segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Visitando o incrível Parque Estadual do Rio Preto

Depois de cinco dias visitando a cidade do Serro e arredores, em Minas Gerais, partimos para a segunda etapa da viagem: conhecer o Parque Estadual do Rio Preto, na cidade de São Gonçalo do Rio Preto, Vale do Jequitinhonha, 355 km ao norte da capital mineira.
Após breves passagens por Sabinópolis e Diamantina, rumamos para o parque, que fica a aproximadamente 150 km do Serro, sendo os últimos 14 km de terra. Este trecho final, apesar de íngreme, é transitável por carros comuns e até vans e ônibus que, de vez em quando, levam grupos ao local.
Como disse na postagem anterior, estou me dedicando a conhecer os parques mineiros. Já estive em Ibitipoca, Serra do Cipó, Vale do Peruaçu, Pico da Bandeira, Aiuruoca, Serra da Canastra e, desta vez, neste recanto da natureza. O parque está inserido no ecossistema do serrado. Nesta época do ano – julho – quase não chove e a paisagem está ressecada. Por isso, as cachoeiras não estão em seu esplendor total, que acontece a partir de novembro. Mas, no inverno, apesar do frio, é a melhor época para conhecer a região. Com as chuvas, muitas áreas ficam alagadas e de difícil trânsito. Algumas até fechadas às visitações.
Como ficaríamos (Wagner Cosse, meu companheiro de viagem e eu) apenas quatro dias, escolhemos as principais atrações para conhecer: as cachoeiras do Crioulo e Sempre Viva; as corredeiras do Rio Preto; o poço do Veado (foto abaixo); e o poço de Areia.
Vale ressaltar que a estrutura do parque é fenomenal. Tem um alojamento de excelente qualidade e um receptivo de alto nível por parte os empregados, sempre solícitos e atenciosos. Parece que estamos em países do chamado Primeiro Mundo! Há um restaurante terceirizado, comandado por Dona Conceição e seu filho Marcelino, que tem uma comida muito saborosa e um café da manhã com frutas e quitandas feitas na hora. Tivemos que ter um cuidado extra com a alimentação, pois é difícil parar de comer numa situação dessas. Existe uma área de camping muito elogiada pelos usuários, sendo que alguns estavam com sua família completa usufruindo os ambientes muito limpos e organizados. Coroando tudo isso, os preços são impressionantes. Para se ter uma ideia, pagamos a diária de R$ 60,00 pelo alojamento (para duas pessoas!), R$ 12,50 pelo café da manhã e R$ 17,50 pelas refeições. Os preços do café e da refeição são individuais, mas se pode comer à vontade. Ainda sobre o alojamento, é possível acomodar até cinco pessoas, mas a tarifa tem preço diferenciado. Parece que as tarifas vão aumentar, pois estão muito defasadas. 
Depois da chegada e do reconhecimento do terreno, fomos dormir para enfrentar, no dia seguinte, o primeiro desafio: fazer a trilha de 13 km (ida e volta) para a região das cachoeiras do Crioulo e Sempre Viva. Essas trilhas mais distantes são, obrigatoriamente, conduzidas por um guia, no nosso caso, o Waldir. Wagner logo puxou dele causos de assombrações, que ele nos contou com ênfase e animação. Tinha várias experiências pessoais para nos contar. A trilha de ida foi feita somente para nós dois (o parque oferece, neste caso, saídas às 9h, 10h e 11h; e o passeio completo dura aproximadamente seis horas).
Durante o trajeto de ida, feito com razoável facilidade, pudemos conferir a paisagem regional, tendo como ponto alto do Pico dos Dois Irmãos, que mais parece um par de seios femininos. Havia vários mirantes, estrategicamente localizados e muito bem conservados, de onde admiramos a vista e os visuais.
