quinta-feira, 2 de maio de 2019

Diamantina revive tradição da época do Império

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A Festa do Divino Espírito Santo é, depois da Semana Santa, uma das maiores festas religiosas de Minas Gerais, sendo também uma das mais antigas tradições folclóricas e religiosas brasileiras, comemorada e preservada em Minas Gerais da mesma forma que na época do Brasil Colonial e Imperial.

Representação do Brasil colonial na Festa do Divino (foto: Prefeitura de Diamantina/Divulgação)
A festa chegou ao Brasil no século 17, nos primórdios da colonização do Brasil. Segundo o ritual, uma pessoa era escolhida como imperador do Divino, passando a ter as bênçãos do Espírito Santo, tornando-se pura e bondosa como uma criança, distribuindo alimentos, soltando presos políticos, trazendo fartura, paz e perdão ao mundo. Após a Proclamação da Independência, em 1822, Dom Pedro I, ao invés do título de Rei, como era normal na época, optou pelo título de Imperador, por orientação de José Bonifácio de Andrada, justamente inspirado no significado e na forte popularidade que o Imperador do Divino despertava em todo povo brasileiro.
Grupos de Congado animam a festa de Diamantina (foto: Prefeitura de Diamantina/Divulgação)
Com mais de 200 anos de tradição em Minas Gerais, a cidade histórica de Diamantina, no Alto Jequitinhonha, a 292 km de Belo Horizonte, revive todos os anos a tradição da Festa do Imperador do Divino Espírito Santo. É a perfeita comunhão da fé com a preservação das tradições do Brasil Colônia e Imperial, vividas durante os três dias de duração da festa, que acontece geralmente no mês de junho. Pelas ruas de Diamantina o cortejo representando a Família Imperial, vestidos da mesma forma que à época do Brasil Colônia, representando o luxo e glórias de nossa história passada. A corte imperial é acompanhada por grupos de Congado e Pastorinhas, simbolizando a escolta do Imperador até a Igreja de Nossa Senhora do Amparo. Pelo caminho, o cortejo é reverenciado fogos de artifícios, palmas, sons de chocalhos e atabaques dos populares e pelos tambores da banda da Polícia Militar.
Diamantina é a terra de Chica da Silva, de JK e Patrimônio da Humanidade. Fotografia de Elvira Nascimento
Quem conhece a Festa do Divino do Espírito Santo, em Diamantina, se impressiona com o extremo zelo de seu povo com a festa. Nenhum detalhe passa despercebido, principalmente na vestimenta, penteados e joias. Tudo revivido da mesma forma que nos tempos glamoroso da Coroa Portuguesa e do Império Brasileiro. É sem dúvida a mais autêntica e genuína manifestação folclórica e religiosa do Estado de Minas Gerais, devido a sua amplitude, simbologia e participação popular. (Por Arnaldo Silva)

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