terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Os 9 bens imateriais de Minas Gerais

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A Constituição Federal define em seu artigo 216 sobre bem material e imaterial da seguinte forma: "as formas de expressão; os modos de criar; as criações científicas, artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; além de conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico." (foto acima, artesanato de barro do Vale do Jequitinhonha, de autoria de Thelmo Lins em Minas Novas MG)
Os bens materiais e imateriais são importantes para o reconhecimento da identidade regional e brasileira. É o valor dado ao patrimônio preservado em sua origem por gerações.
Os bens culturais materiais estão presentes em nosso dia a dia como o patrimônio arquitetônico da cidade, uma edificação, uma construção de valor cultural, objetos de valor histórico. Os bens imateriais são aqueles relacionados ao modo de ser, viver e se expressar das pessoas e de uma comunidade. Assim sendo, os conhecimentos passados de geração em geração e todo tipo de manifestação cultural de forma coletiva de uma comunidade, através de sua religiosidade e da forma que expressão suas realidades, através da arte, da música, da pintura, da culinária. Ou seja, bem imaterial é a manifestação cultural, religiosa e artística de uma comunidade, de um povo. (foto acima, sino em São João Del Rei MG por César Reis)
 Em nível nacional, O IPHAM (Instituto do Patrimônio Histórico e Artistico Nacional) que é o órgão que define os bens materiais e imateriais no Brasil, reconheceu como patrimônio imaterial do Brasil o modo de fazer Queijo Minas (nas regiões da Serra da Canastra, Serra do Salitre e do Serro), o Frevo, a Capoeira, A Feira de Caruaru no Recife, o Samba no Rio de Janeiro e a Festa do Círio de Nossa Senhora de Nazaré em Bélém do Pará. (foto acima das violas, patrimônio imaterial de Minas Gerais, feitas pelo "Seu" Cabral, luthier de Bom Despacho MG. Fotografia de Arnaldo Silva)
Em Minas Gerais temos bens materiais e imateriais, reconhecidos e inventariados pelo IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artistico) que é o órgão estadual que define os patrimônios materiais e imateriais em Minas Gerais. Os municípios também tem seus Conselhos de Cultura, que definem os tombamentos de bens materiais e imateriais locais. 
Os Bens Imateriais: saberes, ofício e expressões artísticas como patrimônio cultural de natureza imaterial de Minas Gerais em ordem cronológica são:
1- Modo Artesanal de Fazer o Queijo da Região do Serro
O modo artesanal de fazer o Queijo do Serro é considerado patrimônio imaterial brasileiro, pelo Ipham desde 2008, mas antes disso, em 2004,  já era bem imaterial tombado pelo Iepha MG. O tombamento tanto nacional, quanto estadual, garante a proteção e conservação da técnica usada para fabricação desse queijo, feito com leite cru. (fotografia acima de Tiago Geisler em Serro MG)
2. O Toque dos Sinos em Minas Gerais 
O badalar dos sinos em São João del-Rei, Congonhas, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes é patrimônio imaterial do Brasil desde 2009, inventariado pelo Ipham. Os sons que ecoam do alto das torres das igreja de Minas não são apenas toques de sinos e sim, uma linguagem que pode anunciar missas, festas, velórios, Semana Santa, casamentos, batizados, rituais, etc.
O toque dos sinos são de acordo com a ocasião. Os moradores que vivem nessas cidades entendem a linguagem e os avisos dos toques. 
3 - O Ofício de Sineiro
O toque dos sinos é patrimônio imaterial do Brasil e também quem os toca. Ser sineiro não é apenas tocar um sino, literalmente. É entender a linguagem, a mensagem a ser transmitida à comunidade através dos toques. Para transmitir essa linguagem, necessita de um sineiro que consiga retransmitir de forma fiel as características dos sons, através do badalar dos sinos. A forma de tocar os sinos vem de geração em geração, já que não existe curso de formação de sineiro. São conhecimentos passados de séculos.
Devido a importância dos sineiros e para preservar a prática de tocar sinos nas cidades de Minas, bem como preservar esse ofício, em 2009, o Ipham tombou o ofício de sineiro em São João del-Rei (na foto acima de Limoncino Oliveira), Congonhas, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes como patrimônio imaterial do Brasil.
4 - Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Chapada do Norte

