domingo, 4 de março de 2018

Café da manhã


Minhas lembranças ainda tem o cheiro 
Do café que minha mãe fazia no fogão a lenha,
E dos bolinhos de chuva
Que adoçavam nossas manhãs.
As carinhas sonolentas iam aparecendo de repente,
Uma atrás da outra de contente,
Para o dia que se abria para nós... 


Éramos nove, os filhos que a minha mãe teve.
Apesar da vida tão sofrida,
Cada um era o seu tesouro,
E se dizia a mulher mais rica. 


Minha mãe agora também é lembrança,
Tão doce quanto os cheiros das manhãs
Do nosso distante tempo de criança. 


Eu só não sabia que a saudade doía tanto
E que as manhãs perderiam o cheiro
Que havia na mesa do café. 


Cada um tomou rumo na vida,
Os homens agora acordam apressados
E a mesa vazia, não tem mais bolinhos.

Maria do Rosário Bessas - Lagoa da Prata - MG

Imagem ilustrativa. Pintura do artista plástico Rui de Paula

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