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sábado, 5 de janeiro de 2019

Conheça Belo Horizonte em fatos e fotos

(Por Arnaldo Silva) Minas Gerais é um estado de tradições e história antiga, mas sua capital, Belo Horizonte, tem história mais recente. Fundada em 12 de dezembro de 1897, substituiu a primeira capital, Mariana, fundada 150 anos antes, e Vila Rica, que era a atual capital de Minas na época.
Fotografia de Elvira Nascimento
A fundação da nova capital de Minas
Praça da Estação de BH. Foto: Nacip Gomez
        Antes da capital ser criada, a região era habitada desde 1701. Vivia na região o bandeirante João Leite Ortiz, que possuía uma fazenda, que posteriormente foi se transformando, a partir de 1707, num pequeno arraial, denominado Arraial de Curral Del Rei, formado por trabalhadores da fazenda e outros bandeirantes que vinham para a região. O nome do arraial permaneceu até a fundação da Capital.
Praça Sete de Setembro. Foto: Thelmo Lins
        No ano de 1883, decidiu-se pela transferência da capital mineira, na época Vila Rica, atual Ouro Preto para uma região mais central do estado, tendo sido escolhido a região onde estava o Arraial de Curral Del Rei. Foi promulgada a lei determinando a mudança da capital para as terras da antiga fazenda. Por ser uma região montanhosa, com belas vistas, principalmente pelo belo horizonte que se via na do alto de suas serras, optou-se pelo nome Belo Horizonte para a nova capital mineira.
Cidade inspirada em Paris e Whashington
Centro de BH. Fotografia: Thelmo Lins
        A equipe de engenheiros, chefiada pelo engenheiro Aarão Reis, se inspirou nos modelos urbanos das cidades de Whashington, nos Estados Unidos e de Paris, na França para projetar a nova capital. A arquitetura das construções belo-horizontinas do início de sua construção foram inspiradas na arquitetura francesa.
Atrações de Belo Horizonte
Praça da Liberdade. Foto: Arnaldo Silva
        Emoldurada por uma cadeia montanhosa, como a Serra do Curral, Belo Horizonte oferece várias atrações a seus moradores e visitantes. 
Praça do Papa. Fotografia: Nacip Gomez
        Além da charmosa arquitetura do final do século 19 e início do século 20, de inspiração francesa, presentes na região centro-sul da capital, tem ainda como atrações o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, um dos principais trabalhos do arquiteto Oscar Niemeyer, erguido entre 1942 e 1943, na gestão do prefeito Juscelino Kubitschek (1902-1976) e da Praça da Liberdade, onde está localizado o Palácio da Liberdade, um dos cartões postais de Belo Horizonte, construído para ser sede do Governo Mineiro entre 1895 e 1897. Atualmente é aberto a visitação pública nos fins de semana.
Museus e teatros
Cidade Administrativa. Sede do Governo Mineiro. Foto: Lucas Vieira
        Belo Horizonte conta cerca de 69 museus, se destacando o Museu de Artes e Ofícios, Museu das Minas e do Metal, Museu da Moda, Memorial Minas Gerais, Museu de Arte da Pampulha, Museu da Imagem e do Som, Museu da História da Inquisição, Museu de Ciências Naturais, Museu Abílio Barreto, Museu do Brinquedo, dentre outros. Possui ainda dezenas de parques em todas as regiões da cidade, outras dezenas de teatros e espaços para exposições, convenções e eventos de grande porte como a Serraria Souza Pinto, o Minascentro e o Expominas.
Outros atrativos
Praça Raul Soares Foto: Thelmo Lins 
        A vida noturna na capital é intensa, com milhares de bares espalhados pelos bairros da cidade, que garante à Belo Horizonte, o título de "capital brasileira dos bares". A cidade se destaca ainda na gastronomia, sendo o Festival de Comida de Boteco, que acontece todos os anos, uma das referências nacionais em gastronomia popular. 
Farol inglês da Praça da Liberdade. Foto: Nacip Gomêz
        Além dos teatros, museus e gastronomia, a capital tem ainda como atrativos a Praça da Estação, o Parque Municipal um dos pontos de encontro das famílias belo-horizontinas, o Palácio das Artes, o Mirante do Mangabeiras, a praça do Papa, de onde se tem uma excelente vista panorâmica.
Feira e Mercado Central
Praça Sete de Setembro. Fotografia: Thelmo Lins
        Tem a Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena, que funciona todos os domingos pela manhã, com cerca de 4 mil barracas oferecendo produtos diversos, sendo a maior feira ao ar livre da América Latina . Outro destaque da cidade é o Mercado Central, eleito pelos passageiros da Revista Tam Nas Nuvens, como um dos 10 melhores do mundo.
A Grande BH
Cine Brasil na Praça Sete. Foto: Thelmo Lins
        Hoje Belo Horizonte conta cerca de 2,5 milhões de habitantes, sendo a quarta capital mais populosa do Brasil, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. 
         A Região Metropolitana de BH é formada por 33 municípios, ao todo tem mais de 5 milhões habitantes. A média anual da temperatura na capital é de 22º C. A cidade fica a 586 km de São Paulo, 435 km do Rio de Janeiro, 740 km de Brasília e 550 km de Vitória.

