terça-feira, 2 de outubro de 2018

Minas e sua religiosidade

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A grandeza da união das Minas e dos Gerais gerou o diversificado e rico estado que temos hoje. Difere dos demais pelo seu linguajar peculiar, pela cultura rica, mesa farta, caráter desconfiado e precavido do seu povo, por sua geografia diversificada... Popularmente, Minas é o mundo que cobre o mundo da gente. João Guimarães Rosa na crônica “Aí está Minas: a mineiridade” escreve: “Seu orbe é uma pequena síntese, uma encruzilhada; pois Minas Gerais é muitas. São, pelo menos, várias Minas.” E nesta 
constelação das Minas das Gerais que se destaca outro aspecto único: a religiosidade e a fé do povo mineiro.

A espiritualidade liga o ser humano a Deus, ou seja, religa o homem ao Criador por meio da religião e na alma mineira isso sempre se deu por meio da fé católica arraigada existencialmente nas rezas, rogos, procissões, templos religiosos e expressões, que foram ganhando destaque por meio da devoção aos santos e a Maria, para assim chegar mais facilmente à Deus.

Expressão disso se pode perceber na história da circunscrita cidade 
mineira, Pedra Bonita (na foto acima), localizado na Zona da Mata Mineira. Interiorana, com uma população que estabelece suas relações de modo familiar e apadrinhamentos, onde a vida se mostra singela e pacata, está em suas raízes a religiosidade popular. O povoamento iniciou-se com o Major José Luiz da Silva Viana que deu o nome da fazenda de São José e logo mais tarde o povoado foi chamado de São José dos Quatis. Após a emancipação passou a ser chamada de Pedra Bonita e dedicada a São José. (na foto abaixo a imagem do santo)
Outro fato bem próprio é que no dia 31 de outubro a cidade revive um fato peculiar, que remonta ao ano de 1993, quando se narra que Nossa Senhora das Graças teria aparecido em sonho convidando a cultivar a oração, a conversão e a retidão de vida. A partir daí essa expressão tem sido oportunidade de tantas pessoas voltar-se com devoção a Maria.

Em ambos fatos enxergar-se o quanto o mineiro exerce sua mineiridade por meio da expressão religiosa. A mineira Adélia Prado em uma entrevista afirmou sobre sua experiência de infinito: “É um desejo infinito que nós temos de adoração, e de algo que nos suspende com o sentido absoluto. Nós somos finitos e relativos, e queremos sempre uma coisa absoluta: que esse café maravilhoso não acabe, que a minha paixão não acabe, que essa casa
bonita permaneça. A gente tem sede de infinito e de permanência. Então, esse ser que assegura a permanência das coisas, é que eu chamo de Deus. É o Absoluto.” É esse Absoluto que está tão palpável na realidade mineira, capaz de impulsionar o coração para além das montanhas que se elevam e cercam as pitorescas cidades, que trazem no seu bojo, na sua vivência atual a necessidade que temos do Transcendente e se lançar com a vida nesta perspectiva traz a garantia de não nos bastarmos. O mineiro é a encarnação
desse Absoluto, que não está distante, mas próximo como seu compadre, com quem canta e decanta a certeza de não estar só, mas totalmente imerso no Transcendente.
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Autoria de Geraldo Trindade
Graduado em filosofia e teologia, padre na Arquidiocese de Mariana
Contato: pensarparalelo@gmail.com

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