sábado, 31 de março de 2018

Crendices e superstições da Canastra (parte 1)

Desde a antiguidade, benzedeiras e benzedores são associados às práticas mágico-religiosas, à manipulação das ervas e chás, aos saberes da natureza.Muito foi desmistificado, muito tem sido comprovado, muito ainda temos por descobrir. O que é certo é que seus dons nos transmitiram muito ao longo do tempo. Práticas de cura que misturavam conhecimentos naturais e fé. 

Estas pessoas ainda estão presentes de forma significativa em muitas regiões do Brasil e em nossas memórias.

Gostaria de registrar algumas, por meio de lembranças e assim valorizar de algum modo a cultura popular, poiscreioser esta, uma forma de preservarconhecimentos e grande parte deles está alicerçado na oralidade de suas rezas, saberes,alguns ameaçados pelo esquecimento.

Eu cresci rodeada por crendices e superstições. Minha avó e bisavó maternas, por exemplo, eram verdadeiras enciclopédias no assunto. Me lembro de Vó Benvinda, avó paterna benzendo assim:
PARA CURAR COBREIRO:
Pegar um ramo de arruda molhado em água benta.
Circular o ramo onde estiver o cobreiro e dizer as palavras por três vezes seguidas:
—Cobreiro bravo o que corta?
—Corta a cabeça, o meio e rabo.
—São José perguntou a Santa Maria
—Cobreiro bravo com que curaria
—Com três ramos molhados na fonte.
—Um Pai Nosso e uma Ave Maria

Depois a Vó pegava o ramo, cortava em três pedaços, embrulhava num pano branco e pendurava para secar acima do fogão ou ao sol. Em três dias a pessoa ficava curada.

Nota: Cobreiro é denominação popular do herpes-zoster ou zona-zoster, doença de pele que o povo atribui ao contato de cobra.

Texto e foto de Maria Mineira - Professora e escritora em São Roque de Minas MG
E-mail de contato:mariamineira2011@yahoo.com.br

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