quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

O triste fim do Benjamim Guimarães

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Foi construído no ano de 1913 pelo estaleiro James Rees & Com no Mississipi, Estados Unidos, chegou a navegar pelo Rio Mississipi antes de ser adquirido pela empresa da família do patriarca Benjamim Guimarães, na década de 1920, por isso o nome do barco.
     O Benjamim Guimarães (na foto acima de Guido Berkholz) foi trazido para Pirapora para navegar nas águas do Rio São Francisco, em viagens longas e continuas pelo rio e em seus afluentes, transportando passageiros e principalmente cargas. Saia de Pirapora no Norte de Minas, passando por várias cidades às margens do rio e ia até a Bahia.
        Com a ampliação da malha férrea para transporte de cargas e surgimento de estradas pavimentadas, bem como o aquecimento do  mercado de venda de automóveis e caminhões, a navegação pelo Rio São Francisco começou a entrar em decadência e se tornando cada vez menos frequente como embarcação de transporte de cargas e passageiros, até parar a partir da década de 1970. Ficou por anos abandonado. (fotografia ao lado de Rhomário Magalhães)
        A partir da década de 1980, o Benjamim Guimarães passou a fazer apenas viagens turísticas. Devido a sua importância cultural e histórica para Minas, em 1985, foi tombado como Patrimônio Histórico de Minas Gerais, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (IEPHA). Em 1986, já todo reformado e adaptado somente para viagens de turismo, foi reinaugurado com toda pompa em Pirapora MG.  
        Com a reforma feita, o Vapor passou a transportar 170 pessoas, entre tripulantes e passageiros. (foto acima de Sérgio Mourão) O barco possui três pisos: no primeiro, encontra-se a casa de máquinas, caldeira, banheiros e uma área para abrigar passageiros. No segundo piso, estão instalados doze camarotes e no terceiro, um bar e área coberta. Atingia a velocidade de 15 km por hora. Essa velocidade baixa permitia ao turista contemplar as paisagens pelo trajeto e aproveitar mais a viagem.
        O combustível que movimenta o Vapor é simplesmente lenha. Consome um metro cúbico de lenha por hora, que faz com que o caldeirista tenha que abastecer constantemente a fornalha. É um trabalho duro, mas nenhum tripulante da embarcação reclamava. Todos tinham o maior prazer e orgulho em trabalhar no velho Benjamim Guimarães. (foto acima de Sérgio Mourão)
        O Benjamim Guimarães (na foto acima de Janaína Calaça) sempre foi a principal atração turística de Pirapora. Não há um morador da cidade que não tenha alguma lembrança, história para contar ou fotos do Benjamim Guimarães. Quando se fala em Pirapora, vem logo à mente, o barco navegando pelo Rio São Francisco. O vapor está incorporado à cidade, faz parte da identidade local e do povo que vive às margens do Rio São Francisco. É um cartão de Minas, orgulho do povo piraporense e mesmo se tornando apenas barco para turismo, ajudou a movimentar a economia local por décadas, já que o barco atraia todos os meses, centenas de turistas para a cidade. (foto abaixo de Lucas Vieira)
       Até aqui você percebeu que eu usei muito os verbos no tempo passado. É porque o Vapor Benjamim Guimarães não navega mais no Rio São Francisco. 
       O patrimônio de Minas, encontra-se encorado no porto de Pirapora desde 2014, quando foi proibido de navegar pela Capitania dos Portos do Rio São Francisco por apresentar problemas de segurança. Foi ancorado para ser reformado e desde então,nenhuma reforma foi feita ou sequer iniciada.
       A situação do Barco a Vapor Benjamim Guimarães hoje é totalmente diferente das fotos que você vê acima. 
       Suas ferragens estão enferrujando, as madeiras apodrecendo e o mato está tomando conta da embarcação. O patrimônio do povo de Minas está exposto a sol e chuva, se deteriorando, acabando, apodrecendo, definhando aos olhos de todos.
       O governo anterior se comprometeu a reformar o Benjamim Guimarães, já que é Patrimônio de Minas Gerais desde 1985 e cabe ao IEPHA, órgão do Governo do Estado, tomar as providências para preservar o patrimônio de Minas. Mas nada foi feito. Como todos sabem, o Estado de Minas Gerais está quebrado, sem dinheiro e mesmo que queira, o atual Governo não fará algo tão cedo, justamente por falta de dinheiro. Portanto, se as autoridades locais e sociedade piraporense em geral não se mobilizarem para reverter essa situação e encontrar uma solução rápida para salvar o Vapor, será tarde demais. 
        O definhamento do Benjamim Guimarães é um filme que estamos assistindo desde 2014, quando foi ancorado a espera de reformas. No momento, o final desse filme é o fim do Barco a Vapor Benjamim Guimarães. 
        Esperamos que o final do filme possa mudar. O vapor é o único no mundo, só existe em Minas. Só tem um. Esse filme tem que ter outro final que não seja a perda desse patrimônio de Pirapora e de Minas Gerais. (Por Arnaldo Silva)

2 comentários:
Faça também comentários
  1. Mas dinheiro para fazer festa de reveillon com dupla sertaneja famosa Pirapora tem. Benjamin está acabando porque Pirapora já afundou.

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  2. Tivesse Minas ou a Bahia bons governos, ele estaria navegando (enquanto existe água no São Francisco). Bom Jesus da Lapa está com saudades.

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