terça-feira, 5 de junho de 2018

Devoção à São João Batista em Ingai MG

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Ingaí é uma pacata cidade mineira com menos de 3 mil habitantes, que pertence a região do Campo das Vertentes e faz divisa com os municípios de Lavras, Itumirim, Carmo da Cachoeira, Luminárias, Itutinga.
Origem da fogueira
No dia 20 de outubro de 1931, às 16:00 horas (mais ou menos) choveu muito forte em Ingai e caiu um raio na casa do senhor Severino, atingindo também a Igreja, derrubando a parede do fundo onde estava o altar-mor, além de outras coisas inclusive um quadro de São Sebastião pintado em uma tabua.Queimou também todo o pequeno arquivo e as alfaias.
Ao passar a chuva foi rezado um terço em reparação.
No outro dia o senhor Francisco Nepomuceno de Rezende avisou o +Padre Frederico Bangder (SCJ de Lavras) do acontecimento e ele veio logo em seguida.Fizeram uma limpeza na igreja, celebrou se uma missa e o padre pediu que reconstruíssem a parede e fez a compra de novos paramentos.
Sempre admirado com o tamanho dos adobes de que a Igreja era construída e do acontecimento, nesta missa o +Padre Frederico fez a promessa de construir uma fogueira dedicada a São João Batista, daquela data em diante, para que livrasse a comunidade dos raios, que em outras ocasiões já haviam até matado pessoas.A primeira fogueira foi erguida no dia 23 de junho de 1932. 
Em 1933, quando realizou se a 2ª fogueira, o Senhor Otávio de Junqueira Miranda comprou a imagem de São João Batista para a comunidade.A imagem veio pela estação Férrea de Paulo Freitas, levada para a casa do senhor Gabriel de Andrade Junqueira, o Bié, no local denominado Capão das Flores.No dia 22 de junho de 1933 o povo foi esperá-la na entrada da vila, vindo em procissão até a igreja.
A festa de São João Batista é realizada todos os anos entre os dias 14 e 24 de junho (dia dedicado ao Santo).
A grande fogueira é queimada na passagem do dia 23 para o dia 24 de junho, anunciando o nascimento do glorioso santo.
Com quase 40 metros de altura, a fogueira é considerada uma das maiores do interior de Minas Gerais e atrai os olhares de toda a região. Além de simbolizar o início da festa, ela é considerada, também, como patrimônio do município.
Levantar a fogueira não é fácil. Encaixar cada pedaço de madeira para montar a estrutura que chega a ser maior do que qualquer outro prédio da cidade requer tempo e muita dedicação. Mas todo sacrifício é válido, afinal, a confecção faz parte de uma tradicional promessa feita pelo povo da cidade em 1931 quando uma descarga elétrica destruiu a igreja da cidade durante uma tempestade.
Desde que a primeira fogueira foi erguida, já se passaram 86 anos. A tradição foi ganhando cada vez mais força e atualmente reúne gente não só da cidade, mas de toda a região para ver o evento.
Durante a festa, antes de acender a fogueira, ela precisa ser abençoada. Após a bênção, começa o espetáculo. 
Primeiro, com uma queima de fogos e em seguida o grande momento, em que toda a estrutura é tomada pelo fogo. Depois do rito, há aqueles devotos que levam o carvão para casa como forma de pedir proteção ao padroeiro da cidade.
O ápice da festa acontece na sexta feira, com celebrações de missa, procissão e benção.
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Nota: Como a região é tradicional em plantação de eucalipto, as árvores cortadas para fazer a fogueira são dessa planta, doada pelos produtores.

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Fotos e textos enviados por Gilson Nogueira.

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