quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Conheça o Museu da Inconfidência

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O Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, tem por objetivo preservar a memória da Inconfidência Mineira, principal movimento de contestação à metrópole portuguesa no período do Brasil colonial. Ocorrido em 1789, o acontecimento se converteu num dos mais importantes símbolos da emancipação nacional e da liberdade na história brasileira. Projetou também o primeiro mártir do País: o alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Ele morreu na forca, em 1792, como líder da revolta, e teve o corpo esquartejado e as partes expostas em lugares públicos, para servir de exemplo.
No museu, estão os restos mortais dos participantes da Inconfidência Mineira que foram condenados à pena de degredo e morreram na África. Entre eles, estavam Tomás Antônio Gonzaga e Alvarenga Peixoto. Em 1936, o presidente da República, Getúlio Vargas, promoveu o repatriamento de seus restos mortais a fim de criar o Panteão dos Heróis da Independência. Deste projeto, nasceu o museu.
Com sede na antiga Casa da Câmara e Cadeia de Vila Rica, o museu ocupa uma das mais belas construções do período colonial, com apurado acabamento, na área mais central de Ouro Preto, a praça Tiradentes. Em seus amplos salões distribuídos por dois andares, há um vasto acervo de peças que testemunham a evolução social que tornou possível o movimento de 1789. São objetos relacionados com meios de transporte, sistemas de iluminação, processos de construção civil, equipamentos de casa, culto religioso, hábitos de higiene, decoração, mobiliário doméstico, sacro e de uso público, arte religiosa, artesanato, armaria. O arquivo histórico contém cerca de 40 mil documentos.
A construção teve início em 1785. Os recursos vieram de loteria criada exclusivamente para este fim, mediante licença régia. Havia muito que se planejava em Vila Rica a construção de um edifício para abrigar a câmara - órgão administrativo, mas também com funções judiciais - e a cadeia, usando-se pedra e cal para substituir a antiga prisão feita de pau-a-pique. A obra, porém, só seria concluída em 1855.
Possivelmente adaptada do desenho do Capitólio romano, a fachada principal (frontispício) traz três colunas, em vez de quatro, para os dois vãos da porta, em contraposição ao rigor da composição neoclássica. Dois blocos com seis grandes janelas compõem a fachada, que ostenta uma torre e um grande relógio. O acesso é feito por duas escadarias laterais. Após a Independência, as armas do Reino, no alto, foram substituídas pelas do Império. Nos quatro cantos da mureta do teto, se elevam figuras de pedra-sabão, representando as virtudes Prudência, Justiça, Temperança e Fortaleza. O chafariz da fachada foi ali instalado em 1846.
Em 1863, a câmara se transferiu para outro imóvel na praça Tiradentes, diante da necessidade de se aumentar o número de celas da prisão. Em 1907, o prédio tornou-se penitenciária estadual. Com a construção da Penitenciária Agrícola de Neves, nas imediações de Belo Horizonte, a antiga Casa de Câmara e Cadeia foi doada à União, em 1938. No mesmo ano, criou-se o Museu da Inconfidência, sob a coordenadoria do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A inauguração do Panteão ocorreu no dia 21 de abril de 1942, no transcurso do 150º aniversário do enforcamento de Tiradentes. Já a inauguração do museu foi em 11 de agosto de 1944, data do bicentenário do nascimento do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga.
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Fontes: Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto; O Museu da Inconfidência (Banco Safra, São Paulo, 1995) - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/museu-da-inconfidencia - TODAS AS FOTOS ILUSTRATIVAS SÃO DE AUTORIA DE ANE SOUZ - Ilustrações nossa

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