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segunda-feira, 2 de novembro de 2020

A casa em que eu nasci

Da casa em que eu nasci, não resta mais nem tapera. 
Mas eu volto todo ano pra visitar o lugar.
Vou rever velhos amigos que diferentes de mim, lá nasceram e cresceram e nunca saíram de lá.
Mas um grande fazendeiro comprou a nossa fazenda, transformou tudo em pastagens para o seu gado pastar.
Hoje eu vejo a minha história sendo aos poucos apagadas pelas patas da boiada. Só tristeza é o que me dá.
          A Casa de alvenaria que hoje eu moro na cidade, se difere da palhoça que eu nasci lá no sertão. 
Feita de madeira grossa, com paredes pau á pique, reboco de terra e água, amassado pé á pé.
          Foi ali que á muitos anos começou a minha história.
          Lá vivi alguns momentos que não esqueço jamais.
          As origens de um homem, às vezes ficam pra trás, mas nunca são esquecidas; isso eu aprendi com meus pais.
          E me lembro do velho pai puxando cana pro engenho; no seu bom e velho carro, com duas juntas de bois. 
          O roxinho e o vibrão, o malhado e o arboredo. 
Pantaneiros de origem....gigantes de força bruta. 
          Não precisava ferrão, nem chicote na labuta.
          Bastava a voz do papai.
          Vibrante, forte e astuta.
          Com duas juntas de bois, criou a família inteira, sem deixar faltar pra gente o alimento e a esteira.
          Hoje ali resta esquecido o velho engenho de madeira. 
          O velho carro de boi há tempos virou lareira.
          Um moirão de cerne puro onde era a porteira, resistindo á tanto tempo por ser de boa madeira.
          Mas da casa não se vê nem sombra e nem poeira.
          O capim já cobriu tudo.
          Formando bela touceira
          Onde alimenta o gado, as lembranças do meu passado estão sendo enterradas; eita vida passageira. 
          O meu pai sempre dizia: filho; pra vencer na vida, não precisa ter vergonha de falar do seu passado.
          Não se é bom coronel, quem não foi um bom soldado. 
          Os conselhos do meu pai me fez homem respeitado.
          Vou comprar essa fazenda e resgatar a minha história. 
          Só pra não sob as patos do gado tudo apagado.
          E vou reerguer uma casinha do jeito que era a nossa, só pra matar a saudade da nossa velha palhoça .
Por Edson Borges - O Poeta do Vale - Felício dos Santos MG

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