domingo, 14 de maio de 2017

Biscoito de Polvilho assado no Forno de Barro


Fotografia de  Nilza Leonel em São José do Barreiro, São Roque de Minas.
O Globo Rural visitou uma cidade mineira que vive do polvilho azedo. O processo é trabalhoso, artesanal. De lá vem uma receita de biscoito de polvilho, assado em forno de barro. Cidade Conceição dos Ouros, exibido em 2/11/2008. Link no fim da receita.

"Bem quem vai fazer o célebre biscoitinho de polvilho é uma quituteira que nos foi apresentada de um jeito que já diz tudo: “dona Filomena Mão de Ouro”.

Fotografia de Nilza Leonel em São José do Barreiro, distrito de São Roque de MInas
A fama está correndo deste lado da Mantiqueira. “Acho que é o dom de cada um”, responde Dona Filomena.

Além do polvilho, os ingredientes são: água, sal, leite e ovo e óleo. Para dois quilos de polvilho, a dona Filomena vai usar, por enquanto, um copo e meio de água fria e duas colheres de sal.

Ao misturar o sal, a dona Filomena aproveita para esfregar bem o polvilho nas admiradas mãos de ouro, quebra os resíduos, desmancha todas as pelotinhas e lembra que a receita é feita com polvilho azedo.

“Neste biscoito não dá muito certo porque ele tem que crescer”, orienta dona Filomena.

E mais água, só que agora água quente para escaldar, também na quantidade de um copo e meio.

Então, repete o esfrega-esfrega da mistura. Agora é a vez do ovo. São três ovos. Então ela vem com o óleo. Detalhe: o óleo é quente também. Outra medida de um copo e meio.

“Tem que ser o óleo quente para dar mais goma ao biscoito”, explica dona Filomena.

Por último, a dona Filomena despeja um copo de leite frio. Mas percebe que ainda está seco e acrescenta mais um pouco de água. “A gente põe água fria até dar o ponto”, afirma.

A dona Filomena sova bastante até os ingredientes se formarem em uma massa única. Está no ponto quando descola da vasilha.
Fotografia de Nilza Leonel em São José do Barreiro, distrito de São Roque de Minas.
Neste meio tempo, a Dilurdes, ajudante da dona Filomena, com uma boneca de palha de milho, põe fogo na lenha fina já arrumada no velho forno.

Enquanto as labaredas estralam nas paredes de barro, as duas montam as assadeiras. Pegam um punhadinho de massa, enrolam de compridinho e ajeitam na forma.

Até que ornam um monte de palitinho branco estendido na lata queimada pelo tempo de uso.

Nesta altura a lenha já queimou e a Dilurdes com a vassoura varre o borralho pra fora. A dona Filomena traz os rolinhos e vai ajeitando a bandejada no forno.

Essa receita rende uns 200 biscoitos e é capaz de precisar de duas formas.

Tapa a janela do suspiro e fecha a boca do forno. Em menos de 20 minutos a delícia está pronta.

Num caso desses, o apressado come é quente. Na farta mesa de quitandas da dona Filomena, o que a família ataca primeiro é o biscoitinho de polvilho.

O biscoito de polvilho pode ser feito também no forno a gás. O ponto certo é quando a massa já cresceu e começa a dourar."


Link do vídeo com a matéria completa:https://globoplay.globo.com/v/905188/
Ilustrações são nossas. 

Um comentário:
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  1. Essa receita está errada para o verdadeiro biscoito de polvilho. Essa receita é de "pêta", que ´pe de polvilho, mas é totalmente diferente. Um abraço para dona Filomena. Tudo lindo e tenho saudades de nossos dias na fazenda, fazendo biscoitos de polvilho e broa de milho, de mandioca podre em água limpa, e do cará do chão, também do inhame chinês, etc.

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