domingo, 21 de outubro de 2018

Monumento à Terra Mineira

(Por Arnaldo Silva) A Praça Rui Barbosa, a popular Praça da Estação de Belo Horizonte, é um dos locais mais visitados da capital mineira. Por ser um espaço amplo, é constantemente palco de eventos culturais como o Forró de Belô, Carnaval e outras festas. O que poucos sabem ou conhecem é o valor histórico e simbólico do local para Minas Gerais.
          Por décadas transitaram pelo local milhares de pessoas, já que o espaço foi construído para ser a Estação de Trens de Belo Horizonte. Hoje o que era a estação ferroviária, abriga o Museu de Artes e Ofícios. Ao lado, tem a estação de metrô, mais moderna. E um pouco mais à frente, a Estação de Trem de passageiros, Vitória Minas.
          O que chama atenção na Praça é um enorme monumento que representa a Terra Mineira. 
          A obra toda esculpida em granito é do escultor italiano Giulio Starace (1887 - 1952). Está na esplanada da Praça da Estação, entre a Praça Rui Barbosa e o Museu do Mao. Foi inaugurada no dia 15 de julho de 1930 com a presença do Presidente do Estado Antônio Carlos Andrada, do ministro Francisco Campos e do professor Aurélio Pires. Em todo o monumento, detalhes da história mineira estão representados. Mostra o domínio do território pelos bandeirantes e a conquista da liberdade pelos nossos mártires encravados em relevos no bloco central.
          Nos relevos do granito estão representadas as figuras de Bruzza Spinosa, o martírio de Tiradentes, o martírio de Felipe dos santos e o bandeirante Fernão Dias Pães Leme, como o "Caçador de Esmeraldas." (na foto abaixo, alguns dos inconfidentes foram lembrados em placa)
         No alto, a figura de um homem nu empunhando uma bandeira se destaca. O artista se inspirou em Apolo, uma das principais divindades greco-romanas, tida como um deus justo, que defendia a tolerância. A estátua em bronze representa o heroísmo do cidadão mineiro. Abaixo da estátua pode ser ler a inscrição em latim “Montani Semper Liberti” (a montanha sempre está livre).
          Sendo esse então o maior significado do monumento que sempre marcou a característica do povo mineiro, desde os tempos do Brasil Colônia e Imperial: a luta pela liberdade. 

sábado, 20 de outubro de 2018

Parque Municipal de BH: um museu a céu aberto

(Por Arnaldo Silva) Desde a sua fundação em 1897, o Parque Municipal Américo Renê Giannetti em Belo Horizonte é o ponto mais visitado da capital mineira. Faz parte da família belo-horizontina um passeio no parque. Atividades como piqueniques, encontros de amigos, prática de esportes, passeios ou simplesmente, descansar sobre a sombra das frondosas árvores do parque são programas comuns de quem frequenta o local. Muitos ainda não resistem e tiram fotos com os famosos lambe-lambes, que ainda estão em atividades no parque.
          Idealizado por Aarão Reis, a área inicial do parque quando criado era de 555 mil metros quadrados. Com o crescimento da capital ao longo dos anos, sua área foi reduzida aos poucos e hoje ocupam 182 mil metros quadrados no centro da capital mineira. Quando o parque foi criado, a ideia original era ser o Parque de Belo Horizonte o maior e mais bonito parque da América Latina. No início era mesmo, pela dimensão territorial que tinha. Os idealizadores do parque se inspiraram nos belos espaços públicos franceses, nos tempos de paz da chamada "Belle époque", entre 1871 a 1914.
          Esse parque tem belezas e detalhes desconhecidos por boa parte de seus frequentadores. As centenas de pessoas que todos os dias passam pelo local nem percebem ou desconhecem as inspirações europeias em construções e monumentos do parque. Basta andar  com mais atenção que os detalhes se revelam. E não são poucos e nem minúsculos. Estão visíveis aos olhos de todos.
A Mãe Mineira
          Uma dos monumentos que mais impressiona no parque é o da "Mãe Mineira." Foi esculpido por Lélio Coluccini, escultor neoclássico e modernista italiano, nascido em Valdicastello em 1910. Viveu no Brasil, se radicando em Campinas, onde faleceu em 1983. O monumento impressiona pelo realismo e modernismo. Foi inaugurado em 1958 e homenageia as mães de Minas Gerais.
          Dentro do Parque temos o Teatro Francisco Nunes. Inaugurado em 1950 é um dos principais palcos da cultura da cidade. Na parede lateral do teatro existe um detalhe que poucos param para contemplar. Dois enormes painéis retratam a fauna e flora brasileira com mosaicos portugueses.
Coreto importado da Bélgica
 
