Arquivo do blog

Tecnologia do Blogger.

Mostrando postagens com marcador Cidades Históricas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cidades Históricas. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de abril de 2023

Conheça as 3 capitais por um dia de Minas Gerais

(Por Arnaldo Silva) Segundo o Artigo 256 da Constituição do Estado de Minas Gerais, no seu parágrafo 1° o dia 21 de abril, Dia de Tiradentes; o dia 16 de julho, Dia de Minas e o dia 8 de dezembro, como o Dia dos Gerais. São as três datas magnas de Minas Gerais.
          A capital administrativa de Minas Gerais é Belo Horizonte desde 12 de dezembro de 1897, mas durante três dias do ano, 21 de abril, 16 de julho e 8 de dezembro a capital mineira é transferida simbolicamente para Ouro Preto, Mariana e Matias Cardoso, respectivamente, com a presença do Governador do Estado, que despacha nessas cidades e participa de solenidades cívicas, religiosas, entregas de comendas e medalhas. (na foto acima do Nacip Gômez, vista parcial de Mariana MG)
Ouro Preto – Dia de Tiradentes
          O Dia de Tiradentes é uma das mais importantes datas magnas do Estado de Minas Gerais pela importância da Inconfidência Mineira para o Brasil e ainda por ser esse o dia da morte de Joaquim José da Silva Xavier, o Dia de Tiradentes, Mártir da Inconfidência Mineira. (na foto acima de Nacip Gômez, Ouro Preto MG)
          Nesse dia, a capital mineira é transferida para Ouro Preto, uma das mais importantes cidades do mundo durante o Ciclo do Ouro e Patrimônio da Humanidade desde 1980, fundada em 1711. Ouro Preto foi capital de Minas Gerais entre 1720 a 1897 e é uma das mais belas e importantes cidades históricas do Brasil.
          Nesse dia, 21 de abril, a capital é transferida para a cidade, onde ocorre solenidades diversas com a presença do Governador do Estado, além da entrega da Medalha da Inconfidência, principal honraria de Minas Gerais. A medalha foi criada em 1952 pelo então Governador Juscelino Kubitschek.
Mariana – Dia de Minas Gerais
          No dia 16 de julho, a capital de Minas Gerais volta a ser Mariana, que já foi capital entre 1712 a 1720. Nesse dia, a cidade comemora sua fundação, que ocorreu em 16 de julho de 1696, quando chega à região a bandeira chefiada pelo Coronel Salvador Fernandes Furtado de Mendonça. Foi nesse ano e dia que começou a povoação de Mariana, após a descoberta de ouro no que é hoje a cidade. (na foto acima de Nacip Gômez, Mariana)
          Isso fez com que a região prosperasse, cresce com o enorme contingente de bandeirantes, mineradores, garimpeiros, portugueses e outros povos que vieram para a região, dando origem assim a formação social, cultural, religiosa e política de Minas Gerais.
          Por isso a data do surgimento da povoação de Mariana, é um dos mais importantes fatos históricos do Estado de Minas, embora não seja primeira povoação mineira, mas sim a origem da formação das primeiras características de Minas Gerais, sendo reconhecida por ser Mariana a base organizada da politica na capitania.
        Mariana surgiu em 1696, pouco tempo depois já era elevada a Vila do Ouro em 8 de abril de 1711, cidade e capital de Minas Gerais em 1712 e primeira diocese de Minas Gerais em 1745. Foi a primeira Vila reconhecida pela Coroa Portuguesa e a primeira cidade oficial de Minas Gerais, sendo por esse motivo chamada de Mãe de Minas.
          A data de aniversário de Mariana é o Dia de Minas Gerais, instituída em 1979 pela lei n°561, sancionada pelo então governador Francelino Pereira e inserida na Constituição Mineira em 1997. Nesse dia, Mariana volta a ser capital de Minas Gerais, com a presença do Governador do Estado, despachando e participando de solenidades cívicas.
Matias Cardoso – Dias das Gerais
          Matias Cardoso, distante 683 km de BH, cidade mineira no Norte de Minas, conta com pouco mais de 11 mil habitantes. Sua origem data de 1660, quando chega à região, vindo da Bahia, pelo Rio São Francisco, o bandeirante português radicado em São Paulo, Matias Cardoso de Almeida e seu pai Januário. O bandeirante foi., contratado na época pelo Governo da Capitania da Bahia para combater indígenas e negros aquilombados. (na foto acima do Manoel Freitas, Matias Cardoso e ao fundo, o Rio São Francisco)
          Matias Cardoso resolveu fixar-se com sua bandeira na região, fundando um arraial com o nome de Morrinhos, que é hoje a cidade que e leva seu nome. Esse arraial prosperou e se transformou num importante polo comercial e de abastecimento para a Coroa, em sua sede, Salvador. Matias Cardoso está às margens do Rio São Francisco. As mercadorias, na época, eram transportadas por barcos e tropeiros.
          Entre 1670 e 1673 foi construída a Igreja de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, reconhecida oficialmente como a primeira igreja, ainda de pé, em Minas Gerais, além da cidade ser reconhecida oficialmente como o primeiro núcleo de povoamento de Minas Gerais. (na foto acima do Manoel Freitas, a Matriz de N. S. da Conceição, a primeira igreja de Minas) 
          Por ser Matias Cardoso a mais antiga povoação de Minas, além de estar na cidade a primeira igreja erguida no Estado, Matias Cardoso é uma das capitais de Minas Gerais. No dia 8 de dezembro, a capital é transferida para a cidade, com a presença do Governador do Estado e autoridades.
          A data de 8 dezembro foi escolhida por ser o dia de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da cidade e por ser a igreja de Matias Cardoso a mais antiga de Minas Gerais.
          Minas tem o privilégio de ter, além de Belo Horizonte, capital administrativa do Estado, mais três capitais, simbólicas, por um dia. Matias Cardoso, Mariana e Ouro Preto, são as origens da história e formação arquitetônica, social, religiosa, política e folclórica de Minas Gerais.

domingo, 19 de março de 2023

Ouro Preto não é apenas uma cidade, é uma obra de arte!

