domingo, 29 de julho de 2018

Cidades mineiras se tornam cenários de novelas

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Mariana, Capitólio, Ouro Preto, Tiradentes e Carrancas se tornam cenário de novela.Com belas paisagens e sítios históricos, Minas Gerais atrai produções de TV e cinema. Deslocamento de grandes equipes é desafio a produtores

Na sinopse de Espelho da vida – novela da faixa das 18h da Globo – que a autora Elizabeth Jhin entregou à emissora, ela escreveu que a trama se passava em “uma cidade que tem uma praça com chafariz rodeada por casarões de época”. Quando a produção do folhetim foi a campo, encontrou no centro de Mariana o cenário ideal para a trama. (foto acima, da Praça Minas Gerais em Mariana, de autoria de Elvira Nascimento. Inserção nossa)

Tanto é assim que a produção da novela abriu mão de construir uma cidade cenográfica nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e optou por retornar de tempos em tempos à cidade mineira para novas gravações de cenas externas. “Foi uma escolha de caráter absolutamente dramatúrgico. Eu estava visitando as cidades históricas mineiras para encontrar um lugar que me servisse de base para a construção de uma cidade cenográfica nos Estúdios Globo, como a gente costuma fazer. Passei por todas as cidades e acabei encontrando em Mariana o desenho exato que a Elizabeth Jhin gostaria de ter para a cidade fictícia de Rosa Branca”, afirma Pedro Vasconcelos, diretor artístico de Espelho da vida.
(foto: Estevam Avellar/DIVULGAÇÃO)
PRAÇA Além de Mariana, as cidades de Tiradentes, Ouro Preto e Carrancas também servem de cenário ao folhetim. “Em Mariana, filmamos principalmente na praça onde moram os personagens principais da trama. As ruas de Tiradentes representam as ruas do centro histórico de Rosa Branca. Carrancas representa os arredores da cidade, as serras, as cachoeiras, onde as pessoas tomam banho de rio e andam a cavalo. E Ouro Preto seria o ‘centro nervoso’ de Rosa Branca. Também acho que a história pede um caráter mais realista e acredito que ter os atores circulando em uma cidade não cenográfica vai me ajudar a contar melhor essa história”, diz o diretor.

Espelho da vida é uma entre quatro produções atuais da Globo que têm Minas Gerais como cenário. Sua antecessora, Orgulho e paixão também teve cenas gravadas em Lavras, Mariana e, principalmente, Carrancas, apesar de a história não se passar em Minas Gerais. Foi na cidade localizada a 300km de Belo Horizonte que transcorreram as cenas dos personagens se refrescando nas cachoeiras, além dos passeios e piqueniques de casais como Elisabeta (Nathalia Dill) e Darcy (Thiago Lacerda).

Na semana passada, a equipe retornou a Carrancas. “Graças ao trabalho de direção precisa do Fred Mayrink (diretor artístico), estamos tendo essa oportunidade de fazer uma viagem para filmar cenas de Orgulho e paixão já com a novela no ar. Isso não é muito comum”, comenta Bia Coelho, uma das diretoras da novela. Ela avalia que esse recurso proporciona um “respiro” de paisagens. “A novela tem uma finalização muito bonita, com paisagens, matas e cachoeiras. Essa viagem nos permite oferecer esse olhar rico ao telespectador, com essa variedade visual. O autor (Marcos Bernstein) também foi muito parceiro, escrevendo cenas de capítulos futuros, para otimizarmos essa viagem ao máximo”, diz a diretora.

Prevista para estrear em novembro, a próxima novela das 21h, O sétimo guardião, de Aguinaldo Silva, também terá a maioria das cenas externas rodadas em Minas, mais especificamente em Capitólio, Sul do estado, onde a equipe comandada pelo diretor Rogério Gomes já está desde o começo do mês. Mas a trama não se passa em terras mineiras, e sim numa cidade fictícia do interior do Brasil.

