10 Doces de Leite Mineiros para experimentar antes de morrer

Impossível pensar em Minas e não lembrar do doce de leite. O Estado é a principal referência nacional do doce, e, entre muitos fabricantes profissionais ou amadores, existem alguns que realmente amam o que produzem, usando ingredientes naturais de alta qualidade, sem tentar enganar o consumidor. Seja para comer puro de colher, com queijo, goiabada ou no recheio de canudinhos, biscoitos, bolos, cupcakes, prefira sempre um doce de leite de qualidade, quanto mais sabor artesanal da fazenda, melhor.

Apesar do doce de leite ser feito basicamente de leite e açúcar, costuma-se colocar um pouquinho de bicarbonato de sódio também, para reduzir a acidez e evitar a coagulação do leite, mas bem pouquinho mesmo porque em excesso ele altera o sabor e vai escurecendo a coloração. Quando inventam de acrescentar nos ingredientes espessante amido de milho, antiumectante, glucose de milho, sal, sorbato de potássio, cloreto de sódio, lactose, entre outros, o doce de leite vai perdendo cada vez mais a sua característica caseira tradicional, daquele doce feito na fazenda no fogão a lenha, e se transformando mais em um produto artificial com sabores de mentira, baixa qualidade e prejudiciais a saúde.

Pode-se dizer que o doce de leite é o doce mais típico da América Latina, quase todos os países tem uma versão do seu com sabores bem variados. Essa é uma seleção imparcial de alguns doces de leite mineiros, sem intenção de fazer propaganda de nenhuma marca, apenas uma sincera opinião baseada na análise sensorial degustativa e na opinião popular.


10. Boreal

Procurei por todo o Mercado Central de BH para achar o doce de leite Boreal, que é produzido na cidade de Rio Pomba. Não temos dele pra vender aqui na Doce de Minas, mas pela fama que tem por aí era preciso experimentá-lo pra escrever este texto. Encontrei finalmente na loja Comercial Sabiá, dentro do Mercado, onde foi muito bem recomendado pelo vendedor que disse até que ele era melhor do que o Viçosa. (sic)

A embalagem em lata tem um rótulo bem simples, não é uma lata bonita pra ser escolhido nas prateleiras a não ser se for indicada por amigos ou pelo vendedor. Olhado pelo lado bom tem um lado bem vintage de um design de décadas atrás.

Ao provar achei o doce saboroso, não é enjoativo, não é muito doce, tem uma coloração mais clarinha (o que pode ser pelo uso excessivo de açúcar na receita), maaaaasssssss (!) senti muitos grãos de açúcar cristal na textura do doce, que vão estralando entre os dentes e isso é um pecado capital pra um doce de leite, acaba com a experiência, infração gravíssima e perda de 7 pts na carteira. Por isso desculpe Boreal, mas não compraria você novamente.

Ingredientes descritos na embalagem: Leite, Açúcar, Antiumectante e Bicarbonato de Sódio.

9. Aviação

A compotinha de vidro mais bonita de todas, arredondada, exclusiva, personalizada em relevo, bastante simpática, já conquistou inclusive um prêmio Grandes Cases de Embalagem em 2012.

A Aviação é famosa por fabricar uma manteiga sensacional, e o seu doce de leite não deixa a desejar, é gostoso e bem famoso. De coloração bem clarinha, textura suave bem cremosa, bem líquido a ponto do doce ficar escorrendo pela colher que nem um molho, por isso fica melhor depois de passar algumas horas na geladeira engrossando mais. É fabricado no sul de Minas na cidade de São Sebastião do Paraíso.

É um doce que quem experimenta vai lembrar dele para sempre por ter um sabor e textura bem originais, vale a pena experimentar e geralmente é encontrado em grandes supermercados.

8. Reserva de Minas

Outro doce de leite fabricado no sul de Minas, na cidade de Machado, o grande diferencial da Reserva de Minas é a grande variedade de opções: são mais de 20 sabores variados com frutas, castanhas ou chocolate. Suas compotas em vidro vem com as tampas decoradas com tecido colorido de xita, uma decoração que virou marca registrada da RM ao longo de vários anos a diferenciando de todas as outras marcas nas prateleiras de lojas. Um marketing muito bem feito.

