quinta-feira, 5 de abril de 2018

Órgão da Catedral da Sé de Mariana MG

A catedral da Sé, ou de Nossa Senhora da Assunção, em Mariana (MG), possui um tesouro musical: um órgão construído em 1701, em Hamburgo (Alemanha), por Arp Schnitger (1648-1719), um dos nomes mais respeitados na história da fabricação deste tipo de instrumento. (foto acima reprodução de vídeo - Youtube) O órgão chegou ao Brasil em 1753, como presente da Coroa portuguesa ao primeiro bispo da cidade, D. Frei Manoel da Cruz. Entre os órgãos da manufatura Schnitger que existem até hoje, este é um dos exemplares mais bem conservados e o único que se encontra fora da Europa. Todo policromado, tem 7 metros de altura por 5 metros de largura.

A produção de alta qualidade de Arp Schnitger foi exportada para vários países da Europa na época. De todas as suas obras, restam 30 no mundo inteiro, inteiras ou parcialmente conservadas, incluído o órgão de Mariana. O assentamento da peça no local coube a Manuel Francisco Lisboa, pai do escultor e arquiteto Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Desde sua instalação, o órgão foi o centro de uma intensa atividade musical na Sé de Mariana, cuja memória escrita compõe o acervo de partituras do Museu da Música, que abriga obras de compositores do período colonial. Mariana também é sede da Associação Brasileira de Organistas.

Depois da construção, o instrumento passou um longo período em Portugal, tendo sido colocado à venda em 1747. O rei D. João V adquiriu a peça do organeiro João da Cunha, a fim de enviá-lo a Mariana, mas faleceu antes. Coube a seu filho, D. José I, presenteá-lo à recém-criada Diocese de Mariana, que, já em 1748, contava com um organista em sua Sé, o padre Manuel da Costa Dantas. Há relatos do transporte do órgão, por navio e lombo de animais, feito em 18 caixões numerados com as advertências precisas para se armar e também em 10 embrulhos grandes e pequenos numerados.

O órgão é um instrumento de sopro, composto de tubos, um para cada nota musical, alimentados por um fole e acionados por um teclado, de acordo com uma definição clássica. Após longo período de uso ininterrupto, por volta da década de 1930 o órgão da Sé parou de funcionar. Somente na década de 1970, após pesquisas sobre a sua procedência e do reconhecimento de sua importância para o acervo de instrumentos musicais no Brasil e no mundo, mobilizaram-se esforços para a sua recuperação.

O organista alemão Karl Richter esteve, então, em Mariana, para fazer uma avaliação do instrumento. Os componentes musicais foram enviados a Hamburgo, para uma reforma. O móvel do órgão - estrutura interna e externa da caixa e as partes da decoração - recebeu restauração a cargo do Centro de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da Universidade Federal de Minas Gerais (Cecor-UFMG), sob a orientação de Beatriz Coelho, que também esteve na Alemanha para ajustes na parte sonora. Em 1984, finalmente, houve a inauguração com grande festa na cidade.

Embora o órgão estivesse tocando e funcionando bem, algumas características importantes que não puderam ser reconstruídas foram deixadas para uma segunda etapa, feita por iniciativa da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana. O início se deu em julho de 1997, com a visita à cidade do especialista Bernhard Edskes, e a conclusão, em fevereiro de 2002, com a entrega oficial do instrumento.

Ainda hoje, mais de 300 anos depois da sua construção, o órgão Schnitger acompanha missas e celebrações litúrgicas, além de ser apresentado em concertos regulares e internacionais. São duas apresentações semanais, sempre às sextas-feiras e aos domingos.

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