          Dentro do Parque, próximo à lagoa dos barquinhos, tem um coreto que chama a atenção. Todos sobem as escadas para conhecer o coreto e tirar fotos porque ele é muito bonito, com belos detalhes entalhados. Além disso, acontecem apresentações com bandas, grupos de serestas em torno do coreto.
          Mas a origem do coreto é muito interessante. Os belos jardins em volta do coreto foram projetados em estilo francês, justamente para receber a estrutura do coreto, que foi importado da Bélgica. O coreto belga foi instalado inicialmente na antiga Praça do Mercado, hoje a atual Praça da Rodoviária. Em 1922 foi transferido para o Parque Municipal. Hoje, o coreto é um dos patrimônios culturais de Belo Horizonte.
Escultura alada Vitória de Samotrácia
          Com 3,60 metros de altura, pesando uma tonelada, uma escultura de uma mulher alada, sem cabeça e braços desperta a curiosidade dos frequentadores do parque. É a réplica de uma das mais importantes esculturas do mundo, Vitória de Samotrácia. A original está exposta no Museu do Louvre em Paris e é a terceira obra mais visitada neste museu.    No Parque Municipal, passa quase despercebida, sendo inclusive desconhecida sua história e importância.
          A obra retrata Atena Niké, a deusa grega da vitória. Sua forma é de uma mulher alada. Acreditam os historiadores que era usada em forma de carranca em navio de guerra e em uma batalha naval perdeu a cabeça, braços e pés. A escultura pode também ter sido usada para ornamentar a entrada de um santuário dedicado aos Cabírios, considerado os protetores dos navegantes. A escultura original foi encontrada na cidade de Samotrácia, na Grécia em 1863. Por simbolizar a vitória na guerra, seu nome passou a ser Vitória de Samotrácia. 
          A escultura foi instalada no Parque Municipal próximo a entrada da Rua Ezequiel Dias, em 2008, por ocasião dos 110 anos do parque. A réplica foi autenticada pela Réunion de Musées Nationaux, instituição francesa que coordena 33 museus franceses.
Afrodite: a Vênus de Milo
          No lago do Parque Municipal, próximo a Rua Ezequiel Dias, uma escultura realista, esculpida em mármore branco chama a atenção. É a Vênus de Milo, réplica de uma das mais famosas esculturas gregas do mundo. A original pertence ao acervo do Museu do Louvre em Paris. A "deusa sem braços" é uma das obras mais reproduzidas atualmente no mundo.
          A escultura é envolta a mistérios até hoje não decifrados pelos historiadores. É o símbolo da beleza feminina clássica. Foi esculpida entre os anos 100 e 190 a.C., sem autoria até hoje identificada. Chamada de Vênus pelos conquistadores romanos, a escultura representa a deusa Afrodite para os gregos. Segundo a mitologia grega, Afrodite é a deusa do amor, sendo uma das deusas mais cultuadas pelos gregos na antiguidade.
          A estátua foi encontrada em 8 de abril de 1820 na cidade grega de Milos, sem os braços e sem o pé esquerdo. Como os romanos chamavam a deusa Afrodite de Vênus e a estátua foi encontrada em Milos, ficou o nome, Vênus de Milo.
Outros detalhes do Parque Municipal
          Pelos 182 mil metros quadrados do Parque Municipal existem centenas de árvores, principalmente figueiras centenárias todas identificadas com plaquinhas. Tem a cascatinha (foto acima), uma nascente dentro do parque. A Fonte dos Burros. Tem também várias espécies de flores, bem como outros monumentos como os bustos dos fundadores de Belo Horizonte. No parque pode ser vista também uma pirâmide. Uma mística obra, inspirada nas pirâmides egípcias, doada pela Associação Rosa Cruz.
          Até a heroína Ana Maria de Jesus Ribeiro, mais conhecida como Anita Garibaldi (nascida em Tubarão/SC em 30 de agosto de 1821, falecida em Ravena, na Itália em 4 de agosto de 1849) é homenageada pelos mineiros. Anita Garibaldi foi uma famosa revolucionária catarinense, que juntamente com seu marido Giuseppe Garibaldi, teve participação direta na Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul e no processo de unificação da Itália.
            Foi tão atuante nesses dois episódios que ficou conhecida como a "Heroína dos Dois Mundos". A homenagem à heroína fica na Ilha dos Amores, no lago principal do parque.
          Como podem perceber o Parque Municipal de Belo Horizonte é um museu a céu aberto. E o melhor é que tudo isso é gratuito, entrada franca para todos. Vale a pena prestar atenção nos detalhes que temos no nosso mais famoso parque. 