(Por Arnaldo Silva) A cidade de Ouro Preto foi fundada em 1711 e é uma das mais importantes cidades do mundo. Tanto é que foi a primeira cidade brasileira e uma das primeiras do mundo, a ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela Unesco, em 1980. No século XVIII, chegou a ser a cidade mais populosa das Américas com com 80 mil habitantes, maior que São Paulo e Nova York, na época. 
          Construída no auge do Ciclo do Ouro, não pelas mãos de construtores ou engenheiros e sim pelas mãos de artistas, por isso que as construções ouro-pretanas são pura arte. Ouro Preto não foi construída, foi esculpida à mão, num tempo em que em que se valorizava arte, tanto no casario, quanto nas igrejas e prédios públicos. (foto acima de Elvira Nascimento)
          Construções feitas pelas mãos habilidosas de artesãos e artistas talentosos, que trabalhavam com perfeição, suas obras em pedra sabão, madeira e em ouro. (fotografia acima de Fabinho Augusto)
          Entre os mestres que construíram Ouro Preto, destacam-se Manuel da Costa Ataíde, o grande Mestre da Pintura Barroca, além de Manuel Francisco Lisboa e principalmente, seu filho, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, dentre outros grandes artistas, famosos ou não. (fotografia acima de Peterson Bruschi e abaixo de Nacip Gômez)
          Ouro Preto é uma relíquia, um tesouro, um museu a céu aberto. É a história viva e praticamente preservada, desde suas origens.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Cidade Histórica se torna Patrimônio Híbrido de Minas

(Por Arnaldo Silva) A pequena Santana dos Montes, com apenas 3,469 habitantes atualmente, conquistou um título inédito em 2022. É a primeira cidade mineira reconhecida como Patrimônio Híbrido pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP) e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha/MG). Uma vitória de seus moradores e o reconhecimento do valor material e imaterial de uma das mais importantes cidades históricas mineiras que há anos reivindicava esse reconhecimento.
          A cidade histórica, com origens no século XVIII, é repleta de fazendas centenárias como a Fazenda da Posse e Fazenda Fonte Limpa, um rico centro histórico colonial, igrejas seculares como a Matriz, datada de 1740, paisagens nativas de Cerrado e Mata Atlântica, além de ser tradicional na culinária, na produção de vinhos e cervejas artesanais. (na foto acima do César Reis o casario colonial de Santana dos Montes e abaixo, do Barbosa, a Matriz de Santana)
           Conduzido pelo Iepha/MG, o processo de estudo, preparação e análise do dossiê formulado ao longo de 2 anos, foi realizado pela entidade, em pareceria com o poder público municipal, que reivindicava esse reconhecimento há 14 anos, empresários do setor hoteleiros e a comunidade local, que puderam opinar sobre os locais, ruas, festividades e bens materiais de relevância para a comunidade a serem tombados, portanto, protegidos.
          O tombamento híbrido, pioneiro em Minas Gerais, engloba os bens materiais presentes no núcleo histórico de Santana dos Montes e seus símbolos religiosos, folclóricos e afetivos imateriais e culturais como atividades artísticas.
          Em destaque para as Linguagens, Saberes e Expressões Musicais da Viola, as manifestações populares, expressadas na Folia de Reis e Congadas e o trajeto do cortejo dos cortes, além do símbolo maior desse bem imaterial da cidade, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, de grande relevância para a história do município. (na foto acima do Barbosa, interior de uma fazenda centenária em Santana dos Montes)
          
Com o tombamento, os bens materiais e imateriais passam a ter proteção do Instituto Estadual do Patrimônio Artístico de Minas Gerais (Iepha), preservando em sua essência, sua arquitetura e tradições seculares.
          A cidade faz divisa com Conselheiro Lafaiete, Itaverava, Rio espera, Lamim, Capela Nova, Caranaiba e Cristiano Otoni, está a 120 km de Belo Horizonte, na Região Central Mineira.
          É dotada de boa estrutura urbana, rede hoteleira e gastronômica muito bem avaliadas, pousadas lindíssimas em antigas e centenárias fazendas, com arquitetura e mobiliário de época, boa rede de prestação de serviços e um pequeno e variado comércio. Além disso, a cidade é bem cuidada e tranquila. Seu povo pacato, simples e bastante hospitaleiros. (fotografia acima do Barbosa em pousada da cidade)
Benefícios do tombamento híbrido
          Além da proteção e preservação das tradições e história colonial da cidade, o tombamento trará significativas melhoras na economia do município, principalmente na área de turismo, além de trazer maior desenvolvimento urbano e rural com novos investimentos no comércio, ampliação do setor de prestação de serviços, aumento ou surgimento de pousadas, hotéis e restaurantes, etc. Isso movimentará a economia local, trazendo maior desenvolvimento e melhora da qualidade de vida de seus habitantes da área urbana e rural. (foto acima e abaixo de Sônia Fraga)
          Além disso, com o reconhecimento estadual, aumentará a pontuação de Santana dos Montes no ICMS Cultural, além do município estar a partir de agora, apto a captar mais recursos estaduais e federais, a serem investidos na preservação patrimonial da cidade e atividades culturais.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

