Na trilha dos Inconfidentes, entre Prados, Tiradentes, São João del Rey e outras cidades mineiras

 No circuito mineiro das cidades históricas mineiras, Tiradentes e São João Del Rey ocupam um local de destaque. Mas próximas a estas importantes localidades, existem outros municípios menores, mas com vários atrativos e charme.
Considerando os preços salgados de Tiradentes, escolhi a vizinha Prados para me hospedar. Encontrei o Apart Hotel Água Limpa por meio do site Booking. Chamou-me a atenção, apesar da simplicidade do local, que ele havia obtido nota 9,1 dos usuários. Quis checar o motivo da façanha.
Não foi difícil reconhecer a qualidade dos apartamentos (novos, confortáveis e muito limpos), com um delicioso café da manhã e uma localização um pouco afastada do centro da cidade (menos de três quilômetros), o que garantiria repouso nos momentos mais barulhentos da festa. Os ruídos mais comuns eram o canto de galos, pássaros e maritacas ou o latido de alguns cães da vizinhança.
No entanto, o maior diferencial do Água Limpa é o atendimento, capitaneado por Dona Teresa, proprietária do hotel. Simpaticíssima e com ótimas informações, ela está sempre com um sorriso no rosto e dicas excelentes para os viajantes. E ainda prepara boas guloseimas, sucos diferenciados e um saboroso iogurte natural. Em quase todas as oportunidades, ela era convidada para se assentar na mesa dos hóspedes, onde desfiava histórias muito instigantes sobre a região – e até algumas sobre sua própria vida. Trata o seu hotel como, literalmente, a extensão da sua casa. A família (marido e filhos) lhe dão o suporte no atendimento.
Além do hotel, Prados é famosa por sua história e artesanato. Boa parte do que conhecemos em Tiradentes, por exemplo, é produzido em Prados, onde vivem e trabalham os artesãos, vendendo as peças em seus próprios ateliês ou residências. Dentre os objetos, estão os famosos animais em madeira (em especial os leões de Vila Carassa – assim mesmo, com dois “ss”), alguns em enormes, maiores do que o tamanho natural, e com muito apuro técnico. 
Há também jarros de flores, divinos (pomba do Espírito Santo) e bonecas, dentre tantas opções. São várias lojinhas, uma ao lado da outra, que nos absorvem com tamanha oferta. 
É preciso ter muita determinação para não estourar o cartão de crédito ou lotar o automóvel com as belas peças. A cidade ainda carece de um melhor atendimento bancário e muitas lojas só trabalham com cheque e dinheiro, o que de certa forma limita nossas loucuras. De acordo com um vendedor, muitos lojistas trabalham com atacadistas, que pagam principalmente em cheque.
Em Prados também podemos conferir um pequeno, mas bonito, centro histórico, com antigos casarões e ruas estreitas. Muita coisa se perdeu (ou foi furtado) ao longo dos anos, mas ainda é mais suntuoso do que muitas cidades mineiras. A matriz de Nossa Senhora da Conceição, por exemplo, é uma obra prima. Vale a pena visitar também a bem restaurada capela do Rosário. O povo religioso, com seus cânticos, deixa os templos mais atrativos. A famosa Lira Ceciliana, uma das mais antigas corporações musicais mineiras, é de lá. Sua sede fica localizada perto da matriz (na foto abaixo o interior da igreja matriz de Prados) 
Há poucas opções de lazer na cidade, principalmente à noite, quando os jovens se concentram na praça principal para comer pizza, espetinhos, beber e conversar. Os restaurantes funcionam durante o dia, para o almoço. E o melhor deles é o Grotão, que fica na zona rural (2,5km do centro, por uma bem conservada estrada de terra). Vale a pena conferir, principalmente pela comida saborosa e o local bastante aprazível. Experimentei alguns pratos típicos mineiros, como costelinha com angu e couve. O preço gira em torno de 40 reais por pessoa, com bebida. Fui também o restaurante da Marília, que é mais simples, mas tem uma comidinha muito gostosa, em especial o feijão tropeiro (16 reais por pessoa - preços sujeitos a alterações)
