quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

A Ponte Antônio Dias

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A ponte de Antônio Dias, conhecida também por Ponte dos Suspiros,  é a mais importante de Ouro Preto (MG), pela sua localização, tamanho e harmonia de proporções. Foi construída entre 1745 e 1757, em alvenaria de pedra, em dois arcos iguais de 5 metros de vão e 7,40 metros de altura. Situa-se no largo do Dirceu, sobre o córrego da Sobreira.(foto acima de Edmar Amaro)
     O nome da ponte é homenagem ao bandeirante paulista Antônio Dias. De acordo com narrativas da época, ele teria avistado pela primeira vez o pico do Itacolomi, em 1698, local onde hoje existe a cidade. O pico era a referência que a expedição tinha dos relatos de garimpeiros que haviam encontrado "ouro preto" - nome dado às pedras com a superfície escura que, depois, se revelavam na sua cor dourada - no ribeirão Tripuí, atual Funil. Após a descoberta, Antônio Dias e sua bandeira se estabeleceram na região e foram os primeiros povoadores de Ouro Preto.
     A ponte de Antônio Dias é composta de dois paredões  interrompidos pelos dois arcos plenos (arcos em semicircuferência), tendo ao centro um pequeno terreno circular e cruz de cantaria sobre pedestal. Nos extremos, há quatro pilastras de cantaria, encimadas por pirâmides. As águas, que descem dos morros de São Sebastião e Pascoal da Silva, correm apenas sob um dos arcos.
     A ponte dá acesso a outro monumento importante de Ouro Preto, o chafariz de Marília, chamado assim em homenagem a Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Nos anos que antecederam a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, Marília foi musa do desembargador e poeta Tomás Antônio Gonzaga, um dos líderes do movimento e autor de versos apaixonados, dedicados a ela. A ponte surge na estrofe de uma das mais famosas Liras do poeta, a de número 37. O caminho para chegar à casa de Marília foi igualmente reconstruído pelo poeta Manuel Bandeira (1886-1968), em seu Guia de Ouro Preto. A estrofe de Gonzaga com referências à ponte é a seguinte:
Toma de Minas a estrada,
Na Igreja nova, que fica
Ao direito lado, e segue
Sempre firme a Vila Rica.
Entra nesta grande terra,
Passa por uma formosa ponte,
Passa a segunda, a terceira
Tem um palácio defronte.

     A formosa ponte é a do Rosário. A segunda é a ponte dos Contos, próxima a outra construção histórica, a Casa dos Contos. E a terceira é a ponte de Antônio Dias, chamada também de Marília por levar à casa da homenageada, o palácio defronte.
     A ponte de Antônio Dias passou, em 2003, por obras de recuperação do Projeto Monumento, do Ministério da Cultura. Monumenta é o programa de recuperação sustentável do patrimônio histórico urbano brasileiro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
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Fontes: Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais (Organização Wladimir Alves de Souza, 1984, Editora Expressão e Cultura), Projeto Monumenta, Câmara Municipal de Ouro Preto e Guia de Ouro Preto (Manuel Bandeira, 1938, Ediouro) - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/ponte-de-antonio-dias

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