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

A terceira mais antiga igreja de Minas

(Por Arnaldo Silva) Em Fidalgo, distrito de Pedro Leopoldo, cidade a 46 km distante de Belo Horizonte, encontra-se um dos mais importantes sítios arqueológicos e arquitetônico de Minas Gerais. Na Quinta do Sumidouro, em Fidalgo está uma das mais antigas igrejas de Minas Gerais, a Capela de Nossa Senhora do Rosário.
          O local, formado ainda pela casa sede da Quinta, o Sítio arqueológico do Sumidouro e a Lagoa da Lapa, tem origens por volta de 1674, quando da chegada à região das bandeiras lideradas por Fernão Dias Paes Leme. O bandeirante deixou na região um rico patrimônio histórico, formado pela casa em que construiu, viveu e faleceu, hoje museu, além da Capela de Nossa Senhora do Rosário. (na fotografia acima de Alexa Silva/@alexa.r.silva, a Capela de Nossa Senhora do Rosário)
A Quinta
          Região de terras férteis o bandeirante decidiu formar uma Quinta. Em Portugal, Quinta é uma propriedade rural de grande extensão, com nascentes de água e terras férteis, propícia para fixar moradia. Literalmente, Quinta é o que chamamos hoje de Fazenda.
          Fernão Dias deu origem a formação de um arraial em sua Quinta, denominado de Quinta de São João do Sumidouro.
Popularmente chamada de Quinta do Sumidouro, o arraial foi elevado a distrito de Pedro Leopoldo em 1923, com o nome de Fidalgo. 
          O conjunto formado pela Casa de Fernão Dias, o Sítio da Quinta, a Lagoa da Lapa, a Capela e seu entorno, continuaram a ser chamado de Quinta do Sumidouro.
A 3ª Igreja de Minas Gerais
          A singela e mimosa Capela do Rosário, foi o terceiro templo religioso construído em Minas Gerais. A primeira foi Igreja de Nossa Senhora da Conceição, erguida em 1670, em Matias Cardoso, no Norte de Minas. Já a segunda, foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, erguida por volta de 1688, em Brejo do Amparo, distrito de Januária, também no Norte de Minas.
          A Capela de Nossa Senhora do Rosário foi erguida a partir de 1694, com a formação da Quinta por Fernão Dias. A Capela, faz parte do conjunto histórico da Quinta o Sumidouro. Todo o conjunto é um bem tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG) desde 27 de janeiro de 1976. (na fotografia acima de Arnaldo Silva/@arnaldosilva_oficial, a Capela do Rosário)
          A Capela foi construída pelos escravos que formavam a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Participou também da construção da Capela a Irmandade do Santíssimo Sacramento.
Estilo Joanino
          As primeiras construções erguidas em território mineiro, eram bem simples em sua arquitetura e ornamentação. As características que definiram o estilo arquitetônico das construções coloniais mineiras, estava ainda em seu início. Era a primeira fase do Barroco Mineiro.
          De traçado simples e singelos em seu exterior, a Capela do Rosário da Quinta do Sumidouro recebeu ornamentações, talhas e retábulos nas características do estilo Joanino.
          Este estilo tem origem em Portugal, no final do século XVII e tinha como característica principal a união de vários estilos arquitetônicos. Pelo estilo ter sido criado durante o reinado de Dom João V (1706/1750), recebeu esse nome. O estilo Joanino foi a segunda fase do Barroco Mineiro, predominando nas primeiras construções mineiras nas primeiras décadas do século XVIII, até a entrada da terceira fase do Barroco Mineiro.
Ornamentações da Capela do Rosário
          Seguindo o estilo Joanino, o interior da Capela do Rosário tem em seu retábulo-mor sua principal ornamentação come anjos, tarjas, colunas e nichos cortinados, além da pintura do forro da nave principal, em estilo Rococó.
          Na terceira fase do Barroco Mineiro, o retábulo-mor da Capela recebeu a imagem de Nossa Senhora do Rosário, obra atribuída ao Mestre do Barroco Mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. (na foto acima de Arnaldo Silva/@arnaldosilva_oficial, o retábulo-mor da Capela)
          Ao longo de sua construção até sua completa conclusão, a Capela do Rosário da Quinta do Sumidouro passou pela primeira, segunda e terceira do Barroco Mineiro, dai sua grande importância e valor histórico para Minas Gerais.

