade.
          Poppa começou a desenvolver sua receita, inspirada no queijo Parmesão, de Parma, na Itália. Embora tenha percebido semelhanças com o clima italiano, há uma grande diferença entre semelhança e ser igual. Isso porque, em se tratando de queijos, o que define a qualidade, aparência, cor, textura e sabor dos queijos, além da pastagem, manejo de gado, clima e qualidade da água, são as bactérias benéficas presentes no leite e os fungos que se formam durante a maturação e não propriamente dito, uma receita. (na foto abaixo, enviada pelo produtor Renato, a Fazenda Bela Vista, onde se produz o queijo Bela Vista)
O queijo de Alagoa não é Parmesão
          Queijo é um alimento vivo e cada região tem bactérias e fungos lácteos próprios, sendo formados de acordo com as características climáticas da região, bem como a qualidade e manejo do gado. Não é receita que dá textura, cor, característica, aparência e sabor aos queijos e sim bactérias e fungos, formadas durante o preparado e maturação dos queijos.
          Por esse motivo que o queijo feito em Alagoa é o Queijo de Alagoa, com identidade, peculiaridade, com características únicas e próprias, porque as bactérias e fungos presentes nesse queijo, são características de Alagoa, presentes nesta região somente e em nenhuma outra região, por isso é queijo é único.
          Com sua receita, Poppa começou com uma pequena queijaria. em sua propriedade. O negócio foi crescendo, o queijo foi caindo no gosto dos moradores da região. Em parceria como o produtor rural João Luís da Fonseca, construiu três laticínios no município, aumentando a produção e abrindo novos mercados na região, bem como tornando o queijo popular, atraindo o interesse de outros produtores em produzir queijos. 
          Poppa passou sua receita para Gumercindo Ferreira Pinto, que ensinou a seus filhos, passando de pai para filho, de laticínio para laticínio, de família para família, até os dias de hoje. O mesmo aconteceu com outras famílias, que aprenderam a receita de Paschoal Poppa e começaram a fazer queijos e continuam até hoje.
          Aos poucos o Queijo Artesanal de Alagoa foi saindo das divisas alagoenses e alcançando outras cidades da região, inclusive cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, na divisa com Minas Gerais. No início, os queijos eram levados por tropeiros, em lombos de burros, cortando a Serra da Mantiqueira. (na foto abaixo, enviada pelo Renato, queijos da Fazenda Bela Vista)
          Assim surgia o Queijo Artesanal de Alagoa, um queijo único no mundo, com sabor inigualável. Hoje, o Queijo Artesanal de Alagoa é a principal identidade gastronômica da cidade.
O "Quinto sabor umami" do queijo Alagoa
          Experimentei o Queijo Artesanal de Alagoa MG, fornecido pela Fazenda Bela Vista e constatei que ele tem um nível maior de umami. Esse nome tem origem japonesa e significa delicioso, saboroso. É o chamado “quinto sabor”, que alguns alimentos especiais, proporcionam e nos fazem descobrir. 
          Alimentos umami se caracterizam por dar água na boca, além de salivar, ao olhar. É aquele alimento que colocamos na boca e demoramos um pouco para engolir, para aproveitar mais o sabor e querer comer mais.
          No caso do Queijo Artesanal de Alagoa, um sabor a mais, diferente e único que desperta o quinto sabor (umami) das pessoas, agradando e aguçando os mais exigentes paladares. (na imagem acima, queijos da Fazenda Bela Vista)
O terroir e o "trem-ruá" de Alagoa
          Seu sabor é único e inigualável e seu terroir próprio, são os motivos de tanto sucesso. Terroir (pronuncia-se “terruá) é uma palavra francesa que define um conjunto de características próprias do produto de um determinado lugar, que faz com que a produção local seja única. Em Minas pronunciamos “Trem-ruá”, nominação dada pelo Mestre Queijeiro Túlio Madureira, do Serro M que se popularizou entre os queijeiros mineiros. 
          No caso de Alagoa, é a combinação das montanhas, pastagens, clima, água, solo, manejo do gado e evidentemente, bactérias e fungos, que resultam no “trem-ruá” próprio e único do Queijo Artesanal de Alagoa. 
