Queijos são maturados dentro de caverna em Minas Gerais

Tradição que começou no século passado é mantida até hoje por funcionários do Santuário de Nossa Senhora da Piedade. A altitude, os fungos, o clima e a umidade, específicos da região, deixam o alimento com um sabor particular.
Queijo de Caverna. Foto: Reprodução de TV/Terra de Minas - Rede Globo Minas
Minas Gerais guarda entre suas montanhas um lugar curioso para a produção de uma das mais famosas iguarias do estado. Em Caeté, a 35km de Belo Horizonte, no santuário de Nossa Senhora da Piedade, queijos são maturados dentro de uma caverna.

E tudo começou ainda no século 20, quando o Frei Rosário, reitor do santuário por mais de 50 anos, amante de queijos, maturava as peças que comprava dentro da caverna a 1.746 metros de altitude.

Segundo a história, Frei Rosário gostava de se retirar por alguns dias para estudar dentro da caverna, em uma ocasião esqueceu alguns queijos e dias depois, quando voltou, percebeu que o local era perfeito para maturação. O religioso gostava de servir o queijo aos visitantes, entre eles, autoridades e políticos.

Frei Rosário morreu há dez anos, mas a prática segue viva por meio das mãos dos funcionários do santuário.

Queijos são maturados dentro de caverna em Minas Gerais. Crédito: Bárbara Vasconcelos/CBN
O pró-reitor do local, Padre Carlos Antônio da Silva, afirma que o queijo é um protagonista dos relacionamentos humanos. ‘Creio eu que tem muito a ligação a religiosidade e o queijo Frei Rosário com o sentido de mesa, pessoas, qualificação da vida. A arte de conviver a partir do saborear, aqui podemos dizer, o queijo do frei.’

O queijo chega fresco, produzido artesanalmente na região da serra da Canastra, e depois passa 60 dias sendo curado na caverna. No local são mais de 45 culturas variadas de fungos. E na opinião de Alair Silva, funcionário do santuário há mais de 20 anos, os fungos aliados ao clima, umidade e altitude deixam o sabor intenso. A rotina de trabalho, Alair sabe de cor. ‘Venho todos os dias, troco os panos, passo vinagre na madeira e tenho que virar o queijo todos os dias, para ele curar dos dois lados e não só na parte de cima. O Vinagre a gente passa para tirar um pouco os fungos, não pode deixar em excesso.’

A aparência não é tão atraente: um queijo, com 60 dias de maturação, tem uma casca grossa, rugosa, mas por dentro é macio, picante na medida e ligeiramente ácido. E o queijo já ganhou fama. Franceses e italianos são os fregueses internacionais mais fiéis. Rosa Bambrilla é italiana, e é uma dessas clientes assíduas. Ela diz que quando come o queijo Frei, ela retorna a lembranças da Itália. ‘Quando eu experimentei, me correspondeu até a alma. Eu morava perto de uma montanha, ai lembra a mãe da gente. Ele é firme porque tem uma casca e ao mesmo tempo é cremoso. Quando uma coisa boa corresponde até à alma.’

O quilo do queijo custa R$ 47,90 (sujeito a alteraçôes). E mesmo em tempos de crise, atualmente, cerca de cem pessoas aguardam na lista de espera para comprar uma peça. Tem gente esperando há seis meses. O santuário pretende, num futuro próximo, ampliar a maturação das peças para dar conta da demanda.


Fonte:http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/pais/2016/03/12/QUEIJOS-SAO-MATURADOS-DENTRO-DE-CAVERNA-EM-MINAS-GERAIS.htm

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