sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Ouro Preto

A Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ouro Preto, deve sua construção à iniciativa do bandeirante Antônio Dias, em 1699, nos primeiros anos de povoamento da região, com a descoberta do ouro. O templo original foi substituído por uma nova edificação em 1724, pois o crescimento do número de fiéis fez com que a primeira capela se tornasse pequena.

O arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (ao lado, retratado pelo artista plástico Elias Layon), foi enterrado nesta igreja, provável local de seu batismo. Seus restos mortais estão à frente do altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Aleijadinho é considerado o mais importante artista do período colonial brasileiro. Ganhou o apelido por volta dos 40 anos de idade, quando passou a andar com dificuldade em conseqüência de uma doença que deformou suas pernas e mãos. A limitação não o impediu, no entanto, de continuar trabalhando na construção de igrejas, capelas e altares das cidades da região do ouro de Minas Gerais, como Sabará, Mariana e Congonhas. Em Ouro Preto, exemplos do trabalho do artista também podem ser encontrados na igreja de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição abriga o Museu do Aleijadinho, que exibe as obras do artista. O acervo conta ainda com documentos sobre a vida de escultor. (na fotografia abaixo, de WDiniz, o túmulo de Aleijadinho no interior da Igreja de Nossa Senhora da Conceição)
Os altares invocam são José, são Sebastião, santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, Nossa Senhora da Boa Morte, são João Batista, são Gonçalo e são Miguel e Almas. No altar-mor, há representações de roca de santa Bárbara e são João Nepomuceno. E, ao fundo, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Na capela-mor, estão representados temas do Evangelho. No forro, vêem-se símbolos eucarísticos, como cachos de uva e hóstia. Nas laterais, imagens de fé (cruz e cálice) e esperança (cruz e âncora). Nas extremidades, os quatro evangelistas, João, Mateus, Lucas e Marcos.

Maria Dorothéa Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, também foi enterrada na igreja em 1853, mas seu túmulo foi transferido depois para o Museu da Inconfidência. Ela foi a musa do poeta inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, que, inspirado por este amor, escreveu o livro Marília de Dirceu, publicado entre 1792 e 1799.

A arquitetura e alguns elementos de sua ornamentação repetem traços das igrejas Matriz do Pilar e de Nossa Senhora do Carmo, segundo especialistas, obras contemporâneas à sua construção. Altares e capela-mor são exemplos da influência destas outras igrejas, assim como a estrutura arquitetônica. Em 2005, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi elevada à condição de Santuário Arquideocesano da Imaculada Conceição.
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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/141 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e no Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808 (Direção Ronaldo Vainfas, Editora Objetiva, 2000) Link original:http://mg.gov.br/conteudo/conheca-minas/turismo/igreja-matriz-de-nossa-senhora-da-conceicao

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