Queijo único
          A centenária receita é guardada com carinho pelos alagoense. A mesma receita pode ser feita em outras cidades, outras regiões com leite de qualidade, mas nunca vai ser igual ao queijo feito em Alagoa, como citei acima, devido às bactérias e fungos, presentes nas regiões, no caso de Alagoa, são bactérias e fungos naturais da região. (fotos acima da Fazenda Bela Vista)
          Tem como levar uma receita para outra região ou mesmo fazer a mesma receita em outro país, mas levar fungos e bactérias junto com a receita, é impossível. Pode fazer a mesma receita, seguindo tudo à risca, mas a ausência das bactérias e fungos que caracterizam o queijo, fará que o sabor, textura e até a cor, sejam diferentes, pode até lembrar ou parecer, mas igual, com certeza, nunca será. É isso que define o terroir ou o nosso trem-ruá.
          Das queijarias de Alagoa, dezenas de produtores preservam a tradição da produção de queijo em família e a receita original e centenária do Queijo Artesanal de Alagoa. Mesmo com as atuais exigências legais e sanitárias, dos maquinários modernos usados para fazer os queijos hoje, do trabalho que dá fazer, aguardar a maturação e comercializar os queijos, continuam a produzir um queijo de altíssima qualidade, mantendo o sabor único, tradicional e original dos queijos, desde 1920.
          Ainda tem as famílias alagoenses que produzem seus queijos da forma tradicional, exatamente como no século passado, totalmente artesanal. 
Como é feito o Queijo Alagoa?
          O começo da produção do queijo artesanal começa já na pastagem. Tem que ser capim de qualidade, bem como a água, tem que ser limpa e pura, preferencialmente, água vinda direto da mina. Pastagem e água de má qualidade, interferem no sabor do leite, e como consequência, no sabor do queijo.
          O queijo é feito com leite cru, fervido no fogão a lenha. O fermento sai da própria produção que sobra do produto. Os vasilhames usados para produzir o fermento não são lavados com detergentes, para não alterar o ácido e prejudicar a formação do fermento, que é feito num dia e usado no dia seguinte.
          Em seguida o queijo é colocado em gamelas bem limpas, de madeira de pinho, ótimas para conservar melhor o queijo, além de fazer com que a massa absorva a cor da madeira, dando ao queijo uma cor amarela, e ainda, ajuda na maturação. Resumidamente, esse é o processo de produção do Queijo Artesanal de Alagoa.
Queijo premiado dentro e fora do Brasil
          O queijo está presente na vida do povo mineiro desde o século XVIII. É uma das principais identidades de Minas Gerais e Alagoa tornou-se uma das principais regiões queijeiras do Estado, justamente pela qualidade de seus queijos, reconhecida e premiados em nível estadual, nacional e internacional. 
          Destaques para os queijos da Fazenda Bela Vista, do produtor Renato, medalhas de prata e bronze de ouro no último concurso internacional do Mondial Du Fromage, a copa do mundo dos queijos, realizado na França em 2025, além do queijo da Fazenda Santo Antônio, premiado com medalhas de ouro, prata e bronze e Sítio da Onça, premiado com medalha de prata, no mesmo concurso.
          Outros produtores do município, vem entrando no mundo dos queijos artesanais mineiros e se destacando pela qualidade e sabor, como o queijo artesanal Sítio do Morro, da família do produtor Rafael Faria.
Região queijeira reconhecida
          O Queijo Artesanal de Alagoa é tão especial e importante para Minas que a região foi identificada e reconhecida pelo Governo de Minas Gerais, através do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER/MG), órgãos ligados à Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa/MG), como região produtora de queijo artesanal, através das portarias 1985 e 1986, anunciada em junho de 2019. (fotografia acima de Rildo Silveira)
          Nesse mesmo dia, além do reconhecimento como região produtora de “Queijo Artesanal de Alagoa”, foram reconhecidas as cidades de Aiuruoca, Baependi, Bocaina de Minas Carvalhos, Itamonte, Liberdade, Itanhandu, Passa Quatro e Pouso Alto, no Sul de Minas, como produtoras de “Queijo Artesanal Mantiqueira de Minas”.
