sábado, 16 de junho de 2018

Cipó de São João... ruminando as lembranças

No passado a natureza quebrava a monotonia da impiedosa seca, com a magnífica beleza da flor do cipó de são João.
Tivera eu talento para pintar as belas imagens que outrora ilustraram o Vale Picão, com certeza daria um belo quadro na historia universal.

A paisagem harmoniosa criada pela mão de Deus exibida pela natureza, foi algo fascinante. Atualmente vou ruminando nas lembranças a saudade das imagens engavetadas na mente que vão sendo remoídas pelo pensamento.

A simplicidade do cipó de são João com toda sua beleza ecológica é um belo poema escrito pelo criador. Um recado de Deus estampado nas densas latadas do cipó que se vergavam ao peso das flores despencando das arvores despidas de suas folhas quando a natureza as colocava em quarentena, no estado de dormência para vegetarem no seu período de descanso preparando-se para ilustrar a primavera.

Foram com o cipó, que no passado nossos ancestrais sustentaram as estruturas de suas moradias, seus ranchos de madeiras, barreados de chão batidos cobertos de sapê. Recursos oferecidos pela natureza abrigando a dignidade humana dos matutos sertanejos.
Foi com ele que o homem do mato construiu uma diversidade de utensílio utilizada para sua sobrevivência. E na sua demonstração de fé, entrelaçou os mastros das bandeiras enfeitadas de laranjas maduras. Com sua flor ilustrou na sua haste no contraste do amarelo com as demais cores, ao aconchegante calor das fogueiras, na quermesse junina.

Ícone de inspiração a musica sertaneja: na voz de famosas duplas que tão bem o descrevem em sua musica. Raiz do nosso folclore. ”Lá no meio do cafundó onde pia triste o chororô”
Destituído de suas funções foi substituído pelo aço, o cipó cedeu lugar ao arame e os pregos.

Atualmente tanto ele como o chororô, juntas as demais espécies tentam sobreviver, entre fileiras de eucaliptos, projetados por um sistema globalizado que utilizam maquinas potentes, na ânsia louca da guerra mercantilizadas pelas multinacionais.
Os homens que antes causavam pequenos arranhões a natureza com suas ferramentas rudimentares, hoje se tornaram espectadores e vitimas desta infernal destruição.

Sem perder a ternura a flor do cipó desabrocha de forma singela. Se rastejando pisoteada pela histórica depredação que vai eternizando no tempo.Neste enigmático desabrochar, ela nos prova, que acima de tudo ainda existe um ser maior,imbatível ,criador,que tudo sabe e tudo.E vez por outra manda seu alerta,através dos terremotos e maremotos.

”Os tsunamis da história"

Por Geraldinho do Engenho - Escritor e morador do Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG

Nenhum comentário:
Faça também comentários