sexta-feira, 19 de abril de 2019

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar

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          A igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, atrai os visitantes em especial pelo fato de ser a mais rica em ouro na cidade, usado nos revestimentos dos altares e imagens, um reflexo da abundância do metal que marcou a história da antiga Vila Rica. 
          A origem da matriz remonta ao período do povoamento, no final do século 17, com a chegada dos bandeirantes paulistas, após a descoberta do ouro na região. Em data imprecisa, entre 1700 e 1703, teve início a construção da primeira Matriz do Pilar em taipa e madeira. Há registros da festa da Assunção de agosto 1710, quando a imagem da Virgem do Pilar, estofada de ouro, foi entronizada no altar-mor. Nesta mesma igreja, em 8 de julho de 1711, deu-se a reunião do governador Antônio de Albuquerque com os moradores locais mais influentes, para a criação daquela que veio a ser a Vila Rica. A localidade nascia, oficialmente então, e mantinha como padroeira a Virgem do Pilar. (foto abaixo de Arnaldo Silva)
          Em 1728, os fiéis decidiram erguer um novo templo com mais capacidade e segurança, pois a igreja estava pequena, arruinada e em termos de cair. Atribui-se a autoria da planta ao sargento-mor e engenheiro Pedro Gomes Chaves. As obras tiveram início entre 1728 e 1730, sem data precisa. Neste ano, "alicerces de extraordinária grandeza" já haviam sido erguidos.
           Em janeiro do ano seguinte, transferiram-se o Santíssimo Sacramento e as imagens para a capela da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, provisoriamente, enquanto se aguardava o fim da obra. Começando pela nave, os trabalhos duraram pouco tempo para os padrões da época. A matriz estava praticamente concluída em 1733, ano do Triunfo Eucarístico, procissão solene que marcou o traslado do Santíssimo Sacramento e das imagens para o novo templo.
          No interior da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar (foto acima de Sérgio Mourão), há seis altares construídos, com as invocações a são Miguel e Almas, Sant'Ana, Senhor dos Passos, santo Antônio, Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores. Foram erguidos por confrarias particulares. Os altares de santo Antonio e Nossa Senhora das Dores podem ter pertencido à primeira matriz. Os outros quatro seguem um estilo barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, conforme caracterizado pelo historiador francês Germain Bazin. São inteiramente dourados, assim como os dois púlpitos, em forma de balcões arredondados.
           Painéis de pintura a óleo, feita diretamente sobre a madeira, decoram as paredes laterais e o forro da capela-mor. Nas paredes, estão representados os quatro evangelhos e as quatro estações do ano. No painel circular do centro da abóbada, vê-se uma representação da Última Ceia. No forro da nave, sobressaem-se 15 painéis com personagens e temas do Antigo Testamento. Grande número de imagens, consideradas de excelente qualidade, guarnece o altar-mor e os altares laterais. (foto acima e abaixo de autoria de Arnaldo Silva)
          A fachada atual da igreja data do século 19 e substituiu a original. Segundo Germain Bazin, o novo frontispício representa uma espécie de síntese daqueles estampados nas igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Rosário.
          Uma das atrações atuais da Matriz de Nossa Senhora do Pilar é o Museu da Prata. São dezenas de peças escultura, prataria, móveis e utensílios organizadas originalmente pelo vigário José Feliciano da Costa Simões.
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Fonte: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/113 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975 - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-matriz-de-nossa-senhora-do-pilar

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