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terça-feira, 31 de março de 2020

Proseando em português e montanhês, o dialeto mineiro

(Por Arnaldo Silva) Aqui ó gente, mesmo eu estando arroiado de trabalho, arredei a mesa para um canto e resolvi conversar um pouco com vocês no estilo Montanhês de falar, mas garanto que não estou culiado com ninguém. Vamos apiá aqui em casa, sentar a beira do fogão a lenha e prosear.
         Não vou escrever nada errado, na grafia portuguesa, só vou mostrar como é o nosso montanhês. Escrever errado é uma coisa, é falta de conhecimento de nossa língua. Sotaque são as características do linguajar e dialeto é uma variedade linguística de cada região, como por exemplo, o dialeto caipira. Entendeu? Se não entendeu, dá um jeito de entender porque eu não vou desenhar não, vou é escrever. 
         Para não atazaná a vida doceis, vou ataiá a prosa pra modiquê entendam bem. Já estou avisando, não é nenhuma bagaça e muito menos bobiça, o que vão ler. Mas também não é para caçá confusão comigo por causa disso. Capaiz que eu vou querer me enfiar em confusão. Estou é cascando fora disso.
          Quero só que entendam a diferença de escrever certo e escrever em montanhês, que não é errado, é dialeto, se escreve como se pronuncia, mas agora, entender, ai já é outra coisa, só mineiro entende mesmo.
          Arrudia todo mundo e vamos lá entender o meu causo. Se alguém ficar com dor na cacunda, levanta e dá uma esticada e se reclamar, vai é levar uma cunda daquelas. Já que arrudiou aqui, cê num pode arriá logo agorinha né. Só se ocê não for de atacá nada, ai já é problema do seu trem.
          Vou tomá só um cadim desse cafezinho aqui na minha xicrinha, cadiquê gosto de cafezim bem quentim, descendo pelas guela antes de escrever. Assim o causo fica bão dimais da conta né sô? É aquela lasquêra uai!
          E por falar nocê sô, como cumé que está a cumade? Ceis tão bão ou não? Seus fios continuam custosos? Eu fico só espiando eles, divera que são levados por dimais. Êta disgrama só. Tem hora que dá aquela girisa de tanta bagunça que eles fazem, mas deixa, são meninos. Deixa bagunçá a vontade.
          Mas toma um golin de café também. Não vai me fazer a disfeita de não tomar. Isso é feidimais. Pega a xícra e toma a vontade.
          Mas cumpadi, não é que estou te deixando encantoado, mas não fica encasquetado comigo não. É que quero sabê quem que embuchou por essas bandas? Tem muita gente enrabichado por aqui, eu tô meio vuado dos causos aqui da vila.
          Não fica pensando que eu sou entojado e nem esteja estorvano, mas eu sempre fico veiáco com essas coisas e não gosto mesmo de me fingi di égua, mesmo que eu nem facidéia do que é ou esteja garrado em algum trem.
          Mas se não quiser falá num tem probrema. Nada de gastura compadi, fica tranquilim ai porque aqui ninguém vai inventá moda pra te intojá..
          Istudia mez teve um caboclin aqui e perguntou onde era a casa do Zezín da Fiota. Expliquei direitim. No dia seguinte o caboclo parou por essas bandas de novo numa brabeza danada. Ele disse que andou muito. Bobiça dele. Só que porque eu disse que era logo ali ó! Era mesmo, mais ou menos uns 300 km de a pé. Pertin né sô. Num pulin de nada ele chegava lá. Não precisava fazer malcriação comigo e nem caçuá de mim e ficar dando manota na porta da casa do zôto. Fiquei com uma raiva dele que até esqueci de colocar minha matula na capanga.
        Pelo menos aquela murrinha foi embora. Ô moço intojado sô! Estava me deixando um mucado jirizado e ainda ficou jogando nhaca nimim.
         Nusinhora do céu, me benzi com isso, curuiz incredo, mas trem ruim não pega nimim não. Mas não custa nada umas rezadinha né.
          E ainda queria fazê umas catiras comigo. Não tenho nada para catirá, nem liguei. Vai ver que ele queria me passar a manta. Óia só, melhor panhá o terço na jibêra e rezá. Assim a gente vai pelejano e esqueceno o pocaso dos outros prá mode num deixá as coisas prus coco qui nem uns tipim faiz.
          No finá das contas eu rachei os bico de ri daquele marmota. Não estou nem quimportamilando com isso. Eu sarto é de banda mez. Sungo os trem pra riba e assim a gente segue reto.
          Tem base um trem desses eu ficar com a moringa quente por isso? Pra modiquê, sô? Quem esquenta a moringa é cabeça de fosqui eu lá tenho fucin de fosqui? Trem trapaiado, né não uai! 
          O jeito é pegá  minhas trenheira e arraiá na cama, né uai? A hora que eu estiver varado de fome vou lá na cozinha e como qualquer trem que tiver por lá.
          Vou esquecer aqueli tipin,  já tô berando uns 50 e tantos, tá na hora de não ficar aperriado com trenzim a toa, mas que eu queria pranta a mão na zorêia dele, isso que quiria mez. Só sei que se ele bater por essas bandas, vou socá um trem nele que ele não mete o fucim aqui nunca mais. E pranto a mão na cara dele mez.
          Inté logo proceis que eu vou arriá de vez!

