quinta-feira, 20 de julho de 2017

O queijo maturado nas nuvens. Sim, fazemos queijo nas nuvens também!

A tradição de desenvolver queijos em mosteiros não é exclusividade da Europa. Aqui temos um exemplo dessa arte no santuário de Nossa Senhora da Piedade, localizado na Serra da Piedade em uma altitude de quase 1800 metros, na cidade de Caeté, a 48 km de Belo Horizonte.
Serra da Piedade em Caeté MG. É da Serra que é maturado o queijo das nuvens também chamado de Queijo de Caverna.
Extraído do site:https://www.rotasale.com.br/blog/detalhe/173
Essa história começou há muitos anos quando o frei Rosário Jofylly servia a seus visitantes, entre eles autoridades e políticos como Tancredo Neves, vinho e um queijo que o próprio padre maturava em uma espécie de cave que fica na encosta da ermida. Frei Rosário faleceu há 10 anos, mas a procura pelo queijo continuou.

Até que o Altair, funcionário da igreja, resolveu continuar a tradição. “ O frei gostava muito desse queijo, eu o ajudava a cuidar de tudo e aprendi como fazer. As pessoas que conheciam, sempre perguntavam quando iria ter o queijo de novo, por isso decidimos voltar a fazer”, conta Altair.

Altair, orgulhoso, exibe o queijo maturado por ele
 Não julgue pela aparência
Não é atoa que muitas pessoas insistiram em sua volta. O queijo da Serra da Piedade é único. Sua aparência não é nada atraente: a casca é grossa, rugosa e meio repugnante; mas o sabor…Ah! O sabor é di.vi.no! De comer rezando! Extremante macio, picante na medida certa e ligeiramente ácido, é o tipo de queijo que faz a gente dar umas fujidinhas furtivas na cozinha para comer só mais um pedacinho.

Aqui em casa todo mundo adorou o queijo, meu irmão Bruno declarou que foi o melhor queijo que ele já comeu na vida. Minha cunhada também gostou, mas quando expliquei o que havia na casca…

Como se faz um queijo nas nuvens
O queijo é feito a partir do queijo da Serra do Salitre. Um fornecedor entrega o produto ainda jovem e em Caeté é feita a cura que confere a este características ímpares, completamente distintas do original.

O processo é bem simples. O segredo está no clima e na microflora e microfauna da localidade. Por causa da altitude, a região está, a maior parte do tempo, envolta por uma tênue neblina, ou até mesmo entre ou sobre as nuvens.
O queijo fica 60 dias em um cômodo rústico construído embaixo de uma grande pedra. Todas as manhãs as prateleiras são limpas com vinagre e os panos sobre elas são trocados. Durante esse tempo o queijo nunca é lavado. Deixa-se formar uma “casca natural” composta principalmente por fungos.

No final do período de cura, quando a casca torna-se mais dura surge uma “poeirinha”, que segundo Altair é o sinal de que o queijo está no ponto. Essa “poerinha” é o que chamamos, na linguagem técnica, de punilha, uma espécie de ácaro que pode trazer muitos problemas para a produção em escala industrial, mas em alguns tipos de queijo artesanal a presença dela é desejada como no caso do francês mimolette e do exótico milbenkäse alemão. Suas enzimas auxiliam na formação do sabor e da aparência desses queijos.
Fonte:https://oquedoqueijo.com/2013/08/12/o-queijo-maturado-nas-nuvens/

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