A cachoeira do Crioulo (foto acima) é majestosa. Cai sobre um grande poço de águas cor de conhaque, ladeado por rochedos e uma praia de areias brancas, além de arbustos e flores. A água é fria, mas como o clima estava bastante agradável, era impossível não entrar para relaxar e combater o sol do meio dia. Na cachoeira, encontramos com Fernanda e Flávia, amigas de Belo Horizonte e conhecemos Lara e Marcela. Estas duas, também moradoras da capital mineira, foram nossas companheiras no retorno ao alojamento. Na volta, é possível voltar pela trilha de ida, de trânsito mais fácil, ou por um novo caminho, que ladeia o córrego das Éguas, com muitos pedregulhos. Fernanda e Flávia optaram voltar pela trilha inicial, enquanto Lara, Marcela, Wagner e eu, conduzidos por Waldir, voltamos pela beira do córrego.
Neste caminho, além de usufruir da beleza das águas, há uma parada obrigatória pela cachoeira Sempre Viva, que não vimos no caminho inicial. Nesta cachoeira, ao contrário do Crioulo, tivemos a oportunidade de curtir a ducha formada pela queda das águas, devido ao seu acesso facilitado.
No retorno, ainda nos deparamos com um sem número de plantas, inclusive inúmeros tipos de flores, como orquídeas minúsculas e canelas de ema. Outro atrativo é a Forquilha, local onde o córrego das Éguas se encontra com o rio Preto, misturando as águas. Por causa da necessidade de se preservar a nascente deste rio, que o parque foi criado em 1994.
No caminho final, confesso, já estava cansado. Os pés davam sinais de sua existência, pois as pedras cobram um preço alto das nossas articulações, em especial a dos joelhos. Encontramos com o resto da turma e rumamos diretamente para o restaurante, onde nos aguardava a comida saborosa de Dona Conceição.
Durante a noite, já no alojamento, momentos para prosas e observação das estrelas. Wagner e eu nos propusemos a ler, em voz alta, o livro Grande Sertão, Veredas, de Guimarães Rosa, que narra a trajetória de Riobaldo e Diadorim por aquelas paragens. Foi emocionante!
O dia seguinte também amanheceu límpido, com o céu de um azul imaculado. Compensamos o cansaço da trilha do dia anterior, com um passeio menos extenso. Era dia de visitar o poço do Veado, num percurso de aproximadamente 5 km (ida e volta). O poço tem este nome por causa da pintura rupestre de um veado, feita em um paredão. Como na cachoeira do Crioulo, o local tem uma grande praia de areias brancas e um poço deslumbrante. Dentro das águas, peixes de vários tamanhos. Alguns, bem pequenos, vinham roçar nossos pés, fazendo-nos um misto de cócegas e massagem. 
No dia seguinte, penúltimo de nossa viagem ao parque, enfrentamos mais uma trilha de 11 km (ida e volta) até as corredeiras do Rio Preto. Desta vez, na companhia do guia Marcílio e de mais dois participantes: Ilton e Luiz. Depois de uma subida bastante íngreme, descemos uma trilha meio encascalhada até as corredeiras. As águas escuras do rio se derramam sobre um extenso lajeado e forma vários poços. Um local paradisíaco, formado por muitos tipos de pedras, com cores e formas variadas. Ilton, que é geólogo, nos dava algumas dicas sobre as rochas. No retorno, ainda conhecemos o poço de Areia e uma pequena cachoeira.
Depois de uma comidinha deliciosa, leituras de Guimarães Rosa e outros autores e uma boa noite de sono, acordamos na manhã de sábado para arrumar as coisas e voltar para casa. Na bagagem, a memória de lugares tão especiais desses Gerais, nossa querida terra, registrada em um sem número de imagens fotográficas, que sempre tocarão na delicada corda de nossa emoção.
Espero que tenham apreciado esta viagem. Mais informações sobre o parque acesse www.ief.mg.gov.br.

E até a próxima!

Fotos de Thelmo Lins e Wagner Cosse
http://descobertasdothelmo.blogspot.com.br/2016/08/visitando-o-deslumbrante-parque.html

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