Os Melhores Doces Mineiros de 2017

O primeiro ranking da Doces de Minas, em maio de 2016, teve uma repercussão tão grande que resolvemos atualizá-lo nesse início de 2017, dessa vez participando apenas produtores de doce de leite na versão pastosa, pura tradicional, e para montar essa nova lista contamos com a ajuda dos leitores que deixaram nos comentários do último post indicações de outras marcas que também mereciam participar do concurso.

Fatores como região, clima, cultura, altitude, solo, ingredientes, tradição, espécie do gado, alimentação do gado, entre outros influenciam no sabor das produções industriais e ainda mais das produções artesanais, trazendo diferentes doces de leite com sabores particulares de cada cidade. Por toda a parte, um doce de leite diferente.

Minas por ser o maior produtor de leite do país, também responde por 50% da produção do doce de leite. Em 2016, o doce de leite mineiro reafirmou sua posição de destaque no mercado nacional. Durante o 42º Concurso Nacional de de Produtos Lácteos – realizado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig), em Juiz de Fora – os três primeiros lugares da competição que elegeu o melhor doce de leite do país foram mineiros: Viçosa, Dom Coimbra e Boreal. Só o Viçosa já levou o prêmio 9 vezes, sendo na última edição sua quinta vez consecutiva.

A degustação tem muito a ver com saber o vocabulário, e ser capaz de expressar, usando este vocabulário, para outros degustadores o que você está experimentando. Neste post, separei para análise 20 marcas de doce de leite de diversas regiões de Minas, e escolhi as 10 melhores, aqueles que mais lembram aquele “gostinho do fogão a lenha na fazenda”.

Mas quais serão os melhores por estas bandas?
Quer seja pastoso, sólido, mole ou duro (cortado em tabletes), a receita básica do doce de leite é sempre a mesma: o leite é fervido com açúcar até que fique espesso e caramelizado.

Mas durante a avaliação procurei saber quais ingredientes são usados por cada produtor: se ele usa aromatizantes naturais tipo baunilha, vanilina; se acrescenta amido de milho, que da cremosidade na consistência, mas em exagero perde no sabor e vai virando um doce de leite para confeitaria, mais estético do que saboroso; se ele usa fermento em pó para deixá-lo mais liso e uniforme; ou acrescenta bicarbonato de sódio para reduzir a acidez.

Na degustação é onde percebemos se a textura é mais pastosa firme ou líquida, se possui cristais de açúcar (que da um aspecto horrível como se fosse doce de areia), se está exageradamente doce, enjoativo, resumindo, se tem aquele gostinho do doce de leite da fazenda ou apenas uma combinação de ingredientes químicos industriais de sabores esquisitos que escondem o verdadeiro sabor do doce de leite caseiro.

As principais características avaliadas foram:
→ cor
→ textura
→ sabor
→ ingredientes
→ rótulo e embalagem

Para ajudar a selecionar as melhores marcas que iriam para a degustação desse ranking, antes de tudo a Doces de Minas promoveu uma enquete popular na internet durante 1 mês. Pedimos para as pessoas votarem em qual sua marca favorita, a enquete teve participação de 4.137 votos, e o resultado dos 10 mais votados você encontra aqui nesse outro post. Agora vamos ver como ficou o ranking final, após a degustação das melhores marcas:

10. Reserva de Minas
O grande sucesso da marca, o doce de leite de Nata Suíça vem lá do extremo sul de Minas, na cidade de Machado, e conhecê-lo continua uma obrigação. Feito com 50% mais leite e 50% menos açúcar do que o normal, isso o deixa com sabor mais suave, a textura também muda para um pastoso com algumas partes macias, parecido com o doce de leite natado talhado, com a cor branquinha quase como o leite. Mesmo depois de várias colheradas ele não fica enjoativo. Usam apenas 4 ingredientes também nessa receita familiar.

9. Vimilk
O Vimilk já conseguiu desbancar o doce de leite Viçosa em 2010, quando levou o primeiro lugar na 36ª edição do Concurso Nacional de Produtos Lácteos. É daquele estilo doce de leite clarinho, sabor da fazenda, ótimo para acompanhar um pudim de leite condensado.
É feito na cidade de Perdões, sul de Minas, além do leite e açúcar também leva apenas mais 2 ingredientes. Tem um cheirinho gostoso de leite, a textura é pastosa cremosa e sem cristais de açúcar.

8. Aviação
Continua com a embalagem mais bonita de todas, uma compotinha de vidro arredondada, exclusiva, personalizada em relevo, bastante simpática, já conquistou inclusive um Premio Grandes Cases de Embalagem em 2012.
De coloração bege clara, textura suave bem líquida a ponto do doce ficar escorrendo pela colher que nem um molho, por isso fica melhor depois de passar algumas horas na geladeira para engrossar um pouco. Tem um sabor levemente caramelizado. Entre os ingredientes tem um pouco de amido de milho, por isso essa textura tão lisa. Tem forte presença nos melhores supermercados de Beagá e grandes lojas de beira de estrada. É fabricado no sul de Minas na cidade de São Sebastião do Paraíso.