A Casa do Inconfidente Gonzaga e a Igreja de São Francisco de Assis

(Por Arnaldo Silva) Tomaz Antônio Gonzaga (Miragaia, Porto, 11/08/1744 – Ilha de Moçambique, 1810). Foi um dos grandes nomes da Inconfidência Mineira, movimento precursor do processo de Independência do Brasil.
          Jurista, poeta e ativista político, Gonzaga se destacou na literatura brasileira por várias obras como Tratado de Direito Natural, Cartas Chilenas e principalmente, Marília de Dirceu. Usando o pseudônimo arcádico de Dirceu, inspirou-se em sua amada, Dorotéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, para escrever uma das mais belas histórias de amor das alterosas mineiras. A obra foi publicada em três. A primeira parte em 1792, a segunda em e a terceira parte, publicada em 1812, mas que não foi escrita Tomaz Antônio Gonzaga, já que já tinha falecido dois anos antes, no degredo, na África. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, o interior da casa de Tomaz Antônio Gonzaga em Ouro Preto e a igreja de São Francisco de Assis, vista da sacada da sala)
          Seus poemas seguiam o estilo árcade, escola literária que surgiu entre 1756 e 1825, na Europa. O nome do estilo árcade ou arcadismo, era em referência à região do Peloponeso, na Grécia Antiga, considerada ideal para inspiração poética, principalmente na exaltação e esteja ligado à natureza, com críticas à nobreza colonialista e ao clero. Por essa razão que os adeptos da escola arcadista optavam por escrever seus poemas usando pseudônimos camponeses gregos ou latinos. Tomaz Antônio Gonzaga usava o pseudônimo árcade de Dirceu e nomeou sua amada com o pseudônimo de Marília.
A casa de Gonzaga
          A Casa de Gonzaga é um imponente e luxuoso casarão, situado à rua Cláudio Manoel, 61, em frente a Igreja de São Francisco de Assisa, no Largo do Coimbra. É um dos lugares mais visitados em Ouro Preto. (Foto acima e abaixo de Arnaldo Silva, detalhes do quintal da Casa de Gonzaga. A foto abaixo mostra uma área tipo uma banheira)
          O casarão foi construído no século XVIII e abrigou inicialmente a Ouvidoria de Vila Rica. Os ouvidores residiam no imóvel e Tomaz Antônio Gonzaga viveu na imponente construção quando foi ouvidor-geral, entre 1782 a 1788.
De Ouvidor-Geral a Inconfidente degredado
          Ouvidor-geral era nomeado pela Coroa Portuguesa e era a autoridade máxima da Justiça na colônia. Era o intermediário entre os interesses da Coroa Portuguesa e os donatários de capitanias. Mesmo ocupando cargo de confiança na colônia, Tomaz Antônio Gonzaga juntou-se aos Inconfidentes, que lutavam contra a cobrança excessiva de impostos e queriam a independência política e econômica do Brasil. Os Inconfidentes chegaram a se reunir em sua própria casa.
          Descoberto, Tomaz Antônio Gonzaga perdeu o cargo, a moradia e a liberdade. Foi preso em 23 de maio de 1789 e condenado ao degredo perpétuo, em Moçambique, na África. Em Moçambique viveu até sua morte, em 1810, trabalhando como juiz de Alfândega.
Aberto ao público
          O casarão funcionou como ouvidoria, até a extinção do cargo de ouvidor, nas primeiras décadas do século XIX. Sediou a Chefatura de Polícia e atualmente é sede da Secretaria Municipal de Turismo, Indústria e Comércio de Ouro Preto. O local é aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 8 h às 18h, sábados, domingos e feriados, das 8h às 17h.
          O casarão, bem como a parte externa com jardins e uma bela vista para o bairro Antônio Dias, mostra o luxo e requinte das moradias da fidalguia da época, além claro, de ser um belo exemplar das construções coloniais portuguesas do século XVIII.
          Um dos cômodos de maior destaque do casarão é a sala de visitas (na foto acima de Elvira Nascimento). Das sacadas da sala temos uma vista magnífica da Igreja de São Francisco de Assis à frente, à esquerda, no alto, a Igreja de Santa Efigênia e ainda, da sacada, tem se a vista da casa onde vivia, o grande amor de Tomaz Antônio Gonzaga, sua amada Dorotéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu. 
A Igreja de São Francisco de Assis
          Projetada pelo Antônio Francisco Lisboa, o Mestre Aleijadinho, a pedido da Ordem Terceira de São Francisco de Assis, teve seu início em 1771. Até sua conclusão, foram longos anos, tendo sido concluída totalmente e da forma que está, no final do século XIX e com manutenções, reformas e restaurações, ao longo do século XX. (na foto acima de Arnaldo Silva, a fachada da igreja, projetada pelo Mestre Aleijadinho)
          Durante todo esse período, a além dos entalhes e esculturas barrocas em pedra sabão e elementos decorativos em Rococó dos mestres Aleijadinho e Ataíde, presentes na fachada da igreja, decoração em relevo e a beleza impressionantes das talhas douradas, e pinturas em painéis e altar-mor desses dois grandes mestres, diversos outros artistas, marceneiros, carpinteiros, trabalhadores e artesãos, deram suas contribuições a construção da igreja ao longo de todo o período de sua construção. (na foto acima de Ane Souz, detalhes dos entalhes do Mestre Aleijadinho na fachada e abaixo, o interior da igreja, com as obras de Aleijadinho e painéis e pinturas de Ataíde no forro da nave e altar)
          A grandiosa obra do Mestre Aleijadinho e pinturas do Mestre Ataíde, é considerada um dos mais expoentes e belos exemplares da arte colonial brasileiro e um dos mais genuínos e autênticos exemplares do barroco mineiro. Por esse motivo, a obra prima que é a igreja é um bem nacional tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
          Além disso, a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto MG é desde 2009, classificada como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo. Além da Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto MG, completa a lista das sete a Fortaleza de Diu (Índia), a Fortaleza de Mazagão (Marrocos), a Basílica do Bom jesus de Goa (Índia), a Cidade Velha de Santiago (Cabo Verde), o Convento de São Francisco e Ordem Terceira (Salvador, Brasil) e a Igreja de São Paulo (Macau).
          A Igreja de São Francisco de Assis, bem como todo o Largo do Coimbra, onde a obra está localizada, é um dos mais tradicionais templos da fé ouro-pretana, principalmente durante as celebrações da Semana Santa, Corpus Christi, dia de São Roque em 16 de agosto e São Francisco de Assis em 4 de outubro, eventos católicos que atraem centenas de milhares de turistas à cidade, durante os dias das celebrações. (na foto acima da Ane Souz, tapetes de Corpus Christi, fotografado da sacada da Casa de Gonzaga)
          Além disso, são realizados no interior da igreja e em seu adro, concertos musicais, apresentação de corais e encenações teatrais ao longo do ano, como podem ver na foto acima do Peterson Bruschi.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