          Tanto o Queijo Artesanal de Alagoa, bem como o “Queijo Artesanal Mantiqueira de Minas”, tem características, peculiaridades e identidades próprias, que os diferem do Queijo Minas Artesanal (QMA), produzidos nas atuais 7 regiões queijeiras mineiras que são: Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Araxá, Triângulo Mineiro, Campo das Vertentes e Serro. Os queijos das regiões QMA são produzidos com o pingo, ao contrário dos queijos da região queijeira de Alagoa e da Serra da Mantiqueira de Minas, que utilizam fermento natural, além de aquecer o leite durante o processo de produção. A similaridade é que todas essas regiões, usam o leite cru na produção dos queijos. 
          Segundo dados da Emater/MG, em Alagoa existem cerca de 140 queijarias artesanais, com uma produção anual de 58,4 mil toneladas de queijo, que são vendidos na região. Além disso, algumas queijarias tem sites comerciais e vendem online, com envios pelos correios como a Queijaria Fazenda Bela Vista (site: fazendabelavistaalagoamg), na foto acima.
         Além disso, a Fazenda Bela Vista, na foto acima, recebe visitantes que queiram conhecer a fazenda e todo o processo de produção de queijos, bem como degustação dos queijos feitos n afazenda. As visitas são agendas previamente pelo whatsApp 35 99938-5238.

sábado, 3 de outubro de 2020

Ouro Fino e a história do Menino da Porteira

(Por Arnaldo Silva) O município de Ouro Fino foi fundado em 18 de março de 1749 com a formação de um pequeno arraial, durante a descoberta de ouro na região. O arraial cresceu com a mineração do ouro, foi elevado a vila e à distrito e por fim, a cidade emancipada em 1880. Cidade charmosa, atraente, hospitaleira e acolhedora cidade do Sul de Minas e uma das mais tradicionais e antigas cidades de Minas Gerais. 
          Está a 459 km distante de Belo Horizonte e conta atualmente com cerca de 35 mil habitantes, fazendo divisa com Monte Sião, Inconfidentes, Bueno Brandão, Ipuiuna, Santa Rita de Caldas, Jacutinga, Borda da Mata e Andradas. Cortada por vales, montanhas e serras belíssimas, a altitude do munícipio varia de 997 metros a 1591 metros.(fotografia acima de Marcos Pieroni)
          De sua história, destaca-se belos casarões e a Praça da Matriz, marco da cidade, com mais de 250 anos, com seu santuário, dedicado à São Francisco de Paula e Nossa Senhora de Fátima (na foto acima do Douglas Coltri), além de vários monumentos espalhados pela cidade, que marcam a história de Ouro Fino.
          Entre seus monumentos, destaque para as estátuas do Boi Sem Coração, Berrante e do Menino da Porteira. Isso porque a cidade, foi a fonte de inspiração para o compositor Teddy Vieira, compor uma das mais famosas canções sertanejas do século XX, o Menino da Porteira. Letra e música que retrata o autêntico Cururu, ritmo musical predominante na música caipira do século XX. Esse ritmo é cantado em forma de desafios, repentes e combates rimados, ao som de violas caipiras e batidas do pé. (na foto acima do Douglas Coltri, o monumento batizado de "O Bateador", escultura de 10 metros de altura inaugurada em 2020, que homenageia o garimpeiro e o garimpo do ouro, uma das tradições da cidade, desde o século XVIII).
A origem da música Menino da Porteira
          Teddy Vieira nasceu em 1922, em Itapetininga, no interior paulista e faleceu, vítima de acidente automobilístico, em 1965. É um dos mais importantes compositores sertanejos de todos os tempos. Além de Menino da Porteira, gravada inicialmente pela dupla Luisinho e Limeira em 1955,  Teddy Vieira compôs 300 músicas, todas com temas caipiras. Sem dúvida alguma, Menino da Porteira, foi sua composição de maior sucesso, que o consagrou como um dos grandes compositores brasileiros do século XX. 