7. Prime
Não é muito o estilo do doce de leite mineiro, apesar de no rótulo dizer que é de Araxá, seu sabor parece ir mais para o lado dos argentinos e uruguaios, com aquele doce de leite mais escuro com aroma e sabor de baunilha, chocolate e caramelo. Para quem gosta desse estilo, esse marca é bem recente no mercado e vale a pena experimentar.
Como se ve na foto, a marca vende separadamente umas casquinhas comestíveis tipo de sorvete para rechear com o doce de leite, uma estratégia bem criativa pra melhorar sua experiência.
A textura é bem lisinha sem cristais de açúcar, não é enjoativo nem muito doce. A embalagem plástica é bem prática com tampa de rosca.

6. Majestic
Feito no sul de Minas, na cidade de Alfenas, o Majestic é uma das marcas mais antigas dessa lista com 40 anos, atualmente administrada pelo neto do fundador, a empresa ruma à quarta geração da família.
Comentam por aí que é o doce de leite favorito do Rogério Flausino e Wilson Sideral da banda Jota Quest, que também são de Alfenas.
Sua cor é bege clarinha, tem uma textura lisa sem perceber nenhum cristal de açúcar. É um doce de leite suave, fica ótimo com queijo frescal ou um pudim de leite condensado geladinho.
A lata tem um rótulo vintage de 40 anos atrás, e uma cor “amarelão radioativo” que chama atenção nas prateleiras. Senti muita falta da tampinha de plástico avulsa que as latas do doce de leite Boreal, Viçosa e o Senador já possuem e que permite tampar a lata para guardar na geladeira depois de abri-la pela primeira vez, mas segundo os produtores, não vem a tampinha justamente para que o produto seja colocado em outro recipiente de plástico ou vidro para ser armazenado na geladeira, pois as latas enferrujam e alteram o sabor do produto.

5. Senador

É daqueles tipos mais escuros de doce de leite, você percebe não só pela cor mas o sabor também revela um tempo a mais no tacho que caracteriza o Senador. É fabricado em Senador Firmino, na Zona da Mata Mineira. O sabor é bem cremoso, textura suave, macia, consistente, delicioso, e sem cristais de açúcar. A lata tem rótulo tradicional estilo vintage, de 45 anos atrás desde que começaram a produção. Nos ingredientes levam apenas leite, açúcar e bicarbonato de sódio, é um dos “puristas” de 3 ingredientes que mantém o mínimo possível além do leite e açúcar. Recomendo muito, faz justiça ao slogan da empresa “Servir com Qualidade”.

4. Boreal
Esse surpreendeu, e muito, para melhor. Os produtores de Rio Pomba trabalharam muito esse último ano de 2016 e deixaram o Boreal entre os 4 melhores doces de leite de Minas. Na última edição do Concurso Nacional de de Produtos Lácteos – realizado pela Epamig, o Boreal emplacou um terceiro lugar ficando atrás apenas dos mineiros Viçosa e o novato Dom Coimbra, mas a frente de todas as outras marcas.
Fica irresistível na sobremesa com uma fatia de queijo minas frescal, o pudim de leite condensado ou com uma colher de goiabada cascão cremosa. Não é enjoativo, parece que possui pouco açúcar e a textura lisa sem nenhum cristal. Leva apenas 4 ingredientes, e tem a validade mais rápida dessa lista, de apenas 4 meses.
A embalagem continua a mesma de sempre com seu mascote polar, o próximo passo da marca poderia ser um leve redesign no rótulo, mas mantendo o aspecto vintage, e melhoria na qualidade do papel.

3. Viçosa
O Viçosa não ficar em primeiro lugar dessa vez na lista é como o Messi perder a bola de ouro de melhor jogador do ano para o Cristiano Ronaldo no mundo do futebol: você pode não concordar, mas respeita a decisão.
Não temos nada de mal para falar do Viçosa, ele continua com a qualidade impressionante de sempre, mantendo um padrão impecável de qualidade (não dê ouvidos as algumas pessoas que dizem que ele perdeu qualidade com o aumento da produção e da demanda). Basta abrir uma lata Viçosa e na primeira colherada você entende o que todos falam sinceramente dele, um doce de leite com sabor único, com uma cremosidade impressionante, um autêntico doce de leite mineiro da fazenda baseado em receitas tradicionais e aperfeiçoada com estudos da Universidade Federal de Viçosa.
Seu sabor é difícil descrever, não é muito doce e tem um leve toque de caramelo no paladar que marca sua fama. Leva apenas 4 ingredientes e também é uma das marcas mais calóricas, com 72 kcal cada porção com 20g.
Nasceu na Universidade Federal de Viçosa – UFV em 1980, um berço que lhe forneceu todo aparato tecnológico e acadêmico para atingir essa receita de hoje. É o único com o status de “lenda” no Brasil graças a liderança disparada nas premiações anuais em concursos especializados de laticínios, ja são 9 prêmios de melhor doce de leite do Brasil, nenhuma marca chega nem perto disso. Há quem diga que outras marcas de doce de leite mineiros também poderiam ter ganhado os prêmios, porém elas simplesmente não se inscreveram nos concursos por falta de conhecimento, valorização do marketing, ou não entendem a importância do concurso anual da Epamig.
Ele não é facilmente encontrado em supermercados nem de Belo Horizonte, mas no Mercado Central e no site da 
Doces de Minas  sempre se encontra. A fábrica tem um pouco de dificuldade em atender toda a demanda do mercado, mas a última notícia que tive é que foi inaugurado uma nova unidade que aumentou muito sua capacidade de produção mantendo sua qualidade de sempre.

