sábado, 31 de março de 2018

Belo Horizonte para os íntimos

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Vivo em Belo Horizonte há quase 30 anos. Mas a cidade me acolheu há mais tempo, quando eu ainda era estudante e fazia o percurso de 55 km entre minha cidade natal – Itabirito – e a capital mineira.
Por isso, nesta postagem, vou falar de alguns locais que gosto da cidade, dentre tantos outros, que vou revelando aos poucos. Nem todos são lugares turísticos, mas são pontos de grande beleza e interesse.
Vamos começar pelo Cemitério do Bonfim. Isso mesmo. Especialmente nos meses de junho e julho, quando é costume a capital mineira se abrir em flor. É nessa época que os ipês florescem. O cemitério tem vários deles. E muito mais. As tumbas são lindas, lembranças de um passado aristocrático. Há de tudo nelas: desde as construções neoclássicas do início do século 20 até o estilo Brasília-JK. Flanar pelo cemitério, tirando a tristeza que muitas vezes o local evoca, é como se estivesse em um belo jardim. O local é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual.
Por falar em JK, ou melhor, Juscelino Kubitscheck (1902-1976), ex-prefeito da capital, governador de Minas e presidente do Brasil, num período entre os anos 1940 e 1960, é impossível não associá-lo à Pampulha, sua obra mais famosa em Belo Horizonte. Hoje, patrimônio da Humanidade, os prédios desse elegante bairro que circunda a famosa lagoa, são ícones da cidade. Um dos lugares menos conhecidos é o museu Casa JK, chamado assim por ter sido a residência do político. Ela foi projetada por Niemeyer e teve os jardins criados por Burle Marx, os mesmos nomes que projetaram a Pampulha. O interior da casa é formado por belíssimos móveis de época. A gente se sente nos meados dos anos 1950, em um estilo de mobiliário conhecido como styling ou popularmente conhecidos como pés-de-palito. Eu adoro.

A Praça da Liberdade é outro local icônico de Belo Horizonte. O antigo centro do poder (substituído recentemente pela Cidade Administrativa, também projetada por Niemeyer), a praça hoje concentra vários centros culturais nos locais das antigas secretarias de estado. Um dos mais belos locais é o Palácio da Liberdade, antiga sede do governo de Minas. 
Há poucos anos, era possível visitá-lo e conhecer sua arquitetura e sua decoração interna. Inclusive a deslumbrante escadaria de ferro belga, um de seus principais destaques. Infelizmente a visita foi proibida mais recentemente, por causa de danos em sua estrutura. Mas eu tive esta oportunidade e fiz alguns registros desse belo monumento. De qualquer maneira, a visão da fachada, das palmeiras e dos jardins já valem a pena.
Na Região do Horto Florestal, zona leste da capital mineira, existe outro ponto que eu aprecio. Trata-se do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. Trata-se de uma das mais impressionantes áreas verdes de Belo Horizonte. Lá dentro, é um paraíso para pessoas de todas as idades, pois há atrações para os estudantes (nas áreas de Arqueologia, Paleontologia, Geologia, Botânica, Zoologia, Cartografia Histórica, Etnografia, Arte Popular e Documentação Bibliográfica e Arquivística, dentre outras), há lagoa, locais para caminhadas, passeios noturnos da floresta. 
A maior atração, no entanto, é o Presépio do Pipiripau, construído desde 1906 por Raimundo Machado de Azevedo em sua casa e, posteriormente, adquirido pela UFMG e instalado no local. São 580 personagens tipicamente mineiros, movendo-se e narrando a vida de Cristo em 45 cenas. O presépio passou por uma completa restauração e está brilhando de tão bonito. As exibições têm horários previamente marcados. 
Aproveite para almoçar no local. A comidinha é deliciosa.
Encerrando essa postagem sobre Belo Horizonte (outras virão posteriormente), ressalto o crepúsculo que deu o nome à cidade desde que ela foi fundada, em 1887. É seu famoso pôr-do-sol e as profundas maravilhas formadas em seu céu que lhe deram esse nome que hoje perpetua-se diariamente ao alcance de todos os moradores e visitantes.Saiba mais em http://belohorizonte.mg.gov.br/categorias/belotur-0
Fotos e textos de Themo Lins. Escritor, cantor, jornalista e artista.

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