          É também de autoria de Teddy Vieira, os clássicos sertanejos  “A Caneta e a Enxada”, em parceria com Capitão Barduino, gravado por Zico e Zeca, em 1956, “Boiadeiro Errante”, imortalizada na voz de Liu e Leo, em 1959, Pagode em Brasília, em parceria com Lourival dos Santos, interpretada por Tião Carreiro e Pardinho, em 1961, e neste mesmo ano, o “Rei do Gado”, também nas vozes de Tião Carreiro e Pardinho.
          Teddy Vieira tinha laços sentimentais com Minas Gerais. Por muito tempo, era figura presente em Andradas, no Sul de Minas, já que sua namorada, América Risso Azevedo (já falecida), com quem casou-se tempos depois, era da cidade e tinha parentes em Andradas. Os dois se conheceram em Tietê, interior de São Paulo. Se casaram em Andradas MG e tiveram um único filho, Teddy Vieira Filho.
           Para chegar à Andradas, passava pelas estradas de terra de Ouro Fino. As duas cidades são distantes, cerca de 80 km, uma da outra. Naquela época, a Região Sul de Minas, era rota de transporte de gado, feito basicamente em Comitivas, com vários boiadeiros, a cavalo, com seus berrantes, conduzindo o gado, cortando as estradas do sertão mineiro, abrindo e fechando porteiras.
        Foi numa dessas idas à Andradas, que Teddy Vieira, teve inspiração para compor sua principal canção. (na foto acima do Guilherme Augusto - In Memoriam), uma das estradas de Ouro Fino)
          Passando pelas estradas de terra de Ouro Fino, tinha que passar por algumas porteiras, que dividiam fazendas. Sair do carro, abrir e em seguida, fechá-la, era cansativo, ainda mais quando viajava num dia de intenso calor. Ao se aproximar de uma porteira, Teddy Vieira percebeu a aproximação de um menino, correndo em sua direção. O garoto abriu a porteira com muita alegria para ele passar. Teddy agradeceu a gentileza, acenando e jogando uma moeda, que deixou o menino saltitante, feliz e agradecido. 
          Seguiu seu caminho, mas a cena ficou em sua mente e dirigindo, teve a inspiração de compor uma uma música, baseado na atitude do menino, começando a compor no mesmo dia, a história de sua nova canção, o Menino da Porteira. (na foto acima da Cássia Almeida, o monumento ao Menino da Porteira na entrada da cidade)
          De real, apenas a alegria do menino ao abrir a porteira e ficar feliz com a moeda que lhe fora jogada, descrita nos primeiros versos da canção: “Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino. De longe eu avistava a figura de um menino. Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo. Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo...”. O restante da história, o berrante, o boi sem coração e o trágico fim, que na sua composição, ele deu ao menino, foram criações do compositor. 
          Assim surgia uma das mais conhecidas e importantes composições da música caipira brasileira, retratada em monumentos na cidade de Ouro Fino MG, retratando o Menino da Porteira, o Boi sem Coração e o Berrante. É o reconhecimento da cidade à importância de Teddy Vieira para a música sertaneja raiz, bem como sua importância cultural para Ouro Fino MG. Com a música, a cidade passou a ser conhecida no Brasil inteiro, como a "cidade do Menino da Porteira".
          A música foi gravada posteriormente por Tonico e Tinoco e vários outros artistas, mas não estourou de imediato. Havia um certo preconceito com a música caipira, principalmente nas grandes cidades, naquela época. Apenas nos povoados das roças e pequenas cidades do interior, que a música caipira fazia sucesso, já que as composições sempre relatavam a vida, jeito de falar e cultura do sertanejo. 
          Eram interpretadas por duplas vestidas no tradicional estilo sertanejo, com viola, sanfona e violão apenas, cantando em duas vozes, no linguajar tipicamente caipira. As apresentações ou shows dos artistas, eram feitos nos povoados e cidades interioranas e também em circos. Até mesmo as rádios, restringiam as músicas caipiras, tocando-as em horários noturnos, tipo, entre 3 da madrugada até as 5 ou 6 da manhã.
          Essa realidade começou a mudar a partir de 1973, quando o cantor da jovem guarda, Sérgio Reis, foi apresentar-se em Tupaciguara MG, no Triângulo Mineiro, num baile de debutantes. Após sua apresentação, uma banda local se apresentou aos presentes e começaram a cantar “Menino da Porteira”, impressionando Sérgio Reis pela comoção e envolvimento do público, com a música. 