Fotografia ilustrativa de Nilza Leonel em Vargem Bonita MG)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

O mineiro carrega nossa bandeira e o Brasil no coração

(Por Arnaldo Silva) Viver em Minas não é apenas um privilégio, é uma honra. Nosso Estado tem e extensão territorial de país, por exemplo, da França, e diversidades culturais e arquitetônicas enormes, somente encontradas em um país. Por isso Minas é um Estado privilegiado.
          Não é por menos que dizemos que Minas é o mundo dentro da gente. Todas as regiões mineiras têm suas características peculiares com influência de outras culturas, outros povos, mas o mineiro sempre preserva sua essência de ser mineiro, seja em sua arquitetura única, história, tradições culturais, religiosas e folclórica, bem como na culinária, com receitas preservadas há mais de 300 anos. (na foto acima de Vinícius Montgomery, a bandeira de Minas Gerais e ao fundo a cidade de Itajubá, no Sul de Minas)

          Somos um estado único, onde as tradições e cultura estão presentes, tanto quanto nossas belezas naturais, por todos os cantos dos 853 municípios mineiros. (na foto acima de Peterson Bruschi, o monumento a Tiradentes em Ouro Preto MG)
           Em Minas o visitante é tão bem acolhido que sente logo a diferença. Chega e vai logo pra cozinha, porque é a cozinha o melhor lugar da casa, onde está à mesa estão todas as delícias da nossa culinária.

         Mesmo que o desejo ao vir pra Minas seja o turismo, ou aventuras pelas paisagens mineiras, vir à Minas e não experimentar nossas quitandas, não pode dizer que conheceu Minas Gerais. 
         Minas recebe a todos. Seja uma família, um grupo de amigos, de jovens ou da terceira idade. Os que vem a passeios por grandes cidades ou pelas pacatas, charmosas e aconchegantes pequenas cidades do nosso interior, todos são acolhidos e se sentem bem nesse estado rico e acolhedor.
         60% do patrimônio histórico de todo o Brasil estão concentrados em Minas Gerais. (na foto acima de Giselle Oliveira, Diamantina MG)
          No estado mineiro está a maior parte da história viva do Brasil, contada em cada beco, em cada casarão, em cada ponto da Estrada Real, em cada igreja, em cada cidade. Tudo em Minas impressiona o visitante. Seja as cidades históricas com seus casarões e igrejas impressionantes, as estâncias hidrominerais, as grandes fazendas cafeeiras, as pequenas e charmosas cidades ou mesmo as montanhas, os parques ambientais, os rios, as paisagens deslumbrantes e as milhares de cachoeiras espalhadas por todo o Estado.
          Minas Gerais é um destino certo para quem quer conhecimento, diversão ou mesmo relaxar e cuidar da mente em meio a imensidão de nossas montanhas, rios, cachoeiras e paisagens belíssimas!  
          Além de termos no estado a maior parte do patrimônio histórico brasileiro, temos também as maiores manifestações culturais e folclóricas. Nosso estado é riquíssimo e diversificado em cultura, arte e artesanato. (fotografia acima de Matheus Freitas/@m.ffotografia em São João Del Rei MG)
         Conhecer Minas Gerais é um privilégio. É vivenciar a cultura mineira, sua gente, sua gastronomia, sua história, suas tradições e o jeito simples de ser e viver do mineiro.  (na foto abaixo de Arnaldo Quintão, a Estação de Trem de Mariana MG)
          Conheça Minas. Temos orgulho de nosso estado, de nosso jeito de ser, falar e viver. Termos orgulho de sermos mineiros e faz parte do nosso povo, da nossa gente, acolher a todos, com muita hospitalidade. Minas recebe todos de braços abertos. O mineiro carrega sua bandeira e o Brasil no coração!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Em Minas a sala é a cozinha

(Por Arnaldo Silva) A sala da casa do mineiro é a cozinha. A visita vai logo pra cozinha, sendo recebido com café, queijo, doces, licores, biscoitos, bolos e uma boa prosa. Se for a cinco casas de mineiro por dia, terá que tomar cinco cafezinhos e comer todas as quitandas que tiver, em cada uma delas. E não pode recusar porque para um mineiro, recusar um cafezinho ou suas quitandas, é uma ofensa. Tem que comer tudo.
          A cozinha geralmente fica lá no fundo da casa, simplesmente porque lá no fundo, fica o pomar, a horta, a mina d água e o galinheiro. Pela cozinha podemos ver as jabuticabeiras, abacateiros, cajueiros, limoeiros, goiabeiras, mangueiras, pequizeiros, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para colher chuchu, quiabo, couve, alface, tomate, abobrinha, salsa, cebolinha. Horta não pode faltar num quintal mineiro, principalmente de fazendas. Nas noites frias, folha de laranjeira, de hortelã ou de erva cidreira, erva doce ou funcho é colhido para fazer chás... Mineiro adora chás e tem prazer em cultivar plantas medicinais nos quintais.
          Na cozinha está o melhor da casa, o fogão a lenha. Era possível sentir lá da sala o aroma de casca de laranja e linguiças sobre o fogão. Ouvir o barulho da lenha queimando, sentir o cheirinho de café coado num coador de pano e um gostoso bolo de fubá assando na brasa do fogão.
          Na dispensa, ao lado da cozinha, tem rosca caseira, queijo fresquinho, doce de leite e goiabada, feitos no tacho para ofertar às visitas. Tinha também frutas, muitas frutas no pomar, era só colher.
          Os Doces Momentos da infância vêm da saudade do convívio com  avós, tios, pais e colegas. A comida estava ligada a tudo porque mineiro gosta de comer e de cozinhar. Minas é um prato cheio de delícias!
A primeira foto é em Vargem Bonita MG por Luis Leite. Segunda, também em Vargem Bonita, por Nilza Leonel. A terceira de Fernando Campanella em Pouso Alegre e a quarta, minha mesmo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Mineiridade que corre nas veias