No ano passado, a charmosa Catas Altas, na Região Central, foi palco das gravações de Se eu fechar os olhos agora, série de Ricardo Linhares inspirada no livro homônimo de Edney Silvestre, que deve ser exibida no começo de 2019. Segundo a Globo, foi coincidência o fato de quatro de suas produções estarem sendo rodadas em Minas. A emissora diz que as locações de uma novela são definidas após muita pesquisa e sempre atendendo às necessidades da história que se pretende contar. “A dramaturgia é que define qual locação pode ser mais adequada para contar a trama escrita pelo autor. O estado de Minas Gerais é rico em belezas naturais, culturais, históricas e traz muito da diversidade brasileira. Além disso, oferece paisagens versáteis que possibilitam gravar tanto uma novela de época ou mesmo contemporânea. A preservação histórica dos casarões, fazendas e monumentos tão característicos de Minas e de um determinado período da história brasileira nos trazem a possibilidade de gravar em centros urbanos e áreas rurais”, diz a assessoria da emissora carioca.

POÇOS RECEBE A TURMA DA MÔNICA
Floquinho desapareceu. Cebolinha desenvolve então um plano infalível para resgatar seu cãozinho. Mas vai precisar da ajuda de Mônica, Magali e Cascão. Eles enfrentarão desafios e viverão aventuras para resgatar o cachorrinho. A história de Turma da Mônica - Laços, filme de Daniel Rezende (Bingo: O Rei das manhãs) se passa no fictício bairro do Limoeiro. A maior parte das cenas da produção que chega aos cinemas em 2019 foi rodada no interior paulista. Mas Minas também tem sua participação. Durante três semanas, a equipe do longa movimentou Poços de Caldas, no Sul do estado, sobretudo a região da praça principal, onde fica o Palace Hotel, que serviu de cenário disfarçado como bairro do Limoeiro. “A escolha foi feita após muita pesquisa em todo o Brasil. É sempre bom filmar numa cidade pequena, que não está acostumada com filmagens. Os moradores foram muito carinhosos, e a prefeitura apoiou a produção em tudo o que precisamos”, diz a produtora-executiva Bianca Villar.

Interior mineiro na rota de longas
Não é só na telinha que Minas Gerais anda dando as caras. Previsto para estrear em 2019, o longa Arigó, sobre o médium mineiro Zé Arigó, que realizava cirurgias espirituais, foi integralmente rodado no estado, com Danton Mello no papel principal. A produção percorreu Congonhas, Rio Novo e Cataguases, esta última marcada pela produção do mestre Humberto Mauro (1897-1983) e que mais recentemente serviu de cenários para filmes como O menino no espelho (2014) e Redemoinho (2016).

Roberto d’Avila, produtor de Arigó, admite que chegou a cogitar não filmar em Minas, em razão das dificuldades na logística. Mas, para dar mais veracidade ao longa, a equipe acabou passando quase dois meses por aqui. “Como o Arigó nasceu na região de Congonhas, a gente teve algumas cenas lá, principalmente no entorno da Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. Mas como a cidade foi muito descaracterizada, tivemos que procurar uma locação que se parecesse com BH e com o Rio nas décadas de 1950 e 1960, período retratado pelo filme”, diz. Depois de rodar a Zona da Mata, a produção chegou a Cataguases e Rio Novo. “Não é fácil filmar longe do Rio e de São Paulo, porque a gente teve que levar uma equipe de 120 pessoas para lá. Todos os figurantes são mineiros. Os cenários são mineiros. Era importante que isso estivesse presente no filme para ter essa sensação de verossimilhança”, afirma o produtor.

Ele diz que o apoio não só da população como também da administração dos municípios envolvidos foi fundamental para o bom andamento das filmagens. “A gente sabe que rodar um filme implica alterações, ainda mais numa cidade pequena. Fechamos rua, filmamos até no gabinete do prefeito de Cataguases e na Câmara Municipal de Rio Novo. Mudou a rotina mesmo. Muitas vezes, nossa atividade incomoda, mas é uma via de mão dupla, já que atrai coisas boas para o lugar, como geração de empregos e visibilidade”, aponta.