domingo, 10 de junho de 2018

Mercado Central de BH entre os 10 melhores do mundo

(Por Arnaldo Silva) A Tam Linhas Aéreas, divulgou em sua revista de bordo, "Tam nas Nuvens", de janeiro de 2016, reportagem especial com os 10 melhores mercados de todo o mundo, tendo como base de votação entre os passageiros da empresa em todo o mundo, com pesquisa feita no final do segundo semestre de 2015, divulgado em 2016. (foto acima de Alexandre Vidigal e abaixo de Janina Alves)
          Entre os 10 melhores do mundo, o Mercado Central de Belo Horizonte ficou em terceiro lugar. Na primeira colocação ficou o Mercat de la Boqueria, de Barcelona e o segundo, o Bourough Market, de Londres. Outro mercado brasileiro, na lista entre os 10 melhores do mundo foi o Ver-o-Peso, de Belém do Pará.
           A revista "Tam nas Nuvens" tem circulação mensal, com tiragem de 150 mil exemplares, atingindo um público de 2.905.000 leitores, com distribuição entre todos os seus passageiros, em voos nacionais e internacionais, segundo informações no site da companhia aérea. Da data de divulgação da pesquisa feita pela "Tam nas Nuvens" até hoje, não foi feita outra pesquisa sobre o tema, prevalecendo então esta como a atual a pesquisa. (foto acima da Regina Kátia/@reginasfarm)
          Na reportagem, a variedade e qualidade dos produtos oferecidos, como temperos, queijos, artesanatos, os bares e restaurantes, com suas culinárias criativas e tradicionais foram os destaques apontados pela revista. (fotos acima e abaixo da Janina Alves)
          O Mercado Central de Belo Horizonte estar entre os melhores do mundo, é o reconhecimento do trabalho sério e preservação das tradições mineiras, bem como a variedade e a qualidade de seus produtos, mantidas, desde sua fundação, em 7 de setembro de 1929.
          Quem vem à Belo Horizonte, tem por obrigação vir ao Mercado Central. Seria um passeio incompleto. (foto acima da Janina Alves)
          E quem vem, conhece o mercado, seus corredores, suas mais de 400 lojas, experimenta seus pratos típicos como o fígado com jiló (na foto acima da Katita Jardim/@tremdeferroartesanatobh), os doces mineiros, os queijos do Serro e Canastra, o artesanato mineiro, as frutas e verduras vindas do produtor. 
          Tudo no Mercado Central encanta e impressiona. Quem conhece uma vez, quer voltar sempre. (fotografia acima acima de Sila Moura) 
 Fonte das informações: Sites do Mercado Central de Belo Horizonte e o Tam nas Nuvens
Endereço do Mercado Central: Avenida Augusto de Lima, 744, Centro de Belo Horizonte
Aberto de 7 hs até as 18 hs. Domingo de 7 hs até as 13 hs. Telefone: (31) 3274-9434 e 3274-9497