          Não era seu estilo, na época, Sérgio Reis tinha saído da Jovem Guarda e cantava músicas românticas. Seria uma mudança brusca de estilo, mas experimentou, gravando o sucesso de Teddy Vieira. A música estourou e começou a ser tocada nas rádios, inclusive FM´s, do interior, fato raro na época. 
          O sucesso da música foi tanto, que o Menino da Porteira, virou filme, produzido pelo diretor de cinema, Jeremias Moreira Filho, em 1976, estrelado pelo próprio Sérgio Reis, que interpretou o peão de boiadeiro, Diogo.
          O Menino da Porteira é uma das músicas imortais. Segue até hoje fazendo sucesso. O filme, de 1976, virou remake, em 2009, interpretado, dessa vez pelo cantor Daniel, que fez o mesmo papel de Sérgio Reis, interpretando o peão de boiadeiro, Diogo.
          Diversos outros artistas da música sertaneja brasileira já interpretaram Menino da Porteira. Hoje é praticamente o hino de Ouro Fino MG, cidade mineira que inspirou a canção.
       
Ouro Fino em Minas ou Ouro Fino em Goiás?
          Embora, todas as evidências apontem para cidade mineira de Ouro Fino, como inspiração para a composição da música o “Menino da Porteira”. Mesmo todos sabendo que Teddy Vieira, estava sempre presente na região Sul de Minas, em Andradas MG, para visitar parentes de América Risso, sua esposa. E ainda, para chegar até a cidade em que o parentes moça vivia, tinha que passar pelas estradas de Ouro Fino MG. (foto acima de Anderson Sá)
          Mesmo com todas essas evidências, tem quem, por desconhecer a história da música sertaneja ou mesmo, a história de Teddy Vieira, aponta a "cidade" de Ouro Fino, no interior de Goiás, como tendo sido a inspiração para a música “Menino da Porteira”. 
          
A questão é que não existe nenhuma cidade de Goiás com o nome Ouro fino. O que existiu foi uma parada de tropeiros, fundada em 1727, com o nome de Arraial do Ouro Fino. Nesse arraial, os tropeiros que cortavam o sertão do Brasil Central levando e trazendo mercadorias, paravam para descanso e pernoite.
          Esse arraial não existe mais, apenas ruínas históricas, já que novas casas foram construídas nas proximidades das ruinas, mas nunca chegou a ser cidade e sim, povoado e por fim, elevado a distrito em 1945, subordinado a Cidade de Goiás, histórico município goiano.
          Em 1950, o distrito de Arraial do Ouro Fino teve seu nome alterado para Itaiú. Ou seja, quando Teddy Vieira compôs o Menino da Porteira, em 1955, Arraial do Ouro Fino nem existia mais.
         O Arraial do Ouro Fino em Goiás não inspirou Teddy Vieira a compor sua famosa canção. Mas foi fonte sim de inspiração de um clássico da música sertaneja, composto por Tonico (da dupla Tonico e Tinoco) e Francisco Ribeiro Barbosa. A música inspirada na "Ouro Fino goian" é “Chico Mineiro”, interpretada originalmente pela dupla Tonico e Tinoco.
          O mais importante verso da letra da música "Chico Mineiro" deixa bem claro quanto a inspiração goiana: “Fizemos a última viagem. Foi lá pro sertão de Goiás. Fui eu e o Chico Mineiro. Também foi o capataz. Viajamos muitos dias. Pra chegar em Ouro Fino. Aonde nós passemo a noite. Numa festa do Divino. A festa tava tão boa. Mas antes não tivesse ido. O Chico foi baleado. Por um homem desconhecido. Larguei de comprar boiada. Mataram meu cumpanheiro. Acabou-se o som da viola. Acabou-se o Chico Mineiro.”
          
Que fique bem claro, a música “Menino da Porteira” foi inspirada em Ouro Fino, no Sul de Minas Gerais e "Menino da Porteira" não tem nada a ver com a "Ouro Fino goiana", que nem existia mais quando Teddy Vieira compôs O Menino da Porteira.