(Por Arnaldo Silva) Em Minas, visita é logo convidado para entrar e ir pra cozinha, pra tomar um cafezinho passado na hora. Seja na hora do almoço ou no jantar, chegou visita, vai logo pra cozinha. Se quiser, pode ficar, pode pousar. Sempre tem uma cama sobrando para receber as visitas. Mineiro é assim, recebe as visitas tão bem que impressiona.
          Se conhece, trata bem demais, se não conhece, desconfia um pouco mas logo se solta e o visitante já é de casa, quase compadre e vai logo para a cozinha tomar uns goles de café e jogar uma boa prosa fora, ouvindo os nossos melhores causos. Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha. (fotografia acima de Saulo Guglielmelli em Morro do Ferro, distrito de Oliveira MG)
           O maior prazer do mineiro é levar sua visita para cozinha comer queijo, pão de queijo, biscoitos, bolos, broas, rosquinhas e claro, tomar muito café, feito na hora, no coador de pano. (acima de @shakalcarlos, tradicional fazenda mineira no Caminho da Luz, Zona da Mata)
         Mas tem gente que não entende o nosso dialeto Montanhês e o nosso jeito de ser. Não falamos errado, falamos do nosso jeito. É um sotaque, um dialeto falado desde o povoamento de nossas Minas Gerais, há uns 300 anos e valorizamos muito as nossas tradições e origens. Nas 12 regiões geográficas de Minas, mesmo com algumas diferenças, nosso sotaque, tradições, história e cultura são valorizadas e passadas de geração a geração.
          Aqui não tem mar e nos perguntam o que fazemos num lugar sem mar. Se Minas não tem mar, o problema é do mar que não tem Minas. Nós vivemos super bem entre nossas montanhas, nossas cachoeiras, rios, cidades encantadoras, históricas e com nossa vasta e riquíssima culinária. (na foto acima do J. Camilo, o Lago de Três Marias MG)
          Quem não é mineiro, não entende isso. Nós não estamos em Minas, somos Minas Gerais. Minas faz parte da gente. Minas é o nosso sangue, é um trem que corre em nossas veias.
          O que nos diferencia é que somos parte integrante de nosso Estado, de nossas belezas, de nossa cultura, de nossa riqueza gastronômica.
          O mineiro, mesmo que não viva em Minas, sabe com, certeza que Minas Gerais vive nele. 
          Mineiro tem orgulho de Minas porque ser mineiro é bom demais!