segunda-feira, 28 de maio de 2018

O casarão da Fazenda Santo Antônio em Esmeraldas

(Por Arnaldo Silva) Esmeraldas é uma cidade com cerca de 72 mil habitantes e distante, 60 km de Belo Horizonte. Surgiu no final do século XVIII com a formação de um pequeno arraial, por fim, elevado a distrito, com o nome de Santa Quitéria, a partir de 1832/1891. Era subordinado a Sabará, permanecendo nessa condição até ser elevada à Vila em 16 setembro de 1901, com o nome de Vila de Santa Quitéria. Foi elevada à cidade em 1925, tendo adotado o nome atual em 1943.
O Casarão 
          Dos tempos coloniais, Esmeraldas guardas relíquias em sua arquitetura, em destaque para o Casarão da Fazenda Santo Antônio, apenas 4 km do Centro da Cidade. 
          O casarão foi erguido entre os anos de 1816 e 1822, de forma planejada, seguindo o requinte e luxo, tradicional das construções coloniais da época. São dois pavimentos, com blocos de adobe, com vigas e assoalho em madeira, fachada principal com vãos em cada pavimento, sacadas na parte superior e pinturas decorativas datadas de 1822. Em 1831, outras pinturas foram feitas, sobrepondo-se às primeiras, tendo sido eliminadas no início do século XX, com novas pinturas sendo feitas em 1942.
Residência do Presidente da Província
          Foi construído para ser a residência do Visconde de Caeté, José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, (nasceu em Santa Quitéria em 1770 — faleceu em Caeté, 10 de fevereiro de 1838). Fazendeiro, formado em direito e medicina pela Universidade de Coimbra,  no casarão, o Visconde trabalhava e vivia com sua esposa e seus 10 filhos.
          Nomeado pelo Imperador Dom Pedro I, em 25 de novembro de 1823, como presidente da Província de Minas Gerais (cargo equivalente hoje de Governador do Estado), ocupou o cargo até 1827, tendo sido o primeiro presidente da Província de Minas. Em 2 de janeiro de 1826 recebeu o título de Barão de Caeté e meses depois, de Visconde de Caeté, tendo assumido a condição de senador do Império, ocupando o cargo de 6 de junho de 1826 até 1838. 
Importância do casarão para Minas
          Pela importância política do Visconde, o casarão tem um significado maior para Minas. Não é apenas mais um suntuoso e imponente casarão, como tantos construídos na época. Era a residência do presidente da Província (Governo) das Minas Gerais e um dos políticos de maior influência durante as primeiras décadas do Império. Foi José Teixeira da Fonseca Vasconcelos, um dos responsáveis por pressionar Dom Pedro I a ficar no Brasil, tendo participação importante da data histórica brasileira, o “Dia do fico”, quando Dom Pedro I, decidiu permanecer no país, em 9 de janeiro de 1822.
Bem tombado 
          Por esse motivo é um dos bens de grande valor arquitetônico e histórico para a cidade e Minas Gerais, tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA) em 2004.
Saint Hilaire
          De passagem pela região e hospedando-se no casarão, Saint-Hilaire (Orleães, 4 de outubro de 1779 — Orleães, 3 de setembro de 1853) um botânico, naturalista e viajante francês, deixou sua impressão sobre o Presidente da Província de Minas Gerais: "Eu me hospedei na Capital do Rio das Velhas (Sabará) na casa do Senhor José Teixeira, então Juiz de Fora e Intendente do Ouro [...] O Sr. Teixeira é um homem de quarenta e alguns anos, rico e uma figura bastante gentil. Nascido nas Minas, ele fez os seus estudos em Coimbra e sua conversação era muito agradável. É raro ter uma reputação melhor que Sr. José Teixeira tem, em todo ponto que se vai, ele é reconhecido pelo seu saber e pela sua humanidade, seu desinteresse, sua candura, seu amor pela justiça, sua visão e patriotismo por seu pai." 
Associação do Casarão Santo Antônio
          Durante sua existência, o casarão pertenceu a vários proprietários com a fazenda produzindo café, laranja, banana, farinha, polvilho e leite. Hoje carece de uma reforma completa. 
          Com esse objetivo, foi criada a Associação do Casarão Santo Antônio (Acasa), tendo como presidente Neiva Cristina Lara Lacerda, representante da família proprietária da fazenda atualmente. Seus proprietários buscaram recursos para restaurar o casarão e transformá-lo numa casa de cultura. 
          E a reforma foi feita com muito esforço e persistência, além de ter demandado muito tempo, devido ao alto custo da da mão de obra especializada, materiais de construção e restauração das talhas e madeira do casarão. 
          A associação buscou apoio da Prefeitura, Governo de Minas, Assembleia Legislativa, IEPHA e outras entidades, visando obter recursos para custear a reforma, além de promover eventos culturais e artísticos no terreiro do casarão, como por exemplo o “Musarau”, acima, promovido pela Prefeitura em parceria com a Acasa, como podem ver na foto acima.
          Finalmente, o esforço obteve resultado com a reforma da parte externa e interna do casarão. O casarão histórico de enorme valor incomensurável para Minas, está restaurado.
As fotografias e informações para esta reportagem foram fornecidas pelas Acasa, através da Maria do Carmo Lara.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

