segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Cidades históricas de MG: o que visitar, o que fazer, o que comer?

Uma viagem pelas cidades históricas de Minas Gerais faz o turista voltar no tempo e vivenciar experiências que relembram o período do ciclo da mineração. Além da história da época do Brasil colonial, quem visita a região pode conhecer as particularidades e delícias da cozinha mineira e também percorrer trilhas que revelam paisagens cercadas por montanhas e serras. A cultura, a boa mesa e a natureza estão presentes em um roteiro de até cinco dias, que começa pelo Santuário do Caraça e passa por Santa Bárbara, Catas Altas, Ouro Preto, Congonhas e Tiradentes.

Dia 1
A sugestão é iniciar a viagem pelo Santuário do Caraça, onde estão presentes história, fé e diversas opções de passeios ecológicos. Fundado em 1774, ele fica a cerca de 120 quilômetros de Belo Horizonte. Quem optar pelo ônibus deve sair da rodoviária da capital mineira em direção a Santa Bárbara e lá pegar um táxi até o Caraça. Há duas opções de hospedagem dentro do santuário, que oferecem diárias com pensão completa. Também é possível só passar o dia. O horário para visita é das 8h às 17h, e o ingresso custa R$10,00 (Sujeito a alterações)
Igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens, no Santuário do Caraça, destingue-se de grande parte das igrejas das cidades históricas (Foto: Raquel Freitas/G1)
Chegando pela manhã ao santuário, o visitante pode conhecer o núcleo histórico. Entre os atrativos, estão as ruínas do colégio, criado no século XIX e destruído por um incêndio nos anos 1960. Hoje, o espaço abriga, no primeiro andar, um museu. Os objetos expostos vão desde o fogareiro elétrico, causador das chamas que queimaram o prédio, à cama em que Dom Pedro II dormiu quando esteve no santuário. O passeio continua pelo segundo andar, que abriga uma biblioteca com acervo histórico – a publicação mais antiga é de 1489. Os livros estão disponíveis para empréstimos aos hóspedes durante a estadia.

Depois das ruínas do colégio, a dica é a visita à Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens. Erguida no fim do século XIX, em estilo neogótico, ela se distingue de grande parte das igrejas mineiras. Com pé-direito alto, teto ogival, inúmeros vitrais, a construção privilegia a acústica e também a luminosidade. Além de um órgão com 628 tubos, a igreja guarda o corpo de São Pio Mártir. Os traços do barroco podem ser encontrados em poucos elementos, como um quadro em que Mestre Ataíde retratou a Santa Ceia e um altar pitando por ele. Se um dos objetivos da viagem a Minas é conhecer o trabalho de ícones barroco, fique tranquilo. Este roteiro reserva uma série de opções pelos próximos quatro dias.

Após a pausa para o almoço, com cardápio da tradicional cozinha mineira, o visitante pode conhecer as belezas naturais do Santuário Caraça, que ocupa uma área de mais de 12 mil hectares, a maior parte dela dentro de uma Reversa Particular do Patrimônio Natural (RPMN). São diversos passeios, com extensão de até dois quilômetros, que levam, por exemplo, à Capelinha, à Ponte do Bode e ao Cruzeiro – de onde se tem uma vista incrível de todo o núcleo histórico. Para quem não tem medo água fria – ou melhor, gelada –, vale a pena a caminhada até locais como a Cascatinha, o Banho de Belchior ou a Piscina.
Situado entre as cidades de Catas Altas e Santa Bárbara, Santuário do Caraça foi fundado há mais de 240 anos (Foto: Raquel Freitas/G1)
Quando a noite cai, é hora de uns momentos mais aguardados por quem visita o Caraça: a espera pelo lobo-guará. Todas as noites, por volta das 19h30, uma bandeja com carnes é colocada no adro da igreja. Mas é preciso paciência. Entre o início da noite e o amanhecer, o animal pode aparecer a qualquer instante.

Dia 2
O destino final do segundo dia de viagem é Ouro Preto. No caminho até a antiga Vila Rica, estão as cidades de Santa Bárbara e Catas Altas, duas sugestões de parada neste trajeto pela MG-129, durante a manhã e a tarde.

Seguindo do Santuário do Caraça em direção a Ouro Preto, entre Santa Bárbara e Catas Altas, fica a estrada que leva até as ruínas de um aqueduto, conhecido como Bicame de Pedra. A construção, datada de 1792, servia para captar água do alto da Serra do Caraça, que era usada na lavagem de minérios e cascalho, durante o ciclo do ouro. Além do monumento, com cerca de 100 metros de extensão, a vista que se tem da serra compensa o caminho de estrada de terra.

