domingo, 26 de fevereiro de 2017

Passeando por Monte Sião, Bueno Brandão e Jacutinga no Sul de Minas

 
Como mineiro, sempre prezei por conhecer todos os recantos do meu Estado natal. Inicialmente, foquei na Região dos Inconfidentes, onde nasci. Depois, a intenção foi conhecer as cidades históricas mineiras. Por fim, os parques estaduais e nacionais (ainda faltam muitos). Neste espírito, resolvi passar o Réveillon de 2014 para 2015 no sul de Minas, mais especificamente na região de Monte Sião. E, dali, fazer um tour por outras cidades próximas, como Jacutinga (MG) (foto acima), Bueno Brandão (MG), Águas de Lindoia (SP), Serra Negra (SP) e Holambra (SP).
Com o meu companheiro de viagem, Wagner Cosse, fomos diretamente para Monte Sião, onde nos hospedamos no hotel Villa de Minas, que pratica preços bastante inferiores aos dos hotéis das cidades paulistas, com um bom serviço. E empregados bem humorados, que deixam o ambiente agradável. Um dia fomos surpreendidos por uma roda de viola, com direito a todos os clássicos sertanejos (de “raiz”, como dizem).
Monte Sião (foto acima) fica a 486 km de Belo Horizonte. Num raio de menos de 100 km é possível conhecer todas as atrações que visitamos. O município mais próximo é Águas de Lindoia, a apenas 9 km, e o mais distante, Holambra, a pouco mais de 80 km. Com poucas exceções, as rodovias estavam bem conservadas e o trânsito fluiu bem.
Veja, em seguida, um breve relato de cada cidade, com os registros fotográficos.