Agora o grande sucesso da marca é o Doce de Leite de Nata Suíca, um nome que batizaram a receita familiar própria, que usa muito mais leite e 50% menos açúcar do que a receita do doce de leite tradicional. O doce fica com sabor mais suave, a textura também muda e a cor fica branca. O sabor é delicioso, algo nunca experimentado antes, quem ainda não provou precisa definitivamente conhecer uma vez na vida a Nata Suíça da Reserva de Minas, de preferência a compota que é feita com nozes, o nosso preferido e o mais vendido da loja. Para os que não gostam de muito açúcar provavelmente irão gostar muito dele.

7. Ramalho

O doce de leite do Ramalho é vendido em barras, pra comer em fatias. Bem macio, assim que você come ele desmancha totalmente na boca. Vale a pena experimentar, é um excelente exemplar do Vale do Aço, de Ipatinga, ja consolidado nas lojas do Mercado Central de BH.

A versão tradicional é nossa favorita, mas precisa ser consumida devagarinho durante os dias porque se for exageradamente pode ficar enjoativo.

6. Na Palha

Com uma embalagem muito simpática na palha de bananeira, tudo é feito bem artesanal, rústico, da roça mesmo, excelente pra espalhar dentro de cestas e kits de presente. Para manter o doce seguro e limpo dentro da palha ainda tem uma camada de plástico para isolar ele do meio externo.

A textura é firme, é praticamente um pedacinho de doce de leite em barra, macio, coloração bem escura com sabor torrado de um doce que propositalmente passou um pouco do ponto pra ficar levemente queimado, e muito gostoso. É feito em Belo Horizonte mesmo, preservando as origens do velho Curral del Rei.

5. Sabores do Grama


Fabricado por um grupo de doceiras na cidadezinha Santo Antonio do Grama, próximo a Ponte Nova, na Zona da Mata, elas se uniram e criaram uma associação de produtoras. A decoração da compota tem o tecido de chita na tampa, assim como a Reserva de Minas, e fica ótimo para presentes.

A textura é consistente, bem firme tipo uma massinha, mas muito lisa e da até gosto de não perceber nenhum grãozinho de açúcar sequer. O sabor não exagera no doce, mas também não é suave, fica no meio termo. O nosso preferido é a versão com morango, que é feito da própria polpa natural da fruta, sem conservantes e nem aromatizantes artificiais ou aditivos químicos. A coloração é bege escura. Toda matéria prima de frutas e leite é cultivada por eles próprios e usada fresca nas receitas.

4. Nata do Talhado

Nesse ponto resolvemos parar em alguma loja do Mercado Central pra procurar algo que combine com doce de leite, e foi aí que achamos uma nova padaria, recém inaugurada chamada Du Paim com uns croissants quase saindo do forno. Vale a pena a visita lá por causa da decoração e pelos pães fresquinhos artesanais saindo de hora em hora.

O doce de leite natado talhado tem um diferencial no início da receita que é talhar o leite com um pouco de limão antes de colocar o açúcar no tacho fervendo. Assim ele fica com textura bem parecida com a ambrosia, porém mais pastoso e sem levar ovo na receita. O rótulo na embalagem está um pouco estranho, a tabela nutricional não contém nem uma miligrama de sódio, apesar dos ingredientes dizer que leva bicabornato de sódio, e não diz que leva limão, vinagre, ou algo que faz o leite talhar… mas… vamos lá…. continuando.

Seu sabor não é muito doce e não é nem um pouco enjoativo. Fica muito suave, mais que o doce de leite tradicional. Muito recomendado para quem gosta de doce de leite mais suave no açúcar, como o Nata Suíça da Reserva de Minas.

Tem uma textura cremosa com pedacinhos macios que parecem queimados do fundo do tacho, mas é o leite talhado. Ela faz o doce ficar bem menos enjoativo e combina muito bem com um queijinho depois do almoço. Esse fabricante é muito tradicional em Minas, com mais de 30 anos no mercado, vem la de São Joaquim de Bicas, na região metropolitana de BH. A lata é um pouco difícil de abrir, não acompanha a tampinha de plástico para tampar depois de aberta, mas no fim vale a pena o sacrifício.

