sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Superstições com recém-nascidos.

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A tradição de enterrar o umbigo do recém nascido quase não existe hoje em dia. Mas num tempo não muito distante, isso era normal e até obrigatório, porque existia muita superstição em torno desse ato.
          Numa época que quase não existia médicos e nem hospitais para atender toda a população, principalmente a rural, os partos eram feitos em casa mesmo, por parteiras. Tudo que era retirado na hora do parto, como umbigo, eram entregues aos pais para que providenciasse o que fazer. Geralmente eram enterrados, já que, pela crença religiosa, do pó nascemos e ao pó voltaremos.
          Pegar os restos do parto e enterrar nos quintais era prática comum, porque era o mais correto a fazer.
          O umbigo, que caia uma semana depois, ficava sem destino certo e por isso, ao longo do tempo foram surgindo várias crendices, enraizadas no meio popular, principalmente no interior.
          Enterrar umbigo, tinha motivos, obrigações e objetivos dos pais, de acordo com o grau de suas crenças e superstições. 
          Segundo a crença popular, o umbigo deve ser enterrado, porque na época porque acreditavam que se jogassem o umbigo no lixo e um rato o pegasse, a criança seria um ladrão. Alguns enterravam o umbigo junto a uma roseira, porque assim a criança nascia bonita, saudável e querida. Outros num terreno de hospital, pois acreditavam que a criança seria médico. Quando o umbigo era enterrado numa porteira, a criança seria um fazendeiro. Junto a soleira da porta de entrada, a criança seria caseira. Se o umbigo fosse enterrado num local onde os pais gostavam, os filhos voltariam ao local depois de adultos. E nesse raciocínio, iam enterrando os umbigos, de acordo com seus motivos e objetivos para a criança.
          Além dessas crenças, haviam outras superstições em relação a recém-nascidos e crianças:
- Se depois de desmamada a criança ainda quiser mamar no peito, a mãe tem que pedir leite de peito a três mulheres com o nome de "Maria" e mistura um pouco com leite de vaca e dar ao filho numa mamadeira.
- É o pai que escolhia o nome de um filho após o nascimento.
- Ao batizar uma criança, a água do batismo deve ser secada naturalmente. Não deve ser enxugada com pano;
- Antes do batismo, a criança não deve ficar no escuro;
- O umbigo do recém nascido deve ser enterrado debaixo de um cocho para dar sorte;
- Beijar os pés de um recém nascido traz boa sorte;
- Colocar uma faca na soleira da porta protege o recém-nascido de espíritos malignos;
- Quem guardar o umbigo de um recém-nascido como uma lembrança, nunca conseguirá viajar ou se mudar de sua terra. Caso consiga, ficará ansioso para retornar à terra onde nasceu. Devido essa superstição, é que surgiu o ditado popular:
 “quero morrer na terra onde foi enterrado o meu umbigo”;
- Se a criança for muito chorona, para acalmá-la, deve se colocar a criança sobre uma peneira e deixá-la aos pés da cama dos pais;
- Se torcer as fraldas das crianças, elas terão dor de barriga;
- O berço e o carrinho do bebê nunca deve ser comprado antes do nascimento da criança;
- Para evitar que o recém-nascido tenha cólicas, bastava colocar um legume em sua boca;
- Se uma criança nascer com uma marca de nascença indesejada, a mãe deve lambê-la bastante, durante vários dias, até a marca desaparecer. Os antigos acreditava que saliva tinha poder de cura.
- Se uma uma grávida comer frutos que nascem grudados um no outro, teria gêmeos.
          Essas são algumas superstições envolvendo recém-nascidos, boa parte esquecidas pelo tempo. Eu pelo menos fiquei sabendo desde criança o destino de meu umbigo. Ele foi enterrado atrás da igreja de meu bairro. O objetivo de minha mãe com isso era que eu crescesse religioso e me tornasse sacerdote. Quase fui, cheguei a me preparar para ser seminarista, mas por fim optei por ser jornalista mesmo.
Por Arnaldo Silva, com fotografia ilustrativa de Eliane Torino

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