          Por ser a terra da inspiração para a música o Menino da Porteira, a cidade de Ouro Fino MG, incorporou por completo em sua cultura, a história da música, bem como o antigo Arraial do Ouro Fino, hoje Itaiú, distrito de Goiás Velho, que incorporou em sua história o personagem Chico Mineiro.
          As ruínas do antigo Arraial de Ouro Fino é ponto turístico em Cidade de Goiás. Além disso, no local onde acredita-se que o personagem Chico Mineiro, que foi real, morreu, tem uma cruz e uma placa em referência o Chico Mineiro que era tropeiro, mineiro natural de São Gotardo MG e morreu atacado por um homem desconhecido durante a Festa do Divino no Arraial do Ouro Fino, atul Itaiú.
Monumentos de Ouro Fino MG
          O Menino da Porteira virou monumento, que dá as boas-vindas ao visitante que chega à cidade. Na entrada de Ouro Fino, no KM 51, da rodovia MG-290, o monumento de 20 metros de largura por 10 de altura, retrata a porteira e o menino. Dificilmente alguém passa direto sem parar para observar o monumento. Sempre param para tirar fotos. (foto acima do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
          Dentro da cidade, foi instalado o monumento ao Boi sem Coração, com um menino sobre a porteira, além de outro monumento, simbolizando o Berrante. (na foto acima do Anderson Sá, o "Boi sem Coração" e abaixo, de Douglas Coltri, o "Menino da Porteira) 
          As obras são do artista plástico Genésio Moura e viraram pontos turísticos na cidade, atraindo ainda, visitantes de outras localidades para conhecer os monumentos, bem como a bela cidade do Menino da Porteira. (na foto abaixo, o Berrante. Fotos do Anderson Sá/@meuolhar.andersonsa)
Outros Eventos em Ouro Fino MG
          Além do Menino da Porteira, que tornou a cidade conhecida em todo o país, Ouro Fino faz parte do Circuito Turístico Malhas do Sul de Minas e conta ainda com belas paisagens, como rios, cascatas, cachoeiras e picos, que possibilitam a prática de Canoagem, paraglider, motocross, passeio de boia, cavalgadas, pesca, trekking, trilhas para bikes, dentre outros.
          Na cultura, destaca na cidade a Ourofolia, um dos melhores carnavais da região. A festa Italiana do Circuito Italo-Braziliano, realizado em março.(na foto acima de Marcos Pieroni, vista parcial da cidade e abaixo do Douglas Coltri, o antigo prédio do Grupo Escolar Bueno Brandão, hoje sede da Secretaria de Educação, Cultura e Turismo de Ouro Fino)
          A Semana Santa e Corpus Christi. A Feira das Indústrias e Ouromalhas, em maio. As festas juninas em junho, além da realização do Festival de Interpretação de Música Sertaneja, com entrega do Troféu, O Menino da Porteira. Em julho acontece a Festa do Peão e em agosto o Ouro Rock, além de outros eventos ecológicos, religiosos, esportivos e musicais durante o ano.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Os chocolates artesanais de Bueno Brandão

(Por Arnaldo Silva) Bueno Brandão é uma pequena cidade no Sul de Minas, na Serra da Mantiqueira. Cidade tranquila, pacata, com típicos ares do interior mineiro. Se destaca por suas belezas naturais, pela culinária, pelos vinhos, licores e aguardentes. Pelos queijos, doces, pelo artesanato e pelos chocolates artesanais, em destaque para os Chocolates Andréia.
          Sobre a direção de Andréia Cezar, Chocolates Andréia é uma das chocolaterias mais tradicionais e respeitadas da Mantiqueira, oferecendo variados tipos de chocolates de altíssima qualidade, feitos de forma artesanal, respeitando rigorosamente todas as normas da vigilância sanitária e instalada num ambiente aconchegante, confortável, requintado na cidade.
          Para chegar ao que é a Chocolates Andréia hoje, não foi fácil. Foi uma luta que hoje serve de exemplo para muito que veem nas dificuldades e crises financeiras, oportunidades de se superar. 