terça-feira, 3 de setembro de 2019

12 principais identidades mineiras - Primeira parte

(Por Arnaldo Silva) Onde o mineiro estiver ele carrega consigo as nossas identidades. Seja no jeito de falar, de e expressar ou nos gostos, principalmente, culinários. Em termos de comida, o mineiro é exigente.
          O mineiro sabe perfeitamente identificar um queijo mineiro de verdade. Se o pão de queijo não é de Minas Gerais, só de olhar ele já sabe. Nem precisa experimentar. Se a comida é realmente mineira, feita de acordo com as tradições culinárias de Minas, ele percebe facilmente. Isso se chama identidade com Minas Gerais, coisa que só mineiro entende. Está na alma mineira. (na foto acima do Arnaldo Silva/@arnaldosilva_oficial, uma tradicional venda antiga no povoado da Garça em Bom Despacho MG)
Quem é mineiro é facilmente identificado por essas identidades.
01 - Uai
           Dificilmente mineiro não fala Uai, mesmo o mais erudito dos mineiros, vez ou outra deixa escapar um uai. Isso porque o Uai está na nossa raiz, na nossa origem, no nosso mineirês desde o século 19. Uai é nossa identidade. Mineiro que se preze e valoriza suas origens, fala uai com muito orgulho.
02 - Trem 
          Em Minas trem é tudo e tudo é um trem, mas um trem não é literalmente, um trem. Pode ser uma comida, uma rua, uma casa, uma roupa, uma árvore, um ônibus, um carro, um avião, um computador... Em Minas a palavra trem significa tudo que o mineiro gosta, não gosta ou não sabe bem o que é. (foto acima de César Reis)
03 - Queijo 
          Queijo corre nas veias do mineiro desde o século 18. É tradição mineira fazer queijo. Seja fresco o curado, no café ou no preparo das quitandas, mineiro, Minas e queijo tem tudo a ver. (foto do Queijo Roça da Cidade de São Roque de Minas/Divulgação)
04 - Pão de Queijo
          Do queijo surgiu uma das mais deliciosas quitandas do mundo. O nosso pão de queijo. Mineiro nunca fala “pão de queijo mineiro” porque o pão de queijo é mineiro. Se existe outro tipo de pão de queijo sem ser o mineiro, é cópia mal feita. O mundo todo sabe que pão de queijo é de Minas Gerais, a mais fina identidade mineira, tão importante quanto nosso uai. Falou em Minas, vem logo à mente, pão de queijo. (Foto acima de Regina´s Farm/Fazendinha da Regina) 
05 - Biscoito de queijo
          Só perde para o pão de queijo em termos de tradição e identidade mineira. Qual mineiro não gosta de biscoito? O preferido e tradicional é sem dúvida o biscoito de queijo. Com café coado à beira do fogão, num coador de pano... Hum... nem se fala. 
06 - Fogão a lenha
          No interior mineiro o fogão a lenha ainda está presente nas cozinhas, como há séculos. Dizem que não existe unanimidade, mas em se tratando de fogão a lenha, com certeza, todos afirmam que a comida tem um sabor diferente da feita no fogão a gás. É sem dúvida, a comida mais gostosa. Essa é a única unanimidade que eu conheço. Ainda mais aquela comida feita em panelas de ferro ou de pedra sabão. A figura do mineiro proseando a beira de um fogão a lenha é real, tradicional e comum até os dias de hoje no nosso interior, seja na zona rural ou na cidade. Na minha casa na cidade, tenho fogão a lenha e forno de barro.
07 - Forno de barro
           Por falar em forno de barro, esse não falta nos quintais dos sítios e fazendas de Minas. Na cidade também. Para assar broas, pão de queijo, biscoitos, roscas e rosquinhas são os preferidos. Junto com o fogão a lenha, é nossa identidade gastronômica, valoriza nossa rica culinária e nosso jeito mineiro de ser. (foto acima de Nilza Leonel)
07 - Artesanato mineiro
          A vocação mineira pelas artes vem desde os tempos antigos e o talento mineiro para o artesanato é reconhecido internacionalmente. O artesanato mineiro é uma das mais importantes identidades de Minas Gerais, principalmente o artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha, na foto, de Ernani Calazans, artesanato da artesã Alice Costa, de Minas Novas, que dá identidade a Minas e ao Brasil.  
08 - Namoradeira de janela
          Nos tempos antigos as moças mineiras que queriam se casar, não saiam para as ruas ou bailes para procurar pretendentes. Era tradição ficar encostada nas janelas de suas casas a espera de um bom pretendente. Se o rapaz se interessasse pela moça, procurava o pai e pedia a dama em namoro. A arte replicou essa tradição do século 19 em Minas, criando as famosas namoradeiras de janela, hoje decorando janelas de boa parte das casas mineiras. (foto acima de Sônia Fraga em Ouro Preto MG)
09 - Panelas em pedra sabão
          Pedra sabão é uma rocha abundante em Minas, principalmente na região do quadrilátero ferrífero, onde está Ouro Preto e Ouro Branco, onde se concentra boa parte das rochas de pedra sabão no Brasil. Além do artesanato variado que a pedra sabão origina, as panelas feitas com a rocha estão presentes nas cozinhas mineiras desde os tempos do Brasil Colônia. São panelas maravilhosas, perfeitas para o cozimento e o sabor da comida é outra coisa. Deliciosa mesmo. (foto acima do Chico do Vale)
10 - Oratório
          Antigamente existiam muitas comunidades rurais e os padres tinham dificuldades em dar atenção a todos. A fé e religiosidade do povo mineiro sempre foram fortes e mesmo na ausência da Igreja em suas comunidades, não deixavam de manifestar sua fé. Assim surgiram as rezas semanais do terço, cada semana numa casa diferente, onde todos da comunidade compareciam, já que não tinha como ter missa todos os domingos. Em cada casa tinha um pequeno oratório, onde as famílias rezavam. A prática de ter um oratório em casa existe até os dias de hoje. Faz parte das tradições mineiras e demonstração de fé do nosso povo. A simplicidade da fé e religiosidade do mineiro é uma forte identidade mineira. (foto acima de Ane Souz no Museu do Oratório de Ouro Preto MG)
11 - Carne na lata
         Conservar a carne do porco na banha é uma prática existente em Minas desde o final do século XVII. Com a chegada dos bandeirantes ao território mineiro, em busca de ouro, surgiu a necessidade de armazenar alimentos, já que o território era imenso e as viagens longas. Assim surgiu a carne na lata, presente até os dias de hoje em nossas mesas, não por falta de geladeira para conservar as carnes, mas porque é uma das nossas identidades e a carne armazenada na lata na banha é muito saborosa. (fotografia acima de Arnaldo Quintão em Itabira MG)
          Outro costume que hoje quase ninguém se lembra, era a forma de gelar cerveja no século passado. No interior mal tinha energia elétrica naqueles tempos, quem dera geladeira. Mas tinham quem não dispensava uma cervejinha de vez em quando. A forma de mantê-la fria era bem simples. Pegavam as garrafas e as enterravam nos bancos de areia às margens dos rios e ribeirões. Assim elas ficavam frias e dependendo da época, como no inverno, bem geladas. Interessante não? 
12 - O toque do sino
           Mais de 70% do patrimônio histórico nacional está em Minas Gerais, principalmente igrejas. São milhares de igrejas por todo o estado. As igrejas mais antigas têm duas torres, cada uma com um campanário para sino. As mais modernas, uma torre apenas. Isso fez com que nosso estado fosse considerado a terra dos sinos. Tocar sino é uma arte. O sineiro é um artista que entende e muito de música. O badalar dos sinos é Identidade mineira e a profissão de sineiro, valorizada e reconhecida. Tanto é que o badalar dos sinos em Minas é Patrimônio Imaterial do Estado, reconhecido pelo Iepha. (foto de César Reis em Tiradentes MG)
Essa é a primeira parte de duas reportagens sobre as identidades mineiras. São 24 ao todo. Vejam também a segunda parte.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Entenda o peculiar e charmoso sotaque dos mineiros

