Porcelanas: encanto, requinte, beleza e história. Saiba como é feita essa maravilhosa arte:

O que é arte?
A arte é uma forma do ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio. Pode ser representada através de várias formas, em especial na música, na escultura, na pintura, no cinema, na dança, entre outras. Especificamente aqui abordaremos a pintura na porcelana.

O que é porcelana?
A porcelana é um produto branco impermeável e translúcido. Ela se distingue de outros produtos cerâmicos, especialmente, da faiança e a louça, pela sua vitrificação, transparência, resistência e completa isenção de porosidade e sonoridade. Basicamente a matéria prima da porcelana é composta de: argila, quartzo, caulim e fedspato.

Qual a origem da pintura em porcelana?
Todas as evidências apontam oara o surgimento da porcelana na China na época “Teng” que teve na época “Song” a sua mais refinada produção com o afinamento da massa, elegância de formas e introdução de novos vernizes, culminando na época “Ming” com expansão e desenvolvimento até o século XIX.

A porcelana teve um desenvolvimento muito grande a partir do século XVI, sob influência da China, Coréia e Japão. Graças às importações pela Companhia das Índias a produção Européia se limitou a copiar toscamente a porcelana oriental, como a produção de Florença. No fim do século XVIII iniciou-se a produção francesa em Rouen e Saint-Cloud que acarretou, em 1725, na manufatura Chantilly e, em 1738, na manufatura Vincennes, depois transformada em manufatura real em Sévres. Desde esta época, as técnicas se aprimoraram na Inglaterra, Portugal, Espanha e, especialmente, na Alemanha.
As cores de grande fogo da queima em alta temperatura, por exemplo o azul cobalto, e os esmaltes policromáticos de queima com baixa temperatura favoreceram o desenvolvimento de motivos decorativos variados.
Em países onde a arte da cerâmica era tão próspera, devia naturalmente ocorrer aos arquitetos a idéia de substituir o mármore e o vidro pela faiança. Esta é, de início, timidamente empregada na Pérsia, onde os Aquemenidas tinham tão sabiamente utilizado esse material. Os revestimentos de faiança foram, particularmente, apreciados pelos Timúridas nas mesquitas e nos túmulos do leste da Pérsia e o Turquistão. Juntavam-se fainaças de cores diferentes. A Pérsia utilizou ladrilhos recortados unidos com gesso e emoldurados por varinhas de madeira, tendo também executado mosaicos de fainça. A Mesquita Azul de Tabriz e alguns edifícios de Iazd e Isfaã mostram-nos o gosto e a habilidade dos artistas. Este processo foi conhecido no Egito.
Já em 1330 um arquiteto de Tabriz construira ali a Mesquita de Cusum, o que prova a existência de relações. Essa técnica esteve em voga no Cairo, durante quinze anos. O mosaico de faiança ornamentava os mirabes, os minaretes, os tambores das cúpulas, os frisos e une-se aos cabuchões em relevo. A Síria parece ter produzido muitas das faianças que se vêem no Egito.

No século XVI adotaram-se desenhos mais complicados.
Foi no século XVII que nasceram numerosas fábricas de faiança. Nevers, desde 1690, imitara a decoração Persa sobre fundo brancos, azuis, mais raramente amarelos; a decoração japonesa policorma e; os temas religiosos tratados por Vouert ou Stella. Desde o fim do século XVII, Moustiers na Provence possuía ateliers onde a fonte de inspiração continuava sendo a maiólica italiana. Rouen, após um período de influência de Nevers, executava suas belas peças armoniadas com decoração bordada utilizando vermelhos e amarelos, difíceis de se obter, criando o que se chamou de estilo radiante.
Em 1730 operários de Moustiers criaram uma fábrica em Lyon. Moustiers imitavam os artífices de Samadet, de Grenoble, de La Rochelle de Montauban. Sceause inventou as “ faianças japonizadas”, as faianças finas ornadas em ramalhetes, cupidos, pássaros, de bordaduras lavradas e guarnecidas com realces em ouro.
No século XVIII a substituição das altas temperaturas pelo fogo de mufla permite a cozedura de faianças finas. Os ceramistas especializados nesse setor podiam inspirar-se na porcelana chinesa, mas ainda não conseguiam desvendar-lhe os segredos. O Saxe, graças à descoberta do caulim em Meissen em 1709, espalhou suas xícaras e suas figurinhas de porcelana. As fábricas francesas de Saint-Cloud, Chantilly a partir de 1725, Mennecy depois de 1730, Vincennes em 1738, continuavam a vender pastes tenras imitando amiúde a porcelana de Saxe.
Em 1753, Luiz XV, subvencionou os pesquisadores, transferiu Vincennes para Sévres Duplessis, ourives do rei, e desenhou modelos de sopeira: Pigalle, Boucher e centros de mesa. 
No ano de 1770 o caulim do Limousin permite, enfim, que se fabrique a porcelana dura. No fim do ´seculo,a introdução da faiança fina na Inglaterra arruinou muitas fábricas francesas. A partir de então, ao lado de biscuits (massa de porcelana não vidrada) e da porcelana de Sévres e Limoges sobreviveriam, principalmente, as faianças mais grosseiras em contínua produção nas províncias francesas. Também as faianças patrióticas, grandemente difundidas no tempo da Revolução à espera de que as fábricas de Choisy e de Creil, enfrentaram a concorrência das faianças finas da Inglaterra.