O Centro Cultural da Romaria em Congonhas

(Por Arnaldo Silva) Distante 75 km de Belo Horizonte, a cidade histórica de Congonhas, com origens no século XVIII, conta com cerca de 55 mil habitantes e faz divisa com os municípios de Ouro Preto, Ouro Preto, Conselheiro Lafaiete, Belo Vale, Jeceaba e São Brás do Suaçuí.
          Em 2018, durante o Seminário Internacional Gestão de Sítios Culturais do Patrimônio Mundial do Brasil, realizado em Goiás pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), especialistas classificaram Congonhas como referência nacional em gestão do conjunto histórico. A cidade é uma das 2 mil cidades brasileiras inseridas no Mapa do Turismo do Ministério do Turismo. (na foto acima do Nacip Gomêz, a Romaria de Congonhas)
          Em Congonhas está um dos mais expressivos tesouros do barroco não só do Brasil, mas de todo o mundo, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Um complexo arquitetônico e paisagístico, composto por uma igreja, um adro com os 12 profetas e seis capelas que retratam os passos da Paixão de Cristo. (na foto acima do Nacip Gomêz)

O Santuário
          No Santuário estão peças de Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Mestre Aleijadinho, como os 12 profetas esculpidos em tamanho original e diversas outras esculturas como a Santa Ceia. Ao todo, são 78 peças esculpidas por Aleijadinho entre 1796 e 1805.
          O Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas construído entre 1757 e 1875. Sua conclusão final passou por várias etapas e teve a participação de diversos outros mestres, mas obras que mais se destacam e chamam atenção, são as de Aleijadinho.
          Todo o complexo do Santuário é reconhecido como uma das mais importantes, emocionantes e impressionantes obras do barroco colonial. As obras e o estilo arquitetônico de todo o complexo são únicas no Brasil. Não tem obra igual. Por esse motivo, todo o complexo foi tombado em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1985. (na foto acima do Wilson Paulo Brasil, o adro do Santuário, onde estão as esculturas dos 12 profetas de Aleijadinho com vista para a cidade)
A Romaria
          Desde 1770, no século XVIII, o Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos atrai romeiros e fiéis de todas regiões mineiras, de outros estados e até de outros países, principalmente entre os dias 7 e 14 de setembro, durante o jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, quando há um grande fluxo de peregrinação de fiéis ao Santuário. Para atender e abrigar a crescente demanda de fiéis, foi construído em 1932 a Romaria, na Alameda Cidade de Matosinhos de Portugal.
          Trata-se de um conjunto de pequenas casas geminadas, inspiradas na arquitetura dos Passos da Paixão do próprio Santuário, em forma circular, com pórticos na entrada e em estilo colonial.
          Como hospedaria e local de recepção de romeiros e fiéis, o local funcionou até a década de 1960, quando passou para mãos de empresários cariocas que tinham a intenção de construírem um hotel no local. Como o projeto não vingou, em 1968, quase toda a construção foi demolida. Foi preservada apenas os pórticos de entrada, posteriormente tombado pelo Instituto Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA), visando sua preservação. (fotografia acima de Gustavo Simões/@gustavosimoes.art a Romaria vista de cima e abaixo do Nacip Gomêz, os pórticos originais da entrada)
          Em meados da década de 1990, a Prefeitura assumiu a posse do imóvel e restaurou os pórticos mantendo suas características arquitetônicas originais, bem como reconstruiu as casas geminadas, com as mesas características da construção original.
          O imóvel foi reconstruído não mais para ser local de hospedagem, mas sim um espaço cultural público, visando a preservação da cultura e memória da história de Congonhas. No espaço foi instalado o Museu de Mineralogia e Arte Sacra, extensão do gabinete do prefeito, além de ser sede da Fundação Municipal de Cultura, Lazer e Turismo (Fumcult), centro de apoio aos turistas, o memorial da cidade, oficinas de artesanato e esculturas, espaço para exposições, lojas de souvenirs, auditório, salas de estudos e pesquisas, restaurantes, lanchonetes e sanitários. Além disso, o amplo espaço no centro do imóvel permite a realização de eventos artísticos e culturais da cidade.
          Em 2018, o espaço passou novamente por restauração e readequações, com verba oriunda do Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). As obras foram concluídas no final de 2020. Além da restauração do Centro Cultural da Romaria, foi construído no local o Teatro Municipal, integrando ainda o complexo ao Parque Ecológico da Romaria. (fotografia acima do Nacip Gomêz)
          O Parque é uma área ambiental com vegetação nativa, no entorno da Romaria, com áreas de lazer, sanitários, recepção, cobertura multiuso, relógio analemática, anfiteatro, trilhas, orquidário, borboleteio, além de ser um espaço de beleza naturais. É um espaço para lazer, entretenimento, além de atividades culturais paras os moradores da cidade e turistas, com área de 30.447,50 m².

