sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O caipira que matou um mosquito com o bilau

Chico Tó foi um lavrador que marcou a historia bom-despachense, com suas façanhas. Caipira apurado e de um de físico avantajado foi um gigante no trabalho. Serviço de oito ou dez peões esse matuto concluía em só dia. Sabedor do seu desempenho, o patrão levava a ele, boia de oito ou dez peões, encontrava o serviço concluído e ele a espera do jantar sentado no cabo da enxada. 

Estórias e historias fizeram dele um mito folclórico inigualável entre os matutos de sua era. Comeu uma banda de porco no desjejum de uma manhã, noutra bebeu uma lata de vinte litros cheia de leite com meia quarta de farinha de mandioca, e adoçado com rapadura e meia. Perguntado se aquilo não o faria mal respondeu:
--Fais é bem uai, pois ieu fico sastifeito de barriga cheia!

Morador na lagoa do peixe agregado do saudoso Dr. Miguel, com um simples pum matou uma égua. Após o ocorrido confessou que exagerou um pouquinho por ter ingerido meia panela de batata doce. E o animal que roía a terra salgada pelo xixi de suas irmãs debaixo do assoalho da casa onde residia, assustou-se batendo a nuca na quina viva do baldrame de aroeira do assoalho. Dizia que foi um fato involuntário, queria apenas calar a batucada ensurdecedora dos sapos rãs e pererecas que quase não os deixava dormir de tanta orgia, mas infelizmente não se lembrou que as éguas vinham iam fazer uma boquinha com o xixi vazado pela greta do assoalho.Se desculpou com o patrão prometendo que seria mais prudente com o escapamento de gases do seu aparelho digestivo, evitando lhe causar mais prejuízo.


Mas o fato que marcou sua vida mesmo foi à armadilha que inventou para matar mosquito e acabou se dando mal.


Os mosquitos não lhe davam sossego, um calor violento, ele cansado do trabalho se deitou num banco na cozinha esperando pela gororoba, que a mãe preparava. Como os mosquitos não lhe davam trégua, ele se levantou, e saiu fora da casa, uma nuvem de mosquitos o acompanhou.

--Ieu já tava pê da vida, fui mijá na berada da casa, mode a mãe num vê quando ieu tirei meu negóço pra fora, um montão de musquito aposô bem ali na cabeça dele. Ieu fechava ele e falava teje preso! Matava tudo duma veiz. Intonse ieu achei bão e cumecei a mata musquito quanto mais ieu matava, mais musquito vinha, ieu cumecei a ri e falano teje preso. Era só musquito morreno. Uma hora veio um danado dum marimbondo e posô, ieu falei teje preso mangango! O fiu da mãe me pregô o ferrão bem inrriba do canar da urina! Ieu sartei gritano teje sorto disgraçado... Fique mais duma semana drumino de costa. Pegá musquito desse jeito nunca mais!

Geraldinho do Engenho
Escritor e morador do Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG
Pintura do artista plástico Atacir Costa. Imagem meramente ilustrativa.

Nenhum comentário:
Faça também comentários