(Por Arnaldo Silva) O jeito de falar do mineiro é peculiar, interessante e gostoso de ouvir. O nosso sotaque teve influência dos portugueses, negros africanos, indígenas. Também dos ingleses, que para cá vieram a partir do século XIX para explorarem as minas de ouro.
          Muita gente confunde sotaque com pronúncias de palavras erradas. Não é. O jeito de falar, que caracteriza um povo, um grupo, um estado, um país, vem de suas origens e suas raízes históricas. É o caso de Minas Gerais. Algumas palavras pronunciadas erradamente por mineiros, em séculos anteriores, estão hoje incorporadas ao nosso sotaque. São palavras encurtadas, isso porque, desde a origem do povoamento do nosso Estado, o mineiro passou a encurtar as palavras. Na verdade encurtar não, mineiro ataia as palavras. (Imagem acima da Alexa Silva)
          Mineiro odeia pronunciar uma palavra inteira. Uma frase completa, nem pensar. Mineiro encurta tudo e muitas das vezes, usa as palavras no diminutivo. Um pouco? Que nada, é poquim, um tiquim, um cadim. Se o trem tem apenas um vagão, não é trem, é um trenzim. Mineiro não pega um ônibus, pega é um ons mesmo. Doce de leite? Se ouvir um docindileiti, é isso ai. Se um mineiro te pedir um litro de leite, ele vai te falar: "midaumlidileite." 
          E se o sujeito não for lá bom pra chegar no rêio? Não entendeu? Vamos lá. Vai que né, ele não é muito bom de dar uma boa coisada no trem. Entendeu? Ainda não? Vai que o trem dele não é lá aquele trenzão todo, é um trenzim de nada. E ai, continua sem entender? Vai que o sujeito não ataca nada. Ah, se não entendeu, deixa o trem do jeito que tá. (foto acima da Giselle Oliveira)
          Sabe o que é apear? Na verdade falamos é apiá. É descer. Apeavam da charrete, do carro de boi, do cavalo e falavam "vou apiá aqui'. Ah meu filho, se dentro de um ônibus o mineiro der sinal e te perguntar: " vamos apiá aqui?" Ai já entendeu né?
          Pra quê falar uma palavra tão grande. Melhor ataiá as palavras. Fica facim de ler e entender. Ataiá conversa é com nós mesmos. Se a conversa está longa demais ele logo vai te falar: "ataia essa conversa logo sô!"
          É na cozinha que a gente percebe o quanto é bom ser mineiro. Pra começar, mineiro não conversa, proseia. Uma boa prosa, tem que ser a beira do fogão a lenha. 
          Quem gostava de um cigarrim de palha pegava no tição e acendia. Tição é toco da lenha no fogão em brasa. Pegavam o tição, encostavam no cigarro, sugavam o ar e este acendia. Ai, davam aquelas pitadas boa pra daná no cigarrim de paia. 
          E o café não é quente, é bem quentim. Num meio de uns golin de café, um cadim de biscoito ou pãozim de queijo, vai uma prosa boa, uma causo daqueles.
          É pãozim porque não gostamos de falar pão. Ouvir causos e prosa é gostoso demais. E demora, mas demora mesmo. Ainda mais se tiver um torresmim, com uma cachacinha, no ponto. Ai não tem, jeito. A prosa só dá uma pausa quando estão com a boca cheia. Mineiro come calado. 
          Aliás, comer calado é uma característica do mineiro. Mineiro é desconfiado que é uma beleza, não é muito de falar o que faz não. Quando você imaginou, ele já fez. Caladim, mas faz bem feito. Esse negócio de fazer propaganda do que faz é complicado. Melhor é fazer tudo bem caladim, comer bem quietim que a comida é quente. Se falar muito, ela tem outros que vão querer né. Boca fechada não entra mosquito.
          Se for na casa de mineiro, se prepara. Casa de mineiro não tem sala, tem cozinha. Já leva a visita direto para o melhor lugar da casa. Lá tem queijo, doces, quitandas, café e banco pra sentar e prosear à vontade. Se for em 5 casas por dia de mineiro, vai tomar 5 cafés e comer quitandas até ficar empantufado.
          Mineiro adora receber visitas, principalmente das comadres e compadres. Se você é convidado para ser padrinho ou madrinha de batismo de filho ou de casamento de alguém, passa a ser compadre e comadre. Ou seja, uma có-pai e có-mãe. Seria mais ou menos um segundo pai, segunda mãe, no caso, se algo acontecesse com o pai ou mãe, as comadres e compadres teriam por obrigação substituí-los. Por isso a importância desse convite, que era levado a sério por quem os recebia. As comadres e compadres eram tidos como membros da família e os afilhados tinham que tomar bênção. Hoje em dia ninguém mais dá valor a isso, nem chama os padrinhos de comadres e compadres, mas eu chamo, e sei de muitos que ainda tem o prazer de visitar os compadis e as cumadis e chamá-los assim.
          Quando um mineiro quer saber de suas origens, ele não pergunta qual a sua família e sim: "qual a sua graça seu moço?" A sua graça, não é que ele esteja pensando que esteja rindo dele tá. Graça é sua origem familiar, quem era seu pai e sua mãe.
          Uma vez estava em Araxá e queria ir no Museu Calmon Barreto. Perguntei a primeira pessoa que vi na rua como chegar lá e assim ele me orientou: "olha moço, ocê segue reto a vida toda. Lá no finzim, ocê cai na direita, depois cai na esquerda, sobe um morrim de nada, vira só mais um tiquim pra direita ai ocê morre lá". Esse morre lá me assustou. Mas ele disse que era só jeito de falar mesmo. Eu sei, morre lá é o local onde termina, onde você quer chegar. Ai fui indo, indo, e nunca chegava. Ai eu achei que eu morrer mesmo, mas de tanto andar. Não quis morrer lá não, parei, tomei um litro d´água e voltei. Esse ali de mineiro é terrível. Mineiro é de confiança, mas no ali de mineiro, Deus me livre confiar.
          E se você tem uma profissão? Qual é a pergunta? Não espere que ele pergunte o que você faz. Vai te perguntar: "com quê você mexe? " Isso mesmo. Mexe é o que você faz na vida, qual a sua profissão. Eu mexo com retrato, sou tiradô de retrato. E também me arrisco na escrita. 