Seu ingrediente infelizmente leva amido de milho na receita, tática usada pra render mais o produto e não precisar usar tanto leite integral, também fazendo perder características organolepticas: Infração média com perca de 4pts na carteira. Ainda assim recomendo experimenta-lo por ser bem diferente e gostoso, ninguém deve viver uma vida inteira sem provar ele pelo menos uma vez.

3. Senador

Muito parecido com o Viçosa, porém com a cor mais escura queimada e é fabricado em Senador Firmino, na Zona da Mata Mineira. O sabor é bem cremoso, textura suave, macia, consistente, delicioso. A embalagem é bem simples assim como o Boreal, estilo vintage, porém o sabor é muito mais gostoso.

Sinceramente confesso ter me surpreendido muito, não esperava tanto de uma lata simples com cara de doce de leite industrial de supermercado. Eles já atuam no mercado há 45 anos, um dos fabricantes mais tradicionais e antigos desta lista. Altamente recomendado, faz justiça ao slogan da empresa “Servir com Qualidade” e pode ser facilmente uma opção alternativa para o Doce de Leite Viçosa pois ambos se parecem muito, porém o Senador costuma ser mais barato.

Nos ingredientes levam apenas leite, açúcar e bicarbonato de sódio.

2. Rocca

O Rocca vem da área rural de Pouso Alegre, no sul de Minas, e é o mais novo integrante do mercado dos doces mineiros dessa lista. Com pouco mais de 1 ano de vida já conquistou o prêmio “Expressão de Minas” da Rede Alterosa SBT, colocando a marca entre as 30 empresas de maior destaque no ano de 2015.

A receita é familiar e tradicional da roça, sem conservantes, com produção quase toda artesanal e com todo o leite vindo do próprio gado da fazenda, um diferencial muito importante pra preservar os padrões de qualidade e garantir matéria prima vinda de animais bem tratados eticamente.

Costuma ter presença marcante em eventos gastronômicos de Minas e feiras que valorizam os produtores regionais, como a  Aproxima. A embalagem é muito simpática, rótulo de bom gosto, página no Facebook muito ativa com notícias e compartilhando fotos que os clientes e parceiros fornecedores postam. Estão a frente de todas as outras marcas no bom gosto e estratégia da propaganda.

O sabor é cremoso e a textura bem macia, percebe-se na hora que é um doce de leite artesanal, fabricado com ingredientes de qualidade. Diria que é bem parecido com o Viçosa, mas é um pouco mais suave, com coloração não tão escura e tem a grande vantagem da produção ser mais caseira, em menor escala, o que da um sabor mais natural do doce de leite.

Aqui na loja você encontra todos os sabores que a Rocca produz em compotas de 420g: Doce de Leite Tradicional, com Coco, Maracujá e o nosso preferido: com Café.

Tem também a versão em mini compotinhas de 50g, ótimas para montar uma cesta com mais itens ou presentear várias pessoas.

1. Viçosa

De todas as marcas é o preferido no popular, campeão de vendas, o mais premiado, com maior destaque na imprensa e aquele que todo mundo que vem pra Minas pergunta primeiro nas lojas: “tem o Viçosa?”. Ao mesmo tempo sua responsabilidade é a maior de todas as outras marcas para o novo consumidor: será que ele vai atender a enorme expectativa?!

Nasceu na Universidade Federal de Viçosa – UFV em 1980, um berço que lhe forneceu todo aparato tecnológico e acadêmico para atingir essa receita de hoje. É o único com o status de “lenda” no Brasil graças a liderança disparada nas premiações anuais em concursos especializados de laticínios, ja são 8 prêmios de melhor doce de leite do Brasil, nenhuma marca chega nem perto disso. Há quem diga que outras marcas de doce de leite mineiros também poderiam ter ganhado os prêmios, porém elas simplesmente não se inscreveram nos concursos por falta de conhecimento, valorização do marketing, ou não entendem a importância dos rankings especializados de qualidade.

