terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Uma relação de amor

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*Por Maria Eugênia de Viveiros

        Meu amor por você transcende à carência; vem da essência, do momento em que você pensou em mim, não como uma pessoa real, mas como uma possibilidade. Ou até mesmo como um desejo que toda mulher tem um dia; o de ser mãe.
        E aposto que, quando você pensava nessa pré-possibilidade, digamos que ainda longínquo desejo de ter um filho, a figura que vinha diante dos olhos da sua alma tinha o meu rosto.
        Posso jurar, também, que para mim a figura de alguém que seria a esperança de que eu viesse ao mundo, tinha a sua cara, o seu jeito e até o seu nome...
        Eu sonhava com você antes mesmo de pensar em fazer parte da sua vida e de algum modo sabia, mesmo quando a gente ainda não sabe de nada, que o destino nos faria predestinadas: você a ser minha mãe e eu a ser sua filha.
        Ou será que foi ao contrário?
        Ao longo do tempo, esta delicada relação entre nós ultrapassou a tênue linha que separava nossos papéis e tudo se misturou... Por tantos dias você foi minha mãe e eu sua filha... em tantos outros, eu troquei de lugar com você.
        E cuidamo-nos com desvelos, zelos...nos demos todo o amor que estava dentro de nós...
        Construímos nossas vidas olhando uma para a outra, participamos de cada passo à frente, de cada queda, nos demos as mãos, nos largamos, nos abraçamos novamente.
        Mas não teremos nunca que agradecer nada do que nos proporcionamos: eu não teria crescido sem a sua proteção e você não envelheceria sem o meu carinho...
        Pois, quando viemos ao mundo, sabíamos que nossa relação de amor seria especial: você foi a mãe que eu escolheria todas as vezes que tivesse esta chance e eu, a filha eleita do seu coração... seja lá em que ordem isto acontecesse.

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*Maria Eugênia de Viveiros é advogada, escritora e mora no Rio de Janeiro.
Publicado com autorização para Conheça Minas.
Imagem ilustrativa. Flores de Jacarandá de Arnaldo Silva

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