          E quando o sujeito não trabalha, não é bem visto. Sujeito à toa mineiro não gosta. Mineiro é trabalhador e gente à toa num ataca nada, num presta pra nada. Nem pra casar. Se o sujeito fosse à toa, nem pensasse em cortejar uma moça. Botavam o dito cujo pra correr porta a fora.
          E quando a gente aprontava e a mãe ficava brava? Mineiro não leva uma surra, leva uma cunda. Essa história de cunda é antiga, vem lá do tempo que não existia caixão. Explicando melhor. Antigamente, não existia funerária e quando alguém morria, era colocado sobre um lençol grosso. Depois do velório, amarravam o lençol numa vara tipo uma rede e duas pessoas carregavam o defunto, até o cemitério. Iam revezando. O cortejo era a pé. Quando o defunto pesava muito, pegavam uma vara de marmelo e batiam nele até, mas até mesmo. Ai ficava bem levinho e o cortejo seguia. Ai né, inspirado nisso,  quando a gente aprontava, nossos pais pegavam uma vara de marmelo e davam uma cunda na gente que doia, mas doia mesmo sô. Dava até dó de defunto.
          Não tem jantar aqui em Minas, tem janta. Comemos o “r”. Almoçar é simples, é só falar “murçá” que todos entendem. Venham almoçar! Mineiro não fala isso nunca, tem dó, pra que complicar sô, facilita uai, diminui o trem sô! Ele fala simplesmente: "vem cumê logo sô!"
          Senhora e senhor? Falamos isso não. Sá e sô. Vai lá sô (pra ele), vai lá sá (pra ela) e por ai vai. Quando se referir a um senhor ou moço é sô e a uma senhora ou moça é sá, viu?

          E se estivermos com muita preguiça de falar muito, falamos trem. Pra tudo falamos trem. Comprar uma roupa, pede para experimentar os trens da loja. Não vai comer algo, vai ali comer um trem. E se não gostar, fala logo “ que trem ruim sô”. Carro, moto, avião, bicicleta, tudo é trem.
          Mineiro não ri da cara de ninguém, ele caçoa docê.
          Ocê ou cê, tanto faz, entende? A distância pode ser até longa, mas pra nós é “logo ali ó!”. Ver é só “V”. Nossa é apenas “nó”.
Mineiro não aumenta, diminui o português. É pra tudo ficar bem bunitim, facim e arrumadim pra todo mundo entender direitim.
Viu só, falando certim, todo mineiro entendi bem direitim e a prosa fica boa dimais da conta sô!
          É só falar e amar porque Minas é um trem que corre em minhas veias e a estação é o meu coração. Amo Minas porque sou mineiro com muito orgulho e muito amor e ser mineiro é um prazer que só quem é mineiro sabe e entende. Ser mineiro não é apenas um privilégio, é uma honra e não tenho vergonha de falar com sotaque, de mostrar meu sotaque.

Muito prazer, sou Arnaldo Silva, natural de Bom Despacho, em pleno Cerrado Mineiro. Sou escritor, fotojornalista e mineiro com orgulho.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A vida é um trem que mora dentro de gente...

(Por Míriam Lucy Rezende/Uberlândia MG) O trem vai de Minas pra Minas, atravessando montanhas. Viaja vencendo a mata, driblando árvores, fazendo nuvens, carregando histórias. Atravessa com sua fumaça os olhos da gente, com seu apito desnuda as lembranças, e corta nossa existência bem no meio do peito, fazendo o coração esquecer seu ritmo. A cadência certa, seu chacoalhar gostoso faz a vida se assentar e viajar ao nosso lado, coladinha com a nossa alma.
          O trem que vai de Minas pra Minas vai devagar, contando coisas do passado e desembrulhando com gentileza o presente. Vai tingindo nossas trilhas com cores esquecidas, vai deixando abrir porteiras que há muito trancamos sem perceber. Vai fazendo a gente estender a prosa e o pensamento, desacelerar, esperar sem pressa o que vai surgir na curva dos trilhos, e gostar do que vê.
          Faz a gente menos pergunta e mais descoberta, faz a gente mais observador do que crítico, faz a gente degustar o passar mais lento, e por isso mais profundo da nossa viagem interior.
          É no interior da gente que mora um trem. Mas a gente se esquece que ele existe e pode ser colocado a qualquer hora em movimento. Esquecemos, porque deixamos de perceber que a vida não é aquilo que está à nossa frente e que perseguimos incansavelmente com o nome de futuro. Esquecemos que a vida é um trem taquaral que pulsa em nós, apitando paisagens, desvendando caminhos a serem sentidos sem pressa, de rosto coladinho com a existência.
          A vida é uma viagem na Maria Fumaça. Mas a gente desaprendeu o jeito de passear. Pegamos o trem bala numa trajetória cara e sem garantia. É Maria Fumaça nosso bilhete de travessia. Pois que nem esse trenzinho que vai de Minas pra Minas, a gente vem da gente e volta pra gente mesmo, qualquer dia. Boa viagem 
Fotografias ilustrativas de César Reis mostrando a Maria Fumaça em Tiradentes MG