Ao fundo de casarões históricos, a Serra do Caraça mostra sua imponência em Catas Altas (Foto: Raquel Freitas/G1)
Voltando à MG-129, em cerca de 15 minutos, é possível chegar ao centro histórico de Catas Altas. Na praça principal, ao fundo de casarões, a Serra do Caraça mais uma vez mostra sua imponência. E de frente para o paredão de pedras, está a Igreja da Nossa Senhora da Conceição. Enquanto uma parte da matriz sustenta a exuberância do barroco, a outra ficou inacabada por causa da decadência do ciclo do ouro, segundo contam moradores. Na igreja, pode ser visto o trabalho de Francisco Vieira Servas e Francisco Xavier de Brito, além de obras atribuídas a Aleijadinho e pinturas atribuídas a Mestre Ataíde. A matriz fica aberta das 10h às 17h. (Cobra-se para entrar).

Catas Altas também é conhecida pela produção de vinho de jabuticaba. Hoje, a cidade conta com cerca de 30 produtores, que vendem a bebida em suas casas e também em uma associação, que fica na lateral da Igreja de Nossa Senhora da Conceição e é parada obrigatória de turistas.

A Capela de Santa Quitéria, também emoldurada pela serra, é outro ponto da cidade que vale a visita, apesar de estar em obras. Por causa da reforma, a visitação interna está temporariamente suspensa.

A pausa para o almoço pode ser feita em Catas Altas ou em Santa Bárbara, próximo destino. Apesar de estar mais perto do Santuário do Caraça, Santa Bárbara abriga atrações que ficam abertas, em sua maioria, na parte da tarde. Por isso, é melhor deixar o passeio na cidade para depois do almoço.
Matriz de Santo Antônio, em Santa Bárbara, tem pinturas de Mestre Ataíde e de seus discípulos (Foto: Raquel Freitas/G1)
A Matriz de Santo Antônio, localizada no centro histórico, é o ponto turístico de mais destaque da cidade. Observando somente a fachada da igreja, não se tem ideia do que revela o seu interior. No teto da capela-mor, está a pintura “Ascensão de Cristo”, de Mestre Ataíde. Já a pintura da nave é atribuída a discípulos do ícone do barroco.

Para quem for seguir para Ouro Preto de ônibus, a visita por Santa Bárbara se encerra no meio da tarde. Já se o trajeto for feito de carro ou táxi, é possível ainda conhecer outras atrações.

A Casa do Mel, que funciona em um casarão do século XVIII, mostra aos visitantes como é processo de produção de um dos itens que dão fama à cidade. Além de conhecer todas as etapas do trabalho de um apicultor, o visitante pode comprar mel e derivados em uma lojinha da cooperativa de produtores.

Santa Bárbara também é terra de Affonso Penna, que governou o Brasil entre os anos de 1906 e 1909. Em outro casarão histórico, onde nasceu o político, funciona o memorial dedicado a ele. Nos jardins do imóvel, encontra-se o mausoléu que guarda os restos mortais do ex-presidente.

A matriz, a Casa do Mel e o Memorial Affonso Penna tem entrada gratuita e ficam abertos até as 17h. Então, a dica é pegar a estrada no fim da tarde em direção a Ouro Preto. O trajeto, feito pela MG-129, dura cerca de uma hora e trinta minutos.

Para encerrar mais um dia de viagens, Ouro Preto conta com a mais intensa vida noturna das cidades visitadas, oferecendo bares, restaurantes e estabelecimentos com música ao vivo para aproveitar o friozinho da noite. Algumas das opções mais bem conceituadas estão no Largo do Rosário, passando pela Rua São José, Rua Direita e também no Largo de Coimbra.
Inicialmente chamada de Vila Rica, Ouro Preto fica na Região central Minas Gerais (Foto: Eduardo Tristão - Setic /Prefeitura de Ouro Preto)

Dia 3
Durante o dia, a melhor maneira de conhecer Ouro Preto é caminhando por suas estreitas vielas, que permeiam os casarões imponentes e as mundialmente conhecidas igrejas. Ainda que o terreno íngreme e pedregoso nem sempre se mostre convidativo, um passeio a pé pela cidade permite que se observe de perto sua arquitetura e as construções históricas que marcam a paisagem da antiga capital mineira dos tempos de província.

A Praça Tiradentes, no centro da cidade, é o ponto de referência para os marinheiros de primeira viagem. Lá, encontra-se o Museu da Inconfidência, que reúne mais de 4 mil objetos dos séculos XVIII e XIX, representativos do período colonial brasileiro. Pela manhã, o museu fica aberto somente das 9h às 10h45. A entrada custa R$ 10 reais.(Sujeito a alterações)

A dois quarteirões, na Rua São José, está a Casa dos Contos, antigo prédio administrativo da cidade durante o ciclo do ouro, que depois serviu de cárcere para os inconfidentes mineiros. Hoje um museu, é uma das poucas construções locais onde ainda pode ser encontrada uma senzala. A entrada é gratuita, e as visitas começam às 10h.