A menor e mais bela Basílica do mundo está em Minas

(Por Arnaldo Silva) Construída no século XVIII, por volta de 1767, no ponto mais alto da Serra da Piedade em Caeté MG, distante 55 km de Belo Horizonte e 16 km de Caeté. A charmosa e singela Ermida de Nossa Senhora da Piedade, forma o conjunto com a Igreja das Romarias, anexo a ermida, construção mais recente, edificada a partir de 1974 e projetada pelo arquiteto carioca Alcides da Rocha Miranda. O conjunto foi elevado a basílica pelo Papa Francisco, em 2017.
          O templo religioso é um dos mais importantes santuários do Brasil e um dos principais pontos de peregrinação de fiéis, além de ter para Minas Gerais, alto valor histórico, por sua arquitetura e arte barroca presente em seu interior. (fotografia acima de Henrique Caetano)
          Com o reconhecimento, a pequena Igreja das Romarias, com capacidade para cerca de 60 fiéis, passou a denominar-se Basílica Estadual de Nossa Senhora da Piedade - Padroeira de Minas Gerais. 
          A elevação das ermidas a basílicas se deu nas comemorações dos 250 anos de história de fé e peregrinação à Serra da Piedade, lugar sagrado para os mineiros, tanto é que Nossa Senhora da Piedade é a Padroeira do Estado de Minas Gerais.
          Desde a elevação a basílica, a Ermida de Nossa Senhora da Piedade passou a se chamar Basílica da Ermida da Padroeira de Minas Gerais - Nossa Senhora da Piedade, com capacidade para cerca de 100 fiéis, no interior do templo, sendo atualmente a menor basílica existente no mundo. Não existe nenhuma outra basílica em todo o planeta menor que a de Nossa Senhora da Piedade, sediada em Minas Gerais. E entre as menores basílicas do mundo, a Basílica de Nossa Senhora da Piedade, é para nós mineiros, a mais bela também. (na foto, de Josiano Melo, o altar da Basílica de Nossa Senhora da Piedade) 
          A basílica, além de grande valor religioso para os católicos mineiros, é de grande valor histórico e arquitetônico para Minas Gerais, sendo um dos patrimônios mineiros mais visitados por turistas e fieis. A Ermida guarda um dos tesouros do nosso Barroco, a imagem de Nossa Senhora da Piedade, cuja autoria é atribuída ao mestre Aleijadinho. Por ano, o Santuário recebe entre 500 e 700 mil pessoas. 
         Mesmo os que não sobem a serra, com o objetivo religioso, busca um contato maior com a natureza. (foto acima de Henrique Caetano) Estar no topo da serra é como estar tocando no céu, literalmente. A natureza em volta é um proporciona uma beleza impressionante. São 1746 metros e altitude. Lugar ideal para meditação, oração, encontro com Eterno e descanso para a mente. 
          A vista do alto da serra (foto acima de Douglas Arouca), principalmente no inverno e dias nublados, impressiona os visitantes. Dá para ver em 360 graus as cidades de Belo Horizonte, Caeté, Contagem, Lagoa Santa, Nova União, Raposos, Sabará, Santa Luzia e Vespasiano.

