quinta-feira, 30 de novembro de 2017

A lenda da mulher que amamentou uma cobra

No passado, as superstições mitos e lendas criadas pelo imaginário sertanejo ganhavam certo lirismo, ao serem veiculadas de boca em boca e acabavam adquirindo credibilidade. Transformavam em as mentiras históricas que perduram por gerações.

Esse contexto sócio cultural repassado pela tradição histórica se destacou arraigado nos costumes da sociedade por longos tempos. Talvez o inexistente acesso ao conhecimento, os poucos recursos disponíveis, a falta de contato com uma sociedade mais culta, sejam os fatores responsáveis por esta hereditária situação do passado. Não havia rádio, televisão, e outros tantos bens os quais atualmente temos ao nosso alcance.

O vazio provocado pela falta de atividades culturais permitia que as lendas e mitos criados por narrativas, distorcidas se destacasse em nosso folclore.


Quando eu era criança conheci alguns personagens, envolvidos em uma lenda, sem a menor probabilidade de ser verdadeira, no entanto foi mantida por longo tempo, com atestados de veracidade narrados por uma diversidade de pessoas. Até hoje vez por outra encontramos algum idoso narrando o acontecimento.

Conta à lenda que durante vários meses, uma moradora de nossa comunidade amamentou uma cobra todas as noites sem perceber.
Chiquinha Tôco. Esposa de Juca Xavier criava seu bebê de nome Sebastião. Muito dorminhoca costumava amamentar o guri, durante o profundo sono. No decorrer do tempo notaram o menino sempre faminto, e a cada dia mais subnutrido. Época que a alimentação infantil se restringia ao aleitamento materno, e outras poucas alternativas, as quais fugiam às condições financeiras do casal. Embora carentes e analfabetos, mas cuidavam muito bem do filho.

O pai tornou-se uma figura nobre, pela arte da qual se serviu. Fabricando os utensílios domésticos, trabalhando em madeira de lei. Não havia nenhuma cozinha pela região que não fosse equipada com as gamelas, colheres, e outros similares fabricados pelo velho Xavier. Objetos, que mais tarde substituídos pelo aço industrializado.

Certa noite recolhendo mais tarde do que a esposa, Juca notou algo muito estranho na cama, quando a mulher amamentava o filho, uma enorme cobra caninana com a cauda metida na boca do bebê e sugando o leite da mãe. Assustado, sua única alternativa foi esperar a serpente se fartar do leite voltando ao seu esconderijo. Em um pote de barro na despensa da casa. Afirma a lenda que ao abater o réptil, espirrou leite até no teto da casa.
E como se não bastasse, o filho era portador de certa anormalidade no entorno da boca. Moléstia que contribuem com absurda anedota ajudando nas narrativas afirmando, serem sequelas das mamadas do menino na cauda do animal.

// Geraldinho do Engenho//
Escritor, natural do Engenho do Ribeiro, distrito de Bom Despacho MG

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