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sexta-feira, 23 de março de 2018

Lassance, o cientista Carlos Chagas e a Serra do Cabral

(Por Arnaldo Silva) Com cerca de 7 mil habitantes, Lassance, no Norte de Minas, se destaca pela hospitalidade e charme da cidade, bem como sua história, ligada ao  médico sanitarista, cientista e bacteriologista brasileiro, Carlos Chagas. Foi em Lassance, em 1909, que o famoso cientista brasileiro identificou o protozoário causador da infecção que mais vitimava em sua época, a doença causada pelo Tripanossoma cruzi, o barbeiro, mais tarde nomeada por Doença de Chagas, em sua homenagem. Carlos Chagas, foi enviado para a região com a missão de cuidar dos trabalhadores da Ferrovia Central do Brasil, para combater a malária e outras doenças, que estavam vitimando vários trabalhadores. Na obra da ferrovia, montou pequeno laboratório em um vagão de trem. Foi no vagão de um trem que Chagas descobriu que o protozoário causador da doença, abrigava-se no intestino do barbeiro (inseto da família Reduviidae), que transmitia a doença através de picada, cuja morada preferida, dos insetos, eram as frestas das casas de pau-a-pique comuns nos sertões do Brasil.  
          Lassance, na foto acima do Liu Ribeiro, a Praça dos Namorados, enviada pelo Júlio Sérgio Rabelo), está distante 270 km de Belo Horizonte e faz divisa com os municípios de Várzea da Palma, Corinto, Três Marias, Buritizeiro, Buenópolis, Augusto de Lima, Joaquim Felício, Francisco Dumont. 
          A economia do município gira em torno de pequenos comércios, prestação de serviços, da extração mineral de quartzo, extração de flores de sempre-vivas, além da agricultura com destaque para o cultivo de café, mandioca, milho, fumo e arroz, além da pecuária de corte e produção de carvão vegetal.
          Um dos grandes destaques da cidade, além do seu casario singelo e atraente, suas belas igrejas e belezas naturais, tem como excelente atrativo para os amantes da história e ciência, o Memorial Carlos Chagas, (na foto acima enviada pelo Júlio Sérgio Rabelo). O Memorial foi construído no lugar onde ficava o antigo laboratório do cientista, onde o visitante tem o privilégio de conhecer o cenário de atuação do Dr. Carlos Chagas, responsável por uma uma das maiores descobertas da ciência brasileira, de grande importância para o mundo. 
          Lassance é uma cidade tranquila, com uma boa estrutura urbana, em destaque para a Matriz de Nossa Senhora do Carmo, (na foto acima enviada pelo Júlio Sérgio Rabelo) e a Estação Ferroviária, de 1909, (na foto abaixo do André Lopes Coutinho, enviada pelo Júlio Sérgio Rabelo), funcionamento hoje como Centro de Artesanato e Cultural da cidade, com mostras da cultura típica da cidade e do seu artesanato.
          A ferrovia chegou à Lassance no início do século XX. Antes, o lugar era um pequeno povoado, sendo caminho de tropeiros que vinham ao sertão norte mineiro, no final do século XIX. A região começou a se desenvolver com a instalação da ferrovia e estação de trem, chefiada pelo engenheiro Ernesto Antônio Lassance Cunha, com o povoado adotando o nome de Lassance, em 1908, em sua homenagem. 
          A chegada da ferrovia trouxe para a região centenas de trabalhadores, bem como, outras tantas pessoas que vieram de vários lugares, atraídos  pelo desenvolvimento que as ferrovias proporcionavam naquela época. Esses fatores fizeram com que o povoado crescesse, fosse elevado a distrito e finalmente, em dezembro de 1953, a cidade emancipada.
Outro importante destaque em Lassance é a Área de Proteção Ambiental Serra do Cabral, criada em 2002 para preservar as riquezas naturais do cerrado, como nascentes e riachos afluentes do Rio das Velhas e Rio Jequitaí, ambos afluentes do Rio São Francisco, bem como proteger cachoeiras, como a das Palmeiras (na foto acima do Júlio Sérgio Rabelo) e sua rica fauna como como exemplo, várias espécies de pássaros, onças, suçuaranas, jaguatiricas, lobo-guará, além de sua flora riquíssima, como os campos de sempre-vivas. 

Por ser uma região de grande concentração de calcário, cavernas e lapinhas são comuns na Serra do Cabral, habitat de povos pré-históricos, há 350 milhões de anos atrás, conhecidos como Cabralinos, dai o motivo do nome. Estes povos deixaram nas paredes das grutas e lapas seus estilos de vida, sobrevivência e crenças, registradas em pinturas rupestres (na foto acima enviada pelo Júlio Sérgio Rabelo), fazendo da região, com seus vários sítios arqueológicos como Boqueirão do Cara Fechada, Boqueirão do Inferno, Cabeceira do Guará I, II, III, Cabeceira do Manda-Puça, Lapa da Onça, Lapa de Santo Antônio, Lapa do Chapéu, Lapa do Marimbondo, uma dos mais importantes regiões paleontológicas de Minas Gerais.

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