sexta-feira, 26 de abril de 2019

O poderosíssimo Mel de Aroeira do Norte de Minas

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O Mel de Aroeira teve suas propriedades medicinais comprovadas em estudos e sua produção regional, reconhecida pelo Governo de Minas, que identificou a Região Norte do Estado como produtora desse tipo especial de mel, considerado de alto valor nutricional, reconhecido pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).
Abaixo duas reportagens sobre o assunto. Primeira, do G1 Minas (3/09/2018), mostrando estudo de uma pesquisadora sobre o Mel de Aroeira e a segunda (19/04/2019), da Agência Minas, informando o reconhecimento do Governo de Minas. Fotos meramente ilustrativas nossas. (primeira foto de Wilson Fortunato e demais de Arnaldo Silva)
Pesquisadores divulgam propriedades curativas do mel de aroeira extraído no Norte de MG
Um estudo revela que o mel de aroeira produzido no Norte de Minas pode ser mais poderoso do que parece. A cor escura do produto atraiu uma pesquisadora de Belo Horizonte que descobriu que ele pode combater doenças do estômago.

O mel da aroeira é extraído do néctar da árvore e do melato, um líquido que os insetos sugam da planta e excretam. A diferença deste mel para os demais, segundo a pesquisadora Esther Bastos, se dá por conta de uma espécie de casamento da planta com um inseto invisível a olho nu; o pulgão.

“O pulgão suga a seiva da planta e provoca nela a produção de uma resina que a protege das altas temperaturas da região, como um filtro solar. Esse filtro solar nada mais é que uma formação de substâncias fenólicas. A planta produz isso e manda para os tecidos mais externos, como folhas e flores. Assim ela se protege, através do pulgão”, explica a pesquisadora.

O casamento entre aroeira e pulgão gera matéria prima para as abelhas, que produzem mel escuro e cheio de propriedades medicinais.

“Só de consumir o mel, você já está melhorando seu sistema imune. Ele serve para amenizar úlcera gástrica, pode agir contra H. Pylori e pode ser feito em plastos para queimaduras e feridas. Ele também pode ser colocado em outros produtos para se tornarem medicamentos”, afirma Esther Bastos.
O mel no Norte de Minas
O Norte de Minas consegue produzir uma grande variedade de mel através da flora do cerrado. O mel de aroeira, em tempo de seca rigorosa, floresce e as abelhas se aproveitam para produzir, segundo os pesquisadores.

O mel de melato, como é conhecido nacionalmente, é produzido dezenas de municípios do Norte de Minas. Uma cooperativa que reúne apicultores de 26 municípios da região desenvolve um projeto para estimular a produção do mel de aroeira na região.

“Esse mel de aroeira a tendência dele é chegar a 500 toneladas por ano daqui um tempo. A diferença é que ele vai ser um mel premium, com certificação de produto orgânico e valor agregado maior”, afirma o presidente da cooperativa, Luciano Fernandes.

Depois da pesquisa feita acerca do mel de aroeira, os agricultores norte-mineiros mudaram o olhar para o produto. “O mel de aroeira era um mel qualquer. Hoje ele é estudado, tem muita pesquisa sobre ele, e vamos conseguir agregar muito mais valor do que hoje temos. Ele é um dos melhores meles que temos e ainda vai crescer muito”, considera Pedro Victor Meira, apicultor.

A Codevasf é parceira no projeto por reconhecer o potencial da região do Norte de Minas. O mel é todo orgânico, sem produtos agrotóxicos, e a expectativa é de que ele se espalhe por todo o país. O Norte de Minas é a terceira região maior produtora do estado e pode se tornar ainda mais importante para o setor.

“Não exploramos nem 10% do potencial da região ainda. Além desse potencial, as estruturas hoje são muito melhores que 10 anos atrás. Com as descobertas do potencial, o mel de aroeira vai poder ser exportado para que as pessoas experimentem e conheçam a produção”, afirma Fabricio Lopes, veterinário da Codevasf.