Após uma pausa para o almoço, uma sugestão é subir até a Basílica de Nossa Senhora do Pilar. A decoração interior, repleta de detalhes, é um dos símbolos do barroco mineiro e não deve deixar de ser admirada. A igreja recebeu o título de basílica por causa de seu valor histórico, artístico e religioso. Na parte da tarde, o funcionamento é das 12h às 16h45.

Partindo novamente da Praça Tiradentes, a caminhada é um pouco mais longa até a Mina de Chico Rei (650 metros) e seu extenso conjunto de galerias. Diz a lenda local que Chico Rei foi um escravo que se enriqueceu após conquistar sua alforria. O preço para visitação é R$ 10.
Igreja de São Francisco de Assis está entre os principais pontos turísticos de Ouro Preto (Foto: Pedro Ângelo/G1)
Para encerrar a tarde, o caminho de volta à Praça Tiradentes pode tomar um pequeno desvio até o Largo de Coimbra, onde se encontra a Igreja de São Francisco de Assis, um dos ícones da produção de Aleijadinho, e uma feira de comércio local. O templo foi arquitetado pelo mestre do barroco no século XVIII. Também há detalhes de autoria dele no altar-mor, no retábulo, no frontispício e na fonte-lavabo da sacristia. A igreja fecha às 17h, e o custo para conhecê-la é R$ 10. Em dias de muito movimento, a feira pode se estender até o começo da noite, por volta das 19h. Para encerrar o dia, a recomendação continua sendo as proximidades do Largo do Rosário.

Dia 4
No quarto dia, a sugestão é seguir viagem para Tiradentes, fazendo uma parada em uma cidade onde está outro símbolo do trabalho de Aleijadinho.

Para ir, logo cedo, de Ouro Preto até Congonhas, é preciso seguir pela MG-129, MG-030, MG-433 e BR-040. Apesar do número de rodovias que integram o caminho, a viagem de carro dura pouco mais de uma hora. Outra opção é pegar um ônibus que para em Ouro Branco, pois não há trajeto direto entre as cidades. O primeiro horário de saída é às 7h15.
Quem não conseguir acordar a tempo, pode aproveitar mais uma manhã na cidade: o próximo ônibus sai às 13h15. De Ouro Branco a Congonhas, há os horários de 8h25 e 10h15, entre outros. De ônibus, o tempo de viagem, considerando os dois trajetos, é de aproximadamente uma hora e meia.

Congonhas é conhecida por abrigar os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho em pedra-sabão, parada obrigatória para quem está conhecendo a cidade. Localizadas na Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, as esculturas integram um dos principais conjuntos de arte barroca da América Latina, no qual se destacam também as 66 figuras em cedro, representando a Paixão de Cristo, outro importante trabalho do artista mineiro. Para aqueles que gostam de madrugar, a basílica abre as portas bem cedo, logo às 6h, e encerra as visitas às 18h.
Congonhas é conhecida por abrigar os 12 profetas esculpidos por Aleijadinho em pedra-sabão (Foto: Pedro Ângelo/G1)
De Congonhas, a dica é seguir para a região do Campo das Vertentes, onde fica o último destino desta viagem: Tiradentes, cidade que leva em seu nome a alcunha do mártir da Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier. De carro, o percurso é feito pela BR-040 e pela MGT-383, com duração de cerca de duas horas. Quem segue de ônibus, precisa dividir a viagem em dois trechos, fazendo baldeação em São João del Rei. O primeiro trecho demora cerca de duas horas, e o segundo, aproximadamente 30 minutos.

Para chegar em Tiradentes com o dia ainda claro, o melhor é sair de Congonhas logo após o almoço. Se o caminho for feito de carro, uma parada na cidade de Lagoa Dourada não pode faltar. Na Rua Miguel Youssef, lanchonetes brigam pelo título de melhor rocambole da região. Feito com pão-de-ló, ele pode ter vários recheios, mas o tradicional leva doce de leite.

Entre Lagoa Dourada e o destino final da viagem são cerca de 50 minutos. A visita a Tiradentes pode começar já no fim de tarde pelo Largo das Forras, um dos pontos mais centrais da cidade, que abriga cerca de 7 mil habitantes. Lá ficam estacionadas diversas charretes, com as quais os turistas podem fazer um passeio para conhecer a arquitetura colonial, preservada nas construções, e as principais atrações da cidade, entre elas um chafariz, datado de 1749.