Passei a virada do ano em Tiradentes (foto acima). Entre Prados e Tiradentes, há uma estrada, parte calçada e parte de terra, que passa pelo distrito de Bichinho (pertencente a Prados), grande centro de artesanato. São apenas 18km, que pode ser percorrido em menos de uma hora. No Largo das Forras, em Tiradentes, havia a apresentação de um grupo musical, que interpretada os hits do momento. Confesso que nenhum deles (axé, sertanejo e afins) foi especialmente de meu agrado, mas que provocavam um frisson no povo que aguardava a queima dos fogos. Enquanto eles não espocavam, jantei em um restaurante ali mesmo na praça (os estrelados, além de muito mais caros, estavam cheios na ocasião), que oferecia uma truta à parmegiana por R$ 58 (duas pessoas - preços sujeito a alterações). Como sobrava tempo antes da meia noite, andei a pé pelas ruas principais, curtindo a tranquilidade e fotografando. Tiradentes é uma cidade extremamente fotogênica, com recantos maravilhosos e inspiradores.
No dia 01 de janeiro, visitei São João del Rey (foto acima). O dia estava ressaqueado e, para completar a paradeza, todo o comércio, monumentos e centros culturais estavam fechados. Restou percorrer as ruas históricas, fazendo algumas fotos. A cidade é muito bonita e imponente, com prédios bem conservados. 
 Logo em seguida, parti para o município de Ritápolis, 15 km dali, para conhecer o restaurante Saliya (foto acima), atração gastronômica do local. O chef proprietário teve a brilhante ideia de unir a culinária mineira à árabe, resultando em alguns pratos muito saborosos, que mesclam a nossa galinhada com charutos, quibes e temperos. Vale a pena conhecer, mas com o cuidado de reservar a mesa antes, pois o espaço costuma ser muito disputado. Felizmente, no horário que cheguei (com reservas feitas antecipadamente) não tive problemas.
Na praça principal de Ritápolis, ao lado do restaurante, pode ser vista a igreja de Santa Rita (foto acima), padroeira da cidade e alguns prédios interessantes, de épocas variadas. O edifício do teatro municipal é especialmente charmoso.
Outra cidadezinha dos arredores é Coronel Xavier Chaves (foto acima), que possui bom artesanato em tricô, bordados e abrolhos (uma espécie de acabamento também feito no mesmo estilo do crochê). Quase todo comércio estava fechado e, dos poucos que estavam abertos, não aceitavam cartões de crédito ou débito. Na praça principal, uma interessante igrejinha toda feita em pedra, provavelmente do século 18 ou 19. E uma tranquilidade de dar gosto.
Conheci, ainda, o restaurante Monte Alverne, em São João del Rey (foto acima, centro histórico), localizado em frente à igreja de São Francisco de Assis, a mais famosa da cidade. Jantei um salmão com risoto de alho poró muito saboroso, ao custo aproximado de R$ 70 per capita. (preços sujeitos a alterações)
Fiquei na região apenas quatro dias e haveria muitas outras opções para se divertir. (na foto acima a Serra de São José, vista de Prados) O passeio de maria-fumaça entre São João e Tiradentes; as cachoeiras de Carrancas; as trilhas ecológicas da Serra de São José, dentre outras inúmeras possibilidades. Emoções, aliás, que já vivi em outras excursões por aquelas paragens.
Para completar o pacote, antes de retornar à capital mineira, onde resido, uma passagem por Resende Costa (foto acima, da Igreja Matriz), conhecida por seu artesanato em tecido. Dos antigos teares e até das mais recentes inovações tecnológicas, os artesãos produzem colchas, tapetes, redes, jogos americanos e uma infinidade de objetos incríveis, a maioria para cama e mesa. É possível encontrar também fantásticos móveis feitos com madeira de demolição. Os preços são ótimos, deixando alguns turistas até impressionados.
Finalizo aqui meu caminho pela Trilha dos Inconfidentes, incluindo Prados, Tiradentes, São João del Rey, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis, Resende Costa e (na estrada) Lagoa Dourada (na foto acima o forro da Igreja Matriz de Lagoa Dourada), a capital do “legítimo rocambole”. Uma viagem histórica, cultural e gastronômica, com um tempero de tranquilidade para relaxar as tensões e buscar inspiração para iniciar um ano repleto de sonhos e desejos.

Até o próximo roteiro!
Texto e Fotos de Thelmo Lins
http://descobertasdothelmo.blogspot.com.br/2016/01/na-trilha-dos-inconfidentes-entre.html

2 comentários:

  1. Faltou a terra que é o berço da raça do cavalo campolina e que situa neste trecho. Entre Rios de Minas. 1713.

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