terça-feira, 3 de abril de 2018

Um relato sobre Minas e os mineiros

(Por Arnaldo Silva) Paisagens europeias, do Oriente Médio, dos Estados Unidos e Canadá sempre encantam e criam sonhos de uma viagem inesquecível. Mas se olharmos no mapa e apontarmos o dedo para Minas Gerais, perceberá que temos belezas similares e outras tantas belezas que só existem em Minas.
          Minas Gerais é um mini Brasil e um mini mundo. Tudo que tem no Brasil tem aqui em Minas, devido as divisas geográficas do Estado com estados com características diferentes e por ter recebido um diferenciado contingente de imigrantes, sejam latinos, árabes, judeus, europeus e orientais. É estado mais montanhoso do país, de maior altitude. É o que tem mais cidades no país. São 853 municípios. (moradores de Catas Altas MG, Região Central em registro de Elvira Nascimento)
          Grand Cânyon dos Estados Unidos? Temos vários cânions em Minas também. (na foto acima, os cânions de Furnas em Capitólio MG, de autoria do Pedro Beraldo)
          Cidades ricas e desenvolvidas, temos também. Vilas e cidades com características europeias? Claro que temos. Cidades históricas? Nossa, como temos! (na foto acima do César Reis, bichinho, distrito de Prados MG)
          Paisagens deslumbrantes, serras, montanhas, calor e frio, temos muito mais belas até.
          Antigas vendas e vilas interioranas típicas? Temos e nem imagina quanto. (na foto acima Alexa silva, a Venda do Zeca na Serra do Cipó, na ativa desde 1911)
          Ah, você gosta de cordilheira? Mas aqui tem também. Aliás, é a única cordilheira que existe no Brasil. Estou falando da Cordilheira do Espinhaço. São 1000 km de extensão sequente, iniciando na parte Central de Minas, se estendendo até o Sul da Bahia. Imagina só percorrer mil quilômetros na nossa cordilheira. (foto acima de Tom Alves/@tomalvesfotografia da Cordilheira do Espinhaço na Região Central)
          Além disso, Minas Gerais tem diferenciais. São características que são somente encontradas em Minas e com os mineiros. Nossos queijos e nossa rica culinária são únicas no mundo. Não tem igual. Nossa hospitalidade, simplicidade, tradições, cultura, folclore e música também. O mineiro é singular, não tem igual. (na foto acima de Eduardo Guimarães, terno de Congada em Dores do Indaiá MG)
          Minas Gerais é o estado que tem mais cavernas e grutas no país. São 8854 cavernas catalogadas. O segundo estado é o Pará, com 2.630 e o terceiro, a Bahia, com 1.692 cavernas. (na foto acima do Thelmo Lins, a Gruta Rei do Mato em Sete Lagoas)
          Aqui em Minas temos os biomas Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga. Cada bioma com suas características diferentes. Que luxo isso! Pra quê então ficar sonhando com Dubai, França, Londres, Canadá? Sonhe com Minas, em conhecer Minas.
          Quem gosta de frio e arquitetura em estilo europeu? Sabia que Minas tem tanto lugares gelados com geadas e temperaturas abaixo de zero grau, como exemplo Monte Verde, Delfim Moreira, São Lourenço, Maria da Fé, a mística São Tomé das Letras e Marmelópolis no Sul de Minas. (na foto acima da Mônica Milev, Monte Verde e abaixo de Sérgio Mourão/@encantosdeminas, Lavras Novas)
          Tem ainda Lavras Novas, distrito de Ouro Preto, Conceição do Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, Diamantina, Barbacena e Tiradentes, cidades bem frias como outras tantas.
          Quer conhecer castelos em estilo medievais, suntuosos palacetes? Em Minas Gerais tem e muitos. (na foto acima de Thiago Perilo, o Palácio da Liberdade em Belo Horizonte)
          E o que comer? Em Minas tem de tudo e mais um pouco. Seja a cozinha alemã, italiana, oriental, judaica, árabe, latina, francesa. Aqui tem sim e claro, a cozinha barroca e tricentenária de Minas Gerais. (na foto acima do Fabrício Cândido, a vila italiana de Maringá de Minas, distrito de Bocaina de Minas, no Sul de Minas. O lugar é repleto de restaurantes com comida mineira e italiana)
          Em Minas o turista experimenta a cozinha mineira de verdade: pão de queijo, pastel de angu, biscoitos, roscas, geleias, broas, doce de leite, goiabada cascão, tropeiro, vaca atolada, tutu e tantos outros. Ah, feito no fogão a lenha e na panela em pedra sabão. (na foto acima do Carlos Oliveira, a cozinha de Igarapé MG, feita para o projeto Igarape Bem Temperado)
          Outra coisa, a culinária mineira não se resume a 10, 15 ou 20 pratos. Desde o século XVIII, até os dias de hoje, são mais de 650 pratos variados da cozinha mineira. Uma variedade enorme de doces, quitandas, licores, e cachaças e tantos outros pratos salgados da nossa cozinha.
          Tem os mais populares, mas tem outras centenas de pratos que você sequer sabia que existia. Só vindo em Minas para saber e experimentar. Sem contar os nossos queijos, premiados no mundo inteiro. São mais de 50 tipos de queijos Minas diferentes, presentes em todas as regiões mineiras. (na foto acima da Carla Costa/@carlajgcosta, o Festival das Quitandas de Congonhas MG)
          Gosta de curtir e apreciar lagos? Sabia que o Lago de Furnas possui Com 1.406,26 km² e 3.500 km de perímetro. É o maior lago em extensão do Estado e um dos maiores lagos artificiais do mundo. (parte do lago de Furnas em Guapé MG com registro do Carias Frascoli)
          E praia? Aqui tem também, não do mar, mas com tantos rios, praias fluviais, formadas ao longo do leito dos nossos rios, são encontradas por toda Minas Gerais. (na foto acima de Igor Messias, a praia formada pela Cachoeira do Telésforo, em Conselheiro Mata, distrito de Diamantina)
          Sem contar cachoeiras, com seus poços de águas limpas e cristalinas. Segundo a Secretaria de Turismo de Minas, o Estado de Minas possui milhares de cachoeiras, sendo 1175 cachoeiras cadastradas na setor. (na foto acima do Luís Leite, a Cachoeira da Maria Augusta em São João Batista do Glória MG)