2. Rocca
Essa é aquela marca que você pode levar sem medo, seja pra consumo próprio ou presentear. É um autêntico doce de leite mineiro, “direto da fazenda” de Pouso Alegre com gostinho da colher de pau no tacho e aquela tarde calorosa e aconchegante na beira do fogão a lenha. Uma marca ainda nova no mercado, com 2 anos de existência e já conquistaram o prêmio de “Expressão de Minas” da Rede Alterosa SBT, colocando a marca entre as 30 empresas de maior destaque no ano de 2015.
A receita é familiar e tradicional da roça, sem conservantes, com produção quase toda artesanal e com todo o leite vindo do próprio gado da fazenda, um diferencial muito importante pra preservar os padrões de qualidade e garantir matéria prima vinda de animais bem tratados eticamente.
Tem a grande vantagem da produção ser mais caseira, em menor escala, com um impecável controle de qualidade de perto. Usam apenas 4 ingredientes. Assim como o Viçosa lidera a lista de calorias, com 80kcal… “tudo que eu gosto é ilegal, é imoral ou engorda”.
1. Sabores do Grama
Fabricado por um grupo de doceiras na cidadezinha Santo Antonio do Grama, próximo a Ponte Nova, na Zona da Mata, elas se uniram e criaram uma associação de produtoras para produzir o doce de leite artesanal Sabores do Grama. A decoração da compota tem o tecido de chita na tampa, que fica muito ao estilo doce caseiro da vovó, ótimo para presentear. Toda matéria prima de frutas e leite é cultivada por eles próprios e usada fresca nas receitas.
A textura é consistente, bem firme, ele e o Rocca foram as duas marcas mais artesanais que consegui identificar na degustação. Talvez pela pequena produção comparada aos grandes e mais antigos do mercado, eles conseguem ter uma qualidade bem caseira, sem conservantes, e cuidadosa nos detalhes. Foi muito difícil escolher entre os dois, o critério de desempate acabou sendo apenas pelo fato do Sabores do Grama usar apenas 3 ingredientes, minimalismo quase absoluto na receita, mas o Rocca pode dar as mãos com ele e ficarem aqui lado a lado.

FIM
Gostou? Vale dizer que esta é só a nossa lista de doces de leite preferidos. Minas Gerais tem uma infinidade de receitas caseiras diferentes e deliciosas que ficaram de fora da nossa lista. Mais do que conhecer cada marca nesta lista, encorajo muito vocês a explorarem as casas do interior mineiro e montar uma lista pessoal de vocês. Desconfie daquele doce de leite baratinho na prateleira do supermercado, pode ser uma bomba de grãos de açúcar em uma calda de conservantes e ingredientes químicos de sabores de mentira e prejudiciais a saúde. E se você descobrir algo imperdível, não deixe de contar pra gente aqui.

A Doces de Minas.com (e a Conheça Minas, que está reproduzindo a pesquisa) agradece a todas as pessoas que participaram da Votação Popular e a todos os produtores que fizeram jus a estar nessa eclética, diversa e democrática lista de maravilhas da produção mineira!


Matéria do site Doces de Minas - Confira o link original
http://docesdeminas.com/os-10-doces-de-leite-mineiros-para-experimentar-antes-de-morrer/

4 comentários:

  1. Gostaria de saber se o doce Sabores do Grama foi eleito novamente em 2017 como o melhor de Minas ou vcs só reproduziram a outra pagina de 2016?

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    1. A votação foi no final de 2016 e divulgada em 2017. Válida até nova votação e divulgação do resultado.

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    2. Está no fim da matéria, em azul.

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  2. Algo estranho nestes textos, notadamente em relação ao texto do Rocca e do Sabores do Grama. Quando falam do Rocca dizem que ele não tem conservantes. No texto do Sabores do Grama falam que ele desbancou o Rocca por usar apenas 3 ingredientes. Qual seria este ingrediente a mais que o Rocca tem? No site Doces de MInas, à época do divulgação do resultado, foram claro em dizer que o Rocca tem como quarto ingrediente o SORBATO DE POTÁSSIO, que é conservante... E aí???

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