MILHO VERDE Em Além do homem, de Willy Biondani, o escritor Alberto Luppo (Sérgio Guizé) mora em Paris há anos e renega suas raízes tropicais. Quando um famoso antropólogo francês desaparece numa cidade do interior do Brasil, ele volta para sua terra natal e inicia uma investigação para descobrir o paradeiro do amigo. Apesar de o longa não identificar onde se passa a história, o diretor diz que sempre teve a intenção de filmar em Minas e pensava na Serra da Canastra.

“Acabamos usando a cachoeira da Casca D’anta, na Serra da Canastra, na trama, mas ali era muito complicado de se produzir. Então fui subindo e cheguei até a região da Serra do Cipó. Depois fui parar em Milho Verde, indicado pelo Rudá de Andrade, neto do Oswald de Andrade, que tem uma casa lá. Não poderia ter encontrado uma locação mais especial e apropriada”, afirma.

O diretor afirma que, além da potente paisagem do cerrado e dos inúmeros veios de água e cachoeiras, Milho Verde tem uma característica humana diferenciada, de valorização do outro. “Além disso, sua arquitetura não define nenhum período histórico e nenhuma região do país, e isso me interessava para o resultado final do filme. A escolha da locação possibilitou que resolvêssemos todas as necessidades do filme num raio de deslocamento aceitável para a produção. Com muito apoio da população local, conseguimos viabilizar várias coisas, por exemplo, a decoração de cenários internos (caso da recepção do hotel e do bar) e externos (instalação de bandeirinhas e mastros na praça). Os ambientes cenográficos foram todos construídos na cidade do Serro, dentro da quadra de uma escola. No geral, foi uma ótima experiência”, comenta.

Na mesma época, também foram rodados na região os longas Vazante, de Daniela Thomas, e Joaquim, de Marcelo Gomes. “Era carro de produção para todo lado (risos). É sempre difícil produzir no Brasil. Os lugares têm poucos recursos; tem a questão de deslocamento, infraestrutura. Mas, quando a gente chega, ainda mais ali em Milho Verde, as paisagens são tão incríveis, as pessoas nos recebem tão bem, que a gente até esquece. Não há uma pessoa da equipe de Além do homem que não tenha se apaixonado pelo lugar e pelas pessoas”, assegura Biondani. O ator Fabricio Boliveira, por exemplo, se sentiu tão tocado pela região que durante a filmagem resolveu alugar uma casa em Milho Verde e viver um tempo na cidade. Além do homem estreou no final de junho no Rio e em São Paulo. Em outubro o longa deverá ter uma sessão aberta em Milho Verde. (Colaborou Márcia Maria Cruz)

ALÉM DAS MONTANHAS
Relembre filmes e novelas que tiveram Minas Gerais como cenário
» Orgulho e Paixão (novela de 2018) , com final em Passa Quatro MG
» Alto Astral (novela) 20143 em Poços de Caldas MG
» A dança dos bonecos (filme) - 1986
» Coração de estudante (novela) - 2002
» Depois daquele baile (filme) - 2006
» Desejo proibido (novela) - 2007
» Dona Beija (novela) - 1986
» Hilda Furacão (série) - 1998
» Irmãos Coragem - segunda versão (novela) - 1995
» JK (série) - 2006
» Joaquim (filme) – 2017
» Liberdade, liberdade (série) - 2016
» Menino Maluquinho (filme) - 1995
» Minha doce namorada (novela) - 1971
» Redemoinho (filme) - 2016
» O menino no espelho (filme) - 2014
» O fim do mundo (novela) - 1996
» Vazante (filme) - 2017
» Xica da Silva (filme) - 1976
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Por Ana Clara Brant - Jornal O Estado de Minas/Portal www.uai.com.br
Link original:https://www.uai.com.br/app/noticia/series-e-tv/2018/07/29/noticias-series-e-tv,231489/mariana-ouro-preto-tiradentes-e-carrancas-se-tornam-cenario-de-novel.shtml (a primeira imagem é inserção nossa e não consta na matéria original)

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