domingo, 14 de janeiro de 2018

Declaração mineira de amor aos amigos

Uma singela poesia, no mais simples mineirês. Aquele jeito bem singelo do povo do interior, do nosso sertão falar. É a linguagem do coração, da emoção e da saudade de ouvir nossos pais e avós contarem seus causos nesse linguajar tão suave e gostoso de ouvir. Essa declaração, mesmo curtinha, mostra o jeito simples, carinhoso e amável do mineiro falar.
Ocê é o colírio du meu ôiu.
... É o chicrete garrado na minha carça dins.
É a mairionese du meu pão.
É o cisco nu meu ôiu (o ôtro oiu - eu tenho dois).
O rechei du meu biscoito.
A masstumate du meu macarrão.
Nossinhora!
Gosto dimais da conta docê, uai.
Ocê é tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente.
Óiprocevê,
Quem tem amigossim, tem um tisôru!
Ieu guárdêsse tisouro, com todu carinho ,
Du lado isquerdupeito !!!
Dentro do meu Coração!!!
AMO Ocê, uai!!!

(A.D.) Autoria Desconhecida
Artes da Conheça Minas.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Minas Gerais e mineiros em 7 frases diferentes

       "Minas Gerais unifica os povos do Leste e Oeste, do Norte e do Sul, através da gastronomia e saber receber! Em Minas, todos se sentem em casa! Unimos os brasileiros! Esquecendo preconceitos de estados contra outros estados! Por isso que Minas está no meio do mapa! Todos vem e se sentem em casa e igual! (Regina Kátia Rodrigues)
          "Até ´tchau` em Minas é personalizado. Ninguém fiz ´tchau` pura e simplesmente. Aqui se diz: "tchau procê", "tchau procês". É útil deixar claro o destinatário do ´tchau`!" (Felipe Peixoto Braga)
          "Praia de mineiro é barzinho, e sua sala de visitas, balcão de armazém e cerca de curral. Ali a língua rola solta na conversa mole, como se o tempo fosse eterno. Certo mesmo é que o momento é terno... 'Minas Gerais é muitas', como disse Guimarães Rosa. Minas é Mantiqueira e Cerrado, Aleijadinho e Amílcar de Castro, Drummond e Milton Nascimento, pão de queijo e broa de fubá... Minas é saborosamente mágica" (Frei Beto)
          "Ser mineiro é fazer da cozinha a melhor parte da casa. Receber os amigos com mesa farta. Mineiro tem mesmo fome seja de letra ou de amor." (Luana Simonini)
          "Em Minas, o Horizonte é Belo, o Juiz é de fora, os Montes são Claros, o Pouso é Alegre, a flor é Viçosa, a Cachoeira é Dourada, o Córrego é Novo, as Lagoas são Sete, o Rio é Manso, o Mar é de Espanha, os Corações são Três, os Poços são de Caldas, a Ponte é Nova, as Dores são de Indaiá, e o Ouro é Preto ou Branco e pode também ser Fino, o Mato é Verde, o Monte é Azul, o Campo é Belo, a Lagoa é Santa, Dourada ou Prata, a Lima é Nova, vive-se Entre Rios, Três são as Marias, São João é do Rei, a Serra é do Cipó, a Pedra é Azul, e as Águas são Formosas! Eita trem bão esse estado sô!" (Autoria desconhecida)
          "Ser mineiro é dizer UAI e ser diferente; é ter marca registrada, é ter história.Ser Mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância." (José Batista Queiroz)
"Mineiro é o tipo de brasileiro, com um exagero no tempero.
É o tipo de gente, que melhor hospeda parente.
Da-lhe logo um pão de queijo, um abraço e um beijo.
Só o mineiro, tem o charme do "UAI"...
Mineiro é feliz assim por natureza, sua alma transborda grandeza.
E suas terras, ostentam beleza.
Por aqui, tudo é "trem".
Não importa muito, se vai ou se vem.
Mineiro inspira serenidade, no olhar, na simplicidade.
Mineiro faz da dor, uma bonita rima de amor.
Mineiro é assim, quieto, mas no fundo, não resiste a um afeto"
(Gioavani Arantes/@gioarantes_)          
Foto ilustrativa acima de César Reis em Tiradentes com arte de Arnaldo Silva

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