Como é fabricada a porcelana?
A massa da porcelana pode ser pastosa ou líquida. A pastosa é utilizada em peças modeladas em torno. Depois de misturada, a massa é peneirada, sem seguida, é colocada em filtroprensas que tem por finalidade retirar o excesso de água deixando aproximadamente 25% de umidade. A massa prensada é retirada e acondicionada em depósitos de envelhecimento, para sua conservação até a etapa subseqüente de vácuo, que transforma a massa em uma mistura homogênea e sem ar. Neste momento, atinge maior grau de plasticidade, podendo ser torneada. A líquida é a mesma massa pastosa, porém é diluída. Contém 30% de água. Também é chamada de barbotina. É usada na fabricação das peças para as quais de usa um molde. Essa modelação é tão somente a criação de um modelo em gesso, que servirá para a execução dos moldes de tal forma a permitir reproduções de um modelo original. 
A modelagem pode ser automática ou manual. A automática responsável por 90% deste processo, sendo utilizado para produzir pratos, pires, xícaras, tigelas e saladeiras pequenas. O processo manual de aplica a peças de maior dimensão como saladeiras grandes, prato de arroz e de bolo. 
Depois de secas, as peças sofrem a primeira queima, a 900º C, denominada biscoito, cujo objetivo é dar às peças resistência e porosidade para a perfeita absorção do verniz. Nesta etapa as peças adquirem um tom rosado.
O verniz é composto pelos mesmos materiais da massa, mas em quantidades diferentes. Através de um processo manual de imersão, o verniz adere à superfície da peça, formando uma película de cobertura. Após a aplicação do verniz ocorre uma segunda queima, que é realizada a uma temperatura que varia entre 1380º C a 1400º C. Nesta fase a massa torna-se completamente compacta, totalmente sem porosidade, adquirindo cor branca e vitrificada. Esta segunda queima dura, em média, 31 horas, mas pode durar até 89 horas dependendo da extensão do forno utilizado.
As peças já prontas são encaminhadas para o setor de classificação, que controla a qualidade do produto que é, então, lixado e pronto para decoração.
A decoração da porcelana é feita de diversas formas: com o uso de pintura mão livre, uso de estanhola (molde vazado), aplicação de decalque, transfer ou filetes. Algumas peças recebem mais de um processo durante a sua decoração.
No caso de decoração feita manualmente a demanda é grande por artesãos qualificados e necessita de maior tempo de execução, por isso não é mais praticado em larga escala, exceto por poucas fábricas que tem na decoração manual o seu diferencial.
A estanhola nada mais é que um molde vazado que serve de máscara para a aplicação de tinta á mão, com uso de pincel ou aerógrafo.
O decalque é um adesivo impresso em gráficas em um papel adesivo especial que é removido do suporte quando mergulhado em água e é, então, aplicado na peça de porcelana. Após ser colocado na posição correta, passa-se uma borracha para alisa-lo e fixa-lo. Na queima final da peça de porcelana, o papel adesivo é carbonizado, restando apenas a tinta impressa no decalque, que se funde ao verniz da porcelana. No caso do decalque, o processo de aplicação pode ser feito de duas formas: uma chamada “sobre esmalte”, onde a peça é levada ao forno numa temperatura de aproximadamente 800º C. A outra chamada “fogo forte” onde a peça é queimada a uma temperatura de aproximadamente 1200º C onde o decalque se funde com o esmalte que a porcelana tem na superfície, garantido que a decoração nunca sofra desgaste.

O transfer é um processo similar ao decalque, pois também é uma imagem impressa sobre um papel. Mas enquanto o decalque é aplicado após a vitrificação da porcelana, o transfer é aplicado antes, desta forma ficando por baixo do verniz final, sendo mais resistente ao desgaste. Geralmente é monocromático e é a forma tradicional de decoração das peças ‘azul e branco’.

Os filetes são aplicados com dois tipos de pincéis: a trincha e o pincel fino. As peças são colocadas em um torno para que possam girar livremente.

Após a decoração, as peças passam pelo controle de qualidade e a seguir sofrem a segunda queima para fixação da decoração. No final são lixadas, para tirar algum resíduo, e depois a mercadoria já pode ser embalada e comercializada.



Bibliografias:
Enciclopédia livre- Wikipédia - História da Arte- Louis Hautecoeur
www.antiguidades.com.br - www.rigohporcelana.com - www.brasilescola.com

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