O sertanejo que depende da aroeira sabe do valor que a árvore que resiste com flores ao sol do sertão tem, antes de qualquer pesquisa feita.

“Nessa época da seca, não tem outra flor para nós a não ser a aroeira. O mel é um presente que ela nos dá”, comemora o apicultor José Redelvim.
Governo identifica Norte de Minas 
como produtor do mel de aroeira
Com Agência Minas - 22/04/2019
Após estudos, o Governo de Minas identifica a região do Norte de Minas como produtora do mel de aroeira. O reconhecimento acontece por meio da publicação da Portaria nº 1.909, do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA).

Para reconhecer a identificação geográfica, o IMA considerou a área contínua com presença da aroeira, a condição climática favorável e a presença de arranjos produtivos de apicultura no Norte de Minas.

O mel de aroeira é um tipo de mel de abelha Apis mellifera muito característico do Norte de Minas. Ele leva este nome porque as abelhas retiram os recursos para a produção deste mel da planta Myracrodruon urundeuva, um tipo de aroeira, vegetação predominante em regiões de mata seca.

O estudo desenvolvido por pesquisadores da Fundação Ezequiel Dias (Funed) - Fabiana Ribeiro Viana, Luiz Simeão do Carmo e Esther Margarida Alves Ferreira Bastos - evidenciou o potencial do mel de aroeira produzido no Norte de Minas para uso terapêutico, contribuindo para a agregação de valor e comercialização.

"A Denominação de Origem, neste caso, é um grande diferencial porque há estudos científicos reconhecendo as características específicas do mel produzido nessa região e comprovando que este tipo de mel traz benefícios à saúde humana", explica a fiscal agropecuária do IMA, Miriam Souza Pinto de Alvarenga.

Após o reconhecimento pelo Estado, o pedido de indicação geográfica vai ser enviado para avaliação do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Minas Gerais já tem a Denominação de Origem do café do cerrado, da cachaça de Salinas e dos queijos Canastra e do Serro, entre outros.

Economia local e preservação
A pesquisa também buscou indicar o potencial econômico da exploração comercial para beneficiar a região, já que a apicultura é uma importante fonte de recursos financeiros para as famílias locais. Além da valorização socioeconômica, o estudo ainda destaca o aspecto da preservação da vegetação, que passa a ser mais valorizada e cuidada para produzir o mel.

O estudo foi desenvolvido por pesquisadores da Funed, com recursos parciais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas (Fapemig). A pesquisa também contou com o apoio financeiro e logístico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Banco do Nordeste, da Codevasf e da Emater.

A região é composta por 65 municípios: Arinos, Bocaiúva, Bonito de Minas, Brasilândia de Minas, Brasília de Minas, Buritizeiro, Capitão Enéas, Chapada Gaúcha, Campo Azul, Catuti, Claro dos Poções, Cônego Marinho, Coração de Jesus, Engenheiro Navarro, Espinosa, Formoso, Francisco Sá, Gameleiras, Glaucilândia, Guaraciama, Ibiaí, Ibiracatú, Icaraí de Minas, Itacarambi, Jaíba, Janaúba, Januária, Japonvar, Jequitaí, Juramento, Juvenília, Lagoa dos Patos, Lontra, Luislândia, Manga, Mamonas, Matias Cardoso, Mato Verde, Mirabela, Miravânia, Montalvânia, Monte Azul, Montes Claros, Nova Porteirinha, Pai Pedro, Patis, Pedras de Maria da Cruz, Pintópolis, Ponto Chique, Porteirinha, Riachinho, Riacho dos Machados, Santa Fé de Minas, São Francisco, São João da Lagoa, São João da Ponte, São João das Missões, São João do Pacuí, São Romão, Serranópolis de Minas, Ubaí, Urucuia, Varzelândia e Verdelândia.
Fonte: Agência Minas 19/04/2019:http://www.agenciaminas.mg.gov.br/noticia/governo-identifica-norte-de-minas-como-produtor-do-mel-de-aroeira

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