Monte Sião 
 As duas maiores atrações de Monte Sião são as malharias e a porcelana azul e branca. Ao rodar pelas ruas centrais – e a bela praça principal – vimos centenas de lojinhas, algumas mais ou menos sofisticadas, com todo tipo de ofertas. A maioria para o inverno. Como o calor estava abrasador, com média de 30º, confesso que desanimei de experimentar as roupas quentes. 
Algumas lojas chamam a atenção por suas vitrines caprichadas. Eu fiquei particularmente interessado numa pequena lojinha, que mais parecia um corredor, chamada Cuplover (www.cuplavershop.com.br), da estilista Ge Gotardelo. São roupas femininas muito interessantes, com um estilo brechó.
Monte Sião fica lotada nos fins de semana, principalmente na época do frio, com compradores de todo o país atrás desses produtos. São 800 malharias espalhadas pela cidade, que empregam milhares de pessoas.
Outra atração é a bela porcelana. Visitamos a fábrica, onde pudemos conhecer o local onde ela é produzida. 
Parecia que estávamos entrando uma cidade medieval, com fornos imensos e toda uma sorte de moldes para as diversas louças produzidas por ali. Chamou-nos a atenção a limpeza e a organização do ambiente. Não resistimos e adquirimos algumas peças belíssimas, com preços bastante razoáveis.
Uma atração de Monte Sião, que eu até então desconhecia, é o turismo religioso. Na verdade, o lugarejo foi fundado, no século 19, em torno de um santuário dedicado à Medalha Milagrosa de Nossa Senhora, (foto acima) fruto de uma aparição a Santa Catarina, na França. Ou seja, a santa visualizou a imagem da Virgem que um corpo sensual, marcado por uma cintura fina, e trazia um símbolo com a letra “M” e a cruz de Cristo. (foto abaixo)
Da sua narração foi cunhada uma medalha, considerada milagrosa, e Monte Sião foi a primeira cidade no mundo a lhe dedicar uma igreja. Peregrinos de diversas partes do país vão em grupos ao local, pedindo bênçãos e fazendo agradecimentos (www.santuariodamedalha.org.br). Eu também trouxe uma para me proteger.
Bueno Brandão 
Outro município visitado na região foi Bueno Brandão, em solo mineiro. A região é famosa pelo grande número de cachoeiras – são 33 catalogadas. Por sugestão do Guia Quatro Rodas, contratamos um guia local para conhecermos pelo menos três delas – a de Santa Rita, a dos Luís e a do Mergulho. Com a experiência de 20 anos nessa lida, Romero Dumont (35-9969-6154) nos conduziu para os melhores lugares, inclusive pelas estradas belíssimas da região, com paisagens de emocionar.
As cachoeiras estavam levemente turvas pela chuva que caiu no dia anterior e o tempo estava um pouco nublado, mas isso não foi suficiente para nos impedir de entrar nas águas geladas para fazermos o ritual do descarrego das energias negativas de 2014, para entrarmos em 2015 com o espírito renovado. É estranho e encantador o efeito positivo da água corrente. Aproveitamos para rezarmos e pedirmos um ano cheio de paz e harmonia, com muita alegria e saúde. Para nós e para a humanidade. Wagner, que adora água, divertiu-se como uma criança.
Algumas cachoeiras possuem uma boa infraestrutura, até com restaurantes e pousadas. Noutras, o acesso é possível por trilhas pouco conhecidas. Em alguns locais, os proprietários da terra cobram uma taxa para acessar as quedas d´água, que vão de R$ 3 a R$ 5 por pessoa. Houve questionamento, mas a prefeitura tentou impor uma mínima organização para justificar a cobrança. E assim vem sendo feito.
O potencial turístico de Bueno Brandão é espantoso. Ficamos sabendo, mais tarde, que a cidade está se especializando no turismo místico, voltado para rituais de magia e outras especialidades. Há, inclusive, alguns hoteis voltados para idosos e para portadores de deficiência, que conseguem, com ajuda de monitores, fazer arvorismo e escalar montanhas. A hotelaria está se preparando para receber os turistas com mais atenção e cuidado. No entanto, boa parte da população ainda não está totalmente convencida disso e prefere investir na agricultura e na pecuária tradicionais. Mas, pelo menos, parece que os desmatamentos já foram contidos e existe uma nova consciência ecológica entre os habitantes, principalmente os fazendeiros. Saiba mais no site www.buenobrandao.com.br
Uma atração à parte é a grande estátua do Menino da Porteira, na entrada de Ouro Fino, cidade que fica no caminho entre Bueno Brandão e Monte Sião. Paramos, como muitos turistas, para tirar fotos.
Jacutinga
À primeira vista, Jacutinga é apenas mais uma cidade famosa pelas malharias. Mas ali também há uma boa infraestrutura urbana, com belas edificações antigas e praças agradáveis. A lagoa, por exemplo, é a mais bela e bem urbanizada da região.
Fomos lá, a princípio, para visitar uma amiga de Wagner, a publicitária e fotógrafa Nívea, que mora ali com seu marido Hilton e os filhos. 
Fomos bem recebidos em sua casa, com um almoço delicioso e um papo fluido, que remontaram os velhos tempos de juventude. Mas a cidade chama a atenção por uma arquitetura invulgar e por sua água mineral. Infelizmente, parece que a população local não atentou para esse potencial. A fonte fica em um lugar mal cuidado, que precisa de pintura e conservação. A estação ferroviária desativada também precisa de atenção especial. Parece, também, que há um descuido com o meio ambiente. 
Sem dúvida, quando houver esse despertar, eles descobrirão que ali existe um grande filão e, com isso, atrair mais turistas tanto para as compras como para o lazer.
Turismo
Vale refletir, como já fiz em outras ocasiões, sobre o potencial turístico que o Brasil tanto desperdiça. Por que, em pleno final de ano, quando os hotéis estão cheios e há grande fluxo de pessoas, os restaurantes, museus e outras atrações ficam fechados? Os moradores não acreditam nesses potenciais ou falta uma política mais adequada?
Em alguns locais, por exemplo, não havia a possibilidade de usar cartão de crédito ou débito, o que dificultava a aquisição de produtos. Em outros, não havia informação nem locais para atendimento aos visitantes.
O receptivo também deixa a desejar, mesmo no Estado de São Paulo, que tanto preza por isso. Havia filas sem sentido e organização, frustrando os visitantes e tirando-lhes o prazer de usufruir as suas férias com mais tranquilidade e intensidade.
Fica aqui a observação e o alerto. Não faltam, no entanto, maravilhas para serem contempladas.
Texto e fotos de Thelmo Lins e Wagner Cosse
http://descobertasdothelmo.blogspot.com.br/2015/01/reveillon-na-divisa-de-minas-e-sao.html

2 comentários:
Faça também comentários
  1. Fui a Jacutinga e Monte Sião há um tempinho. Muito bom. Preciso voltar!

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  2. Conheço Bueno Brandão e infelizmente aquele povo Ainda não acordou pelo potencial turístico que possui. Aquela natureza precisa ser preservada a qualquer custo. As autoridades locais precisam fazer alguma coisa. Mesmo que seja a longo prazo. Exemplo disso é Monte Verde.

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