terça-feira, 26 de novembro de 2019

É de Alto Caparaó o melhor café do Brasil

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O café é uma das identidades mineiras e símbolo maior da agricultura de Minas Gerais. O Estado é responsável por mais da metade do café produzido no Brasil. É o maior produtor de café do país e um dos maiores do mundo. O setor cafeeiro exerce um grande papel social em Minas, gerando emprego e renda para milhares de famílias produtoras e trabalhadores rurais. Estima-se que o setor gera três milhões de empregos, diretos e indiretos. 

     É claro, fato e notório que o café de Minas Gerais é de altíssima qualidade, recebendo constantes premiações nacionais e internacionais. O diferencial do café mineiro é o seu sabor e aroma, graças ao clima de nossas montanhas, à altitude, aos sistemas de produção utilizados desde o plantio, colheita e torrefação. Os mineiros investem em qualidade das mudas, das terras e investem em tecnologias de ponta. Por isso que o café de Minas Gerais domina o mercado nacional e vem conquistando cada dia, o mercado mundial. 
     Pela importância de Minas Gerais para a economia do setor e por ser o maior produtor de café do Brasil, Minas Gerais foi sede da Semana Internacional do Café (SIC), grande encontro de profissionais do mercado de café, reunindo cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores do food-service, fornecedores, empresários, coffee lovers, proprietários de cafeterias, apreciadores da bebida e baristas que são profissionais especializados em preparar café de alta qualidade, servir cafés expressos, preparar bebidas à base de café e leite vaporizado, além de criarem cardápios com diversas bebidas à base do grão. 
     O evento foi realizado no Expo Minas, em Belo Horizonte, no mês de novembro de 2019, com apresentação de diversas ações a milhares de profissionais do mundo focadas nas áreas de Mercado & Consumo, Conhecimento & Inovação e Negócios & Empreendedorismo.
     O ponto culminante e mais emocionante da Semana do Café foi Coffee of The Year (COY) – edição 2019, com a avaliação e premiação dos melhores cafés do Brasil. Durante três dias, jurados e públicos presentes no evento analisaram 500 amostras de dois tipos de cafés: conilon e arábica, que é o tradicional e predominante em Minas Gerais. Das 500 amostras, restaram 180, até chegarem aos finalistas, na prova final. 
     Minas Gerais dominou esse concurso. O café do ano, produzido pelo produtor Willians Valério Júnior, do Sítio Recanto dos Tucanos de Alto Caparaó MG, na Zona da Mata, foi eleito o melhor café do Brasil. Os produtores Neuza Maria e Luiz Cláudio de Muqui, no Espírito Santo, levaram o prêmio no café conilon.
     Nas edições do COY em 2014 e 2015, o café produzido pelo produtor Clayton Barrosa Monteiro, também de Alto Caparaó MG, foi bicampeão. Uma prova da vocação e alta qualidade do café produzido neste município.
Veja o resultado do Coffee of the Yer (COY – Edição 2019) 
Café Arábica
1º lugar -
Sítio Recanto dos Tucanos - Wíllians Valério - Alto Caparaó (MG)
2º lugar - Sítio Rancho Dantas - Leidiomar Moreira Menegueti – Brejetuba (ES)
3° lugar - Café Portilho - Gislene da Silva Portilho – Luisburgo (MG)
4º lugar - Sítio Joia da Forquilha - Jose Emilio Magro - Espera Feliz (MG)
5º lugar - Fazenda Uaimii - Mareio Alves de Oliveira - Ouro Preto (MG)
6º lugar - Fazenda São João Grande - André Campos - Presidente Olegário (MG)
7º lugar - Fazenda Kutz - Sivanius Kutz – Itarana (ES)
8º lugar - Sítio Refúgio do Cedro - Cedro do Carmo – Iúna (ES)
9º lugar - Fazenda Bom Jesus - Lucas Lancha - Cristais Paulista (SP)
10° lugar - Sitio Indaia - Neusa Venturin Pansini – Venda Nova do Imigrante (ES)
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O Café do Sítio Recanto dos Tucanos é sintrópico 
     O café vencedor no Coffee of The Year – 2019 é cultivado em Alto Caparaó pelo sistema de Agricultura Sintrópica. A característica desse sistema é a organização, integração, equilíbrio e preservação de energia no ambiente, ou seja, melhorar a qualidade das plantas, sem alterá-las geneticamente ou destruí-las. É o manejo sustentável da natureza, sem a utilização de agrotóxicos. Esse sistema procura evitar o máximo de interferência humana no meio ambiente. 
     Foi criado e difundido por Ernest Götsch, agricultor r e pesquisador suíço, nascido em Raperwilsen, em 1948. Em suas pesquisas por melhoramento genético, indagava a si mesmo se não seria mais sensato melhorar também a qualidade das plantas, do ar, das nascentes e rios, ao invés de alterá-los com desmatamentos para implantar monoculturas, soterramentos, modificações, etc. Assim começou a redirecionar o seu trabalho para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável. 
     A ideia é ao invés de destruir a natureza, tê-la como aliada, preservando-a. A partir dos anos 1980 essa técnica começou a ser implantada no Brasil e hoje vem se tornando uma tendência, principalmente entre os pequenos e médios produtores rurais, que contam com apoio de órgãos governamentais, no caso de Minas Gerais, Emater, IEF, Epamig e Ima.
     A técnica consiste em cultivar as plantas em linhas paralelas, intercalando espécies de portes e características diferentes, visando o aproveitamento máximo do terreno, e levando em consideração a manutenção, preservação e reintrodução das espécies nativas. Na prática, são feitas capinas seletiva, onde as plantas nativas já maduras, como gramíneas, herbáceas e trepadeiras são removidas e feitas podas em árvores e arbustos. O que é capinado e podado não é descartado, volta para a natureza. É espalhado sobre o a terra. Assim, os nutrientes dos galhos e folhagens alimentam o solo. Serve como adubo. Mesmo na monocultura, as partes que não são comercializadas voltam para o solo. Nada é descartado. Isso ajuda no desenvolvimento saudável da vegetação e preserva o lençol freático. 
     O sucesso dessa técnica requer um dado importante. Não se devem usar nunca inseticidas, herbicidas e nem fertilizantes. Os orgânicos também não são usados, a não ser que seja oriundo da própria área cultivada. 
     Um dos problemas que mais incomodam os agricultores hoje são os insetos e organismos vivos que povoam as lavouras e tiram o sono dos produtores rurais. Nesse tipo técnica, sintrópica os insetos não são vistos como inimigos das lavouras. São sinalizadores de deficiências no sistema, e ajudam o produtor a compreender as necessidades ou falhas daquele cultivo. Resumindo, esse método permite a recuperação em curto período de pastos abandonados, cujos solos sofreram ao longo dos anos forte degradação, devolvendo ao solo a vida e capacidade produtiva.
     Assim é o café produzido no Sítio Recanto dos Tucanos, sem agrotóxicos, herbicidas e nem fertilizantes. Café naturalmente mineiro, de altíssima qualidade, agora no seleto grupo dos melhores do Brasil e do mundo.
(Reportagem de Arnaldo Silva, tendo como fontes o Portal Alto Caparaó MG, Emater, site da Semana Internacional do Café e Wikipédia. Fotografias do arquivo de Willians Valério Júnior, gentilmente enviadas pela Aparecida do Portal Alto Caparaó/MG) 

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