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

O Santuário de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto

(Por Arnaldo Silva) Situado no bairro Antônio Dias entre as praças Barão de Queluz e Praça Antônio Dias, em Ouro Preto MG, Região Central de Minas Gerais, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição tem sua história iniciada em 1699, no século XVII, quando o bandeirante Antônio Dias construiu uma pequena e singela ermida em honra a Nossa Senhora da Conceição, antes mesmo de Vila Rica (atual Ouro Preto) existir. Vila Rica foi fundada em 1711, no século XVIII.
          Em torno da pequena capela foi se formando uma pequena comunidade, formada por gente simples que vieram junto com o bandeirante Antônio Dias, para trabalhar na mineração. Dessa comunidade simples surgiu o que é hoje o bairro Antônio Dias. Neste bairro, além do santuário e de seu casario, se destacam o Chafariz da Marilia de Dirceu, construído em 1759 e a Ponte dos Suspiros, única ponte construída em estilo romano em Ouro Preto MG. (Na foto acima do Peterson Bruschi, o Santuário de Nossa Senhora da Conceição e abaixo de Ane Souz, o altar-mor do Santuário)
As irmandades
          Durante o século XVIII, irmandades começaram a ser formadas em Minas Gerais, devido a proibição da Igreja Católica atuar em Minas Gerais, como instituição. Uma irmandade é um grupo de leigos religiosos criado com o objetivo de ajudar sua comunidade bem como prestar culto a determinado santo.
          A formação das irmandades no século XVIII foram de grande importância para manter a fé e religiosidade do povo mineiro devido a expulsão da Igreja Católica, como instituição, do território mineiro, pela Coroa Portuguesa, durante o Ciclo do Ouro. Nesse período, o Clero da Igreja Católica não tinha autonomia e nem presença em Minas Gerais. Somente as irmandades registradas e autorizadas pela Coroa Portuguesa tinham permissão para realizarem serviços religiosos e construírem igrejas, já que eram totalmente autônomas em relação ao clero.
          Quanto mais irmandades existiam, mais igrejas eram construídas. E quanto mais ricos eram seus membros, mais suntuosas e imponentes eram suas construções.
          Além disso, as irmandades assumiam os serviços sociais da comunidade, além da administração financeira e dos cultos, bem como a construção de igrejas onde e quantas quisessem, de acordo com a devoção a seus santos, mesmo que seja uma em frente a outra ou na mesma rua. Tinham ainda o poder de contratar padres, desde que devidamente autorizados pela Coroa Portuguesa.
          Na Igreja de Nossa Senhora da Conceição oito irmandades eram as responsáveis: a Irmandade de Nossa Senhora da Conceição (1717), do Santíssimo Sacramento (1717), de Nossa Senhora da Boa Morte (1721), de Nossa Senhora da Boa Morte (1721), de São Miguel e Almas (1725), de Nossa Senhora do Terço (1736), de São Sebastião (1738) e de São Gonçalo Garcia (1738). (fotografia acima de Ane Souz)
          Em conjunto, essas irmandades a atuavam no dia a dia do tempo como na manutenção, reforma, ampliação, adornos, ornamentação, bem como na organização das atividades e festividades religiosas, ao longo de suas existências.
A nova igreja
          Com o crescimento da comunidade em torno da pequena ermida, crescimento do número de fiéis e pela mesma ter sido elevada a matriz em 1705, houve necessidade de um novo tempo. As obras da construção da igreja de Nossa Senhora da Conceição começaram em 1727 e foram concluídas em 1746, no século XVIII.
          O projeto da nova igreja ficou sob a responsabilidade de Manuel Francisco Lisboa, arquiteto, carpinteiro e mestre de obras português, natural da Freguesia de Jesus de Odivelas. Apesar da fama e por ter projetado e construído inúmeras obras em Ouro Preto como a Igreja da Nossa Senhora do Carmo, o Palácio dos Governadores, pontes, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, dentre outros, Manuel Francisco Lisboa se tornou mais conhecido devido a fama e talento do filho que teve com a escravizada Isabel, Antônio Francisco Lisboa (1738-1814), o Aleijadinho.
          Foi a Igreja de Nossa Senhora da Conceição a sua mais monumental obra. É nessa igreja que pai e filho estão sepultados. Os túmulos de Aleijadinho e seu pai estão em frente ao primeiro altar, dedicado à Nossa Senhora da Boa Morte (na foto acima do Wellington Diniz). Ao todo, são oito altares que a igreja possui, referentes as irmandades presentes na Igreja.
          Além disso, na Sala da Sacristia e na Sala da Cripta, está o Museu Aleijadinho, criado em 1968 que reúne cerca de 250 obras do Mestre do Barroco Mineiro e documentos gráficos. (na foto acima de Ane Souz, o altar-mor do Santuário de Nossa Senhora da Conceição)
Uma joia rara de Minas Gerais
          Considerado o marco do nascimento de Vila Rica, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição é um dos templos religiosos de maior expressão em Ouro Preto e da arte setecentista e barroca mineira. Nessa igreja estão presentes as três fases do barroco colonial brasileiro que foram o Nacional Português, o Joanino ou Dom João V e o Rococó.
          O interior com suas talhas douradas da capela-mor, sacristia, corredores laterais, dos altares, imagens sacras, decoração e pinturas da nave, impressionam em cada detalhe além de revelar a impressionante riqueza e talento de Manuel Francisco Lisboa e outros artistas que participaram da ornamentação, pintura, entalhes e construção da igreja. (na foto acima e abaixo de Ane Souz detalhes da ornamentação e forro do Santuário de Nossa Senhora da Conceição)
          A ornamentação típica do século XVIII do Santuário se mantém praticamente inalterado, mas sua fachada não. Foi modificada no século XIX e ainda nessa época, outras obras foram feitas em sua parte externa como torres, a escadaria, o adro, construído entre 1860 e 1863 e as grades, construídas em 1881.
Restauração
          Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada a Santuário Arquidiocesano. Devido a seu estado, houve necessidade de restauração completa da igreja. Em 2013, teve início a restauração do interior e exterior do templo. Durante o período de reforma, a igreja ficou fechada.
          Foram 9 anos de um minucioso, delicado e eficiente trabalho de restauração das imagens, talhas, pinturas, além da recuperação original das cores vibrantes da ornamentação e talhas douradas. A comunidade ouro-pretana e turistas, aguardavam com ansiedade a conclusão total das obras de restauro, concluídas em agosto de 2022. Os recursos da restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição foram obtidos junto ao junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão do Governo Federal.
          Rodeada por um riquíssimo casario colonial (na foto acima de Arnaldo Silva), o Santuário se destaca pelas cores vibrantes de sua fachada, em amarelo e branco e mais ainda, pela beleza e perfeição da restauração que devolveu suas características originais, bem como sua beleza única e singular. Uma beleza que fascina, encanta e emociona em cada detalhe, fiéis, moradores e turistas de todo o mundo. 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Matozinhos e as ruínas históricas da Fazenda Jaguara