sábado, 7 de outubro de 2017

Cidade de Raposos e a Matriz de Nossa Senhora da Conceição

(Por Arnaldo Silva) Mesmo estando apenas 30 km de Belo Horizonte, uma mas maiores capitais do Brasil, Raposos é uma pequena cidade, com menos de 20 mil habitantes, com características típicas das cidades do interior. A cidade é charmosa, atraente, com belezas naturais incríveis, além de muita história para contar. Põe história nisso. É uma das primeiras povoações de Minas Gerais. O início de seu povoamento começou  em 18 de fevereiro de 1690, com o descobrimento de minas de ouro na região do Sabarabuçu.
          Raposos guarda relíquias dessa época, com sua Igreja Matriz, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, erguida no lugar de uma pequena capela de pau-a-pique construída no final do século XVII. Com a chegada constante de novos moradores, devido a descoberta de ouro nas redondezas, a pequena capela estava pequena para tanta gente, havendo assim a necessidade de construir um novo templo, maior e mais espaçoso. (foto acima e abaixo de Thelmo Lins)
          A capela foi demolida, no início do século XVIII e erguida outra em seu lugar, a atual igreja, que se manteve preservada em sua arquitetura ao longo dos séculos. A nova igreja contrasta com a riqueza das igrejas erguidas no auge do Ciclo do Ouro. Sua arquitetura é simples, sem muitos detalhes trabalhados em sua fachada e com ornamentação interna singela, com poucos adornos. 
             A simplicidade e singeleza permanece até os dias de hoje, sendo esse um dos atrativos da igreja. Foi erguida sobre uma colina e por isso se destaca imponente na paisagem urbana de Raposos, podendo ser vista ao longe, por quem passa pela cidade. (foto acima e de Andreia Gomes e abaixo e Thelmo Lins)
A Matriz de Nossa Senhora da Conceição
          Em 1954 passou uma uma restauração e finalmente, em 2018, nova restauração com pinturas novas, preservando suas características originais. Foi erguida no início do século XVIII no estilo Chão e passando pelo estilo Joanino (esses dois estilos foram os primeiros a surgirem na Colônia, sendo os precursores do estilo Barroco Mineiro). 
          Posteriormente, o templo recebeu detalhes da arquitetura Barroca e talhas interiores no estilo Rococó, nas primeiras décadas do século XIX, quando foi feita uma necessária reforma externa e interna no templo. Não há registros da data precisa da construção da nova igreja que substituiu a antiga. A única certeza é que foi nos primeiros anos do século XVIII, por volta de 1704. O fato concreto é que é uma das mais antigas igrejas de Minas Gerais.
Por que não é a primaz de Minas?
          A primeira igreja erguida no Estado, ainda de pé, foi a de Nossa Senhora da Conceição, em Matias Cardoso, no Norte de Minas. A segunda, foi a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Brejo do Amparo, distrito de Januária, no Norte de Minas e a terceira, a de Nossa Senhora do Rosário, na Quinta do Sumidouro, em Pedro Leopoldo, na Grande Belo Horizonte. 
          A Matriz de Raposos poderia ser considerada a mais antiga de Minas, mas pelo fato de ter sido construída após a demolição de uma capela, conta-se como data de sua construção, não a da antiga capela demolida e sim a nova, já no início do século XVIII. (na foto acima de Andréia Gomes e abaixo de Thelmo Lins, o interior da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição)
          A Matriz de Raposos é bem simples e modesta para as construções de sua época, mas é uma obra única, romântica, se destaca na paisagem da cidade, tendo o suave movimento das águas do Rio das Velhas podendo ser ouvido no alto de seu adro, além de possibilitar uma linda vista de seu entorno.
Outros atrativos de Raposos
          Além da Matriz e do Rio das Velhas, Raposos oferece como atrativos:
- Estação de Trem de Raposos: Inaugurada em 1891, servia de parada de embarque e desembarque de passageiros do trem de passageiros da linha Central do Brasil Rio/Belo Horizonte. Durante sua atividade, recebeu, em 1931, a visita do Príncipe de Gales e do Príncipe George, tempos depois, reis da Inglaterra, com os nomes de de Rei Eduardo VIII e Rei George VI, respectivamente.(foto acima de Thelmo Lins)
- O Poço Azul ou Poço das Pedras: às margens do Rio das Velhas, local muito frequentado por banhistas, principalmente em dias quentes de verão; 
- A Mina de Morro Velho: descoberta em 1814 e explorada pelos ingleses a partir de 1834. É  atualmente a mina mais profunda do mundo, com 2500 metros de profundidade e 4 mil metros de extensão; 
- A Ponte Dom Pedro II: fazendo parte da Estrada de Ferro Dom Pedro II com a sigla E.F.D.PII, a primeira linha férrea construída no Brasil, com os trilhos sendo assentados em 1869 e finalizada em 1891. (foto acima de Andréia Gomes) Com a Proclamação da República em 1889, foi alterado para Estrada de Ferro Central do Brasil. A Ponte Dom Pedro II, veio da Inglaterra e foi construída sobre o Rio das Velhas, com 300 metros de cumprimento. Fica a 1 km da estação Honório Bicalho e preserva ainda a sigla original de seu primeiro nome, E.F.D.PII;
- A Serra do Gandarela: uma das mais importantes áreas verdes de Minas Gerais, transformada em Parque Nacional em 13/11/2014. (foto acima de Andréia Gomes) Está situada no coração do Quadrilátero Ferrífero com uma área de 31.270,82 hectares, abrangendo os municípios de Raposos, Rio Acima, Nova Lima, Caeté, Santa Bárbara, Itabirito, Ouro Preto e Mariana, guarda relíquias da nossa fauna e flora com vegetação formada por fragmentos contínuos de Mata Atlântica, Cerrado e Campos Rupestres e ainda com nascentes, córregos e rios que alimentam as bacias do Rio das Velhas e do Rio Doce. Lugar de rara beleza, uma ótima opção para os amantes do ecoturismo.
          A cidade (na foto acima do Thelmo Lins) conta ainda com bons restaurantes, pousadas, hotéis, além de possibilitar passeios pela história e sua natureza em redor.

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