A cidade de Chapada do Norte fica no Norte do Estado e sua origem é quilombola. 91% de sua população se declara negra. As tradições culturais são preservadas fielmente pelos descendentes dos quilombolas, geração por geração. A maior manifestação cultural do município, existente há mais de 200 anos, é a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.(na foto acima de Thelmo Lins) Por sua importância cultural, foi considerada bem imaterial  de Minas Gerais em 2013 pelo Iepha MG.
É uma manifestação  que revive toda a religiosidade do povo na mais expressiva forma de fé. A festa dura duas semanas com novenas, leilões, lavagem da igreja, quinta do angu, buscada da Santa, Mastro a cavalo, Reinado, Missa da Festa, distribuição do doce, coroação, buscado do cofre, Feira nos Mascates, Tambozeiros e Congada.
5 - Folias de Reis
A Folia de Reis foi declarada como Patrimônio Cultural Imaterial de Minas Gerais em 6 de janeiro de 2017 pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). (fotografia acima de Luis Leite em Guaranésia MG, Sul de Minas) A Folia de Reis existe em Minas desde os tempos coloniais e é uma das principais manifestações religiosas do Estado de Minas Gerais.
No dia 6 de janeiro, marca a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus na manjedoura. Após a visita dos Reis Magos, Maria e José se sentiram seguros para saírem do local e seguiram seu caminho, já que se sentiam salvos da perseguição de Herodes. No dia seguinte arrumaram a manjedoura, juntaram seus pertences e partiram do local. Por isso que a festa é neste dia, onde os grupos de Folia saem às ruas da cidades e visitam as casas dos fiéis, simbolizando o fim dos festejos natalinos. No dia seguinte, os que preservam a tradição de montar presépios e enfeitar suas casas para o Natal, desmontam os presépios e retiram os enfeites e guardam. Como fez Maria e José, no dia seguinte após a visita dos Reis Magos, juntaram suas coisas, arrumaram o local e foram embora.
A Folia de Reis está presente praticamente em todas as regiões, cidades e distritos de Minas Gerais. É uma das mais fortes tradições mineiras.
6 -  Comunidade dos Arturos
Foi reconhecida como Patrimônio Imaterial de Minas Gerais em 2014, sendo a primeira comunidade negra reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. A comunidade fica em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Seus membros são de ascendência negra, formada pelos descendentes de Arthur Camilo Silvério e Carmelinda Maria da Silva. Preservam sua cultura, tradições e expressões culturais através dos sons e ritmos dos tambores e danças presentes nas principais festas da comunidade como a Folia de Reis, no Candomblé, Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Festa do João do Mato, Festa da Abolição.
 7 - As violas
No dia 14/06/2018 a Viola passou a ser patrimônio imaterial de Minas Gerais, aprovado pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural - Conep. Esse reconhecimento possibilita a preservação e compreensão maior do universo das violas, instrumento musical que faz parte da cultura, tradição e história de Minas Gerais. O som da viola mostra as várias Minas Gerais, suas crenças. folclore e estilos de vida, expressos nos sons das cordas e toques dos violeiros. É a identidade da cultura regional, em estilos diferentes, expressos num mesmo instrumento. Seja no Triângulo Mineiro, no Norte de Minas, no Centro Oeste, na Zona da Mata, em todas as regiões, a viola sintetiza os valores históricos e socioculturais das regiões mineiras. (foto acima violas fabricadas pelo luthier "Seu" Cabral, de Bom Despacho MG. Fotografia de Arnaldo Silva)
8 - Quilombo Manzo Ngunzo Kaiango
O Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) reconheceu, no dia 24/10/2018, como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais, o quilombo Manzo Ngunzo Kaiango, que na linguagem africana quer dizer "a casa da força de Iansã. A comunidade foi fundada em 1970 por Mãe Efigênia, descendente de índios e africanos que foram escravizados em Ouro Preto. A matriarca mudou-se para Belo Horizonte em 1955, vivendo no Bairro Santa Efigênia, na Região Leste de Belo Horizonte, formando a comunidade, hoje reconhecida pelo seu valor cultural e histórico para Minas Gerais. 
9 - O Artesanato de barro do Vale do Jequitinhonha

 O artesanato em barro do Vale do Jequitinhonha é uma das maiores identidades regionais do Brasil. (foto ao lado de Márcia Porto em Araçuai MG) Uma arte que vem de gerações, que identifica a região e é uma das identidades Minas Gerais. Por esse valor, foi reconhecido como patrimônio imaterial de Minas Gerais. O Iepha  MG reconheceu o artesanato feito em barro no Alto, Médio e Baixo Rio Jequitinhonha como Patrimônio Imaterial de Minas, destacando 21 municípios onde o artesanato de barro é muito forte. Entre 21 municípios está Turmalina, Minas Novas, Ponto dos Volantes, Caraí, Itinga, Itaobim e Araçuaí. Esse reconhecimento é importantíssimo para os artesãos do Vale porque valoriza a atividade presente em todas as cidades da região e possibilita maior valorização do trabalho dos artesãos. 
(Reportagem de Por Arnaldo Silva)

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