(Por Arnaldo Silva) Matozinhos é uma das mais tradicionais e importantes cidades de Minas Gerais. Tem origem no século XVIII e foi de grande importância para a cultura, história e economia mineira no século XIX. Essa importância para Minas, prevalece até os dias de hoje com destaque para a agricultura, pecuária e mineração.
Primeira foto da Andréia Gomes e segunda imagem do Rodrigo Firmo/@praondevou
          Cidade com boa estrutura urbana, conta com belas praças, igrejas, grutas e cavernas, o Museu Arqueológico Peter Lund, dentre outros atrativos e comércio e setor de serviços variados. O município de Matozinhos conta hoje com cerca de 336.618 habitantes, segundo o IBGE em 2022. Está a 47 km de Belo Horizonte e faz divisa com Pedro Leopoldo, Prudente de Morais, Capim Branco, Esmeraldas, Baldim, Jaboticatubas e Funilândia.
A Fazenda Jaguara
Fotografia: Thelmo Lins
          É uma das mais importantes fazendas para a história de Minas Gerais. Formada no início do século XVIII, no auge da exploração do ouro em Minas, a Fazenda Jaguara foi um importante ponto fiscal, até 1765. A fazenda está localizada em Mocambeiro, distrito de Matozinhos MG.
          Com o declínio da mineração, o posto fiscal foi desativado e a fazenda passou a produzir alimentos de subsistência, para abastecer a região, sendo construída o casarão sede, senzala, igreja e moinho. Era uma das maiores fazendas produtivas da região, com cerca de 1.200 alqueires e ainda, 750 escravos.
          Devido a riqueza hídrica da região, que favorecia a construção de pequenas usinas hidrelétricas, indústrias de tecidos começaram a instalar-se em Matozinhos e cidades vizinhas. Na Fazenda Jaguara, foi instalada uma dessas indústrias, com seu conjunto, passando a fazer parte da fazenda. Também em ruínas, o maquinário e galpões da antiga fábrica de tecidos, fazem parte da história e patrimônio da fazenda.
Arrependimento e promessa
          O destaque maior da fazenda são as ruínas da Igreja de Nossa Senhora da Conceição. Era comum, no Brasil Colônia, a construção de pequenas capelas nas fazendas. Na Fazenda Jaguara, foi diferente, foi construída uma igreja. A iniciativa da construção do templo, foi do português, Antônio de Abreu Guimarães, que se enriqueceu contrabandeando diamantes e ainda, era sonegador de impostos.
          Arrependido de seus atos e disposto a mudar de vida, procurou o perdão divino, confessando seus atos, perante a Igreja. Como penitência, o padre determinou que  construísse, não uma capela, mas uma igreja na Fazenda Jaguara, além de doar os lucros da fazenda para obras de caridade e rezar muito.
          Decidido a se redimir, cumpriu sua penitência. Não economizou na construção da igreja que dedicou à Nossa Senhora da Conceição. Contratou para projetar e executar a obra, nada menos que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, o Mestre do Barroco Mineiro.
A igreja construída por Aleijadinho
          O templo começou a ser construída em 1786 e concluída pelo Mestre do Barroco Mineiro em 1796. Os riscos externos, o coro, os púlpitos, os altares laterais e as ornamentações, seguiam à risca o estilo do século XVIII, bem como o altar-mor, que era muito semelhante com o altar-mor da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto, também do Mestre Aleijadinho.
          Dentro da igreja, uma placa em madeira, fixada abaixo de um anjo, colocada a mando do português, dizia: “Feito à custa de Antônio de Abreu Guimarães”.
          Considerada uma das mais expoentes e originais arquiteturas mineiras, seu estilo arquitetônico e ornamentações interiores, representavam o que existia de mais autêntico e genuíno da arte barroca do século 18.
          Era uma das principais e mais belas igrejas mineiras, mesmo estando em uma fazenda particular, justamente pelas talhas do Mestre Aleijadinho.
