sábado, 5 de janeiro de 2019

A Catedral da Sé em Mariana

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Um dos mais antigos templos de Minas Gerais, a catedral de Nossa Senhora de Assunção (na foto acima de Edmar Amaro), em Mariana, tem origem em 1703, quando se verificava a grande afluência de paulistas e portugueses atraídos pela descoberta do ouro na região, em fins do século 17. Mais conhecida como Sé de Mariana, sua principal riqueza está no interior, que apresenta um dos mais significativos conjuntos de talhas (obras de arte esculpidas na madeira mediante instrumentos como o cinzel) do período colonial.

Segundo o historiador francês Germain Bazin, a suntuosa decoração arquitetônica da capela-mor comprova o alto grau de refinamento atingido pelos arquitetos de Minas em meados do século 18. Uma das atrações é o órgão alemão Arp Schnitger, construído em 1701 e incorporado à Sé em 1753.
O altar-mor exibe, bem ao centro, uma tela com a representação da Assunção da Virgem. Os altares laterais da nave, com exceção do de Santa Bárbara, são do mesmo estilo do altar-mor, incluindo detalhes decorativos como atlantes (estátua em figura de homem). Esses altares são consagrados a são João Evangelista, são Pedro, são Francisco, Senhor dos Passos e santa Bárbara, santa Luzia e santo Antônio.

A igreja apresenta duas falsas cúpulas na capela-mor e dois enormes retábulos (tipo de ornamento em madeira, geralmente atrás do altar): um, em louvor de Nossa Senhora do Rosário e, outro, dedicado a são Miguel e Almas. Ambos pertencem ao estilo Brito, novo estilo barroco introduzido em Minas por Francisco Xavier de Brito na capela-mor de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto.

No batistério, um painel representa o batismo de Cristo, de autoria atribuída a Manoel da Costa Athaíde, principal pintor do período colonial brasileiro. Os serviços de pintura dos forros da nave e capela-mor foram executados por Manuel Rabelo de Souza, em 1760. Arredondado, o teto da nave mostra pintura em fundo branco com armas imperiais. O teto da capela-mor é constituído por duas abóbadas, apoiadas em arcos pelos quatro lados. Ambas são integralmente recobertas por pinturas, onde sobressaem figuras religiosas.

Vista de fora, a Sé tem um traçado arquitetônico modesto e sóbrio, lembrando algumas construções jesuíticas do litoral do Brasil. Construída em pedra e cal, a fachada (frontispício) é simples e pesada, predominando a simplicidade das linhas retas, sem, contudo, oferecer a grandiosidade de muitos dos templos do período colonial. Sobre o portal da fachada, aparecem duas janelas com balcões e parapeitos, e, logo acima, as duas torres para os sinos.

Inicialmente, no começo do século 18, quando aquele povoamento se chamava ainda vila do Carmo, a Sé era apenas uma capelinha, iniciativa dos bandeirantes. A Coroa portuguesa determinou que se erguesse ali uma matriz, em razão da importância que a futura Mariana havia assumido na mineração do ouro. Em 1713, iniciaram-se as obras de construção, com aproveitamento da capela original, que se tornou a sacristia da nova igreja. Em 1745, a vila do Carmo foi elevada à categoria de cidade e a antiga matriz se viu escolhida como a nova catedral pelo bispo de Mariana, d. Frei Manuel da Cruz. Por volta de 1930, todo o piso da nave, que era de campa (pedra de sepultura), foi substituído por ladrilhos, inclusive o dos corredores, onde se acham os altares laterais.
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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração MA/24 (Fundação João Pinheiro, Instituto Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM, 1973-1975), Sé de Mariana e inventário do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - https://www.mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/catedral-da-se-nossa-senhora-da-assuncao

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