segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Na roça, o ar sempre foi mais fresco e mais alegre

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     Ás 6:30 acordava ao som de 'Noites' do Barra de Alencar, o cheiro do café forte no coador, penetrava nos quartos, ajudava a aprumar o corpo, aquecido e envolvido nos grossos cobertores de linho. No telhado da casa, os passarinhos reviravam seus ninhos.
     No fogão , a lenha se fazia brasa e deixava aquecido o café para o dia todo, as galinhas que sempre acordam primeiro, ás 6:30 siscavam o terreiro pela centésima vez. Os cachorros se dividam nos lugares;Tafarel beirava o fogão, á espera de petisco e Dunga beirava a estrada, á espera de visitas. A verdade é que ele sabia: domingo era dia de casa cheia!
     Aos poucos, os parentes da cidade, que não eram poucos, chegavam e traziam quitandas e refrigerantes para acompanhar o almoço. As mulheres preparavam a refeição e colocavam a conversa em dia, os homens abriam a cerveja e jogavam baralho,E nós ,as crianças, espalhávamos pelo terreiro. Quando o sol beirava o meio do céu, a casa já estava cheia de Pais, Mães, filhos, tios, sobrinhos , avós e o Dunga, que não largava da gente, ele não continha nas lambidas, a empolgação.
     Dos 39 netos , filhos dos filhos de D Maria Luíza de Carvalho, mãe de minha mãe, e a mais bonita do Cercado, como ela dizia, apareciam nos domingos, pelo menos 30 deles. Maria Luíza, era de sangue quente, sempre mandona, mas com ternura na voz. O cabelo longo e grisalho eram cuidadosamente amarrado em coque e os traço do rosto, mostrava o trabalho que foi cuidar dos seus 17 filhos.
     Dividíamos o tempo, entre nadar; correr; comer os belisques de quem bebia cerveja e jogar bola, inclusive tínhamos um campo.
     Á 300 km, podia notar o brilho no olhar de Alvarino, o mais velho de toda aquela gente, pai e avô adorável, desses que seu coração se aquieta só de olhar. Amava bala de frutas, mais doce que elas, era o sorriso que abria, ao ver a casa cheia, e a criançada correndo, pra lá e pra cá, pra cá e pra lá ..
Na roça, o ar sempre foi mais fresco e mais alegre...
(Texto e fotografai de Suelen Rezende, 06 de julho ,2018)

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