          Um fato interessante é que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fazenda Jaguara, foi a única igreja feita totalmente por Aleijadinho. As demais foram em parcerias com outros artistas, como o Mestre Ataíde. A da Fazenda da Jaguará não. Do alicerce ao acabamento, obra do escultor, desenhista e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. 
A compra da fazenda pelo inglês George Chalmers
George Chalmers, de bigode, rodeado por seguranças da Saint John Del Rey Mining Company - ano de 1890.
          A situação e realidade da fazenda mudou no final do século XIX, quando a fazenda foi adquirida pelo inglês George Chalmers (Falmouth, Inglaterra, 1857 — Nova Lima, 1924). Chalmers era minerador e também, diretor da Mina de Morro Velho, em Nova Lima MG, cidade distante 106 km da Fazenda Jaguara. O inglês era também Protestante e demonstrava não ter apreço à cultura e tradições brasileira.
          Por estar numa área rural e distante da cidade, a igreja era muito conhecida, mas pouco visitada e carecia de manutenção e cuidados constantes com sua arquitetura, como toda obra necessita, principalmente as mais antigas. Assim, começava a entrar em decadência. 
         Chalmers optou em não cuidar e nem em reformar a igreja, ao contrário, mandou desmontar e retirar todas as peças e obras de Aleijadinho da igreja da Fazenda Jaguara.  
          A intenção do britânico em retirar as peças da igreja, podia ser a melhor possível, mas não se sabe o real motivo ou motivos, de tão drástica atitude. 
Destino das obras de Aleijadinho
          As obras de Aleijadinho foram levadas para Nova Lima, onde Chalmers residia e trabalhava. Acredita-se que uma parte das obras retiradas da igreja, foram parar nas mãos de colecionadores.
É o que sobrou da Igreja da Fazenda Jaguara. Fotografia: Thelmo Lins
          Sem as ornamentações e talhas de Aleijadinho, a igreja perdeu seus atrativos. Abandonada, foi entregue aos cuidados do tempo, bem como as construções em redor e algumas até a desapareceram, como a senzala, que não restou nem vestígios. 
Obras do Aleijadinho na Igreja do Pilar em Nova Lima
          Tempos depois, o batistério, os altares laterais e as talhas do altar-mor retirados da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, bem como a imagem da santa, talhados por Aleijadinho, no século 18, foram doados por Charlmers, à Igreja de Nossa Senhora do Pilar, Matriz de Nova Lima, uma construção do século 20. Uma igreja com arquitetura e estilo bem diferente, das tradicionais igrejas do século 18, com ornamentos e talhas do Mestre do Barroco Mineiro, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
 Fotografia: Elpídio Justino de Andrade
         Agindo certo ou errado, seja por quais motivos, ou intenções que teve, o fato é que boa parte das obras do Mestre Aleijadinho, foram salvas, pelo gesto de doação das obras, por Chalmers, à Matriz de Nova Lima, evitando que fossem parar, por completo, nas mãos de colecionadores. 
Altar-mor, da antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Fazenda Jaguara, ornamentando o altar-mor da Matriz do Pilar, em Nova Lima
          Estão hoje bem conservadas e protegidas na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, em Nova Lima, aberta a todos, fiéis, estudiosos e amantes da arte e arquitetura do barroco mineiro. A cidade de Nova Lima está distante 30 km do Centro de Belo Horizonte. 
Bens tombados
          Por sua importância histórica para Minas Gerais, as ruínas do conjunto arquitetônico da Fazenda Jaguara, foram tombadas em 12 de janeiro de 1996, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA/MG). Compõe esse conjunto as ruinas da igreja, a Casa da Junta, galpões de maquinários, a casa sede, o moinho e o porto.