A gastronomia é um dos pontos fortes de Tiradentes. Então, à noite, aproveite para experimentar pratos, que vão da tradição da culinária regional à sofisticação da cozinha internacional. Ao redor do Largo das Forras há uma série de opções, mas diversos outros restaurantes estão espalhados pela cidade.
Matriz de Santo Antônio guarda a riqueza do barroco e é um dos símbolos de Tiradentes (Foto: Raquel Freitas/G1)

Dia 5
A sugestão para começar o passeio do último dia de viagem é a Matriz de Santo Antônio, igreja construída no início do século XVIII, nos tempos áureos do ciclo do ouro, e que também guarda a arte de Aleijadinho. O local, símbolo do barroco, fica aberto das 9h às 17h, e a entrada custa R$ 5. No interior, estão peças cobertas por quase 500 quilos de ouro e também um órgão setecentista. A matriz é ladeada por um cemitério, onde os túmulos são enfeitados com flores coloridas e até o artesanato típico da região marca presença.

Em seguida, a dica é visitar o Museu de Sant’Ana, abrigado no prédio da antiga cadeia de Tiradentes. O local conta com um acervo de quase 300 imagens da santa, entre eruditas e populares. De variados estilos e técnicas, as peças são de diversas partes do país e foram produzidas, em sua maioria, entre os séculos XVII e XIX. O museu fica aberto todos os dias, exceto às terças-feiras, das 10h às 19h. O valor da entrada é R$ 5.
A cozinha mineira e doces caseiros são atração à parte da viagem (Foto: Raquel Freitas/G1)
Outra opção para o passeio da manhã é aprender um pouco mais sobre a história do período colonial. Um solar do século XVIII, onde morou o inconfidente padre Carlos Correia de Toledo e Melo, destaca o movimento contra a Coroa portuguesa e faz o visitante voltar no tempo. Na casa onde funciona o Museu Padre Toledo, foram realizadas diversas reuniões dos integrantes da Inconfidência Mineira. Outra riqueza do espaço são as pinturas presentes no teto, que demonstram, segundo historiadores, o luxo e requinte que rodeavam Padre Toledo.
O museu funciona de terça a sábado, das 10h às 16h, e no domingo, das 9h às 15h. O ingresso custa R$ 10.(Sujeito a alterações)

Aproveite a hora do almoço para conhecer mais um restaurante do roteiro gastronômico de Tiradentes e também as delícias feitas pelos doceiros da região, como o canudinho de doce de leite.

Para quem já está cansado de tanto bater perna, a sugestão é fazer o passeio de Maria-Fumaça, entre Tiradentes e São João del Rei na parte da tarde. E para não perder esta dica – como um bom mineiro, que nunca perde o trem – é importante ficar atento aos dias de funcionamento. As viagens da locomotiva a vapor são realizadas de sexta-feira a domingo.

Já para os mais aventureiros, um passeio pela Serra de São José é uma opção para a tarde. As trilhas podem ser feitas a pé, de bicicleta ou a cavalo. Os grupos partem, normalmente, entre 14h e 15h, e os roteiros e preços variam de acordo com a agência escolhida. Agora, para os mais animados, outra possibilidade é a caminhada até as cachoeiras da região. Mas é preciso disposição e coragem para encarar a temperatura da água e a do lado de fora.
Tiradentes preserva inúmeros casarões históricos (Foto: Raquel Freitas/G1)

Dicas 
O ideal é que a viagem seja feita de carro, pois não há ônibus direto em muitos trechos. Apesar de não serem baratas, as viagens de táxi podem ser mais cômodas e rápidas, e o preço é negociável.

Para que todas as atrações sugeridas possam ser visitadas e todos os passeios possam ser feitos, a viagem deve começar entre segunda-feira e quarta-feira.

Cidades históricas são sinônimo de ladeiras e, em julho, também de frio. Então, leve na mala calçados confortáveis e roupas para temperaturas que podem chegar a em torno de 15ºC ou menos.

Vale experimentar

A cozinha mineira é uma atração à parte de qualquer viagem ao estado. Vale experimentar frango ao molho pardo – conhecido como galinha cabidela em algumas regiões –, canjiquinha com costelinha e os mais variados doces caseiros. O tradicional pão de queijo também não pode ficar de fora do cardápio deste roteiro.

Entre as bebidas, vale provar as famosas cachaças de Minas, o vinho de jabuticaba de Catas Altas e as cervejas artesanais, que vem se destacando no estado nos últimos anos.

Fonte:http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/07/cidades-historicas-de-mg-o-que-visitar-o-que-fazer-o-que-comer.html

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