História
           Andréia Cezar conta que sua história com o chocolate começou em 2005. A família, ela, o marido e a filha pequena, passavam por uma situação financeira difícil na época e viu a necessidade de buscar alternativa de renda para superar as dificuldades surgidas, devido à situação financeira ruim que passavam no momento. Por sugestão de uma sobrinha, sugeriu que fizesse um curso de chocolates e bombons artesanais, numa cidade vizinha a Bueno Brandão, já no Estado de São Paulo, onde a família tinha parentes. Andréia aceitou o desafio e rumou para São Paulo para fazer o curso.  
          Foi aprendendo e fazendo ao mesmo tempo. Andréia fazia os chocolates e bombons durante o dia e seu marido vendia na cidade, oferecendo os chocolates de porta em porta. À noite, Andréia continuava fazendo o curso e a cada dia, aprimorava seus conhecimentos, inovando e melhorando cada vez mais a qualidade de seus chocolates e bombons.
          Enquanto Andréia estudava, seu marido e filha embalavam os chocolates para serem vendidos no dia seguinte.
Qualidade e sabores únicos
          O sabor, a qualidade e a dose exata de talento, amor e carinho com que a família fazia os chocolates, caíram no gosto dos moradores de Bueno Brandão que começaram a comprar e virar clientes assíduos da pequena fábrica, além da propaganda boca a boca que faziam. Isso ajudou muito no aumento das vendas.
          Com o aumento das vendas e da clientela, a família sentiu a necessidade de ampliar o espaço. Os chocolates eram feitos na cozinha da casa, que estava pequena para tantas encomendas. Com as economias conseguidas com as vendas, reformaram um cômodo que existia no quintal da casa e montaram uma estrutura melhor para produzir os chocolates. 
Crescimento da produção
          E as vendas continuaram aumentando, havendo necessidade de mais pessoas para ajudar na produção. Assim foi contratada a primeira funcionária, com os pedidos e clientela aumentando a cada dia, não só na cidade, como nas cidades vizinhas, com clientes fazendo encomendas.
          Novamente, o espaço ampliado na casa ficou pequeno para atender a demanda. Havia necessidade de instalar a fábrica em outro local, saindo da cozinha de casa, para o quintal e agora para um local maior e mais apropriado, seguindo todos os cuidados e normas da Vigilância Sanitária, alvarás sanitários e municipais.
Exemplo bem sucedido
          De um pequeno negócio na cozinha da casa, passou a ser uma microempresa que gera empregos e impostos para a cidade, além de renda para família.
          Mantendo o bom atendimento, a qualidade e o sabor de seus chocolates, a fábrica continuou crescendo. Andréia conta que teve a ideia de montar uma loja para atender as pessoas que passam pela cidade e turistas que vem à cidade. Assim, em 2014, foi inaugurada a loja de chocolates, disponibilizando na loja várias opções de chocolates.
          O sucesso de Andréia Cezar está ligado a sua força de vontade, talento e amor pelo que faz. Não ficou apenas nas técnicas dos cursinhos e sim, aprendeu e colocou sua criatividade no sabor, criando receitas exclusivas, que agradam a todos os gostos e os mais exigentes paladares.
Benefícios com a expansão do turismo
          De uns anos para cá, Bueno Brandão começou a explorar mais seu potencial turístico, já que é uma cidade dotada de belezas naturais impressionantes, com boas pousadas e bons restaurantes, um povo bom e hospitaleiro. O turismo surge como um dos pilares para solidificar as pequenas empresas da cidade, que podem comercializar seus produtos, levando-os para outras regiões, através dos turistas. Muitos deles passam a serem clientes e encomendam sempre os produtos locais. 
          A força de vontade e energia para superar as dificuldades iniciais foi recompensada com muito esforço, insistência, dedicação e persistência. Segundo Andréia Cezar “hoje contamos com um número maior de funcionários na produção totalmente artesanal e uma dedicação total aos produtos, com o compromisso de levar o sabor do chocolate artesanal da Serra da Mantiqueira para as pessoas se deliciarem e terem momentos doces e únicos".
As fotos que ilustram a matéria foram enviadas pela Andréia Cesar e as informações pelo Douglas Coltri

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