sábado, 7 de maio de 2022

Santa Luzia: arquitetura, história, santuário e fé

(Por Arnaldo Silva) Cidade histórica, Santa Luzia tem origens em 1692, no final do século XVIII, quando chega à região, bandeirantes em busca de ouro. É uma das mais antigas povoações de Minas Gerais.
          Cidade com uma rica história e patrimônio arquitetônico colonial e sacro de imenso valor para a história de Minas. (fotografia acima de Elvira Nascimento)
          O pequeno arraial formado a partir de 1692, se transformou numa grande cidade dotada de boa estrutura urbana, industrializada e com construções modernas, mas ao mesmo tempo, preservando seu centro histórico com suas igrejas e casarões coloniais.
          Santa Luzia tem atualmente, 219 mil habitantes. Está bem perto de Belo Horizonte, apenas 18 km. Faz divisa com Belo Horizonte, Vespasiano, Lagoa Santa, Sabará, Taquaraçu de Minas e Jaboticatubas. (fotografia acima de Thelmo Lins)
Patrimônios históricos
          Santa Luzia faz parte da Estrada Real. É uma cidade turística com foco no turismo de eventos, rural e no turismo histórico. A cidade preserva suas tradições culturais, religiosas e folclóricas, como a Festa de Nossa Senhora do Rosário, a Folia de Reis e a festa de Santa Luzia, a padroeira da cidade. (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins, construções coloniais de Santa Luzia MG)
          Além disso, construções coloniais preservadas, concentradas em sua maioria na área do centro histórico, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG).
           As construções coloniais em destaques na cidade, tem origens nos séculos XVIII e XIX: a Igreja Matriz de Santa Luzia, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a antiga Estação Ferroviária (na foto acima da Alexa Silva/@alexa.r.silva), a Capela do Senhor do Bonfim, o Solar da Baronesa, o Muro de Pedras que serviu de trincheira durante a Revolução Liberal de 1842, o Solar dos Teixeira Costa e o Mosteiro de Macaúbas, construído a partir de 1714. 
          O maior patrimônio histórico, arquitetônico, cultural e religioso da cidade é sem dúvidas, o Santuário de Santa Luzia, localizado à Rua Direita.
          A Santa Católica é a padroeira da cidade desde sua origem, por isso adotou como nome, Santa Luzia. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, a Matriz em destaque)         
O milagre de Santa Luzia em Minas
          A devoção à Santa Luzia tem origens no início da povoação da região, durante a formação do arraial. A devoção teve início por um milagre alcançado por Leôncio, um pescador que sofria com problemas na visão. Enxergava muito pouco.
          Segundo a história, Leôncio avistou um objeto luminoso enterrado num banco de areia, no fundo do Rio das Velhas. Ao retira-la da areia, notou que era a imagem de Santa Luzia, a protetora dos olhos. Orou à Santa e na mesma hora, o pescador recuperou totalmente a visão.
          A imagem encontrada por Leôncio foi colocada no altar da primeira capelinha do arraial, erguida por volta de 1701. A pequena ermida tinha apenas 22 passos de comprimento e 12 de largura.
          O arraial crescia com a chegada de aventureiros, mineradores, escravos e trabalhadores para trabalharem nas minas de ouro, além da presença constante de tropeiros, no rancho formado nas proximidades. A pequena capela se tornou pequena para atender o grande número de fiéis, tendo por isso, sido ampliada entre os anos de 1721 e 1729.
          Relatos de milagres eram atribuídos à Santa Luzia em Minas Gerais, chegando à Portugal e ao conhecimento de Joaquim Pacheco Ribeiro, Sargento-Mor português. O nobre português perdera a visão e estava desenganado pela ciência humana da época.
          Acreditando que podia ser curado de sua enfermidade Joaquim Pacheco Ribeiro, fez voto à Santa Luzia, pedindo a restauração de sua visão. Se conseguisse a graça, iria para o sertão mineiro e edificaria um templo em honra à Santa.
          O lusitano conseguiu a graça. Sua visão foi recuperada e estava são. Veio então para Minas Gerais em 1758 disposto a cumpri sua promessa, acompanhado de Ana Senhorinha, Angélica e Adriana, suas filhas. Nesse mesmo ano, já em Minas Gerais, deu início a construção do templo, no lugar da pequena capela do arraial, no dia em que se comemora o dia de Santa Luzia, 13 de dezembro. (na foto acima da Elvira Nascimento, Santa Luzia vista da torre do sino da Matriz)
          A antiga capela ficava de frente para a Rua do Serro, depois que se tornou igreja, sua fachada principal ficou de frente para a Rua Direita.
          Como a exploração de ouro nessa época estava no auge, a Igreja foi ornamentada e decorada com o ouro extraído do Rio das Velhas, doado pelo minerador Antônio Martins Gil. (na foto acima e abaixo de Thelmo Lins, pinturas e ornamentações dos altares em ouro no interior do Santuário de Santa Luzia)
          As impressionantes e excepcionais talhas, ornamentações em estilo rococó nos altares e pinturas internas, foram feitas por Felipe Vieira e Francisco de Lima Cerqueira. Sua construção segue fielmente o estilo Joanino, considerado a segunda fase do Barroco Mineiro. (na imagem abaixo de Thelmo Lins, detalhes das talhas douradas do altar-mor do Santuário de Santa Luzia)
          Ao longo dos séculos XIX e XX, a Matriz passou por algumas reformas tanto em sua arquitetura, quanto em suas ornamentações, mesmo assim, preservando boa parte de suas características originais.
          A tricentenária Matriz é hoje Santuário e o símbolo da fé e história do povo luziense e um dos mais importantes marcos da fé e história mineira. (na fotografia acima de Elvira Nascimento, o Centro Histórico de Santa Luzia)
Santa Luzia de Siracusa
          Luzia foi uma mártir da cristandade, no início do século IV. Seu prenome vem do latim Lux que quer dizer, luz. Por isso é venerada como protetora da vista, na crença católica, a santa que intercede a Deus pela recuperação da visão dos cegos e de quem tem problemas na vista. É italiana e seu nome em italiano é Lúcia, mas canonizada como Luzia de Siracusa. Natural de Siracusa, ao sul da Sicília, na Itália, em 27 de março de 283 D.C., faleceu nesta mesma cidade em 13 de dezembro de 304 D.C, morta durante a perseguição aos cristãos por Diocleciano. (na imagem acima de Elvira Nascimento, as belíssimas pinturas no forro da Igreja de Santa Luzia MG)
          Lúcia foi presa e forçada a negar sua fé cristã e converter-se ao paganismo, o que foi prontamente recusado por ela. "Adoro a um só Deus verdadeiro, a quem prometi amor e fidelidade", foi sua resposta. Imediatamente, foi decapitada e sua cabeça, rolou pelo chão. Era o dia 13 de dezembro de 304 D.C.
          É uma das mais populares santas da Igreja Católica, venerada ainda pelos cristãos Ortodoxos. Seus restos mortais estão expostos no Santuário de Santa Luzia em Veneza, na Itália, tendo ainda a Igreja de Santa Lucia Sepulcro, em Siracusa, como seu principal local de culto.

Formulário de contato

Nome

E-mail *

Mensagem *

Facebook

Postagens populares

Seguidores