Ele não é facilmente encontrado em supermercados, mas no Mercado Central e na Doces de Minas sempre tem. A fábrica tem dificuldades em atender toda a demanda do mercado, não esperavam que o doce de leite Viçosa ficasse tão famoso em tão pouco tempo, e a última notícia que tive é que está quase terminando de construir uma nova fábrica que vai ampliar muito a capacidade de produção, então em breve ele deve estar em tudo quanto é lugar, só espero que mantenha sua qualidade!

Mas vamos falar do sabor! 
Suas principais características é um sabor bem cremoso, uma textura muito macia. Sua produção não tem mistura de amido ou glicose de milho, e toda a produção é feita com 100% de leite de gado selecionado. Sua cor é mais escura “queimada”, similar ao Havana argentino e ao Lapataia Uruguaio, porém mais clarinho e não leva baunilha. Como falamos neste post, a cor do doce de leite é uma característica importante pra ser observada porque pode dizer se o produtor exagera no açúcar durante o preparo, já que em excesso é um dos fatores que vai deixando o doce de leite cada vez mais claro.

Merece todos os méritos e recomendações, e olha que não é fácil estar no topo da lista dos doces de leite de Minas porque aqui é a especialidade de todas as famílias tradicionais no interior. Assim como a cachaça brasileira tem a lenda Havana, de Salinas, o doce de leite tem o Viçosa, de Viçosa.

É vendido nos sabores natural, com coco ou com chocolate, em potes de 400g, e latas de 250g (que nunca vi em nenhum lugar de BH) e 800g. Encontrado com muita facilidade no Mercado Central de BH, e aqui no site você pode compra-lo em pote ou lata.

Ingredientes descritos na embalagem: Leite, Açúcar, Bicarbonato de Sódio e Sorbato de Potássio.


PESQUISA FEITA EM MAIO DE 2016.                              Informações sobre os compra dos doces estão no site da Doce de Minas. Veja o link original 

13 comentários:

  1. Faltou o Itambé! Até hoje o melhor que já provei!

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  2. Rocca ganhou meu paladar!! Tô apaixonada, e nem sou doceira. Comprei acidentalmente o potinho de 50 gr... Agora quero todos!

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  3. Luciana Alves... se vc acha o itambé melhor deve ser por nao ter experimentado o Viçosa. Não tem comparação. Quanto ao Senador ser muito parecido com o Viçosa ocorre por que um dos donos é professor do departamento de alimentos da UFV... logo, sabe bem o segredo! Mas a verdade é que não há nada demais no doce viçosa, a não ser pelo fato de ser puro. Essa é a grande diferença. A maioria dos doces do mercado tem maior teor de açucar, algumas gomas e espessantes pra engrossar mais rápido, aumentando o rendimento e diminuindo custos. O viçosa não... assim, o segredo é que não tem segredo!!!

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  4. Faltou o doce de leite de capitolio. Maravilhoso! Como sou mineira tenho o costume de experimentar doce de leite de marcas diferentes. O da boreal é muito bom. Maso de capitólio é imbatível! Experimentem!!!

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  5. Pra mim faltou nesta lista o majestic de Alfenas, pra mim está dentre os 5 melhores de Minas

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  6. Cada um de nos tem o paladar diferente,já experimentei os da Patagonia e da Argentina e mudam de pessoa pra pessoa, sou fã ardorosa deste doce e ficarei feliz com qualquer um deles!!Aceito como presente!

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  7. Galera, experimentei um doce de uma senhora feito em bichinho, distrito de tiradentes, o melhor doce de leite do mundo, comprei na época 25 potes todas as pessoas presenteadas deram nota 1000.

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  8. Acho que tinham que fazer a lista dos "20 melhores de Minas".
    10 é pouco.

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  9. Faltou o Doce de Leite Vimilk de Perdões, já foi premiado diversas vezes em concursos do gênero.

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  10. Faltou o Majestic de Alfenas ,pra mim um dos melhores !

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  11. Aviação delicioso,e faltou o da Cooperativa de Patos de Minas, maravilhoso !!!

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  12. CONCORDO DO VIÇOSA SER O PRIMEIRO, MAS TB TALVEZ SEJA O MAIS CARO. NA REDE BAHAMAS EM JUIZ DE FORA A LATA SAI POR 23,00 REAIS.

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