segunda-feira, 5 de março de 2018

Papai meu herói e meu espelho

Certa manhã ensolarada, meu pai muito carinhoso, levou-me na garupa de seu cavalo para um passeio pelos campos onde executava seu trabalho vistoriando o gado. Por instantes ele deteve-se na travessia de um córrego. Enquanto o animal sedento saciava-se com a água cristalina, que rolava entre as pedras. Além do cantar dos pássaros, e o murmúrio nas correntes da água, ouvia-se um barulho diferente.

- Perguntei-lhe do que se tratava. Respondeu-me:

- É a voz da natureza... Inspirando paz e tranqüilidade com seus acordes.
Para uma criança de apenas seis anos nascida no campo aquela foi uma respostas um tanto incompreensível. Mas completando, ele apontou com o indicador.

– Está vendo aquela arvore gigantesca debruçada sobre o leito do córrego? É um ingazeiro, é dele e do vento, através de suas pesadas galhadas o som que ouvimos. Faça silencio e ouça como é bela a musicalidade orquestrada pela natureza em coro com o ranger destas galhadas!

– Como sabe que é dele este barulho?

–Ora acompanhe com os olhos seu balanço impulsionado pelo vento seguido do som!

Por momentos, apurei os ouvidos, e empolgado com suas explicações, pareceu-me inebriar flutuando ao relento juntamente com a suavidade da brisa. Encantei-me com a beleza e a sinceridade de sua narrativa.

Se antes meus passeios o acompanhado pelos matos eram prazerosos, agora mais do que nunca eu os perderia. Suas viagens, sempre a cavalo, o tradicional meio de transporte da época.

Logo após voltando à noite da casa de meu avô, um dos passeios mais preferidos. A lua encantadora já vertida para o poente desenhava nossas silhuetas pela marginal da estrada. Além de um grande fascínio uma duvida me questionava. Como poderia nos acompanhar passo a passo daquela forma?

Se ela estava lá na casa de meu avô, como poderia estar também em nossa casa ao mesmo tempo? Só mais tarde comecei encontrar respostas para tantas perguntas, no enigma que o universo escondia com sua misteriosa magia. E a compreender o significado das palavras de meu pai. Naquelas remotas épocas que as crianças, acreditavam em cegonha, papai Noel e outras tantas fábulas que os pais, lhes contavam.

Tornei-me adulto e guardei com carinho aqueles momentos. Com os ensinamentos e as lendas que papai me passou, aprendi amar, respeitar, e preservar a natureza.

Ao jovem leitor deixo o meu recado: se você tem filho pequeno, leve-o a um parque de preservação ambiental, mostre a ele como é bela a natureza. Não deixe que ele envolva somente com esta avançada tecnologia, que coloca a crianças da atualidade a milhares de quilômetros luz a frente de sua realidade infantil. Com certeza ele jamais esquecerá este momento e você estará guardado em seu coração eternamente.

Por Geraldinho do Engenho - Escritor e Comerciante no Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
Imagem ilustrativa: Pintura do artista plástico José Rosário

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